sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Nem de menos...Nem de mais!




Canção das Mulheres


Que o outro saiba quando estou com medo,
e me tome nos braços
sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não saia batendo a porta,
mas entenda que não o amarei menos por que estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude,
e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade, e não se ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem, o outro goste um pouco mais de mim,
porque também preciso fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada, o outro não pense logo que estou nervosa,
ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.


Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo mais um pouco,
em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está sua verdade,
mas talvez seu medo, ou sua culpa.


Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles,
o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o amo mais.

Que se estou numa fase ruim, o outro seja meu cúmplice,
mas sem fazer alarde, nem dizendo
"Olha que estou tendo muita paciência com você!"


Que se me entusiasmo por alguma coisa, o outro não a diminua,
nem me chame de ingénua, nem queira fechar essa porta necessária
que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.


Que, quando sem querer, eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas,
o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que quando me levanto de madrugada e ando pela casa,
o outro não venha logo atrás de mim reclamando:
"Mas que chateação essa sua mania, volta p'ra cama!"


Que se eu peço uma segundo bebida no restaurante,
o outro não comente logo: "Poxa, mais uma?!"

Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura,
o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro:


filho,

namorado,

marido,

amigo,


não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva,
mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço,
não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha,

mas apenas uma pessoa:
vulnerável
e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa,

apenas...
"uma mulher".


Lia Luft



A EPIDEMIA DA INFERIORIDADE

Ele começou a vida com todos os obstáculos e desvantagens clássicas. A sua mãe era uma mulher dominadora, de vontade forte, que achava difícil amar as outras pessoas. Casou-se três vezes e o seu segundo marido divorciou-se dela porque o espancava regularmente. O pai da criança que estou descrevendo foi o seu terceiro marido. Morreu de um ataque cardíaco alguns meses antes do nascimento da criança. Como consequência, a mãe teve de trabalhar longas horas desde a mais tenra idade do filho.
Ela não lhe deu nenhum afecto, amor, disciplina ou educação nos primeiros anos da sua vida. Até o proibiu de lhe telefonar quando estava a trabalhar. As outras crianças não queriam saber dele, por isso estava quase sempre sozinho. Foi totalmente rejeitado desde pequeno. Era feio, pobre, mal-educado e detestável.
Quando tinha treze anos de idade o psicólogo de uma escola comentou que provavelmente o rapaz nem sabia o significado da palavra 'amor'.

Durante a adolescência as meninas não queriam saber dele e ele brigava com os garotos. Apesar de um Quociente de Inteligência alto, fracassou na escola e finalmente desistiu de estudar no terceiro ano.
Pensou que seria aceite na Marinha. Eles formavam homens, é o que se dizia, e ele queria ser um Homem. Mas os seus problemas acompanharam-no. Os outros marinheiros riam dele e ridicularizavam-no. Ele defendeu-se, resistiu à autoridade, enfrentou a corte marcial e foi expulso da Marinha com uma dispensa desonrosa.
Ali estava ele – um jovem com pouco mais de vinte anos – absolutamente sem amigos e naufragado. Era pequeno e magro. A sua voz era esganiçada como a de um adolescente. Estava ficando calvo. Não tinha talento, nem habilidade, nem valor. Nada.

Novamente pensou que podia fugir dos seus problemas se fosse morar num país estrangeiro. Mas lá também foi rejeitado. Nada mudou. Enquanto lá esteve, casou-se com uma jovem que era filha ilegítima e trouxe-a com ele de volta aos Estados Unidos. Mas logo ela começou a criar o mesmo desprezo por ele que todos demonstravam. Deu-lhe dois filhos, mas ele jamais desfrutou do status e do respeito que um pai deve ter.

O seu casamento continuou a esfacelar-se. A sua esposa exigia, cada vez mais, coisas que ele não lhe podia dar. Em lugar de aliar-se a ele contra o mundo amargo, como ele esperava, tornou-se o seu mais perverso oponente. Podia derrotá-lo nas brigas e aprendeu a intimidá-lo. Em determinada ocasião, trancou-o na casa de banho para castigá-lo. Finalmente, forçou-o a abandoná-la.

Tentou viver sozinho, mas sentia-se terrivelmente solitário. Depois de dias de solidão, foi para casa e literalmente implorou que ela o aceitasse de volta. Perdeu todo o orgulho. Rastejou. Humilhou-se. Aceitou as suas exigências. Apesar do seu magro salário, deu-lhe algum dinheiro de presente, dizendo que podia gastá-lo como bem entendesse. Mas ela riu-se dele. Zombou das suas frágeis tentativas para sustentar a família. Ridicularizou o seu fracasso. Zombou da sua impotência sexual diante de um amigo que lá estava.
Em certa ocasião, quando as trevas do seu pesadelo particular o envolveram, caiu de joelhos e chorou amargamente.

Finalmente, em silêncio, deixou de lutar. Ninguém o queria. Ninguém jamais o quisera. Talvez fosse o homem mais rejeitado da actualidade. O seu ego jazia despedaçado, feito pó!
No dia seguinte, tornou-se um homem estranhamente diferente. Levantou-se, foi à garagem e apanhou uma espingarda que ali escondera. Levou-a consigo para o emprego, que acabara de arranjar, num depósito de livros.

E de uma janela do quinto andar daquele prédio, logo depois do almoço, no dia 22 de Novembro de 1963, atirou duas balas que esfacelaram a cabeça do Presidente John Fitzgerald Kennedy.

Lee Harvey Oswald, o rejeitado, o detestável fracasso, matou o homem que, mais do que qualquer outro homem na face da terra, personificava todo o sucesso, beleza, riqueza e amor familiar que lhe faltavam. Ao disparar aquelas balas, utilizou a única habilidade que adquirira em toda a sua miserável vida.


Os problemas pessoais de Oswald não justificam o seu comportamento violento, é claro, e eu não tentaria absolvê-lo da culpa e da responsabilidade. Mas uma compreensão do seu tormento interior e da sua confusão ajuda-nos a vê-lo, não só como um perverso assassino, mas também como o homem digno de dó e derrotado em que se transformou. Em cada dia da sua vida, desde os solitários dias da infância até o momento televisionado da sua morte espectacular, Oswald experimentou a consciência esmagadora da sua própria inferioridade.
Finalmente, como geralmente acontece, a sua angústia transformou-se em ira.

A maior das tragédias é que a situação angustiosa de Lee Harvey Oswald não é coisa fora do comum no mundo hoje.
Enquanto outros talvez reajam menos agressivamente, esta mesma percepção consumidora, de insuficiência, pode ser encontrada em todos os caminhos da vida - em cada vizinhança, em cada igreja e em cada ambiente escolar. É particularmente verdadeiro quanto aos adolescentes de hoje.
Tenho observado que a grande maioria dos que estão entre os doze e os vinte anos de idade sentem-se amargamente desapontados com o que são e o que representam. Num mundo que adora os 'super-stars' e os homens-milagres, eles olham no espelho à procura de sinais de grandeza, e encontram apenas um caso terminal de acne.
A maioria desses jovens desanimados não admitirá o que sente porque dói reconhecer esses pensamentos íntimos. Oswald jamais tornou públicas as dúvidas que tinha de si mesmo e a sua solidão - nem lhe teríamos dado ouvidos se o fizesse.

Assim, grande parte da rebeldia, insatisfação e hostilidade dos adolescentes emana dos sentimentos avassaladores e incontroláveis de inferioridade e incapacidade que, raramente, encontram expressão verbal.


Mas os adolescentes não estão de modo nenhum sozinhos nesta desvalorização pessoal. Cada idade apresenta as suas ameaças próprias e únicas ao amor-próprio. Como pretendo discutir, as criancinhas sofrem tipicamente de uma severa perda de status durante os mais tenros anos da infância. Do mesmo modo, a maioria dos adultos ainda está tentando conviver com a inferioridade experimentada no começo da vida. E estou convencido que a senilidade e a deterioração mental no fim da vida frequentemente resultam da crescente percepção que os idosos experimentam de que estão vivendo num mundo exclusivamente de jovens; no qual rugas, dores lombares e dentaduras são assuntos de zombaria; onde as suas ideias estão fora de moda e a sua existência infinita é um peso.
Este sentimento de inutilidade é a recompensa especial que reservamos para os sobreviventes da vida, e não me surpreendo que os idosos frequentemente 'se desliguem' intelectualmente.

Assim, se o sentimento de incapacidade e inferioridade são tão universalmente dominantes em todas as idades da vida actual, temos de nos perguntar:
Porquê?


Porque é que os nossos filhos não podem crescer aceitando-se como são? Por que tantos sentem que não são amados e que são detestáveis? Por que os nossos lares e escolas produzem mais desespero e autodesprezo em lugar de confiança, calma e respeito? Por que todas as crianças têm de bater com a cabeça na mesma velha roda? Estas perguntas são muitíssimo significativas para os pais que desejam proteger os seus filhos da agonia da inferioridade.


Alguns dos pequeninos vão-se sentir tão inferiores
que pensarão que até Deus não poderia amá-los.
Sentem-se tão completamente indignos e vazios,
a pensar que Deus não se importa nem compreende.


Chris era uma criança assim. Escreveu o seguinte bilhetinho ao Dr. Richard A. Gardner,
um psicoterapeuta que trabalha com crianças:



"Querido Doutor Gardner

O que me está a chatear é que há muito tempo uma pessoa grande,
um menino de mais ou menos 13 anos de idade, chamou-me de tartaruga;
e eu sei que ele disse isso por causa da minha cirurgia plástica.
E eu acho que Deus me odeia por causa do meu lábio. E quando eu morrer
Ele provavelmente vai me mandar para o inferno.

Com amor, Chris"

Você é capaz de sentir a solidão e o desespero de Chris?
Que infelicidade para uma criança de 7 anos de idade crer que já é odiada por todo o universo!
Que desperdício de potencial desde o momento do seu nascimento!
Que sofrimento desnecessário suportará por toda a sua vida!

Mas Chris é apenas outra vítima do sistema estúpido e vazio de avaliação do mérito humano
- um sistema que destaca os atributos que não podem ser obtidos pela maioria dos nossos filhos.
Em lugar de recompensar a honestidade, a integridade, a coragem, a habilidade, o humor, o espírito maternal, a lealdade, a paciência, a diligência, ou outras virtudes que eram louvadas antigamente, reservamos o crédito máximo para os jovens inteligentes que 'têm boa aparência' na praia.

Não seria apropriado que abandonássemos esta discriminação desnecessária?

A actual epidemia de insegurança resultou dum sistema totalmente injusto e desnecessário de avaliação dos valores humanos, agora predominante na nossa sociedade. Nem todos são considerados dignos; nem todos são aceites. Pelo contrário, reservamos o nosso louvor e admiração para alguns poucos escolhidos que foram favorecidos desde o nascimento com características que consideramos de alto valor. É um sistema perverso, e nós, na qualidade de pais, temos de contrabalançar o impacto. Este livro procura demonstrar que todas as crianças têm valor e devem receber o direito ao respeito e à dignidade pessoais.  Pode ser feito!

... Espero que o leitor veja com que eficiência (e geralmente sem tomar consciência do facto) ensinamos às nossas criancinhas que o mérito e a aprovação social estão além do seu alcance. Assim, glorificando um modelo idealizado ao qual poucos conseguem igualar-se, criamos um imenso exército de 'joões-ninguém' - que nasceram perdedores e ficaram desanimados da vida antes de realmente ela começar. Tal como Lee Harvey Oswald, voltam-se para cá e para lá, a procurar, em vão, uma solução para o seu vazio e sofrimento interiores. Para os milhões que nunca a encontram, a estrada para o mérito pessoal transforma-se num longo desvio, não pavimentado, que não leva a lugar nenhum.

A questão do mérito pessoal não é apenas uma preocupação daqueles que têm falta dele. Num sentido bem real, a saúde de toda a sociedade depende da facilidade com que os seus membros individualmente podem obter aceitação pessoal.

Assim, sempre que as chaves do amor-próprio parecem estar fora do alcance de uma grande percentagem de pessoas, há uma ocorrência ampla e certa de 'doenças mentais', neurose, alcoolismo, abuso de drogas, ódio, violência e desordem social. O mérito pessoal não é uma coisa que os seres humanos têm a liberdade de pegar ou largar. Precisamos dele e, quando é inatingível, todos sofrem.


Esconde-Esconde - Editora Vida
James Dobson
Psicólogo
(Ler mais em Meditação para a Saúde,
AUTO-ESTIMA, 01/10/2010)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

LAR, doce LAR




O Dr. James Dobson é psicólogo e conselheiro familiar há mais de 25 anos, além de fundador e presidente da Focus on the Family, uma organização que se dedica ao apoio e preservação de lares e famílias em todo o mundo. Os seus programas são transmitidos mundialmente por mais de 4 000 emissoras de rádio, e as revistas publicadas pela Focus on the Family são lidas mensalmente por mais de 3 milhões de pessoas.
Editora United Press Ltda

Este livro é dedicado à família e aos homens, mulheres e crianças que vivem e amam dentro desta unidade básica da sociedade – o Lar.
As instituições do casamento e da paternidade são essenciais para o futuro da humanidade. Devemos dar-lhes todas as oportunidades para que sobrevivam e floresçam num ambiente cada vez mais hostil. Se os comentários neste livro contribuírem para este objectivo de alguma forma, então
o meu esforço para escrevê-los terá valido a pena.
Dr. James Dobson


INTRODUÇÃO

Obrigada pelo seu interesse neste pequeno livro – Lar, Doce Lar. Permita-me dizer-lhe como ele veio a ser escrito e qual é o motivo por que foi preparado. Nos últimos anos, tenho tido o privilégio de entrar diariamente nos lares de milhões de pessoas através de 250 das maiores emissoras de rádio e estações de televisão nos Estados Unidos. O programa também está a ser transmitido noutros países, visando alcançar 50 milhões de pessoas em cada semana no próximo ano. Este programa de 90 segundos, chamado «Focus on the Family Commentary» (Comentários – Valor para a Família), trata de uma ampla variedade de assuntos relacionados com o casamento, o papel dos pais e questões importantes para o lar.

A única dificuldade de preparar este programa é o tempo muito curto. É realmente um desafio apresentar um tema, dizer alguma coisa útil e interessante sobre ele, e, então, apressadamente, anunciar o encerramento sem exceder o limite de tempo. Alguns de vós sabeis o quanto é difícil resumir qualquer pensamento ou ideia num minuto e meio. É mais fácil falar durante horas do que falar por alguns poucos instantes.
Finalmente, este formato conciso também impõe uma certa disciplina ao processo comunicativo. Cada palavra deve ser escolhida com cuidado. Cada conceito é fervido em alta temperatura até que se reduza ao essencial. Elimina-se tudo o que for supérfluo. O resultado final é uma série de recomendações e comentários que foram afiados e polidos ao ponto máximo.

O leitor não vai desperdiçar tempo algum para chegar à essência da questão. O livro que tem em mãos é uma selecção desses comentários de que falei, que espero sejam do seu interesse e lhe sirvam de ajuda. Eles tratam de Adolescência, Dinheiro, Sexo, Velhice, Disciplina dos filhos e dezenas de outros assuntos que dizem respeito à família. Alguns são práticos. Outros, espirituais. Alguns são sérios. Outros, engraçados. E alguns têm simplesmente a intenção de inspirar o que há de melhor dentro de nós. No final, cada comentário é destinado a fazer a sua própria pequena contribuição para as relações mais importantes – aquelas que florescem no lar – para que sejam um LAR, doce LAR.

Um brinde à sua família.
James C. Dobson, Ph.D.



AUTORIDADE PATERNA

Um escritor especializado no assunto de desenvolvimento da criança sugeriu que os pais e os filhos deveriam estar ao mesmo nível – e assim tomarem decisões baseadas em negociação e acordo. Afinal de contas, disse ele, quem sabe o que é melhor para o menino ou menina? Talvez o filho esteja certo, e o pai, errado.
Quando ouvi esse conselho, do qual discordo fortemente, lembrei-me do pequeno hamster que a minha filha tinha quando era criança.
Certo dia, fiquei observando o pequeno e peludo animal a tentar sair da sua gaiola.
Ele tentou incessantemente abrir a porta e enfiar o narizinho peludo entre as barras da gaiola.

Foi então que notei o nosso cachorrinho bassê, Siggie, sentado a apenas três metros de distância, escondido nas sombras. Ele também estava observando o hamster. As suas orelhas estavam em pé, e era bem óbvio o que ele estava pensando: Vamos lá, nené. Abra essa gaiola e você será o meu almoço.
Se o hamster tivesse a infelicidade de escapar da gaiola, algo que ele queria desesperadamente fazer, morreria em questão de segundos. Obviamente, de onde eu estava, vi algo que o hamster não podia saber. Eu tinha uma perspectiva diferente da dele. Eu podia perceber perigos que ele não podia antever. Por isso, neguei-lhe algo que ele desejava muito conseguir.

A mesma coisa acontece com as crianças. Os pais têm a perspectiva de maturidade que falta aos seus filhos. Às vezes, aquilo mesmo que mais desejam seria desastroso se lhes fosse dado. É por isso que sou um defensor ardoroso da autoridade paterna quando os filhos ainda são pequenos.

Mesmo que os pais não sejam perfeitos, a maioria deles faz o que é melhor para os seus filhos – e não podemos minar a sua capacidade de liderar os seus próprios lares. Essa posição é inequivocamente apoiada pelas Escrituras. O apóstolo Paulo escreveu: «Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor». Colossenses 3:20.





A LIGAÇÃO ENTRE COMPORTAMENTO E CONSEQUÊNCIAS

Proteger uma criança das consequências do seu comportamento pode levá-la a tornar-se mais tarde um adulto imaturo.

Um dos objectivos primordiais durante a pré-adolescência é ensinar à criança que o comportamento leva inevitavelmente a consequências. Infelizmente, a conexão é muitas vezes interrompida. Por exemplo, uma criança quer ter um cachorro, mas nunca lhe pedem para alimentá-lo e cuidar dele.

Uma criança de dez anos é apanhada roubando doces numa loja, mas é libertada para ficar sob a custódia dos pais. Nada acontece. Um jovem de quinze anos pega as chaves do carro da família, mas os pais pagam a multa por ele conduzir sem carta de condução.

Assim, durante toda a infância, esses pais amorosos, em seus mal orientados esforços para proteger o filho ou a filha de um desgosto, colocam-se entre o comportamento deles e as consequências naturais e inevitáveis que daí decorrem. Sob tais circunstâncias, uma pessoa jovem pode entrar na idade adulta sem saber realmente que a vida pode feri-lo.

Ele ou ela pode tornar-se um adulto constantemente adolescente precisando sempre que alguém pague a fiança pelas suas confusões e irresponsabilidades.

Como evitar este erro? Ligando o comportamento às consequências.

Se a Jane descuidadamente perde o dinheiro do seu lanche, ela simplesmente fica sem o lanche. Se o Jack perde o autocarro da escola porque se atrasou pela manhã, ele que trate de caminhar até à escola. Obviamente, seria fácil levar este princípio muito longe e tornar-se cruel. Mas um gostinho de fruta amarga que a irresponsabilidade proporciona pode ensinar a um jovem lições valiosas que lhe serão úteis mais tarde.





UMA ESTRELA NA MAÇÃ

Alguns pais referem-se aos seus filhos como a «maçã» dos seus olhos, mas uma mãe que conheço pensa nos seus filhos afectuosamente como a «estrela» na maçã. Essa mãe descobriu um dia que, cortando uma maçã horizontalmente ao meio, em vez de tirar o caroço ou fatiá-la em forma de cunhas de alto a baixo, alguma coisa nova e surpreendente apareceu. Uma perfeita estrela de cinco pontas foi formada pelas pequeninas sementes no centro.

A estrela sempre esteve lá, naturalmente, mas ela simplesmente nunca a tinha visto antes porque olhava a maçã de um ponto de vista diferente. Há aqui uma analogia com as crianças que me intriga. Muitos de nós olhamos para essas pequenas criaturas, que chamamos filhos, de um certo modo, ano após ano.

Nós os vemos talvez como preguiçosos ou irritantes ou exigentes. Mas as crinças são infinitamente complexas, e podemos estar negligenciando qualidades de carácter que nunca vimos antes. Podemos estar perdendo a «estrela» no coração dessas vidas jovens. Se procurarmos vê-las através de novos olhos uma vez ou outra, poderemos vislumbrar toda uma nova e maravilhosa dimensão das suas personalidades que nos passou despercebida antes.

Portanto, dê-lhes uma chance! Comece a olhar os seus filhos de um novo ângulo. Há, prometo, uma estrela engastada nalgum lugar dentro de cada menino e menina.

James Dobson in Lar, doce Lar

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

10 PALAVRAS PARA O NOSSO TEMPO






A Bíblia descreve Deus como um Criador inteligente e amoroso que tudo realiza de acordo com um conjunto de leis. O mundo físico está governado por leis, o que é muito necessário para a marcha ordenada do universo. Algumas dessas leis são conhecidas pelo homem. Algumas levam o nome dos cientistas que as descobriram conquanto sejam as mesmas leis que Deus instituíu há milhares de anos. A Bíblia também nos ensina que todas as criaturas de Deus estão sujeitas à lei, e que esta lei, que reflecte o Seu carácter, baseia-se no amor.

A palavra amor é um termo usado muito liberalmente nestes tempos.
O seu verdadeiro significado tem sido pervertido e o homem explora-
-o para lograr os seus propósitos egoístas. Segundo a Bíblia:

Amor

significa

preocupar-se

com o Bem-estar e Felicidade

do nosso Semelhante.


Um amor assim não pode dividir-se em secções arbitrariamente. Não podeis amar um segmento da sociedade e ao mesmo tempo despreocupar-vos com outros. O amor não se limita a uma só família, comunidade ou nacionalidade. É um sentimento, implantado por Deus nos nossos corações, que implica o preocupar-se com o bem do nosso vizinho; e, segundo Cristo, o nosso vizinho é todo aquele que necessita de ajuda.

Esta lei de Deus inclui o princípio do amor e o respeito mútuos. Cristo definiu isto como a regra de ouro.
«Façam aos outros como desejam que os outros vos façam.» (S. Lucas 6:31).

Deus promulgou essa lei de amor como uma protecção da individualidade e bem-estar da raça humana. Nas Sagradas Escrituras é mencionada como a «lei de Deus» a fim de diferenciá-la de outras leis que aparecem no Antigo Testamento, referidas como «leis de Moisés».

A  lei  de  Deus  é  assim  chamada  porque  não  foi  dada  oralmente,  mas  escrita  em  tábuas  de  pedra  pelo  próprio  Deus.
Os mandamentos da lei de Deus são dez e estão registados na Bíblia, no livro de Êxodo, capítulo 20, versículos 3 a 17.



OS DEZ MANDAMENTOS


1. «Não  tenhas  outros  deuses,  além  de  Mim.»

Deus pede o primeiro lugar nas nossas vidas e afectos.

2. «Não  faças  para  ti  imagens  esculpidas  representando  o  que  há  no  céu,  na  terra,  e  nas  águas  debaixo  da  terra.  Não  te  inclines  diante  de  nenhuma  imagem,  nem  lhes  prestes  culto,  porque  Eu,  o  Senhor,  teu  Deus,  não  tolero  que  tenham  outros  deuses  e  castigo  a  maldade  daqueles  que  Me  ofendem  até  à  terceira  e  quarta  geração  dos  seus  descendentes.  Mas  trato  com  amor,  até  à  milésima  geração,  aqueles  que  Me  amam  e  cumprem  os  Meus  mandamentos.»

Deus proíbe a idolatria em todas as suas formas, seja a adoração de imagens, pessoas, dinheiro, possessões mundanas ou qualquer outro tipo de ídolo.

3. «Não  faças  mau  uso  do  nome  do  Senhor,  teu  Deus,  porque  Ele  não  deixará  sem  castigo  os  que  fizerem  mau  uso  do  Seu  nome.»

Deus espera que sejamos reverentes em todos os assuntos pertinentes a Ele e à Sua adoracão. O Seu nome não deve ser usado para expressar um juramento ocioso e muito menos blasfemo.

4. «Recorda-te  do  dia  de  sábado,  para  o  consagrares  ao  Senhor.  Podes  trabalhar  durante  seis  dias,  para  fazeres  tudo  o  que  precisares.  Mas  o  sétimo  dia  é  dia  de  descanso,  consagrado  ao  Senhor,  teu  Deus.  Nesse  dia,  não  faças  trabalho  nenhum,  nem  tu  nem  os  teus  filhos  nem  os  teus  servos  nem  os  teus  animais  nem  o  estrangeiro  que  viver  na  tua  terra.  Porque,  durante  os  seis  dias,  o  Senhor  fez  o  céu,  a  terra,  o  mar  e  tudo  o  que  há  neles,  mas  descansou  no  sétimo  dia.  Por  isso,  o  Senhor  abençoou  o  dia  de  sábado  e  declarou  que  aquele  dia  era  sagrado.»

Deus designou um dia para o descanso e a adoração. Separou-o na própria criação para o bem-estar espiritual mais elevado do homem.

5. «Respeita  o  teu  pai  e  a  tua  mãe,  para  que  vivas  muitos  anos  na  terra,  que  o  Senhor,  teu  Deus,  te  vai  dar».

Deus espera que respeitemos e amemos os nossos pais, e que honremos os que têm autoridade.

6. «Não  mates».

Deus ensina-nos a respeitar a vida dos outros, e a não abrigar sentimentos de ódio e vingança.

7. «Não  cometas  adultério».

Deus deseja que sejamos puros em palavras, pensamentos e acções, evitando mesmo a aparência do mal.

8. «Não  roubes».

Deus exorta-nos a respeitar a propriedade alheia e a ser honrados nos nossos negócios e assuntos financeiros, como também nas nossas relações mútuas.

9. «Não  faças  uma  acusação  falsa  contra  ninguém.»

Deus quer que sejamos verdadeiros em todos os momentos e sob todas as circunstâncias.

10. «Não  cobices  a  casa  do  teu  semelhante:  não  cobices  a  sua  mulher  nem  os  seus  escravos  nem  o  seu  gado  nem  os  seus  jumentos  nem  coisa  nenhuma  do  que  lhe  pertence.»

Deus quer que estejamos contentes com o que nos deu. Deveríamos sentir-nos gratos pelo que temos e não albergar desejos desordenados.


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Durante as últimas décadas muitos dirigentes religiosos têm diminuído a importância das obrigações do homem para com Deus e os Seus Mandamentos. Esse abandono da lei de Deus trouxe como consequência o horrível estado de violência em que vive a nossa geração. Não se tem na devida estima os mandamentos de Deus. Foram esquecidos por tanto tempo, e por tanta gente!
Não obstante, Deus proveu um meio pelo qual os Seus planos originais para com o homem haveriam de ser cumpridos. Essa provisão consistiu na identificação de Deus com o homem, ao vir Deus à Terra em forma humana para demonstrar que a lei é santa, justa e boa. Essa identificação de Deus com o homem manifestou-se na pessoa do nosso Salvador Jesus Cristo. Satanás não pode acusar Jesus de nada. Ele sempre obedeceu aos mandamentos do Seu Pai ao longo de uma vida de contínua comunhão com Ele e dependência do Seu poder. Cristo, sem pecado, sofreu uma morte vicária para livrar o homem da sentença de morte.

Deus nunca alterou a Sua lei, mas fez provisão para salvar o pecador. Mediante a fé nos méritos do Seu sacrifício, e por Sua graça, o pecador muda totalmente a sua atitude para com Deus e a Sua lei. A vida que antes estava oposta a Deus, agora coopera com Ele para alcançar o objectivo de um carácter transformado. O coração que antes não se sujeitava à lei, agora deleita-se em fazer a Sua vontade. A natureza egoísta e rebelde de antes transforma-se numa natureza que ama e respeita o Criador e o próximo.

O milagre que se produz é assim descrito pelo apóstolo São João: «Nós sabemos que amamos os filhos de Deus se amarmos a Deus e cumprirmos os Seus mandamentos. O amor de Deus consiste em cumprirmos os Seus mandamentos. E os Seus mandamentos não são um peso.» (I S. João 5:2, 3).

O Senhor Jesus resumiu os Dez Mandamentos nestas palavras: «Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a alma, e com todo o entendimento. Este  é  que  é  o  primeiro  e  o  mais  importante  dos  mandamentos.  O  segundo  é  semelhante  a  este: Ama o teu próximo como a ti mesmo» (S. Mateus 22:37-39).

Quando se aceita a Cristo produz-se um «transplante» de coração: «Vou dar-vos um novo coração e um novo espírito. Em vez do vosso empedernido coração de pedra, vou dar-vos um coração humano obediente. Vou pôr o meu Espírito em vós e farei com que obedeçam fielmente às Minhas leis e aos Meus mandamentos que vos dei.» (Ezequiel 36:26, 27).

O sacrifício de Cristo não só nos oferece perdão, esperança e vida eterna, como também nos proporciona o poder necessário para viver uma vida em perfeita harmonia com a Sua vontade, segundo é revelada nos Dez Mandamentos.

Por Que Não Aceitar A Cristo Hoje

A Fim De Participar Dessa Bela Experiência

Agora E Para Sempre?


G. J. Christo in SINAIS dos TEMPOS

Citações Bíblicas extraídas da Tradução Interconfessional A BOA NOVA
Edição da DIFUSORA BÍBLICA (Franciscanos Capuchinhos) - 1999.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

GOTINHA DE ÁGUA







Era uma vez uma menina
chamada Gotinha de Água...

Olha as praias lá em baixo!
E casas! E meninos a brincar!
E estradas e pontes
e automóveis e combóios a passar!

Depois o vento parou.
A gotinha estremeceu quando viu
dum lado a outro do céu
as nuvens escurecerem como breu.
Olhava para baixo e via
a terra seca, os campos secos,
secas as fontes,
as flores e as searas murchas,
e os homens tristes, muito tristes
sem pão para darem aos meninos.

Então, a menina Gotinha de Água,
que tinha nascido no mar e usava
um vestido de esmeralda e luar,
pensou:
E se eu fosse dar de beber
às flores, aos campos,
se eu fosse matar a sede
e a fome aos homens e aos meninos?
E disse muito alto às suas irmãzinhas:
- Vamos.
E deixou-se cair.
Ia à frente de milhões de gotinhas
todas vestidas de esmeralda e luar
e sorriam, cantavam e assobiavam
enquanto caíam.

A menina Gotinha de Água pousou
mesmo na boca duma flor
que sorrindo feliz lhe disse:
- Bendita! Bendita sejas!

E logo uma abelha, que andava por ali
em busca de pólen para fazer mel,
pousou numa pétala da linda flor
e falou-lhe assim:
Bom dia, meu amor.
Queres tu dar-me um pouquinho
do teu pólen para os meus favos?
E a flor de pétalas de ouro
abertas e cobertas de gotinhas de água,
todas vestidas de esmeralda e luar,
só lhe disse:
- Leva o pólen que quiseres para o teu mel!
O Sol brilhava agora cheio de alegria
e sacudia a luz da sua cabeleira
sobre o mundo.
E as searas que estavam a morrer de sede
encheram-se de espigas
e as árvores abriram no ar
os braços carregados de frutos
tão docinhos: ameixas, figos
maçãs, pêras e uvas!
E os homens, as mulheres e os meninos
agradeciam satisfeitos
à chuva que viera livrá-los
da sede e da fome.
- Obrigado!
Obrigado!


Papiniano Carlos
A Menina Gotinha de Água





«PouPem-Me! ...

...   ou vão sentir a minha falta»

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A MINHA PRISÃO DE ÓDIO


"Se ele tivesse feito à sua filha o que fez à minha, provavelmente também o odiaria."


Aconteceu ao anoitecer de um nublado sábado de Janeiro.
Tinha o jantar pronto para Patrícia, que geralmente chegava às cinco da tarde do seu trabalho no centro de Denver.
Às sete eu já estava caminhando a passos largos pela sala, tensa e preocupada. Patrícia não agia dessa maneira: era uma mulher madura, de 35 anos, que sempre me mantinha informada do seu paradeiro. Como de costume, tinha-me telefonado às cinco para me dizer que estava activando o alarme contra ladrões e preparando-se para sair do escritório.
Eu estava agora muito preocupada. Não tinha ninguém neste mundo, a não ser Patrícia. O seu pai tinha morrido quando ela tinha quinze anos, e embora houvesse bastante diferença de idade, éramos muito amigas. Patrícia tinha vivido noutra cidade por algum tempo, mas regressou a Denver para frequentar um colégio religioso, trabalhando num escritório em regime de tempo parcial. Planeava tornar-se missionária para que outras pessoas conhecessem a Cristo, e tudo nela me dava grande satisfação.


Telefonei para o seu escritório. Nenhuma resposta. Depois telefonei para a companhia que tinha instalado o alarme contra ladrões, e inteirei-me que o alarme tinha sido activado às cinco da tarde.
Teria ocorrido um acidente? Não queria telefonar à polícia; era como admitir que podia ter acontecido algo terrível. Mas finalmente telefonei.
"Não - disseram eles depois que a descrevi -, não temos nenhuma informação."
Telefonei freneticamente para os hospitais, e informaram-me que nas últimas horas não tinham internado ninguém que se parecesse com Patrícia.
Olhei para o relógio: nove da noite. Um dos comentários de Patrícia durante a nossa última conversação telefónica soava na minha memória como um sino fúnebre: "Esqueci-me de estacionar o automóvel na frente do edifício, mamã", - tinha ela dito -. Tenho medo de ir àquela zona de estacionamento da parte de trás."

Desesperada agora, telefonei para o seu professor no colégio religioso. Respondeu-me que iria com alguns dos jovens ao escritório de Patrícia. Telefonou-me meia hora mais tarde. Nenhum vestígio de Patrícia ou do seu veículo.
"Obrigada, Eduardo", disse debilmente, sentindo que o meu coração se afundava mais e mais.
"Há algo que eu possa fazer?", perguntou-me.
"Não", suspirei, colocando o telefone no suporte.
Durante toda a noite aguardei na sala, telefonando para a Polícia aproximadamente de hora a hora. De manhã cedo veio um agente da polícia para obter uma descrição detalhada de Patrícia, do seu vestuário e do seu automóvel. Dei-lhe uma foto que tinha tirado em frente da igreja poucos meses atrás.
Pelas 1o horas, telefonaram da central da Polícia para formularem uma pergunta estremecedora: "A sua filha tem alguma cicatriz ou marca que a possa identificar?"
Recordei que quando criança Patrícia estava a brincar com alguns amiguinhos da vizinhança, tentando imitar as façanhas de Tarzã, escorregou, e o ramo ponteagudo de uma árvore causou-lhe um profundo golpe no braço. A única coisa que lhes pude dizer foi comentar sobre tal cicatriz.

Telefonaram mais duas vezes. Na segunda vez queriam ter o nome do Pastor. Já pela tarde decidi que seria bom preparar alguma coisa para comer. Precisamente nesse momento vi que o director do nosso côro, Harvey Schroeder, se aproximava da minha casa cabisbaixo. Dois homens que tinham descido de um veículo da esquadra da Polícia acompanhavam-no.
Recebi-os à porta. "Encontraram Patrícia, não é verdade?"
"Sim, Senhora Hanna. Encontrámo-la.", respondeu um dos homens com olhos denotando dor profunda.
"Ela não virá para casa, não é verdade?"
"Não."

Dois jovens que tinham saído para caçar no domingo de manhã encontraram o corpo dela à margem do caminho, aonde evidentemente tinha sido lançada de um automóvel.
A casa dava voltas e eu parecia suspensa no espaço.
"Senhor Hanna... Senhora Anna!"
Ajudaram-me a sentar. Estive ali por um longo espaço de tempo olhando sem nada ver.
Depois fiquei só, na casa desolada. Quando o vento nocturno agitava os ramos endurecidos pelo gelo contra a janela do quarto, eu estava ainda desperta, pensando nos últimos momentos da minha filha sobre a Terra. Tinha sido violentada e esfaqueada.

Não podia crer que alguém pudesse fazer algo tão perverso, tão cruel contra outro ser humano! Quando pensava no assassino desconhecido, um ódio frio se apoderava de mim, um ódio que ia crescendo cada vez mais.
Dominada por uma paixão de ver apresentada perante a justiça a pessoa que tinha assassinado a minha filha, examinava os diários e mantinha-me em contacto com a Polícia.
Em Março o criminoso assestou novo golpe. Certa manhã foi encontrado o corpo de uma mulher atrás de uma Igreja. Junto a ela alguém tinha escrito na neve: «Odeio as mulheres».
Poucos meses depois outra mulher foi atacada, mas conseguiu escapar. A polícia suspeitou que se tratava do mesmo homem. Finalmente, num sábado de tarde no mês de Outubro, uma mulher foi atacada num centro comercial no momento em que entrava no seu carro. Enquanto lutava desesperadamente contra o homem que já a tinha ferido, um polícia correu para o local, e prendeu-o.

Nunca me esquecerei do momento em que vi o rosto do assassino da minha filha olhando-me de uma página do diário Post, de Denver. O seu nome era Carlton Moore. Pegando numa faca de abrir cartas, lenta e deliberadamente comecei a golpear contra o seu rosto, repetidamente, até que o papel ficou reduzido a tiras.
Agora tinha alguém em quem podia concentrar o meu ódio acumulado. Li que Moore tinha sido criado num lar com problemas, com um pai alcoólico e uma mãe perturbada. Embora ele tivesse um elevado quociente intelectual, tinha sido tão maltratado e descurado que a partir dos nove anos tinha entrado e saído muitas vezes do reformatório. Carlton Moore tinha sido posto em liberdade condicional só dois meses antes da data em que matou a minha filha.
Quando se realizou a audiência pública do julgamento, fui ao tribunal localizado no centro da cidade, e observei tudo do fundo da sala. Se os meus olhos pudessem matar, Moore teria sido morto naquele instante.

Segui o caso de perto. Carlton Moore confessou-se culpado pelo assassinato que tinha cometido em Março, e foi sentenciado a prisão perpétua.
Era tão injusto! Como podia ele continuar a viver, quando a minha filha tinha morrido?
Passaram-se meses e finalmente uma ano. A amargura e o ressentimento apoderavam-se de mim cada vez mais. Isto reflectia-se no meu procedimento, e especialmente na minha linguagem cáustica. Dei-me conta de que os meus companheiros de trabalho evitavam-me.
Nestas circunstâncias, naturalmente, não me sentia feliz. Convertida quase numa reclusa, recusava convites para jantar ou para assistir a actividades sociais, e ía à Igreja mais por hábito do que por desejo.
Transcorreram quase dois anos, anos de visitas solitárias às sepulturas de Patrícia e do meu esposo. Agora, com 62 anos, não me interessava quanto tempo mais poderia viver. A única coisa que parecia viver em mim era o ódio ardente que estava no meu interior como um fogo subterrâneo numa mina de carvão, fumegando, consumindo em mim tudo o que outrora havia respondido ao amor, ao riso e à beleza.

Foi então que ocorreu algo de decisivo numa fria manhã de Domingo, em Dezembro de 1971, na classe bíblica da minha Igreja.
Don Gentry, dirigente da Sociedade dos Gideões - Sociedade Religiosa Internacional que se dedica a distribuir Bíblias em grande escala -, veio para nos falar de um plano através do qual podíamos enviar Bíblias a qualquer parte, como uma homenagem a seres queridos.
Enquanto falava, as suas palavras pareciam desvanecer-se. Um outro Alguém estava-me falando com uma voz suave, delicada, que me sussurrava junto ao ombro: A Minha vida também teve um fim brutal. No entanto, o Meu Pai não desprezou os Seus filhos perdidos. Sabia que era Jesus. Consegue a liberdade perdoando, parecia dizer-me. Sai da tua prisão de ódio. As palavras que tinham sido ditas num sussuro junto ao meu ombro ressoavam-me aos ouvidos como sinos.

Querido Jesus, orei, como posso perdoá-lo de verdade com toda esta amargura que há no meu coração?
E veio a resposta: Esqueceste-te da Minha promessa? «Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celestial vos perdoará a vós» (Mateus 6:14).
A classe tinha terminado mas eu tinha a sensação de que tinham transcorrido apenas uns minutos. Sentia-me com se estivesse num estreito corredor, nem de um lado nem do outro. Tremente, levantei-me do assento e aproximei-me de Don Gentry. Ouvi que a minha voz lhe pedia que enviasse algumas Bíblias para a penitenciária. E depois, enquanto preenchia o cheque, perguntei: "Podem entregar uma de forma pessoal?»
"Sim", disse ele.
"Então levem uma Bíblia a um presidiário chamado Carlton Moore e digam-lhe: 'Porque Jesus a perdoa, a Sra Hanna o perdoa; e porque Jesus disse que devemos amar-nos uns aos outros, a Sra Hanna o ama.'"

Foi como se outra pessoa estivesse falando. Mas logo que as palavras me saíram da boca, senti como se eu tivesse saído duma cela de ferro, livrando-me de algo que me mantinha enclausurada.
Quando cheguei a casa, caí sobre a cama e comecei a chorar pela primeira vez durante meses, soluçando fortemente até que não me restaram mais lágrimas.
Senti-me livre. Quando tinha feito o gesto de perdoar com o presente da Bíblia, Deus tinha removido o rancor e a amargura que se tinham acumulado no meu coração por tanto tempo. Levantei-me e fui até à janela sentindo-me como uma criatura que enfrenta um novo dia.
Tinha deixado de nevar, e o sol resplandecia num mundo fresco e branco, com montanhas que se elevavam à distância. Sentia-me como se pudesse voar até esses picos e voltar sem barreira alguma. Junto da janela iniciei uma oração que prosseguiria por longo tempo, pedindo que Carlton Moore encontrasse a Jesus e fosse libertado espiritualmente, como me tinha sucedido a mim.

Passaram-se nove meses. Agora estava vivendo uma vida plena e feliz. Embora nada tivesse ouvido acerca do meu presente daquela Bíblia, não me preocupava. Ao regressar certa tarde de uma visita a uns amigos, entrei em casa e ouvi o telefone tocar. Era Don Gentry, da Sociedade dos Gideões.
"Onde tem estado? - disse rindo. - Tenho tentado comunicar-me com a senhora há já bastante tempo." Contou-me então que tinha uma carta para me ler. Era de B. L. Shelton e Harry Palmer, dos «gideões» que tinham levado a Bíblia de presente ao homem que matara a minha filha. "Digam à Sra. Hanna que ela me deu um presente como nunca antes tinha recebido. Creio que, se ela me pode mostrar tanto perdão, tenho esperança e fé que Deus pode fazer o mesmo por mim."

Quando Don Gentry acabou de ler a carta, estávamos a chorar fortemente de tal maneira que mal podíamos falar.
Agora a minha vida mudou mais ainda quando comecei a comunicar-me com Carlton Moore através dos que o visitavam e também mediante o intercâmbio de correspondência que se iniciara entre ambos.
Apercebi-me de que quando ele entrou na prisão tinha uma atitude grosseira e mal-humorada, mas depois de receber a Bíblia tinha mudado de forma notável. - "Ninguém, - disse ele - nunca me tinha dito que era amado, ou que Jesus me amava. Sempre me tinham dito que quando morresse iria para o inferno."

Nos anos que se seguiram à sua conversão, Carlton Moore transformou-se num novo homem, sempre pronto para ajudar os outros presidiários, ensinando-os a estudar a Bíblia de forma sistemática, dando-lhes conselhos e orando por eles, e distribuindo Bíblias e material religioso escrito, em parte do que eu lhe enviava.
Outro dia, recebi uma carta, típica das muitas que me têm chegado ultimamente. "Desejo que saiba, Sra Hanna - escreveu a irmã de um preso - que o meu irmão que está na prisão foi conduzido a Cristo por Carlton Moore. Jamais saberá o que isso significa para nós."
As lágrimas empanaram-me a visão. Sabia quanto significava para eles! Porque Deus me tinha mostrado que Carlton Moore se tinha convertido no missionário para Cristo que a minha filha tinha planeado ser.

O velho Carlton Moore tinha morrido, e o mesmo tinha sucedido com a velha e amargurada Hasula Hanna
quando ela encontrou o miraculoso poder do perdão.

Hasula Hanna
Traduzido e impresso com permissão de Guideposts.
Revista SINAIS DOS TEMPOS

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

           O QUE DIZ A BÍBLIA ACERCA DA FEITIÇARIA?


A Imagem representa Satanás e os seus anjos quando foram expulsos do Céu.

A feitiçaria é de origem muito antiga e está bem documentada na Bíblia. É descrita como uma prática abominável sob qualquer forma que seja praticada. O povo de Deus é severamente advertido contra ela (Êxodo 22:18; Levítico 20:6, 27; Deuteronómio 18:9-12; Isaías 8:19, 20); o mesmo se diga acerca dos pagãos (Isaías 47:9, 12). «Cansaste-te a procurar conselheiros; que se apresentem e te salvem os que dividem o céu por zonas, auscultando os astros para anunciar todos os meses o que te vai acontecer. Tornaram-se como a palha que o fogo devora; ... Assim será a sorte dos adivinhos, que te esforçavas por consultar desde a juventude. Cada qual fugirá para seu canto e nenhum te poderá salvar.» (Isaías 47:14, 15).

Examinemos brevemente a natureza da feitiçaria no seu contexto bíblico e as razões para as injunções contra ela. Dentre os muitos exemplos registados, examinaremos quatro no Antigo Testamento e os mais notáveis incidentes registados no Novo Testamento.

Moisés e os Magos Egípcios

A história da libertação dos Israelitas do poderoso Faraó é um emocionante drama na luta entre poderes sobrenaturais invisíveis. Por detrás das cenas registadas em Êxodo, capítulos 7 a 9, vemos os dois contestantes no grande conflito - Deus e Satanás. Tudo o que Deus faz, Satanás contrafaz para mal. Deus converte a vara de Aarão numa serpente, e os magos egípcios imediatamente contrafazem isso, mas com desastrosos resultados para eles. Deus converte a água do Nilo em sangue, mas os feiticeiros também contrafazem isso e assim sucessivamente na lista das grandes maravilhas de Deus para humilhar o altivo monarca egípcio e o seu poderoso reino. Apesar das suas contrafacções mágicas, os adeptos egípcios das artes ocultas são incapazes de encontrar um antídoto para as desastrosas pragas. São forçados a admitir: «Isto é o dedo de Deus.» (Êxodo 8:19).

Só Deus Revela o Futuro

A confrontação entre o rei babilónico Nabucodonosor e os seus astrólogos reais constituíu um teste para provar se a astrologia ou qualquer outra forma de arte mágica pode revelar acontecimentos futuros não registados. A astrologia não conseguiu ajudar o rei (que estava sofrendo de amnésia) a recordar o sonho. De novo Deus demonstrou por intermédio do Seu profeta Daniel que só Ele conhece o futuro, e o sonho e o seu significado são revelados ao rei. Os magos são forçados a admitir: «Não há ninguém sobre a terra que possa declarar a palavra ao rei; pois nenhum rei há, senhor ou dominador, que requeira coisa semelhante de algum mago, ou encantador ou astrólogo. Porquanto a coisa que o rei requer é difícil, e ninguém há que a possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com os homens.» (Daniel 2: 10, 11, NIV).
Satanás não pode revelar o futuro: só Deus conhece o amanhã! «Ele revela o profundo e o escondido, conhece o que está em trevas, e com Ele mora a luz.» (Daniel 2:22). Só o Deus do céu pode revelar mistérios (Daniel 2:27, 28, NIV). Satánas, que controla os poderes das trevas, apenas pode revelar acontecimentos passados e presentes. Nem sequer pode revelar os incidentes de um sonho não descrito!

Balaão, Balac e a Maldição de Israel

Balaão de Petor, o venal feiticeiro, não só parece ter sido um profeta que se extraviou, mas foi também aparentemente um feiticeiro no sentido africano. Ele tinha grandes poderes ocultos. Estes derivam da sua personalidade (Números 22:6, 7, 17). Mas por mais esforçadamente que este extraviado profeta tenha procurado invocar as forças sobrenaturais para o ajudarem a amaldiçoar Israel, ele apenas pôde fazer o que Deus lhe disse que fizesse. As palavras que pronunciou foram as que Deus pôs na sua língua. Quatro vezes tentou amaldiçoar o povo de Deus enquanto o exasperado Balac, rei de Moab, contorcia as mãos em desespero e angústia à medida que saíam bênçãos dos lábios do homem subornado para amaldiçoar Israel. Contra a sua própria vontade, Balaão foi o instrumento de Deus para abençoar Israel e predizer o seu glorioso futuro. (Números 22:38; 23:11, 12, 25, 26, NIV). Ele estava sob o controle de um Espírito mais poderoso do que Satanás. 0 ímpio Balaão viu claramente acontecimentos futuros, ouviu as palavras de Deus e contemplou as visões do Todo-Poderoso. (Números 24:3, 4, NIV).

O crente cristão não pode ser danificado pela feitiçaria, porque Deus está com o Seu povo. (Números 23:21, 23, NIV.) O Seu anjo acampa-se ao redor dos que O temem e os livra (Salmo 34:7). O confiante filho de Deus está seguro contra a incursão de todos os agentes de Satanás. Nenhuma peste perniciosa de dia ou de noite, nenhumas conspirações e calúnias urdidas em qualquer momento, nenhuma praga ou desastre de qualquer sorte pode atingir os filhos de Deus sem o Seu consentimento (Salmo 91:1-16). Em todas as coisas Deus opera para o bem daqueles que O amam (Romanos 7:28). Nada pode separar Deus dos Seus filhos (Romanos 8:37-39) a não ser o pecado (Isaías 59:2; Romanos 6:22, 23). Só as nossas iniquidades nos podem separar de Deus e da vida abundante que Ele nos oferece desde já, e no futuro da mais gloriosa e plena vida prometida após a morte, na Segunda Vinda. É-nos garantido que depois viveremos felizes para sempre na casa do nosso Senhor (Salmo 23:6) como recompensa pela fé no único Deus vivo enquanto nos encontramos aqui e agora.

É interessante notar que quando Israel abandonou Deus e seguiu a falsa religião de Satanás chamada culto de Baal, colheu as maldições que Deus havia pronunciado sobre os idólatras (Salmo 106:14-43). Aquilo que Balaão deixou de conseguir por meio de sacrifícios e feitiçaria nos cumes montanhosos do Pisga e do Peor, conseguiu fazê-lo aconselhando Balac a levar os incautos Israelitas à idolatria e promiscuidade sexual associadas ao culto de Baal (Números 25:1-9; 31:16; Apocalipse 2:14).

A idolatria está associada com a feitiçaria e a superstição entre os pecados mortais que resultarão em condenação final. (Gálatas 5:20).
O encontro entre Saul e a feiticeira de Endor na véspera da sua batalha final com os Filisteus registada em II Samuel, capítulo 28, é claramente um caso de espiritismo - necromância, isto é, alegada comunicação com os mortos. A Bíblia ensina que isso é impossível, porque os mortos nada sabem - não têm conhecimento nem sabedoria alguma (Eclesiastes 9:5, 6; Salmo 146:4). Eles não louvam nem podem louvar a Deus (Salmo 115:17, 18); mas na ressurreição dos mortos ouvirão a voz de Deus: «Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.» (João 5:28, 29).

Satanás e os seus anjos caídos são os agentes activos no espiritismo e noutras manifestações de poderes ocultos. Esses espíritos de demónios executam actos inexplicáveis, como fazer com que objectos flutuem no ar, abrir e fechar portas misteriosamente, dobrar metal sem a intervenção de mãos ou utensílios humanos, e outras maravilhosas acções mágicas. O catálogo das suas maravilhas é infindável. (2 Pedro 2:4; Judas 6; Mateus 25:41). Estes espíritos maus ou demónios são superiores aos seres humanos e operam através de pessoas que permitem ser controladas por forças malignas para executar as suas obras de destruição.
Eventualmente sofrerão a sua predestinada destruição no fogo da condenação final (Apocalipse 20:9-15; 21:8), juntamente com aqueles que rejeitam o amor de Deus e seguem Satanás, o pai da mentira e originador de todas as formas de falsidade e engano. Os que seguem a idolatria e a feitiçaria (Gálatas 5:20); os que praticam as artes mágicas (Apocalipse 21:8; 22:15); os que praticam o espiritismo ou consultam médiuns e espiritistas, os mortos e outros meios ocultos (Isaías 8:19-22) são especificamente mencionados como sendo excluídos da Cidade Celestial (Apocalipse 21 e 22).

O conflito entre Cristo e Satanás pelo destino final dos homens entrou numa nova fase quando o próprio Criador Se tornou num membro da caída raça humana. Aqui vemos agora um combate diário frente a frente entre Jesus e o diabo. Dos 34 milagres registados nos Evangelhos, cinco dizem respeito a possessão demoníaca e exorcismo. A possessão demoníaca tem sempre sido uma manifestação comum das actividades de Satanás, e ainda continua a ser nos vários países do mundo. (Mateus 9:32-34; 12:22-45; Marcos 1:21-28; 5:1-20; 9:14-29).

A coragem de Jesus em Se opôr destemidamente ao Príncipe dos Demónios, mesmo em face de ameaças físicas contra a Sua própria vida, tem sido sempre um modelo para os cristãos quando têm de lutar contra os diabólicos poderes das trevas e as forças espirituais do mal. (Mateus 4:1-11; Marcos 1:23-34). Os cristãos devem sempre fortalecer-se no Senhor e no Seu excelso poder, revestidos de toda a armadura de Deus (Efésios 6:10-18). Este é o segredo do poder espiritual na grande luta contra a feitiçaria e todos os seus enganos.

Os mais notáveis incidentes que aparecem na Igreja primitiva em relação com o espiritismo são os seguintes:

1. 0 confronto do diácono Filipe com Simão, o grande feiticeiro, na cidade de Samaria (Actos 8:9-13).

2. Paulo e Barnabé reduzindo ao silêncio a oposição do encantador judeu Elimas (Bar-Jesus) em Pafos, na ilha de Chipre (Actos 13:6-12).

3. Paulo e Silas no exorcismo da jovem escrava que tinha espírito de adivinhação em Filipos (Actos 16:16-23).

4. As experiências de Paulo em Éfeso com os ambulantes exorcistas judeus; a conversão dos praticantes de artes mágicas e a fogueira de livros de magia chamados «Encantamentos Efésios» (Ephesia Grammata) e possivelmente também amuletos de feitiçaria, tudo no valor de cinquenta mil peças de prata (Actos 19:11-20).

O cristão deve diariamente fazer a sua escolha entre Cristo e Satanás (Mateus 9:23). Esta é a sua decisão. Se decide por Cristo, foi-lhe prometido poder e protecção contra todos os poderes do mal (Marcos 16:17, 18).

É real ou imaginária a feitiçaria? A evidência está perante nós. O diabo, o deus da demonologia, é tão real como os enganos que ele usa para colher nas suas malhas os estultos, os ingénuos e todos os que dizem: «Não há Deus.» (Salmo 14:1; 53:1). Jesus humanizou-Se para ser Emanuel - «Deus connosco». Ele venceu Satanás em todas as frentes, e aqueles que aceitam a promessa e o poder do evangelho farão, com a Sua ajuda, o mesmo.

Gus Solomons
Professor do Ensino Secundário, em Bulawayo, Zimbábue.



domingo, 22 de agosto de 2010

OS NOSSOS HERÓIS


PENSANDO NA VIDA


Imagem: Memorial Nacional aos Polícias Mortos em Serviço, em Washington, Estados Unidos da América.

Eu disse à Maggie que sairia por aproximadamente uma hora para resolver alguns assuntos pendentes. Quando voltei para casa, ela e as meninas vieram ao meu encontro no carro e me perguntaram se eu tinha ouvido as notícias. Disse-lhes que não. Ela contou-me que um boletim de notícias extraordinário na televisão anunciara que dois polícias de San Jose tinham sido atingidos com tiros: um morreu logo, e o outro estava em condições críticas. O noticiário não tinha dado detalhes nem citado os nomes dos polícias.
Senti a adrenalina a ser lançada por todo o meu corpo. Corri para dentro de casa e peguei no telefone. Nem me conseguia lembrar do número da central e fiquei frustrado quando deu o sinal de interrompido. Continuei a tentar até conseguir efectuar a ligação. Identifiquei-me e perguntei o que tinha acontecido.
Eles disseram-me os nomes dos polícias e deram-me alguns detalhes do tiroteio. Senti que as minhas forças se foram: um companheiro polícia e amigo tinha sido morto, e um outro estava gravemente ferido.
- Qual é o seu tipo de sangue? - Perguntou-me o oficial. - Eles precisam de transfusões de sangue durante a cirurgia.
Eu não tinha o tipo de sangue que eles precisavam. Desliguei o telefone sentindo-me impotente.

Os noticiários apelavam por sangue para o oficial ferido e logo, filas de carros estacionados se formaram do lado de fora do hospital. Eram cidadãos e polícias de outros distritos prontos para doar sangue. Durante toda a tarde, ouvi a rádio e a televisão procurando novas informações. O jornal das seis descreveu a cena do tiroteio e os eventos anteriores que o provocaram. Assisti à cobertura pela televisão do local do crime. O meu coração disparou quando a camara mostrou uma manta amarela sobre o cadáver do polícia. Debaixo dela, podia-se ver a inconfundível faixa branca na calça do uniforme. Do outro lado, um braço estendido, imóvel no chão. Aquilo não era Hollywood, era a vida real - e a morte!
A cena mudou para a cobertura ao vivo do lado de fora do hospital onde o outro polícia estava a ser operado. O repórter disse que tinha acabado de receber a notícia da morte do polícia durante a cirurgia.
Senti como se estivesse sonhando, ansioso por acordar logo e ver que aquilo não era real. Mas, no meu coração, sabia que não era um pesadelo. Dois polícias estavam mortos. Não eram os primeiros a morrer em serviço em San Jose, e eu sabia que não seriam os últimos. Porém, era a primeira vez que o departamento perdia dois polícias de uma só vez, e a forma violenta como tudo aconteceu chocou toda a cidade.

Olhei para a Maggie e para as meninas e pensei se ser polícia valia o risco presente em cada momento que saía de casa e ia para o trabalho. Era justo para elas que me arriscasse todos os dias, enquanto carregava o distintivo sobre o meu peito e a arma no coldre? Talvez todas as pessoas que, ao longo dos anos, me disseram que não fariam o meu trabalho nem por um milhão de dólares estivessem certas. Talvez o preço de ser um agente da autoridade fosse muito alto.
Mas, se fosse assim, quem seria agente? Quem estaria lá para responder aos chamados de ajuda quando os assaltantes atacavam ou quem encontraria crianças perdidas? Quem protegeria as estradas e as ruas? Quem estaria pronto a colocar-se entre o criminoso e o cidadão decente? Se não fosse eu, quem seria?
Sabia que não poderia esperar que outra pessoa se tornasse um polícia se eu mesmo estava relutante - especialmente tendo a certeza de que ser polícia era a vontade de Deus para mim.
Estava seguro de poder descansar na sabedoria da Sua vontade.

O funeral dos dois polícias aconteceu seis dias depois. Alguns meses antes, eu tinha sido guarda de honra no funeral de outro polícia de San Jose que morrera em serviço - num acidente de mota - e, agora, novamente, tinha a mesma função. Ainda me podia lembrar da dor que sentira pela sua perda durante o primeiro funeral. E lá estava eu de novo, usando o meu uniforme, na mesma Igreja.
Havia, agora, dois caixões cobertos com duas bandeiras e dois companheiros mortos nas ruas que tinham jurado defender. Dois polícias levantaram-se, naquela manhã, pensando que seria somente mais um dia no cumprimento do dever: ajudando pessoas, fazendo interrogatórios e aplicando multas. Para eles, talvez fosse outro dia para rir com outros polícias durante um breve intervalo da manhã; nenhum deles pensou que o seu turno de trabalho terminaria num tiroteio e que acabariam mortos.

Enquanto seguíamos os caixões até ao auditório, pensei na minha rotina diária, todas as manhãs, antes de ir para o serviço:
Estudar a Bíblia e orar; pegar o almoço e o bilhete que a minha filha escreve para mim todos os dias; despedir-me da Maggie; ir para o carro e piscar as luzes três vezes como sinal de que "eu amo vocês"; então, acenar para elas e ir embora. Raramente penso na possibilidade de não voltar para casa naquela noite ...

Levou cerca de 30 minutos para que 4.500 polícias de mais de 200 delegacias de toda a Califórnia entrassem na igreja. Alguns ficaram no hall de entrada, outros, do lado de fora, e outros ouviram o sermão pelos alto-falantes.
O polícia capelão fez uma pregação apropriada ao momento. Um polícia levantou-se e prestou um tributo ao seu amigo. Quando se sentou, a esposa de um dos oficiais mortos foi à frente e começou a cantar:

«Se paz, a mais doce, me deres gozar.
Se dor, a mais forte sofrer.
Oh, seja o que for, Tu me fazes saber,
Que feliz com Jesus sempre sou.»

Enquanto ouvia as palavras desse hino, um dos meus favoritos, sabia que o meu espírito estava bem. A dor da perda ficaria presente por longo tempo, as lembranças permaneceriam, e as perguntas sobre as tragédias continuariam sem resposta, mas Deus ainda estava no controle, para sempre e sempre.

O culto terminou, e milhares de polícias passaram pelos caixões. Muitos pararam, saudaram os companheiros e saíram para esperar do lado de fora da Igreja. Sendo um dos guardas de honra, ajudei a dobrar as bandeiras que seriam dadas ao nosso polícia chefe, que as entregaria aos familiares. Assim que o som de uma salva de 21 tiros se dissipou, foram ouvidas cornetas. As notas ecoaram pelas montanhas como se um corneteiro distante respondesse ao tributo aos mortos. Novamente, me lembrei do adeus ao polícia morto alguns meses atrás: as Escrituras foram lidas, cânticos foram entoados, homenagens foram feitas, armas foram disparadas, a bandeira dobrada foi entregue, e soaram as cornetas.

Agora, as últimas lágrimas correram dos olhos e tocaram o chão como o orvalho da manhã. Em silêncio, pensei sobre a morte. Descobri que esses pensamentos aproximavam-me de Jesus, o Doador e Guardião da Vida.
As palavras ressoaram dentro de mim: "Sou feliz com Jesus."

David R. Johnson
Histórias para o Coração do Homem (Adaptado)




COMPROMISSO DO BOMBEIRO

Comprometo-me
com a Preocupação com os Outros
Comprometo-me

com a Disponibilidade para ajudar quem precisa
de mim

Comprometo-me com a Coragem:
Coragem para enfrentar e conquistar os meus medos
Coragem para compreender e compartilhar
o Sofrimento daqueles com quem contacto no meu
Trabalho Diário

Comprometo-me com a Força -
Força de Espírito para suportar os fardos
que possam ser colocados nos meus ombros
Força Física para poder levar para a Segurança
os que estão a meu cargo

Comprometo-me
com a Sabedoria para Liderar,
A Compaixão para Confortar
E a Capacidade para Servir desinteressadamente



       SERVIR, Junho 2008

     Associação dos Bombeiros
Voluntários de Agualva-Cacém
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