sexta-feira, 17 de setembro de 2010

10 PALAVRAS PARA O NOSSO TEMPO






A Bíblia descreve Deus como um Criador inteligente e amoroso que tudo realiza de acordo com um conjunto de leis. O mundo físico está governado por leis, o que é muito necessário para a marcha ordenada do universo. Algumas dessas leis são conhecidas pelo homem. Algumas levam o nome dos cientistas que as descobriram conquanto sejam as mesmas leis que Deus instituíu há milhares de anos. A Bíblia também nos ensina que todas as criaturas de Deus estão sujeitas à lei, e que esta lei, que reflecte o Seu carácter, baseia-se no amor.

A palavra amor é um termo usado muito liberalmente nestes tempos.
O seu verdadeiro significado tem sido pervertido e o homem explora-
-o para lograr os seus propósitos egoístas. Segundo a Bíblia:

Amor

significa

preocupar-se

com o Bem-estar e Felicidade

do nosso Semelhante.


Um amor assim não pode dividir-se em secções arbitrariamente. Não podeis amar um segmento da sociedade e ao mesmo tempo despreocupar-vos com outros. O amor não se limita a uma só família, comunidade ou nacionalidade. É um sentimento, implantado por Deus nos nossos corações, que implica o preocupar-se com o bem do nosso vizinho; e, segundo Cristo, o nosso vizinho é todo aquele que necessita de ajuda.

Esta lei de Deus inclui o princípio do amor e o respeito mútuos. Cristo definiu isto como a regra de ouro.
«Façam aos outros como desejam que os outros vos façam.» (S. Lucas 6:31).

Deus promulgou essa lei de amor como uma protecção da individualidade e bem-estar da raça humana. Nas Sagradas Escrituras é mencionada como a «lei de Deus» a fim de diferenciá-la de outras leis que aparecem no Antigo Testamento, referidas como «leis de Moisés».

A  lei  de  Deus  é  assim  chamada  porque  não  foi  dada  oralmente,  mas  escrita  em  tábuas  de  pedra  pelo  próprio  Deus.
Os mandamentos da lei de Deus são dez e estão registados na Bíblia, no livro de Êxodo, capítulo 20, versículos 3 a 17.



OS DEZ MANDAMENTOS


1. «Não  tenhas  outros  deuses,  além  de  Mim.»

Deus pede o primeiro lugar nas nossas vidas e afectos.

2. «Não  faças  para  ti  imagens  esculpidas  representando  o  que  há  no  céu,  na  terra,  e  nas  águas  debaixo  da  terra.  Não  te  inclines  diante  de  nenhuma  imagem,  nem  lhes  prestes  culto,  porque  Eu,  o  Senhor,  teu  Deus,  não  tolero  que  tenham  outros  deuses  e  castigo  a  maldade  daqueles  que  Me  ofendem  até  à  terceira  e  quarta  geração  dos  seus  descendentes.  Mas  trato  com  amor,  até  à  milésima  geração,  aqueles  que  Me  amam  e  cumprem  os  Meus  mandamentos.»

Deus proíbe a idolatria em todas as suas formas, seja a adoração de imagens, pessoas, dinheiro, possessões mundanas ou qualquer outro tipo de ídolo.

3. «Não  faças  mau  uso  do  nome  do  Senhor,  teu  Deus,  porque  Ele  não  deixará  sem  castigo  os  que  fizerem  mau  uso  do  Seu  nome.»

Deus espera que sejamos reverentes em todos os assuntos pertinentes a Ele e à Sua adoracão. O Seu nome não deve ser usado para expressar um juramento ocioso e muito menos blasfemo.

4. «Recorda-te  do  dia  de  sábado,  para  o  consagrares  ao  Senhor.  Podes  trabalhar  durante  seis  dias,  para  fazeres  tudo  o  que  precisares.  Mas  o  sétimo  dia  é  dia  de  descanso,  consagrado  ao  Senhor,  teu  Deus.  Nesse  dia,  não  faças  trabalho  nenhum,  nem  tu  nem  os  teus  filhos  nem  os  teus  servos  nem  os  teus  animais  nem  o  estrangeiro  que  viver  na  tua  terra.  Porque,  durante  os  seis  dias,  o  Senhor  fez  o  céu,  a  terra,  o  mar  e  tudo  o  que  há  neles,  mas  descansou  no  sétimo  dia.  Por  isso,  o  Senhor  abençoou  o  dia  de  sábado  e  declarou  que  aquele  dia  era  sagrado.»

Deus designou um dia para o descanso e a adoração. Separou-o na própria criação para o bem-estar espiritual mais elevado do homem.

5. «Respeita  o  teu  pai  e  a  tua  mãe,  para  que  vivas  muitos  anos  na  terra,  que  o  Senhor,  teu  Deus,  te  vai  dar».

Deus espera que respeitemos e amemos os nossos pais, e que honremos os que têm autoridade.

6. «Não  mates».

Deus ensina-nos a respeitar a vida dos outros, e a não abrigar sentimentos de ódio e vingança.

7. «Não  cometas  adultério».

Deus deseja que sejamos puros em palavras, pensamentos e acções, evitando mesmo a aparência do mal.

8. «Não  roubes».

Deus exorta-nos a respeitar a propriedade alheia e a ser honrados nos nossos negócios e assuntos financeiros, como também nas nossas relações mútuas.

9. «Não  faças  uma  acusação  falsa  contra  ninguém.»

Deus quer que sejamos verdadeiros em todos os momentos e sob todas as circunstâncias.

10. «Não  cobices  a  casa  do  teu  semelhante:  não  cobices  a  sua  mulher  nem  os  seus  escravos  nem  o  seu  gado  nem  os  seus  jumentos  nem  coisa  nenhuma  do  que  lhe  pertence.»

Deus quer que estejamos contentes com o que nos deu. Deveríamos sentir-nos gratos pelo que temos e não albergar desejos desordenados.


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Durante as últimas décadas muitos dirigentes religiosos têm diminuído a importância das obrigações do homem para com Deus e os Seus Mandamentos. Esse abandono da lei de Deus trouxe como consequência o horrível estado de violência em que vive a nossa geração. Não se tem na devida estima os mandamentos de Deus. Foram esquecidos por tanto tempo, e por tanta gente!
Não obstante, Deus proveu um meio pelo qual os Seus planos originais para com o homem haveriam de ser cumpridos. Essa provisão consistiu na identificação de Deus com o homem, ao vir Deus à Terra em forma humana para demonstrar que a lei é santa, justa e boa. Essa identificação de Deus com o homem manifestou-se na pessoa do nosso Salvador Jesus Cristo. Satanás não pode acusar Jesus de nada. Ele sempre obedeceu aos mandamentos do Seu Pai ao longo de uma vida de contínua comunhão com Ele e dependência do Seu poder. Cristo, sem pecado, sofreu uma morte vicária para livrar o homem da sentença de morte.

Deus nunca alterou a Sua lei, mas fez provisão para salvar o pecador. Mediante a fé nos méritos do Seu sacrifício, e por Sua graça, o pecador muda totalmente a sua atitude para com Deus e a Sua lei. A vida que antes estava oposta a Deus, agora coopera com Ele para alcançar o objectivo de um carácter transformado. O coração que antes não se sujeitava à lei, agora deleita-se em fazer a Sua vontade. A natureza egoísta e rebelde de antes transforma-se numa natureza que ama e respeita o Criador e o próximo.

O milagre que se produz é assim descrito pelo apóstolo São João: «Nós sabemos que amamos os filhos de Deus se amarmos a Deus e cumprirmos os Seus mandamentos. O amor de Deus consiste em cumprirmos os Seus mandamentos. E os Seus mandamentos não são um peso.» (I S. João 5:2, 3).

O Senhor Jesus resumiu os Dez Mandamentos nestas palavras: «Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a alma, e com todo o entendimento. Este  é  que  é  o  primeiro  e  o  mais  importante  dos  mandamentos.  O  segundo  é  semelhante  a  este: Ama o teu próximo como a ti mesmo» (S. Mateus 22:37-39).

Quando se aceita a Cristo produz-se um «transplante» de coração: «Vou dar-vos um novo coração e um novo espírito. Em vez do vosso empedernido coração de pedra, vou dar-vos um coração humano obediente. Vou pôr o meu Espírito em vós e farei com que obedeçam fielmente às Minhas leis e aos Meus mandamentos que vos dei.» (Ezequiel 36:26, 27).

O sacrifício de Cristo não só nos oferece perdão, esperança e vida eterna, como também nos proporciona o poder necessário para viver uma vida em perfeita harmonia com a Sua vontade, segundo é revelada nos Dez Mandamentos.

Por Que Não Aceitar A Cristo Hoje

A Fim De Participar Dessa Bela Experiência

Agora E Para Sempre?


G. J. Christo in SINAIS dos TEMPOS

Citações Bíblicas extraídas da Tradução Interconfessional A BOA NOVA
Edição da DIFUSORA BÍBLICA (Franciscanos Capuchinhos) - 1999.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

GOTINHA DE ÁGUA







Era uma vez uma menina
chamada Gotinha de Água...

Olha as praias lá em baixo!
E casas! E meninos a brincar!
E estradas e pontes
e automóveis e combóios a passar!

Depois o vento parou.
A gotinha estremeceu quando viu
dum lado a outro do céu
as nuvens escurecerem como breu.
Olhava para baixo e via
a terra seca, os campos secos,
secas as fontes,
as flores e as searas murchas,
e os homens tristes, muito tristes
sem pão para darem aos meninos.

Então, a menina Gotinha de Água,
que tinha nascido no mar e usava
um vestido de esmeralda e luar,
pensou:
E se eu fosse dar de beber
às flores, aos campos,
se eu fosse matar a sede
e a fome aos homens e aos meninos?
E disse muito alto às suas irmãzinhas:
- Vamos.
E deixou-se cair.
Ia à frente de milhões de gotinhas
todas vestidas de esmeralda e luar
e sorriam, cantavam e assobiavam
enquanto caíam.

A menina Gotinha de Água pousou
mesmo na boca duma flor
que sorrindo feliz lhe disse:
- Bendita! Bendita sejas!

E logo uma abelha, que andava por ali
em busca de pólen para fazer mel,
pousou numa pétala da linda flor
e falou-lhe assim:
Bom dia, meu amor.
Queres tu dar-me um pouquinho
do teu pólen para os meus favos?
E a flor de pétalas de ouro
abertas e cobertas de gotinhas de água,
todas vestidas de esmeralda e luar,
só lhe disse:
- Leva o pólen que quiseres para o teu mel!
O Sol brilhava agora cheio de alegria
e sacudia a luz da sua cabeleira
sobre o mundo.
E as searas que estavam a morrer de sede
encheram-se de espigas
e as árvores abriram no ar
os braços carregados de frutos
tão docinhos: ameixas, figos
maçãs, pêras e uvas!
E os homens, as mulheres e os meninos
agradeciam satisfeitos
à chuva que viera livrá-los
da sede e da fome.
- Obrigado!
Obrigado!


Papiniano Carlos
A Menina Gotinha de Água





«PouPem-Me! ...

...   ou vão sentir a minha falta»

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A MINHA PRISÃO DE ÓDIO


"Se ele tivesse feito à sua filha o que fez à minha, provavelmente também o odiaria."


Aconteceu ao anoitecer de um nublado sábado de Janeiro.
Tinha o jantar pronto para Patrícia, que geralmente chegava às cinco da tarde do seu trabalho no centro de Denver.
Às sete eu já estava caminhando a passos largos pela sala, tensa e preocupada. Patrícia não agia dessa maneira: era uma mulher madura, de 35 anos, que sempre me mantinha informada do seu paradeiro. Como de costume, tinha-me telefonado às cinco para me dizer que estava activando o alarme contra ladrões e preparando-se para sair do escritório.
Eu estava agora muito preocupada. Não tinha ninguém neste mundo, a não ser Patrícia. O seu pai tinha morrido quando ela tinha quinze anos, e embora houvesse bastante diferença de idade, éramos muito amigas. Patrícia tinha vivido noutra cidade por algum tempo, mas regressou a Denver para frequentar um colégio religioso, trabalhando num escritório em regime de tempo parcial. Planeava tornar-se missionária para que outras pessoas conhecessem a Cristo, e tudo nela me dava grande satisfação.


Telefonei para o seu escritório. Nenhuma resposta. Depois telefonei para a companhia que tinha instalado o alarme contra ladrões, e inteirei-me que o alarme tinha sido activado às cinco da tarde.
Teria ocorrido um acidente? Não queria telefonar à polícia; era como admitir que podia ter acontecido algo terrível. Mas finalmente telefonei.
"Não - disseram eles depois que a descrevi -, não temos nenhuma informação."
Telefonei freneticamente para os hospitais, e informaram-me que nas últimas horas não tinham internado ninguém que se parecesse com Patrícia.
Olhei para o relógio: nove da noite. Um dos comentários de Patrícia durante a nossa última conversação telefónica soava na minha memória como um sino fúnebre: "Esqueci-me de estacionar o automóvel na frente do edifício, mamã", - tinha ela dito -. Tenho medo de ir àquela zona de estacionamento da parte de trás."

Desesperada agora, telefonei para o seu professor no colégio religioso. Respondeu-me que iria com alguns dos jovens ao escritório de Patrícia. Telefonou-me meia hora mais tarde. Nenhum vestígio de Patrícia ou do seu veículo.
"Obrigada, Eduardo", disse debilmente, sentindo que o meu coração se afundava mais e mais.
"Há algo que eu possa fazer?", perguntou-me.
"Não", suspirei, colocando o telefone no suporte.
Durante toda a noite aguardei na sala, telefonando para a Polícia aproximadamente de hora a hora. De manhã cedo veio um agente da polícia para obter uma descrição detalhada de Patrícia, do seu vestuário e do seu automóvel. Dei-lhe uma foto que tinha tirado em frente da igreja poucos meses atrás.
Pelas 1o horas, telefonaram da central da Polícia para formularem uma pergunta estremecedora: "A sua filha tem alguma cicatriz ou marca que a possa identificar?"
Recordei que quando criança Patrícia estava a brincar com alguns amiguinhos da vizinhança, tentando imitar as façanhas de Tarzã, escorregou, e o ramo ponteagudo de uma árvore causou-lhe um profundo golpe no braço. A única coisa que lhes pude dizer foi comentar sobre tal cicatriz.

Telefonaram mais duas vezes. Na segunda vez queriam ter o nome do Pastor. Já pela tarde decidi que seria bom preparar alguma coisa para comer. Precisamente nesse momento vi que o director do nosso côro, Harvey Schroeder, se aproximava da minha casa cabisbaixo. Dois homens que tinham descido de um veículo da esquadra da Polícia acompanhavam-no.
Recebi-os à porta. "Encontraram Patrícia, não é verdade?"
"Sim, Senhora Hanna. Encontrámo-la.", respondeu um dos homens com olhos denotando dor profunda.
"Ela não virá para casa, não é verdade?"
"Não."

Dois jovens que tinham saído para caçar no domingo de manhã encontraram o corpo dela à margem do caminho, aonde evidentemente tinha sido lançada de um automóvel.
A casa dava voltas e eu parecia suspensa no espaço.
"Senhor Hanna... Senhora Anna!"
Ajudaram-me a sentar. Estive ali por um longo espaço de tempo olhando sem nada ver.
Depois fiquei só, na casa desolada. Quando o vento nocturno agitava os ramos endurecidos pelo gelo contra a janela do quarto, eu estava ainda desperta, pensando nos últimos momentos da minha filha sobre a Terra. Tinha sido violentada e esfaqueada.

Não podia crer que alguém pudesse fazer algo tão perverso, tão cruel contra outro ser humano! Quando pensava no assassino desconhecido, um ódio frio se apoderava de mim, um ódio que ia crescendo cada vez mais.
Dominada por uma paixão de ver apresentada perante a justiça a pessoa que tinha assassinado a minha filha, examinava os diários e mantinha-me em contacto com a Polícia.
Em Março o criminoso assestou novo golpe. Certa manhã foi encontrado o corpo de uma mulher atrás de uma Igreja. Junto a ela alguém tinha escrito na neve: «Odeio as mulheres».
Poucos meses depois outra mulher foi atacada, mas conseguiu escapar. A polícia suspeitou que se tratava do mesmo homem. Finalmente, num sábado de tarde no mês de Outubro, uma mulher foi atacada num centro comercial no momento em que entrava no seu carro. Enquanto lutava desesperadamente contra o homem que já a tinha ferido, um polícia correu para o local, e prendeu-o.

Nunca me esquecerei do momento em que vi o rosto do assassino da minha filha olhando-me de uma página do diário Post, de Denver. O seu nome era Carlton Moore. Pegando numa faca de abrir cartas, lenta e deliberadamente comecei a golpear contra o seu rosto, repetidamente, até que o papel ficou reduzido a tiras.
Agora tinha alguém em quem podia concentrar o meu ódio acumulado. Li que Moore tinha sido criado num lar com problemas, com um pai alcoólico e uma mãe perturbada. Embora ele tivesse um elevado quociente intelectual, tinha sido tão maltratado e descurado que a partir dos nove anos tinha entrado e saído muitas vezes do reformatório. Carlton Moore tinha sido posto em liberdade condicional só dois meses antes da data em que matou a minha filha.
Quando se realizou a audiência pública do julgamento, fui ao tribunal localizado no centro da cidade, e observei tudo do fundo da sala. Se os meus olhos pudessem matar, Moore teria sido morto naquele instante.

Segui o caso de perto. Carlton Moore confessou-se culpado pelo assassinato que tinha cometido em Março, e foi sentenciado a prisão perpétua.
Era tão injusto! Como podia ele continuar a viver, quando a minha filha tinha morrido?
Passaram-se meses e finalmente uma ano. A amargura e o ressentimento apoderavam-se de mim cada vez mais. Isto reflectia-se no meu procedimento, e especialmente na minha linguagem cáustica. Dei-me conta de que os meus companheiros de trabalho evitavam-me.
Nestas circunstâncias, naturalmente, não me sentia feliz. Convertida quase numa reclusa, recusava convites para jantar ou para assistir a actividades sociais, e ía à Igreja mais por hábito do que por desejo.
Transcorreram quase dois anos, anos de visitas solitárias às sepulturas de Patrícia e do meu esposo. Agora, com 62 anos, não me interessava quanto tempo mais poderia viver. A única coisa que parecia viver em mim era o ódio ardente que estava no meu interior como um fogo subterrâneo numa mina de carvão, fumegando, consumindo em mim tudo o que outrora havia respondido ao amor, ao riso e à beleza.

Foi então que ocorreu algo de decisivo numa fria manhã de Domingo, em Dezembro de 1971, na classe bíblica da minha Igreja.
Don Gentry, dirigente da Sociedade dos Gideões - Sociedade Religiosa Internacional que se dedica a distribuir Bíblias em grande escala -, veio para nos falar de um plano através do qual podíamos enviar Bíblias a qualquer parte, como uma homenagem a seres queridos.
Enquanto falava, as suas palavras pareciam desvanecer-se. Um outro Alguém estava-me falando com uma voz suave, delicada, que me sussurrava junto ao ombro: A Minha vida também teve um fim brutal. No entanto, o Meu Pai não desprezou os Seus filhos perdidos. Sabia que era Jesus. Consegue a liberdade perdoando, parecia dizer-me. Sai da tua prisão de ódio. As palavras que tinham sido ditas num sussuro junto ao meu ombro ressoavam-me aos ouvidos como sinos.

Querido Jesus, orei, como posso perdoá-lo de verdade com toda esta amargura que há no meu coração?
E veio a resposta: Esqueceste-te da Minha promessa? «Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celestial vos perdoará a vós» (Mateus 6:14).
A classe tinha terminado mas eu tinha a sensação de que tinham transcorrido apenas uns minutos. Sentia-me com se estivesse num estreito corredor, nem de um lado nem do outro. Tremente, levantei-me do assento e aproximei-me de Don Gentry. Ouvi que a minha voz lhe pedia que enviasse algumas Bíblias para a penitenciária. E depois, enquanto preenchia o cheque, perguntei: "Podem entregar uma de forma pessoal?»
"Sim", disse ele.
"Então levem uma Bíblia a um presidiário chamado Carlton Moore e digam-lhe: 'Porque Jesus a perdoa, a Sra Hanna o perdoa; e porque Jesus disse que devemos amar-nos uns aos outros, a Sra Hanna o ama.'"

Foi como se outra pessoa estivesse falando. Mas logo que as palavras me saíram da boca, senti como se eu tivesse saído duma cela de ferro, livrando-me de algo que me mantinha enclausurada.
Quando cheguei a casa, caí sobre a cama e comecei a chorar pela primeira vez durante meses, soluçando fortemente até que não me restaram mais lágrimas.
Senti-me livre. Quando tinha feito o gesto de perdoar com o presente da Bíblia, Deus tinha removido o rancor e a amargura que se tinham acumulado no meu coração por tanto tempo. Levantei-me e fui até à janela sentindo-me como uma criatura que enfrenta um novo dia.
Tinha deixado de nevar, e o sol resplandecia num mundo fresco e branco, com montanhas que se elevavam à distância. Sentia-me como se pudesse voar até esses picos e voltar sem barreira alguma. Junto da janela iniciei uma oração que prosseguiria por longo tempo, pedindo que Carlton Moore encontrasse a Jesus e fosse libertado espiritualmente, como me tinha sucedido a mim.

Passaram-se nove meses. Agora estava vivendo uma vida plena e feliz. Embora nada tivesse ouvido acerca do meu presente daquela Bíblia, não me preocupava. Ao regressar certa tarde de uma visita a uns amigos, entrei em casa e ouvi o telefone tocar. Era Don Gentry, da Sociedade dos Gideões.
"Onde tem estado? - disse rindo. - Tenho tentado comunicar-me com a senhora há já bastante tempo." Contou-me então que tinha uma carta para me ler. Era de B. L. Shelton e Harry Palmer, dos «gideões» que tinham levado a Bíblia de presente ao homem que matara a minha filha. "Digam à Sra. Hanna que ela me deu um presente como nunca antes tinha recebido. Creio que, se ela me pode mostrar tanto perdão, tenho esperança e fé que Deus pode fazer o mesmo por mim."

Quando Don Gentry acabou de ler a carta, estávamos a chorar fortemente de tal maneira que mal podíamos falar.
Agora a minha vida mudou mais ainda quando comecei a comunicar-me com Carlton Moore através dos que o visitavam e também mediante o intercâmbio de correspondência que se iniciara entre ambos.
Apercebi-me de que quando ele entrou na prisão tinha uma atitude grosseira e mal-humorada, mas depois de receber a Bíblia tinha mudado de forma notável. - "Ninguém, - disse ele - nunca me tinha dito que era amado, ou que Jesus me amava. Sempre me tinham dito que quando morresse iria para o inferno."

Nos anos que se seguiram à sua conversão, Carlton Moore transformou-se num novo homem, sempre pronto para ajudar os outros presidiários, ensinando-os a estudar a Bíblia de forma sistemática, dando-lhes conselhos e orando por eles, e distribuindo Bíblias e material religioso escrito, em parte do que eu lhe enviava.
Outro dia, recebi uma carta, típica das muitas que me têm chegado ultimamente. "Desejo que saiba, Sra Hanna - escreveu a irmã de um preso - que o meu irmão que está na prisão foi conduzido a Cristo por Carlton Moore. Jamais saberá o que isso significa para nós."
As lágrimas empanaram-me a visão. Sabia quanto significava para eles! Porque Deus me tinha mostrado que Carlton Moore se tinha convertido no missionário para Cristo que a minha filha tinha planeado ser.

O velho Carlton Moore tinha morrido, e o mesmo tinha sucedido com a velha e amargurada Hasula Hanna
quando ela encontrou o miraculoso poder do perdão.

Hasula Hanna
Traduzido e impresso com permissão de Guideposts.
Revista SINAIS DOS TEMPOS

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

           O QUE DIZ A BÍBLIA ACERCA DA FEITIÇARIA?


A Imagem representa Satanás e os seus anjos quando foram expulsos do Céu.

A feitiçaria é de origem muito antiga e está bem documentada na Bíblia. É descrita como uma prática abominável sob qualquer forma que seja praticada. O povo de Deus é severamente advertido contra ela (Êxodo 22:18; Levítico 20:6, 27; Deuteronómio 18:9-12; Isaías 8:19, 20); o mesmo se diga acerca dos pagãos (Isaías 47:9, 12). «Cansaste-te a procurar conselheiros; que se apresentem e te salvem os que dividem o céu por zonas, auscultando os astros para anunciar todos os meses o que te vai acontecer. Tornaram-se como a palha que o fogo devora; ... Assim será a sorte dos adivinhos, que te esforçavas por consultar desde a juventude. Cada qual fugirá para seu canto e nenhum te poderá salvar.» (Isaías 47:14, 15).

Examinemos brevemente a natureza da feitiçaria no seu contexto bíblico e as razões para as injunções contra ela. Dentre os muitos exemplos registados, examinaremos quatro no Antigo Testamento e os mais notáveis incidentes registados no Novo Testamento.

Moisés e os Magos Egípcios

A história da libertação dos Israelitas do poderoso Faraó é um emocionante drama na luta entre poderes sobrenaturais invisíveis. Por detrás das cenas registadas em Êxodo, capítulos 7 a 9, vemos os dois contestantes no grande conflito - Deus e Satanás. Tudo o que Deus faz, Satanás contrafaz para mal. Deus converte a vara de Aarão numa serpente, e os magos egípcios imediatamente contrafazem isso, mas com desastrosos resultados para eles. Deus converte a água do Nilo em sangue, mas os feiticeiros também contrafazem isso e assim sucessivamente na lista das grandes maravilhas de Deus para humilhar o altivo monarca egípcio e o seu poderoso reino. Apesar das suas contrafacções mágicas, os adeptos egípcios das artes ocultas são incapazes de encontrar um antídoto para as desastrosas pragas. São forçados a admitir: «Isto é o dedo de Deus.» (Êxodo 8:19).

Só Deus Revela o Futuro

A confrontação entre o rei babilónico Nabucodonosor e os seus astrólogos reais constituíu um teste para provar se a astrologia ou qualquer outra forma de arte mágica pode revelar acontecimentos futuros não registados. A astrologia não conseguiu ajudar o rei (que estava sofrendo de amnésia) a recordar o sonho. De novo Deus demonstrou por intermédio do Seu profeta Daniel que só Ele conhece o futuro, e o sonho e o seu significado são revelados ao rei. Os magos são forçados a admitir: «Não há ninguém sobre a terra que possa declarar a palavra ao rei; pois nenhum rei há, senhor ou dominador, que requeira coisa semelhante de algum mago, ou encantador ou astrólogo. Porquanto a coisa que o rei requer é difícil, e ninguém há que a possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com os homens.» (Daniel 2: 10, 11, NIV).
Satanás não pode revelar o futuro: só Deus conhece o amanhã! «Ele revela o profundo e o escondido, conhece o que está em trevas, e com Ele mora a luz.» (Daniel 2:22). Só o Deus do céu pode revelar mistérios (Daniel 2:27, 28, NIV). Satánas, que controla os poderes das trevas, apenas pode revelar acontecimentos passados e presentes. Nem sequer pode revelar os incidentes de um sonho não descrito!

Balaão, Balac e a Maldição de Israel

Balaão de Petor, o venal feiticeiro, não só parece ter sido um profeta que se extraviou, mas foi também aparentemente um feiticeiro no sentido africano. Ele tinha grandes poderes ocultos. Estes derivam da sua personalidade (Números 22:6, 7, 17). Mas por mais esforçadamente que este extraviado profeta tenha procurado invocar as forças sobrenaturais para o ajudarem a amaldiçoar Israel, ele apenas pôde fazer o que Deus lhe disse que fizesse. As palavras que pronunciou foram as que Deus pôs na sua língua. Quatro vezes tentou amaldiçoar o povo de Deus enquanto o exasperado Balac, rei de Moab, contorcia as mãos em desespero e angústia à medida que saíam bênçãos dos lábios do homem subornado para amaldiçoar Israel. Contra a sua própria vontade, Balaão foi o instrumento de Deus para abençoar Israel e predizer o seu glorioso futuro. (Números 22:38; 23:11, 12, 25, 26, NIV). Ele estava sob o controle de um Espírito mais poderoso do que Satanás. 0 ímpio Balaão viu claramente acontecimentos futuros, ouviu as palavras de Deus e contemplou as visões do Todo-Poderoso. (Números 24:3, 4, NIV).

O crente cristão não pode ser danificado pela feitiçaria, porque Deus está com o Seu povo. (Números 23:21, 23, NIV.) O Seu anjo acampa-se ao redor dos que O temem e os livra (Salmo 34:7). O confiante filho de Deus está seguro contra a incursão de todos os agentes de Satanás. Nenhuma peste perniciosa de dia ou de noite, nenhumas conspirações e calúnias urdidas em qualquer momento, nenhuma praga ou desastre de qualquer sorte pode atingir os filhos de Deus sem o Seu consentimento (Salmo 91:1-16). Em todas as coisas Deus opera para o bem daqueles que O amam (Romanos 7:28). Nada pode separar Deus dos Seus filhos (Romanos 8:37-39) a não ser o pecado (Isaías 59:2; Romanos 6:22, 23). Só as nossas iniquidades nos podem separar de Deus e da vida abundante que Ele nos oferece desde já, e no futuro da mais gloriosa e plena vida prometida após a morte, na Segunda Vinda. É-nos garantido que depois viveremos felizes para sempre na casa do nosso Senhor (Salmo 23:6) como recompensa pela fé no único Deus vivo enquanto nos encontramos aqui e agora.

É interessante notar que quando Israel abandonou Deus e seguiu a falsa religião de Satanás chamada culto de Baal, colheu as maldições que Deus havia pronunciado sobre os idólatras (Salmo 106:14-43). Aquilo que Balaão deixou de conseguir por meio de sacrifícios e feitiçaria nos cumes montanhosos do Pisga e do Peor, conseguiu fazê-lo aconselhando Balac a levar os incautos Israelitas à idolatria e promiscuidade sexual associadas ao culto de Baal (Números 25:1-9; 31:16; Apocalipse 2:14).

A idolatria está associada com a feitiçaria e a superstição entre os pecados mortais que resultarão em condenação final. (Gálatas 5:20).
O encontro entre Saul e a feiticeira de Endor na véspera da sua batalha final com os Filisteus registada em II Samuel, capítulo 28, é claramente um caso de espiritismo - necromância, isto é, alegada comunicação com os mortos. A Bíblia ensina que isso é impossível, porque os mortos nada sabem - não têm conhecimento nem sabedoria alguma (Eclesiastes 9:5, 6; Salmo 146:4). Eles não louvam nem podem louvar a Deus (Salmo 115:17, 18); mas na ressurreição dos mortos ouvirão a voz de Deus: «Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.» (João 5:28, 29).

Satanás e os seus anjos caídos são os agentes activos no espiritismo e noutras manifestações de poderes ocultos. Esses espíritos de demónios executam actos inexplicáveis, como fazer com que objectos flutuem no ar, abrir e fechar portas misteriosamente, dobrar metal sem a intervenção de mãos ou utensílios humanos, e outras maravilhosas acções mágicas. O catálogo das suas maravilhas é infindável. (2 Pedro 2:4; Judas 6; Mateus 25:41). Estes espíritos maus ou demónios são superiores aos seres humanos e operam através de pessoas que permitem ser controladas por forças malignas para executar as suas obras de destruição.
Eventualmente sofrerão a sua predestinada destruição no fogo da condenação final (Apocalipse 20:9-15; 21:8), juntamente com aqueles que rejeitam o amor de Deus e seguem Satanás, o pai da mentira e originador de todas as formas de falsidade e engano. Os que seguem a idolatria e a feitiçaria (Gálatas 5:20); os que praticam as artes mágicas (Apocalipse 21:8; 22:15); os que praticam o espiritismo ou consultam médiuns e espiritistas, os mortos e outros meios ocultos (Isaías 8:19-22) são especificamente mencionados como sendo excluídos da Cidade Celestial (Apocalipse 21 e 22).

O conflito entre Cristo e Satanás pelo destino final dos homens entrou numa nova fase quando o próprio Criador Se tornou num membro da caída raça humana. Aqui vemos agora um combate diário frente a frente entre Jesus e o diabo. Dos 34 milagres registados nos Evangelhos, cinco dizem respeito a possessão demoníaca e exorcismo. A possessão demoníaca tem sempre sido uma manifestação comum das actividades de Satanás, e ainda continua a ser nos vários países do mundo. (Mateus 9:32-34; 12:22-45; Marcos 1:21-28; 5:1-20; 9:14-29).

A coragem de Jesus em Se opôr destemidamente ao Príncipe dos Demónios, mesmo em face de ameaças físicas contra a Sua própria vida, tem sido sempre um modelo para os cristãos quando têm de lutar contra os diabólicos poderes das trevas e as forças espirituais do mal. (Mateus 4:1-11; Marcos 1:23-34). Os cristãos devem sempre fortalecer-se no Senhor e no Seu excelso poder, revestidos de toda a armadura de Deus (Efésios 6:10-18). Este é o segredo do poder espiritual na grande luta contra a feitiçaria e todos os seus enganos.

Os mais notáveis incidentes que aparecem na Igreja primitiva em relação com o espiritismo são os seguintes:

1. 0 confronto do diácono Filipe com Simão, o grande feiticeiro, na cidade de Samaria (Actos 8:9-13).

2. Paulo e Barnabé reduzindo ao silêncio a oposição do encantador judeu Elimas (Bar-Jesus) em Pafos, na ilha de Chipre (Actos 13:6-12).

3. Paulo e Silas no exorcismo da jovem escrava que tinha espírito de adivinhação em Filipos (Actos 16:16-23).

4. As experiências de Paulo em Éfeso com os ambulantes exorcistas judeus; a conversão dos praticantes de artes mágicas e a fogueira de livros de magia chamados «Encantamentos Efésios» (Ephesia Grammata) e possivelmente também amuletos de feitiçaria, tudo no valor de cinquenta mil peças de prata (Actos 19:11-20).

O cristão deve diariamente fazer a sua escolha entre Cristo e Satanás (Mateus 9:23). Esta é a sua decisão. Se decide por Cristo, foi-lhe prometido poder e protecção contra todos os poderes do mal (Marcos 16:17, 18).

É real ou imaginária a feitiçaria? A evidência está perante nós. O diabo, o deus da demonologia, é tão real como os enganos que ele usa para colher nas suas malhas os estultos, os ingénuos e todos os que dizem: «Não há Deus.» (Salmo 14:1; 53:1). Jesus humanizou-Se para ser Emanuel - «Deus connosco». Ele venceu Satanás em todas as frentes, e aqueles que aceitam a promessa e o poder do evangelho farão, com a Sua ajuda, o mesmo.

Gus Solomons
Professor do Ensino Secundário, em Bulawayo, Zimbábue.



domingo, 22 de agosto de 2010

OS NOSSOS HERÓIS


PENSANDO NA VIDA


Imagem: Memorial Nacional aos Polícias Mortos em Serviço, em Washington, Estados Unidos da América.

Eu disse à Maggie que sairia por aproximadamente uma hora para resolver alguns assuntos pendentes. Quando voltei para casa, ela e as meninas vieram ao meu encontro no carro e me perguntaram se eu tinha ouvido as notícias. Disse-lhes que não. Ela contou-me que um boletim de notícias extraordinário na televisão anunciara que dois polícias de San Jose tinham sido atingidos com tiros: um morreu logo, e o outro estava em condições críticas. O noticiário não tinha dado detalhes nem citado os nomes dos polícias.
Senti a adrenalina a ser lançada por todo o meu corpo. Corri para dentro de casa e peguei no telefone. Nem me conseguia lembrar do número da central e fiquei frustrado quando deu o sinal de interrompido. Continuei a tentar até conseguir efectuar a ligação. Identifiquei-me e perguntei o que tinha acontecido.
Eles disseram-me os nomes dos polícias e deram-me alguns detalhes do tiroteio. Senti que as minhas forças se foram: um companheiro polícia e amigo tinha sido morto, e um outro estava gravemente ferido.
- Qual é o seu tipo de sangue? - Perguntou-me o oficial. - Eles precisam de transfusões de sangue durante a cirurgia.
Eu não tinha o tipo de sangue que eles precisavam. Desliguei o telefone sentindo-me impotente.

Os noticiários apelavam por sangue para o oficial ferido e logo, filas de carros estacionados se formaram do lado de fora do hospital. Eram cidadãos e polícias de outros distritos prontos para doar sangue. Durante toda a tarde, ouvi a rádio e a televisão procurando novas informações. O jornal das seis descreveu a cena do tiroteio e os eventos anteriores que o provocaram. Assisti à cobertura pela televisão do local do crime. O meu coração disparou quando a camara mostrou uma manta amarela sobre o cadáver do polícia. Debaixo dela, podia-se ver a inconfundível faixa branca na calça do uniforme. Do outro lado, um braço estendido, imóvel no chão. Aquilo não era Hollywood, era a vida real - e a morte!
A cena mudou para a cobertura ao vivo do lado de fora do hospital onde o outro polícia estava a ser operado. O repórter disse que tinha acabado de receber a notícia da morte do polícia durante a cirurgia.
Senti como se estivesse sonhando, ansioso por acordar logo e ver que aquilo não era real. Mas, no meu coração, sabia que não era um pesadelo. Dois polícias estavam mortos. Não eram os primeiros a morrer em serviço em San Jose, e eu sabia que não seriam os últimos. Porém, era a primeira vez que o departamento perdia dois polícias de uma só vez, e a forma violenta como tudo aconteceu chocou toda a cidade.

Olhei para a Maggie e para as meninas e pensei se ser polícia valia o risco presente em cada momento que saía de casa e ia para o trabalho. Era justo para elas que me arriscasse todos os dias, enquanto carregava o distintivo sobre o meu peito e a arma no coldre? Talvez todas as pessoas que, ao longo dos anos, me disseram que não fariam o meu trabalho nem por um milhão de dólares estivessem certas. Talvez o preço de ser um agente da autoridade fosse muito alto.
Mas, se fosse assim, quem seria agente? Quem estaria lá para responder aos chamados de ajuda quando os assaltantes atacavam ou quem encontraria crianças perdidas? Quem protegeria as estradas e as ruas? Quem estaria pronto a colocar-se entre o criminoso e o cidadão decente? Se não fosse eu, quem seria?
Sabia que não poderia esperar que outra pessoa se tornasse um polícia se eu mesmo estava relutante - especialmente tendo a certeza de que ser polícia era a vontade de Deus para mim.
Estava seguro de poder descansar na sabedoria da Sua vontade.

O funeral dos dois polícias aconteceu seis dias depois. Alguns meses antes, eu tinha sido guarda de honra no funeral de outro polícia de San Jose que morrera em serviço - num acidente de mota - e, agora, novamente, tinha a mesma função. Ainda me podia lembrar da dor que sentira pela sua perda durante o primeiro funeral. E lá estava eu de novo, usando o meu uniforme, na mesma Igreja.
Havia, agora, dois caixões cobertos com duas bandeiras e dois companheiros mortos nas ruas que tinham jurado defender. Dois polícias levantaram-se, naquela manhã, pensando que seria somente mais um dia no cumprimento do dever: ajudando pessoas, fazendo interrogatórios e aplicando multas. Para eles, talvez fosse outro dia para rir com outros polícias durante um breve intervalo da manhã; nenhum deles pensou que o seu turno de trabalho terminaria num tiroteio e que acabariam mortos.

Enquanto seguíamos os caixões até ao auditório, pensei na minha rotina diária, todas as manhãs, antes de ir para o serviço:
Estudar a Bíblia e orar; pegar o almoço e o bilhete que a minha filha escreve para mim todos os dias; despedir-me da Maggie; ir para o carro e piscar as luzes três vezes como sinal de que "eu amo vocês"; então, acenar para elas e ir embora. Raramente penso na possibilidade de não voltar para casa naquela noite ...

Levou cerca de 30 minutos para que 4.500 polícias de mais de 200 delegacias de toda a Califórnia entrassem na igreja. Alguns ficaram no hall de entrada, outros, do lado de fora, e outros ouviram o sermão pelos alto-falantes.
O polícia capelão fez uma pregação apropriada ao momento. Um polícia levantou-se e prestou um tributo ao seu amigo. Quando se sentou, a esposa de um dos oficiais mortos foi à frente e começou a cantar:

«Se paz, a mais doce, me deres gozar.
Se dor, a mais forte sofrer.
Oh, seja o que for, Tu me fazes saber,
Que feliz com Jesus sempre sou.»

Enquanto ouvia as palavras desse hino, um dos meus favoritos, sabia que o meu espírito estava bem. A dor da perda ficaria presente por longo tempo, as lembranças permaneceriam, e as perguntas sobre as tragédias continuariam sem resposta, mas Deus ainda estava no controle, para sempre e sempre.

O culto terminou, e milhares de polícias passaram pelos caixões. Muitos pararam, saudaram os companheiros e saíram para esperar do lado de fora da Igreja. Sendo um dos guardas de honra, ajudei a dobrar as bandeiras que seriam dadas ao nosso polícia chefe, que as entregaria aos familiares. Assim que o som de uma salva de 21 tiros se dissipou, foram ouvidas cornetas. As notas ecoaram pelas montanhas como se um corneteiro distante respondesse ao tributo aos mortos. Novamente, me lembrei do adeus ao polícia morto alguns meses atrás: as Escrituras foram lidas, cânticos foram entoados, homenagens foram feitas, armas foram disparadas, a bandeira dobrada foi entregue, e soaram as cornetas.

Agora, as últimas lágrimas correram dos olhos e tocaram o chão como o orvalho da manhã. Em silêncio, pensei sobre a morte. Descobri que esses pensamentos aproximavam-me de Jesus, o Doador e Guardião da Vida.
As palavras ressoaram dentro de mim: "Sou feliz com Jesus."

David R. Johnson
Histórias para o Coração do Homem (Adaptado)




COMPROMISSO DO BOMBEIRO

Comprometo-me
com a Preocupação com os Outros
Comprometo-me

com a Disponibilidade para ajudar quem precisa
de mim

Comprometo-me com a Coragem:
Coragem para enfrentar e conquistar os meus medos
Coragem para compreender e compartilhar
o Sofrimento daqueles com quem contacto no meu
Trabalho Diário

Comprometo-me com a Força -
Força de Espírito para suportar os fardos
que possam ser colocados nos meus ombros
Força Física para poder levar para a Segurança
os que estão a meu cargo

Comprometo-me
com a Sabedoria para Liderar,
A Compaixão para Confortar
E a Capacidade para Servir desinteressadamente



       SERVIR, Junho 2008

     Associação dos Bombeiros
Voluntários de Agualva-Cacém
«Sempre Disponíveis:
                                Conte connosco»

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CRISTO, O CENTRO DA BÍBLIA



Depois de ler a Bíblia 69 vezes, João N. Loughborough, que exerceu fecundo ministério evangélico na Europa, África e Oceania, afirmou ter encontrado na Escritura Sagrada 3 569 promessas divinas, sendo 2 527 para o presente.
Dentre as mais frequentes promessas dadas para alento do homem, encontram-se as referentes a Cristo e ao Seu propósito de resolver o problema da desobediência (o pecado). Assíduos pesquisadores e teólogos de todos os tempos insistem em que a Bíblia está repleta de referências a Cristo, directa e indirectamente, através de todo o Velho Testamento. «As profecias messiânicas registadas no Velho Testamento foram um fio condutor da esperança no decurso de séculos», diz o teólogo Dr. Daniel H. Dupuy.
Referindo-se à presença constante de Cristo em toda a Bíblia, alguém afirmou que «Ele é o Siló, em Génesis; o Eu Sou em Êxodo, a Estrela e o Cetro em Números; a Rocha em Deuteronómio; o Capitão do Exército de Jeová em Josué; o Redentor em Job; o Senhor e Pastor de David; em Isaías Ele é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; em Jeremias Ele é a nossa Justiça; em Daniel 13 o Messias; em Zacarias Ele é o Renovo; em Ageu é o Desejado de Todas as Nações; no Apocalipse Ele é o Alfa e o Ómega e também a brilhante Estrela da Manhã.»

PROFECIAS E CUMPRIMENTO

A seguir, apresentam-se alguns dos muitos textos proféticos do Velho Testamento referentes a Cristo, escritos vários séculos antes do nascimento do Salvador, cujo cumprimento, na vida de Jesus, é matemático segundo o relato dos Evangelhos.

Nascimento de uma Virgem - «Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamarás Emanuel.» Isaías 7:14.
Cumprimento - «Ora, tudo isto aconteceu, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um Filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus Connosco)» S. Mateus 1:22, 23.

Local do nascimento - «E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti Me sairá O que há-de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade». Miquéias 5:2.
Cumprimento - «José também subiu da Galileia, ... para a Judeia a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Estando eles ali, aconteceu completarem-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu Filho primogénito, enfaixou-O e deitou-O numa manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria.» S. Lucas 2:4-7.

Perseguição e pranto - «Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável por causa deles, porque já não existem» Jeremias 31:15.
Cumprimento - «Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente, e mandou matar todos os meninos em Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo, do qual com precisão, se informara dos magos. Então se cumpriu o que fora dito, por intermédio do profeta Jeremias: Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem.» S. Mateus 2:16, 17.

A vinda do Precursor - «Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo a vereda a nosso Deus.» Isaías 40:3.
Cumprimento - «Este foi o testemunho de João, ...Eu não sou o Cristo. ...Eu sou a voz que clama no deserto.» S. João 1:19, 20, 23.

Missão de Jesus - «0 Espírito do Senhor Deus está sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu, para pregar boas-novas aos ... quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; ...a consolar todos os que choram.» Isaías 61:1, 2.
Cumprimento - «Enviou-os ao Senhor para perguntar: És Tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?
Quando os homens chegaram junto d'Ele, disseram: João Baptista enviou-nos para Te perguntar: És tu aquele que estava para vir, ou esperaremos outro?
Naquela mesma hora curou Jesus a muitos de moléstias e flagelos e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos.
Então Jesus lhes respondeu: Ide, e anunciai a João o que vistes e ouvistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres anuncia-se-lhes o evangelho.» S. Lucas 7:19-22.

A Rejeição - «Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e d'Ele não fizémos caso.» Isaías 53:3.
Cumprimento - «Estava no mundo e o mundo foi feito por intermédio d'Ele, mas o mundo não O conheceu. Veio para o que era Seu e os Seus não O receberam.» S. João 1:10, ll.

Sofrimento - «Deus Meu, Deus Meu, porque Me desamparaste? ...Todos os que Me vêem zombam de Mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça: Confiou no Senhor! Livre-O Ele, salve-O, pois n'Ele tem prazer ...Meu coração fez-se como cera, derreteu-se-Me dentro de Mim ...Uma súcia de malfeitores Me rodeia; traspassaram-Me as mãos e os pés ...Repartem entre si as Minhas vestes, sobre a Minha túnica deitam sortes.» Salmo 22:1, 7, 8, 16, 18.
Cumprimento - «Vestiram-n'O de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça. E O saudavam dizendo: Salvé Rei dos judeus. Davam-lhe na cabeça com um caniço, cuspiam n'Ele e, pondo-se de joelhos, O adoravam. ...Com Ele crucificaram dois ladrões, um à Sua direita, e outro à Sua esquerda. ...À hora nona clamou Jesus em alta voz: 'Eloí, lamá sabactâni?' Que quer dizer: 'Deus Meu, Deus Meu, porque Me desamparaste?' ...Jesus, dando um grande brado, expirou.» S. Marcos 15:17-19, 27, 34, 37.

Sepultamento - «Designaram-Lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na Sua morte.» Isaías 53:9.
Cumprimento - «Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José ...Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lho fosse entregue. E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho, e o depositou no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha.» S. Mateus 27:57-60.

Ressurreição - «Pois não deixarás a Minha alma na morte, nem permitirás que o Teu Santo veja a corrupção.» Salmo 16:10.
Cumprimento - «Porque buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou.» S. Lucas 24:5, 6.


BÍBLIA, A CARTA DE DEUS

Um dos mais comoventes apelos para a pesquisa bíblica, considerando que a Escritura, acima de tudo, revela a vida do próprio Cristo, foi feito pelo piedoso Gregório Magno (falecido em 604 AD) ao seu amigo Teodoro:

«Que outra coisa é a Sagrada Escritura senão uma carta que o Senhor Todo-Poderoso quis, por Sua bondade, dirigir à Sua criatura? Por certo, em qualquer lugar ou situação em que te encontrares, se recebesses uma carta do imperador, imediatamente, sem a menor dilação, a lerias; nem te darias repouso algum, nem dormirias, antes de saber primeiro o que a majestade imperial te ordenava. Pois, havendo-te enviado o Imperador do Céu e Senhor dos homens e dos anjos as Suas cartas nas quais trata da tua própria vida, como te descuidas em lê-las, e não manifestas ardor e prontidão em saber o que elas contêm? Por isso te incumbo que te apliques a este estudo com a maior dedicação, e que medites cada dia nas palavras do teu Criador. Aprende, pela Palavra de Deus, que pulsa contigo o coração de Deus!»

Ivo Santos Cardoso
Revista  SINAIS DOS TEMPOS
Publicadora SerVir
COMO A PALAVRA DE DEUS É INFALÍVEL!!!


sexta-feira, 6 de agosto de 2010



PENSAMENTOS







«Não gaste o seu precioso tempo a perguntar: "Porque não vivemos num mundo melhor?" Seria tempo perdido. O que deve pensar é: "O que devo fazer para melhorar o mundo?" Para essa pergunta há resposta.» - Leo F. Buscaglia









«A lista dos sete pecados mortais: Riqueza sem Trabalho; Prazer sem Consciência; Conhecimento sem Carácter; Negócio sem Moralidade; Ciência sem Humanidade; Adoração sem Sacrifício; Política sem Princípios.»
- Mahatma Gandhi








«Se houver retidão no coração, haverá beleza no carácter. Se houver beleza no carácter, haverá harmonia no lar. Se houver harmonia no lar, haverá ordem na nação. Se houver ordem na nação, haverá paz no mundo.» - Confúcio








«A maior parte das gaivotas não se querem incomodar e aprender mais do que os rudimentos do voo, como ir da costa à comida e voltar. Para a maior parte das gaivotas o que importa não é saber voar, mas comer. Para esta gaivota no entanto, o importante não era comer, mas voar.» - Fernão Capelo Gaivota







«Não consigo imaginar um lar sem risos, um mundo tão destituído de humor que jamais haja uma risada ou gargalhada. O riso é a pulsação do nosso lar. É o combustível do amor que partilhamos e o interruptor da luz que irradiamos. O riso guia-nos, liga-nos e por vezes ajuda a libertar-nos de atribulações e desgraças.» - Bob Talbot








«Mesmo que ao meio-dia a rosa perca a beleza que teve de madrugada, a sua beleza naquele momento foi real. Nada no mundo é permanente, e somos tolos em desejar que uma coisa perdure. Mas seríamos mais tolos se não a apreciássemos enquanto a temos.» - Somuset Maugham








«Todos nós possuímos duas filosofias: uma cujos princípios morais quebramos pelo nosso comportamento, devido à nossa fraca força de vontade. E outra, mais humana, com a qual nos consolamos das nossas fraquezas e fracassos.» - Julio Torri








«Pela eternidade perdura o homem que vive por Cristo; que se deixa por Ele guiar como uma pétala na corrente. Eternamente dura a lealdade de Deus. Eternamente o Seu amor. Para todo o sempre a vida de delícias que nos promete.» - Trecho de Letra de Música Cristã








«Prefiro confiar demasiado e por isso ter uma desilusão do que estar sempre desconfiado. De facto, no primeiro caso, sofro apenas o momento da desilusão, e no segundo, sofro constantemente.» - Paul Gauguin









«Talvez não possamos ganhar, mas se não tentarmos é que perdemos na certa. Não podemos ficar a pensar em todo o trabalho que vamos ter, sob pena de acharmos que a coisa é impossível de conseguir. É preciso olhar em frente, sem nunca tirar os olhos do objectivo.» - Alan Kulwickai








«Aqui estava um homem - Martin Luther King - que, contra perseguições e ameaças, foi capaz de se manter erguido por aquilo que acreditava ser justo: Tolerância Racial, Justiça Social e Mudança, mas sem violência.» - Hillary Clinton









«Sonho com o dia em que a fraternidade não precise de publicidade, com o dia em que premiar a solidariedade seja tão ridículo como uma condecoração por nos levantarmos da cama todas as manhãs.» - Daniel Mich