sexta-feira, 15 de maio de 2015

A Bíblia é um Bom Remédio Para as Crises Pessoais/Familiares


ALEGRIA  NA  PALAVRA

Principalmente  Nestes  Tempos  de  Dor,  Confusão  e  Desânimo

- Eu ouvi hoje a alegria - nos gritos de uma criança que corria atrás de bolas de sabão; no cântico cadenciado de um pardal; no jubiloso saltitar de um regato da montanha.
Eu vi hoje a alegria - nos olhos brilhantes de uma jovem noiva; no abanar da cauda de um cachorrinho a dar as boas vindas ao dono; no rosto de uma menina que saltava à corda à saída da escola.
Eu senti hoje a alegria - no calor do sol, no ritmo de um cântico de louvor, no aperto contra o peito do homem a quem eu amo.
Eu encontrei hoje a alegria - nas páginas de um velho livro; na minha hora passada com a eterna Palavra de Deus; na presença d'Aquele que é a fonte de toda a alegria.
No meu encontro desta manhã com Cristo nas Escrituras, eu encontrei "abundâncias de alegria" - calor, vivacidade, música, riso, luz do sol, rosas e um infinito de possibilidades. O meu coração cantou, os meus olhos dançaram, e a minha voz vibrou em cânticos de louvor.
Minha era a alegria, captada num momento com o Senhor, na Sua Palavra.

- Rita Armstrong é outra pessoa que encontrou a alegria na Palavra. Ela tinha vivido numa montanha russa emocional durante a maior parte da sua vida. Disfarçava a sua infelicidade, mas sentia-se muitas vezes desanimada. Então, um dia, dedicou algumas horas a meditar sobre a Palavra de Deus, o Seu poder e o Seu amor. Recordou a certeza que tivera em criança de que Jesus a amava e, depois, pensou no Céu e na alegria que havia de sentir quando estivesse finalmente na presença de Deus. Lembrou-se das palavras de Hebreus 13:8: "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente." Jesus não pode mudar, pensou a Rita. Ele amava-me quando eu era menina, Ele vai-me amar quando eu chegar ao Céu, e Ele ama-me agora! A alegria e o amor inundaram-na. De repente, percebeu que Deus se interessava por ela - que ela era importante aos olhos de Deus! Deu um salto e dançou à volta da casa, cantando repetidamente: "Eu sou importante para Deus! Eu sou importante para Deus!"1
"Na Tua presença há abundância de alegrias." (Salmos 16:11).

- Numa certa manhã, eu acordei a sentir as tensões da vida a actuarem no meu corpo. Doíam-me as costas, a cabeça, os pés e nem sequer tinha saído ainda da cama! Pensei em tudo o que ficara por fazer na véspera, coisas que teriam agora de ser acrescentadas à minha lista do novo dia. Lamentei-me e voltei-me para o lado, mas finalmente saltei da cama. O meu coração estava apertado e o meu espírito, desanimado. Sentia-me fraca e vulnerável.
Nessa manhã, concentrei-me em Sofonias 3:17 - "O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para te salvar; Ele se deleitará em ti, com alegria; calar-Se-á por Seu amor, regozijar-se-á em ti, com júbilo." Imaginei-me pequenina, a vir ter com o meu Pai celestial para Ele me tomar nos Seus braços e dizer-me: "Ouve, Dorothy, Eu tomo conta de tudo." Pude imaginar que Ele me abraçava enquanto cantava um alegre cântico de amor para me acalmar. Senti o calor do Seu abraço e a Sua alegria trouxe-me um vigor renovado.
Depois desse encontro com a Palavra de Deus, fui capaz de passar o dia com o coração aliviado. A meio da tarde tinha dado conta dos 17 assuntos inscritos na minha lista para tratar nesse dia. Chegada a casa, preparei um refresco de limão, sentei-me no jardim a desfrutar das flores e a apanhar o sol do amor de Deus. Foi um dia alegre! Que diferença conseguira a Palavra!
"A Tua palavra foi, para mim, o gozo e alegria do meu coração." (Jeremias 15:16).

- Joyce Landorf Heatherley encontrou força e alegria na Palavra depois do seu divórcio. Na altura, ela sentira-se abandonada por toda a gente, incluindo Deus. Atordoada pela dor e incapaz de se concentrar no estudo da Bíblia ou na oração, parecia incapaz de fazer as coisas mais simples.
Um dia, ao limpar o pó a uma mesinha, pegou na sua Bíblia e deixou-a escapar por entre os dedos. Ao cair, abriu-se em Romanos 8, e os seus olhos fixaram-se nos versículos no final do capítulo: "Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (versículos 38 e 39).
Joyce pegou na Bíblia e levou-a para o piano, onde a colocou. A partir daí, todos os dias se sentava ao piano e lia, por entre lágrimas, aquelas palavras vez após vez. Meditando nelas todos os dias, recuperou a alegria e a esperança na sua vida. Sentia a amorável presença do Senhor. A alegria preenchia aqueles momentos com Deus, sentada no banco do piano, a ouvir Deus falar-lhe através da Sua Palavra.2
"A alegria do Senhor é a vossa força." (Neemias 8:10).

- Darlene Rose era missionária na Nova Guiné quando rebentou a II Guerra Mundial. Os soldados japoneses capturaram-na e ao marido e mantiveram-nos presos separadamente em campos de concentração no mato. Precisamente antes de ser milagrosamente salva soube da morte do marido.
Nessa noite, quando as luzes do campo se apagaram, ela deitou-se com o rosto na esteira, desejando um ombro amigo onde descansar a cabeça a latejar, ou alguém que a envolve-se com um braço amigo. Sentia que toda a alegria tinha desaparecido com a perda do marido e pensou que nunca mais seria capaz de sorrir. "Senhor, onde estás Tu?" Com o coração despedaçado, chorou no silêncio da noite tropical. "Vês o que eu estou a sofrer? Ligas alguma importância a isso?" Foi então que silenciosamente o Senhor lhe falou ao coração as palavras de Isaías 61:1-3: "Enviou-me a restaurar os contritos de coração... a consolar todos os tristes... A ordenar acerca dos tristes que se lhes dê ornamento por cinza, óleo de gozo por tristeza, vestido de louvor por espírito angustiado."
De tal modo real lhe pareceu a presença de Cristo que ela, em silêncio, derramou ao Seu ouvido todas as suas mágoas, apercebendo-se de que Ele registava cada palavra por ela murmurada. Ela sabia que Ele compreendia o esmagador sentimento de solidão, a dor demasiado profunda para se pronunciar. Darlene sentiu que Ele chorava com ela e Se preocupava com o seu estado. Mais tarde, ela escreveu o seguinte acerca dessa noite: "Eu ia descobrindo a consolação do Espírito Santo. Durante aquelas horas negras, adormeci. A espada da dor penetrara profundamente dentro de mim, mas Ele ungira-a com óleo."
Na manhã seguinte o rosto de Darlene irradiava a alegria interior que descobrira na presença de Cristo através da Sua Palavra.3

- Eu passei, não há muito tempo atrás, por um período de trevas. Era-me impossível suportar a dor do presente, mas não conseguia descortinar uma esperança para o futuro. Por fora, tentava sorrir; por dentro, sentia-me totalmente fragilizada, com a alma a despedaçar-se. Foi então que li Isaías 9:2 e 3: "O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz. Tu multiplicaste este povo, a alegria lhe aumentaste: todos se alegrarão perante ti."
"Senhor, vem até mim com a luz e a alegria da Tua presença," escrevi então no meu diário. "Conduz-me das trevas para a Tua luz." "Deixa-me cuidar das sombras que te envolvem," sussurrou Ele. "As sombras na minha vida são muitas, Senhor", comecei eu. E durante vários minutos anotei as minhas preocupações com o pecado, com o fracasso, com os problemas com a saúde, com os filhos, com os netos, com compromissos profissionais e com outros projectos. Confiei ao Senhor nessa manhã nove grandes motivos de preocupação. No meu diário, escrevi: "Senhor, Tu és a minha luz, a minha alegria e o meu cântico! Vem até mim, Senhor! Aquece o meu coração, alivia o meu espírito. Por favor, Senhor, preciso de Ti, preciso tanto de Ti!"
Parecia que o sol brilhava pela primeira vez em muitas semanas! Transbordante de energia e esperança, senti-me capaz de enfrentar o dia com alegria, alegria que encontrei nos momentos que dediquei a Deus e à sua Palavra. Eu tinha descoberto a verdade das palavras de Ellen White: "O homem, criado para a comunhão com Deus, só nessa comunhão encontra a sua verdadeira vida e desenvolvimento. Criado para encontrar em Deus as suas maiores alegrias, em nada mais poderá achar aquilo que tranquiliza os anseios do coraçâo e satisfaz a fome e a sede da alma. Aquele que com espírito sincero e dócil estuda a Palavra de Deus, procurando compreender as suas verdades, será levado ao contacto com o seu Autor." Educação, pp. 124, 125. E esse Autor é a fonte de toda a alegria.
"Tu multiplicaste... a alegria: todos se alegrarão em Ti." Isaías 9:3.

Já descobriu pessoalmente o segredo de uma vida cristã feliz? Dedica algum tempo todos os dias à Palavra, na presença d' Aquele que é a fonte de toda a alegria? Segundo o apóstolo João, foi para isso que a Bíblia foi escrita, para nos fazer conhecer a alegria.
"Escrevemos isto para que a nossa alegria seja perfeita." (I João 1:4, TIC).

1 - I. Howat, ed., Light in the Middle of the Tunnel (Luz a Meio do Túnel). Fern, Escócia: Christian Focus Publications, 1994, pp. 109-121.
2 - Joyce Landorf Heatherley, Unworld People (Gente que Não É do Mundo). Austin, Texas: Balcony Publishing, 1987, pp. 216-222.
3 - Darlene D. Rose, Evidence Not Seen (Evidência que se Não Vê). San Francisco: Harper Collins, 1990, pp.109-113.

Dorothy Eaton Watts é secretária associada da Divisão do Sul da Ásia em Hosur, na Índia, in Revista Adventista, A Bíblia Ainda Fala, Leituras para a Semana de Oração, Setembro 1998.

PRECIOSA  É  A  PALAVRA

ENCONTRAMOS  NA  BÍBLIA  CLAREZA  E  CONFORTO

 Walter L. Pearson
Há cerca de uns dez anos, os ladrões assaltaram uma arrecadação que tinhamos alugado temporariamente e roubaram praticamente todos os pertences da nossa família. Um pequeno pedaço de papel com a caligrafia da minha mulher foi tudo o que restou para confirmar que ali naquele lugar tinham estado todas as nossas coisas enquanto procurávamos uma casa para residir.
O prejuízo financeiro foi arrasador, mas houve perdas maiores que começaram a surgir. Entre os artigos que os ladrões pensavam que podiam vender para obter dinheiro fácil contavam-se caixas com fotografias de valor incalculável, livros e cartas pessoais. Desaparecera a nossa biblioteca, que 1evara vinte penosos anos a constituir. Ficámos sem fotografias que retratavam o desenvolvimento dos nossos filhos desde que nasceram. O mais doloroso foi que os ladrões levaram caixas com fotografias e cartas da minha mãe, que falecera quase vinte anos antes, com apenas 49 anos de idade.
A perda das recordações relacionadas com a vida da minha mãe foi arrasadora, tanto mais que eu começara a organizar papéis e fotografias na esperança de virem a ser a base de um livro a publicar. Essa esperança praticamente extinguiu-se com a perda de tanta coisa insubstituível.
Jamais esquecerei a emoção que me dominou quando, uns meses mais tarde, ao limpar uma gaveta de uma cómoda atafulhada, descobri uma carta da minha mãe. Foi uma descoberta sensacional. Embora não se tratasse de nada mais do que traços numa folha de papel, aquela carta era preciosíssima. A caligrafia dela recordava-me o que eu tinha visto nos álbuns dos velhos tempos. A sua voz tornou-se audível na minha mente, à medida que eu ia lendo, devagarinho e carinhosamente, cada uma das suas palavras.
De alguma forma, a intensidade do problema que eu atravessava diminuiu ao recordar os sábios conselhos dela e o seu grande exemplo. O poder de comunicação da minha saudosa mãe foi, naquelas circunstâncias, maior do que eu poderia imaginar. Como me trouxeram força as palavras que a minha mãe tinha escrito!
Contudo mesmo uma carta escrita por uma mãe, que tinha morrido quase duas décadas antes, reduz-se à insignificância quando comparada com o impacto da revelação de Deus encontrada na Bíblia. (A comparação com a carta da minha mãe não se enquadra perfeitamente, porque nós servimos um Salvador ressurrecto). O nosso Deus não está morto. Não nos falta comunicação do Céu, que nos chega através da oração e comunhão, mas a Bíblia representa de facto uma fonte preciosa, e em primeira mão, graças ao nosso relacionamento com o Autor, Jesus Cristo.
A minha experiência pessoal com a Palavra tem-na comprovado vez após vez como um tesouro digno de ser apreciado e partilhado, um verdadeiro motivo de alegria na minha vida. De uma forma espectacular, há alterações positivas que ocorrem na minha maneira de pensar e de viver, à medida que eu dedico tempo para ler sistematicamente a Bíblia.

UMA COLECÇÃO INCRÍVEL

A Bíblia, como carta de Alguém que nos ama muito, tem um valor incalculável, mas as suas páginas envolvem muito mais. O seu valor literário já justificava a sua leitura, mesmo que não se tivesse em conta a sua origem divina.
Que outro livro pode comprovadamente afirmar que torna mais sábios os seus leitores? É o que nos lembra o Salmo 19:8 - "Os preceitos do Senhor são rectos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e alumia os olhos" ou, como diz uma outra versão, "A lei do Senhor é perfeita e dá vida nova. Os mandamentos do Senhor são fiéis; dão sabedoria aos homens simples" (TIC). Eu já vi na realidade este processo em funcionamento. Já tive o privilégio, através dos anos, de conhecer muitos crentes mais velhos que nunca tinham tido oportunidade de estudar na escola. Não obstante, quase sem excepção, o seu temperamento, a sua maneira de falar, e até a sua fisionomia pareciam distintos e enobrecidos pela influência da Bíblia.
Que ninguém tenha dúvidas: este é um livro poderoso! Nenhum livro na história humana consegue ombrear com a vastidão e a profundidade desta Palavra:
"Em sua vasta série de estilos e assuntos, a Bíblia tem algo para interessar a todo o espírito e apelar a cada coração. Encontram-se nas suas páginas as mais antigas histórias, as mais fiéis biografias, princípios governamentais para orientação de Estados, para a direcção do lar, princípios estes que a sabedoria humana jamais igualou. Contém a mais profunda filosofia, a poesia mais doce e sublime, mais patética e apaixonada. Os escritos da Bíblia são de um valor incomensuravelmente acima das produções de qualquer autor humano, mesmo considerados sob este ponto de vista; mas de um escopo infinitamente maior, são eles sob o ponto de vista da sua relação para com o grandioso pensamento central." Orientação da Criança, p. 505.
Também não se pode passar por alto a importância da Escritura como um elo de fé na ligação com a história do povo de Deus e de milhares de vidas exemplares. As Escrituras ligam-nos à sabedoria e à experiência daqueles que permaneceram fiéis em tempos idos, transmitindo-nos a inspiração para as nossas próprias lutas.
"Por meio do estudo da Bíblia, mantemos uma conversação com patriarcas e profetas. A verdade é apresentada numa linguagem elevada, que exerce um poder fascinante sobre a mente; o pensamento ergue-se acima das coisas da terra e é levado a contemplar a glória da futura vida imortal. Que sabedoria humana se pode comparar com a grandiosidade da revelação de Deus?" Fundamentos da Educação Cristã, p. 130.

UM RECURSO DE SOBREVIVÊNCIA

A descrição que Ellen White faz da experiência de João, o autor do último livro da Bíblia, Apocalipse, na Ilha de Patmos, sempre me fascinou, pois ilustra a forma como as Escrituras conseguem trazer alegria nas circunstâncias mais desoladoras e ligação com Deus mesmo quando estamos tão sós.
Depois de ter sido espectacularmente liberto do caldeirão de óleo a ferver, João podia bem ser desculpado por qualquer rancor que sentisse face ao seu desterro. Só que essa experiência não se podia tornar numa punição para o último dos discípulos. A sua fé no Deus das Escrituras predispô-lo a estar aberto ao que Deus pudesse querer comunicar naquele lugar inóspito.
Ellen White sugere que quando João via as nuvens por cima dele, naquela ilha relativamente pequena e deserta, imaginava que elas eram as mesmas que tinham passado por cima do Templo em Jerusalém. Ele reparava nos cortes feitos na superfície vulcânica e regozijava-se na omnipotência de um Deus que podia tanto mandar às águas que cobrissem a terra como ordenar-lhes que recuassem ao Seu comando. Maravilhava-se por, mesmo naquela recortada ilhota escolhida como colónia penal pelo imperador de Roma, a autoridade divina poder controlar as águas com a ordem "Até aqui e não mais".
Em vez de dar lugar à ideia de que ele era o desprezado do Senhor, João tirava partido de todos os estímulos sensórios para se aperceber dos meios pelos quais Deus lhe manifestava ali a Sua presença e o Seu amor. As Escrituras, que tinham sido o padrão da sua vida, eram agora o seu recurso de sobrevivência e consolação. É claro que as esperanças de João não foram iludidas. Aquele pedaço de terra, que haveria de ser a sua última habitação, transformou-se virtualmente num centro de comunicações onde recebeu e registou uma visão espectacular do alcance da história humana.
Aquilo que poderia ter sido a punição máxima tornou-se a alegria suprema, quando João foi abençoado com a redacção do último livro da Bíblia. A Palavra que foi revelada a João ainda hoje é eficaz para os filhos de Deus que estão destinados a sobreviver sob as mais exigentes circunstâncias. É verdade que Deus continua a chegar até à humanidade mediante as várias avenidas sensórias, mas a principal fonte da Sua revelação continua a ser a Palavra Escrita de Deus, a Bíblia.
À medida que este planeta se vai tornando cada vez menos hospitaleiro para os filhos de Deus, e à medida que o Espírito Santo Se vai retirando daqui, a Palavra vai-se tornando cada vez mais o nosso recurso de sobrevivência neste ambiente hostil. Que glorioso privilégio nós temos, de podermos confiar nessa maravilhosa lista de promessas bíblicas, tão certas como o nascer do sol! O claro fracasso das estruturas da sociedade em dar resposta aos anseios humanos impele os crentes para a Palavra. Neste meio ambiente incerto e inseguro, precisamos de ter uma fonte reconhecida tanto de verdade como de consolação.

Há pessoas hoje em dia que parecem desejosas de limitar as implicações das Sagradas Escrituras na nossa vida. Sentem-se perturbadas pela atribuição de uma autoridade normativa ilimitada à Palavra de Deus, pelo que a reduzem a mais um dos "grandes livros" do mundo. Aceitar tal limitação é ficarmos condenados a um exílio sem o nosso maior recurso. A Palavra de Deus, tal como ela é, continua a ser o suporte de toda a nossa esperança. A Bíblia tem um significado muito grande para mim, porque, tal como aquela carta da minha mãe, perdida durante tanto tempo, ela é um precioso meio de comunicação de um Deus que me ama. E o Seu amor não me abandona, pois foi Ele que me buscou. As Escrituras edificam-me, aguçam o meu espírito e formam-me à imagem de Cristo. O meu compromisso não é apenas o de me familiarizar com este Livro precioso, mas o de amar tanto a verdade como o Senhor da verdade que ele revela.

Walter L. Pearson, Jr., é orador/director do ministério na televisão Breath of Life - 3ABN (ver Links 1R). Texto da mesma publicação já citada.

domingo, 3 de maio de 2015

Que  Doces  e  Maravilhosas  'Mães'!



Quando Deus Quer...
Este vídeo sempre me emociona. Pela história triste do artista e do seu irmãozinho. Mas sobretudo pelo amor impressionante daquelas mulheres - a 'mãe', a tia e a prima. Até apetecia estar lá também aos abraços e beijinhos. Pessoas que não precisavam de fazer nada disto... mas fazem-no! E me levam a perguntar a mim mesma: o que faço eu, em especial, pelos outros?
Há uns anos, em 1990, veio-me parar às mãos um livrinho com a história incrível de Jorge Muller, "O homem que ousou confiar nas promessas de Deus" (pode ver nos meus 2 blogs a 19.03.2012), e não pude ficar indiferente. E acredito também firmemente, que com Deus, sim, com Ele, conseguiremos fazer o impossível! Senti então um grande desejo de fazer algo mais, talvez também para crianças órfãs, abandonadas, abusadas. Ainda saí uma tarde com o meu marido à procura de um edifício apropriado.
Mas como sou médica, pensei melhor e achei que deveria fazer antes algo na área da Saúde, um trabalho de voluntariado e gratuito, especialmente na área da Prevenção da Doença. O trabalho de um médico não é só curar, tratar ou mesmo cuidar. É mais do que isso: Educar. "Educação Para a Saúde" - é um objetivo dos Ministérios da Saúde e da Educação. "É melhor ensinar a pescar do que dar o peixe". Há uma prevenção primária, mas também secundária, terciária, etc. Deus dá sempre outra oportunidade. Louvado seja! "Oxalá os doentes queiram!..." como me disse um dia, a Diretora do centro de saúde naquela altura, ao saber do meu projeto, e com muita razão. "Acha que as pessoas querem mudar as suas ideias e hábitos?..." Compreendo-a, mas quero acreditar que sim, depois de perceberem que é para melhor.

Só que cometi um erro... tentar formar um grupo. Queria apenas partilhar com outros as alegrias que teríamos, e não trazer-lhes deveres nem compromissos. E por ser algo de tanta responsabilidade combinei com Deus um sinal. Assim apareceram essas pessoas, escolhidas por Ele. Ainda o creio!
Infelizmente há sempre um outro lado... e um dia em Coimbra, na penúltima reunião, percebi que tinha mesmo de desistir. Mas pouco tempo passou para, mais uma vez, saber que a minha ideia não era assim tão tola pois aqui mostro abaixo um outro exemplo de algo feito noutro país, nos mesmos 'moldes' de Jorge Muller, uns anos mais tarde. Pergunto: porque não nos nossos dias? Quem sabe as pessoas estejam mesmo a precisar disso, com cada vez mais descrença no mundo, vergonha de se assumirem como cristãos, e falta de confiança em Deus...
Estive triste durante muito tempo, confesso, e até com algum peso de consciência porque incomodei muita gente para nada. Sei que tenho limitações mas também sei, pela fé e porque já tive a prova, que Deus pode capacitar, se nós quisermos.

Mas como ainda acontece em muitas histórias reais... surgiu um final feliz. O nosso Maior Amigo, que muito nos ama e aceita toda a gente, achou um dia, que era altura de intervir e me alegrar. Enviou uma pessoa (novamente a última que eu acharia possível... que interessante!) e ofereceu-me algo que eu nem sonhava que existia - BLOGS! E essa pessoa dizia até para me convencer, porque eu resistia fortemente: "Neles tu escreves o que quiseres partilhar, essas mensagens estão sempre lá, podem ser lidas por muitas pessoas, e em todo o mundo." Poderia eu desejar algo melhor? Com muito menos trabalho? Na minha própria casa? Sem incomodar ninguém? Sem preocupações? E sem prescindir de um ordenado certo?... Ainda não acredito!!!
E Deus ainda fez mais! Como sabia que eu nunca estudei informática, ofereceu-me até o Professor (essa mesma pessoa que o tem sido até hoje), com tudo bem explicadinho. Escrito, para ser melhor. E ainda enviado por mail já que não há tempo no centro, nem lugar para as lições! Não é um milagre? Isto tem preço?! Já falei dele aqui e lhe agradeci no final da mensagem de Meditação para a Saúde - 21.09.2012, mas volto a agradecer ao meu Colega, e amigo, o Médico Coordenador da Unidade de Saúde onde trabalho, que tem a paciência de me vir a ensinar este trabalho/hobby, já há alguns anos. E ainda continua a ajudar sempre que preciso. E faz mais! Motivar-me e querer que eu faça neles ainda mais funcionalidades, mas, não, não tenho tempo... (embora já cá tenha em casa as lições).
Estou assim muito feliz porque pela Net posso realizar esse sonho de ajudar as pessoas na sua Saúde Total - Físico e Mente, através das postagens, transcritas de vários autores, e dos links nos blogs. Termino perguntando: Como posso deixar de ser uma apaixonada pelo Pai Celestial, que tudo nos dá, das mais pequenas às grandes coisas, e desejar um dia o Verdadeiro Paraíso para estar para sempre junto d'Ele?... Edite Esteves.



     
(clique em cima das imagens)

IMAGINE UM MUNDO SEM CRISTIANISMO!

Imagine. "Imagine que não há Céu... ", cantava John Lennon, "e que também não há religião". A mensagem implícita de Lennon é a de que o mundo estaria melhor sem ambos.
Errado! O Cristianismo mudou o mundo de modo dramático e positivo. Por exemplo, sem o Cristianismo, seríamos lançados de volta para um mundo sem um leque amplo de liberdades individuais, sem hospitais, sociedades caritativas e avanços científicos.
Limitar o impacto do Cristianismo a uma espécie de experiência mística, pessoal e religiosa é interpretar mal os dois mil anos de História passada. A vida e os ensinos de Jesus revolucionaram o nosso modo de pensar acerca de Deus e também revolucionaram o modo como pensamos acerca do nosso mundo.
No seu livro Como o Cristianismo Mudou o Mundo, Alvin Schmidt enumera 15 mudanças que o Cristianismo trouxe ao nosso mundo. A seguir iremos abordar apenas quatro.

1. Avanços Científicos
Durante os primeiros mil e duzentos anos do Cristianismo, o progresso científico foi limitado de duas maneiras pela aceitação geral do pensamento grego de Aristóteles. Primeiro, Aristóteles ensinava que o conhecimento advinha de um processo dedutivo realizado pela mente e não através da experimentação. Segundo, ele sustentava uma mundividência panteísta, em que os supostos deuses estavam presentes na Natureza e a controlavam, bem como a todo o Universo.
O Cristianismo e o Judaísmo, por outro lado, ensinavam que existe apenas um Deus, um Ser Racional, O Qual criou seres humanos inteligentes que têm a capacidade de refletir sobre o seu mundo e realizar descobertas acerca dele. Por outras palavras, deveria ser possível aos seres humanos, criados à imagem de Deus, investigar o seu mundo através de um processo racional.
Isto levou, no século XIII, o bispo franciscano e primeiro Chanceler da Universidade de Oxford, Robert Grosseteste, a propor um método indutivo e experimental para a investigação científica.
Este não foi imediatamente aceite nessa data, porque, embora os Cristãos pretendessem que Deus era o Criador e que Ele existia separado da Sua Criação, a maioria via-O envolvido com a Natureza de um modo virtualmente panteísta.
Cerca de três séculos mais tarde, quando Francis Bacon começou a registar os resultados das suas experiências, a metodologia científica começou a ser mais amplamente aceite. Bacon era um cristão devoto, que dedicou tempo à teologia e escreveu sobre os Salmos e sobre a oração.
Durante este período, os maiores cientistas da Europa Ocidental explicavam a sua motivação para a realização de investigação científica em termos religiosos.
Foi apenas durante o século dezoito que a Ciência começou a trabalhar sem o pressuposto de Deus.

2. Liberdade Para as Mulheres

No tempo de Jesus, as mulheres tinham poucos direitos. A mulher comum ateniense tinha o estatuto social de um escravo. As mulheres romanas tinham mais liberdade, mas, ainda assim, não tinham nenhum dos direitos dos seus maridos. Às mulheres judias não era permitido falar em público ou participar plenamente na sinagoga ou nos serviços do Templo.
Embora nem Jesus, nem os apóstolos, tenham promovido um movimento feminista, a mensagem que eles apresentaram teve efeitos revolucionários. Os Cristãos primitivos deram às mulheres um lugar na vida da Igreja e, por sua vez, elas tornaram-se evangelistas ardentes em favor da causa. Um bispo chamado Crisóstomo, do século quarto, escreveu: "As mulheres naqueles dias (da Igreja Primitiva) possuíam mais espírito do que os homens."
Isto durou cerca de duzentos anos, até que práticas anteriores se infiltraram de novo na Igreja. Apesar disto, o Cristianismo trouxe um número de mudanças duradouras e significativas. Meio século após a legalização do Cristianismo no Império Romano (313 d.C.), o Imperador Valentiniano I anulou uma lei com mil anos, designada patria potestas (poder paterno), que dava aos maridos e aos pais o poder de vida e de morte sobre as suas mulheres e famílias.
As mulheres cristãs também se casavam mais tarde do que as mulheres romanas (as quais podiam ser casadas com 11 ou 12 anos) e dava-se-lhes a liberdade de escolher o seu próprio marido - uma liberdade que é, agora, uma parte aceite da nossa cultura Ocidental.

3. Liberdade Para os Escravos

A abolição da escravatura no Império Britânico, em 1833, fez soar o toque de finados da escravatura no mundo ocidental. O líder deste movimento abolicionista, William Wilberforce, era também o líder de um grupo de parlamentares cristãos que persuadiram o Parlamento britânico a abolir a escravatura. E ele deu graças a Deus por esta vitória. Em África, o missionário cristão e explorador David Livingstone trabalhou incansavelmente para pôr fim ao tráfico de escravos por parte de todas as nações.
O que é menos conhecido é que, para a Grã-Bretanha, a escravatura tenha tido um reavivamento no século dezassete, depois de ter sido ilegalizada por um concílio da Igreja, em Londres, em 1102.
Os primeiros Cristãos não tinham dúvidas acerca da escravatura. Afinal, o apóstolo Paulo declarou que, para aqueles que estão em Cristo, não há judeu nem grego, escravo ou livre (Gálatas 3:28). Os Cristãos interagiam com os escravos, tal como com aqueles que eram livres. Os escravos cristãos e os senhores cristãos celebravam a Ceia do Senhor na mesma mesa de Comunhão.
Isto acontecia numa época em que 75% da população ateniense e mais de metade da população romana era constituída por escravos. Os Romanos desprezavam os escravos e o filósofo grego Aristóteles descrevia um escravo como "uma ferramenta viva; tal como uma ferramenta é um escravo inanimado".
Em muitos casos, os primeiros Cristãos libertavam escravos, às vezes na presença de um bispo. Não se sabe quantos foram assim libertados, mas existem registos de mais de oito mil escravos a quem foi dada a liberdade, uma ação que nem sempre era legal e que, por vezes, implicava um risco de morte. Crisóstomo pregou a ideia de que, quando Jesus veio, Ele anulou a escravatura.
Infelizmente, o Cristianismo nem sempre permaneceu firme nesta convicção, voltando à prática da escravatura. Assim, indivíduos como Wilberforce deram início ao movimento moderno contra o mal (e a vergonha! E.E.) que era a escravatura.

4. Cuidados Médicos de Saúde

A compaixão humana, especialmente pelos doentes e moribundos, era rara entre os Gregos e os Romanos do primeiro século. "O velho mundo romano era um mundo sem caridade", nota o historiador Philip Schaff. Pouco havia que se assemelhasse a um hospital e, certamente, nada havia que servisse a população geral em termos de cuidados de saúde.
Entram então em cena os Cristãos, motivados pelos ensinos de Jesus para cuidarem dos doentes. Eles até prometiam uma vida após a morte num lugar chamado Céu! Dionísio, um bispo do terceiro século, descreve uma peste em Alexandria, em que os pagãos punham os doentes de parte nas estradas públicas, meio mortos, e deixavam-nos por sepultar quando morriam.
Em contraste com isto, ele conta como os Cristãos visitavam os doentes, os tratavam e, mesmo, como alguns Cristãos, morriam "plenos de alegria" neste serviço beneficente.
Este era um trabalho perigoso, mas nem sempre devido à ameaça da doença. Benignus de Dijon (segundo século) foi executado, porque ousava ajudar todos os que tinham doenças físicas. Ele cuidava de aleijados e crianças deformadas e salvava os bebés que, após abortos falhados, eram deixados do lado de fora da porta para morrerem por exposição ao clima inclemente.
A perseguição frequente aos Cristãos, durante os primeiros três séculos, limitou a ajuda que eles podiam dar aos doentes. No entanto, passados poucos anos da aceitação oficial do Cristianismo no Império Romano, os líderes da Igreja, reunidos no Concílio de Niceia (325 d.C.), decidiram que todas as cidades com uma catedral deveriam estabelecer um hospício. O primeiro verdadeiro hospital foi construído em Cesareia da Capadócia (hoje, na Turquia) em 369 d.C. Os muçulmanos árabes construíram os primeiros hospitais não-Cristãos quatrocentos anos depois.


Duas questões:
1ª - Teriam estes quatro tipos de coisas sido desenvolvidos através da descoberta, por mentes inquisitivas e reflexivas, de novos conceitos e pela implementação de políticas humanitárias? Talvez, mas eles não se tinham desenvolvido no período anterior à chegada em cena do Cristianismo. O Cristianismo forneceu a filosofia e a força motivadora que levaram ao florescimento destes avanços científicos e humanitários.

2ª - Não tem tido o Cristianismo, também, um impacto negativo? Infelizmente, ele tem-no tido frequentemente. E cada um desses incidentes ilustra o que acontece quando os seguidores de Cristo falham em segui-l'O em atitude e ação - ou em ambas... Isso é trágico. No entanto, isto não nega o irresistível bem que o Cristianismo trouxe ao nosso mundo. "Imagina que não há Céu... e que também não há religião", canta Lennon. Se ele tivesse o seu desejo realizado e o Cristianismo nunca tivesse surgido, o nosso mundo seria um lugar bem sombrio.    Apenas imagine!

Bruce Manners, escritor australiano e editor, recebeu o seu 6º prémio, em 2002, Prémio Ponte para a Comunicação, um prémio que reconhece elevados padrões profissionais entre os comunicadores adventistas do sétimo dia, in Sinais dos Tempos nº 124, 2013.

Haveria  Nesse  Mundo  Sombrio  Este  Doce  Amor?



A Música do Mundo Melhor, Mas Sem Paraíso

Um repórter americano embarca de volta para os EUA quando o regime sanguinário do ditador Pol Pot passa a perseguir e matar todos os opositores. Seu amigo cambojano é preso e forçado a entrar no sistema de reeducação do novo governo.
Esse é o enredo do filme Os Gritos do Silêncio (1984), no qual há uma cena que comoveu meio mundo. É quando o filme quer passar a mensagem de que a insanidade bélica pode ser curada por meio da fraternidade entre as pessoas. Parece um sonho, mas se todos se unirem, o mundo poderá viver sem divisões, como se fosse realmente um. Eu também gostaria que fosse assim. E o John Lennon também. É dele a bonita canção que o filme faz tocar: "Imagine".
Só há um problema. Não com a tocante melodia da música. Não com as boas intenções do filme ou do compositor. A questão é outra e talvez tenha passado despercebida para o diretor do filme, para o responsável pela trilha sonora e para nós espectadores.
A letra de Lennon almeja um mundo sem ambição, cobiça, egoísmo. Sem o imperialismo assassino, sem os motivos torpes para matar e também sem motivos pelos quais morrer (nothing to kill or die for, diz a letra).
"Imagine que não exista nenhum paraíso, é fácil se você tentar; imagine que não há inferno e que acima de nós exista só o céu (o espacial)". John Lennon devia ter em mente a intolerância e a violência de sistemas religiosos que mataram em nome de Deus e de Alá, pois mais à frente a letra da canção diz: "Imagine que não há mais religião".
Nos anos 70, o Lennon vivia uma fase família (sua canção "Woman" é uma linda declaração de amor à mulher) pacífica e pacifista. Mas ele imaginava um mundo sem religião alguma, ou sem um certo tipo de religioso? Não sei dizer ao certo.
Quanto ao filme, percebo que seu diretor, pretendendo usar a canção "Imagine" por seu simbolismo de paz, acaba se contradizendo, já que ao denunciar o sistema antirreligião de Pol Pot, usa uma música que imagina um mundo de paz, mas também sem religião. E o regime de terror de Pol Pot preconizava um mundo sem Deus e sem religião. E que matava em nome de Deus nenhum.
As cenas de "reeducação" dos prisioneiros do governo cambojano no filme mostram a tentativa de extirpar da mente das pessoas a ideia de qualquer religião. O comunismo soviético agiu da mesma forma. Quiseram sair da religião para entrar na história. Mas entraram na história da violência, do campo de concentração, da repressão facínora.
A canção de Lennon é querida por muita gente e tem uma legítima intenção pacifista. Porém, escritores ateus como Sam Harris e Richard Dawkins também imaginam um mundo sem religião. Ao criticar as religiões como um mal ao mundo, eles poderiam ser lembrados de que os regimes políticos que almejaram um mundo sem religião e sem religiosos, não só lhes tiraram a liberdade de culto (e de ideologia política) como também lhes tiraram a vida.
O cristianismo prediz um paraíso no céu e não na terra. Até porque, por aqui, ele é muitas vezes tratado como balcão de negócios, como tribunal de censura, como cartola para mágicos da fé. E, francamente, isso não é culpa de nenhum crente. Já o comunismo lutava para ver a classe operária chegando ao paraíso das conquistas sociais. O capitalismo se contenta em ver todas as classes chegando ao paraíso das compras. O ateísmo gostaria de chegar a um paraíso sem Paraíso.

Extraído do blog nota na pauta, de Joêzer Mendonça, doutorado em Musicologia pela Unesp, Brasil, postado a 22 de junho 2012.


PRÍNCIPES  E  PRINCESAS  DE  UM  OUTRO  REINO

"O próprio Espírito testifica... que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo." Romanos 8:16, 17

Conta-se que há muitos anos, num determinado país, vivia uma família real. Tudo corria bem até ao dia em que houve uma revolução e o rei e a rainha foram condenados à morte. Antes de serem presos, os pais tiveram a oportunidade de dar um último conselho ao filho, que era ainda muito pequeno: "Meu filho, nunca te esqueças que és filho de um rei!"
O rapazinho acabou por ser adoptado por uma família cristã. Apesar de incógnito, nunca esqueceu a sua origem real. Era obediente, simpático e respeitava as pessoas. Todos admiravam o seu porte elegante e a sua boa educação.
Um dia, a professora chamou-o à parte e elogiou-o pelo seu bom comportamento. Pedindo segredo absoluto, ele disse: "Professora, eu sou filho de um rei!"
Nós também somos filhos e filhas de um Rei - o "Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Apocalipse 19:16). Quando penso nisso estremeço perante a grandeza deste facto!

Como Mãe, será que reconheço a importância da minha responsabilidade de educar e preparar os meus filhos, "os príncipes" herdeiros do Reino Celestial?
Ou será que os deveres e as preocupações de cada dia me fazem perder de vista aquilo que realmente importa - o Céu?
"Os filhos são postos ao nosso cuidado para serem ensinados, não como herdeiros do trono de um reino terrestre, mas como reis para Deus, a fim de reinarem pelos séculos intermináveis." - Ellen White, O Lar Adventista, pág. 238.
"É provável que o mundo em geral nunca aprecie devidamente o esforço efectuado para desempenhar a paternidade e maternidade com responsabilidade. Mas, no Juízo Final, o trabalho aparecerá na forma como Deus o vê, e Ele recompensará em público os pais que prepararam os seus filhos para o Reino dos Céus."
- Nancy van Pelt, psicóloga e escritora cristã.

Quanta atenção e cuidado devemos dispensar na preparação dos nossos príncipes e das nossas princesas! Felizmente, não estamos sozinhos neste trabalho: "Porque Eu, o Senhor teu Deus, te tomo pela tua mão direita, e te digo: 'Não temas, que Eu te ajudo'" (Isaías 41:13).
"Cristo deixou as cortes reais ... para nos ensinar, com o Seu exemplo, a maneira como podemos ser elevados à posição de filhos e filhas da família real, filhos do Rei Celeste." - Ellen White, Fundamentos da Educação Cristã, pp. 140-142.
Que maravilha! O próprio Rei do Universo está disposto a ajudar-nos!
Que em breve possamos exclamar, felizes, diante do trono de Deus: "Eis-nos aqui, Senhor, com os filhos que Tu nos deste"
(Isaías 8:18).


Débora Ferreira in Meditações Matinais - Nós, A Igreja, (Igreja Adventista do 7º Dia), Publicadora SerVir, Portugal, 2010.

Para as Mães, O MELHOR Presente: JESUS!


MEU PÃO, MINHA LUZ

Ao entrar no Teu Santo Lugar, me espanto que me posso aproximar
Para ver Tua glória e Tua beleza, e adorar-Te em intimidade.
Em confiança eu posso me aproximar, da Tua mesa quero participar,
Tudo o que posso fazer é prostrar-me, e com meus lábios proclamar:

Meu Pão, minha Luz, minha Oração, és Tu, Jesus!
Meu Deus, meu Amor e minha Canção, és Tu Jesus, SÓ TU!


ME  CUIDAS,  ME  ABRAÇAS,  ME  ENCANTAS,  ME  AMAS.
Tu és meu Pão, minha adoração sempre serás Tu Senhor, sempre o serás.
AMÉN!

Quão mais bonita é esta música e a sua letra!!! Ela eleva-nos ao Céu, ao Paraíso. Enquanto a letra da outra afunda-nos ainda mais.
Mas tenho pena de John Lennon porque ele não procurou a Verdade, a única que nos Liberta e traz Alegria e Paz!
E "conhecerão a Verdade e ela vos tornará homens livres." João 8:32.
Jesus é o Melhor Presente que podemos dar a alguém para se sentir - 'A Pessoa Mais Feliz do Mundo'.
Por exemplo: à sua Mãe! E.E.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

CONVITE  ESPECIAL


Convido todas as pessoas que vivem no Cacém, perto do Cacém ou até longe do Cacém (porque não?...)
a visitarem nos dias 1, 2 e 3 de maio o Centro Comercial Satélite, bem perto da Estação da CP.

Vão ter uma agradável surpresa de muito Boas Dicas para desfrutarem de melhor
Saúde - Física e Mental - e mais Anos de Vida!

Ateliers, Conferências, e ofertas...
com muito amor, alegria, simpatia, sorrisos, e ainda bom humor.

Aproveite!... Porque não vai acontecer todos os dias, nem todos os meses,
nem todos os anos!

NÃO FALTE! Foi tudo preparado, carinhosamente, a pensar em Si!



Pode ver mais em Links 4LS - Expo Saúde

terça-feira, 7 de abril de 2015

AS GRANDES DORES DOS GRANDES MÉDICOS.
Porque Nem Sempre É Fácil...


NUNO LOBO ANTUNES - "VIVO  COM  A  MEDICINA  DESDE  QUE  ME  CONHEÇO"

A propósito da publicação do livro "Sinto Muito", Nuno Lobo Antunes recebeu-nos no seu gabinete do CADIn
(Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil)
e concedeu-nos uma entrevista em que a emoção esteve à flor da pele.


Dica da Semana - Dentro do campo da Neurologia, o que é que o fez optar pela NeuroOncologia Pediátrica?
Nuno Lobo Antunes - Sempre quis seguir Pediatria. Depois, por razões de ordem familiar e de exposição à Neurologia, achei que fazia sentido juntar a Pediatria e a Neurologia. Decidi então ser NeuroPediatra, pelo que fui para os Estados Unidos. Alguns anos depois regressei a Portugal como consultor no IPO, onde exercia Neurologia Pediátrica, e nessa altura senti necessidade de adquirir uma competência especial no campo da NeuroOncologia, que se começava a desenhar como uma especialidade, que exigia um conhecimento muito aprofundado que eu não tinha. Por outro lado, tinha vontade de fazer uma tese de doutoramento e sobretudo, tinha noção de que em Portugal estava a estagnar em termos profissionais, ou seja, era altura de sair novamente do país.

DS - Quando decidiu enveredar por essa área pensou, em algum momento, na dor com que teria de lidar?
NLA - Não, até porque a Neurologia Pediátrica em si mesma já é uma especialidade difícil do ponto de vista da digestão emocional. Por outro lado, para mim, um dos aspectos interessantes do cancro é o facto de ser um inimigo visível, ou seja, através dos exames de imagem é algo fácil de identificar, tem massa, tem volume, tem forma, quase que tem um temperamento.

DS - O momento de confrontar os pais com a doença de um filho é um dos momentos mais complicados da sua profissão, mas de acordo com o que descreve no livro "Sinto Muito" não é o único.
NLA - Conjugar a verdade que os doentes e os pais merecem com a dor que essa verdade inflige é sempre um momento complicado, em que o equilíbrio nem sempre é fácil. Do meu ponto de vista, os doentes e os pais merecem a verdade acima de tudo, embora nem sempre a aceitem e nem sempre apreciem que ela lhes seja dita. No entanto, estes são apenas momentos curtos, difícil mesmo é o acompanhamento das famílias durante o período em que têm de conviver com a doença.

DS - A determinada altura do livro diz que "não há boas maneiras de se darem más notídas, embora existem umas melhores do que outras". Isso é algo que se aprende com a experiência?
NLA - Hoje em dia ainda não sei se o sei fazer bem. E sempre mais fácil ao médico ocultar um factor negativo, o que inicialmente até pode deixar a família mais grata, mas temo que a prazo não seja essa a melhor resposta. Por isso, mantenho firme a minha convicção de que alguém que recorre a um médico precisa de saber dele aquilo que é provável que vá acontecer, qual será o rumo dos acontecimentos e o que é que está implícito no diagnóstico.

DS - Porque é que a história da Jennifer, a quem dedica uma crónica neste livro, o marcou tanto?

NLA - A verdade é que há doentes com quem temos mais empatia, o que não quer dizer que essas diferenças afectivas se repercutam na qualidade dos cuidados prestados. No caso da Jennifer, havia de facto uma ligação afectiva muito grande entre nós. Com apenas 20 anos de idade aquela rapariga teve de enfrentar um dilema monstruoso: ou fazia um transplante e tinha 20% de probabilidade de morrer, ou não fazia nada e continuava a viver normalmente durante pelo menos mais dois anos. Ela optou pela 1ª hipótese e acabou por morrer, desfigurada, no meio de um sofrimento intenso... (pausa). Além disso, o facto de terem sido os pais dela a darem-me força num momento em que tinham perdido muito mais do que eu, também me marcou bastante. Durante muito tempo tive a fotografia dela no monitor do meu computador, para me lembrar todos os dias porque é que faço o que faço.

DS - É por isso que essa é a única crónica do livro que termina com a palavra "desculpa"?
NLA - Confesso que não tinha reparado nisso... (pausa). Essa foi a última história que escrevi para o livro, porque queria contá-la de uma forma que não a desmerecesse e não sabia se era capaz o fazer... (pausa). Acima de tudo esse foi um final sentido, porque este é um livro genuíno, não tem nada de artificial. Aquilo que lá está é um homem descarnado das suas experiências.

DS - É verdade que quando o terminou se sentiu mais leve e mais livre?
NLA - No tempo em que eu me confessava, quando saía de lá sentia-me renascido. Foi precisamente assim que me senti depois de ter escrito este livro, renascido e liberto. Além disso, não é fácil escrever-se um livro quando se é irmão do António Lobo Antunes. Por isso escrever este livro, foi também um acto de coragem. Aliás, quando estava a escrever disse ao António que aprecio muito mais os escritores agora.

DS - Se não tivesse ido para os Estados Unidos acha que seria o médico que é hoje?
NLA - Seguramente que não. Ter passado pelos melhores hospitais de Nova Iorque foi uma escola extraordinária e uma experiência formadora insubstituível. Não saberia o que sei e não teria a postura que tenho se não tivesse tido essa experiência.

DS - Ser "o filho do professor" e "o irmão do professor" foi um aspecto que pesou na sua decisão de ir para os Estados Unidos?
NLA - Esse meu ascendente familiar também teve vantagens evidentes que não podem ser escamoteadas. Para começar, vantagens do ponto de vista académico e cultural. Vivo com a Medicina desde que me conheço, pelo que tinha, à partida, vantagens óbvias sobre os meus colegas ao nível da competição académica. Por outro lado, é óptimo viver-se e crescer-se num meio de pessoas tão especiais e excepcionais, mas sendo eu o 5º irmão, senti necessidade de perceber quem eu era, independentemente do meu nome de família e de todas essas vantagens. A ida para os Estados Unidos serviu, de alguma forma, para clarificar as coisas e dar-me alguma tranquilidade em relação a quem sou e ao que sou capaz de fazer.

Entrevista da Dica da Semana de 18 de Dezembro de 2008, por M. J. F.
Nascido em Lisboa a 10 de Maio de 1954, Nuno Lobo Antunes cresceu no seio de uma família que ele próprio considera "notável" e onde a Medicina esteve sempre presente, ou não fosse ele filho do neurologista João Alfredo Lobo Antunes. "Desde que me lembro de ter pensado a sério numa profissão que quis ser médico. Gostava dos cheiros, das batas e da forma respeitosa como o meu pai era tratado", relembra. No entanto, seguir medicina não era um destino inevitável no seio da família Lobo Antunes. Para além de Nuno, o penúltimo de 6 irmãos, só João, o segundo filho do professor, sequiu as pisadas do pai. O filho mais velho, António, encontrou na Literatura a sua vocação profissional e há ainda dois juristas e um arquitecto. Quanto a Nuno, licenciou-se em 1977 na Faculdade de Medicina de Lisboa e depois de um internato nos Hospitais Civis de Lisboa e de uma "peregrinação", como ele próprio lhe chama, pela província, emigrou para os Estados Unidos, em busca da sua identidade pessoal e profissional, uma experiência ímpar, que fez dele o homem e o médico que é hoje em dia. Actualmente é Director Médico e Coordenador das áreas de NeuroDesenvolvimento e Neurologia do CADIn (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil), para além de Consultor de NeuroPediatria do Serviço de Pediatria do Hospital Fernando da Fonseca e Consultor de Neurologia Pediátrica do Instituto Português de Oncoloqia (IPO) de Lisboa. Aos 54 anos de idade sentiu necessidade de revelar o homem por detrás do médico e para isso escreveu o livro "Sinto Muito", onde se revela sem receios. Como se pode ler na sinopse da obra "há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito. Este é um livro de confissões".

BEN CARSON - O NEURO-CIRURGIÃO PEDIÁTRICO DE FAMA MUNDIAL


     A mãe e o pai que estavam de pé diante de mim não podiam acreditar que não havia esperança para o seu filho de quatro anos de idade.
     Tinham-no trazido ao Hospital Johns Hopkins desde o seu lar na Geórgia, onde se lhe havia diagnosticado um tumor maligno do bolbo raquidiano, através do qual circulam todos os impulsos cerebrais. O louro pequenito estava paralisado e em coma, os seus olhos azuis moviam-se de um lado para o outro, mas sem nada verem.
     Sofri com os pais. Também eu tinha três filhos pequenos. Havia estudado, porém, as radiografias que revelavam o tumor, negro e horrível, e tinha-as discutido com os radiologistas e outros médicos.
     "Tenho muita pena, Sr. e Sra. Pylant - disse-lhes - mas não lhes podemos oferecer nenhuma esperança."
     O queixo da mãe tremeu. "Isso foi o que nos disseram na Geórgia, doutor, mas o Senhor indicou-nos que devíamos trazer o Cristóvão a Baltimore porque havia aqui um médico que podia ajudá-lo. Acreditamos que o senhor é esse médico."
     - Mas, eu...
     - Não é a vontade de Deus que o nosso filho morra, doutor - interrompeu o pai. Poderia operá-lo, por favor?
     Em presença desta fé, que podia eu dizer?
     - Farei o melhor que possa - foi a minha resposta.

     Na manhã seguinte, depois da minha leitura diária da Bíblia, orei a Deus e pedi-Lhe que me guiasse as mãos e a mente na complicada operação que devia efectuar. Ao fazê-lo pensei em todas as coisas maravilhosas que Ele havia operado na minha vida desde a minha infância nos bairros pobres de Detroit.
     Recordei os dias em que a minha mãe nos criava sozinha, a mim e ao meu irmão mais velho, Curtis. Ela tinha três empregos ao mesmo tempo: limpava casas e tratava de crianças.
     Orava cada dia por Curtis e por mim, e aos Sábados levava-nos à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Ali eu apreciava as narrativas acerca dos profetas, e de Jesus e Seus milagres de cura. E quando ouvi acerca da maneira como os médicos missionários ajudavam as pessoas em terras longínquas, decidi que também eu havia de ser médico.
     Certa noite, revelei à minha mãe as minhas aspirações, enquanto voltávamos para casa passando por ruas cheias de lixo. Ao observar os rostos magros de vários vagabundos e ao ouvir a sirene do carro da polícia que passava a grande velocidade, minha mãe deteve-se e pôs a mão no meu ombro.
     
"Benny, se pedires alguma coisa ao Senhor, crendo que Ele o fará, então o fará."

Mas minha mãe também sabia acerca das minhas notas baixas na escola primária, e fez-me ver que a concretização dos meus sonhos exigiria bastante esforço da minha parte.
     "Nunca poderás ser um médico se tudo o que fazes é ver a televisão! - Disse ela uma manhã, enquanto desligava o programa Os três maníacos -. É melhor que o teu irmão e tu comecem a ler." Insistiu em que lêssemos pelo menos dois livros por semana. "Não toques nesse botão, Benny - advertia se me surpreendia a procurar ligar o televisor -. Lê o teu livro."
     Assim o fiz, e quanto mais lia, mais interessantes me pareciam os livros. Pouco tempo depois tinha-me convertido num ávido leitor.
     Em dois anos as minhas notas subiram até que obtive as melhores classificações entre todos os meus companheiros.
     Graduei-me com honras na Escola Superior e ganhei uma bolsa para estudar na Universidade de Yale, e em seguida na Escola Médica da Universidade de Michigan, e finalmente consegui ser nomeado como médico no Hospital Johns Hopkins.


     Teria sido muito fácil que nada disto tivesse sucedido. Um dos problemas que tive quando pequeno era o meu temperamento violento. Era tão explosivo que por vezes atacava as outras pessoas com pedras, tijolos, ou o que encontrasse. Por muito que lutasse por controlar-me, o meu mau génio disparava como uma mola de ratoeira.
     Um dia, quando tinha 14 anos, um rapaz do bairro estava a provocar-me. De repente enchi-me de ira e quase sem dar por isso peguei numa enorme navalha e avancei para lha cravar no ventre.
     Crack!, a lâmina de aço deteve-se ao embater na pesada mola do seu cinto.
     Enquanto o jovem fugia espavorido, fiquei assombrado em presença do que acabava de fazer. Podia tê-lo morto. Nauseado, dirigi-me aos tropeções para minha casa, onde me fechei na casa de banho e me sentei na banheira em frente da parede.
     Como podia eu mudar? Sabia que a minha ira não tinha controle. Algo tinha que ser feito!

     Por esse tempo estávamos a estudar o livro de Provérbios na igreja. Esse era o meu livro favorito da Bíblia e ainda continua a sê-lo. Sentado na banheira, algumas das palavras de Salomão começaram a tomar forma na minha mente: "Como a cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não pode conter o seu espírito." (Provérbios 25:28). Estas palavras eram para mim. Agora sabia com toda a certeza que se não controlasse o meu próprio espírito iria parar à cadeia ou ao cemitério.
     
"Benny, se pedires alguma coisa ao Senhor, crendo que Ele o fará, então o fará", tinha-me dito minha mãe repetidas vezes.

     Nesse instante ajoelhei-me no soalho da casa de banho. "Senhor - orei, tira-me este mau génio! Eu sei, eu creio que o farás."
     E o fez! E não gradualmente. O Senhor me tirou o mau génio de uma vez! Quando sentia que me estava enfurecendo, de alguma forma começava a acalmar-me, como se alguém 'apagasse o fogo'. Fiquei maravilhado com o que Deus por mim fizera, e ainda o estou.

     Quando chegou o momento de operar Cristóvão Pylant, olhei para a minha mão, a mesma que tinha empunhado a navalha naquele inesquecível dia, e dei graças a Deus porque agora guiaria um bisturi para salvar a vida de uma criatura.
     Essa manhã na sala de operações, ao abrir o pequeno crânio de Cristóvão, pude ver o que tinha esperado: um negro tumor maligno cobria tudo. Nem sequer podia ver a medula espinal, que indubitavelmente havia sido consumida pelo cancro. Sem a medula espinal, na realidade não há vida.
     Extraímos o que pudemos do tumor, fechámos a incisão e levámos o menino para a sala de cuidados intensivos.
     Quando entrei na sala de espera, os pais puseram-se de pé com rostos ansiosos. Enchia-me de angústia o ter de lhes comunicar que não havia esperança, mas tinha que fazê-lo.
     - Tenho pena de lhes dizer que não pudémos ajudar o vosso filho - confessei -. Sei que oraram e eu também orei. Mas por vezes, o Senhor opera de maneiras para nós incompreensíveis.
     Os pais não mudaram. Mantinham ainda a sua expressão de fé e convicção.
     - Doutor - disse o pai, enquanto a mãe assentia com a cabeça -, o Senhor vai sarar o nosso filho. Confiamos na Sua promessa.
     Respirei profundamente, e só acrescentei: "A vossa fé é admirável."
     Sentia uma pena imensa dos Pylant. Eles criam firmemente que Cristóvão ficaria curado, mas o que eu tinha visto no cérebro do pequeno era irrefutável.

     Apesar disso, três dias depois da operação algo de estranho ocorreu. Embora Cristóvão ainda estivesse em coma, os seus olhos começaram a focar e os seus movimentos físicos mostravam melhoras.
     - Façamos um novo exame - pedi, embargado de uma estranha sensação.
     Quando estudei a folha com os resultados, fiquei surpreendido ao notar a presença do que pareciam ser restos da medula. Tínhamos que operar novamente.
     No dia seguinte, Cristóvão estava na sala de operações e eu lutava para extrair o tecido descolorido do tumor com bisturi e pinças. Mas onde se nos tinha feito impossível identificar os planos de operação anteriormente, agora pude extirpar todo o tumor, camada após camada.

     Enchi-me de entusiasmo. Uma enfermeira limpava-me o suor da testa enquanto trabalhava. Finalmente, depois de limpar todos os resquícios, pude ver a espinal medula de cor cinzenta, intacta, mas pisada e disforme.
     Passado um mês, o nosso paciente estava em condições de abandonar o hospital. Diante de Cristóvão, que nos sorria, os seus pais e eu demos graças a Deus. Ao sair do hospital, os seus rostos brilhavam com a glória celeste....

E de novo me pareceu ouvir as palavras da minha mãe: "Benny, se pedires alguma coisa ao Senhor, crendo que Ele o fará, então o fará..."

Texto apresentado na Revista Sinais dos Tempos, nº 39, 1991.
Nota da redacção: Quatro anos mais tarde, Cristóvão Pylant é uma criança activa e saudável. O Dr. Carson é o Director de NeuroCirurgia Pediátrica no Hospital Universitário Johns Hopkins. Em Setembro de 1987 foi o cirurgião principal na operação de 22 horas de duração que separou os siameses alemães que estavam unidos pela cabeça.


   


    

domingo, 29 de março de 2015

A  ATRAÇÃO  DA  CRUZ


Não há força tão poderosa como o amor. E não há amor tão assombroso, tão eficaz, como o manifestado por Jesus Cristo ao morrer por nós, pecadores, na cruz do Calvário.
Cristo mesmo era consciente da atração da cruz, posto que declarou: "E Eu, se for levantado da Terra, todos atrairei a Mim" São João 12:32.
Por isso, aquele pequeno monte próximo de Jerusalém, chamado de Caveira, é algo mais do que um lugar turístico. A colina do Gólgota domina o tempo e a eternidade, e será a ciência e a canção de todos aqueles que a contemplem com fé.
Quando com coração humilde nos acercamos da cruz e alçamos a vista ao madeiro, não podemos senão exclamar com São Paulo: "Longe esteja de mim gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo" Gálatas 6:14.

A Cruz: Uma Constante na Vida de Cristo

No coração da mensagem cristã encontramos a fé num Salvador crucificado e ressuscitado. Por esta doutrina cardeal o cristianismo difere consideravelmente de qualquer outra religião antiga ou moderna. A ideia de que o Soberano do Universo Se desprendesse de Sua glória, que tomasse sobre Si os pecados da humanidade e que morresse em ignominiosa cruz era de rara aceitação no passado, e inclusive hoje em dia.
Muita gente assegura que a fé cristã pode prescindir do conceito da cruz. Afirmam que o pecado não existe e que, mesmo que existisse, não haveria necessidade do sangrento sacrifício de Cristo na cruz.
Tais pessoas não percebem que uma das constantes na vida de nosso Salvador foi precisamente Seu amor abnegado, o qual alcançou expressão máxima em Sua morte vicária. Sua experiência quotidiana foi uma entrega desinteressada para ajudar os necessitados. Quando foi apresentado no templo, revelou-se que o Messias não ia encontrar uma senda expedita no mundo. As palavras dirigidas a Maria: "Uma espada te traspassará a alma", antecipavam o que finalmente ocorreria com Jesus Cristo. Cada momento de incompreensão, cada zombaria sobre Sua mensagem, cada recusa dEle era prenúncio da cruz.

A Cruz: Um Instrumento de Martírio

Não se conhece com precisão a origem desse suplício. Crê-se que os persas, ou certas tribos bárbaras como os citas, adotaram essa maneira cruel de dar morte aos condenados. Recordemos que na época de Jesus era Roma a soberana. Suas férreas hostes haviam conquistado o mundo conhecido e adotado alguns de seus costumes. A crucifixão era uma das maneiras de castigar os rebeldes políticos originários de nações vencidas. Também era aplicada aos escravos ou criminosos estrangeiros. O povo daquele tempo considerava essa forma de execução como a mais severa de todas.
Começava-se flagelando os culpados, e isto era feito duma maneira cruel. O instrumento do qual se serviam evoca por si só a atrocidade desse suplício. Compunha-se de quatro ou cinco bolas de chumbo unidas a uma corrente que terminava numa madeira. De cada uma dessas bolas sobressaíam pequenos ganchos de ferro em todas as direções. As pontas se agarravam à pele e rasgavam as vestiduras e os músculos. Se se abusava ao lacerar o condenado, era comum que ele falecesse.
Depois da flagelação, o réu era conduzido ao lugar de execução. Escolhia-se, normalmente uma via pública ou uma praça. "Obrigava-se aos mais baixos criminosos que levassem a cruz até seu lugar de execução; e com frequência, quando a estavam a colocar sobre os ombros, resistiam com desesperada violência, até que ficassem dominados e se atava sobre eles o instrumento de tortura." - O Desejado de Todas as Nações, pág. 385.
A vítima, despojada das suas vestes, era cravada no madeiro e suspensa entre o céu e a terra. "Depois de ser crucificados, os réus eram dominados pela febre. As feridas se infectavam muito depressa, as moscas pousavam sobre elas e as agravavam. A sede era terrível, dada a evaporação de água pelo corpo, exacerbada pela febre mais alta..." - Dicionário de Ilustrações Bíblicas.
A morte era lenta e atroz. O condenado sofria intensamente e mergulhava na mais profunda das agonias. Para os torturados o único consolo era a própria morte.

A Cruz: Loucura Para os Que se Perdem

Para muitos homens e mulheres do século XX a cruz é um símbolo eminentemente honorável e glorioso. Muitos levam este signo preso à roupa, pendurado no pescoço, impresso em documentos, ou o instalam em suas moradias. Contudo, nem sempre foi assim.
No primeiro século, o cristianismo era considerado uma seita de origem judaica, que se baseava em afirmações aparentemente incríveis. Jesus, Seu fundador, era judeu como a maior parte de Seus seguidores. Além disso - e eis aqui o absurdo para a mentalidade pagã - sustentava ser um deus feito homem, que finalmente era condenado como um vil criminoso.
Em que relato mitológico se acharia semelhante herói? Quando é que um deus havia sucumbido ante juízes humanos? Como uma divindade podia sofrer semelhante humilhação?

Por tudo isso, o cristianismo era observado depreciativamente, o que se reflete, por exemplo, na seguinte alusão feita por Tácito:
"Eles derivaram seu nome de cristãos de Cristo, o qual, no reino de Tibério, foi sentenciado à morte como um criminoso pelo procurador Pôncio Pilatos." - Tácito, Anais, 15, 44.
Outra prova dessa atitude encontramos num desenho descoberto no palácio imperial, em Roma. Nele está representado um crucificado com cabeça de asno, diante de quem se ajoelha um escravo. Acompanha-a a seguinte inscrição: "Alexamenos adora a seu deus." Essa caricatura nos mostra como reagiam os pagãos ante o cristianismo. Como disse o apóstolo Paulo: "A palavra da cruz é loucura para os que se perdem..." I Coríntios 1:18.

A Cruz: Uma Dimensão do Coração

Em contraste, para os que se salvam, os que aceitaram a Cristo como seu Redentor, a cruz é poder de origem divina. Tais pessoas têm uma relação efetiva com Jesus Cristo. Pela fé aceitaram os méritos de Seu sacrifício vicário, e desse modo receberam o perdão de seus pecados e o poder transformador do Espírito Santo. Mais que um grande homem ou um líder judaico, consideram a Cristo como o que é: o Filho de Deus que Se tornou homem para transformar-Se em nosso Salvador pessoal e em nosso Amigo fiel.
Na cruz do Calvário, o Amor e o Egoísmo se encontraram frente a frente.
Por um lado estava Cristo, o Qual havia vivido para consolar e bendizer.
Por outro, Satanás, que em todo o momento havia mostrado perversidade e ódio contra Deus.
E cada ser humano se coloca de um lado ou de outro. Uns se situam à esquerda, junto ao ladrão impenitente. São os incrédulos, os que preferem aferrar-se ao pecado antes que humilhar-se ante Jesus, os que se deixam levar por indiferença ou a "sabedoria" do homem, os que se perdem. Outros se colocam à direita, junto ao ladrão arrependido, aquele que foi salvo pela fé. São os que reconhecem que são pecadores, os que asseguram que Cristo morreu por suas faltas, os que veem em Jesus o Filho de Deus, os que rogam por sua alma com profunda contrição.
As reações daqueles que contemplam a cruz mostram duas dimensões muito distintas do coração, e revelam significativamente qual é sua condição espiritual.
Ao Contemplar o Madeiro
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Em relação com o que estamos mencionando, vem muito ao caso que nos refiramos a Isaac Watts, um compositor de música religiosa do século XVIII. Watts foi um indivíduo muito singular, que deixou profunda influência sobre os que o conheceram ou se familiarizaram com sua obra. Uma pessoa de delicada sensibilidade espiritual, que fez da cruz de Cristo um motivo de louvor e exaltação. Sobre ele disse em certa ocasião o conhecido pregador escocês Wesley, que trocaria todos os seus cânticos - que eram uns seis mil e quinhentos - por tão só um de Isaac Watts.
A que hino se referia Wesley? Que continha esse cântico para que o estimasse de tal maneira?
O hino a que aludia Wesley tinha por título, "Ao Contemplar a Cruz de Cristo". Foi composto nos alvores do século XVIII, e mostra a profunda relação do autor com Cristo crucificado e com o símbolo da cruz.
Que foi que pensou e sentiu esse compositor para chegar a elaborar tão belo cântico? Que contemplou quando olhou para o madeiro?
Que experimentamos, você e eu, ao contemplar com os olhos da alma a Cristo, cravado numa cruz por nossos pecados?

De minha parte, gostaria de acercar-me cada dia mais da cruz de Cristo, e encará-la sempre com o gozo do que confia, do que sabe que esse sacrifício imenso não foi inútil, porque o tem aceite para isso de todo o coração. Quisera depois elevar minha voz e proclamar ao mundo inteiro o Supremo Amor que ali se manifestou. Quisera tanto... e tão pouco posso...

Víctor Armenteros, Professor de Teologia da Universidad Adventista del Plata (UAP), Revista Decisão, Abril 1985, C.P.B.


AO CONTEMPLAR A CRUZ DE CRISTO    (de  Isaac  Watts)



COMO MORREU JESUS

Médico legista dos EUA faz uma inédita autópsia de Cristo e explica, cientificamente, o que ocorreu em Seu corpo durante o calvário.

CALVÁRIO - Após a Sua condenação, Jesus enfrenta 18 horas de tortura até morrer na cruz.


De duas, uma: sempre que a ciência se dispõe a estudar as circunstâncias da morte de Jesus Cristo, ou os pesquisadores enveredam pelo ateísmo e repetem conclusões preconcebidas ou se baseiam exclusivamente nos fundamentos teóricos dos textos bíblicos e não chegam a resultados práticos. O médico legista americano Frederick Zugibe, um dos mais conceituados peritos criminais em todo o mundo e professor da Universidade de Columbia, acaba de quebrar essa regra.

Ele dissecou a morte de Jesus com a objetividade científica da medicina, o que lhe assegurou a imparcialidade do estudo. Temente a Deus e católico fervoroso, manteve ao longo do trabalho o amor, a devoção e o respeito que Cristo lhe inspira. Zugibe, 76 anos, juntou ciência e fé e atravessou meio século de sua vida debruçado sobre a questão da verdadeira causa mortis de Jesus. Escreveu três livros e mais de dois mil artigos sobre esse tema, todos publicados em revistas especializadas, nos quais revela como foi a crucificação e quais as consequências físicas, do ponto de vista médico, dos flagelos sofridos por Cristo durante as torturantes 18 horas de Seu calvário. O interesse pelo assunto surgiu em 1948 quando ele estudava biologia e discordou de um artigo sobre as causas da morte de Jesus. Desde então, não mais deixou de pesquisar e foi reconstituindo com o máximo de fidelidade possível a crucificação de Cristo. Nunca faltaram, através dos séculos, hipóteses sobre a causa clínica de Sua morte.

Jesus morreu antes de ser suspenso na cruz? Morreu no momento em que lhe cravaram uma lança no coração? Morreu de enfarte? O médico legista Zugibe é categórico em responder "NÃO". E atesta a causa mortis: Jesus morreu de paragem cardiorespiratória decorrente de hemorragia e perda de fluídos corpóreos (choque hipovolémico), isso combinado com choque traumático decorrente dos castigos físicos a ele infligidos. Para se chegar a esse ponto é preciso, no entanto, que antes se descreva e se explique cada etapa de Seu sofrimento.

Zugibe trabalhou empiricamente. Ele utilizou uma cruz de madeira construída nas medidas que correspondem às informações históricas sobre a cruz de Jesus (2,34 metros por 2 metros), selecionou voluntários para serem suspensos, monitorizou eletronicamente cada detalhe – tudo com olhos e sentidos treinados de quem foi Patologista-chefe do Instituto Médico Legal de Nova York durante 35 anos. As suas conclusões a partir dessa minuciosa investigação são agora reveladas no livro A crucificação de Jesus – as conclusões surpreendentes sobre a morte de Cristo na visão de um investigador criminal, recém-lançado no Brasil (Editora Idéia e Ação, 455 págs., R$ 49,90).

"Foi como se eu estivesse conduzindo uma autópsia ao longo dos séculos", escreve o autor na introdução da obra. Trata-se de uma viagem pela qual ninguém passa incólume – sendo religioso, agnóstico ou ateu. O ponto de partida é o Jardim das Oliveiras, quando Jesus se dá conta do sofrimento que se avizinha: condenação, açoitamento e crucificação. Relatos bíblicos revelam que nesse momento "o Seu suor se transformou em gotas de sangue que caíram ao chão". A descrição feita pelo apóstolo Lucas, que era médico, condiz, segundo o legista, com o fenómeno da hematidrose, raro na literatura médica, mas que pode ocorrer em indivíduos que estão sob forte stress mental, medo e sensação de pânico. As veias das glândulas sudoríparas se comprimem e depois se rompem, e o sangue mistura-se então ao suor que é expelido pelo corpo.

DEPOIS DA CRUZ - Jesus morreu de paragem cardiorespiratória.

Fala-se sempre das dores físicas de Jesus, mas o Seu tormento e sofrimento mental, segundo o autor, não costumam ser lembrados e reconhecidos pelos cristãos: "Ele foi vítima de extrema angústia mental e isso drenou e debilitou a Sua força física até à exaustão total." Zugibe cita um trecho das escrituras em que um apóstolo escreve: "Jesus caiu no chão e orou." Ele observa que isso é uma indicação de Sua extrema fraqueza física, já que era incomum um judeu ajoelhar-se durante a oração. A palidez com que Cristo é retratado enquanto está no Jardim das Oliveiras é um reflexo médico de Seu medo e angústia: em situações de perigo, o sistema nervoso central é acionado e o fluxo sanguíneo é desviado das regiões periféricas para o cérebro, a fim de aguçar a percepção e permitir maior força aos músculos. É esse desvio do sangue que causa a palidez facial característica associada ao medo. Mas esse era ainda somente o começo das 18 horas de tortura. Após a condenação, Jesus é violentamente açoitado por soldados romanos por ordem de Pôncio Pilatos, o prefeito da Judeia. Para descrever com precisão os ferimentos causados pelo açoite, Zugibe pesquisou os tipos de chicotes que eram usados no flagelo dos condenados. Em geral, eles tinham três tiras e cada uma possuía na ponta pedaços de ossos de carneiro ou outros objetos pontiagudos. A conclusão é que Jesus Cristo recebeu 39 chibatadas (o previsto na chamada Lei Mosaica), o que equivale na prática a 117 golpes, já que o chicote tinha três pontas. As consequências médicas de uma surra tão violenta são hemorragias, acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões e possível laceração no baço e no fígado. A vítima também sofre tremores e desmaios. "A vítima era reduzida a uma massa de carne, exaurida e destroçada, ansiando por água", diz o legista.

No final do açoite, uma coroa de espinhos foi cravada na cabeça de Jesus, causando sangramento no couro cabeludo, na face e na cabeça. Também nesse ponto do calvário, no entanto, interessa a explicação pela necropsia. O que essa coroa provocou no organismo de Cristo? Os espinhos atingiram ramos de nervos que provocam dores lancinantes quando são irritados. A medicina explica: é o caso do nervo trigémeo, na parte frontal do crânio, e do grande ramo occipital, na parte de trás. As dores do trigémeo são descritas como as mais difíceis de suportar – e há casos nos quais nem a morfina consegue amenizá-las. Em busca de precisão científica, Zugibe foi a museus de Londres, Roma e Jerusalém para se certificar da planta exata usada na confecção da coroa. Entrevistou botânicos e em Jerusalém conseguiu sementes de duas espécies de arbustos espinhosos. Ele as plantou em sua casa, elas brotaram e cresceram. O pesquisador concluiu então que a planta usada para fazer a coroa de espinhos de Jesus foi o espinheiro-de-cristo sírio, arbusto comum no Oriente Médio e que tem espinhos capazes de romper a pele do couro cabeludo. Após o suplício dessa "coroação", amarraram nos ombros de Jesus a parte horizontal de Sua cruz (cerca de 22 quilos) e penduraram em Seu pescoço o título, placa com o nome e o crime cometido pelo crucificado (em grego, crucarius). Seguiu-se então uma caminhada que os cálculos de Zugibe estimam em oito quilómetros. Segundo ele, Cristo não carregou a cruz inteira, mesmo porque a estaca vertical costumava ser mantida fora dos portões da cidade, no local onde ocorriam as crucificações. Ele classifica de "improváveis" as representações artísticas que O mostram levando a cruz completa, que então pesaria entre 80 e 90 quilos.

            

RELIGIÃO - "Em nenhum momento meu livro contradiz as escrituras. Os meus estudos só reforçaram a minha fé em Deus", diz o legista Zugibe.

Ao chegar ao local de Sua morte, as mãos de Jesus foram pregadas à cruz com pregos de 12,5 centímetros de comprimento. Esses objetos perfuraram as palmas de Suas mãos, pouco abaixo do polegar, região por onde passam os nervos medianos, que geram muita dor quando feridos. Já preso à trave horizontal, Cristo foi suspenso e essa trave, encaixada na estaca vertical. Os pés de Jesus foram pregados na cruz, um ao lado do outro, e não sobrepostos – mais uma vez, ao contrário do que a arte e as imagens representaram ao longo de séculos. Os pregos perfuraram os nervos plantares, causando dores lancinantes e contínuas.

Preso à cruz, Cristo passou a sofrer fortes impactos físicos. Para conhecê-los em detalhes, o médico legista reconstituiu a crucificação com voluntários assistidos por equipamentos médicos. Os voluntários tinham entre 25 e 35 anos e o monitoramento físico incluiu eletrocardiograma, medição da pulsação e da pressão sanguínea. Elétrodos cardíacos foram colados no peito dos voluntários e ligados a instrumentos para testar o stress e os batimentos cardíacos. Todos os voluntários observaram que era impossível encostar as costas na cruz. Eles sentiram fortes cãibras, adormecimento das panturrilhas (barriga das pernas) e das coxas e arquearam o corpo numa tentativa de esticar as pernas.

A partir desse derradeiro, corajoso e ousado experimento realizado por Zugibe, ele passou a discutir o que causou de fato a morte de Cristo. Analisou três teorias principais: asfixia, ruptura do coração e choque traumático e hipovolémico – por isso a importância médica e fisiológica de se ter descrito, anteriormente e passo a passo, o processo de tortura física e psíquica a que Jesus foi submetido.
A teoria mais propagada é a da morte por asfixia, mas ela jamais foi testada cientificamente. Essa hipótese sustenta que a posição na cruz é incompatível com a respiração, obrigando a vítima a erguer o corpo para conseguir respirar. O ato se repetiria até à exaustão e Ele morreria por asfixia quando não tivesse mais forças para se mover. Defende essa causa mortis o cirurgião francês Pierre Barbet, que se baseou em enforcamentos feitos pelo Exército austro-germânico e pelos nazistas no campo de extermínio de Dachau.

Zugibe classifica essa tese de "indefensável" sob a perspectiva médica. Os exemplos do Exército ou do campo de concentração não valem porque os prisioneiros eram suspensos com os braços diretamente acima da cabeça e as pernas ficavam soltas no ar. Não é possível comparar isso à crucificação, na qual o condenado é suspenso pelos braços num ângulo de 65 a 70 graus do corpo e tem os pés presos à cruz, o que lhe dá alguma sustentação. Experimentos feitos com voluntários atados com os braços para o alto da cabeça mostraram que, em poucos minutos, eles ficaram com capacidade vital diminuída, pressão sanguínea em queda e aumento na pulsação. O radiologista austríaco Ulrich Moedder também derruba o raciocínio de Barbet afirmando que esses voluntários não suportariam mais de seis minutos naquela posição sem descansar. Pois bem, Jesus passou horas na cruz.

Quanto à hipótese de Cristo ter morrido de ruptura do coração ou ataque cardíaco, Zugibe alega ser muito difícil que isso ocorra a um indivíduo jovem e saudável, mesmo após exaustiva tortura: "Arteriosclerose e enfartes do miocárdio eram raros naquela parte do mundo. Só ocorriam em indivíduos idosos." Ele descarta a hipótese por falta de provas documentais. Prefere apostar no choque causado pelos traumas e pelas hemorragias. A isso somaram-se as lancinantes dores provenientes dos nervos medianos e plantares, o trauma na caixa torácica, hemorragias pulmonares decorrentes do açoitamento, as dores da nevralgia do trigémeo e a perda de mais sangue depois que um dos soldados lhe arremessou uma lança no peito, perfurando o átrio direito do coração.
Zugibe usa sempre letras maiúsculas nos pronomes que se referem a Jesus e se vale de citações bíblicas revelando a sua fé. Indagado por ISTOÉ sobre a sua religiosidade, ele diz que os seus estudos aumentaram a sua crença em Deus: "Depois de realizar os meus experimentos, eu fui às escrituras. É espantosa a precisão das informações." No final dessa viagem ao calvário, Zugibe faz o que chama de "sumário da reconstituição forense". E chega à definitiva causa mortis de Jesus, em sua científica opinião: "Paragem cardíaca e respiratória, em razão de choque traumático e hipovolémico, resultante da crucificação."

Imagens, e o texto de Natália Rangel da Revista ISTOÉ Independente.




O MARAVILHOSO AMOR DE DEUS

"Que diremos disto? Se Deus está por nós, quem poderá estar contra nós?
Ele que não nos recusou o Seu próprio Filho mas O ofereceu por todos nós,
como é que não nos dará tudo com o Seu Filho?

Quem poderá acusar aqueles que Deus escolheu se Deus os declara inocentes?
Quem é que os pode condenar? Será, porventura, Cristo Jesus que morreu, e mais,
que ressuscitou e que ocupa o primeiro lugar junto de Deus, pedindo por nós?

Quem nos poderá separar do amor de Cristo?
O sofrimento, as dificuldades, a perseguição, a fome, a pobreza, os perigos, a morte?

Como diz a Sagrada Escritura:

Por causa de Ti, estamos expostos à morte todos os dias.
Tratam-nos como ovelhas para o matadouro.


Mas em tudo isto nós saímos mais que vencedores, por meio dAquele que nos amou.
Com efeito, eu tenho a certeza que não há nada que nos possa separar do amor de Deus:

Nem a morte, nem a vida; nem os anjos ou outras forças ou outros poderes espirituais;
nem o presente, nem o futuro; nem as forças do alto, nem as do abismo.
Não há nada nem ninguém que nos possa separar do amor que Deus
nos deu a conhecer por nosso Senhor Jesus Cristo."


Tradução Interconfessional em Português Corrente por:

António A. Tavares
António P. R. Júnior
João S. Carvalho
Joaquim C. Neves
José A. Ramos
Teófilo Ferreira

Palavras sábias do grande apóstolo Paulo aos Romanos 8:31-39, um homem académico, tão erudito,
mas tão crente no Senhor Jesus! E tão dinâmico! Que grande exemplo ele é para mim e para muitos...
Excetuando Jesus, é o meu Herói bíblico, sem dúvida.