segunda-feira, 26 de março de 2018



DESCUBRA  A  VERDADEIRA  PÁSCOA


COMO  ESPERA  DEUS  QUE  O  SEU  POVO  CELEBRE  A  PÁSCOA  ?

"No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." João 1:29

       A Páscoa chega na primavera, despoletando na nossa sociedade sentimentos opostos e paradoxais: A euforia do comércio, abastecido com todo o tipo de ovos e coelhos de chocolate, relaciona-se antiteticamente com uma tristeza sombria que a lembrança do sofrimento de Cristo impõe a alguns; a abstinência da sexta-feira da Paixão opõe-se aos festejos do domingo de Páscoa; a degradante queima do Judas contrasta com o sentimento de fraternidade que envolve as pessoas nesta época do ano.

Estas antíteses são ainda maiores quando pensamos nos símbolos que integram o universo pascal na Cristandade de hoje: o ovo e o coelho (muito enfatizados) opõem-se à cruz e ao cordeiro (minimamente recordados). Ao pensarmos nestes paradoxos pascais, surgem algumas perguntas:
- Afinal o que é a Páscoa?
- Qual é a origem da atual ênfase em símbolos como o do coelho ou o do ovo?
- Porque foi instituída a Verdadeira Páscoa, e qual é o significado dela para hoje e para o futuro?


A PÁSCOA PAGÃ

       A configuração da Páscoa que predomina atualmente na Cristandade desvia-se muito do que a Bíblia prescreveu sobre esta festividade. A Páscoa bíblica foi instituída para celebrar a libertação do povo israelita do cativeiro egípcio. Ela teve o seu início a partir da morte dos primogénitos residentes no Egito, em cuja casa não houvesse, nos umbrais da porta, o sangue do cordeiro pascal. O foco central desta festa está na morte do cordeiro, de quem vem o sangue que livra da morte e, portanto, que liberta da escravidão. Assim, a tipologia permite-nos ver na morte de Jesus (e não na Sua ressurreição) o cerne da Páscoa bíblica (I Coríntios 5:7).
       Quando Deus estabeleceu esta festa, Ele quis deixar claro o ensino de que a libertação dos Israelitas do cativeiro egípcio representa a libertação maior de todo aquele que crê no sacrifício substitutivo de Cristo. Por causa do pecado, todos os seres humanos estão condenados à destruição, mas em virtude do sangue que Jesus, o Cordeiro de Deus, derramou no Calvário, serão salvos todos os que aceitarem para si este sacrifício.
       Não é insignificante o facto de o foco da Páscoa ter sido deslocado para a ressurreição de Cristo. É verdade que o facto de Jesus ter ressuscitado, consolida a Sua vitória sobre o pecado. Mas a Bíblia tem outros símbolos para a ressurreição, como o Batismo por imersão, por exemplo (Romanos 6:4; Colossenses 2:12), e nunca relaciona o sentido da Páscoa com a ressurreição do Senhor. Na verdade, esta troca é um erro subtil e grave que foi introduzido no Cristianismo com o propósito de acomodar a religião de Cristo ao paganismo.

       Muitas culturas antigas celebravam uma espécie de Páscoa, que estava sempre relacionada com ofertas aos deuses pagãos, de modo a tornar a terra fértil para o cultivo agrícola. Por exemplo, o termo "Páscoa" em inglês é Easter e em alemão é Ostern. Ambos os termos derivam da expressão anglo-saxónica Eostre, que era o nome de uma deusa nórdica da primavera. Eostre (equivalente a Astaroth, deusa cananeia, e a Ceres, deusa romana) era a divindade anglo-saxónica e teutónica supostamente responsável pelo ressurgimento da vida vegetal na primavera, após os rigores do inverno. O apogeu das festividades em honra desta deusa ocorria em março, no início da primavera, período em que muitas culturas antigas celebram a festa dos deuses da fertilidade primaveril. De acordo com os mitos nórdicos, o coelho, por ser considerado muito fértil, era o animal preferido de Eostre. Os ovos eram os principais objetos usados para adorar a deusa, por serem vistos como símbolo da vida, do nascimento e da ressurreição. Para adorar Eostre e para propiciar as suas bênçãos também eram oferecidos sacrifícios vegetais, animais e humanos.1 Posteriormente, em louvor a Eostre, foi instituído o sabbat pagão, no primeiro dia da primavera, para se celebrar o renascimento da Natureza, chamado Ostara. O Cristianismo apóstata reinterpretou este dia, transferindo o seu significado para o domingo de Páscoa.
       Ao contrário da Páscoa bíblica, a Páscoa "cristã", como se celebra hoje em dia, não tem um dia fixo no calendário. Ela pode ocorrer entre os dias 22 de março e 25 de abril, pois, de acordo com a tradição, deve ser comemorada no primeiro domingo após a Lua cheia do início da primavera. Esta calendarização foi estabelecida no Concílio de Niceia, no ano 325, por forte influência do imperador romano Constantino, que pretendia assim diferenciar os Cristãos dos Judeus. No fundo, o objetivo do imperador era associar cada vez mais o Cristianismo ao paganismo, como no caso da transferência do dia de guarda semanal. Entretanto, a Cristandade só passou a comemorar unanimemente a Páscoa, segundo a resolução de Niceia, depois do decreto do papa Gregório XIII, em 1582. 2
       O que dissemos até aqui permite perceber a áurea pagã que permeia a Páscoa "cristã" na atualidade. A Cristandade reinterpretou a Páscoa, inserindo símbolos pagãos, alterando a sua data e deslocando o significado vicário que estava na base do propósito de Deus ao estabelecer essa festa. Este propósito era o de representar didaticamente o sacrifício substitutivo de Cristo, simbolizado no cordeiro que morreria com o propósito de que o seu sangue assinalasse a salvação do crente que se apega com fé à dádiva gratuita de Deus.


A PÁSCOA BÍBLICA


       A Páscoa bíblica foi estabelecida como marco para se comemorar a libertação do cativeiro egípcio. A prescrição divina estabeleceu que, na noite em que Deus desferiria o derradeiro golpe sobre o Egito, matando os primogénitos, quem estivesse ao abrigo do sangue do cordeiro colocado nos umbrais da porta seria poupado, pois o anjo destruidor passaria por aquela casa sem causar destruição. Naquela noite, todas as casas que não tinham o sangue nos umbrais da porta receberam a terrível visita do anjo destruidor. Mas as casas dos Hebreus foram poupadas, pois nelas havia o sinal de que o anjo deveria passá-las por alto. Assim, é do verbo hebreu que significa "passar sobre" que deriva a origem etimológica do termo Páscoa (em hebreu, Pessach).
       A Páscoa é uma bela representação da Salvação. Como escreve Ángel Manuel Rodríguez: "Enquanto no Egito todos os primogénitos morreram, entre os Hebreus uma vítima sacrificial morreu."3 Isto ensina-nos que a Salvação se encontra nos méritos substitutivos do sangue do Cordeiro. A Páscoa estava associada à décima praga e foi a causa que levou o Faraó a permitir a saída do povo de Israel do Egito. Nesse sentido, a Páscoa simboliza a nossa libertação do cativeiro do pecado.
       É interessante observar que esta festa foi instituída para representar a salvação de todo o povo de Israel, que sairia do Egito em consequência dos acontecimentos decorrentes daquela noite de visitação divina. Mas isso só seria possível, se o processo fosse realizado particularmente, no âmbito das famílias. Ou seja, para que todos fossem salvos e para que cada primogénito fosse poupado, cada família do povo deveria sacrificar um cordeiro. Não se tratava de um sacrifício generalizado, mas sim, de um sacrifício personalizado, familiar. Cada família deveria sentir a necessidade de buscar o Senhor: "Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família" (Êxodo 12:3; itálico acrescentado).

       A Páscoa bíblica ensina que, embora a Salvação de Deus pretenda alcançar todos, ela deve ser vivida individualmente, e a família é o núcleo central a partir do qual o Senhor deseja projetar a Sua bênção sobre toda a Humanidade. Aquele cordeiro morto era um tipo de Jesus, "o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (João 1:29). Entretanto, apenas aqueles que n'Ele crerem terão a vida eterna (João 3:16), a exemplo dos Hebreus, que só foram libertados do Egito porque creram na Palavra de Deus, sacrificaram o cordeiro e marcaram as suas portas.
       Sempre foi desejo de Deus que cada família fosse um centro de Salvação. Somente a partir de um reavivamento genuíno das famílias do povo de Deus, é que as pessoas, individualmente, poderão ser efetivamente tocadas, alcançadas. Por isso, torna-se evidente o motivo de Satanás trabalhar ardilosamente para destruir as famílias na atualidade. A vontade de Deus é proteger os lares da destruição causada pelo pecado que predomina no mundo de hoje. Cada pai, mãe, filho ou filha podem vencer, se tiverem, no coração, a marca do sangue de Jesus.


       Seguindo o rito realizado no dia da libertação do cativeiro, todos os Israelitas, ao festejarem a Páscoa, deveriam separar um cordeiro no décimo dia do primeiro mês do ano judaico (Nisã) e sacrificá-lo no décimo quarto dia à tarde (Êxodo 12:1-6). Os Evangelhos demonstram que Jesus cumpriu cabalmente todas as especificações tipológicas da Páscoa e, por isso, pôs fim à necessidade de a comemorarmos. Em memória do Seu sacrifício o Senhor estabeleceu a Santa Ceia que deve ser celebrada até que Ele volte (I Coríntios 11:26). "Ao comer a Páscoa com os Seus discípulos, instituiu em seu lugar o serviço que havia de comemorar o Seu grande sacrifício. A festa nacional dos Judeus devia cessar para sempre. O serviço que Cristo estabeleceu devia ser observado pelos Seus seguidores em todas as terras ao longo de todos os séculos."4
       Para o Cristão, a Páscoa é Cristo. Sempre que alguém aceitar o sacrifício vicário do Salvador, encontrará o verdadeiro sentido da Páscoa. E a cerimónia que Jesus instituiu para celebrar isto foi a Santa Ceia. Embora seja muito solene, esta ocasião é também uma ocasião festiva, pois o seu propósito é reavivar na memória do Cristão a certeza da Salvação. Ninguém deve excluir-se, nem deve ser impedido de participar.5  A Santa Ceia é o símbolo do perdão e da reconciliação.
       Mesmo que a Páscoa tenha sido substituída pela Ceia do Senhor, e ainda que esteja corrompida pelas influências do paganismo, a sua comemoração na atualidade é uma importante oportunidade de evangelização, pois as pessoas são levadas a pensar em Jesus nessa data. Assim, a Igreja deve aproveitar para ensinar o verdadeiro sentido desta festa e o seu cumprimento pleno em Cristo. O olhar das pessoas deve ser orientado para a Páscoa definitiva, que ocorrerá na Segunda Vinda de Jesus, quando Deus libertar completamente os Seus filhos do cativeiro do pecado.


      

A PÁSCOA ESCATOLÓGICA

       O evangelista João serviu-se do verdadeiro ícone pascal, o cordeiro, para falar da Salvação eterna. O último livro da Bíblia, Apocalipse, esboça um cenário em que o mundo vive os seus dias finais. O povo de Deus é perseguido, as pragas caem sobre os ímpios e o mundo natural é destruído. O quadro é tão caótico que, em Apocalipse 6:17, surge a pergunta: "Quem poderá subsistir?" A impressão com que ficamos é a de que todos estão condenados e ninguém conseguirá escapar da destruição. No entanto, surge em cena um grupo especial, que passa incólume pelos terríveis eventos finais da história do mundo. Essas pessoas estarão seladas (Apocalipse 7:3), não receberão o sinal da besta (Apocalipse 13:16) e marcarão os "umbrais" do seu coração com a obediência ao Cordeiro (Apocalipse 7:14; 14:4).

       Tal como na Páscoa original, o sangue do Cordeiro é a grande causa da vitória deste povo, a despeito da feroz perseguição que sofrerá. Estas pessoas são vividamente descritas como "os que vêm da grande tribulação, lavaram as suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro" (Apocalipse 7:14; itálico acrescentado). O sangue de Jesus livrará estes fiéis da destruição, mantê-los-á firmes na tribulação e introduzi-los-á na Canaã celestial.


       A Páscoa original marcou a saída do povo de Israel do Egito e o início da sua trajetória de quarenta anos pelo deserto até à Canaã terrestre. A Páscoa antitípica - a morte de Jesus na cruz - marca o início da caminhada dos Cristãos para a Canaã celestial. Na Páscoa original, a orientação foi: "Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do Senhor" (Êxodo 12:11). O mesmo vale para a Páscoa definitiva. Devemos sentir urgência em seguir para Canaã e nos apropriarmos, com avidez, da "carne" e do "sangue" do Cordeiro, que alimentam a nossa vida espiritual, dando-nos força para prosseguir na jornada.


A propósito, esta situação evoca a antiga e poética pergunta: "Ainda é longe Canaã?" Sinceramente, NÃO!

       Canaã está às portas!


Vinícius Mendes
Editor-associado da Casa Publicadora Brasileira. Folheto editado em Portugal pela Publicadora SerVir

1. Mirela Faur, Mistérios Nórdicos, São Paulo: Editora Pensamento, 2007, p.134.
2. J. Lopez Marin, A Celebração na Igreja: Ritos e Tempos da Celebração, São Paulo: Edições Loyola, 2000, p.42.
3. Ángel Manuel Rodríguez, Israelite Festivals and the Christian Church, 2005, p.2, disponível em adventistbiblicalresearch.org/sites/default/files/pdf/release%203.pdf.
4. Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p.559, ed. P. SerVir.
5. Idem, p. 563.



- Pode ouvir músicas da Páscoa no último grupo dos links de Meditação para a Saúde e de Uma Palavra Amiga -

quinta-feira, 8 de março de 2018

*O que Seria do Mundo Sem as Queridas Mulheres?!!!...


CRÓNICA
António Lobo Antunes



PARAFUSOS E PORCAS

        Quando eu era miúdo, na periferia de Lisboa onde fui feito e onde cresci, um subúrbio pobre, havia um grupo de excursionistas chamado GRUPO EXCURCIONISTA OS PARAFUSOS, do qual faziam parte só homens, que passavam um domingo por mês num autocarro cheio de litros de tinto, partiam de manhã e regressavam ao fim da tarde, completamente grossos, a lutarem com a maré alta do passeio, a gritarem, a abraçarem-se, a rirem, a empurrarem-se, na panóplia completa dos bêbados, no meio de quedas, discussões, insultos e cantorias, dispersando-se aos tropeções, alguns de gatas, uns calmos, outros impetuosos, outros coléricos, alternando abraços com empurrões e juras de amizade eterna com tentativas de pancadaria, entre vómitos e tropeços. Conhecia-os mais ou menos a todos porque pertenciam ao mesmo bairro que eu, e a maior parte deles, nos intervalos das excursões, eram pacíficos e cordatos. Trabalhavam por ali, em oficinas e coisas assim, e depois do trabalho, antes do jantar, passavam pelo tasco da sede do Grupo para um copo fraterno, muitas vezes silencioso e soturno. Nas excursões não eram permitidas mulheres. Dos lados do autocarro havia dois lençóis estendidos, amarrados com cordas, anunciando
        GRUPO EXCURSIONISTA OS PARAFUSOS
        por baixo do
        GRUPO EXCURSIONISTA OS PARAFUSOS
        a frase, em letras gordas
        AS PORCAS FICARAM EM CASA
        e, de facto, não se via uma só porca nas redondezas, parafusos apenas, às palmadas nas costas uns dos outros, felizes pelos delirium tremens que se aproximavam, transportando a alegria em garrafões, ainda pausados e calmos. Meia dúzia de porcas, inquietas, vigiavam a partida de longe, na certeza de uma noite tempestuosa, escondendo santinhos e bonecos de barro nos quintaizecos das traseiras porque, dali a horas, viria um temporal de cacos, cuja violência era celebrada durante dias, com frases de felicidade no género
        - Grande domingo: apanhámos cá uma bebedeira...
        isto dito, claro, com orgulho e natural satisfação, mudando de conversa a fim de cumprimentarem, com solenidade, as senhoras que passavam, tirando o boné numa educação lenta, já de alma apontada ao próximo passeio.
O autocarro, quase podre, andava uns quilómetros, poucos, na direção de uma berma propícia, e gastavam o dia aos encontrões, a mamarem dos gargalos, enquanto as porcas escondiam bibelôs, retratos e mobília mais frágil. Partiam de gravata e casaco e regressavam de fralda da camisa de fora, com a gravata amarrotada no bolso, ao mesmo tempo joviais e comovidos, até as porcas os pastorearem para casa a tropeçarem nos próprios sapatos. À medida que os tempos iam mudando e os parafusos envelhecendo
        (começaram a aparecer bengalas, muletas, bocas tortas, um bracinho defunto, uma perna que se arrastava, as primeiras mortes
        - os fígados gastam-se, amigos)
        o GRUPO EXCURCIONISTA OS PARAFUSOS deu em diminuir e as porcas, mais resistentes, a ganharem força. A frase, em letras gordas
        AS PORCAS FICARAM EM CASA
        desapareceu dos lençóis, e as ditas porcas começaram a acompanhá-los nas excursões de domingo onde havia agora água mineral e almofadas para os rabos cansados dos parafusos que já não discutiam, não se abraçavam, não riam, acocorados em pedras à beira da estrada, enquanto as porcas conversavam umas com as outras e lhes davam ordens, transformando vinho em água-pé primeiro e confiscando-o finalmente, atentas às queixas
        - Mijei-me todo
        ou
        - Não consigo segurar as fezes
        equilibrando-os com dificuldade e uma página de jornal na mão, a puxá-los
        - Anda lá, anda lá
        para trás de uns arbustos, nos quais se distinguia uma cabeça vencida.
O autocarro acabou, sem pompa, num baldio do bairro, os domingos terminaram, e os parafusos principiaram a permanecer no bairro, em banquitos ao acaso, com boinas coçadas a cobrirem as calvícies, e as bocas desmobiladas a chuparem cigarrinhos meio apagados. Elas levavam-nos para casa equilibrando-lhes os sovacos
        - Mexe-te, emplastro
        e agarrando-os pelas calças que amoleciam. Quando me tornei adolescente já poucos sobravam, sem diálogos, sem interesses, sem júbilo algum, a engolirem os comprimidos que elas lhes estendiam numa obediência mansa. No caso de um deles perguntar
        - O Jorge?
        uma voz respondia
        - Morreu o ano passado
        e o queixo do que perguntava descaía um bocado, numa aceitação melancólica. As porcas, essas, iam aumentando de autoridade
        - Estás cada vez mais um farrapo
        e o GRUPO EXCURSIONISTA OS PARAFUSOS dissolveu-se, substituído, progressivamente, por idosas enérgicas, a quem eles se submetiam num cansaço desarticulado. Deviam trocar-se os letreiros por cartazes que anunciassem
        GRUPO EXCURCIONISTA AS PORCAS
        com outro por baixo
        OS PARAFUSOS ESTÃO QUASE TODOS NO CEMITÉRIO
        enquanto elas faziam crochet no murozito da estrada, a contarem histórias dos netos, que os parafusos sobreviventes nem escutavam. Talvez, quando muito
        - O Jorge morreu mesmo?
        seguido de um chichi desolado pelas tíbias abaixo, um lamento de mulher
        - O que eu aturo
        o que os dois ou três parafusos que resistiam já nem conseguiam ouvir. O tasco é agora uma butique que vende roupa feminina a pessoas para quem os parafusos não significam nada.

Texto EXCELENTE do Escritor e Médico Psiquiatra Dr António Lobo Antunes in Revista Visão, 2 de abril de 2015.
*O Título da postagem é meu, não resisti... Mas o que seria do Mundo sem os Maravilhosos Homens?!!! Mas SEM o álcool, por favor! Era o MELHOR presente para todos. Sou muito feliz por ter um marido que não fuma nem bebe bebidas alcoólicas! E ele é também muito feliz! Quanto a Saúde das PESSOAS, e o ESTADO, beneficiariam!!!... EE



sexta-feira, 2 de março de 2018


ARTIGO DE OPINIÃO
                 Artes

SER MÉDICO, SER ARTISTA

A Medicina tem-se revelado fonte inspiradora de várias artes: Literatura, Pintura, Escultura... Quantos médicos sentiram necessidade de se perder entre rasgos de imaginação depois de despirem a bata. O legado é extenso.
Por Professor Doutor Armando Moreno

       As relações entre os médicos e a sociedade situam-se nas mais variadas áreas das actividades humanas e podem ser ilustradas por meio de diversificados processos e realizações: clínica, investigação, caridade, arte, pedagogia, divulgação, política, filosofia, desporto, história. Todos estes meios têm sido utilizados pelos médicos enquanto profissionais ou, noutros casos, como actividades colaterais. O palco de clivagem entre cada uma destas formas, enquanto colaterais ou enquanto profissionais, nem sempre é bem definido pois não podemos imaginar a obra de Abel Salazar sem a sua formação médica, nem os escritos de João de Araújo Correia sem a sua prática clínica. Vale a pena relembrar todas estas actividades? Se vale, com que finalidade?
       Sempre tenho afirmado que não sou historiador mas "historiólogo": a História interessa-me, essencialmente, para tirar conclusões para a vida moderna. Nem sempre estas comparações são claras ou patentes. No último Congresso de Medicina da Ordem dos Médicos, realizado em Coimbra, sobressaiu uma tónica: a importância das novas tecnologias e os desvios que a Medicina iria sofrer em função dessas tecnologias. As abordagens assumiram tons de alarmismo, como se a Medicina estivesse prestes a sofrer um ataque de marcianos.
       Como os marcianos, essas tecnologias surgem, aos olhos de uns, os mais antigos, como monstros desconhecidos, para outros, os mais novos, como resultado de pesquisas científicas de resultados nunca antes vistos. Ora a História ensina que as novas tecnologias surgiram ao longo dos séculos, provavelmente de modo muito mais importante do que as que surgem nos nossos dias: o que pensariam os médicos de então quando Leeuwenhoek, depois de inventar o microscópio, lhes disse que na boca existem bichinhos que aí se reproduzem? Quando Lister iniciou a prática da vacinação, dizia-se que os vacinados mugiam como vacas e que nasciam cornos no local da vacinação. Embora estas novidades tivessem um impacto estrondoso, a Medicina seguiu naturalmente o seu caminho.
       É certo que o médico se encontra cada vez mais absorvido pelas actividades diárias, canalizado por um ensino cada vez mais tecnológico e menos humanista. Na maioria, os médicos nem se dão pela importância que as lições da História assumem na actividade clínica. Aos poucos, a preparação em áreas da Psicologia, da Sociologia, da relação afectiva são desmembradas e constituem cursos de especialidade, porque o médico deixou de ter tempo para essas actividades que eram, não há muito, a raiz da sua relação com os doentes.
       Felizmente, muitos cavaleiros andantes reservam-se o direito de manter essas actividades na vida clínica. Vivemos, realmente, um período fulcral e decisivo da reorganização hospitalar a merecer uma profunda meditação, a substituir o deixa correr que tem presidido ao desenrolar dos acontecimentos. Como Director de uma Escola Superior de Saúde em que estas profissões são ensinadas, preocupo-me especialmente com esta nova ocorrência e a comparação com as lições da História tem sido de elevada ajuda na clarificação destes aspectos. Por isso me interesso por conhecer as actividades que os médicos desenvolvem ao longo dos séculos, no primado da Filosofia, da Política, do Desporto, das Artes.

A Liberalização das Profissões

       Uma das grandes mudanças no hábito hospitalar reside na emergência de novos cursos, de profissões mais ou menos antigas elevadas agora à categoria de bacharelatos e de licenciaturas. É uma realidade imparável de que muitos médicos não têm ainda consciência. Mas a História tem uma importante palavra a dizer.
       Embora hoje se possa entender que o exercício da cirurgia é constituído em 75% pelo diagnóstico e adequação da terapêutica e só 25% pertencem à técnica cirúrgica, nem sempre assim foi. Durante séculos, a cirurgia era praticada por barbeiros, que acumulavam com as profissões de dentista e de sangrador. O diagnóstico e a terapêutica a seguir estavam entregues aos médicos. Assim em Portugal, como em toda a Europa. O cirurgião era, por natureza, um técnico, um indivíduo desprezado porque a sua profissão era executada com as mãos (do grego cheirus - mão) e, como é sabido, os nobres não gostavam do trabalho braçal (neste caso manual). Daí que os profissionais de Medicina, entendidos como os nobres da Saúde, porque formados pela universidade, não se rebaixassem a fazer Cirurgia. Acresce que, durante séculos, o médico usava trajes de rendas e brocados que seriam conspurcados no acto cirúrgico.
       Aos poucos, a cirurgia foi tomando volume, experimentando técnicas, saiu da sua condição de secundária e o cirurgião passou a ser considerado par do médico. Foi a emancipação, o desapego à subalternidade, a especialização que lhe deram o desenvolvimento para ascender à categoria semelhante à do médico. E não foram os médicos que abriram as portas, mas os cirurgiões que as forçaram.
       Transportemos este raciocínio para as actuais novas profissões ditas tecnológicas, como é o caso do enfermeiro, do técnico de radiologia, de cardiopneumologia. Em primeiro lugar, é um erro considerá-las na área exclusiva das tecnologias. Se a Medicina é uma das ciências mais ligadas ao humanismo, não se veem em que a Enfermagem o seja menos. Em segundo lugar, desejam os médicos que na sua equipa de trabalho os enfermeiros sejam competentes. Em terceiro lugar, vai ser a capacidade se seguir um estudo próprio, a especialização liberta de preconceitos, a sua formação científica, que vai permitir à Enfermagem atingir o grau de excelência que lhe foi negada durante séculos, utilizando os seus serviços apenas para trabalhos braçais ou de assistência e caridade. É a mesma História que aponta o caminho. Custa mudar as mentalidades, estamos habituados a entender que mesmo na assistência aos doentes existem hierarquias de valor, mas um enfermeiro mal apetrechado pode dar origem a um erro tão fatal à cabeceira do doente, quanto o médico. Numa sala de operações inglesa ou americana, a instrumentista é a responsável pela manutenção da higiene e esterilização e não há hierarquia médica que se sobreponha a isso. A posição ancestral a que estamos habituados, quer se queira quer não, tem os dias contados. É necessário olhar para a situação sem preconceitos, dando uma nova organização às equipas de trabalho, em que cada um tenha um lugar definido, com base na competência. Esboçar ou encetar um antagonismo entre quem deve colaborar é uma atitude negativa e de más consequências. É certo que, no final, a quem se pedem responsabilidades é ao médico, porque é nele que o doente confia. Mas se um doente tiver um desfecho fatal porque o enfermeiro trocou as embalagens, o médico pede responsabilidades ao enfermeiro. Só que, para ele ser responsável, tem de ter adequadas condições de aprendizado. Todos com os olhos postos no doente.

Vestígios da Profissão nas Artes

       É curioso observar que as obras artísticas de médicos abordam com raridade os temas da sua profissão. Os primeiros poemas escritos por médicos que chegaram até nós são dedicados ao Saber, ao estudo, ao conhecimento. João Pinto Delgado deixou uma colecção que merece leitura. Assinale-se ainda a contribuição valiosa de Estevão Rodrigues de Castro e Domingos Pereira Bracamonte. Este deixou uma série interessante de poemas relacionados com a dietética. Mas temos de procurar com afinco para encontrar textos de verdadeiro cariz médico mormente temas sociais ligados à Medicina. A enorme contribuição dos médicos avantaja-se em temas gerais de referência literária, seja na poesia, no conto, no romance e mesmo no ensaio literário.
       É certo que podemos entender que Rodrigues Castelo Branco, Amato Lusitano, deixou, nas suas Centúrias, saborosos textos de carácter prático, por onde se podem vislumbrar aspectos da relação social entre médicos e doentes. Também outro médico, Mestre Afonso, dedicou alguns fragmentos na sua viagem através de África, a aspectos médicos muito escassos. Mas foi necessário aguardar até ao século XIX para Júlio Dinis e, já no Século XX, Fernando Namora, nos darem figuras e cenas carregadas de características médicas, com pinceladas firmes e caracterizações notáveis. A figura do João Semana está hoje tão viva como quando foi criada, bem como as cenas jocosas em que tomou lugar. Estou a lembrar-me da história da Última Ceia, n'A Morgadinha dos Canaviais ou a visita do João Semana à aldeia. Vale a pena desenterrar os seus velhos livros do pó do tempo e reler estas passagens.
       No campo da Pintura, o cenário é semelhante. Surgem temas médicos com alguma raridade: merecem referência os trabalhos de natureza psíquica legados por Mário Botas, com vários quadros, como as Máscaras, a evolução fetal de Tropa de Sousa, no quadro a que deu o nome de Mórula, o desenho de Miguel Salazar com o seu Voando sobre um Ninho de Cucos, ou o trabalho desse notável pintor e poeta que é Cabral Adão, com projecção internacional.
       Tratado o aspecto fulcral da actividade dos médicos em áreas tão diversas, vejamos agora o inverso: o interesse que os problemas médicos têm despertado em artistas não médicos, pintores, escultores, escritores, poetas. Passando rapidamente os nomes de Cornan Doyle, o célebre criador de Scherlok Holmes, de Axel Munthe, escritor que nos deixou o belo livro de S. Michele, de Chekov, criador de personagens inesquecíveis, foquemos os artistas portugueses, numa breve passagem, por ser impossível, em tão curto espaço de tempo, referir o que, por direito, merece horas de observação, estudo e encantamento.
       São famosos os frescos de Veloso Salgado, da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa e Malhoa deixou-nos, entre outros, um magnífico quadro a que chamou O Remédio, que se exibe no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto. Lá está estampada a ansiedade da mulher, filha, esposa ou mãe, com a garrafa do remédio sob o braço, em busca da salvação do seu ente querido. Eça de Queiroz deixou registado, n'O Primo Bazílio, a influência das cunhas no provimento das vagas de médicos, e David Mourão Ferreira, n'Um Amor Feliz foca a moda tão divulgada dos congressos, a caracterizar a Medicina dos nossos dias. Estas e outras obras devem merecer por parte dos médicos, um pouco, um mínimo de atenção.
       Neste breve resumo, é possível retirar algumas importantes conclusões. Dos trabalhos de Arte, Filosofia, Sociologia, enfim, da autoria de médicos pode concluir-se que a profissão tem dado ao país vultos dos mais destacados em cada uma destas áreas: o gigante Miguel Torga; António José de Almeida, Presidente da República; António Augusto da Silva Martins, pai do Dr. Gentil Martins, que todos conhecemos, considerado ainda hoje o atleta português mais completo, vítima de uma explosão da arma com que competia nos Jogos Olímpicos em idade precoce, são apenas alguns nomes a referir.
       No campo da Literatura, é possível caracterizar as várias fases da História da Literatura Portuguesa só com obras de médicos. Reconhece-se também que foram médicos os pioneiros de certos tipos de Literatura. Tal é o caso de Rodrigo Paganino, criador desse pequeno livro Os Contos do Tio Joaquim que iniciou a investida do conto literário em Portugal após três séculos de silêncio e foi também esta obra o rastilho para o tipo de escrita rural que outro médico, de pseudónimo Júlio Dinis, tão bem soube desenvolver.
       Do trabalho dos artistas não médicos, mas que dedicaram parte das suas actividades à Medicina podemos resumir o seguinte: as obras que legaram, sobretudo na Literatura e na Pintura, são o espelho da vida médica das épocas que referem. Na Escultura deixaram, sobretudo, bustos ou estátuas de médicos. Toda esta caracterização constitui um elemento de estudo e lição para os tempos modernos. Daí a importância da Historiologia. A título de exemplo, refiro um poema de João de Deus que caracteriza os hábitos sanitários da população portuguesa do seu tempo.

Mal de pés

Certo patrício nosso brasileiro,
Depois de ter corrido o mundo inteiro
Ao voltar de Paris desenganado
Dos médicos, que tinha consultado,
Achou-se num wagon com um inglês.
O desgraçado tinha mal de pés...
E a última palavra da ciência
Era ir vivendo e tendo paciência!

Mostrou-se o bife incomodado,
Fungando para um e outro lado...
Como quem busca o foco de infecção;
Diz-lhe o nosso infeliz compatriota,
A apontar-lhe com o dedo a bota
E exalando um suspiro de paixão:
— Eis a causa, senhor, eis o motivo!...
O que eu não sei é como ainda vivo!

Tenho gasto rios de dinheiro,
E sempre, sempre, sempre o mesmo cheiro!
E isto por ora vá!... mas alto dia
Quando aperta o calor... Virgem Maria!1...

"E diga-me: em lavando os pés refina,
Ou sente algum alívio?"
— Isso não sei,
Sei que tenho exaurido a medicina;
Mas lavar é que nunca experimentei.

Às vezes dá-se ao médico o dinheiro
Que se devia dar ao aguadeiro*.

in Campo de Flores, Satíricas e Epigramas.

1Expressão sem suporte bíblico... mas era o que ensinavam ao povo. EE
*Homem que no século XIX vendia água e carregava os respectivos potes até à morada do cliente.


Texto retirado da Revista da Ordem dos Médicos - Abril/Junho 2001



domingo, 4 de fevereiro de 2018

Cristo  é  a  Solução


Por ocasião da vinda do Pastor Bullón a Portugal, para as campanhas de evangelização SOL - Semana de Oração e Louvor - o Pastor Ezequiel Quintino, responsável pelo Departamento de Comunicações da União Portuguesa dos Adventistas 7º Dia, fez-lhe uma entrevista para a «Voz da Esperança», que foi transmitida nas diferentes rádios que passam a referida emissão.
Trata-se de uma mensagem de esperança e salvação, que aponta para Jesus como a solução de todos os problemas individuais. Por isso achamos ser de interesse para a Igreja em geral.


Ezequiel Quintino: - Pastor Bullón, como surgiu a ideia da criação da Semana de Oração e Louvor?
Alejandro Bullón: -
O que motivou a criação deste programa foi a necessidade de chegar a muita gente ao mesmo tempo com o Evangelho. Eu não podia estar em todos os lugares ao mesmo tempo e cada campanha que se organizava era apenas para 500, 1000 pessoas. Mas, pensava, se eu pudesse alcançar 25-30.000 pessoas ao mesmo tempo, seria muito melhor. Foi isto que nos levou a alugar grandes ginásios desportivos, locais onde coubessem bastantes pessoas, e deu-se origem a este tipo de campanhas de evangelização.

- Então, é dirigido normalmente a pessoas cristãs ou não cristãs?
- É dirigido a todo o tipo de pessoas, não é especificamente para membros de igreja. As conferências são públicas e todas as pessoas são convidadas a assistir, mas desde a primeira noite falamos de Jesus como a única saída para os problemas do ser humano.

- Então, o Pastor apresenta Jesus como sendo a solução para os problemas da humanidade e para cada pessoa em particular?
- É certo, porque o que caracteriza realmente o programa não é a teoria. Apresentamos Cristo como uma solução prática, como uma Pessoa, e não apenas como um conceito, como uma filosofia de vida, mas como um Ser que pode estar ao nosso lado, com Quem podemos conversar, em Quem podemos confiar, a Quem podemos levar os nossos problemas e dificuldades. E o ser humano entende que Cristo não é apenas uma ideia, um nome. É uma Pessoa. Então ele pode sentir-se acompanhado no meio deste mundo de solidão.

- Precisamente. Na nossa sociedade existem tantas contradições e problemas, que a sociedade em geral e as pessoas em particular, isto é, cada indivíduo sente um certo isolamento mesmo estando no meio de grande multidão e será que mesmo assim Jesus é a resposta para essas pessoas que se sentem sós, abandonadas?
- Aí é que está o assunto. A nossa sociedade é meio contraditória, porque nunca na história deste mundo vivemos uma época de tanta comunicação. Hoje estamos vivendo a sofisticação da comunicação. Podemos comunicar-nos por televisão, pela rádio, pelo telefone, e daqui a pouco teremos o telefone com imagem. Mas também nunca como hoje o ser humano se sentiu tão sozinho. Às vezes, milhões de pessoas andam nas ruas daquelas cidades cosmopolitas, como Lisboa, São Paulo, Rio de Janeiro, Nova Iorque. E o ser humano sente-se perdido, sozinho. Então é bom entender que, mesmo que não o compreenda, mesmo que ele próprio não se aceite, há Alguém que o aceita tal como é, Alguém que o compreende, Alguém que não o deixa nunca, que está sempre ao seu lado. E nós apresentamos a Cristo dessa maneira, porque é assim que O encontramos no Evangelho. Jesus sempre encontrou pessoas solitárias. Encontrou uma mulher solitária procurando água, encontrou um homem solitário como Zaqueu subindo a uma árvore, encontrou gente sofrendo sozinha e levou esperança, e levou paz a esses corações. E Ele pode fazê-lo hoje também com o ser humano actual.

- Exacto. Além das pessoas solitárias, será que Jesus também responde hoje aos doentes, aos que sofrem de doenças incuráveis, de cancro, de sida, que é a grande praga do século XX? De que maneira pode Jesus ser a resposta para essas pessoas?
- Há uns três anos, estava no Chile e conheci um jovem condenado à morte pela sida. Ele tinha vivido uma vida completamente distorcida, tinha palmilhado por caminhos estranhos, praticara a homossexualidade, usara drogas e um dia descobriu que estava com sida. Então, voltou os olhos para Jesus. A pergunta é: Que pode fazer Jesus por um homem nesta situação, desesperado? Talvez o maior milagre que Jesus precisa de fazer hoje não seja curar o corpo, porque Jesus vai à raiz do problema, vai mais fundo.
Jesus levou a esperança ao coração desse rapaz e, quando ele morreu, morreu com um sorriso nos lábios, feliz, porque embora pesasse 30 Kg, completamente acabado pela doença, ele tinha paz e estava preparado para se encontrar com Jesus quando Ele voltar.
Acho que hoje o maior milagre que Jesus pode fazer é curar o nosso coração, curar a nossa ansiedade. Isto não quer dizer que Ele não possa curar um cancro ou um doente com Sida. Ele pode fazê-lo, mas isso tem de ser colocado nas mãos de Deus, para que a vontade d'Ele seja feita.

- Se bem compreendo, a grande dimensão dos milagres de Jesus hoje, será mais no sentido de corrigir as ideias e as mentalidades e propriamente a aceitação, até um certo sentido, do sofrimento, embora Jesus tenha todo o poder para curar.
- É certo, porque na Bíblia nós não encontramos a ideia de que os filhos nunca ficarão doentes, não terão dificuldades. Pelo contrário, na Bíblia encontramos bem clara a ideia de que os filhos de Deus, vivendo neste mundo de pecado, muitas vezes enfrentarão a dor, a tristeza, os sofrimentos, as dificuldades, mas os filhos de Deus nunca estarão sozinhos. Aí está o grande milagre. Os que não têm Cristo na sua vida sofrem, mas o sofrimento na sua vida é como a ferida purulenta que os desespera, enfraquece e mata. Os que têm Cristo também sofrem, ou podem sofrer, mas o sofrimento na sua vida é como a ferida limpa. Pode doer e sangrar, mas sarará e com o tempo só ficarão cicatrizes.

- Está aí a grande diferença entre encarar o sofrimento reagindo com violência e não o aceitando, e entre aquele que tem Cristo no coração, que sente a acção de Jesus e do Espírito Santo na sua vida. Este pode aceitar o sofrimento com uma certa alegria?
- Perfeitamente. E esta posição pode parecer um comodismo, uma resignação fria, mas não é.

- Ou até uma loucura.
- Infelizmente. Quando a gente tem saúde, quando está bem, isto que estou dizendo parece loucura, mas quando o ser humano está doente, desenganado pela ciência médica e não sabe para onde ir, então descobre quanta sabedoria e quanta profundidade existe nesta mensagem de que precisa não só o corpo, mas o coração, o desespero interior. Ter paz, talvez seja hoje o maior milagre que Deus pode fazer na vida do ser humano.

- Julgo que a grande dimensão que o Pastor focou é aquela que de facto interessa a cada ser humano. Além de Jesus ter o poder ainda hoje, como tinha há cerca de 2000 anos, para curar da doença física, para ensinar - e Ele atingia os corações, digamos, as dimensões mais profundas do ser humano através da espiritualidade - penso que Jesus é o grande Médico, aquilo que em linguagem cristã se diz «Grande médico d'alma». É Ele que cura do pecado, que salva do pecado. Era essa dimensão que gostaria que o Pastor pudesse desenvolver para nós. Como é que Jesus consegue fazer o milagre da purificação interior do ser humano?
- A Bíblia chama a isso conversão e a conversão é um milagre, e milagres não se podem compreender. Milagres têm de ser aceites. Eu não posso entender como é que um paralítico andou. Nenhum médico pode explicar essa cura. Milagres têm de se aceites. Do mesmo modo, a água que com o toque de Cristo se transformou em vinho é um facto que nenhum químico pode explicar, porque é um milagre e milagres não se podem compreender. O ser humano nasceu originariamente mau e egoísta, gosta das coisas erradas da vida. O ser humano natural não gosta de Deus, não gosta de fazer o bem, não gosta de amar o próximo. De repente, encontra-se com Cristo e Cristo coloca no coração deste ser humano a vontade de buscar a Deus, o desejo de servir, o desejo de amar. Como é que acontece isso? Não tem explicação teológica, não tem explicação humana. É um facto e um milagre. Tem de ser aceite, porque este é o maior milagre que já vi e que ao longo do meu ministério tenho constatado: homossexuais, prostitutas, bêbados, ateus, marginais, assassinos serem transformados pelo poder de Deus! Eu não o posso explicar, ninguém pode explicar, mas posso apresentá-los. São vitoriosos, com a vida completamente transformada.

- Podemos apenas verificar que a mudança se efectuou. É essa a grande prova e, como costuma dizer-se, contra provas não há argumentos.
- Essa é a diferença entre ciência e religião. Porque a ciência coloca tudo sob a lente do microscópio, leva tudo ao laboratório para ser analisado, mas no Cristianismo entra a fé e a fé é acreditar, muitas vezes sem compreender os detalhes, mas confiando em que temos um Deus todo-poderoso, capaz de o fazer. Maravilhoso. Ele nunca falhou. Não vai ser agora que vai falhar.

- O Pastor Bullón fez duas séries de conferências em Portugal, uma no Porto e outra em Lisboa. Quais são as suas impressões do público português?
- Cheguei com um certo temor, pois tinham-me dito que o europeu, por natureza é muito racionalista e não é muito dado a coisas espirituais. Mas volto para a América do Sul com um conceito completamente diferente, porque a resposta do povo português, tanto no Porto como em Lisboa, foi das melhores respostas que já encontrei em qualquer lugar em que já preguei. O ser humano de hoje precisa de Cristo. Pode ser português, japonês, chinês, americano. O ser humano está caindo a pedaços, interiormente, por falta de Cristo.

- Julga que essa é a sua maior necessidade?
- Sem dúvida nenhuma. Eu conheço famílias ricas que podem viajar, ter uma segunda, terceira ou quarta lua de mel, que podem comprar móveis, carros, jóias, podem ter tudo quanto quiserem, mas não são felizes, porque não têm Cristo. Essas mesmas pessoas, quando descobriram a Cristo na sua vida, encontraram a felicidade que o dinheiro não lhes deu, que a cultura não dá, que o poder não dá, que a fama não dá. Cristo é, sem dúvida nenhuma, a solução para os problemas humanos. Pena é que os seres humanos, para entenderem este assunto tão simples, tenham que ferir-se, tenham que magoar-se, tenham que chegar ao ponto de não terem mais para onde ir. Só então se lembram de Jesus!...

- Como uma última mensagem, agora já não face a face, mas através da rádio, em que talvez possamos atingir milhares de ouvintes, qual seria, em alguns segundos, a sua mensagem para essas pessoas?
- Que o Cristianismo não é apenas pertencer a uma Igreja. É mais do que isso. É viver uma maravilhosa experiência com Cristo, a Pessoa Central do Cristianismo.
Ao trabalhar, andar na rua, estudar, brincar, correr ou ao fazer qualquer outra atividade do dia-a-dia, o cristão tem que ter presente que Cristo está ao seu lado. O fruto dessa comunhão, desse companheirismo, será uma vida de obediência, uma vida de respeito aos princípios de Deus. E o mundo será sacudido quando os cristãos deixarem de limitar o seu cristianismo a ir uma vez por semana à igreja, e aprendam a viver o Cristianismo 24 horas por dia.

- Podemos pois dizer que com Cristo tudo, e sem Cristo - nada.
- Perfeitamente. Um abraço a todos os ouvintes!

Entrevista realizada pelo Pastor Ezequiel Quintino e extraída da Revista Adventista - Março 1994.




segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

FELIZ  ANO  NOVO


O  SEGREDO  DE  UMA  VIDA  VITORIOSA


       "O que se passa comigo? Porque será que não posso controlar o meu temperamento? Qualquer contratempo me faz perder o domínio-próprio e proceder de uma maneira inadequada. Sei perfeitamente que o meu mau carácter me está prejudicando no lar, na educação dos meus filhos e também no trabalho. Não posso melhorar a situação!"
       Estas palavras frustrantes ouvi há algum tempo dos lábios de um profissional de educação, em conversa pessoal. Na realidade, não era a primeira vez que ouvia um lamento dessa natureza. Esse grito de impotência é uma experiência muito comum. O homem consciente de que lhe convém obter a vitória sobre as suas debilidades e comportamento, para viver em paz consigo mesmo e com os seus semelhantes, está buscando o segredo de uma vida vitoriosa.

As Tentativas Humanas de Transformação

       Atualmente está-se tentando, mediante as ciências do comportamento, melhorar a natureza humana. Salienta-se muito as potencialidades do indivíduo para se aperfeiçoar a si mesmo e para se auto-realizar e conseguir pelos seus meios a transformação do seu carácter sem necessidade de recorrer a qualquer poder superior.1 O homem é o próprio artífice do seu futuro e da sua felicidade. Diz-se, além disso, que o género humano poderá contar com produtos químicos que o ajudarão a manipular as emoções, os pensamentos, os desejos e a maneira de agir.2
       É evidente que nos últimos anos se conseguiram progressos notáveis na investigação do comportamento, mas isto não significa que o homem tenha a capacidade de obter por si mesmo a vitória total sobre a natureza e transformar o seu temperamento, as suas motivações, atitudes e tendências inatas. A dificuldade dessas experiências é que não levam em conta o facto do pecado humano e, como resultado, as mudanças que podem conseguir são transitórias e superficiais.
       A reforma exterior que algumas pessoas conseguem com base na educação e domínio próprio não cura as debilidades, não muda as intenções nem produz nova vida. O homem é incapaz de mudar por si mesmo o seu coração e alcançar as metas morais da sua transformação. A Bíblia diz: "Pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Assim também vós podereis fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal?"3

A Química Divina

       As Sagradas Escrituras ensinam-nos que o ser humano pode experimentar uma grande mudança no seu carácter mediante a obra do próprio Deus. Refere-se a esta transformação com expressões tão claras como "nascidos de Deus", "nascidos de novo" e "nascidos do Espírito."4 Este poder regenerador que gera nova vida na alma criando uma nova pessoa conforme à imagem de Deus, é algo que a Divindade faz em favor do homem que está disposto a viver com Cristo pela fé. Essa transformação é algo mais do que uma reforma exterior e transitória do indivíduo. É uma mudança total que afeta a vontade, as afeições, as disposições, e os propósitos da vida. "Quando Cristo mora no coração, a natureza inteira se transforma."5
       A palavra de Deus menciona muitos homens cujos caracteres foram transformados e santificados mediante uma relação pessoal com Jesus Cristo. Por exemplo, João, o discípulo amado, era impetuoso, ressentia-se com as injúrias e só pensava em fazer valer os seus direitos e ambições. Contudo, chegou a possuir um carácter espiritual e a refletir a imagem do seu Mestre. Esta foi também a experiência do apóstolo Paulo. Antes da sua mudança poderia ser conhecido como um colérico que necessitava desesperadamente de uma transformação.6 Depois do seu encontro com Jesus Cristo, converteu-se numa pessoa diferente para o resto da sua vida. Foi um dos maiores servos de Deus.

O Processo da Transformação

       A transformação do pecador numa pessoa com um carácter santificado à semelhança de Cristo não é um facto instantâneo. O processo inicia-se quando foi justificado por sua fé em Jesus Cristo, os seus pecados foram perdoados e recebe de Deus a "natureza divina" da qual nos fala São Pedro.7 Então o novo crente, com o poder divino, deve levar avante a transformação do seu carácter e a restauração da imagem de Deus que o homem tinha antes de pecar. Este processo de perfeição ou santificação constitui um empenho diário, contínuo, que se estende pelo resto da vida. É a luta do crente a que se refere São Paulo com estas palavras: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda."8
       A perfeição à qual Deus nos convida como crentes é relativa e depende da nossa união com Jesus Cristo. Da mesma maneira que Deus é perfeito em Sua esfera, nós devemos sê-lo na nossa. Este empenho de santificação não consiste na absoluta imunidade contra a tentação e o pecado, mas no repúdio do mesmo como princípio de vida e conduta, na permanente presença de Cristo em nossa mente e coração.

O Segredo de uma Vida Vitoriosa

       Há pessoas que iniciam a vida cristã com grande entusiasmo, mas que depois dão a impressão de derrota porque não têm podido dominar certas debilidades. O segredo de uma vida vitoriosa é-nos dado pelo apóstolo São Paulo quando escreveu: "Porque para mim o viver é Cristo..."9 Paulo quer dizer que a vida só pode ter significado, beleza, perfeição e santidade sob a permanente influência do filho de Deus. A vida espiritual que Cristo concede às pessoas que têm uma relação pessoal com Ele é superior, e forçosamente tem que ser completa, perfeita, santa e boa. Com Cristo se descobrem novos mares quanto mais se navega a Seu lado. A existência, a família, o amor, o sexo, os sentimentos, o trabalho, os estudos e as amizades adquirem novo significado sob a presença de Cristo em nossa vida.
       Para que Jesus Cristo possa operar em nós a transformação de nossos caracteres mediante a obra do Espírito Santo, a Palavra de Deus deve ocupar um lugar prioritário em nossa devoção diária. O seu conteúdo transmite poder, gera vida e fortalece a fé. Também devemos manter uma relação contínua com Jesus Cristo mediante a oração particular e sincera, na qual O adoremos, Lhe demos graças por Seus benefícios e peçamos poder para vencer as tentações, perdão dos nossos pecados, restauração das nossas quedas e Lhe supliquemos a Sua permanente amizade. O mais importante é que Ele seja o Senhor e Rei da nossa vida, dirigindo-nos a mente, a vontade, as afeições e atividades.

Tem sua vida essa dimensão, amável leitor? Pode tê-la! Caminhe a Seu lado na vida! Esta é, sem dúvida, a decisão mais importante da sua existência. Tome-a agora. Sua vida terá pleno significado, e quando Jesus Cristo voltar à Terra pela segunda vez, receberá a vida eterna.

(1) James O. Luga, Human Development, pág. 213
(2) Gorden Wolstenholme, ed. Man and His Future, pág. 275
(3) Jeremias 13:23
(4) S. João 1:13; 3:36
(5) Ellen G. White, Caminho a Cristo, pág. 73
(6) Actos 9:1
(7) II S. Pedro 1:4
(8) II Timóteo 4:7, 8
(9) Filipenses 1:21

José Osório in Sinais dos Tempos, Revista Nº 7.


A  SOLUÇÃO  FINAL

       Todos os esforços e campanhas humanitárias para minorar o sofrimento e a fome são louváveis. Por isso a ADRA Mundial e a ADRA Portugal desenvolvem esta ação (ver em Links 3I). Milhões de pessoas colaboram nesta campanha e você também pode ser uma delas. Estamos sintonizados em pensamento e ação, o que nos permite ir mais além e refletir sobre o problema e a sua solução.
       Perante a escalada e propagação das guerras étnicas, tribais e sociais, mesmo no seio da nossa Europa, é pertinente questionar: Que acontece com o nosso mundo? Haverá solução para os nossos problemas? Qual é o nosso futuro?
       Pessoas atentas veem com apreensão a perturbada economia internacional, a proliferação do negócio ilícito da droga, o aumento da violência e do terrorismo, o aumento do crime, do racismo, da xenofobia, da sida, do divórcio e da poluição. Os líderes mundiais parecem impotentes perante esta onda que se propaga como fogo devorador. E tudo isto, apesar dos esforços para o desarmamento, num contexto de perigo de aniquilamento nuclear.

Onde está a solução?
Haverá solução?

       Há os que pensam ser árbitros do seu destino, ter a solução, sobretudo hoje que se entrou «numa nova ordem mundial». Dizem que este mundo é nosso e que, graças à ciência e à tecnologia, vamos concertá-lo. Esta visão humana é o resultado do secularismo, que rejeita a fé religiosa e a intervenção divina. Como alguém sintetizou, o secularismo, numa tentativa de fuga do vazio da alma, em vez dos dias sagrados e do culto de adoração recorre ao futebol, em vez das igrejas prefere os filmes, em vez dos hinos de louvor e de elevação espiritual recorre ao rock, em vez da Bíblia lê os jornais, em vez do pecado diz ter problemas, em vez da confissão e o perdão de Deus recorre à psicanálise, e em vez de confiar na segunda vinda de Cristo aposta no progresso.
       A Bíblia, no entanto, apresenta um quadro bem diferente do nosso mundo e da realidade humana. Ao terminar a obra da criação, Deus viu que tudo «era muito bom» (Génesis 1:31). Este era e ainda é o plano de Deus para o nosso mundo: felicidade eterna. Devido ao surgimento do pecado, Deus acionou o plano da salvação, «porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor» (Romanos 6:23).
       A solução para este mundo passa pela salvação individual de cada ser humano por Jesus Cristo, através da conversão e do novo nascimento, operado pelo Espírito Santo (João 3:3-5; 16:7-11). Esta solução final será uma realidade quando Jesus voltar, em breve, pela segunda vez, como Ele mesmo prometeu (João 14:1-3), para restabelecer as condições de vida eterna, sem pecado, também neste nosso mundo (Mateus 5:5).
       Numa antevisão desse novo mundo, quando não mais será necessário promover campanhas de solidariedade humana, o apóstolo João exclamou: «Vi um novo céu e uma nova terra, e o mar já não existe... Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o Seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas» (Apocalipse 21:1-4).

       É esta a solução final que Deus proveu, um mundo maravilhoso, para todos os que aceitam Jesus Cristo como seu Salvador pessoal.


Joaquim Dias, Pastor emérito e antigo Presidente da União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia, em Revista da ADRA Portugal.




terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A Infância e Juventude de Jesus


(clique nas imagens para as aumentar)

          Prefácio
          A história da vida terrestre de nosso Salvador Jesus Cristo encontra-se escrita, sem o auxílio de palavras, em cada manifestação da natureza, em cada aspecto da experiência humana e em cada facto da vida. Nunca havemos de compreender cabalmente quão profunda foi a impressão e quão extensa a influência exercidas pela vida de Jesus de Nazaré. Toda a sorte de bênçãos vem até nós por meio daquela comunicação que foi estabelecida entre o Céu e a Terra quando o Senhor da glória tomou sobre Si o cuidado de um mundo abismado em pecados.
          A sublimidade infinita daquela história animou a pena dos eruditos e a língua dos eloquentes. Soa, porém, ainda melhor aos nossos ouvidos numa linguagem despretensiosa e singela. Aquele maravilhoso espectáculo não carece de um aformoseamento por parte do homem. A sua glória excede toda a arte humana e parece mais radiante no seu próprio brilho.
          Neste livrinho não se procurou por isso qualquer ornamento artificial. Dotada de um perfeito sentimento da profundeza e amplitude do assunto, a autora repetiu a história numa linguagem acessível às crianças, com uma simplicidade e lhaneza que corresponde tanto às necessidades da alma de novos como de velhos.
          Oxalá este pequeno livro seja recebido pelos seus leitores com a mesma simplicidade e pureza de fé com que foi escrito.

                                                                                                                                                                OS EDITORES

          O Nascimento de Jesus
          Aninhada entre as colinas da Galileia meridional, está situada a pequena cidade de Nazaré, residência de José e Maria, os pais terrestres de Jesus. José era da descendência ou linhagem de David, pelo que se tornou necessário, ao ser decretado o recenseamento do mundo por parte de César Augusto, que José se dirigisse a Belém, cidade natal do grande rei, a fim de ali fazer inscrever o seu nome.
          Era esta uma viagem extremamente penosa, atendendo-se sobretudo ao modo como tais viagens eram então efetuadas, e Maria, que acompanhava seu esposo, estava em extremo fatigada ao subir a colina em cujo cimo se encontra Belém. Como ansiava sua alma encontrar um sítio confortável em que pudesse descansar das suas fadigas! Repletos, porém, os albergues, em que os grandes e abastados se achavam confortavelmente alojados, não restava aos modestos viajantes senão humilde agasalho sob o teto de escura estrebaria.
          Não se podiam dizer pobres, porque, embora lhes escasseassem bens terrestres, Deus os amava, e isto lhes proporcionava paz e contentamento. Eram filhos do celeste Rei que estava disposto a honrá-los acima de todas as Suas criaturas. Anjos tinham-lhes dispensado o seu cuidado durante a viagem, e quando começaram a repousar na humilde estalagem esses mesmos anjos velavam junto dos seus leitos. Foi aqui, neste vil tugúrio, que nasceu o Salvador do mundo, sendo deitado numa manjedoura. Nesse rude berço jazia reclinado Aquele cuja presença ainda há pouco havia inundado de glória os paços celestiais. Ali fora adorado pelos anjos, aqui tinha os brutos animais por companheiros. A inferioridade do sítio, porém, não podia influir em detrimento da Sua honra; antes esse mesmo sítio devia receber d'Ele uma glória que havia de perdurar enquanto fosse lembrado o nome de Belém.
          Antes de baixar à Terra, Jesus era o supremo Chefe das cortes celestiais. Os mais lúcidos e eminentes filhos da alva proclamaram a Sua glória ao realizar a criação de Deus. Diante d'Ele velaram as faces quando tomou assento sobre o Seu trono. A Seus pés rolaram humildes os seus diademas, entoando hinos de triunfo, ao contemplarem a Sua excelsa majestade.
          E esse mesmo Ente, apesar da Sua infinita glória, a tal ponto amou os pecadores que tomou a forma de servo para que pudesse sofrer e morrer por eles. Jesus podia ter-Se deixado ficar ao lado do Pai, cingindo o diadema de ouro e as púrpuras reais, mas por nosso amor permutou as glórias do Céu pelas vilezas e misérias da terra.
          Consentiu em abandonar a Sua posição de supremo Chefe e a adoração dos entes celestiais, para sofrer injúrias e expor-se à irrisão de homens ímpios. Por nosso amor aceitou uma vida de trabalhos e sujeitou-Se a uma ignominiosa morte. E tudo isto fez a fim de nos mostrar quanto Deus nos ama. Viveu sobre a terra para nos ensinar como é possível glorificar a Deus por uma submissão plena à Sua vontade. Seguindo o exemplo que nos deixou, ser-nos-á permitido finalmente habitar com Ele nas moradas eternas.
          Os sacerdotes e príncipes do povo judaico não estavam preparados para saudar o Salvador do mundo. Embora acreditassem que Ele estava prestes a manifestar-Se, pensavam todavia que devia aparecer como um grande rei capaz de torná-los uma nação próspera e poderosa. O seu orgulho de modo algum lhes teria permitido reconhecer naquele débil menino de peito o Messias prometido. Por isso, quando Cristo nasceu sobre a terra, Deus absteve-Se de revelá-l'O àqueles grandes homens, enviando os Seus mensageiros a dar a alegre nova a alguns pastores que se ocupavam a apascentar rebanhos nas planícies de Belém. Estes eram homens piedosos que, cuidando dos seus rebanhos, meditavam sobre a promessa do Messias, e com tal fervor oravam a Deus pela Sua vinda, que do trono da glória luminosos mensageiros lhes foram enviados com a incumbência de lhes comunicar o grande acontecimento.
          «E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo; pois, na cidade de David, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o Menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens. E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos pois até Belém, e vejamos isto que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressados, e acharam Maria, e José, e o Menino deitado na manjedoura. E, vendo-O, divulgaram a palavra que acerca do Menino lhes fora dita. E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam. Mas Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as em seu coração». S. Lucas 2:9-19.

          A Apresentação de Jesus no Templo
          José e Maria eram de descendência judaica, pelo que observavam os costumes dessa nação. Tendo Jesus a idade de seis semanas, foi apresentado ao Senhor, no templo, em Jerusalém. Fundava-se essa prática numa lei que Deus havia dado a Israel, e Jesus não devia eximir-se às exigências dessa lei. Ele, o Filho de Deus e Príncipe do Céu, devia proclamar pelo exemplo o dever da obediência.
          Essa apresentação no templo só se limitava aos primogénitos, e tinha por fim comemorar um acontecimento ocorrido num longínquo passado. Quando os filhos de Israel gemiam na servidão do Egito, Deus enviou-lhes Moisés para os libertar. Moisés recebeu a ordem de dirigir-se a Faraó e de lhes falar nestes termos: «Assim diz o Senhor: Israel é Meu Filho, Meu primogénito. ... Deixa ir o Meu filho, para que Me sirva; mas tu recusaste deixá-lo ir; eis que Eu matarei a teu filho, o teu primogénito». Êxodo 4:22, 23. Moisés levou ao rei essa mensagem; este, porém, respondeu-lhe: «Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tão pouco deixarei ir Israel». Êxodo 5:2.
          Enviou então o Senhor pragas sobre o Egipto, a última das quais consistiu na morte do primogénito de cada família, desde o do rei até ao do mais humilde operário. Falou pois o Senhor a Moisés ordenando que cada família degolasse um cordeiro, pondo parte do seu sangue sobre ambas as umbreiras e a verga das suas portas. Esta precaução devia ser tomada para que o anjo exterminador passasse por alto as suas habitações, ferindo somente os cruéis e orgulhosos egípcios. O sangue desse cordeiro, que era também denominado «páscoa», simbolizava o sangue de Cristo que, a seu tempo, Deus havia de enviar ao mundo para do mesmo modo ser morto pelos nossos pecados, para que todo aquele que n'Ele cresse fosse salvo da morte eterna. Cristo é chamado a «nossa Páscoa». Ele foi oferecido por nós «desde a fundação do mundo». I Coríntios 5:7.
          Na apresentação do seu primogénito ao Senhor cada família devia lembrar-se de como os filhos dos seus pais tinham sido salvos da praga, e de como todos podem ser salvos do pecado e da morte eterna. Efésios 1:4. Cada menino apresentado no templo era pelo sacerdote tomado nos braços e assim solenemente dedicado ao Senhor, sendo o seu nome inscrito no rolo ou livro que continha os nomes dos primogénitos de Israel. Do mesmo modo todos os que são salvos pelo sangue de Cristo terão os seus nomes inscritos no livro da vida.
          José e Maria levaram Jesus ao sacerdote em obediência à lei. Todos os dias iam pais fazer a apresentação dos seus primogénitos, pelo que o sacerdote nenhuma particularidade notou em Jesus e Maria. Para ele eram simples trabalhadores da Galileia. No Menino reconheceu apenas uma frágil criança de peito. Longe estava de adivinhar n'Ele o Salvador do mundo, o Sacerdote do santuário celestial. Entretanto podia tê-lo sabido: se tivesse estado em boas relações com Deus, Ele lho teria revelado.
          Achavam-se nessa mesma ocasião no templo dois fiéis ministros de Deus. Servos encanecidos no serviço do Senhor, gozavam da Sua particular estima, sendo-lhes reveladas coisas que aos orgulhosos sacerdotes não era dado saber. Simeão fora agraciado com a promessa de que não morreria sem ver o Messias. E apenas O avistou no templo, reconheceu n'Ele o Ungido do Senhor. Iluminava o rosto de Jesus uma luz suave e divina, e Simeão, tomando-O nos braços, louvou a Deus, dizendo: «Agora, Senhor, despede em paz o Teu servo, segundo a Tua palavra. Pois já os meus olhos viram a Tua salvação, a qual Tu preparaste perante a face de todos os povos; luz para alumiar as nações e para glória do Teu povo Israel». S. Lucas 2:29-32.
          Ana, a profetisa, era mulher de idade avançada. «E era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações de noite e de dia. E sobrevindo na mesma hora, ela dava graças a Deus, e falava n'Ele a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém». S. Lucas 2:37-38. É assim que Deus escolhe os humildes desta terra para serem Suas testemunhas. Muitas vezes os que o mundo tem em grande estima são passados por alto. Não poucos se assemelham aos sacerdotes e príncipes dos judeus. Quantos há que estão prontos para se servir e honrar a si próprios, mas que mal pensam em servir e honrar a Deus! Por isso Deus não pode servir-Se de tais pessoas para anunciar a outros o Seu amor e misericórdia.
          Maria, mãe de Jesus, ponderava em silêncio a profecia altamente significativa que ouvira a Simeão. Olhando para o menino que sustinha em seus braços, e recordando o que lhe haviam dito os pastores de Belém, o seu coração transbordava de grata alegria e de viva esperança. As palavras de Simeão traziam à sua memória a profecia de Isaías. Sabia que era a Jesus que se referiam estas maravilhosas palavras: «O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz. Porque um Menino se nos nasceu, um Filho se nos deu; e o principado está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz». Isaías 9:2, 6.

      

          A Visita dos Magos
          Não era a vontade de Deus que o Seu povo estivesse em ignorância no que respeitava à vinda do Seu Filho a este mundo. Aos sacerdotes incumbia admoestar o povo e aguardar o seu Salvador; porém eles próprios estavam em trevas a respeito do Seu advento. Por isso enviou Deus os Seus anjos a anunciar a uns pastores que Cristo nascera em Belém, e a informá-los do lugar onde seria encontrado. Assim tinha Deus prevenido também as Suas testemunhas quando Cristo foi apresentado no templo. Preservara a vida àqueles dois servos até que lhes fosse dado testemunhar, com alegria, que Jesus era o Cristo, o Messias prometido.
          Era o desígnio de Deus que não só os judeus, mas também outros, tivessem conhecimento do advento de Cristo a esta terra. No longínquo Oriente havia uns sábios que tinham estudado as profecias referentes ao Messias, e que acreditavam que o Seu aparecimento estava próximo. Os judeus consideravam estes homens como pagãos; eles, porém, não eram idólatras. Eram homens sinceros que desejavam conhecer a verdade e fazer a vontade de Deus.
          Deus vê o coração. Sabia que eram pessoas sob todos os aspectos dignas da Sua confiança, e que estavam em melhores condições de receber a luz da verdade do que os presumidos sacerdotes judeus. Esses homens eram filósofos, que tinham estudado as obras de Deus na natureza e por elas aprendido a amá-l'O. Estudavam os astros e conheciam os seus movimentos. Nas horas caladas da noite observavam os extensos percursos que descreviam. Se sucedia descobrirem um novo, desconhecido ainda, saudavam isso como um grande acontecimento.
          Na noite em que os anjos vieram ter com os pastores de Belém, esses homens sábios notaram uma estranha luz no céu. Era a glória que se reflectia desse grupo de anjos. Quando aquela luz se dissipou pareceu-lhes ter visto no céu uma nova estrela. Imediatamente se lembraram da profecia que diz: «Uma estrela procederá de Jacob, e um ceptro subirá de Israel». Seria essa estrela o sinal do Messias prometido? Resolveram acompanhá-la, a ver para onde os guiaria. Conduziu-os à Judeia. Mas, ao aproximarem-se de Jerusalém, a estrela eclipsou-se de tal maneira que já não era possível segui-la.
          Supondo que os judeus pudessem informar onde se achava o Messias, entraram em Jerusalém, e perguntaram: «Onde está aquele que é nascido Rei dos judeus? Porque vimos a Sua estrela no Oriente, e viemos adorá-l'O». Esta nova inquietou Herodes. Não era lisonjeira a notícia de um rei dos judeus que, provavelmente, lhe vinha disputar o governo e reger a nação. Por isso chamou secretamente os magos, e inquiriu deles com todo o cuidado, que tempo havia que lhes aparecera a estrela.
          «E enviando-os a Belém, disse: Ide, e perguntai diligentemente pelo Menino e, quando O achardes, participai-mo, para que também eu vá e O adore. E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. E, vendo eles a estrela, alegraram-se muito com grande alegria. E, entrando na casa, acharam o menino com Maria, Sua mãe e, prostrando-se, O adoraram; e, abrindo os seus tesouros, Lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra». S. Mateus 2:2-11. Estes homens ofereceram a Jesus das coisas mais preciosas que possuíam. Nisto deram-nos um exemplo. Muitos oferecem presentes aos seus amigos terrestres, mas não têm nada para dar a Jesus, o seu Amigo do Céu, que os cumula de todas as bênçãos. Não devia ser assim. Devíamos dedicar a Ele o melhor do que possuímos, o melhor do nosso tempo, dos nossos recursos e do nosso amor. Podemos também oferecer-Lhe as nossas dádivas confortando os pobres e anunciando aos pecadores o Salvador. Deste modo podemos ajudar a salvar aqueles por quem Ele morreu. Estas são as dádivas que Jesus aceita e abençoa.

          A Fuga Para o Egipto
          Herodes não foi sincero quando manifestou o desejo de ir também adorar a Jesus. O seu receio era que o Salvador prosperasse e por fim lhe tomasse o reino. Assim reflectindo, procurou obter informações exactas a Seu respeito, para O poder matar.
          Preparavam-se, pois, os magos para voltar a Herodes e comunicar-lhe o ocorrido, quando um anjo do Senhor lhes apareceu em sonhos, ordenando-lhes que voltassem por outro caminho ao seu país natal. «E, tendo-se eles retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o Menino e Sua mãe, e foge para o Egipto, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há-de procurar o Menino para O matar». S. Mateus 2:13. José não esperou pelo romper da alva, mas, levantando-se imediatamente, na mesma noite iniciou a viagem para o Egipto. Nos presentes oferecidos pelos magos providenciou Deus os meios de ocorrer às despesas de viagem e de permanência no Egipto até que pudessem tornar ao seu país.
          Vendo Herodes que tinha sido iludido, tendo os magos voltado por outro caminho, irou-se em extremo e, enviando os seus rudes soldados, «mandou matar todos os meninos que havia em Belém e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos». É coisa bem singular um homem insurgir-se deste modo contra Deus. Quão horroroso não deve ter sido aquele bárbaro infanticídio! Herodes já tinha praticado actos cruéis sem que Deus por isso lhe houvesse aplicado o justo castigo; agora, porém, não devia viver por muito mais tempo nem continuar a perpetrar mais crimes: morreu pouco depois, de uma morte violenta e pavorosa.
          José e Maria permaneceram no Egipto até à morte de Herodes. Apareceu então o anjo do Senhor a José e disse-lhe: «Levanta-te, e toma o Menino e Sua mãe, e vai para a terra de Israel; porque já estão mortos os que procuravam a morte do Menino». S. Mateus 2:16, 20. Estando eles já perto da Judeia, soube José que o filho de Herodes estava reinando em lugar de seu pai, pelo que ficou receoso, não podendo decidir-se a prosseguir. Enviou, pois, Deus um anjo para instruí-lo. De acordo com as instruções recebidas, José e Maria voltaram para Nazaré, onde se detiveram até que «Jesus começava a ser de trinta anos», e Jesus era-lhes em tudo sujeito.

      

          A Infância de Jesus
          Jesus passou a Sua infância numa pequena aldeia montesina. Sendo o Filho de Deus, podia ter escolhido para Sua habitação o lugar que Lhe aprouvesse no mundo. Não teria deixado de fazer honra até mesmo a um palácio real. Ele, porém, não buscou as habitações dos ricos nem os palácios dos reis. Preferiu morar entre a gente pobre de Nazaré. Jesus deseja que os pobres saibam que Ele conhece as suas provações. Ele sofreu tudo o que eles próprios têm que sofrer. Por isso pode compreendê-los e ajudá-los.
          D'Ele foi dito quando ainda menino: «E o Menino crescia e Se fortalecia em Espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele.» «E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.» Seu espírito era lúcido e activo. Tinha facilidade de percepção e revelava uma ponderação e sabedoria precoces. Contudo os Seus modos eram simples e infantis, crescendo em estatura e inteligência como os demais meninos.
          Manifestava a todo o tempo um espírito amável e despretensioso. Estava sempre pronto a servir os outros, e era paciente e verdadeiro. Inabalável como uma rocha no domínio do direito, nunca deixava contudo, de mostrar-Se amável e cortês para com os outros. Na sua casa paterna e onde quer que estivesse, a Sua presença era como a luz do sol. Para com os pobres e pessoas de idade revelava bondade e respeito, estendendo a Sua bondade até aos próprios irracionais. Cuidava com solicitude ainda de um simples passarinho ferido, e tudo respirava felicidade onde Ele Se encontrasse.
          Nos dias de Jesus os judeus atribuíam particular importância è educação dos filhos. Havia escolas anexas às sinagogas ou casas de culto; os mestres denominavam-se rabinos, e eram pessoas que se supunham dotadas de cultura. Jesus não frequentou essas escolas, porquanto ensinavam muitas coisas que não eram verdadeiras. Em vez da palavra de Deus estudavam-se preceitos dos homens, e muitas vezes estes estavam em contradição com o que Deus havia ensinado pelos Seus profetas. O próprio Deus por Seu Espírito instruiu Maria como devia educar seu Filho. Maria instruía a Jesus nas Santas Escrituras, e Ele lia-as por Si mesmo.
          Jesus apreciava também o estudo das maravilhas de Deus no céu e na terra. Nesse livro da natureza admirava as plantas, os animais, o sol e as estrelas. Anjos do Céu estavam presentes, ajudando-O a aprender através desse livro acerca de Deus. Assim pois crescia Ele em estatura e força, e também em conhecimento e sabedoria. Todos os meninos estão em condições de adquirir conhecimentos como Jesus adquiriu. Devíamos gastar o nosso tempo em aprender o que é verdadeiro. Mentiras e fábulas de nada aproveitam. Só a verdade é que tem valor real, e podemos aprendê-la da Palavra de Deus e das Suas obras. Estudando estas coisas, a nossa mente fortalecer-se-á, os nossos corações tornar-se-ão puros e atingiremos mais a semelhança de Cristo.
          Todos os anos José e Maria subiam a Jerusalém para assistir à festa da Páscoa. Quando Jesus tinha a idade de doze anos eles levaram-n'O consigo. Esta era uma jornada agradável. O povo caminhava a pé ou transportado por bois ou jumentos, gastando nessa viagem alguns dias. A distância de Nazaré a Jerusalém é de cerca de cem quilómetros. De todas as partes do país e até mesmo de países estrangeiros afluíam pessoas à festa, tendo por costume associarem-se para essa jornada os que eram da mesma terra.
          A festa era celebrada em fins de Março ou princípios de Abril, o tempo da Primavera na Palestina, quando toda a terra se ornava de flores e os ares ressoavam com o canto dos pássaros. No trajecto, os pais narravam aos filhos as maravilhas que Deus operara a favor de Israel nos tempos passados. E muitas vezes entoavam juntos alguns dos belos salmos de David.
          Nos dias de Jesus o povo perdera o zelo, tendo-se tornado formalista nos seus actos de culto. As pessoas pensavam mais nos próprios prazeres do que na bondade de Deus para com elas. Não se dava entretanto o mesmo com Jesus. Ele tinha prazer em meditar acerca de Deus. Quando chegou ao templo, observou atento o serviço ministrado pelos sacerdotes. Inclinava-Se com os adoradores quando se ajoelhavam para a oração, e unia Sua voz à deles em louvor a Deus. Todas as manhãs e todas as tardes era costume oferecer-se um cordeiro sobre o altar. Isto deveria representar a morte do Salvador. Enquanto os olhos de Jesus pousavam sobre a inocente vítima, o Espírito de Deus dava-Lhe a entender o significado do acto. Sabia que Ele próprio, como o Cordeiro de Deus, devia ser morto do mesmo modo pelos pecados do homem.
          Com o espírito cheio de tais reflexões Jesus sentia a necessidade de recolhimento. Por isso não Se demorou com Seus pais no templo; e quando regressaram, já não estava com eles. Numa sala anexa ao templo havia uma escola dirigida pelos rabinos; a essa sala Se dirigiu Jesus. Tomando assento entre os Seus companheiros de infância, pôs-Se a escutar a palavra dos grandes mestres.
          Os judeus alimentavam muito ideias erróneas acerca do Messias. Jesus sabia-o, mas não contradizia os homens doutos. Como alguém que desejava instruir-se, propôs-lhes perguntas acerca dos escritos dos profetas. O capítulo 53 de Isaías trata da morte do Salvador, e Jesus, lendo esse capítulo, pediu aos rabinos que explicassem o seu sentido. Os rabinos não puderam responder. Começaram por isso a interrogar Jesus, e ficaram assombrados com o conhecimento que Ele possuía das Escrituras. Perceberam que as conhecia muito melhor do que eles. Era evidente que os seus próprios ensinos estavam errados, mas não estavam dispostos a crer em coisa diferente.
          Tal era entretanto a modéstia e a delicadeza com que Se portava Jesus, que Ele não lhes desagradou. Desejavam mesmo tê-lo por discípulo, para O ensinarem a interpretar as Escrituras à sua maneira.
          Quando José e Maria partiram de Jerusalém para voltarem à sua terra, não notaram que Jesus não ia com eles. Supunham que estivesse em companhia de alguns dos seus conhecidos e amigos. Ao estabelecer-se à noite o acampamento deram, porém, pela Sua ausência. Fizeram indagações entre todos os conhecidos, mas sem resultado. José e Maria começaram pois a perturbar-se muito. Lembraram-Se de que Herodes havia tentado matá-l'O quando ainda pequeno, e recearam que Lhe houvesse sucedido algum mal. Com os corações aflitos voltaram depressa a Jerusalém, onde só vieram a encontrá-l'O ao terceiro dia.
          Foi grande o seu regozijo quando O acharam; Maria, porém, entendeu que Jesus devia ser repreendido por ter abandonado Seus pais. Disse-Lhe: «Filho, porque fizeste assim para connosco? Eis que Teu pai e eu ansiosos Te procurávamos». Jesus lhes respondeu: «Porque é que Me procuráveis? Não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?» S. Lucas 2:48-49. Ao dizer estas palavras Jesus apontou para o Céu. No Seu rosto reflectia-se uma luz que os deixou admirados. Jesus sabia que era o Filho de Deus, e que estava fazendo a obra para a qual tinha sido enviado ao mundo da parte de Seu Pai. Maria jamais se esqueceu destas palavras. Nos anos que se seguiram compreendeu cada vez melhor o seu sentido profundo.
          José e Maria amavam a Jesus, mas tinham revelado certa negligência ao perdê-l'O. Tinham-se esquecido da obra que Deus os incumbira de fazer. Um dia de negligência foi bastante para perderem a Jesus! É assim que muitos hoje se privam da companhia de Jesus. Quando não apreciamos falar a respeito d'Ele ou orar-Lhe, ou quando nos ocupamos em conversas frívolas ou más, separamo-nos de Jesus; e separados d'Ele, ficamos ao abandono e na tristeza. Se, porém, desejamos realmente a Sua companhia, Ele estará a todo o tempo connosco. Com aqueles que amam a Sua presença, Jesus gosta de deter-Se. A Sua presença trará felicidade ao mais humilde casebre e encherá de regozijo o mais triste coração.
          Embora soubesse que era o Filho de Deus, Jesus voltou com José e Maria para Nazaré, e até à idade de trinta anos foi-lhes inteiramente sujeito. Aquele que era o Chefe das milícias celestes tornou-Se na terra um obediente Filho. As grandes coisas sugeridas à Sua mente pelo serviço do templo estavam guardadas em Seu coração. Em Nazaré esperou até ao tempo determinado por Deus para começar a obra que Lhe fora designada.
          Jesus viveu em casa de um pobre camponês. Com fidelidade e satisfação cumpria a Sua parte para ajudar a manter a família. Logo que atingiu idade suficiente, aprendeu o ofício de carpinteiro, em que trabalhou, ajudando a Seu pai adoptivo. Exercendo a Sua actividade por meio do trabalho manual, exercia todas as Suas faculdades de modo a conservá-las sãs e fortes, para poder fazer o melhor trabalho possível. Tudo o que fazia era bem feito. Desejava ser perfeito, até mesmo no manejo da ferramenta. Por Seu exemplo ensinou-nos a ser industriosos, a fazer o nosso serviço com cuidado e considerar o trabalho uma coisa honrosa. Todos deviam procurar ocupar-se em algo que os possa tornar úteis a si mesmos e também aos outros.
          Deus deu-nos o trabalho para nos ser uma bênção, e Ele agrada-Se das crianças que, contentes, executam a sua parte nos afazeres domésticos, partilhando os encargos do pai e da mãe. Tais filhos, ao deixar os seus lares, constituirão uma bênção para o mundo. A mocidade que procura agradar a Deus em tudo quanto faz, e que pratica o bem pelo amor do bem, será útil na sociedade. Ao ser fiel em posições humildes, habilitar-se-á para posições mais elevadas.
      

          Dias de Luta
          Os mestres judaicos tinham estabelecido para o povo muitas leis e exigiam deles muitas coisas que Deus não ordenara. Até os meninos tinham de sujeitar-se às suas exigências. Jesus, porém, não procurava aprender o que esses rabinos ensinavam. Embora tivesse cuidado em não falar desrespeitosamente desses doutores, só examinava as Escrituras e obedecia às leis de Deus. Muitas vezes era repreendido por não proceder como os demais meninos. Então costumava mostrar pela Bíblia o que Deus exige de nós.
          Jesus procurava sempre levar a felicidade a todos. Por Sua bondade e delicado trato os rabinos alimentavam, porém debalde, a esperança de conseguir que Ele Se sujeitasse aos seus ensinos. Quando insistiam para obedecer aos seus preceitos, perguntava-lhes o que dizia a Bíblia. Não recusaria fazer o que esta dissesse. Tal atitude irritava os rabinos. Sabiam que os seus preceitos não eram apoiados pela Bíblia; mas não levavam a bem que Jesus Se recusasse a obedecer-lhes. Queixavam-se pois d'Ele a Seus pais.
          José e Maria tinham os rabinos na conta de bons homens, e por isso Jesus sofreu censuras bastante difíceis de suportar. Os irmãos de Jesus tomavam o partido dos rabinos. As palavras desses doutores, diziam eles, deviam ser acatadas como as palavras de Deus, e censuravam a Jesus por Sua atitude de superioridade em relação aos guias do povo.
          Os próprios rabinos consideravam-se melhores do que os outros homens, e desdenhavam relacionar-se com o vulgo. Os pobres e ignorantes eram desprezados por eles. Até os doentes e sofredores eram por eles deixados ao abandono e sem esperança e conforto. Jesus revelava um tocante interesse por todos os homens. Procurava ajudar toda a pessoa sofredora com que Se deparasse. Não dispunha de recursos pecuniários, mas muitas vezes renunciava ao próprio pão a fim de mitigar a fome de alguém.
          Quando os Seus irmãos falavam asperamente aos miseráveis e desgraçados, Ele ia ter com essas pessoas e dirigia-lhes palavras de bondade e de ânimo. Tudo isto desagradava a Seus irmãos, que O ameaçavam, procurando atemorizá-l'O; Jesus, porém, mantinha sempre a mesma linha de conduta, não fazendo senão o que parecia bem a Deus.
          Muitas foram as tentações e provas que Jesus teve de enfrentar. Satanás procurava continuamente ocasiões para vencê-l'O. Se Jesus pudesse ter sido levado a proferir uma única palavra de impaciência ou a praticar um erro que fosse, não Se poderia ter tornado o nosso Salvador. Satanás sabia-o, sendo essa a razão por que tão persistentemente se empenhava em induzir o Salvador a pecar. Apesar de Jesus ser continuamente protegido por anjos celestes, a Sua vida foi uma longa luta contra as potestades das trevas. Nenhum de nós terá jamais de arcar com tentações tão terríveis como as que Ele sofreu. Para cada tentação, porém, só tinha uma resposta: «ESTÁ ESCRITO».
          Nazaré era uma aldeia ímpia, e os jovens muitas vezes tentavam Jesus a acompanhá-los nos seus maus caminhos. Como era um rapaz vivo e alegre, não desdenhavam a Sua companhia. Entretanto os Seus princípios de piedade não lhes agradavam. Muitas vezes, por recusar associar-se a eles nalguma prática desonesta, chamavam-n'O de cobarde. Não raro escarneciam d'Ele por Se mostrar muito escrupuloso em coisas insignificantes. A tudo isto só tinha por resposta: «O temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal a inteligência». Job 28:28. O amor do mal é o amor da morte, porque «o salário do pecado é a morte».
          Jesus não reivindicava os Seus direitos. Quando maltratado, sofria com paciência. Por ser assim condescendente e resignado, muitas vezes tornavam o seu trabalho desnecessariamente penoso. Contudo não desanimava, porque sabia que Deus O contemplava com favor.
          As Suas horas mais felizes eram aquelas em que podia estar a sós com a natureza. Terminado o Seu trabalho, dirigia-Se aos campos, a fim de entregar-Se à meditação na sombra de verdejantes vales ou à oração nas encostas das montanhas ou nas florestas. Escutava os pássaros oferecendo notas de louvor ao Criador e associava-Se a eles com alegres hinos de adoração e reconhecimento. Com cântico e adoração saudava o despontar do dia, que muitas vezes vinha encontrá-l'O nalgum lugar solitário meditando em Deus, estudando a Bíblia ou concentrado em oração.
          Desses momentos de pacífico repouso em Deus, Ele tornava, então, ao seio da família para reassumir os Seus deveres quotidianos e dar um exemplo de paciente trabalho. Onde quer que estivesse, a Sua presença parecia fazer aproximarem-se os anjos da terra. A influência da Sua vida pura e santa era sentida em todas as classes do povo. Inocente e puro, movia-Se no meio dos negligentes, dos rudes e intratáveis, encontrando-Se com o injusto publicano, o perdulário insensato, o insensível soldado ou o rude camponês.
          Jesus tinha sempre palavras de simpatia para os que suspiravam sob o duro fardo da vida. Partilhando os seus pesares, repetia-lhes as lições aprendidas da natureza acerca do amor, da bondade e da misericórdia de Deus. Ensinava-lhes a considerarem-se como entes dotados de preciosos talentos que, legitimamente usados, lhes dariam venturas eternas. Pelo Seu próprio exemplo inculcava a preciosidade dos momentos fugitivos da existência, que cumpre empregar sempre nalguma coisa útil.
          Não Lhe consentia o ânimo passar por alto a quem quer que fosse como indigno da Sua consideração, mas procurava esforçar e animar ainda os mais rudes e pouco prometedores. Dizia-lhes que Deus os amava como a Seus filhos, e que havia possibilidade para eles de atingirem a semelhança do Seu carácter.
          Deste modo Jesus obrava silenciosamente em favor de outros desde a Sua mais tenra infância, e a essa obra ninguém nem os sábios doutores nem ainda os próprios irmãos, podia induzi-l'O a renunciar. Com um firme propósito realizou o desígnio de Sua vida, que era ser a luz do mundo.

          O Baptismo
          Ao chegar o tempo de Jesus iniciar o ministério público, o Seu primeiro acto foi dirigir-Se ao rio Jordão e fazer-Se baptizar por João Baptista. João tinha sido enviado a preparar o caminho para o Senhor. Pregando no deserto, a sua mensagem resumia-se nisto: «O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho». S. Marcos 1:15. Multidões acorriam para ouvi-l'O. Muitos eram convencidos dos seus pecados e baptizados por ele no Jordão.
          Deus advertira a João que um dia viria a ele o Messias para lhe pedir que O baptizasse. Deu-lhe também um sinal pelo qual O poderia reconhecer. Quando Jesus Se apresentou a João, este notou nos Seus traços fisionómicos reflexos de uma vida tão eminentemente pura que se recusou a baptizá-l'O, dizendo: «Eu careço de ser baptizado por Ti, e Tu vens a mim?» Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: «Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça». S. Mateus 3:14-15.
Quando Jesus proferiu estas palavras, uma luz celestial iluminou-Lhe o rosto, tal como a que fora notada por Simeão quando Ele foi apresentado no templo. Então João conduziu a Jesus para as águas e ali O baptizou à vista de todo o povo.
          Jesus não recebeu o baptismo para manifestar o arrependimento dos Seus pecados, porque n'Ele não houve pecado algum. Fez-Se, porém, baptizar para constituir-Se também nisso um exemplo para nós.
          Quando Jesus saiu da água, ajoelhou-Se à margem e dirigiu uma prece ao Pai. Abriu-se então o Céu «e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele.» Todo o Seu ser ficou envolto numa auréola de luz provinda do trono de Deus, e do céu aberto uma voz Lhe falou nestes termos: «Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo». S. Mateus 3:16,17.
          A glória que nessa ocasião repousou sobre Jesus é o penhor do amor de Deus aos homens. Jesus veio fazer-Se nosso exemplo, e tão certo como Deus ter deferido a Sua petição, é certo que Ele ouvirá as nossas orações. Os mais necessitados, os maiores pecadores, os mais desprezados podem ter acesso ao Pai. Quando nos dirigimos a Deus em nome de Jesus, a mesma voz que falou a Ele também nos falará a nós, dizendo: «Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo».

HINE  MA  TOV


Texto extraído do livro Vida de Jesus de Ellen White. Convido o estimado leitor a comprar este pequeno mas excelente livro na Publicadora SerVir, para continuar a desfrutar da leitura da Vida de Jesus neste mundo.

BOAS FESTAS / BUONE FESTE / MEILLEURS VOEUX / SEASON'S GREETINGS / FROHE FESTTAGE

(Pode ouvir músicas de Natal no último grupo dos links de Leituras para a Vida
e de O Caminho para a Esperança)