sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A BÍBLIA

UM LIVRO EXCEPCIONAL



Poderemos continuar a confiar na Bíblia?
Descobriremos, neste artigo, factos surpreendentes
que reafirmam a sua autenticidade histórica
e o seu valor para solucionar os problemas dos seres humanos.

Podemos dizer, sem receio de nos enganarmos, que a Bíblia detém o record de vendas de livros de todos os tempos. A sua grande importância radica-se no facto de não ser um livro como tantos outros.

A Bíblia constitui uma das provas mais evidentes da existência de Deus e do Seu amor por nós. A grande diferença que existe entre a Bíblia e outro livro qualquer é indicada por S. Paulo na seguinte declaração: “Toda a Escritura é divinamente inspirada…” - II Timóteo 3:16.

A Bíblia abrange desde a mais remota época patriarcal até ao pleno apogeu do Império Romano. Civilizações e povos bem conhecidos, como os Egípcios, Assírios, Caldeus, Persas, Gregos e Romanos, aparecem ao longo das suas páginas que abarcam dezasseis séculos de história.

Desde o primeiro autor bíblico, Moisés (século XV a. C.), até ao apóstolo S. João (cerca do ano 100 d. C.), a Bíblia foi escrita por uns 40 autores. Estes escritores sagrados, com quem Deus Se comunicava, viveram em lugares diferentes e afastados uns dos outros. Foram patriarcas, reis, estadistas, filósofos, profissionais, sacerdotes, profetas, etc., todos eles falaram em nome de Deus, inspirados pelo Espírito Santo. - Hebreus 1:11; II Pedro 1:21.


A AUTENTICIDADE DA BÍBLIA


Para alguns historiadores do século passado, toda a Bíblia era um simples colecção de relatos fantásticos que não correspondiam à realidade, pois, segundo eles, mencionava cidades, lugares e acontecimentos que só haviam existido na mente sonhadora dos seus autores.

No entanto, as constantes descobertas arqueológicas que se têm feito desde o século passado até hoje no Próximo Oriente, assim como no Médio, nunca desmentiram a Bíblia, antes confirmaram muitas informações de que duvidavam, quando não eram rotuladas de completamente falsas.

O mundialmente considerado arqueólogo William F. Allbright afirma que "todos os dados históricos da Bíblia são exactos ao ponto de superar as ideias de qualquer dos críticos modernos que têm sido induzidos em erro por uma hipercrítica." 1

O racionalismo como método de investigação filosófica tentou, no século passado, pôr em causa a inspiração das Sagradas Escrituras. A corrente de ateísmo surgida do desenvolvimento das hipóteses evolucionistas tentou eliminar do texto bíblico tudo o que fosse surpreendente e sobrenatural. Cedeu-se nessa época à tentação de dar maior crédito às investigações dos sábios do que às declarações da Bíblia. A religião foi posta sob interdição.

Quando, porém, tudo parecia estar contra a Sagrada Escritura, quando os próprios crentes se intimidavam ou se tornavam cépticos, a arqueologia surpreendia o mundo com as suas descobertas. O Senhor Jesus Cristo já o havia predito:

"Se estes se calarem, as pedras clamarão." S. Lucas 19:40. E as pedras clamaram…


APARECE A CIDADE PERDIDA


Em 1833, Paul Émile Botta, agente consular francês em Mossul, reparou numas colinas misteriosas que se erguiam nas planícies da Mesopotâmia. Mandou um empregado seu explorá-las e este voltou, passada uma semana, com surpreendentes notícias.

Relatou que mal começara a escavar o cimo quando se deparou com umas ruínas onde apareciam misteriosas inscrições, baixos-relevos, animais fabulosos…

Botta mudou-se imediatamente para o local. Poucas horas depois entrava por um buraco no solo e extasiava-se a contemplar as figuras de homens barbudos, quadrúpedes alados e imagens que ultrapassavam tudo quanto tinha podido imaginar.

Acabava de descobrir o primeiro palácio assírio. Não se tratava apenas de uma notícia sensacional mas também de uma novidade científica da maior importância.

Pensara-se, até aquele momento, que o berço da civilização havia sido o Egipto. Da Mesopotâmia, o país entre os rios Tigre e Eufrates, dos Assírios, só a Bíblia falava.

Por isso a descoberta de Botta significava a confirmação histórica de que, tal como a Bíblia indica, havia florescido na Mesopotâmia uma civilização pelo menos tão antiga como a Egípcia, ou talvez ainda mais. Muitas daquelas esculturas encontradas por Botta estão agora expostas no Museu do Louvre, em Paris.

A nação dos Assírios, que a Bíblia descreve com precisão, saía assim da noite dos tempos. Mais uma vez, o texto bíblico tinha razão; a sua exactidão histórica tornara-se incontestável. 2

ESTAVA ESCRITO NA BÍBLIA


Várias localizações arqueológicas puderam ser exploradas e identificadas graças a indicações precisas fornecidas pela Bíblia. Detalhes históricos que eram tidos como fantásticos, foram finalmente reconhecidos como exactos pelos historiadores contemporâneos graças às escavações efectuadas partir das indicações do texto. Por exemplo o tanque de Betesda, onde Jesus curou o paralítico, como é referido no capítulo 5 de S. João.

Durante muito tempo permaneceu a pergunta acerca do aspecto que poderia apresentar uma piscina que tinha um pórtico com 5 arcos, tal como é descrita no evangelho. A arqueologia deu uma resposta satisfatória: a piscina era pentagonal, e cada lado do pentágono tinha o seu pórtico. O detalhe bíblico era estranho apenas por desconhecimento da realidade.

Segundo a Bíblia, Tera, pai de Abraão, saiu um dia da cidade de Ur dos Caldeus, cerca de mil anos antes de Cristo. A Bíblia indica-nos a rota seguida por toda a família desde Ur até Haran. Também nos diz que os pais de Abraão eram politeístas idólatras. Não deixa de causar surpresa, pois Abraão é chamado pai dos crentes. Por tal razão, durante muito tempo este relato foi aceite como lendário e os seus personagens como míticos.

A arqueologia permitiu ressuscitar a vida daquela época. Ela revela-nos a existência de santuários de deuses pagãos desde Ur até Haran. Outra revelação é a existência de muitas tribos ou clãs familiares, cujos nomes são muito parecidos com os dos personagens bíblicos, de onde se deduz que aqueles personagens, existiram na realidade. De tal modo que, os melhores arqueólogos, como por exemplo André Parrot, pensam que as migrações patriarcais entre Ur e Haran existiram de facto. Aquilo que era antes referido como uma lenda, desfruta, graças à arqueologia, de sólido apoio.


Que livro tão excepcional é a Bíblia!
Que pena que a tenhamos tantas vezes nas nossas casas
sem lhe prestarmos atenção!




O poço de Abraão, situado em Berseba, ao sul de Israel. A arqueologia demonstrou que todo o ambiente cultural em que se desenvolve a vida de Abraão, pai das grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islão), que viveu há cerca de 4 000 anos, é o que a Bíblia nos apresenta.







Numerosos locais arqueológicos puderam ser identificados e explorados graças às indicações precisas fornecidas pela Bíblia. Na fotografia vemos o que resta do pavimento de uma rua, perto do Templo de Jerusalém, que data do tempo de Jesus. As escavações arqueológicas descobriram esta rua 15 metros abaixo do nível da cidade actual.

CONCLUSÃO


Podemos confiar plenamente nos relatos e conselhos de um livro que, como dizíamos no princípio deste artigo, foi inspirado por Deus. Os factos objectivos das investigações históricas assim no-lo demonstram.

"Actualmente, nos manuais de história antiga, admite-se que a Bíblia é um bom testemunho de civilizações que já desapareceram. Reconhece-se-lhe uma precisão que anteriormente lhe era negada." 3

Contudo, acima da veracidade dos relatos bíblicos, o leitor não deve ignorar que a Bíblia é um livro transcendente, que, além de nos falar das origens dos Céus, da Terra e da nossa espécie, a Bíblia nos oferece nas suas sagradas páginas, um plano de salvação e de vida eterna para o homem, graças ao grande Autor e Personagem central da Bíblia: o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo disse: “Examinais as Escrituras; e são elas que dão testemunho de Mim.” S. João 5:39.

As Sagradas Escrituras são o testemunho do Filho do homem, do Homem com maiúsculas, Jesus Cristo, e esse testemunho tem sido comprovado pela mais rigorosa ciência histórica.

Mas o mais importante, para cada um de nós, é que nelas se pode encontrar a vida mais plena e feliz, a vida eterna, da qual podemos começar já a gozar, em boa medida, aqui e agora. Para isso basta que nos aproximemos desse cantinho, talvez esquecido, da nossa estante de livros, que peguemos na nossa Bíblia e comecemos a lê-la.



A cruz do Calvário é a mensagem central da Bíblia.


NOTAS E REFERÊNCIAS

1. W. F. Allbright, Arqueologia da Palestina, Garriga, Barcelona, 1962, pág. 233.
2. Ver C. W. Ceram, Dioses, tumbas y sábios, Destino, Barcelona, 1976, págs. 200-203.
3. Jean Flori, Los orígenes, una desmistificación, Safeliz, Madrid, 1983, pág. 19.

Rafael Calonge, Licenciado em História pela Universidade de Valência

sábado, 24 de setembro de 2011



ATEROSCLEROSE

Flagelo Universal
Mortal
Doença do “iceberg”
Que à frente de todos ergue
Uma barreira de luto
Em cada minuto
Hora a hora, dia a dia
Mina, insidiosamente
E inexoravelmente
Sem sintomatologia
Os vasos de toda a gente

Para depois, de repente
Da noite para o dia
Mostrar o seu horizonte,
Ponte
Entre a vida e a morte
Onde a pessoa sem norte
Num minuto, dia ou ano
Se torna um farrapo humano.

...


Mas para quê
Valorizar tudo isto
Quando entram em cena
Com pujança plena
Os factores de risco?

Se o colesterol é um papão
E também a hipertensão
Se o tabaco é temível
A diabetes terrível
Bem como a obesidade
E a hereditariedade
Se o álcool é um cataclismo
Tal como o sedentarismo
E também a menopausa
Se todos podem ser causa
Vamos fazer uma pausa
Se não a gente estremece
E padece
Por se agravar o stress !

Mas qual deles é afinal
O flagelo universal
Que é a todo o momento
Mãe de luto e sofrimento?

Responsável pela trombose
Que tão traiçoeiramente
Espera por toda a gente

a
Aterosclerose!



TABACO

HIPERTENSÃO           DIABETES            OBESIDADE

HEREDITARIEDADE                         ÁLCOOL


SEDENTARISMO

STRESS

PREVENÇÃO VASCULAR!

Dissemos que a aterosclerose
Responsável pela trombose
É um assassino
Que muda o destino
De qualquer mortal
Atacando o coração
O rim, o pé e a mão
E a nível cerebral.

É tal
A sua pujança
Que desequilibra a balança
Da taxa obituária
Sempre a abarrotar
Ou então, por sua vez
Muita invalidez
A lamentar.

É um processo muito arisco
Desencadeado
Ou agravado
Pelos factores de risco
E a todo o momento
Para impedir a sua acção
Bem melhor que o tratamento
É a Prevenção.


Portanto, e quanto antes
Trata já de dizer
Não
Aos factores agravantes.


Faz uma vida salutar
Faz Prevenção Vascular.




ATEROSCLEROSE


Professor Doutor Políbio Serra e Silva, especialista em Endocrinologia, Doenças Metabólicas e Nutrição; retirado do seu livro Prevenção Vascular; excepto a última imagem, a 1ª da capa é de Luís Bonet e as restantes de F. Jorge Silva
(ver mais em Meditação para a Saúde - 24.09.2011)

sábado, 10 de setembro de 2011

NÃO TE DEIXES VENCER PELA ADVERSIDADE



"Meu querido defunto" era a expressão com a qual a novelista George Sand costumava dirigir-se ao famoso músico polonês Frederico Chopin (1809-1849). Ele próprio dizia, referindo-se aos relatórios dos médicos que o atendiam: "Um disse que eu morreria, o segundo afirmou que estava moribundo e o terceiro declarou que eu já estava morto." Antes de completar os 40 anos, o noticiário tinha publicado várias vezes a notícia da sua morte.

Quando Chopin tinha 20 anos, as mulheres se condoíam e se compadeciam dele pelo seu lamentável aspecto de moço fraco. A tuberculose pulmonar tinha causado estragos no seu pobre organismo. O seu pai, um comandante francês casado com uma mulher polonesa, estava em bancarrota.

Quando a Polónia se levantou em armas, os seus amigos correram apressadamente em seu socorro, mas o pálido Frederico estava muito doente para se unir a eles. Fugiu para Viena levando um punhado de terra polonesa. Posteriormente radicou-se em Paris.

Que quadro mais patético! Uma flor que acaba de desabrochar para a vida, murcha pelo vento escaldante da adversidade. Morrendo aos poucos, Chopin trabalhou febrilmente para compôr 54 mazurcas, 11 polonesas e 17 canções polacas. Fantasias, valsas, prelúdios e baladas fluíam da sua pena acionada agilmente pelos seus pálidos e trémulos dedos. Apegando-se desesperadamente à vida, e lutando contra a pobreza, Chopin esculpiu o seu nome na rocha da fama, e não se deixou vencer pela adversidade.

Alexandre Pope, poeta e filósofo inglês do século 18, era tão deformado e corcunda que precisavam de envolvê-lo num pano resistente para que pudesse manter-se erguido. Não conseguia levantar-se nem deitar-se sem auxílio. Apesar do seu infortúnio, elaborou um plano de trabalho para si mesmo quando tinha apenas 12 anos, e seguiu-o até ao final da sua vida. A sua deformidade e as suas constantes dores de cabeça não o impediram de apresentar uma abundante produção literária. Pope enfrentou a adversidade e não permitiu que esta lhe inutilizasse a vida.

Uma adolescente escreveu o seguinte a uma amiga:

"Querida Eugénia: Estou no hospital sofrendo de uma doença grave. Não consegui dormir bem durante uma semana. Estou muito nervosa e sinto muitas dores. Acho que irei passar bastante tempo aqui. Não é maravilhoso que Deus tenha permitido que me internasse neste belo hospital?
O que os médicos me fazem é doloroso, mas estou agradecida pela atenção que me dispensam. O Senhor Jesus fez muito por mim, e não encontro palavras para Lhe agradecer.
A mamã piorou. Colocaram-lhe um balão de oxigénio noutro andar deste mesmo hospital. Creio que terão de a operar ao coração como último recurso para lhe salvarem a vida. O papá continua tão ocupado como sempre. Depois de separar-se da mamã, não quer saber nada de nós, seus seis filhos. Eu sou a mais velha, de maneira que se acontecer alguma coisa com a mamã, terei de cuidar dos meus irmãos. Estou alegre por ser cristã, pois não poderia fazê-lo se Jesus não morasse em mim e me desse a força e a coragem de que necessito para enfrentar todas as angústias que me aguardam."

Esta é uma carta que revela o optimismo e a confiança da sua jovem autora. A adversidade tinha erigido diante dela uma muralha que parecia intransponível. Não obstante, o seu valoroso espírito não se curvou diante dos impiedosos golpes. Em lugar disso, manifestou a sua radiante confiança em todos os momentos. Não ficou a lamentar-se nem a condoer-se de si mesma, mas valeu-se da adversidade para fortalecer o seu carácter e lutar para colocar-se acima dos obstáculos.

Quando os colegas do jovem Napoleão zombavam dele por ser pobre e não proceder de nenhuma família de projecção, procurou corrigir essa desventura estudando conscienciosamente, de maneira tal que em pouco tempo venceu os que dele se riam, e eles se viram obrigados a respeitá-lo, porque ele se tornara um aluno que honrava a academia.

A adversidade tem temperado o carácter de muitos homens, e fê-los produzir obras que resistiram aos efeitos destruidores dos séculos:

Daniel Defoe escreveu no cárcere o seu Robinson Crusoe;
João Bunyan produziu o seu imortal O Peregrino enquanto estava atrás das grades.
Walter Raleigh também escreveu a sua História Universal na prisão;
Lutero traduziu a Bíblia para o alemão exilado no Castelo de Wartburg
assim como Dante compôs no deserto o seu famoso poema, a Divina Comédia.


Na Natureza vemos o mesmo efeito revigorante e enrigecedor da adversidade. Por exemplo, tomemos duas bolotas do mesmo carvalho e plantemos uma num bosque e a outra numa lombada descoberta, batida pelo vento e pela chuva. O que acontece? A pequena árvore que nasce e cresce no bosque é débil e fina. Não se transforma num poderoso e firme exemplar, porque vive ao amparo de outras árvores que a protegem do vento e das tempestades. E a arvorezinha que nasce no campo descoberto? As suas raízes se alastram em todas as direcções, firmando-se nas pedras e afundando no solo. Cada raizinha se firma como se fora a única a suportar o peso da árvore e a resistir aos embates das ventanias. Por alguns instantes parece que o pequeno carvalho deixou de crescer, mas isso deve-se ao facto de ele estar a utilizar a sua energia para se firmar numa rocha que a raiz encontre no caminho. E assim cresce até se tornar num carvalho adulto. As rajadas violentas que lhe agitam a copa jamais poderão desarreigá-lo, e o seu único efeito será firmar ainda mais as suas raízes nas pedregosas entranhas da terra.

O jovem que luta intensamente para abrir caminho por entre a sociedade tão competitiva, muitas vezes encontra-se inesperadamente com os cruéis assaltos da adversidade: falta de dinheiro, sentimento de inferioridade por algum defeito ou característica que possua, doença ou morte de pai ou mãe, falta de amigos; enfim, tantas outras formas que esta possa assumir.

Que fazer? Pode tomar duas atitudes: renunciar à luta, ou, pelo contrário, lançar mão dos seus recursos interiores, da sua força de vontade, da confiança em si mesmo, da fé em Deus, e dedicar-se com paciência e firmeza a superar os inconvenientes, e construir o futuro.

É muito comum acovardar-se um jovem diante da adversidade. Afinal, é ele um ser que está passando por uma série de mudanças que, comumente, lhe são conflitantes (por exemplo, o desenvolvimento sexual, a luta contra a autoridade dos pais em busca de independência, movimentação no mundo dos adultos). Essas mudanças problemáticas consomem-lhe uma quantidade considerável de energia e de atenção, que seriam necessárias para enfrentar as dificuldades de outra espécie que lhe surjam no caminho. Assim, encontramos jovens desorientados, às vezes vencidos, sem ideias de superação e de progresso, que abandonam a sua preparação para a vida aos 14, 15 ou 17 anos, porque a adversidade lhes bateu à porta e não souberam como encará-la.

O adolescente que fracassou nos estudos (às vezes contra a sua vontade); o que luta pela sua independência diante de pais autoritários e incompreensíveis; o que vive com familiares que não têm consideração por ele e não lhe proporcionam o afecto que tanto anela; o que vive angustiado por dúvidas e incertezas. Esse adolescente ou jovem cai facilmente presa do desânimo, e procura por todos os meios fugir dessa situação perturbadora.

E pode fazê-lo de diversas maneiras: dedicar-se apaixonadamente aos desportos e descuidar-se dos estudos; passar a maior parte do tempo fora de casa; aparecer apenas para dormir, às vezes para comer, e em alguns casos desaparecer definitivamente. Liga-se a grupos de adolescentes ou jovens e torna-se amargo e agressivo contra a sociedade; une-se a uma jovem e dedica-lhe todo o seu tempo, carinho e dinheiro, deixando de lado actividades importantes como o trabalho e os estudos. Enfim, não importa o meio escolhido, é sempre uma forma de protestar contra a situação aflitiva, um meio de escape.

É evidente que nenhuma dessas possibilidades constitui um caminho conveniente, pois embora se esqueça momentaneamente do problema, não o soluciona, e com os anos chega a afligir-se ainda mais, pois por causa do tempo e oportunidades perdidas, vê-se sem uma profissão na vida, limitado a um salário mínimo; descontente, frustrado.

Que fazer então?

Em 1º lugar convém analisar pormenorizadamente a situação adversa, se possível com um adulto idóneo, compreensível e competente (psicólogo, médico, conselheiro espiritual). Após ter compreendido a verdadeira grandiosidade do conflito (pois o adolescente entregue aos seus próprios pensamentos e conhecimentos pode exagerar a gravidade do problema), estará mais em condições de avaliar os meios necessários para superá-lo. Ao realizar essa tarefa, deve-se lembrar de que possui potencialidades que talvez não tenha descoberto, que a sua força de vontade pode alcançar níveis de desenvolvimento não imaginados e que a sua confiança nele mesmo se irá fortalecendo ao conseguir pequenas vitórias. Por outro lado, há um Deus Todo-Poderoso que o ama infinitamente, e está disposto a ajudá-lo de maneira maravilhosa.


Jovem leitor (ou adulto), se acha que a adversidade o rodeia, não se deixe vencer! Firme a sua confiança e leve em consideração estes conselhos. Decida corajosamente reestruturar a sua vida. Faça planos bem traçados e esforce-se dia-a-dia para colocá-los em prática. Não perca tempo compadecendo-se de si mesmo, lamentando-se da sua má sorte e fujindo dos problemas. Invista corajosamente contra a situação adversa e faça ir pelos ares os obstáculos que se opõem à sua felicidade e ao seu êxito!

Sérgio V. Collins in Revista MOCIDADE, Casa Publicadora Brasileira (CPB)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

DIA INTERNACIOAL DE RECORDAÇÃO DO CONTRABANDO
DE ESCRAVOS E SUA ABOLIÇÃO


A história da escravatura é quase tão vasta como a história da humanidade.


Na actualidade, as formas mais primárias de escravatura relacionam-se com os prisioneiros de guerra e as pessoas com dívidas. Nas civilizações antigas, a escravatura tornou-se essencial para a economia e para a sociedade de todas as civilizações. A Mesopotâmia, a Índia, a China, os Antigos Egípcios e Hebreus, a Civilização Grega e o Império Romano utilizaram escravos. O mesmo se verificou nas civilizações pré-columbianas, Asteca, Inca e Maia. No Brasil, a escravidão começou com os índios, muito antes da chegada dos portugueses.

Na história moderna, ao falar-se em escravatura, é difíci não pensar nos ingleses, holandeses, franceses, espanhóis e portugueses. Desde a primeira metade do século XVI que os porões dos navios eram superlotados com negros africanos, em condições desumanas, para serem postos à venda nas Américas. Desenvolveu-se então um cruel e lucrativo comércio de homens, mulheres e crianças entre a África e as Américas.

A escravatura passou a ser justificada por razões morais e religiosas, baseada na crença da suposta superioridade racial e cultural dos europeus. Os escravos, presos a correntes para não fugirem, trabalhavam de sol-a-sol e tinham uma alimentação de péssima qualidade, apenas uma a duas vezes por dia. Dormiam em sanzalas, que eram galpões ou telheiros escuros, húmidos e sem higiene. Eram castigados com frequência, sendo o açoite a punição mais comum. Proibidos de praticar as suas religiões de origem africana e de realizar as suas festas e rituais africanos, foram assimilados culturalmente, sendo-lhes imposta a língua portuguesa ou espanhola e a religião católica. As mulheres eram usadas em trabalhos domésticos e muitas tinham que fazer sexo com os seus senhores, o que deu origem a uma grande população mulata, em especial no Brasil.

Na base de toda a actividade dos escravos, estava a produção de café, açúcar, algodão, tabaco e transporte de cargas. Desenvolveu-se também em paralelo o comércio de outros produtos: marfim, tecido, peles e armas de fogo. Muitos escravos tinham outras funções em meio urbano: carpinteiro, pintor, pedreiro, sapateiro, ferreiro, marceneiro, embora várias dessas profissões fossem exercidas principalmente por cristãos-novos.

A história da escravatura nos Estados Unidos da América teve o seu início no século XVII e usou as práticas semelhantes às utilizadas pelos espanhóis e portugueses na América Latina. Terminou em 1863, com a Proclamação de Emancipação de Abraão Lincoln, realizada durante a Guerra Civil Americana. Com o surgimento do ideal liberal e da ciência económica na Europa, a escravatura passou a ser considerada pouco produtiva e moralmente incorrecta. Depois de milénios de escravatura, parece que as consciências começaram a despertar. Porém, ainda muito longe do ideal. O que se mantém válida e actual é a afirmação de Abraão Lincoln: "Nada pode ser considerado politicamente correcto quando é moralmente indefensável".

Ezequiel Quintino in Pensar Faz Bem - Rádio Clube de Sintra


O CONTRABANDO DE ESCRAVOS E SUA ABOLIÇÃO


No Século do Ouro, o séc. XVIII, alguns escravos conseguiram comprar a liberdade ao adquirirem a carta de alforria.
Em Portugal, a escravatura foi abolida (no Reino e na Índia, excepto no Brasil) no reinado de D. José I, pelo Marquês de Pombal, a 1 de Fevereiro de 1761.

A questão da abolição da escravatura no Brasil, aconteceu depois de 7 de Setembro de 1822, dia do 'Grito do Ipiranga' para a independência. Mas foi só a partir da Guerra do Paraguai que o movimento abolicionista ganhou impulso. Em 13 de Maio de 1888, o governo imperial rendeu-se às pressões e a princesa Isabel de Bragança (filha do imperador D. Pedro II) assinou a Lei Áurea que extinguiu a escravatura no Brasil.

O fim da escravatura, porém, não melhorou a condição social e económica dos ex-escravos. Sem formação escolar ou uma profissão definida, para a maioria deles, a simples emancipação jurídica não mudou a condição subalterna em que se encontravam, nem ajudou a promover a cidadania ou ascensão social dessas pessoas.

O último país do mundo a abolir a escravatura foi a Mauritânia, em 9 de Novembro de 1981. Porém, a escravidão continua em muitos países, porque as leis não são aplicadas.

Segundo alguns estudos, há mais escravos na actualidade do que o total de escravos que, durante quatro séculos, fizeram parte do tráfico transatlântico. Calcula-se que existam hoje, pelo menos, 27 milhões de escravos no mundo, principalmente em países árabes e muçulmanos. É, no mínimo, escandaloso!

Apesar de se comemorar cada ano o Dia Internacional de Recordação do Contrabando de Escravos e sua Abolição, a escravatura continua a ser uma vergonha na história da Humanidade. Mas, a questão de base não se pode ignorar nem iludir. Desde que o ser humano optou por se deixar enganar, julgando conquistar novas sensações e experiências ao assumir a emancipação de Deus, tornou-se escravo de quem o iludiu, e de si mesmo. Daí que a prática da escravatura entre humanos não é surpresa.

Mas a boa notícia, hoje, é que Alguém - Jesus - pagou a nossa 'carta de alforria' (Romanos 6:20-23): "Quando eram escravos do pecado, não estavam ao serviço da vontade de Deus (...) O resultado disso é a morte. Agora porém, livres do pecado, estão ao serviço de Deus. O fruto disso é a vida consagrada a Deus e no fim a vida eterna (...) em união com Cristo Jesus, nosso Salvador."


Por isso e apesar de paradoxal, só existe uma maneira de sermos livres e libertos de todo o género de escravidão:

Vivermos na dependência do amor, da sabedoria e da protecção de Jesus.

Ezequiel Quintino - Idem

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

AMAR E EDUCAR PARA O FUTURO



O  ATAQUE  DAS  HORMONAS  ASSASSINAS

Qual é o processo pelo qual uma menina ou um menino de 12 anos, feliz, amigável, de repente se transforma numa jovem ou num jovem de 15 anos mal-humorado e depressivo? Isto acontece em quase todas as famílias.

Há duas forças poderosas responsáveis pelo comportamento adolescente que leva os pais à loucura.
A 1ª está vinculada com as pressões dos colegas e amigos que são comuns nessa fase. Muito tem sido escrito sobre essas influências.
Mas há uma 2ª, que eu acho mais importante fonte de desequilíbrio desses anos. Está relacionada com as mudanças hormonais que não somente transformam o corpo físico, como podemos ver, mas também revolucionam a forma como os jovens pensam. Para alguns (mas não todos) os adolescentes, a química humana é um estado de desequilíbrio por alguns anos, causando agitação, violentas explosões de raiva, depressão e volubilidade. Esta sublevação pode motivar um menino ou menina a fazer coisas que não fazem nenhum sentido para os adultos que estão observando, ansiosamente, à margem. A tempestade de fogo hormonal actua de forma muito parecida com a tensão pré-menstrual ou a menopausa nas mulheres, desestabilizando a sua própria auto-estima e criando uma sensação de mau presságio.
Os pais geralmente se desesperam durante a irracionalidade desse período. Todas as coisas que eles tentaram ensinar aos seus filhos e filhas parecem falhar durante alguns anos. Autodisciplina, asseio, respeito para com a autoridade, cordialidade, podem dar lugar a actos de risco e irresponsabilidade generalizada.
Se é aí que o seu filho se encontra hoje, tenho boas notícias para si. Dias melhores virão! Esse filho excêntrico logo se irá tornar numa torre de força e de bom senso - se ele não fizer alguma coisa destrutiva antes que as suas hormonas se acomodem...


                                                                                                                                                                                                                VOCÊ  NÃO  CONFIA  EM  MIM

Se há uma jogada mágica que os adolescentes usam para manipular os seus familiares são estas 5 palavras: "VOCÊ NÃO CONFIA EM MIM?!"

No instante em que um jovem nos acusa de sermos desconfiados ou termos imaginado o pior, começamos a pedalar para trás. "Não, querido, não é que eu não tenha confiança em tu saires com os teus amigos ou conduzires o carro, eu apenas...", e então ficamos sem palavras. Estamos na defensiva, e a discussão acabou.
Bem, talvez seja o momento de reconhecermos que a confiança é divisível. Por outras palavras, confiamos nos nossos filhos no que diz respeito a algumas coisas, mas não em relação a outras. Não é uma proposição do tipo 'ou tudo ou nada'. Este é o modo como o mundo dos negócios funciona no dia-a-dia.
Muitos de nós somos autorizados, por exemplo, a gastar dinheiro da nossa empresa, de certas contas, mas não todos os talões de cheques da empresa. Não tenho, por exemplo, confiança em mim mesmo para tentar certas coisas, como saltar de pára-quedas ou saltar de uma plataforma com uma corda elástica presa ao meu tornozelo. Portanto, vamos parar de ser enganados pelos nossos filhos e afirmemos corajosamente que a confiança vem por etapas. Alguma confiança agora e uma confiança maior mais tarde.
Os pais têm a tarefa de arriscar somente o que podemos razoavelmente esperar controlar com segurança. Ir além disso não é realmente confiança: é imprudência.


ESCOLHA  AS  SUAS  BATALHAS  COM  CUIDADO

Um dos aspectos mais delicados na formação de uma dolescente é imaginar o que vale uma luta e o que não vale.

Lembro-me de uma conversa com uma empregada de mesa, mãe solteira, num restaurante, há poucos anos. Quando ela soube que eu era psicólogo começou a falar sobre a sua filha de 12 anos.
- Temo-nos zangado com unhas e dentes todo este ano - disse ela. - Tem sido horrível! São todas as noites, e geralmente sobre o mesmo assunto.
- A respeito do que vocês discutem? - perguntei.
A mãe contou toda a história.
- Bem, ela ainda é uma menininha, mas quer rapar as suas pernas. Vejo que ela é muito jovem, mas ela fica com tanta raiva que nem conversa comigo. O que o senhor acha que devo fazer?
- Minha senhora - disse eu, - compre um depilador para a sua filha!
Aquela garota de 12 anos logo estará remando numa fase da vida em que vai balançar a sua canoa em águas mansas ou turbulentas. A sua mãe, uma mãe sozinha, deveria estar procurando desesperadamente evitar que a sua adolescente rebelde se entregue a drogas, álcool e sexo pré-conjugal. Verdadeiramente, haverá no seu rio jacarés vorazes, dentro de um ou dois anos. Neste cenário actual, parece imprudência fazer tanto 'barulho' a respeito do que não é essencial.
Tenho encontrado pais envolvidos em enormes batalhas por causa de coisas que eram, na realidade, questões inconsequentes. É um grande equívoco. Incito você a não estragar o seu relacionamento com os seus filhos por um comportamento que não tem grande importância moral ou social. Há inúmeras questões de real interesse que hão-de requerer que você permaneça como uma rocha. Guarde as suas grandes armas para aquelas confrontações decisivas e finja não estar percebendo aquilo que é trivial.

                                                                                                                                                                                                                         UM  GATO  ESQUELÉTICO

Lembro-me de estar sentado dentro do meu carro num snack bar de serviço rápido comendo um hambúrguer com batatas fritas, quando de repente olhei pelo retrovisor. Pude observar, próximo da extremidade traseira do meu carro, o gato mais esquelético e sujo que já alguma vez vi.

Fiquei com tanta pena, de tão esfomeado que parecia, que parti um pedaço do meu hambúrguer e atirei para ele. Mas, antes que ele pudesse alcançá-lo, um gatão cinzento saltou detrás dos arbustos, abocanhou o hambúrguer e mastigou-o bem depressa. Fiquei com muita pena do pobre gatinho, que saiu a correr em direcção às sombras, ainda esfomeado e assustado.
Lembrei-me, então, instantaneamente, dos meus anos como professor do Ensino Básico. Via todos os dias adolescentes que estavam tão necessitados, tão despojados, tão perdidos como aquele pobre gato. Não era de comida que eles precisavem; eles tinham fome de amor, de atenção, de respeito, e viviam desesperadamente sequiosos disso. E quando tentavam manifestar-se e revelar o sofrimento que os corroía, um dos rapazes mais populares desprezava-os e ridicularizava-os, escorraçando-os do seu meio e afugentando-os em direcção às sombras, assustados e solitários.
Nós, adultos, não devemos jamais esquecer o sofrimento de tentar crescer e o mundo competitivo em que muitos adolescentes vivem hoje. Dedicar-lhes um momento para ouvi-los, importar-se com eles e orientá-los, pode ser o melhor investimento de toda uma vida.

James Dobson - Psicólogo e Conselheiro Familiar in LAR, doce LAR

terça-feira, 26 de julho de 2011

UM DIA...




UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, as coisas vão ser bem diferentes.

A garagem não ficará cheia de bicicletas,
de linhas de combóios sobre madeira prensada,
de cavaletes rodeados de tábuas, pregos, martelo e serra,
de “projectos experimentais” inacabados
e da gaiola do coelho.
Poderei estacionar os dois carros nos lugares certos
e nunca mais tropeçarei em pranchas de skate, pilhas de papéis (guardados para colaborar com as obras assistenciais da escola)
ou sacos com comida para coelhos – tudo espalhado pelo chão.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, a cozinha ficará incrivelmente arrumada.

O lava-louças não ficará cheio de pratos sujos,
o caixote do lixo não ficará abarrotado de elásticos e de copos de papel,
o frigorífico não ficará atulhado de embalagens de leite,
e nunca mais perderemos as tampas dos frascos de geléia e de ketchup e das embalagens de manteiga de amendoim, de margarina e de mostarda.
A garrafa da água não será recolocada vazia,
as fôrmas de gelo não ficarão fora durante a noite,
o liquidificador não ficará sujo, seis horas a fio, de resíduos de batido preparado à meia-noite,
e o mel ficará dentro do frasco.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, a minha querida esposa terá tempo para vestir-se vagarosamente.

Terá tempo para um banho quente demorado (sem receio de ser interrompida por gritos assustados),
tempo para cuidar das unhas das mãos (e dos pés, se desejar!),
sem ter de responder a uma dúzia de perguntas e de rever a grafia correcta,
tempo para cuidar dos cabelos durante a tarde sem ter de marcar um horário espremido entre uma visita ao veterinário para levar um cão doente e uma consulta de ortodôncia para levar uma criança de mau humor por ter perdido o boné.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, o aparelho chamado “telefone” ficará desocupado, sem parecer ter nascido grudado ao ouvido de um adolescente.
Ele simplesmente estará lá... Silencioso e, por incrível que pareça, pronto para ser usado! Não ficará melado de baton, saliva, maionese, migalhas de salgadinhos ou com palitos de dentes enfiados nos pequenos orifícios.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, eu serei capaz de ver através dos vidros do carro.

Impressões digitais de mãos e pés, lambidelas e sinais de patas de cachorro (ninguém sabe como) não existirão.
O banco traseiro não ficará em completa desordem, não nos sentaremos mais em cima de pedrinhas e lápis de cor,
o tanque de combustível estará sempre cheio
e não terei de limpar mais uma vez (que alívio!) a sujeira do cachorro.


UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, poderemos voltar a conversar normalmente, isto é, conversar como qualquer pessoa normal.

As frases não serão intercaladas de palavras grosseiras. ”Legal!” será uma expressão em desuso.
Não haverá batidas na porta da casa de banho acompanhadas de “Ande depressa, estou aflito!” e “É a minha vez” não necessitará da presença de um árbitro.
E aquele artigo de revista será lido sem interrupções e, depois, discutido longamente, sem que o pai e a mãe tenham de se esconder no sótão para terminar a conversa.

UM DIA, QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, não vamos mais precisar de correr atrás do rolo de papel higiénico.

A minha esposa não vai perder as chaves.
Não esqueceremos a porta do frigorífico aberta.
Eu não vou ter de inventar novas maneiras para desviar a atenção das máquinas que vendem pastilhas elásticas...
nem ter de responder à pergunta “Papá, não é pecado você dirigir a 75 quilómetros por hora quando a placa diz que o limite é de 55?”...
nem de prometer que vou dar um beijo de boa-noite no coelho...
nem ter de ficar acordado até altas horas da noite esperando a chegada deles...
nem ter de pedir licença para falar durante o jantar...
nem ter de suportar socos de brincadeira, mas que são realmente dolorosos.


SIM, UM DIA QUANDO AS CRIANÇAS CRESCEREM, as coisas vão ser bem diferentes.

Elas começarão a partir, uma após a outra, e a casa voltará a ficar em ordem e talvez até com um toque de elegância.
O tinir da porcelana e da prata será ouvido em ocasiões especiais.
O som do fogo crepitando na lareira ecoará por toda a casa.
O telefone estará estranhamente mudo.
A casa estará sossegada... Calma... Sempre limpa...

E vazia...

E passaremos o tempo a aguardar a chegada de UM DIA mas lembrando-nos do ONTEM.
E pensando: “Talvez nós possamos cuidar dos netos para que esta casa volte a ter vida!”


Charles R. Swindoll in Histórias para o Coração


quarta-feira, 20 de julho de 2011

LEAL  ATÉ  AO  FIM



No  Primeiro  Filho  de  Saúl  -  Jónatas  -  vemos  um  Amigo  Perfeito  e  um  Filho  Modelo


Jónatas sobressai entre os personagens dos tempos bíblicos. O filho mais velho de Saúl, educado como um príncipe, aparece, primeiramente, nas Escrituras como vice-comandante dos exércitos de Israel. No segundo ano do reinado de Saúl, os Filisteus, zangados por causa do ataque de Jónatas à sua guarnição em Gibea, juntaram o seu exército em Micmas (ver I Samuel 13).

Os Filisteus mostravam grande confiança. Tinham armas de ferro, com 3000 carros de combate, e ocupavam uma colina sobranceira a um profundo desfiladeiro. Israel ocupava a colina oposta. Mas, uma vez que a nação não tinha ferreiros, somente Saúl e Jónatas possuíam espadas genuínas - enquanto que as suas tropas desmoralizadas provavelmente carregavam maçãs, chifres de boi, e fundas.

Nesta situação desigual, entra o príncipe herdeiro Jónatas. Ele não se preocupou com a superioridade dos Filisteus ou com o tamanho reduzido do exército de Saúl. Ele disse "ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos a guarnição dos Filisteus. Porventura obrará o Senhor por nós, porque para com o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos" (I Samuel 14:1, 6).

Que fé! Ele arriscou a sua vida para salvar a sua nação, e confiou que Deus lutaria por ele. E o moço de armas de Jónatas partilhou a sua fé: "Faz tudo o que tens no coração; volta, eis-me aqui contigo, conforme ao teu coração" (verso 7).

MISSÃO PERIGOSA

Eles desceram a encosta rochosa e concordaram em como saberiam qual era a vontade de Deus: Eles mostrar-se-iam aos Filisteus. Se o inimigo dissesse: "Parai", eles esperariam; mas se o inimigo dissesse: "Subi a nós", então saberiam que Deus lhes daria a vitória (versos 8-10).

"Eis que já os hebreus saíram das cavernas em que se tinham escondido", gritaram os Filisteus à sua aproximação. "Subi a nós, e nós vo-lo ensinaremos."

Jónatas rejozijou. "Sobe atrás de mim, porque o Senhor os tem entregado na mão de Israel" (versos 11, 12).

Os dois guerreiros lutaram, e nalguns metros de terreno mataram cerca de 20 soldados.

A maior parte do exército Filisteu sabia que uma batalha feroz estava a ser lutada na frente, mas do seu ponto de observação não conseguiam ver o que se passava. Então andavam por ali, confusos ... até que aconteceu o terramoto e eles fugiram em pânico.

Da sua parte, as forças de Saúl, acampadas na encosta oposta, sentiram o terramoto, ouviram os gritos e viram o inimigo a fugir. Perseguindo-os derrotaram estrondosamente os Filisteus.

E porquê? Porque dois jovens corajosos permitiram que o Espírito de Deus os utilizasse. "Porque para com o Senhor nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos."

VENDO O REINO ESCAPAR

Noutra ocasião, Samuel enviou Saúl para destruir os Amalequitas. Não faças cativos, não tragas despojos; destrói tudo, disse o profeta.

Porquê? Porque os Amalequitas tinham enchido a sua "taça de iniquidade"; tinham ido tão longe em pecado que nem Deus podia salvá-los. Deus queria destruí-los para que não arrastassem Israel com eles.

Mas em vez de destruir tudo, Saúl guardou as mais belas ovelhas e gado, e até preservou a vida do rei para a sua parada de vitória.

A Bíblia não menciona Jónatas nesta história, mas ele deve lá ter estado. E provavelmente ficou silencioso por perto, enquanto Samuel repreendia Saúl pela desobediência e pronunciava o fim da dinastia Kish.

Como é que Jónatas se sentiu quando compreendeu que a ganância do pai tinha arruinado a sua hipótese de sucesso? A Bíblia não diz. Mas nunca descreve Jónatas a culpar o pai por ter perdido a coroa. Em vez disso, Jónatas permaneceu fiel a ele.

Foi por esta altura que Samuel procurou um rapaz pastor em Belém, ungindo-o como futuro rei de Israel. David tinha, provavelmente, 17 anos nesta altura, e Jónatas devia ter perto de 50 - pois Saúl já tinha reinado 30 anos.

TEMPO DE SILÊNCIO

Jónatas não sabia nada sobre a viagem de Samuel a Belém, ou de um rapaz destinado a tomar o seu lugar. Mas permaneceu leal a Deus e a Saúl.

Israel envolveu-se num conflito com os Filisteus em Socoh, em Judá. Mas, em vez de correr para a batalha como antes, os Filisteus desafiaram Israel para um duelo de campeões (ver I Samuel 17:1-7).

O campeão inimigo, Golias, ali estava com os seus quase 3m de altura, usando uma armadura que pesava 57kg e com uma ponta de lança com cerca de 7kg - que espectáculo!

Golias clamou: "Escolhei de entre vós, um homem que desça a mim, ( ... ) Se ele puder pelejar comigo, e me ferir, seremos vossos servos; porém, se eu o vencer, e o ferir, então sereis nossos servos e nos servireis" (versos 8 e 9).

Que oportunidade para Jónatas! Mas Jónatas não se mexeu. Onde é que estava agora a sua confiança em Deus para salvar "com muitos ou com poucos"? Tinha Jónatas perdido a coragem? Não!

Sabe, Deus queria usar Golias para lançar a carreira de David. Esta não era a luta de Jónatas, e o Espírito de Deus impressionou-o, acredito, para ficar fora deste assunto.

Jónatas estava tão próximo de Deus que sabia quando agir, e quando deixar outro fazer o trabalho.

Deus entregou Golias nas mãos de David; e a bravura do jovem pastor, a sua dedicação e confiança em Deus, ganharam-lhe um lugar no coração de Jónatas. O espírito cheio de coragem de David correspondeu ao espírito dentro do coração do príncipe. Cada um deles viu o Espírito Santo trabalhar na vida do outro. Embora em idade eles parecessem mais um pai e um filho, tornaram-se amigos para sempre.

TEMPO DE MAGNÂNIMIDADE

A apostasia de Saúl conduziu-o à doença mental, e David tocava a sua harpa para acalmar o rei. Mas quando as mulheres de Israel cantaram "Saúl feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares" (I Samuel 18:7), o rei sentiu inveja do jovem pastor, e decidiu matá-lo. Apesar da inveja de Saúl, no entanto, ele tornou David general no seu exército.

Saúl começou a perceber que Deus tinha escolhido David para o suceder, e começou a atormentá-o com a sua vingança. Duas vezes tentou pregar David à parede com a sua lança. Mandou David para as mais ferozes batalhas, esperando que ele fosse morto.

Mas David sobreviveu a cada ataque contra a sua vida, tornando-se cada vez mais famoso. Várias vezes Jónatas salvou a vida de David, e nesse esforço, quase foi vítima das mãos assassinas do pai.

Percebendo que David seria o próximo rei, Jónatas podia ter-se juntado a seu pai, Saúl, nas suas tentativas de assassinato. Mas Jónatas não considerava David como um inimigo. Os dois amavam e serviam a Deus como irmãos espirituais. De facto, em vez de lutar contra David, Jónatas fez uma aliança com ele.

Somos Um *

É tão bom ter amigos, ter alguém que nos estenda a mão
é tão ser amigo, ter alguém a quem dar atenção

Coro

É tão bom sermos dois, é tão bom sermos mais
é tão bom estar aqui entre amigos e irmãos
é tão bom tu e eu termos tanto em comum
é tão bom tu e eu em Jesus sermos um

É tão bela a amizade, é tão doce o sabor de amar
é tão grande a alegria, que me invade ao poder-te abraçar...»


Jónatas sabia que em situações competitivas, os novos reis matavam, frequentemente, as famílias do rei anterior para evitar insurreições, que poderiam ameaçar o seu poder. E supunha que David, assim que ocupasse o trono, mataria os familiares de Saúl, para que os elementos mais desleais não os usassem para os derrubar.1

Por isso, quando Jónatas prometeu avisar David dos esquemas assassinos de Saúl, o príncipe pediu a David para preservar a sua família (I Samuel 20:13-15). Eles fizeram uma aliança, a qual David honrou toda a sua vida.

Saúl passou anos a perseguir David. Jónatas disse um dia a David: "Não temas, que não te achará a mão de Saúl, meu pai; porém tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo" (I Samuel 23:17).

Como podia ele afastar-se tão humildemente? Só pela graça de Deus!

Muito aconteceu durante esses anos. Jónatas observou, em segundo plano, enquanto Saúl, seu pai, caçava David. Provavelmente viu o assassino dos sacerdotes no palácio de Gilboa, e ele sabia que tinha sido Saúl a ordenar, igualmente, o massacre das suas famílias.

Sem dúvida Saúl contou a Jónatas como David tinha poupado a vida do rei em duas ocasiões diferentes, em vez de matar "o ungido do Senhor" - relatos esses que devem ter assegurado a Jónatas que David cumpriria a aliança.

ATÉ AO FIM

Este foi o período mais fraco do reinado de Saúl. Jónatas podia ter assassinado o rei e tomado o trono, ou podia tê-lo entregue a David. Mas ele evitou essas medidas humanas. Evidentemente, ele viu o líder da nação da mesma maneira que David via, quando este disse: "O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, ao ungido do Senhor, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do Senhor" (I Samuel 24:6).

Como os Filisteus pilhavam Israel, Saúl abandonou a sua caça ao homem, contra David. As linhas de batalha formaram-se no Monte Gilboa e Saúl tremeu, vendo o enorme exército inimigo. Embora rodeado pelas suas tropas, ele sentiu-se só. Tinha repelido a sua família e os seus amigos devido às suas acções criminosas e ao seu cruel abuso.

Ninguém podia deixar de ver que o Espírito de Deus já não liderava Israel. O seu líder tinha abandonado Deus. Até o diabo esfregou as mãos quando Saúl procurou o encorajamento duma bruxa em Endor, só para 'levar um pontapé no estômago' com as notícias da sua breve morte.

Jónatas podia ter raciocinado que Deus não iria abençoar Israel através de um líder sem Deus, porquê então arriscar a sua vida? Tinha todas as desculpas humanas imagináveis para se retirar desta batalha impossível - mas não o fez. A sua lealdade para com Deus, país e rei levou-o a marchar ao lado de Saúl até ao fim.

Se Deus tivesse ordenado a Jónatas para se afastar, ele tê-lo-ia feito. Mas sem tal ordem, Jónatas serviu o seu pai lealmente até que a morte os levou a ambos.

Podemos imaginar que a lealdade de Jónatas foi em vão. Porque é que ele morreu? A Bíblia não nos diz.2 Mas a batalha de Gilboa proporcionou, certamente, o melhor momento para Jónatas morrer. Deus deixou-o descansar, suscitando David como rei de Israel.

A apostasia de Saúl e os seus últimos efeitos em Israel apresentam-se como um aviso a todos os líderes que falham em levar a sua relação com Deus a sério. Mas a lealdade de Jónatas, apesar da loucura do seu pai, dá-nos uma bela ilustração do desejo de Deus para o Seu povo - servi-l'O fielmente até ao fim.

REFERÊNCIAS

* Letra e música de Pr Pedro Esteves (postado no texto pela autora do blogue)

1. As revoltas aconteceram duas vezes durante o reinado de David: Numa primeira instância, Abner usou o filho mais novo de Saúl, Isboseth, numa tentativa de se apoderar do poder (II Samuel 2-4). Numa segunda instância, a rebelião de Absalão causou uma profunda brecha na confiança entre o filho de Jónatas, Mefiboseth, e David (talvez causada por Ziba - ler II Samuel 19:24-30), uma vez que Mefiboseth tinha parecido falhar ao rei num momento de necessidade (ler II Samuel 16:1-4).
2. Isaías 57:1, 2, dá uma pista para entendermos a razão por que as boas pessoas morrem, por vezes, antes do tempo.

Thurman C. Petty Jr., Burleson, Texas

"Um verdadeiro amigo é sempre leal, e é nos momentos difíceis que se conhecem os amigos fiéis." Provérbios 17:17

Provérbios 18:24: "Quem tem muitos amigos pode congratular-se. Mas há um Amigo mais chegado do que um irmão!" - Jesus - que "não Se envergonha em nos chamar irmãos." (Hebreus 2:11)