terça-feira, 23 de agosto de 2011

DIA INTERNACIOAL DE RECORDAÇÃO DO CONTRABANDO
DE ESCRAVOS E SUA ABOLIÇÃO


A história da escravatura é quase tão vasta como a história da humanidade.


Na actualidade, as formas mais primárias de escravatura relacionam-se com os prisioneiros de guerra e as pessoas com dívidas. Nas civilizações antigas, a escravatura tornou-se essencial para a economia e para a sociedade de todas as civilizações. A Mesopotâmia, a Índia, a China, os Antigos Egípcios e Hebreus, a Civilização Grega e o Império Romano utilizaram escravos. O mesmo se verificou nas civilizações pré-columbianas, Asteca, Inca e Maia. No Brasil, a escravidão começou com os índios, muito antes da chegada dos portugueses.

Na história moderna, ao falar-se em escravatura, é difíci não pensar nos ingleses, holandeses, franceses, espanhóis e portugueses. Desde a primeira metade do século XVI que os porões dos navios eram superlotados com negros africanos, em condições desumanas, para serem postos à venda nas Américas. Desenvolveu-se então um cruel e lucrativo comércio de homens, mulheres e crianças entre a África e as Américas.

A escravatura passou a ser justificada por razões morais e religiosas, baseada na crença da suposta superioridade racial e cultural dos europeus. Os escravos, presos a correntes para não fugirem, trabalhavam de sol-a-sol e tinham uma alimentação de péssima qualidade, apenas uma a duas vezes por dia. Dormiam em sanzalas, que eram galpões ou telheiros escuros, húmidos e sem higiene. Eram castigados com frequência, sendo o açoite a punição mais comum. Proibidos de praticar as suas religiões de origem africana e de realizar as suas festas e rituais africanos, foram assimilados culturalmente, sendo-lhes imposta a língua portuguesa ou espanhola e a religião católica. As mulheres eram usadas em trabalhos domésticos e muitas tinham que fazer sexo com os seus senhores, o que deu origem a uma grande população mulata, em especial no Brasil.

Na base de toda a actividade dos escravos, estava a produção de café, açúcar, algodão, tabaco e transporte de cargas. Desenvolveu-se também em paralelo o comércio de outros produtos: marfim, tecido, peles e armas de fogo. Muitos escravos tinham outras funções em meio urbano: carpinteiro, pintor, pedreiro, sapateiro, ferreiro, marceneiro, embora várias dessas profissões fossem exercidas principalmente por cristãos-novos.

A história da escravatura nos Estados Unidos da América teve o seu início no século XVII e usou as práticas semelhantes às utilizadas pelos espanhóis e portugueses na América Latina. Terminou em 1863, com a Proclamação de Emancipação de Abraão Lincoln, realizada durante a Guerra Civil Americana. Com o surgimento do ideal liberal e da ciência económica na Europa, a escravatura passou a ser considerada pouco produtiva e moralmente incorrecta. Depois de milénios de escravatura, parece que as consciências começaram a despertar. Porém, ainda muito longe do ideal. O que se mantém válida e actual é a afirmação de Abraão Lincoln: "Nada pode ser considerado politicamente correcto quando é moralmente indefensável".

Ezequiel Quintino in Pensar Faz Bem - Rádio Clube de Sintra


O CONTRABANDO DE ESCRAVOS E SUA ABOLIÇÃO


No Século do Ouro, o séc. XVIII, alguns escravos conseguiram comprar a liberdade ao adquirirem a carta de alforria.
Em Portugal, a escravatura foi abolida (no Reino e na Índia, excepto no Brasil) no reinado de D. José I, pelo Marquês de Pombal, a 1 de Fevereiro de 1761.

A questão da abolição da escravatura no Brasil, aconteceu depois de 7 de Setembro de 1822, dia do 'Grito do Ipiranga' para a independência. Mas foi só a partir da Guerra do Paraguai que o movimento abolicionista ganhou impulso. Em 13 de Maio de 1888, o governo imperial rendeu-se às pressões e a princesa Isabel de Bragança (filha do imperador D. Pedro II) assinou a Lei Áurea que extinguiu a escravatura no Brasil.

O fim da escravatura, porém, não melhorou a condição social e económica dos ex-escravos. Sem formação escolar ou uma profissão definida, para a maioria deles, a simples emancipação jurídica não mudou a condição subalterna em que se encontravam, nem ajudou a promover a cidadania ou ascensão social dessas pessoas.

O último país do mundo a abolir a escravatura foi a Mauritânia, em 9 de Novembro de 1981. Porém, a escravidão continua em muitos países, porque as leis não são aplicadas.

Segundo alguns estudos, há mais escravos na actualidade do que o total de escravos que, durante quatro séculos, fizeram parte do tráfico transatlântico. Calcula-se que existam hoje, pelo menos, 27 milhões de escravos no mundo, principalmente em países árabes e muçulmanos. É, no mínimo, escandaloso!

Apesar de se comemorar cada ano o Dia Internacional de Recordação do Contrabando de Escravos e sua Abolição, a escravatura continua a ser uma vergonha na história da Humanidade. Mas, a questão de base não se pode ignorar nem iludir. Desde que o ser humano optou por se deixar enganar, julgando conquistar novas sensações e experiências ao assumir a emancipação de Deus, tornou-se escravo de quem o iludiu, e de si mesmo. Daí que a prática da escravatura entre humanos não é surpresa.

Mas a boa notícia, hoje, é que Alguém - Jesus - pagou a nossa 'carta de alforria' (Romanos 6:20-23): "Quando eram escravos do pecado, não estavam ao serviço da vontade de Deus (...) O resultado disso é a morte. Agora porém, livres do pecado, estão ao serviço de Deus. O fruto disso é a vida consagrada a Deus e no fim a vida eterna (...) em união com Cristo Jesus, nosso Salvador."


Por isso e apesar de paradoxal, só existe uma maneira de sermos livres e libertos de todo o género de escravidão:

Vivermos na dependência do amor, da sabedoria e da protecção de Jesus.

Ezequiel Quintino - Idem

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

AMAR E EDUCAR PARA O FUTURO



O  ATAQUE  DAS  HORMONAS  ASSASSINAS

Qual é o processo pelo qual uma menina ou um menino de 12 anos, feliz, amigável, de repente se transforma numa jovem ou num jovem de 15 anos mal-humorado e depressivo? Isto acontece em quase todas as famílias.

Há duas forças poderosas responsáveis pelo comportamento adolescente que leva os pais à loucura.
A 1ª está vinculada com as pressões dos colegas e amigos que são comuns nessa fase. Muito tem sido escrito sobre essas influências.
Mas há uma 2ª, que eu acho mais importante fonte de desequilíbrio desses anos. Está relacionada com as mudanças hormonais que não somente transformam o corpo físico, como podemos ver, mas também revolucionam a forma como os jovens pensam. Para alguns (mas não todos) os adolescentes, a química humana é um estado de desequilíbrio por alguns anos, causando agitação, violentas explosões de raiva, depressão e volubilidade. Esta sublevação pode motivar um menino ou menina a fazer coisas que não fazem nenhum sentido para os adultos que estão observando, ansiosamente, à margem. A tempestade de fogo hormonal actua de forma muito parecida com a tensão pré-menstrual ou a menopausa nas mulheres, desestabilizando a sua própria auto-estima e criando uma sensação de mau presságio.
Os pais geralmente se desesperam durante a irracionalidade desse período. Todas as coisas que eles tentaram ensinar aos seus filhos e filhas parecem falhar durante alguns anos. Autodisciplina, asseio, respeito para com a autoridade, cordialidade, podem dar lugar a actos de risco e irresponsabilidade generalizada.
Se é aí que o seu filho se encontra hoje, tenho boas notícias para si. Dias melhores virão! Esse filho excêntrico logo se irá tornar numa torre de força e de bom senso - se ele não fizer alguma coisa destrutiva antes que as suas hormonas se acomodem...


                                                                                                                                                                                                                VOCÊ  NÃO  CONFIA  EM  MIM

Se há uma jogada mágica que os adolescentes usam para manipular os seus familiares são estas 5 palavras: "VOCÊ NÃO CONFIA EM MIM?!"

No instante em que um jovem nos acusa de sermos desconfiados ou termos imaginado o pior, começamos a pedalar para trás. "Não, querido, não é que eu não tenha confiança em tu saires com os teus amigos ou conduzires o carro, eu apenas...", e então ficamos sem palavras. Estamos na defensiva, e a discussão acabou.
Bem, talvez seja o momento de reconhecermos que a confiança é divisível. Por outras palavras, confiamos nos nossos filhos no que diz respeito a algumas coisas, mas não em relação a outras. Não é uma proposição do tipo 'ou tudo ou nada'. Este é o modo como o mundo dos negócios funciona no dia-a-dia.
Muitos de nós somos autorizados, por exemplo, a gastar dinheiro da nossa empresa, de certas contas, mas não todos os talões de cheques da empresa. Não tenho, por exemplo, confiança em mim mesmo para tentar certas coisas, como saltar de pára-quedas ou saltar de uma plataforma com uma corda elástica presa ao meu tornozelo. Portanto, vamos parar de ser enganados pelos nossos filhos e afirmemos corajosamente que a confiança vem por etapas. Alguma confiança agora e uma confiança maior mais tarde.
Os pais têm a tarefa de arriscar somente o que podemos razoavelmente esperar controlar com segurança. Ir além disso não é realmente confiança: é imprudência.


ESCOLHA  AS  SUAS  BATALHAS  COM  CUIDADO

Um dos aspectos mais delicados na formação de uma dolescente é imaginar o que vale uma luta e o que não vale.

Lembro-me de uma conversa com uma empregada de mesa, mãe solteira, num restaurante, há poucos anos. Quando ela soube que eu era psicólogo começou a falar sobre a sua filha de 12 anos.
- Temo-nos zangado com unhas e dentes todo este ano - disse ela. - Tem sido horrível! São todas as noites, e geralmente sobre o mesmo assunto.
- A respeito do que vocês discutem? - perguntei.
A mãe contou toda a história.
- Bem, ela ainda é uma menininha, mas quer rapar as suas pernas. Vejo que ela é muito jovem, mas ela fica com tanta raiva que nem conversa comigo. O que o senhor acha que devo fazer?
- Minha senhora - disse eu, - compre um depilador para a sua filha!
Aquela garota de 12 anos logo estará remando numa fase da vida em que vai balançar a sua canoa em águas mansas ou turbulentas. A sua mãe, uma mãe sozinha, deveria estar procurando desesperadamente evitar que a sua adolescente rebelde se entregue a drogas, álcool e sexo pré-conjugal. Verdadeiramente, haverá no seu rio jacarés vorazes, dentro de um ou dois anos. Neste cenário actual, parece imprudência fazer tanto 'barulho' a respeito do que não é essencial.
Tenho encontrado pais envolvidos em enormes batalhas por causa de coisas que eram, na realidade, questões inconsequentes. É um grande equívoco. Incito você a não estragar o seu relacionamento com os seus filhos por um comportamento que não tem grande importância moral ou social. Há inúmeras questões de real interesse que hão-de requerer que você permaneça como uma rocha. Guarde as suas grandes armas para aquelas confrontações decisivas e finja não estar percebendo aquilo que é trivial.

                                                                                                                                                                                                                         UM  GATO  ESQUELÉTICO

Lembro-me de estar sentado dentro do meu carro num snack bar de serviço rápido comendo um hambúrguer com batatas fritas, quando de repente olhei pelo retrovisor. Pude observar, próximo da extremidade traseira do meu carro, o gato mais esquelético e sujo que já alguma vez vi.

Fiquei com tanta pena, de tão esfomeado que parecia, que parti um pedaço do meu hambúrguer e atirei para ele. Mas, antes que ele pudesse alcançá-lo, um gatão cinzento saltou detrás dos arbustos, abocanhou o hambúrguer e mastigou-o bem depressa. Fiquei com muita pena do pobre gatinho, que saiu a correr em direcção às sombras, ainda esfomeado e assustado.
Lembrei-me, então, instantaneamente, dos meus anos como professor do Ensino Básico. Via todos os dias adolescentes que estavam tão necessitados, tão despojados, tão perdidos como aquele pobre gato. Não era de comida que eles precisavem; eles tinham fome de amor, de atenção, de respeito, e viviam desesperadamente sequiosos disso. E quando tentavam manifestar-se e revelar o sofrimento que os corroía, um dos rapazes mais populares desprezava-os e ridicularizava-os, escorraçando-os do seu meio e afugentando-os em direcção às sombras, assustados e solitários.
Nós, adultos, não devemos jamais esquecer o sofrimento de tentar crescer e o mundo competitivo em que muitos adolescentes vivem hoje. Dedicar-lhes um momento para ouvi-los, importar-se com eles e orientá-los, pode ser o melhor investimento de toda uma vida.

James Dobson - Psicólogo e Conselheiro Familiar in LAR, doce LAR

terça-feira, 26 de julho de 2011

UM DIA...




UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, as coisas vão ser bem diferentes.

A garagem não ficará cheia de bicicletas,
de linhas de combóios sobre madeira prensada,
de cavaletes rodeados de tábuas, pregos, martelo e serra,
de “projectos experimentais” inacabados
e da gaiola do coelho.
Poderei estacionar os dois carros nos lugares certos
e nunca mais tropeçarei em pranchas de skate, pilhas de papéis (guardados para colaborar com as obras assistenciais da escola)
ou sacos com comida para coelhos – tudo espalhado pelo chão.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, a cozinha ficará incrivelmente arrumada.

O lava-louças não ficará cheio de pratos sujos,
o caixote do lixo não ficará abarrotado de elásticos e de copos de papel,
o frigorífico não ficará atulhado de embalagens de leite,
e nunca mais perderemos as tampas dos frascos de geléia e de ketchup e das embalagens de manteiga de amendoim, de margarina e de mostarda.
A garrafa da água não será recolocada vazia,
as fôrmas de gelo não ficarão fora durante a noite,
o liquidificador não ficará sujo, seis horas a fio, de resíduos de batido preparado à meia-noite,
e o mel ficará dentro do frasco.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, a minha querida esposa terá tempo para vestir-se vagarosamente.

Terá tempo para um banho quente demorado (sem receio de ser interrompida por gritos assustados),
tempo para cuidar das unhas das mãos (e dos pés, se desejar!),
sem ter de responder a uma dúzia de perguntas e de rever a grafia correcta,
tempo para cuidar dos cabelos durante a tarde sem ter de marcar um horário espremido entre uma visita ao veterinário para levar um cão doente e uma consulta de ortodôncia para levar uma criança de mau humor por ter perdido o boné.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, o aparelho chamado “telefone” ficará desocupado, sem parecer ter nascido grudado ao ouvido de um adolescente.
Ele simplesmente estará lá... Silencioso e, por incrível que pareça, pronto para ser usado! Não ficará melado de baton, saliva, maionese, migalhas de salgadinhos ou com palitos de dentes enfiados nos pequenos orifícios.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, eu serei capaz de ver através dos vidros do carro.

Impressões digitais de mãos e pés, lambidelas e sinais de patas de cachorro (ninguém sabe como) não existirão.
O banco traseiro não ficará em completa desordem, não nos sentaremos mais em cima de pedrinhas e lápis de cor,
o tanque de combustível estará sempre cheio
e não terei de limpar mais uma vez (que alívio!) a sujeira do cachorro.


UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, poderemos voltar a conversar normalmente, isto é, conversar como qualquer pessoa normal.

As frases não serão intercaladas de palavras grosseiras. ”Legal!” será uma expressão em desuso.
Não haverá batidas na porta da casa de banho acompanhadas de “Ande depressa, estou aflito!” e “É a minha vez” não necessitará da presença de um árbitro.
E aquele artigo de revista será lido sem interrupções e, depois, discutido longamente, sem que o pai e a mãe tenham de se esconder no sótão para terminar a conversa.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, não vamos mais precisar de correr atrás do rolo de papel higiénico.

A minha esposa não vai perder as chaves.
Não esqueceremos a porta do frigorífico aberta.
Eu não vou ter de inventar novas maneiras para desviar a atenção das máquinas que vendem pastilhas elásticas...
nem ter de responder à pergunta “Papá, não é pecado você dirigir a 75 quilómetros por hora quando a placa diz que o limite é de 55?”...
nem de prometer que vou dar um beijo de boa-noite no coelho...
nem ter de ficar acordado até altas horas da noite esperando a chegada deles...
nem ter de pedir licença para falar durante o jantar...
nem ter de suportar socos de brincadeira, mas que são realmente dolorosos.


SIM, UM DIA QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, as coisas vão ser bem diferentes.

Elas começarão a partir, uma após a outra, e a casa voltará a ficar em ordem e talvez até com um toque de elegância.
O tinir da porcelana e da prata será ouvido em ocasiões especiais.
O som do fogo crepitando na lareira ecoará por toda a casa.
O telefone estará estranhamente mudo.
A casa estará sossegada... Calma... Sempre limpa...

E vazia...

E passaremos o tempo a aguardar a chegada de UM DIA mas lembrando-nos do ONTEM.
E pensando: “Talvez nós possamos cuidar dos netos para que esta casa volte a ter vida!”


Charles R. Swindoll in Histórias para o Coração


quarta-feira, 20 de julho de 2011

LEAL  ATÉ  AO  FIM



No  Primeiro  Filho  de  Saúl  -  Jónatas  -  vemos  um  Amigo  Perfeito  e  um  Filho  Modelo


Jónatas sobressai entre os personagens dos tempos bíblicos. O filho mais velho de Saúl, educado como um príncipe, aparece, primeiramente, nas Escrituras como vice-comandante dos exércitos de Israel. No segundo ano do reinado de Saúl, os Filisteus, zangados por causa do ataque de Jónatas à sua guarnição em Gibea, juntaram o seu exército em Micmas (ver I Samuel 13).

Os Filisteus mostravam grande confiança. Tinham armas de ferro, com 3000 carros de combate, e ocupavam uma colina sobranceira a um profundo desfiladeiro. Israel ocupava a colina oposta. Mas, uma vez que a nação não tinha ferreiros, somente Saúl e Jónatas possuíam espadas genuínas - enquanto que as suas tropas desmoralizadas provavelmente carregavam maçãs, chifres de boi, e fundas.

Nesta situação desigual, entra o príncipe herdeiro Jónatas. Ele não se preocupou com a superioridade dos Filisteus ou com o tamanho reduzido do exército de Saúl. Ele disse "ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos a guarnição dos Filisteus. Porventura obrará o Senhor por nós, porque para com o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos" (I Samuel 14:1, 6).

Que fé! Ele arriscou a sua vida para salvar a sua nação, e confiou que Deus lutaria por ele. E o moço de armas de Jónatas partilhou a sua fé: "Faz tudo o que tens no coração; volta, eis-me aqui contigo, conforme ao teu coração" (verso 7).

MISSÃO PERIGOSA

Eles desceram a encosta rochosa e concordaram em como saberiam qual era a vontade de Deus: Eles mostrar-se-iam aos Filisteus. Se o inimigo dissesse: "Parai", eles esperariam; mas se o inimigo dissesse: "Subi a nós", então saberiam que Deus lhes daria a vitória (versos 8-10).

"Eis que já os hebreus saíram das cavernas em que se tinham escondido", gritaram os Filisteus à sua aproximação. "Subi a nós, e nós vo-lo ensinaremos."

Jónatas rejozijou. "Sobe atrás de mim, porque o Senhor os tem entregado na mão de Israel" (versos 11, 12).

Os dois guerreiros lutaram, e nalguns metros de terreno mataram cerca de 20 soldados.

A maior parte do exército Filisteu sabia que uma batalha feroz estava a ser lutada na frente, mas do seu ponto de observação não conseguiam ver o que se passava. Então andavam por ali, confusos ... até que aconteceu o terramoto e eles fugiram em pânico.

Da sua parte, as forças de Saúl, acampadas na encosta oposta, sentiram o terramoto, ouviram os gritos e viram o inimigo a fugir. Perseguindo-os derrotaram estrondosamente os Filisteus.

E porquê? Porque dois jovens corajosos permitiram que o Espírito de Deus os utilizasse. "Porque para com o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos."

VENDO O REINO ESCAPAR

Noutra ocasião, Samuel enviou Saúl para destruir os Amalequitas. Não faças cativos, não tragas despojos; destrói tudo, disse o profeta.

Porquê? Porque os Amalequitas tinham enchido a sua "taça de iniquidade"; tinham ido tão longe em pecado que nem Deus podia salvá-los. Deus queria destruí-los para que não arrastassem Israel com eles.

Mas em vez de destruir tudo, Saúl guardou as mais belas ovelhas e gado, e até preservou a vida do rei para a sua parada de vitória.

A Bíblia não menciona Jónatas nesta história, mas ele deve lá ter estado. E provavelmente ficou silencioso por perto, enquanto Samuel repreendia Saúl pela desobediência e pronunciava o fim da dinastia Kish.

Como é que Jónatas se sentiu quando compreendeu que a ganância do pai tinha arruinado a sua hipótese de sucesso? A Bíblia não diz. Mas nunca descreve Jónatas a culpar o pai por ter perdido a coroa. Em vez disso, Jónatas permaneceu fiel a ele.

Foi por esta altura que Samuel procurou um rapaz pastor em Belém, ungindo-o como futuro rei de Israel. David tinha, provavelmente, 17 anos nesta altura, e Jónatas devia ter perto de 50 - pois Saúl já tinha reinado 30 anos.

TEMPO DE SILÊNCIO

Jónatas não sabia nada sobre a viagem de Samuel a Belém, ou de um rapaz destinado a tomar o seu lugar. Mas permaneceu leal a Deus e a Saúl.

Israel envolveu-se num conflito com os Filisteus em Socoh, em Judá. Mas, em vez de correr para a batalha como antes, os Filisteus desafiaram Israel para um duelo de campeões (ver I Samuel 17:1-7).

O campeão inimigo, Golias, ali estava com os seus quase 3m de altura, usando uma armadura que pesava 57kg e com uma ponta de lança com cerca de 7kg - que espectáculo!

Golias clamou: "Escolhei de entre vós, um homem que desça a mim, ( ... ) Se ele puder pelejar comigo, e me ferir, seremos vossos servos; porém, se eu o vencer, e o ferir, então sereis nossos servos e nos servireis" (versos 8 e 9).

Que oportunidade para Jónatas! Mas Jónatas não se mexeu. Onde é que estava agora a sua confiança em Deus para salvar "com muitos ou com poucos"? Tinha Jónatas perdido a coragem? Não!

Sabe, Deus queria usar Golias para lançar a carreira de David. Esta não era a luta de Jónatas, e o Espírito de Deus impressionou-o, acredito, para ficar fora deste assunto.

Jónatas estava tão próximo de Deus que sabia quando agir, e quando deixar outro fazer o trabalho.

Deus entregou Golias nas mãos de David; e a bravura do jovem pastor, a sua dedicação e confiança em Deus, ganharam-lhe um lugar no coração de Jónatas. O espírito cheio de coragem de David correspondeu ao espírito dentro do coração do príncipe. Cada um deles viu o Espírito Santo trabalhar na vida do outro. Embora em idade eles parecessem mais um pai e um filho, tornaram-se amigos para sempre.

TEMPO DE MAGNÂNIMIDADE

A apostasia de Saúl conduziu-o à doença mental, e David tocava a sua harpa para acalmar o rei. Mas quando as mulheres de Israel cantaram "Saúl feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares" (I Samuel 18:7), o rei sentiu inveja do jovem pastor, e decidiu matá-lo. Apesar da inveja de Saúl, no entanto, ele tornou David general no seu exército.

Saúl começou a perceber que Deus tinha escolhido David para o suceder, e começou a atormentá-o com a sua vingança. Duas vezes tentou pregar David à parede com a sua lança. Mandou David para as mais ferozes batalhas, esperando que ele fosse morto.

Mas David sobreviveu a cada ataque contra a sua vida, tornando-se cada vez mais famoso. Várias vezes Jónatas salvou a vida de David, e nesse esforço, quase foi vítima das mãos assassinas do pai.

Percebendo que David seria o próximo rei, Jónatas podia ter-se juntado a seu pai, Saúl, nas suas tentativas de assassinato. Mas Jónatas não considerava David como um inimigo. Os dois amavam e serviam a Deus como irmãos espirituais. De facto, em vez de lutar contra David, Jónatas fez uma aliança com ele.

Somos Um *

É tão bom ter amigos, ter alguém que nos estenda a mão
é tão ser amigo, ter alguém a quem dar atenção

Coro

É tão bom sermos dois, é tão bom sermos mais
é tão bom estar aqui entre amigos e irmãos
é tão bom tu e eu termos tanto em comum
é tão bom tu e eu em Jesus sermos um

É tão bela a amizade, é tão doce o sabor de amar
é tão grande a alegria, que me invade ao poder-te abraçar...»


Jónatas sabia que em situações competitivas, os novos reis matavam, frequentemente, as famílias do rei anterior para evitar insurreições, que poderiam ameaçar o seu poder. E supunha que David, assim que ocupasse o trono, mataria os familiares de Saúl, para que os elementos mais desleais não os usassem para os derrubar.1

Por isso, quando Jónatas prometeu avisar David dos esquemas assassinos de Saúl, o príncipe pediu a David para preservar a sua família (I Samuel 20:13-15). Eles fizeram uma aliança, a qual David honrou toda a sua vida.

Saúl passou anos a perseguir David. Jónatas disse um dia a David: "Não temas, que não te achará a mão de Saúl, meu pai; porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo" (I Samuel 23:17).

Como podia ele afastar-se tão humildemente? Só pela graça de Deus!

Muito aconteceu durante esses anos. Jónatas observou, em segundo plano, enquanto Saúl, seu pai, caçava David. Provavelmente viu o assassino dos sacerdotes no palácio de Gilboa, e ele sabia que tinha sido Saúl a ordenar, igualmente, o massacre das suas famílias.

Sem dúvida Saúl contou a Jónatas como David tinha poupado a vida do rei em duas ocasiões diferentes, em vez de matar "o ungido do Senhor" - relatos esses que devem ter assegurado a Jónatas que David cumpriria a aliança.

ATÉ AO FIM

Este foi o período mais fraco do reinado de Saúl. Jónatas podia ter assassinado o rei e tomado o trono, ou podia tê-lo entregue a David. Mas ele evitou essas medidas humanas. Evidentemente, ele viu o líder da nação da mesma maneira que David via, quando este disse: "O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do Senhor" (I Samuel 24:6).

Como os Filisteus pilhavam Israel, Saúl abandonou a sua caça ao homem, contra David. As linhas de batalha formaram-se no Monte Gilboa e Saúl tremeu, vendo o enorme exército inimigo. Embora rodeado pelas suas tropas, ele sentiu-se só. Tinha repelido a sua família e os seus amigos devido às suas acções criminosas e ao seu cruel abuso.

Ninguém podia deixar de ver que o Espírito de Deus já não liderava Israel. O seu líder tinha abandonado Deus. Até o diabo esfregou as mãos quando Saúl procurou o encorajamento duma bruxa em Endor, só para 'levar um pontapé no estômago' com as notícias da sua breve morte.

Jónatas podia ter raciocinado que Deus não iria abençoar Israel através de um líder sem Deus, porquê então arriscar a sua vida? Tinha todas as desculpas humanas imagináveis para se retirar desta batalha impossível - mas não o fez. A sua lealdade para com Deus, país e rei levou-o a marchar ao lado de Saúl até ao fim.

Se Deus tivesse ordenado a Jónatas para se afastar, ele tê-lo-ia feito. Mas sem tal ordem, Jónatas serviu o seu pai lealmente até que a morte os levou a ambos.

Podemos imaginar que a lealdade de Jónatas foi em vão. Porque é que ele morreu? A Bíblia não nos diz.2 Mas a batalha de Gilboa proporcionou, certamente, o melhor momento para Jónatas morrer. Deus deixou-o descansar, suscitando David como rei de Israel.

A apostasia de Saúl e os seus últimos efeitos em Israel apresentam-se como um aviso a todos os líderes que falham em levar a sua relação com Deus a sério. Mas a lealdade de Jónatas, apesar da loucura do seu pai, dá-nos uma bela ilustração do desejo de Deus para o Seu povo - servi-l'O fielmente até ao fim.

REFERÊNCIAS

* Letra e música de Pr Pedro Esteves (postado no texto pela autora do blogue)

1. As revoltas aconteceram duas vezes durante o reinado de David: Numa primeira instância, Abner usou o filho mais novo de Saúl, Isboseth, numa tentativa de se apoderar do poder (II Samuel 2-4). Numa segunda instância, a rebelião de Absalão causou uma profunda brecha na confiança entre o filho de Jónatas, Mefiboseth, e David (talvez causada por Ziba - ler II Samuel 19:24-30), uma vez que Mefiboseth tinha parecido falhar ao rei num momento de necessidade (ler II Samuel 16:1-4).
2. Isaías 57:1, 2, dá uma pista para entendermos a razão por que as boas pessoas morrem, por vezes, antes do tempo.

Thurman C. Petty Jr., Burleson, Texas

"Um verdadeiro amigo é sempre leal, e é nos momentos difíceis que se conhecem os amigos fiéis." Provérbios 17:17

Provérbios 18:24: "Quem tem muitos amigos pode congratular-se. Mas há um Amigo mais chegado do que um irmão!" - Jesus - que "não Se envergonha em nos chamar irmãos." (Hebreus 2:11)




domingo, 26 de junho de 2011

PODE-SE SAIR DO HORROR DAS DROGAS?



... Muitos que especulam com drogas, julgam que passado o seu efeito, livrar-se-ão de tudo, 'safando-se' com vida. Mas não é fácil assim. Eis o bilhete de uma jovem guardado pela polícia de Long Beach:

SALMO DO VÍCIO EM HEROÍNA

A rainha Heroína é a minha pastora; nada me faltará.
Ela me faz deitar nas sarjetas,
Guia-me ao lado de águas turvas.
Destrói a minha alma;
Conduz-me pelas veredas da maldade, por amor do meu esforço.

Sim, andarei pelo vale da pobreza, e temerei todo o mal,
Pois tu, Heroína, estás comigo;
Tua agulha e cápsula tentam consolar-me.
Esvazias a minha mesa de alimento na presença da minha família,
Roubas a minha capacidade de raciocinar,
O meu cálice de tristeza transborda.

Certamente o vício da Heroína me acompanhará todos os dias da minha vida,
E habitarei na casa dos execráveis para sempre.

Este 'salmo' dactilografado, foi encontrado numa cabine de telefone pelo oficial Bill Hepler, do Departamento de Polícia de Long Beach.
No verso deste bilhete, que é uma dolorosa adaptação do Salmo 23, havia o seguinte trecho escrito à mão:

"Este é, verdadeiramente, o meu salmo. Sou uma jovem de 20 anos de idade, e no último ano e meio venho perambulando pela rua imunda do pesadelo dos viciados em entorpecentes. Quero abandonar a droga e tento, mas não posso.
A cadeia não me cura. Nem a hospitalização me ajuda por muito tempo.
O médico disse à minha família que teria sido melhor, e na verdade mais misericordioso, se a pessoa que me deu a droga pela primeira vez, tivesse pegado numa arma de fogo e estoirado os meus miolos. Quisera Deus que ela o tivesse feito!"

Dr Cleon Skousen no folheto: O Que Os Jovens Devem Saber Sobre Tóxicos


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As crises são uma constante na nossa sociedade. Crises financeiras, políticas, crises de credibilidade e de moral. Todas perturbam e incomodam. Mas a maior de todas é a crise existencial, a busca de sentido para a vida, a incerteza diante de tantos caminhos que se apresentam. Existe saída? Eis a grande questão...

Nunca houve na História um tempo de tanta liberdade, de tanto luxo, conforto e aparente democracia como hoje, mas, porque é que o homem não consegue ser feliz? Porque é que a paz interior parece estar sempre a fugir das nossas mãos, como algo que escorrega por entre os dedos? Nunca o ser humano viveu tão angustiado como hoje, nem tão vazio, tão desesperado. Os seus conflitos emocionais, as suas inseguranças económicas, as suas lutas familiares e sociais, as suas frustrações existenciais parecem tê-lo derrotado completamente.    ...

Por trás das marchas de protesto, das lutas sociais, das obras de caridade; por trás da busca incansável da paz, através do uso de drogas e satisfação dos sentidos, há uma frustração crescente que ninguém pode ignorar. Desde as desérticas terras até às ruas asfaltadas das grandes cidades, sem distinção de raça, idade, situação económica, sexo ou grau de instrução, o homem passa com um único clamor: "O que farei?" De que é que na realidade ele está à procura? Veja a forma dramática como o poeta espanhol Rúben Darío descreve, através dos seus sentimentos, a situação do homem moderno:

Feliz a árvore que é apenas árvore.
E também a pedra porque ela não tem vida,
Pois não existe dor maior do que estar vivo,
Nem maior desespero do que a vida consciente.

Ser e não ter rumo certo.
E o medo de ter sido e um futuro pavoroso
e a certeza espantosa de amanhã estar morto
e sofrer pela vida, pela morte,
Pelo que não sabemos e apenas suspeitamos.
E não saber aonde vamos
Nem de onde viemos...!

Sim, meu amigo, este é um quadro dolorosamente real do homem actual, mas o objectivo deste livro não é apenas descrever a trágica condição do ser humano. É acima de tudo, mostrar que há esperança.


HISTÓRIA DE VIDA-1
"Até Janeiro passado, eu era uma estranha, era rebelde, ladra, bêbada, toxicómana, adúltera, hippie. Uma pessoa egocêntrica e confusa. Há cerca de um ano atrás, fui a um estudo da Bíblia, levada pela curiosidade, pensando em confundir todos com as minhas perguntas. Mas naquela noite comecei a interessar-me pela Bíblia. Por fim, depois de meses de estudo, o texto de S. João 3:16 falou-me ao coração e entreguei a minha vida a Cristo. Nunca pensei que tal felicidade pudesse existir.

Cristo é aquilo que eu estava a procurar desde os meus tempos de adolescente. Ele é o 'Bem Maior' que eu procurava e não encontrava. Eu pensara que drogas, bebida, 'amor livre' e vaguear pelo país de um lado para o outro iriam tornar-me uma pessoa livre, mas todas estas coisas eram como armadilhas. O pecado deixou-me nesse estado de confusão, infelicidade e culpa, e quase me levou ao suicídio. Cristo libertou-me!
Ser cristão é maravilhoso, porque há sempre um novo desafio diante de nós. Há sempre muito que aprender. Agora, acordo feliz por ver um novo dia. Ele renovou-me."

HISTÓRIA DE VIDA-2
O cantor americano Johnny Cash diz: "Há alguns anos atrás, eu estava amarrado às drogas. Sentia pavor ao acordar pela manhã. Não tinha alegria, nem paz, nem felicidade na vida. Então, certo dia, desesperado, entreguei a minha vida completamente a Deus. Agora fico ansioso para despertar de manhã e estudar a Bíblia. As suas palavras penetraram directamente no meu coração. Isso não significa que todos os problemas tenham sido solucionados, ou que tenha alcançado a perfeição. Contudo a minha vida sofreu uma completa reviravolta."

HISTÓRIA DE VIDA-3
Desenvolvi o 1º ano do meu ministério num bairro de lata, na capital do meu país. Era um quarteirão habitado por gente necessitada e carente, na sua maioria, mas aquele lugar tornou-se cenário de conversões maravilhosas que o Espírito de Deus operou.
Certo dia, andando pelos estreitos caminhos daquele bairro, fui surpreendido por um cão que começou a latir. Inexperiente, cometi a imprudência de correr e em poucos segundos, não era só um mas uma matilha que corria atrás de mim. Assustado, tive que empurrar a porta de uma casa e esconder-me dos cães enfurecidos. Mas, quando percebi onde estava, teria preferido que os cães me tivessem agarrado lá fora. Era um quarto escuro e pouco ventilado, iluminado por duas velas grandes no centro de uma mesa. Havia um cheiro horrível. Em cima da mesa podia-se ver uma pequena montanha de cinza de cigarro e folhas de coca. À volta da mesa, mulheres bêbadas e, no chão, garrafas vazias de bebidas alcoólicas.

Numa fracção de segundos, vi-me rodeado pelas mulheres. Pedi deculpas. Expliquei que tinha entrado por causa dos cães, mas de nada adiantou a cortesia e as boas maneiras. Tive que ser, de certo modo, mal-educado e, à força, consegui sair.
Alguns dias depois, uma daquelas mulheres abordou-me na rua.
- Foi você que entrou lá em casa, outro dia, perseguido pelos cães?
- Sim - disse e pedi desculpas mais uma vez.
- Desculpas? - surpreendeu-se. - Não senhor, acho que nós é que temos que pedir desculpa.

Expliquei-lhe que eu era pastor e que estava todas as noites no salão, na parte alta do bairro, e convidei-a para assistir às nossas conferências.
Naquela noite, para minha surpresa, ela esteve lá. Tinha bebido bastante e dormiu durante a pregação. Voltou na noite seguinte e também na outra e na outra. Sempre bêbada, dormia enquanto eu falava.
Um dia, ela procurou-me. "Pastor" - disse angustiada e cheirando a álcool - "preciso de falar com o senhor. A minha vida é uma tragédia, o senhor pode pensar que eu não sei o que digo, porque estou sempre bêbada, mas infelizmente eu compreendo a minha situação, pastor, e estou desesperada.
Olhei para ela com simpatia. Era fácil ver no rosto, nos olhos, nas lágrimas que resistiam em sair, a tragédia de uma vida sem Cristo. Ela era uma alcoólica inveterada.

"Pastor" - continuou - "eu tive uma família bonita, um marido modesto e trabalhador e filhos maravilhosos. Não vivíamos na abundância, mas nunca faltou o pão de cada dia, até que me viciei na bebida. Não sei como aconteceu. Cheguei a um ponto em que a bebida era o mais importante na minha vida. Às vezes, o meu marido chegava à noite cansado de trabalhar e encontrava-me bêbada, os filhos com fome e abandonados. Foi assim o início da desgraça. Ele começou a bater-me, mas nem por isso eu parava de beber. A vida em casa tornou-se insuportável. Um dia, enquanto ele estava no trabalho, tive coragem de pegar nas minhas roupas e abandonar o lar, o marido e os filhos, e o mais pequeno tinha apenas dois anos. Vim morar para este bairro onde, para sobreviver, me entreguei a uma vida de promiscuidade e abandono."


Doía, doía muito ver como o pecado arruína completamente a vida das pessoas e as leva a cometer coisas que a própria pessoa não entende depois.
"Todo este tempo em que estive a assistir às conferências" - continuou a mulher - "tenho sentido que a minha vida não pode continuar assim: tenho que parar de beber.
Mas, pastor, quando estou lúcida, lembro-me dos meus filhos, do meu marido e a angústia toma conta de mim. Então, para esquecer, torno a beber e assim a minha vida entrou num círculo vicioso."

A promessa de Deus é que "Ele nos libertará das concupiscências deste mundo". "Ele nos manterá sem queda". "Ele nos dará uma nova natureza". "Ele transformará o nosso ser".
E foi isso o que aconteceu com aquela mulher. Desde o fundo do poço do desespero e culpabilidade, desde as profundezas das sombras de miséria e angústia, ela clamou a Deus: "Ó Senhor transforma o meu ser, muda o rumo da minha vida, liberta-me da escravidão do vício que me domina, dá-me uma nova natureza." E Deus ouviu-a. Ninguém viu, mas o poder de Deus criou uma nova criatura.

Ela largou a bebida, mas passou a conviver com a tristeza pelo abandono do marido e dos filhos. Era uma realidade lacerante, feria a carne e fazia sangrar o coração. Doía vê-la sofrer e foi por isso que procurei o marido. Era um homem bom. Levantava-se de madrugada, preparava a comida para os filhos e dirigia-se para o trabalho. O filho mais velho, de doze anos, aquecia os alimentos para os irmãos mais novos. O homem voltava para casa à noite, cansado, e ainda tinha que arrumar a casa e lavar a roupa. Era uma vida de sacrifício.
Foi difícil dizer alguma coisa perante aquele quadro. Finalmente, após algumas visitas, disse-lhe que vinha em nome da esposa. Ele mudou de atitude. Quase cuspiu fogo pelos olhos, e disse:
"Não me fale dessa mulher, ela arruinou a minha vida e a dos meus filhos. Aliás, ela acabou com a nossa vida porque o que nós vivemos hoje não é vida."
Os dias foram passando e com o tempo tornámo-nos amigos. Disse-lhe que a esposa que o abandonara tinha morrido, que hoje ela era outra mulher, já não bebia, e que sofria por ter abandonado a família.

Ah! O Espírito Santo consegue coisas que para o homem são impossíveis! Alguns meses depois, ele aceitou ver a esposa. Marcámos o encontro. Naquela noite orei a Deus e pedi que fizesse mais um milagre na vida dessa mulher, que tocasse o coração daquele homem, que reconstruísse aquele lar desfeito pelo pecado. Sabe, existem momentos que marcam a vida para sempre. E aquele foi um desses momentos na minha vida.

Lá estava o marido, rodeado pelos filhos. A mulher aproximou-se e caiu aos pés deles.
- Perdoem-me - disse ela chorando - perdoem-me, eu não mereço, mas por favor perdoem-me. Já perdi todos os direitos que tinha, não sou ninguém, quero apenas que me permitam cuidar de vós. Serei uma serva, nunca reclamarei nada, só quero ficar perto e cuidar de vocês e fazer tudo o que deixei de fazer.

Foram momentos dramáticos e emocionantes. No silêncio do coração continuei a orar.
De repente o homem levantou a mulher e perguntou:
- Já não bebes?
- Não. Há meses que Cristo me ajudou a deixar a bebida.
- É inacreditável! - completou o marido emocionado. - Quando o pastor me disse que já não bebias, eu não acreditei, quis verificar com os meus próprios olhos. Dizes que foi Cristo que te ajudou? Então eu quero conhecer o Cristo que foi capaz de fazer esse milagre.

Nesta altura, dei meia-volta e, escondendo duas lágrimas, retirei-me.
Meses depois tive a alegria de ver baptizados aquele homem, a sua mulher e o filho mais velho de 12 anos.

Eu não contaria esta história se não fosse porque, meses depois, durante um piquenique, eu estava sentado sozinho na margem de um rio, quando senti alguém atrás de mim. Virei-me e vi aquela mulher com um gelado na mão. "Pastor" - disse ela - "procurei-o por todo o lado. Há uns minutos deitada à sombra das árvores, comtemplava o meu marido e os meus filhos a jogarem à bola." Os olhos da mulher encheram-se de lágrimas e, com voz entrecortada pela emoção, continuou: "Entende, pastor? O meu marido e os meus filhos. Ah, Pastor! Eu não tinha nada na vida! Eu tinha arruinado tudo, eu tinha atirado fora tudo para ir atrás da bebida. E agora estou aqui com o meu marido e os meus filhos. Deus achou-me perdida, chamou-me, perdoou-me, transformou-me e devolveu-me o marido e os filhos. Eu nunca poderei agradecer o suficiente a Deus, pastor! E de repente, tive vontade de gritar: Sou Feliz! Ah, como sou feliz! Então, lembrei-me do senhor e comprei este gelado. Não tenho muitos recursos, não tenho um presente melhor, mas aceite este gelado com o meu muito obrigada, porque um dia Deus enviou uns cães atrás de si para entrar na minha casa."

Meu amigo, tenho saboreado vários gelados na minha vida, mas nunca um como este. Aquele era o gelado da gratidão, do amor, do perdão de uma mulher que um dia viveu trémula, angustiada e vazia, escondida no seu vício, ... com a sua miséria, e Deus enxugou as suas lágrimas, perdoou-lhe, transformou-a e deu sentido à sua vida.

Alejandro Bullón in A Crise Existencial - Publicadora SerVir


O iceberg da doença física, mental, social, espiritual. Da desgraça!

NÃO SE DEIXE ENGANAR! Não vá nessa onda... coloque os pés em terra firme.



A dependência das drogas é também uma doença da alma. «O remédio não está apenas nas mãos de um psicólogo ou psiquiatra, porque não é só uma alteração da mente. É uma ferida do espírito que precisa do médico divino.»

«POSSO TODAS AS COISAS N'AQUELE QUE ME FORTALECE»
- Filipenses 4:13





sexta-feira, 17 de junho de 2011

QUEM MATOU OS DINOSSAUROS?



Sem dúvida que ninguém pode provar no laboratório que a evolução de novos tipos básicos ocorreu ou esteja a ocorrer, assim como os adeptos do relato bíblico acerca da origem das espécies não poderão dizer que aconteceu desta ou daquela maneira. Contudo, as evidências parecem vir mais em apoio da teoria do livro do Génesis.

Tomemos o caso da ordem das camadas fósseis na superfície terrestre, pela qual os evolucionistas afirmam que os animais complexos (os mamíferos), situados nas camadas superiores, evoluíram através de longas eras dos animais mais simples, situados nas camadas inferiores (os braquiópodes e os trilobitas).

Será que um dilúvio universal, tal como está escrito na Bíblia (Génesis 6 a 8), não poderia ter feito também aquela ordem num mundo em que todas as espécies de animais estavam vivas ao mesmo tempo? Não numa súbita inundação esmagadora, mas subindo gradualmente durante um período de seis semanas até atingir uns 6 metros acima do mais alto monte antediluviano?

É fácil aceitar-se que, se as águas subiam cada vez mais alto, animais como os trilobitas, que não puderam fugir, serem os primeiros a ser subterrados. Mas os mais complexos, que puderam subir para terrenos mais altos, ficarem em camadas acima da dos trilobitas.

E os mais ágeis escaparem das águas para os altos montes, chegando aí também a sua vez de ficarem sepultados, ou de serem deixados mortos à superfície quando terminou o dilúvio.
Teria sido a coisa menos natural e mais estranha se um dos brontossauros se tivesse deixado sepultar com os trilobitas nalgum baixio, à primeira enchente das águas diluvianas. Não é isso o que faz prever quando encontramos nas colinas fósseis de dinossauros?

Se a teoria evolucionista fosse certa, e se o dilúvio não tivesse existido, muitos anos teriam que passar antes que a carcaça do mamute da Sibéria, encontrada subterrada numa série de camadas de terra e gelo (ainda com a carne e o pelo intactos, e com o estômago cheio de erva não digerida) fosse coberta por essas camadas. Por que não se decompôs a sua carne ou não foi devorada pelos lobos? Note-se que o mamute nem sequer era um animal de climas gelados! Isso significa que as regiões polares seriam, antes do dilúvio, com temperaturas deleitosas e que foi o clima extremo, provocado por essa catástrofe universal, que o congelou abruptamente, assim como a muitos outros animais, que aí deram lugar ao maior jazigo fóssil do mundo.

Assim, poder-se-ia dizer que a ordem dos fósseis não é provocada pela acção do tempo geológico apenas. E, realmente, que provas há de que enormes cataclismos do passado remoto não tenham podido alterar por completo a crosta terrestre, assim como o princípio da uniformidade do chamado período geológico, o padrão da radioactividade e a qualidade do método de datação do carbono14?

Sabe-se que, ainda hoje, há determinadas tendências nos corpos que os paleontólogos não sabem explicar, o que não permite calcular com segurança a sua idade, quer antes quer depois do dilúvio, há 4350 anos.

A propósito dos efeitos causados pelo dilúvio, uma escritora americana, Ellen G. White, escrevia: «A terra apresentava-se com um aspecto de confusão e desolação impossíveis de descrever. As montanhas, que eram tão belas na sua perfeita simetria, ficaram despedaçadas e irregulares. Pedras, recifes, rochas ficaram espalhadas pela superfície da terra. Em muitos lugares, colinas e montanhas desapareceram, não deixando vestígios do lugar em que se achavam. Planícies haviam dado lugar a cadeias de montanhas.»

A profundidade dos fósseis pode pois contar-nos quão profundo aquela catástrofe universal escavou a superfície da terra e impeliu para cima os picos das montanhas! De Ararat, onde a arca de Noé aportou, pode-se ver o estado caótico em que a terra ficou, com uma região inóspita - a do chamado «Crescente fértil», entre a Mesopotâmia e o Egipto - um autêntico areal! Foi a partir daquele monte que os descendentes de Noé se espalharam pela planície entre o Tigre e o Eufrates. Mais tarde, os seus netos e bisnetos, da geração do seu filho Jafet, espalharam-se para o norte, indo até à Europa.

E, segundo o cientista escritor Frank Lewis Marsh, é possível que o homem de Neanderthal e o de Cro-Magnon (que os evolucionistas acreditam ser o ancestral do homem moderno), há dezenas de milhares de anos, não tenham mais de 4000 anos e que, depois do dilúvio, vieram habitar cavernas, por não terem lares, então completamente destruídos.

Não foram eles os autores de quadros de mamutes lanosos, rangíferes, cavalos e bisões? A construção, mais tarde, da torre de Babel, pelos descendentes do segundo filho de Noé, Cao, mostra bem a carência de casas que se faziam sentir. Já Sem, o terceiro filho do patriarca, deixou-se ficar pela região montanhosa, dando origem aos árabes e judeus. Não é isto credível?

Evolução ou catastrofismo? Não se referem as tradições dos povos pagãos mais antigos ao dilúvio? Não lhe fez Cristo - todo omnisciente e presente - referência? (Mateus 24:38).

Não existindo ele, quem matou os dinossauros todos ao mesmo tempo? Diz-se que foi um meteorito, como se eles estivessem todos dentro de um campo de futebol! E por que não matou ele também os outros animais?

Daniel da Fonseca Simões da Silva - Pastor da Igreja Adventista do 7º Dia, licenciado em Teologia, História e Direito

Faleceu a 27 de Fevereiro de 2006 em Coimbra. «Durante o longo período de doença, nunca lhe ouvimos uma palavra de revolta ou de queixa. Havia, sim, palavras de grande confiança no seu Salvador, revelando uma grande paz interior, só possível a quem tem tudo acertado com o Mestre.» Pr José Eduardo Teixeira

Desejo muito abraçar este meu apreciado e saudoso primo - irmão (mães e pais irmãos) no dia em que Jesus Cristo voltar, para vivermos para sempre com Ele, nossos queridos e amigos, no Lar Eterno! Edite da Fonseca Simões da Silva Esteves  (clique na imagem para aumentar)


O  Mundo  da  Natureza,  o  Mundo  do  Homem,  o  Mundo  de  Deus:  todos  eles  se  encaixam. - Johannes Kepler (1571-1630)

O  facto  mais  incompreensível  a respeito  do  Universo  é  que  ele  é  compreensível! - Albert Einstein (1879-1955)

Criacionistas  e  evolucionistas  possuem  exactamente  os  mesmos  dados.  A  realidade  é  a  mesma  para  eles.  Contudo,  a  percepção  dos  dados  pode  ser  notavelmente  diferente  para  ambos,  dependendo  da  perspectiva  do  indivíduo,  das  suas  pressuposições,  cosmovisão  e  até  mesmo  das  suas  tendências. - Dr. Henry Morris (1918-2006)


quarta-feira, 1 de junho de 2011

A SOCIEDADE DAS SURPRESAS



- Eu gostava de ser pirata - disse o Beto. Às vezes estou tão aborrecido que gostava de fazer qualquer coisa importante, para chamar a atenção.
- Tens toda a razão - disse Rosita, a irmã mais nova. Eu também gostava muito de ter algo de grande para fazer.
Esta conversa teve lugar durante as férias. Ainda faltava um mês para a escola abrir e os dois irmãos já estavam cansados sempre das mesmas brincadeiras. Queriam qualquer coisa nova, diferente, emocionante.
- Mas, não podemos ser piratas - disse Rosita - pois seríamos presos. E ainda mais, o porto mais próximo está quase a 200 quilómetros de distância. Como chegaríamos até lá?

- Não é bem assim - explicou o Beto - eu estava a falar em ser pirata de brincadeira. Mas então o que sugeres que façamos para nos divertirmos?
- Vamos pensar. Talvez nos ocorra alguma coisa.
Assim, os dois puseram-se a pensar. Durante alguns minutos ficaram em silêncio.
Então, o Beto, pôs-se em pé de um salto.
- Já sei! Vamos formar a  SOCIEDADE  DAS  SURPRESAS.
Eu sou o presidente e tu, Rosita... bem, podes ser a minha secretária.
- És um génio, Beto! - exclamou a menina - Qual é a finalidade da Sociedade das Surpresas e o que vamos fazer?
- Ora, Rosita, vamos fazer surpresas às pessoas.
- Ah, sim! Compreendo. Mas que tipo de surpresas?

- Boas surpresas, claro. Vamos saber entre os nossos vizinhos e conhecidos quais necessitam de auxílio e depois ajudá-los sem eles saberem quem os ajudou.
Assim já não nos vamos aborrecer mais.
- Concordo! - disse a Rosita. - Que tal começarmos já?
- Vou pôr numa lista as coisas que poderemos fazer e depois vamos escolher as pessoas.

O Beto correu ao seu quarto para ir buscar um caderno e um lápis para fazer anotações.
Ao voltar lembrou à irmã:
- Olha, Rosita, é uma sociedade secreta, por isso temos de manter segredo.
- É claro! - concordou - se alguém souber das nossas actividades, a Sociedade das Surpresas vai ter de mudar de nome.
Naquela tarde, quando a mãe voltou da cidade, ficou estupefacta. Que teria acontecido?

Depois do almoço tinha saído à pressa, deixando a louça suja e esta tinha desaparecido! O lava-louça estava limpo, as coisas nos seus devidos lugares e a mesa posta para o jantar. Até os vidros da janela tinham sido lavados!
A casa estava em silêncio. Que boa alma teria feito aquilo?
Quando os meninos entraram em casa a mãe perguntou-lhes se a tia tinha estado lá naquela tarde. O Beto respondeu que não.
- Não percebo e continuo admirada - disse a mãe. Quem teria feito tudo isto? Hoje até posso sentar-me a descansar depois do jantar!

Mas em cima da mesa a D. Laura encontrou uma carta. Abrindo-a leu: "A Sociedade das Surpresas veio visitá-la esta tarde".
- Gostava de saber quem são - disse a mãe.
- Eu também - acrescentou o Beto.
- Olhem, o papá já chegou. Vamos jantar? - perguntou a Rosita.
E assim fizeram.



Na manhã seguinte os dois meninos dirigiram-se a casa da D. Eugénia, uma senhora doente com a qual ninguém se importava. O Beto transportava cuidadosamente um embrulho. Olhou pela janela e viu que a D. Eugénia estava a dormir. Abriu a porta devagarinho e entrou com a irmã. Atravessaram a sala na ponta dos pés e ele colocou o pacote que trazia sobre a mesa da cozinha. Ao saírem a Rosita estava tão nervosa que tropeçou ao fechar a porta.

- Cuidado - cochichou o Alberto.
O ruído despertou a D. Eugénia.
- Quem está aí? - perguntou?
Mas eles já se tinham afastado tão rápido quanto o permitiam as suas pernas. A senhora abriu o pacote e encontrou três ovos.
- Que bom! - murmurou - quem os terá trazido? Era mesmo o que eu precisava para o almoço.
Ao examinar o papel em que os ovos estavam embrulhados, leu: "Com um carinhoso bom dia da Sociedade das Surpresas".

Tito, um colega do Beto, estava doente, com sarampo. Claro que tinha de ficar o tempo todo no quarto e isso causava-lhe imenso tédio e tristeza. Da cama só podia ver um pedacinho de jardim, rodeado por uma cerca alta de madeira.
Uma tarde, quando olhava pela janela, viu, de repente, qualquer coisa passar por cima da cerca e cair sobre a relva. Era uma caixa de papelão presa a um cordão.

- Mãe, depressa! - chamou o Tito.
- Por favor, vá ver o que está no jardim.

A mãe, surpreendida, foi ver o que era e trouxe o pacote que o Tito abriu com muita curiosidade. Era uma caixa quadrada contendo quatro pacotinhos. Num deles estava escrito: "Abre na 2ª feira"; no segundo: "Abre na 4ª feira"; no terceiro: "Abre na 6ª feira" e no último: "Abre no domingo".
Apeteceu-lhe abrir os pacotes todos logo, mas depois, reflectindo melhor, resolveu concordar com a brincadeira.
Assim, aguardou com ansiedade a chegada da 2ª feira. Abriu o pacote.
- Uma caixa de tintas! - exclamou - há tanto tempo que eu desejava uma caixa destas! Quem será que me deu este presente?
Dentro da caixa havia um bilhetinho: "Com os votos de rápidas melhoras da Sociedade das Surpresas".
Ele ficou intrigadíssimoo, mas por mais esforço que fizesse para descobrir quem era o responsável pela tal Sociedade, não conseguiu descobrir nada. Foi uma semana bem passada!


E assim, o Beto e a Rosita continuaram a pôr em prática o seu plano, entre os vizinhos.
Como se mantinham ocupados nem se aperceberam que as férias estavam a acabar. A mãe também andava intrigada com o comportamento estranho dos filhos. "O que será que se passa com aqueles dois?" pensava ela. "Antes estavam sempre a brigar, agora até parecem dois 'anjinhos'!"
- Rosita - disse um dia o Beto - creio que está na hora de voltarmos a casa da D. Eugénia para lhe fazermos uma nova surpresa. Que achas?
- Boa ideia. Vamos levar ovos e algumas flores do nosso jardim.


Era a segunda vez que a Sociedade das Surpresas visitava a velhinha. O Beto e a irmã agiram como da primeira vez: entraram pela porta sem fazer barulho para que a dona da casa não os pressentisse. Colocaram os presentes em cima da mesa e saíram devagar. Como estavam muito preocupados em não fazer barulho, não notaram a presença de um senhor sentado - era o médico, que observou tudo. A princípio pensou que se tratava dos netos da D. Eugénia, mas depois lembrou-se que ela não tinha qualquer família. Ficou bastante intrigado com o facto. Foi até à mesa e viu o cartão - já conhecido da vizinhança - com os dizeres: "Com todo o carinho da Sociedade das Surpresas".

Estava desvendado o mistério da Sociedade das Surpresas!
- Agora já percebo o que a senhora me contou na última visita que lhe fiz - disse o Dr. Almeida à sua doente - e também explica o caso que me relatou ontem o Tito Costa.
Alguns dias depois, o Beto e a Rosita receberam em casa uma carta, dirigida à Sociedade das Surpresas, contendo um convite para passarem uma tarde em casa do Dr. Almeida.


- Como será que nos descobriram? - perguntou a Rosita curiosa e acrescentando: - cumpri a minha palavra. Não contei a ninguém o nosso segredo.
Agora era a vez deles de estarem intrigados.
No dia marcado, foram a casa do médico. Que tarde formidável ali passaram! Piscina, lanche, jogos, tudo à sua disposição! No fim do dia uma última surpresa: dois pacotes muito bem embrulhados, com o nome de cada um dos sócios da Sociedade das Surpresas, Beto e Rosita.
- Aceitem estes presentes - disse o Dr Almeida - como recompensa pelos muitos presentes - surpresa que deram aos outros.
Claro, eles não sabiam como é que o médico os tinha descoberto e ele mesmo não quis revelar o segredo, mas o Beto e a Rosita estavam muito felizes.

Chegaram à conclusão que o que fizeram naqueles dias os divertiu muito mais
do que brincar aos piratas!



Nosso Amiguinho

(Publicadora SerVir)