domingo, 1 de junho de 2014

BULLYING E CYBERBULLYNG



PREVENÇÃO  DO  BULLYING  NAS  ESCOLAS  ADVENTISTAS

As Escolas Adventistas devem ser lugares onde os estudantes possam aprender acerca de Jesus Cristo e a preparar-se para uma vida útil e de pleno sentido e felicidade. Mas tais ideais implicam a existência de um ambiente de segurança e academicamente estimulante, onde exista constante alerta e prevenção contra todos os tipos de violência e abusos. Deve, por isso, o Bullying, nas suas mais diversas formas, incluindo, claro está, o cyberbullying, merecer todas as atenções da comunidade educativa, para que não seja uma realidade. Acima de tudo, os alunos devem sentir-se aceites, protegidos e envolvidos em programas de sensibilização e de prevenção nestes lugares de refúgio, por excelência.
Como lidam as Escolas Adventistas com este cada vez mais importante e problemático assunto? Como podem os alunos que diariamente estudam nas Escolas Adventistas, orientados pelos intencionais propósitos da "restauração" e da "disciplina redentora", adotar posturas e atitudes contrárias ao Bullying e abraçar projetos de apoio às vítimas do mesmo? Descubra as respostas a estas perguntas e inteire-se dos programas e práticas pedagógicas das Escolas Adventistas em Portugal.
Tiago Alves, Diretor do Departamento de Educação da UPASD (União Portuguesa dos Adventistas do Sétimo Dia)


Together We Can Change It...
Colégio Adventista de Oliveira do Douro

Veja, reflita e partilhe o filme que os alunos do 9º Ano do ano letivo de 2012/2013 realizaram no âmbito da disciplina de Educação Moral e Religiosa Adventista. Para além de não quererem fazer parte desta triste realidade, os alunos do CAOD pretendem, juntos, contribuir para um mundo melhor.


"... Aquele Que Se Coloca Sob Minha Proteção Que Faça Paz Comigo..."

Com a entrada do mal neste nosso planeta o ser humano quebrou a harmonia e a felicidade permanentes que recebia da sua constante relação com o Criador. Essa quebra logo se refletiu na forma como passou a olhar e a interagir com o seu semelhante; onde antes havia paz passou a haver acusação e extrema violência física. Adão acusou Eva de ser a causadora do pecado "...a mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore e comi..." (Gênesis 3:12) e Caim matou seu irmão Abel por causa da sua ira "...e irou-se Caim fortemente... Caim se levantou contra seu irmão Abel e o matou..." (Gênesis 4:5 e 8).
Infelizmente a violência quer física, quer psicológica ao longo da história humana tem sido constante e as vítimas são os mais vulneráveis; esta violência pode acontecer em todos os contextos sociais: emprego, família, escola.
No mundo de hoje uma das formas mais vulgares de violência na micro-sociedade que é a escola, é o chamado Bullying. Esta designação com origem na palavra inglesa bully (que significa valentão, brigão) define um comportamento humano consciente, intencional, deliberado, hostil, repetido com o objetivo de magoar e ferir o outro; a vitima é alvo de violência física ou psicológica.
Estes atos violentos são executados dentro de uma relação de poder desigual (do mais forte para o mais fraco) e tomam a forma de agressões físicas, apelidos ofensivos, insultos verbais, comentários depreciativos sobre a família, isolamento social da vítima, extorsão de dinheiro e outros pertences materiais.
Nem sempre é fácil perceber se alguém é alvo de Bullying porque a vítima, por medo de represálias, não revela as suas angústias nem as violências a que é sujeita.
Ser educador (familiar ou professor) é também estar atento a alguns comportamentos que podem ser indicadores de Bullying:
- marcas e ferimentos
- transtornos alimentares
- ansiedade e distúrbios do sono
- isolamento social
- resistência à escola sem causa aparente

Aqui no nosso meio escolar, por influência do evangelho, nenhum Bullying foi referenciado. E sempre com a ajuda do nosso bom Deus tentamos preveni-lo com uma Educação Para Os Valores:
- da tolerância para com o outro (tolerância em relação às suas fraquezas, às suas diferenças, aos seus sofrimentos, aos seus traumas)
- da amizade
- da entreajuda
- da proteção
(aos mais vulneráveis, mais novos, mais idosos)
Até aqui pudemos escutar de Deus "... Aquele que se coloca sob Minha proteção que faça paz Comigo..." (Isaías 27:5)

Professora Josefa Alcobia
Escola: Oficina de Talentos
Ensino Pré-Escolar e 1º Ciclo, ATL, Atelier de Música, Centro de Explicações/Apoio aos estudos, Escola de Pais.
Mais do que formação curricular e extracurricular propomos educar para uma cidadania integral e responsável.
R. Ponta Delgada nº 1, perto do largo D. Estefânia, Lisboa.

       

BULLYING NO JARDIM DE INFÂNCIA?
Creche e Jardim de Infância Arco-Íris, Setúbal


"Então disse Jesus: 'Deixem vir a Mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos Céus pertence aos que são semelhantes a elas'". Mateus 19:14

Quando num relance leio este versículo, inevitavelmente e de forma quase espontânea, a minha mente enche-se com as palavras pureza e inocência.
Mas da mesma forma inevitável e espontânea, se dissipam quando o trago para a vivência do dia-a-dia como profissional de educação, onde estas duas qualidades parecem ter dado a vez aos seus antónimos.
E à pergunta que dá título a este texto, respondo claramente que sim, sem questionar as evidências.
O Jardim de infância é frequentemente o primeiro local onde as crianças interagem umas com as outras de uma forma consistente e estruturada em conceito de grupo. Imaginar que estas primeiras interações seriam apenas positivas seria naive.
O Bullying é um problema social e podemos observar que as crianças nesta faixa etária assumem o mesmo tipo de atitudes que encontramos em crianças ou jovens de outros níveis de ensino, na maioria das vezes escudadas como fazendo parte do processo de crescimento. Está presente nos meninos e nas meninas e apenas difere na intenção do alcance daquilo que cada género mais valoriza.
Não é um fenómeno novo, encontramo-lo na Bíblia, quando irmãos mais velhos eram bullies do irmão mais novo.
Esconder algo pessoal, destruir um desenho, recusar sentar-se junto de, não o/a permitir na brincadeira, bater, são alguns dos comportamentos repetitivos, que diariamente poderão ser observados.
Por sermos um estabelecimento de ensino diferente, não deixamos de incentivar a escovagem dos dentes, a dar a mão a um adulto quando atravessamos na passadeira, a comer alimentos saudáveis, mas também realçamos a certeza de querermos proporcionar um ambiente de aprendizagem seguro.
Infelizmente José (Gênesis 39) não teve uma escola que o protegesse de bullying, que quase lhe custou a vida.
Queremos ser a escola que põe o "capacete" de proteção enquanto os "ciclistas" pedalam. Por vezes parece ser desnecessário, pois chegam ao fim de cada etapa sem que algo de mal lhes tenha acontecido. Não sendo a garantia de uma segurança completa, diminui grandemente as hipóteses de danos.
"Os mestres devem cuidar de seus discípulos como o pastor cuida do rebanho que lhe foi confiado. Devem protegê-los como quem por eles tem de dar contas." Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, pág. 65

Diretora Pedagógica, Paula Girão



"Eu já fui vítima de bullying"
Colégio Adventista de Setúbal


Este episódio, que remonta aos anos oitenta, passou-se comigo, numa pequena cidade agrícola italiana, onde os meus pais eram missionários. Eu frequentava uma acolhedora escola primária e jamais esqueci as palavras de um colega, meu amigo e companheiro de brincadeiras, quando com uma cara zangada atirou-me palavras duras, como se de pedras se tratassem "Porque é que não vais para a tua terra?"
Vários pensamentos me passaram pela mente naquele momento "Esta terra não é minha?", "Tu não és meu amigo?", "Porque me tratas assim?". Em vez de verbalizar os meus pensamentos afastei-me com lágrimas a correrem-me pela face. Tinha acabado de ser vítima de bullying. Ainda hoje, passados 30 anos, consigo recordar e quase sentir a dor que senti. Doeu-me muito, mesmo sem ninguém me ter tocado.
As crianças esquecem depressa e passado pouco tempo brincávamos os dois sem pensar no sucedido, mas foi algo que deixou marcas que ainda hoje estão impressas na minha memória.
Atualmente, ouvimos com frequência a palavra "bullying" ligada à vivência na escola e ao ambiente escolar. É pena que não ouçamos tão frequentemente palavras como "amizade", "altruísmo", "entreajuda" ou "companheirismo". Esta palavra inglesa que vem da raíz (bully) rufião com o sufixo (ing) (bullying) passa a significar: intimidar, forçar, obrigar. Só a pronúncia da palavra tem um não sei quê de agressivo. É algo que nos faz sentir tristes e impotentes.
É assim que as vítimas de bullying se sentem: tristes, magoadas e impotentes, sem possibilidade de escaparem aos seus agressores. Vivemos num tempo em que o ego - palavra latina que significa eu e que dá origem a: egoísmo é mais importante que altrui, palavra latina que significa o outro e que dá origem a: altruísmo. Preferimos exaltar o eu mesmo quando para isso magoamos e desvalorizamos o outro...
No CAS, Colégio Adventista de Setúbal, estamos mais despertos para estes episódios. Apesar do ambiente cristão e dos professores e funcionários procurarem promover o bem estar e incentivar a amizade entre todos, e embora seja um colégio pequeno em que se torna mais fácil monitorizar este tipo de situações, também existe bullying no nosso colégio. É uma luta constante em que o nosso exemplo e a maneira como lidamos com estes casos vão servir de modelo para estes jovens cujo caráter também está a ser moldado por nós.
O meu apelo é que toda a comunidade educativa: família, escola e igreja, possam ser um bom exemplo, não receando utilizar a disciplina redentora quando necessário, sempre segundo o modelo e exemplo de Jesus.

"Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor vos perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos."
Colossenses 3:12-15

Diretora Pedagógica, Marta Vieira Machado

BULLYING? NÃO!
Externato Adventista do Funchal


Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência intencionais e repetidos, que podem ser físicos ou psicológicos e causam dor e angústia na vítima. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorrem fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida. Como a maior parte dos alunos não denuncia e alguns adultos negligenciam a sua importância, a sensação de impunidade favorecem a perpetuação do comportamento agressivo. Espalhar comentários, insultar, chantagear, recusar em se socializar com as vítimas, intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima, ridicularizar o modo de vestir, são atos que levam ao isolamento da vítima.
Existem alguns sinais comuns de bullying, como a recusa por parte da criança em ir à escola, nervosismo ou tristeza anormais. Enurese noturna, distúrbios do sono, dores e marcas de ferimentos, transtornos alimentares, isolamento social, irritabilidade/agressividade, depressão, entre outros, são também possíveis sinais de vítima de bullying.

O bullying também ocorre através dos meios eletrónicos, fenómeno conhecido como cyberbullying. Trata-se de mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulando pelos e-mails, sites, redes sociais e telemóveis.
A escola tem um papel fundamental para reduzir o bullying – estabelecer regras claras, identificar quais os alunos que são alvo e quem lidera as agressões. É importante lembrar que, nos casos de bullying, a lei do silêncio é válida entre os envolvidos e que, normalmente, os pais ou terceiros descobrem primeiro do que a escola. Ao ser informada, a escola deve tomar atitude proactiva na solução do caso.
É dever da instituição educativa trabalhar na prevenção dos atos de violência dando o devido foco ao desenvolvimento moral dos seus alunos, em busca da postura ética que se espera deles. Assim sendo, para uma escola positiva, é fundamental incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças, realizar campanhas de incentivo à paz e à tolerância, trabalhos didáticos, bem como, atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis em conflito. Dentro da sala de aula, é imprescindível haver um ambiente favorável à comunicação entre os alunos. É também necessário que, funcionários e professores, encorajem os alunos a participarem ativamente na supervisão e intervenção de atos de bullying, formando grupos de apoio que protegem os alvos e auxiliam em algumas situações. Devem sempre lidar e resolver os casos, enquanto as escolas devem aperfeiçoar as suas técnicas de intervenção e buscar cooperação a outras instituições, nomeadamente, a centros de saúde, redes de apoio social, etc.
Os pais, por sua vez, devem tentar identificar em casa, se os seus filhos estão envolvidos com esse problema, através do diálogo com as crianças. Caso se detete algum envolvimento é fundamental admitir o problema, bem como, informar a escola e procurar ajuda psicológica. É preciso ter coragem. Todos fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. O salmista Davi diz-nos que são boas as obras das mãos de Deus (Salmo 139). As obras feitas pelas Suas mãos na criação foram o homem e a mulher, formando-nos de maneira perfeita.
Que a vida das crianças das nossas escolas possam ser "vidas com propósito". Façamos todo o possível para viver em paz com todos (Romanos 12:18).

No Externato Adventista do Funchal já foi realizada uma ação de sensibilização sobre o bullying, dirigida aos Encarregados de Educação dos alunos, em que todos os aspetos referidos foram mencionados. Esta iniciativa teve muita adesão.

Professora Vânia Teixeira

Encontro Nacional dos Ministérios da Criança aborda temática do Bullying

No passado mês de fevereiro, o Departamento dos Ministérios da Criança realizou no CAOD o VIII Encontro Nacional dos Ministérios da Criança subordinado ao tema "Adorar em Segurança". O encontro contou com a presença do Diretor Associado do Departamento dos Ministérios da Criança da Conferência Geral, o Pastor Saustin Mfune que tratou o tema da Adoração, a Responsável pelo Serviço de Gestão de Riscos da EUD na Adventist Risk Management, Corinne Linquetuit e a Diretora do Departamento dos Ministérios da Criança da Divisão Inter-Europeia, Elsa Cozzi, que trabalharam o tema da Segurança, nomeadamente prevenção de risco nas atividades dentro e fora de portas, bullying, cyberbullying, etc.
Esta abordagem teve um retorno positivo, pois os presentes foram alertados para uma realidade que, numa comunidade assente na Confiança, muitas das vezes passa despercebida.

Samuel de Abreu, Diretor Associado dos Ministérios da Criança da UPASD




Como acabar com o Cyberbullying?

Se precisares de assistência para te aconselhares sobre como proteger ou proceder em caso de Cyberbullying, podes contar com a Linha Ajuda Internet Segura, disponível todos os dias úteis entre as 14 e as 19 horas. Basta ligar para o número 808 91 90 90, enviar um e-mail para linhaajuda@internetsegura.pt ou clicar no serviço de atendimento online disponível em www.internetsegura.pt/linha-ajuda.

(Textos e algumas imagens retirados do Boletim Informativo nº 381 de 29 de março de 2014 da Igreja Adventista do 7º Dia de Setúbal, com algumas adaptações. E.E.)

DOZE REGRAS PARA UTILIZAÇÃO DO FACEBOOK

Minha filha mais velha adquiriu maturidade suficiente para ter uma conta no Facebook e me pediu para criar uma para ela, o que farei em breve. No entanto, para que ela possa debutar nessa rede social, escrevi algumas regras básicas de utilização e disse que ela só poderia entrar nesse universo desde que concordasse com elas e assinasse o "contrato". Creio que essas regras que criei poderão ser úteis para outras famílias, por isso, postei-as aqui [MB]:

1. Minha senha será conhecida dos meus pais e tenho consciência de que eles podem e devem saber o que faço na internet por meio do histórico de navegação ou da simples visita ao meu perfil.

2. Respeitarei o tempo de uso determinado por meus pais.

3. Somente aceitarei como amigos pessoas que eu conheço pessoalmente e com autorização dos meus pais.

4. Somente curtirei e/ou compartilharei conteúdos positivos e puros que estejam de acordo com a ética e os princípios cristãos.

5. Não farei no mundo virtual o que não faria no mundo real e o que não pudesse ser aprovado por meus pais. Tenho consciência de que sou testemunha de Jesus em todos os ambientes.

6. Meus álbuns de fotos serão fechados e visíveis apenas para meus amigos (por isso, também, devo aceitar esses amigos com critérios e cuidado).

7. Não postarei fotos que deponham contra meus princípios cristãos. Elas também devem "comunicar" o que penso, creio e vivo.

8. Jamais clicarei em algum link ou farei download de algum arquivo sem a autorização expressa de meus pais.

9. Jamais iniciarei conversação com pessoas que não conheço ou que não façam parte da minha lista de amigos.

10. Deixarei de manter amizade com qualquer pessoa que postar conteúdo ofensivo ou que vá contra meus princípios. Piadas de baixo nível, imagens indecentes e coisas afins motivarão a exclusão imediata da pessoa que postou.

11. Não clicarei em anúncios publicitários duvidosos nem ficarei "bisbilhotando" páginas de pessoas estranhas.

12. Terei sempre consciência de que meu tempo é precioso e de que as redes sociais não substituem os relacionamentos reais.

Assinado: ...............................

Michelson Borges, editor da Casa Publicadora Brasileira, jornalista e mestre em Teologia (creio que Grande marido e pai...) in Criacionismo, 13 de janeiro de 2014 (ver Links 1R). Um blog muito especial da sua outra filha de 8 anos está já nos Links 4LS. Nem dá para acreditar... Verifique!


DEUS PAI

Mas Tu, ó Senhor Deus, és o nosso Pai; nós somos o barro, Tu és o oleiro, todos nós fomos feitos por Ti. Isaías 64:8

        Certa vez, em Madrid, na Espanha, um pai desejava fazer as pazes com o filho que havia saído de casa após uma violenta discussão. O rapaz nunca mais dera notícias. O pai resolveu colocar um anúncio num jornal da cidade dizendo assim: "Paco, se você me perdoa, peço que me encontre na praça, em frente à estação, amanhã, ao meio-dia. Assinado: Seu Pai." No dia e horário marcados havia cerca de 800 rapazes chamados "Paco". Cada um deles desejava reatar o relacionamento com seu pai.

        Um pai querendo ter o filho de volta e centenas de filhos desejosos por abraçarem o pai. A figura do pai é muito forte em nossa vida. É bom demais quando temos um pai amoroso, interessado e presente ao nosso lado, como eu tenho o privilégio de ter e como meus filhos também têm. Por outro lado, é triste quando o pai é alguém distante, ausente e desinteressado. Mas mesmo que você tenha um pai que não seja lá muito seu amigo, saiba que você tem um Pai celestial que o ama demais e está interessado em todos os detalhes da sua vida.

        Quando Elias ficou sozinho porque estava se escondendo do rei Acabe, na história que está na Bíblia, no livro de 2 Reis, ele teve o Pai celestial para cuidar dele. Todos os dias, Deus mandava corvos levarem alimento para Elias e havia água num riacho ali perto onde ele podia matar a sede. Quando o riacho secou, por falta de chuva, Deus disse a Elias que ele deveria ir para Sarepta. Lá, uma viúva cuidaria dele.

        É esse Deus maravilhoso que é o meu e o seu Pai. Um Deus santo e perfeito. Um Deus de amor que enviou Jesus para nos dar a salvação. Um Deus eterno, que não tem começo e nem fim. Um Deus que nunca muda. Um Deus que está em toda parte, em todos os momentos. Um Deus fiel que deixou cerca de mil promessas na Bíblia e que está cumprindo cada uma delas. Um Deus criador que fez a mim, você e o Universo.

        Com um Pai assim ao nosso lado, não há mesmo o que temer. A Igreja Adventista acredita no Deus Pai que mantém vivas todas as criaturas do Universo. Experimente o amor desse Pai, experimente caminhar com Ele todos os dias, experimente orar e buscar Sua ajuda. Ele nunca vai decepcionar você!


http://cpbmais.cpb.com.br/htdocs/periodicos/ij/2014/ij52014.html - Inspiração Juvenil, 31.05.2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014



UM LIVRO QUE CAUSA POLÉMICA

Este É O Cântico Dos Cânticos, A Mais Bela Das Canções De Salomão. Cantares 1:1.

Ontem conversámos sobre dois livros bíblicos que foram escritos por Salomão: Provérbios e Eclesiastes. Também é de autoria dele o livro de Cantares ou Cântico dos Cânticos. Conheço pessoas que têm dúvidas a respeito desse livro. Perguntam com que objetivo Deus colocou esse texto em Sua Palavra.
No livro de Cantares, Salomão fala sobre um homem e uma mulher que eram casados e tinham a bênção de Deus. O livro fala sobre como se amavam e como desfrutavam de um dos maiores presentes que Deus deixou para o ser humano: a sexualidade.
Sei que você conhece esse tema. Talvez seus pais já tenham conversado sobre isso com você. Talvez no colégio os professores tenham abordado o assunto, ou ainda pode ser que você tenha falado com amigos a respeito. Uma coisa é certa: esse é um assunto sagrado. E, se o livro de Cantares está na Bíblia, é porque hoje, mais do que nunca, precisamos dele.
E por que precisamos dele? Porque hoje em dia, infelizmente, o inimigo distorceu os planos de Deus no que diz respeito ao sexo. O sexo foi criado e separado por Deus para a felicidade do homem e da mulher após o casamento, com o objetivo de formar uma família equilibrada, cercada de amor.
Mas hoje: filmes, novelas, seriados, internet e revistas mostram homens e mulheres que não são casados praticando sexo fora do casamento, diferente do que é o plano de Deus. As pessoas que vivem assim são infelizes. Muitas delas fazem isso porque não conhecem a Deus e Seus maravilhosos planos para nós. Outras porque cederam à pressão de amigos e não conseguiram se manter firmes ao que é certo.
Quando Deus diz "não" para o sexo antes do casamento, Ele sabe o que está dizendo. Foi Ele quem nos criou e sabe o que é melhor para nós. Para você entender mais claramente os motivos de Deus para isso, leia com atenção a seguinte explicação: A psicologia diz que tudo o que fazemos fica gravado em nossa mente. Atos praticados nunca mais são esquecidos. Ou seja, as lembranças do que você fizer hoje vão acompanhá-lo durante toda a sua vida e poderão atrapalhar sua felicidade no futuro.
Para ser feliz é preciso seguir os conselhos e os planos de Deus em todos os aspetos da vida. Seja firme. Quando for necessário, saiba dizer "não!"

http://www.cpb.com.br/htdocs/periodicos/ij/2014/frij12014.html#16 - Inspiração Juvenil - 16.02.2014 - (ver em CPB, Links 1R).


A FALTA QUE O CÂNTICO DOS CÂNTICOS FAZ

Calma, não se desesperem, o livro de Cântico dos Cânticos de Salomão (ou Cantares) não foi retirado da Bíblia. No entanto, pouco a pouco está sendo retirado das nossas vidas. Como Assim?
O livro de Cântico dos Cânticos trata em sua narrativa dos seguintes temas:
1) A perfeição do homem e da mulher criados à imagem de Deus;
2) A sexualidade humana dentro dos limites estabelecidos por Deus;
3) A integridade do amor humano;
4) A nobreza de manter-se puro antes do casamento e da fidelidade após o casamento.
Lendo a revista Marie Claire deste mês de outubro de 2013, deparei-me com uma matéria que me entristeceu por ser um reflexo do comportamento atual do mundo. Traição Conjugal (páginas 114 a 120).
Sabemos que não é de hoje que a traição existe, vide o exemplo de Judas que traiu Jesus por 30 moedas de prata e com um beijo selou tal ato. Porém, a traição que vou dissertar é a conjugal.
A matéria na revista relata um novo tipo de traição, em específico, das mulheres na faixa dos 30 anos que traem não porque pensam em trocar de marido, ou estão em busca de outro romance. A moral da história é a adrenalina para explorar fantasias. Segundo a revista "as infiéis atuais não se sentem culpadas, mas, sim, poderosas." Para o psicanalista Christian Dunker – professor e um dos coordenadores do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da Universidade de São Paulo – "não se trata de uma mensagem para o marido com o intuito de lembrá-lo que ele pode perdê-la e exigir valorização, como acontecia antes. O que ela quer é resgatar a potência de sua sexualidade, explorando um erotismo que não se permitiria com o marido por questões estruturais: não dá para fantasiar demais com o cara com quem você vive e vai para a cama todos os dias."

LIBERDADE X LIBERTINAGEM

Como cristãos sabemos que a instituição criada por Deus mais atacada pelo inferno é a família, pois esta constitui a base da sociedade: corrompem-se famílias e terás sociedades corrompidas. A falta de maturidade, o desrespeito para com o cônjuge, a falta de conhecimento ou o descaso com as leis divinas e o egocentrismo fazem com que o sentido da palavra liberdade englobe a libertinagem. Associação que está totalmente equivocada, pois são sentidos opostos.
Tanto o homem quanto a mulher nos dias atuais se acham os donos do mundo, fazem o que querem, quando querem e como querem. Tudo hoje é relativo e essa relativização nada mais é do que uma desculpa intitulada, muitas vezes, de auto-suficiência. Ser auto-suficiente é ser independente, e ser independente é fazer qualquer coisa que eu queira independentemente de valores "tidos" como morais. Tal pensamento mundano vem sendo difundido por meio de novelas, séries televisivas, comerciais, etc.
Vivemos na era do "aqui e agora", faça tudo sem culpa e sem remorso, se sinta livre. Livre? Que liberdade é essa que não se coaduna com o respeito e o amor?
Uma das entrevistadas pela referida revista diz que: "Depois de tantas experiências, nem entendo mais por que tantas mulheres se reprimem ou se condenam quando são infiéis. Eu me libertei da noção católica de erro e pecado e consegui compreender melhor os homens. Entendi o que significa 'só sexo' e gostei."
Onde foram parar os princípios cristãos? Que sociedade é essa que não encara o pecado como pecado, mas sim como algo natural do ser humano e, portanto, deve ser vivido sem nenhum pudor ou autocontrole?
Cabe a todo o casal cristão essa missão de mostrar ao mundo que o amor segundo a palavra de Deus descrita no Livro de Cântico dos Cânticos não morreu, ao contrário, está mais viva do que nunca. Ministrem casais, deem testemunhos, vão a campo e semeiem a sabedoria de Deus nos relacionamentos amorosos.
Uma família alicerçada na rocha - Cristo - é luz que afasta a escuridão.

Sérgio Siqueira Júnior, Advogado pela Universidade Candido Mendes, Direito Público e Privado pela FESUDEPERJ - Fundação Escola Superior da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. (texto retirado da internet)


MINHA CONFISSÃO

Eu tenho estado cega e incapaz de ver o verdadeiro amor que Tu me estás dando. Eu ignorei todas as bênçãos.
Estou de joelhos confessando o que sinto, E me entrego cada vez que vejo o Teu rosto.
Estou espantada pela beleza da Tua graça despretensiosa, E eu sinto que meu coração está voltando a se encaixar.

Eu não posso me esconder, ouve agora a minha confissão: Eu estava errada sobre Ti, pensei que era forte sem Ti.
Há tanto tempo que nada podia me mover, Há tanto tempo que nada podia me mudar.
Agora eu sinto que me entrego cada vez que vejo o Teu rosto.
Estou conquistada pela beleza da Tua graça despretensiosa, E eu sinto que meu coração está voltando a se encaixar.

Eu não posso me esconder, ouve agora a minha confissão: Tu és o ar que eu respiro, Tu és o chão debaixo dos meus pés.
Quando é que eu parei de acreditar? Porque eu sinto que me entrego cada vez que vejo o Teu rosto.
Estou espantada pela beleza da Tua graça despretensiosa, E eu sinto que o meu coração está voltando a se encaixar.
Eu não posso me esconder, ouve agora a minha confissão. Eu não posso me esconder, ouve agora a minha confissão.



"Se Confessarmos os Nossos Pecados, Ele é Fiel e Justo, Para Nos Perdoar os Pecados
e Nos Purificar de Toda a Injustiça." I João 1:9.

CINCO  TÉCNICAS  PARA  AUMENTAR  O  PRAZER  FEMININO
SiMpLeSmEnTe  InFaLíVeL!

Técnica nº1: MÃOS MOLHADAS
Faça sua esposa sentar-se numa cadeira confortável na cozinha. Certifique-se de que ela consegue ver muito bem tudo o que você faz. Encha a pia da cozinha com água e adicione algumas gotas de detergente para louça com aroma. Segurando uma esponja macia, submerja suas mãos na água e sinta a sua pele ser envolvida pelo líquido até que a esponja esteja bem molhada... Agora, movendo-se devagar e gentilmente, pegue um prato sujo do jantar, coloque-o dentro da pia e esfregue a esponja em toda a superfície do prato. Vá esfregando com movimentos circulares até que o prato esteja limpo. Enxague o prato com água limpa e coloque-o para secar. Repita com toda a louça do jantar até que sua parceira esteja gemendo de prazer.

Técnica nº2: VIBRANDO PELA SALA
É um pouco mais difícil do que a primeira, mas com algum treino você vai fazer com que sua esposa grite de prazer. Cuidadosamente apanhe o aspirador de pó no lugar onde ele fica guardado. Seja gentil, demonstre a ela que você sabe o que está fazendo. Ligue-o na tomada, aperte os botões certos na ordem correta.
Vagarosamente, vá movendo-se para a frente e para trás, para a frente e para trás... por toda a carpete da sala. Você saberá quando deve passar para uma nova área. Vá mudando gradativamente de lugar. Repita quantas vezes for necessário até atingir os resultados.

Técnica n°3: CAMISETE MOLHADA
Este joguinho é bem fácil, embora você precise de mente rápida e reflexos certeiros. Se você for capaz de administrar corretamente a agitação e a vibração do processo, sua esposa falará de sua performance para todas as amigas dela. Você precisará apenas de duas pilhas. Uma pilha com as roupas brancas, e outra pilha com as coloridas. Encha a máquina de lavar com água e vá derramando gentilmente o sabão em pó dentro dela (para deixar a mulher ofegante, use exatamente a quantidade recomendada pelo fabricante). Agora, sensualmente coloque as roupas brancas na máquina... uma de cada vez... devagar. Feche a tampa e ligue o 'ciclo completo'. Sua esposa vai ficar extasiada. Ao fim do ciclo, retire as roupas da máquina e estenda-as para secar. Repita a operação com as roupas coloridas.

Técnica nº4: O QUE SOBE, DESCE
Esta é uma técnica muito rapidinha. Para aqueles momentos em que você quer surpreendê-la com um toque de satisfação e felicidade. Pode ter certeza, ela não vai resistir. Ao ir ao banheiro, levante o assento do vaso. Ao terminar, abaixe novamente. Faça isso todas as vezes. Ela vai precisar de atendimento médico de tanto prazer.

Técnica nº5: GRATIFICAÇÃO TOTAL
Cuidado: colocar em prática esta técnica pode levar sua esposa a tal estado de sublimação que será difícil depois acalmá-la, podendo causar riscos irreversíveis à saúde da mulher. Esta técnica leva algum tempo para seu aperfeiçoamento. Empenhe-se com afinco. Experimente sozinho algumas vezes durante a semana e tente surpreendê-la numa noite. Funciona melhor se ela trabalha fora e chega cansada a casa.
Aprenda a fazer uma refeição completa. Seja bom nisso. Quando ela chegar a casa, convença-a a tomar um banho relaxante (de preferência aromático numa banheira de água morna que você já preparou). Enquanto ela está lá, termine o jantar que você já adiantou antes de ela chegar a casa. Após ela estar relaxada pelo banho e saciada pelo jantar, execute a Técnica nº 1.


(Criativa Online)
http://www.criacionismo.com.br/2014/02/cinco-tecnicas-para-aumentar-o-prazer.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+criacionista+%28Criacionista%29

(Já nos rimos um bocado. Mas você, marido e pai, sabe muito bem... Não trate a sua esposa como "o cavalo do espanhol", porque tudo tem o seu limite. E Deus um dia lhe pedirá contas por isso. Para além de que ela pode não morrer!...
E Deus detesta o adultério, as desculpas esfarrapadas, o 'casa-descasa-casa-'... É mais sábio fazer um pequeno esforço, mas ajudar em casa e aos filhos, no grande esforço da sua mulher. Pense bem! E. E.)


QUE TAL?!... Há Gente P'ra Tudo...




domingo, 4 de maio de 2014

A CONSTRUTORA DO LAR


Numa certa tarde - foi isso há mais de meio século -, uma rapariguinha entregava-se à tarefa de fazer a sua bainha diária ao lado da mãe. A rapariguinha era eu; a mãe, a minha. A bainha já fazia parte da rotina, e pouco importava que eu detestasse a costura.
A minha avó, que descendia de uma família de huguenotes franceses, educara as filhas para boas donas de casa e isso incluía, na nossa geração, o fazer as roupas do agregado familiar. As ditas roupas eram enfeitadas com bordados e rendas; logo, bordar e fazer renda fazia parte dos lavores a ensinar às jovens. Por isso, na altura própria, eu tive de fazer bainhas, bordados e rendas de croché. A mesma combinação de trabalhos enfadonhos e de decoração artística se exigia igualmente em culinária. Ensinaram-me a fazer pão e bolos, a assar, a grelhar e a fritar, como igualmente a preparar doces e compotas. Uma casa precisava de ser limpa de alto a baixo e de ser posta em ordem antes de se disporem as flores, mas tudo era igualmente essencial ao bem-estar e à felicidade da família. Trabalho doméstico e decoração eram, segundo minha mãe decretava, atribuições da mulher.
Era uma tarde quente - lembro-me ainda. A agulha, a linha e o pano de linho chinês pegavam-se-me aos dedos. Sentia-me revoltada.
- Suponha que não me caso? - disse.
- Nem é preciso que te cases - respondeu tranquilamente minha mãe. - Nem todas as mulheres se casam. Mas tens de aprender a tratar da casa, por ti própria, quer te cases quer não, porque és mulher. E o mais natural é que te venhas a casar.
Estávamos sentadas na varanda da nossa velha casa da missão e, nesse momento, o jardineiro regava as flores do canteiro ao longo do muro da cerca. As casas americanas sempre tiveram na China servidores fiéis: a vida ali dependia deles.
- Terei criadas - afirmei.
- As tuas criadas não te respeitarão se não souberes ensiná-las - volveu minha mãe, no seu sereno tom de voz habitual, e, erguendo os olhos da costura, dirigiu-me um sorriso meio travesso e acrescentou: - Não podes fugir à tua condição de mulher.
Quanta verdade se encerra nestas palavras! Onde quer que eu me encontrasse, fosse qual fosse o meu trabalho, não consegui escapar nunca à minha condição de mulher e, no mais íntimo dos nossos corações, todas as mulheres sentem a necessidade de criar um lar.
Nem todas elas se casam; talvez actualmente nem todas consigam ou queiram casar, e o lar pode ser unicamente para elas. Contudo, a maior parte das mulheres aspiram ao casamento e com este surge o dever e a alegria de criarem um lar, não só para elas como para os outros.
Deixem-me afirmar desde já que considero perfeitamente possível que as mulheres conciliem a profissão com a vida doméstica. Na realidade, o custo elevado da vida força frequentemente as mulheres a ganharem a sua subsistência fora de casa e a encarregarem-se dos serviços domésticos. É por vezes difícil conciliar as duas actividades, especialmente quando os filhos são pequenos. Eu tive a sorte de poder dedicar-me à minha profissão dentro das paredes do lar.
A sala em que escrevo faz parte da minha casa, e a porta encontra-se sempre aberta para os meus filhos. A qualquer hora lhes permito que me interrompam o trabalho. Este, quando continuado, sai melhor, mas aprendi a deixar um capítulo importante em meio sempre que os filhos ou o marido precisavam de mim. Pus sempre a família em primeiro lugar.
E mais uma vez me posso considerar feliz porque essa atitude não me custou nenhuma espécie de sacrifícios. Um escritor, em primeiro lugar, tem de viver se quer que os seus livros contenham vida; pelo menos, eu assim o creio; de qualquer modo, isso tem de acontecer com o escritor sempre que este seja mulher. Os homens encontram-se mais afastados das fontes da vida do que as mulheres. Eles poderão ser capazes de tecer as suas histórias no vácuo humano; as mulheres que escrevem, não. Aquelas cujos livros ficaram na história da literatura foram mulheres que escreveram sempre na sala e rodeadas pela família, como, por exemplo, Jane Austen e as irmãs Brontë. Eu confesso que dessa maneira não consigo concentrar-me. Tenho de facto uma sala só para mim e tenho de a ter, tal como acontecia com Virgínia Woolff. Mas a minha porta está sempre aberta.
Bem, que dizer a respeito das mulheres que não podem ficar em casa e vão todos os dias para a fábrica ou para o escritório? Conheço actualmente nas minhas vizinhanças grande número delas. Em tempos, o condado onde vivo era sereno e rural, semeado de vastas quintas, de pastagens e de prados. Tudo isso infelizmente se transformou. Na parte mais baixa do condado instalaram uma grande companhia de aço, no ponto onde o rio Delaware se precipita no mar. As quintas foram vendidas e, no lugar onde elas prosperavam, erguem-se actualmente vastos formigueiros humanos.

O fumo rompe das chaminés, manchando de negro o que foi outrora o nosso céu azul. As mulheres daqui trabalhavam placidamente em casas rurais feitas de pedra. Agora, desaguam febrilmente de casas comuns e correm desabaladas a sentar-se diante das máquinas ou das secretárias enquanto os filhos permanecem nas escolas ou nos infantários da comunidade, ou se concentram aos magotes em casa de qualquer senhora de idade. Será tudo isto necessário? Assim parece enquanto aspirarmos a casas mais modernas equipadas com frigoríficos, aquecedores e muitas outras coisas mais.
Falei há dias com um agente de venda de propriedades acerca da transacção a efectuar quanto a uma das minhas antigas casas de campo, da qual já não necessitava. É uma bela casa construída em pedra, que conta um século de existência. Além do pavimento, feito de pesadas tábuas de carvalho, possui peitoris de janela profundamente encravados nas paredes de mais de sessenta centímetros de espessura. Modernizei-a quanto pude. Abri um belo poço, dotei-a de casa de banho e de água corrente e de esplêndida aparelhagem de aquecimento por meio de ar quente. Devia ser vendida por bom preço mas, quando falei nisso ao agente, este mostrou-se muito duvidoso.

- Actualmente não - declarou. Só um velho casal reformado lhe pegará... A gente nova quer aquecimento a óleo e tudo automático e moderno.
Ora, para conseguir tais confortos, as mulheres têm, como o homem, de fornecer a sua contribuição material. Contudo se, actualmente, eu fosse uma mulher jovem dentro da média, decidia - tenho a certeza - não trabalhar fora de casa, ainda que tivesse de passar sem um segundo carro, aquecimento automático e todos os extras agradáveis. Eu aceitaria aquilo que o meu marido pudesse ganhar e com esses meios criaria um lar em que poria toda a minha alma e os meus poderes criativos.
Atentemos agora contudo no facto de, uma vez que a mulher terá de permanecer em casa - e assim deverá ser se for casada e com filhos pequenos -, os negociantes terem de se compenetrar da necessidade de baixar os seus preços. Não poderemos manter o nosso poder de compra actualmente elevado, nós, os consumidores, se os ordenados se conservarem ao nível da capacidade de ganhar dinheiro, de cada um.

Cumpre aos economistas ocuparem-se deste problema, e os homens de negócios terão de compreender que honra e proveito não cabem num saco. Se as pessoas comprarem as coisas maravilhosas que se fabricam em sua intenção, se tiverem de sucumbir à aliciante propaganda que lhes fornecem e ouvem a todos os momentos do dia e até a meio da noite, então, marido e mulher terão ambos de ganhar dinheiro; logo, a esposa não poderá dar-se ao luxo de ser ela a única pessoa a cuidar da casa. Terá de fazer tudo à pressa; o marido ver-se-á forçado a judá-la a cozinhar, a limpar a casa e a cuidar dos filhos. Eis uma verdade insofismável. Talvez isso até seja melhor para um casal. Não sei.
Seja, porém, como for, temos de compreender que o trabalho doméstico, em todo o sentido da palavra, exige tempo. Exige tempo não só o trabalho de manter a casa limpa e bem arranjada com meios materiais limitados, como também o pensar em todos os membros da família em relação ao lar e ao seu próprio conjunto.
Uma mulher não pode andar à pressa o dia inteiro, esforçando-se por ganhar dinheiro e ser ao mesmo tempo uma boa dona de casa. Sente-se falhada e, a fim de tranquilizar a sua consciência, exaltará até às nuvens o prazer de dispor de dinheiro para gastar.
Nessa altura, a construtora do lar, a mulher que não dispõe de ordenado para acumular, dá-lhe ouvidos e, insatisfeita, pergunta a si própria se na verdade será o seu, o melhor caminho. Afinal, ela sente-se, nessa altura, simplesmente uma dona de casa.
É a esse género de mulher, à construtora do lar, à dona de casa, que neste momento me dirijo. Ser-se dona de casa em toda a acepção do termo exige autodisciplina, e nem todas as donas de casa são construtoras de lares. Algumas põem a casa acima do lar e, nessa altura, não passam de mulheres-a-dias e de cozinheiras.

Algumas são preguiçosas e incapazes de se disciplinar no sentido de realizarem o trabalho diário suficientemente bem e criarem um cantinho de beleza e de ordem para a vida de família.
É muito fácil, quando o marido sai para o trabalho e as crianças vão a caminho da escola, sentar-se uma mulher à mesa, com uma chávena de café bem quente em frente do aparelho de rádio, da televisão ou do telefone. A mulher que é indisciplinada no lar pode igualmente iludir o trabalho no emprego se não possuir consciência. O lar pode converter-se igualmente numa evasão à realidade se a mulher se permite resvalar na preguiça. As mulheres são tão humanas como os homens e há pessoas que só trabalham quando vigiadas.
Suponho que esse tipo de mulheres fariam melhor em trabalhar em locais onde existe vigilância, pois desse modo lucrariam pelo menos a vantagem de um ordenado. A verdadeira dona de casa, contudo, ama o seu lar e a casa é apenas uma parte do lar. Este constitui o ambiente local e a atmosfera em que vive a família. Inclui o pátio, o jardim, as flores na mesa, os livros na sala de estar, a música flutuando no ar, conversação interessante, televisão e excursões de família bem como jogos aliciantes nas noites de Inverno. É a vida partilhada por todos os membros da família o que concorre para a boa atmosfera do lar.
A construtora do lar é responsável pela beleza e consequentemente pela ordem na sua casa.
Eu seria a última pessoa do mundo a insistir numa casa imaculada. A nossa sala de estar pode ficar completamente desarrumada quando se brinca ou se trabalha, mas, terminadas essas actividades, tenho sempre de colocar as coisas nos seus lugares. É esse, como mulher, o meu dever. Deve-se ensinar as crianças a ajudar mas, quando estas se encontram na fase da adolescência, período de natural rebelião, ou quando elas se encontram a braços com outras tarefas, sou eu somente quem se encarrega de restabelecer a ordem. Suponho ser da minha responsabilidade de construtora do lar mantê-lo o mais harmonioso e belo que me for possível sem que ninguém me force a fazê-lo, e - repito -, sem ordem, a beleza não existe. Uma sala pode estar ricamente mobilada, mas se tudo se encontrar desarrumado, todos os valores ficam destruídos.
Deixem-me salientar mais uma vez que se não arruma apenas por amor da ordem mas por amor da beleza. A ordem é a base da beleza. Uma casa desarrumada é um lar em desordem, que só gente desordenada pode produzir. Existe uma nítida relação entre a desordem física e a confusão mental.

Relativamente perto do local onde vivo, existe uma casa por que passo mas minhas idas e vindas e sempre, nessas alturas, penso na história que lá dentro se oculta. É uma casa atraente, limpa e branca, de cortinas igualmente brancas em todas as janelas de vidros reluzentes. Nunca lá entrei, mas os vizinhos dizem-me que vivem nela dois homens - pai e filho - e que a casa se encontra tão arrumada e é tão agradável por dentro como por fora. Vivem sós; ambos saem de manhã para o trabalho e só regressam à noite. Não viveram sempre ali. O pai comprou aquela casa há uns anos depois de a mulher falecer. Antes disso, viviam numa casa grande e antiga a umas centenas de metros de distância da que actualmente possuem.
- E porque se mudaram? - perguntei ao meu vizinho?
- Queriam ter um verdadeiro lar.
- E não tinham?

- Não - foi a resposta. A mulher era uma péssima dona de casa. Nunca tinha nada em ordem. Era uma autêntica preguiçosa, embora nada mais tivesse que fazer. Andava quase sempre por aqui e por ali. Quando o marido à noite regressava a casa, encontrava esta sempre em desordem e ela atrasada no trabalho, e isto sempre, sempre, sempre. Ele era pouco falador, ou talvez tivesse perdido o gosto de falar. Não sei. Mas, quando ela morreu, o viúvo vendeu a casa, toda desarrumada como estava, e comprou essa onde actualmente vive. E tem-na arranjada que é uma beleza. Ele e o filho mantêm-na arrumada e asseadíssima. Até põem flores na mesa. É um verdadeiro lar embora lá dentro não exista uma mulher. Um encanto!
Compreendo esse homem. O que a mulher não pôde ou não quis criar para o marido e para o filho, criou ele. Por vezes, pergunto a mim própria por que motivo não tornou ele a casar, visto que se trata de um indivíduo bem parecido. Suponho que tenha medo de fazer nova experiência. Também uma segunda mulher lhe poderia destruir o lar. E o que me surpreende é o seguinte: porque teria a mulher desperdiçado a sua oportunidade de ser feliz? Que trabalho será mais grandioso para a mulher - ou para o homem - do que a criação e manutenção desse centro da vida humana que é o lar? Nele nascem os filhos. É o seu mundo, o único que conhecerão durante os anos mais importantes da sua existência e, enquanto viverem, ele continuará a exercer sobre os que lá viveram a mais extraordinária influência.

Efectivamente é muito raro que os homens e as mulheres venham a subir acima da atmosfera dos lares em que foram criados. Poderão tornar-se ricos e poderosos; poderão construir casas muito diferentes das que primeiro conheceram, mas levarão com eles a atmosfera do primeiro lar. Se este foi um centro de ordem e de beleza, simples embora, então sentir-se-ão serenos e capazes de enfrentar os problemas da vida. Se nesse lar não existia nem ordem nem beleza, essas carências hão-se persegui-los a vida inteira. Podem não saber o que têm, porque se sentem extremamente inquietos e em busca de alguma coisa, mas saberão que vivem no meio da incerteza e da confusão interior.
A relação entre o material e o espiritual, ou, como disse Einstein, entre a matéria e a energia, é profunda e real, e os seus objectivos não conhecem limites. Efectivamente, só agora começamos a suspeitar da sua imensa realidade. Eu própria acreditei sempre que a graça espiritual apenas pode brotar da ordem física e da beleza. Numa casa onde tudo se encontra bem planeado e disposto com harmonia, as crianças crescem facilmente serenas. Mas as impacientes e irritáveis e os adultos infelizes são frequentemente produto da atmosfera de uma casa desagradável e em desordem.
A mulher, a dona de casa, a construtora do lar concebe e realiza mais do que ela própria pensa. Enquanto varre, limpa e põe tudo em ordem, vai criando seres humanos. Afeiçoa maneiras de ser, molda caracteres e estabelece a harmonia.
Do que mais necessitamos neste mundo é de gente amável, de bom carácter e de natureza serena e harmoniosa. Pode ser importante até à escala mundial que os homens saiam de casa pela manhã, não apenas conscientes de que as mulheres os amam, mas igualmente com a satisfação de saber que possuem lares em ordem, lares atraentes, de onde saem e aos quais regressam à hora própria. Creio, por exemplo, que um delegado às Nações Unidas possa ocupar o seu posto numa disposição de espírito aberto à compreensão e à paciência se poucos minutos antes saiu de um lar aliciante e cuja beleza se baseia na ordem.
A influência da mulher, da construtora do lar, ultrapassa em verdade e em muito as fronteiras da casa. Ultrapassa mesmo as fronteiras da compreensão da mulher em tais condições. Cria ela o centro em que o mundo começa, o mundo e todos os seus habitantes. É dela que tudo resulta. Tal como todo o ser humano, seja ele homem ou mulher, emerge do seu ventre - e ninguém nasce de outra maneira -, assim esse ser humano emerge do lar que ela afeiçoa para o receber quando nasce. É certo: o homem é o seu par e o seu colaborador, mas, por alguma razão, talvez divina, é ela a responsável pela criação da vida em todas as suas formas.

Existe qualquer coisa de singularmente forte na mulher. Raramente, na verdade, um homem consegue arruinar a vida de uma mulher, pois esta reconstrói-a tantas vezes quantas as necessárias. Possui uma resistência interior que a restitui a si própria e às suas funções. Mas os homens, esses, facilmente se deixam aniquilar pelas mulheres. Assim lhes acontece quando ao lar presidem más mães e más esposas. E digo más porque me encontro convencida de que uma dona de casa desordenada, egoísta e incompetente é, de facto, uma má mulher. Ela desempenha a tarefa mais importante no mundo; dispõe da mais fascinante oportunidade e, se não a executa e não aproveita convenientemente, não merece perdão. Se ignorante, essa ignorância representa um crime devido aos prejuízos que causa ao grupo dos seres humanos pelos quais ela se tornou responsável.
E eu que sou escritora de profissão, acredito realmente que as actividades domésticas são, neste mundo, as mais importantes para a mulher? Acredito, sim, e não só em relação aos outros como em relação a mim própria. Na minha qualidade de escritora, sei que é essencial para uma mulher ser a construtora do seu lar e isto independentemente de qualquer outra actividade que exerça. O ser uma boa dona de casa bastará para ela se tornar uma pessoa completa. Direi ainda que, também o homem, quando dá provas de ser excelente marido e pai, atinge a sua plenitude como ser humano.

Nós - os homens e as mulheres - possuímos funções diferentes mas cooperadoras na missão de mutuamente nos completarmos, e o mesmo acontece em relação aos seres humanos que servimos, por sermos responsáveis por eles. Sei que me é necessário, se porventura pretendo que o meu trabalho seja da melhor qualidade possível, sentir-me numa casa tão alindada quanto couber dentro das minhas possibilidades. O lar é a terra onde mergulham as minhas raízes e das quais retido o meu alimento espiritual. A própria segurança se baseia nesta satisfação íntima.
A casa é pois o centro da vida. Assim como for a casa - a casa individual onde uma mulher é matriz - assim será o mundo. Nós, mulheres, temos necessidade, ao observarmos este nosso mundo actual, de perguntar por que motivo ele se apresenta assim conturbado. Para sermos honestas, impõe-se que procuremos as causas do mal e que tentemos eliminá-las. E não me surpreenderá se as nossas pesquisas nos conduzirem ao âmago do lar.

Pearl Buck in Para As Minhas Filhas Com Amor. "Abençoada eu, que possuo sete filhas. A mais velha, a única afinal que dei à luz, sofre de fenilcetonúria, deficiência essa que me lançou no mundo dos bioquímicos, dos pais e dos professores, de crianças mentalmente atrasadas, e me deu a conhecer a coragem confrangedora dessas mesmas crianças diminuídas. (...) Possuo igualmente filhos, todos eles do mesmo modo possuidores de qualidades e que me são igualmente indispensáveis." (...) "Pearl Buck ao longo da sua vida cuidou de 7 filhas e em anos e anos de convívio debateu com elas as mais diversas opiniões acerca da vida e do mundo em geral. Este livro resultou desses debates, fornecendo a Pearl Buck o alicerce de muitas concepções aqui expostas." - Edição «Livros do Brasil» Lisboa, 1967. "Em 1938 tornou-se a primeira mulher norte-americana a ser alguma vez galardoada com o Prémio Nobel."


As Minhas Coisas Favoritas
Gotas nas rosas e bigodes nos gatinhos, Chaleiras de cobre brilhantes e luvas de lã quentinhas,
Pacotes de papel castanho amarrados com fita, Essas são algumas das minhas coisas favoritas.
Póneis de cor creme e tortas de maçãs, Campainhas e sinos e panados com macarrão,
Gansos selvagens que voam com a lua em suas asas, Essas são algumas das minhas coisas favoritas.

Garotas vestidas de branco com fitas azuis, Flocos de neve que poisam no meu nariz e pestanas,
O branco e prata do inverno que derretem na primavera, Essas são algumas das minhas coisas favoritas.
Quando o cachorro morde, quando a abelha pica, Quando estou me sentindo triste,
Eu apenas me lembro das minhas coisas favoritas E então não me sinto tão mal.



Dó-Ré-Mi-Fá-Sol-Lá-Si---Dó-Sol-Dó!



sexta-feira, 18 de abril de 2014

PÁSCOA:
A Oportunidade do Encontro com Cristo


"Perguntei a Jesus o quanto Ele me amava. Respondeu-me: 'Tanto!'
E estendeu os Seus braços e morreu."


ENCONTRO AO CAIR DA TARDE

A festa tinha terminado mal. Caía a tarde do domingo.1 Cansados e taciturnos, dois viajantes voltavam para casa. Entre os farrapos da conversa entrecortada por frases incompletas, suspiros e silêncios, aflorava constantemente a realidade de um facto insuportável, que não conseguiam mencionar nem calar.
Cleofas e o seu amigo2 não podiam afastar do pensamento, a caminho de Emaús,3 a morte brutal do seu querido Mestre, na tarde da sexta-feira. As Suas últimas palavras, a Sua prisão, a Sua condenação, as Suas torturas. E aquele desfecho terrível da cruz.4
"Mais dilacerante do que a indignação pela morte de um inocente, do que dor pela perda de um ser querido, do que o medo de acabarem também eles por ser processados, era a constatação de haverem perdido repentinamente a sua fé e as suas esperanças. Tudo o que havia dado sentido à sua vida ficava agora sepultado atrás da pedra de um túmulo num pequeno cemitério.5
Mais desconcertante do que a própria vida do Nazareno tinha sido aquele inesperado desenlace. Se os Seus ensinos lhes haviam já perturbado todos os conceitos, a crucificação tinha acabado de os transtornar. Aquela morte atroz não entrava em nenhum cálculo imaginável. Eles esperavam um rei invencível e não uma vítima infeliz, mártir do perdão.6
Aquele final, tão infame como absurdo, sem resistência e sem glória, deixara-os completamente desorientados. Que o enviado de Deus fosse humilde, compreensivo com as crianças e as mulheres, amigo dos pobres e amável com os Seus inimigos, já lhes tinha sido difícil de aceitar. Mas que o Libertador de Israel não tivesse sido capaz de Se libertar a Si mesmo, que o Salvador não tivesse feito nada para Se salvar, que o Messias prometido tivesse sido assassinado no patíbulo dos mais abjectos criminosos,7 que o Rei esperado para resgatar o Seu povo do jugo do inimigo tivesse sido executado pelos romanos, era demasiado escandaloso para se poder acreditar. Se Deus existia, se Ele se importava com Israel, era impossível que tivesse consentido semelhante crueldade com Jesus de Nazaré.
Com certeza se tinham enganado. Tinha sido uma ilusão. Um inadmissível equívoco... Devia ser essa a verdade. Tudo havia terminado. E agora regressavam à sua realidade sem futuro. Para o seu vazio de antes. Com o passo pesado de quem já não tem forças para continuar, nem pressa de chegar, porque não vê nada na sua frente...


De súbito, uma terceira sombra aparece no caminho. Um viajante solitário que os alcança e decide acompanhá-los na caminhada. O forasteiro não lhes parece completamente desconhecido, embora não consigam perceber exactamente porquê.
Este caminhante ganha a confiança deles e, do modo mais natural, pergunta-lhes:
- Que assunto é esse sobre que tendes vindo a conversar pelo caminho?8
Incapazes de falar de outra coisa, põem-no ao corrente dos acontecimentos que os entristecem. O seu novo acompanhante deixa-Se informar, arriscando-Se a que Lhe digam:
- És a única pessoa de passagem por Jerusalém que não ficou a saber o que ali aconteceu nestes últimos dias?9
Aqueles homens angustiados têm muito que contar. O forasteiro escuta atentamente o relato que lhe fazem. Parece compreender a profundidade do sofrimento deles, porque não diz uma palavra. Deixa-os falar.
Os homens contam, aos retalhos, a sua dor e a sua desilusão. Falam-Lhe de Jesus, o seu admirado Mestre, "um Profeta extraordinário em obras e palavras, diante de Deus e diante do povo",10 de como os sacerdotes O entregaram para ser condenado à morte, de como O crucificaram... e de como foi sepultado, naquele túmulo que não Lhe pertencia.
- Já faz hoje três dias...
O tempo tem um terrível poder de erosão. Três dias chegam para acabar com a segurança e as convicções destes homens de fé. O desaparecimento do cadáver, complicado pela inverosímil hipótese de um milagre, fê-los afundar ainda mais na confusão.
- Algumas mulheres do nosso grupo foram de manhã cedo ao sepulcro e, como não encontraram o Seu corpo, vieram dizer que uns anjos lhes tinham dito que Jesus estava vivo. Alguns dos nossos correram logo para o local e, realmente, como as mulheres tinham dito, o corpo não estava ali. O túmulo estava vazio...11
Da dolorosa descrição dos factos passam à ainda mais penosa confissão pessoal:
- Nós esperávamos que fosse Ele o libertador de Israel...12
O viajante esperara este momento em que o coração ferido, vencidas já as suas reservas, se abre de par em par, deixando a descoberto as suas ilusões frustradas, as suas perguntas sem resposta.
Quando os caminhantes já chegaram ao fundo, náufragos da sua impotência, quando já disseram tudo, o forasteiro sabe que não têm mais remédio senão escutar. Depois das más notícias dos homens - de morte e de injustiça -, chegou o momento de lhes dar as últimas notícias. Notícias de Vida e de Esperança.
O forasteiro tem uma mensagem da Bíblia para quem já não acredita em nada. E aquilo de que necessitam: uma mensagem de ânimo, que os ajude a entender a sua inquietante realidade.
Nas Suas palavras, que já conhecem e ao mesmo tempo lhes parecem novas, os acontecimentos da véspera vão tomando perspectivas inesperadas. O repugnante crime acaba por ser mais do que apenas um crime. A vítima, mais do que apenas uma vítima. O Seu sacrifício, mais do que apenas um sacrifício. E nas suas mentes ofuscadas pelas sombras da cruz, uma luz irresistível começa a despontar.

Os velhos oráculos tornam-se uma promessa. A história inaceitável transforma-se num testemunho irrefutável. Na perspectiva dos desígnios divinos, a tragédia, o escândalo, a cruz e o túmulo vazio, assumem um aspecto novo. À luz das profecias a figura de Jesus de Nazaré vai-se definindo como o Libertador esperado.
- Não estava dito que o Messias teria de padecer tudo isto para entrar na Sua Glória?
13
Eles escutam-no, ouvindo sem replicar. Alguma coisa, no seu íntimo, lhes diz que o forasteiro tem razão. Que Deus não podia enganá-los. E do fundo do seu ser vai renascendo a fé, em borbotões de esperança, como um verdadeiro manancial que não se pode conter. Os textos mais do que conhecidos tomam nos Seus lábios um sentido tão claro que agora lhes parece mentira não o terem percebido antes.

O Messias incompreendido, rejeitado e crucificado pelos seus, estava anunciado nas Escrituras. Encarnando a terrível experiência do Servo sofredor descrito pelos profetas, o Salvador prometido, de um modo misterioso, através do Seu martírio, redimiria os homens.14
O caminhante acaba a Sua explicação, convidando-os com uma pequena e amável censura a reconsiderar as Escrituras, e a crer na sua incrível mensagem. Terminada, aparentemente, a Sua missão, começa a despedir-se dos que já chegaram ao seu destino. Mas conquistou-lhes de tal maneira o afecto, que aqueles homens emocionados não O deixam ir-Se embora:
- Fica connosco esta noite, que já é muito tarde. Explica-nos mais coisas. Não nos deixes.15
Temem talvez que, sem Ele, tudo volte a ser como antes? Têm medo de voltar a encontrar-se sós na noite das suas dúvidas? O forasteiro aceita-lhes o convite como se já o esperasse, e entra na casa deles para beneficiar da sua hospitalidade.
Depois de lhes ter reconfortado as almas aflitas, chegou o momento de lhes alimentar os corpos famintos. Toma o pão, abençoa-o e começa a reparti-lo...


Naquele instante os discípulos descobrem, atónitos, no estranho visitante o próprio Jesus.16
Não haviam conseguido reconhecê-lo pelas feições do rosto, nem pelo brilho do olhar, nem pelo tom da voz, mas bastou ver-Lhe as mãos marcadas pela maldade humana (uma maldade a que já não se sentiam alheios), abertas naquele gesto familiar de solidariedade, para que a ofuscação da mente desaparecesse e os olhos se lhes abrissem para a realidade espiritual e se encontrassem face a face com o esplendor do Ressuscitado. E eles, que não tinham sabido reconhecer Jesus no Caminhante, nem no Mestre, reconhecem-no finalmente pelo gesto íntimo do Amigo que lhes reparte o pão.
- Não nos ardia o coração enquanto nos explicava as Escrituras pelo caminho? Como não fomos capazes de vê-l'O antes?17
Estes discípulos tinham seguido Jesus durante vários anos. Tinham adquirido uma excelente formação religiosa. Tinham valiosas convicções. Mas naquela tarde tinham perdido de vista o seu Guia. Não foram capazes de reconhecê-l'O porque não esperavam voltar a encontrar-se com Ele.

Como a eles, também a nós a incredulidade e os problemas turvam às vezes a visão. Lamentamos a ausência de Deus na nossa vida, mas os nossos olhos estão cegos para todos os indícios do Encontro. Nem no culto comunitário mais inspirador, nem nas nossas orações mais íntimas, conseguimos perceber a presença divina ao nosso lado.
Quem nunca percorreu o doloroso caminho que se afunda nas trevas do desespero? Quem não conhece a angústia de voltar para trás e caminhar às escuras, perdido e sem ajuda? Quem não sofreu alguma vez por sentir a ausência de Deus? Quem nunca se afastou, na sua vida, desse Deus que parece guardar silêncio?
A queixa de que parece que Deus nos abandona no momento em que mais necessitamos d'Ele solta-se, dolorosa e repetida, dos lábios daqueles que mais se revoltam contra a injustiça e a miséria do mundo. Essa foi a única queixa de Jesus, agonizando na cruz:
- Deus meu, Deus meu, porque Me desamparaste?18

O homem, por mais forte que seja, sente que sozinho não pode fazer frente ao revoltante sofrimento de um mundo onde o mal parece triunfar sempre. Sente que necessita desesperadamente da ajuda de Alguém para poder manter-se firme na luta que acha ser necessária e que não tem sentido sem esse Alguém. A experiência mostra-lhe que é preciso mais valor do que aquele que lhe é possível tirar das suas forças para crer e fazer alguma coisa por um mundo melhor, quando tudo parece opor-se e a maldade prevalece. Que é preciso mais fé do que aquela que é capaz de encontrar por si mesmo para se empenhar numa luta cuja nobreza o encanta mas cujo fim não vislumbra.

O silêncio de Deus é uma pedra de escândalo para a maioria. A uns serve de pretexto para se desinteressarem de tudo o que não seja eles mesmos. A outros permite aventar a hipótese da não existência de um Ser supremo.
Para quem deseja crer, o silêncio de Deus é a prova mais dura da sua fé:
- Se Deus não me escuta, se não me responde, que terei feito? Porque será? Porquê?

Job debateu-se no centro dessa angústia que todos nalgum momento experimentamos, até que descobriu que a censura dos homens ao silêncio de Deus é a de não nos responder como nós desejamos.19 A de não Se pôr ao nosso serviço em vez de nos pormos ao serviço d'Ele. Em suma, de não ser um Deus à nossa imagem e semelhança.
O nosso drama situa-se na rejeição de um Deus que deixa o homem ser homem e que, como Deus, nunca pode deixar de ser Deus. Que, empenhado na nossa procura, nos fala "muitas vezes e de muitas maneiras"20 mas quase sempre incógnito.
Por isso, não é da nossa atribuição julgar Aquele que é o amor e a sabedoria absolutos, pela nossa impressão das Suas intervenções ou abstenções no nosso caso particular. Baste-nos saber que, se não parece agir - do modo imediato e mágico que desejaríamos -, é porque respeita a nossa liberdade - a mesma que defendemos com tanto interesse noutros casos - e prefere agir por nosso intermédio, potenciando a liberdade, a responsabilidade e a fraternidade humanas.
Como os discípulos de Emaús, precisamos de aprender a ver e a ouvir, vencendo os obstáculos do silêncio divino e da surdez ou da cegueira humana, as revelações do Eterno presente.

Quando, como eles, temos a coragem de O convidar a partilhar a nossa existência, a Sua deixa de ser um problema e, em vez disso, transforma-Se na solução dos nossos restantes problemas, capaz de superar as nossas limitações, incluindo a morte. Momento crucial de presença descoberta, mas também de aceitação da ausência. Quando O descobrimos como - sempre - presente, pode desaparecer fisicamente do nosso lado, porque nos deixa a segurança da Sua presença espiritual. Já não é apenas Alguém importante na nossa vida: é a razão dessa mesma vida.21
O Mestre que ilumina sem se impor, cumprida a Sua missão, "desaparece", porque chegou a hora de o discípulo tomar o Seu lugar e preencher com a sua presença a ausência de Deus na vida de outros. Até que o Encontro se produza e que o intermediário possa, por sua vez, ceder o seu lugar. Não há que interferir na intimidade do amor...
Cleofas e o seu amigo, fortalecidos por aquele pão que talvez nem sequer chegassem a comer, recuperam prontamente a sua energia. Já não importam as distâncias, nem os obstáculos nem os temores. Sem esperar um instante, levantam-se e correm a cidade para dizer a todos os que encontrem, a começar pelos amigos, que Jesus, a quem todos julgavam morto, Ressuscitou e Vive Para Sempre.22 Para anunciar aos que sofrem, duvidam e procuram, perdidos na noite das suas lutas, que não estamos sós. Que Alguém está presente, ao nosso lado, esperando que O deixemos acompanhar-nos, por muito que nos desviem os nossos caminhos para qualquer Emaús.


VEM A MIM

A vida tem tristeza, temores e aflição. E nossos sonhos parecem em vão.
Se estamos tão cansados querendo desistir, O nosso Mestre assim nos diz:

Vem a Mim! Com eterno amor te amei, Vem a Mim! Com paciência esperei.
Minha vida dei e Me entreguei, Sofri a cruz por ti,
Volta já para o lar, E hoje vem a Mim.


Lutar, lutar, até cansar, Parece ser assim, Quando vivemos sem ver o fim.
Mas ao sentirmos a firmeza da mão que nos conduz, Não temeremos, nós temos Jesus.

Referências:
1. Texto baseado em Lucas 24:13-35 (cf. Marcos 16:12, 13); 2. Cleofas é talvez o equivalente semita abreviado do grego Kleopatros. Conhecemos com este nome o esposo de Maria, a mãe de Tiago e de José (Mateus 27:55, 56; Marcos 15:40), uma das mulheres presentes na crucificação (João 19:25). O anonimato do seu companheiro de viagem deu lugar a numerosas hipóteses; supôs-se até que pudesse ser a sua própria mulher que regressasse com ele a casa (K. Bornhauser, The Death and Resurrection of Jesus Christ. Bangalore, 1958, págs. 221, 222). A igreja antiga identifica este Cleofas com o irmão de José de Nazaré, o pai adoptivo de Jesus (Eusébio, História Eclesiástica, 3:11, 32; 4:22); 3. Se Emaús ficava a 60 estádios de Jerusalém (Lucas 24:13) - sendo o estádio equivalente a 180 metros -, a distância era de aproximadamente onze quilómetros. A localização desta povoação põe alguns problemas: Amawas está a 30 Km (isto é a 160 estádios como indicam alguns manuscritos). Josefo faz menção de uma colónia militar com o nome de Ammaus, fundada por Vespasiano a cerca de 30 estádios a oeste de Jerusalém (Guerra 7:217). Hoje o lugar que se supõe ter sido Emaús chama-se el-Qubeibe; 4. Sobre o relato da crucificação de Jesus, ver Mateus 27:1-56; Marcos 15:1-41; Lucas 23:1-49; João 19:1-37; 5. Sobre a sepultura de Jesus, veja-se Mateus 27:57-61; Marcos 15:42-47; Lucas 23:50-56 e João 19:38-42; 6. Na cruz, Jesus tinha orado pelos seus algozes, dizendo: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" (Lucas 23:34); 7. Não podemos esquecer que Jesus foi executado oficialmente, no lugar de Barrabás, que era acusado de sedição e homicídio (Lucas 23:13-25), e que foi finalmente crucificado entre dois malfeitores (Lucas 23:32), salteadores ou bandidos (Mateus 27:38; Marcos 15:26); 8. Lucas 24:15-17; 9. Lucas 24:18; 10. Lucas 24:19, 20; 11. Lucas 24:22-24; 12. Lucas 24:21; 13. Lucas 24:25-27 (cf. 44-48); 14. Entre os textos de Moisés a que Jesus faz alusão, podemos citar Génesis 3:15 e 22:18; Números 21:9; Deuteronómio 8:15, 18, 19; e entre os dos profetas Isaías 40:10, 11; 50:4-7; 52:13 a 53:12; 61:1-3; 63:1-6; Jeremias 33:14-16; Daniel 9:24-27; Miqueias 5:2; Zacarias 9:9 e 12:10; 15. Lucas 24:28, 29; 16. Lucas 24:30, 31; 17. Lucas 24:32; 18. Mateus 27:46; Marcos 15:34 (citando Salmo 22:1). Sobre o sentimento de solidão e abandono de Jesus na cruz, veja-se E. G. White, O Desejado de Todas as Nações (Publ. Atlântico, 1992), pág. 823; 19. Job 42:1-6; 20. Hebreus 1:1-3; 21. Ver como Paulo formula esta experiência em Gálatas 2:20; Filipenses 1:21; 4:13; Colossences 1:27 e 3:3, 4; 22. Lucas 24:33-35. Cf. E. G. White, O Desejado de Todas as Nações (Publ. Atlântico, 1992), pág. 847.

DESPEDIDA ENTRE AMIGOS

A notícia espalhara-se com a rapidez de um relâmpago. Era uma notícia inacreditável, mas sabiam que era verdadeira. Não apenas porque desejavam intensamente que o fosse (como pretendiam aqueles que acreditavam n'Ele), mas porque qualquer pessoa que tivesse conhecido Jesus a fundo, sabia que tinha de ser assim. Jesus não era um sonho da sua imaginação, mas a mais sólida das suas realidades.1
- Por isso se tinham reunido naquela noite,2 na intimidade e no recolhimento expectante daquele sótão,3 os seus seguidores e amigos, desafiando a perseguição decretada por aqueles que não queriam que tivessem razão4 e continuavam a procurar argumentos e a montar guarda a um túmulo vazio.
Todos ali estavam porque um dia, desde aquela primeira vez que se dera a conhecer junto ao Jordão, O tinham encontrado. Era isso que, na realidade, os unia: a amizade de Jesus.

- Camponeses, pescadores, artesãos, donas de casa, funcionários, médicos, militares, operários, mendigos, estrangeiros. Pobres e ricos. Homens e mulheres. Velhos e jovens. Todos juntos. Mais de quinhentos.5
- Ali estava José de Arimateia,6 com outros aristocratas e intelectuais fariseus7, excluídos do Sinédrio, excomungados8 por terem abraçado a nova seita,9 decididos a usar toda a sua influência e talentos fazendo causa comum com os apóstolos do Nazareno.
- Ali estava um centurião romano10 e vários soldados que tinham deposto as armas para se alistar na luta pela paz.
- Ali estava Simão com outros terroristas que tinham fugido à prisão e sobrevivido aos seus atentados, militando agora, com mais valentia do que nunca, já não pela sua ideia de pátria, mas por uma liberdade sem fronteiras nem classes, mais ampla do que todas as liberdades civis.
- Ali estava também Mateus, o ex-cobrador de impostos, com os seus colegas banqueiros, empenhados agora não em aumentar a sua riqueza mas em partilhá-la e em convencer os seus antigos clientes de que o investimento mais rendoso é no tesouro do céu, onde as poupanças estão definitivamente seguras.11
- Ali estava a Madalena12 e várias ex-prostitutas famosas, quase irreconhecíveis, passando despercebidas, libertas, vivendo agora por e para outra espécie de amor.
- Ali havia inclusivamente alguns essénios,13 expulsos do seu mosteiro por terem compreendido que Deus prefere a vida a qualquer espécie de mortificação, e a fraternidade a qualquer espécie de ascetismo.

Eles Ali Estavam, Tão Diferentes Uns Dos Outros, Unidos, Apenas, Porque Um Dia Se Dera Um Grande Encontro Na Sua Vida.

Jesus tinha-os encontrado porque sabia ver e escutar:
- Porque atrás da máscara maquilhada de uma mulher da vida percebeu um pedido de ajuda, diante do qual não quis ficar indiferente.
- Porque atrás dos obstinados argumentos de um doutor da lei percebeu uma insegurança profunda e um desejo sincero de encontrar a verdade.
- Porque no tremor de um homem empoleirado numa árvore percebeu a sede espiritual de um marginal que não suportava mais a sua solidão.
- Porque nos remoques irritados de Marta soube entrever uma enorme necessidade de ser aceita e de encontrar uma escala coerente de valores.
- Porque atrás da curiosidade intelectual de um jovem elegante Jesus descobriu a angústia de um ser insatisfeito, em conflito entre os seus interesses egoístas e a sua sede de ideal.

Que Teria Sido De Cada Um Deles Se Não Tivessem Encontrado Jesus?

- Que teria sido de Maria de Betânia? Teria acabado por ser apedrejada em público pelas pessoas decentes do seu povo, ou continuaria a mesma vida no seu bordel até desaparecer na miséria do esquecimento ou de alguma doença fatal...
- Que teria acontecido ao gadareno e aos outros endemoninhados se não tivessem sido salvos do abismo da sua possessão? Durante quanto tempo os teriam torturado os seus exorcistas até à perseguição e à fogueira que lhes traria a libertação final?
- Que teria acontecido à fé e ao equilíbrio do pai do surdo-mudo, diante do sofrimento sem solução de um filho doente incurável?
- Que teria sido de Nicodemos e de outros teólogos, se não tivessem encontrado a chave da explicação das Escrituras e o verdadeiro sentido da religião? Teriam seguido a fé ou continuado a interpretar utopicamente a Bíblia, à espera da solução dos problemas humanos com a ditadura final de um supermessias?
- Que teria sido de Zaqueu, o chefe dos publicanos, se não tivesse descoberto o segredo da sua felicidade? Por quanto tempo teria continuado a defraudar o fisco e a extorquir os contribuintes para se vingar da amargura da sua frustração?
- Enfim, que teria sido de João, de André, de Cleofas e do seu amigo, e dos demais jovens ricos - ou pobres -, se não tivessem encontrado em Jesus o sentido da sua existência?
Ninguém poderia sabê-lo, nem mesmo eles próprios. Que importava isso agora, se Jesus lhes tinha vindo ao encontro e dado às suas vidas um rumo novo? Também ninguém poderia dizer de que maneira teria Jesus chegado mais uma vez até àquele sótão cheio de recordações.14 Mas que importava isso, ao fim e ao cabo? O essencial é que Ele estava ali com eles. Esse era um milagre, mas não seria um milagre ainda maior que eles ali estivessem com Ele?

O mais prodigioso é que o último encontro que teve com os seus primeiros amigos também dizia respeito a nós, porque Jesus lhes confiou a missão de partilhar com todos o que tinham aprendido nos seus Encontros com Ele.15 E também o encargo de nos dizer que O esperemos, porque voltará. Tão importante notícia não podia ficar no esquecimento entre os legados das memórias dos amigos de Jesus, nem nos arquivos da sua teologia. Estimulados pela alegria e pela urgência, correriam a difundi-la aos quatro ventos. Uns de viva voz. Outros por escrito. Alguns à custa da própria vida.
Aqueles homens e mulheres - nem mais crédulos nem mais dotados do que os outros - seriam capazes de desafiar todos os riscos para nos falar de Jesus, impelidos pela certeza de que cumpriria a Sua promessa.
Ele partiu, deixando aberta de par em par a porta da esperança, insistindo em que haveria de mantê-la sempre aberta. Sem muitas explicações, como Lhe era habitual, dando a entender que, ainda mais do que ser compreendido, para Ele era importante ser esperado. Em vez de nos incitar a olhar para trás, tornando-nos tributários de um passado cada vez mais distante, preferiu convidar-nos a observar o horizonte,

UNIDOS NA ESPERANÇA DO GRANDE DIA, cada vez mais próximo, em que voltará a reunir-nos num Encontro entre Amigos,
QUE NUNCA TERÁ FIM!"16

Unidos, porque enquanto a humanidade tende a instalar classes, categorias, hierarquias ou escalões, Ele apenas quer amigos. Porque enquanto o tempo acumula tradições, instituições e sistemas, Ele prefere manter um corpo unido, uma comunidade e uma família. Porque enquanto somos propensos a lançar os nossos anzóis rivais, Ele deseja lançar uma única rede. Porque enquanto tão facilmente descarregamos as nossas responsabilidades sobre um magistério, um corpo profissional ou um sacerdócio, Ele prefere, muito mais, o nosso testemunho directo.

Jesus assim o quis, porque sabia que, sem a nossa intervenção pessoal, faltaria sempre aos Encontros dos Evangelhos a emoção da transmissão directa. Por isso nos deixou o cuidado de lhes emprestar, todas as vezes, a voz, o coração e a força.

A ÚLTIMA PÁGINA DO EVANGELHO CONTINUARÁ INCOMPLETA ENQUANTO LHE FALTAR O TEU ENCONTRO

Referências: 1. Sobre os relatos da ressurreição, ver Mateus 28:1-15; Marcos 16:1-15; Lucas 24:1-12 e João 20:1-18; 2. Texto baseado em Lucas 24:33-53 e João 20:19-33; 3. Actos 1:3, 4, 13, 14; 4. João 20:19; Mateus 28:11-15; cf. Actos 41:1-31; 5:17-42; 5. I Coríntios 15:6; 6. Mateus 27:57-61; Marcos 15:42-47; Lucas 23:50-56; João 19:38-42; 7. João 19:39 cita Nicodemos entre os "príncipes" ou "principais" judeus (cf. João 3:1). Actos 6:7 fala de numerosos sacerdotes convertidos ao cristianismo, e Actos 15:5 menciona fariseus membros da nova igreja; 8. João 9:22, 34, 35 atesta que a ameaça de excomunhão por conversão ao cristianismo já existia enquanto Jesus ainda estava vivo; 9. O primeiro nome dado ao grupo dos discípulos foi "o caminho" (Actos 19:9, 23; 16:17; 18:25, 26; 22:4), logo a seguir considerado como uma seita (Actos 24:5; 28:22). Os discípulos de Jesus começaram a ser chamados "cristãos" pela primeira vez em Antioquia (Actos 11:26), talvez a partir da perseguição decretada por Herodes Agripa entre os anos 41 e 44 (Actos 12:1-3); 10. Hipótese baseada em Mateus 27:54; Marcos 15:39 e Lucas 23:47; 11. Ver Mateus 6:19-21; 12. O testemunho unânime dos evangelhos considera Maria Madalena a primeira testemunha do Ressuscitado (Marcos 16:9-11; cf. 1-8, 12-14; João 20:11-18; cf. Mateus 28:1-10.); 13. À parte o mosteiro de Qumran, a maior comunidade de essénios de que tenhamos conhecimento é a de Damasco. Em 1897, descobriu-se no Cairo um livro intitulado O documento de Damasco (ou Documento Sadoquita, publicado em 1910), que descreve a "comunidade da nova aliança" que devia instalar-se em Damasco, e que tem muito em comum com a Regra da Comunidade de Qumran. Uma importante conversão de essénios ao cristianismo em Damasco explicaria que Saulo de Tarso aí tivesse organizado uma perseguição (Actos 9:1-27; 22:1-16; 26:12-20); 14. Ver Lucas 24:36-49; cf. João 20:19-23; I Coríntios 15:6. O grande aposento superior de Jerusalém poderá ter sido o mesmo em que tivera lugar a Santa Ceia (Lucas 22:12-23) e a efusão do Espírito Santo no Pentecostes (Actos 1:12 a 2:5). Actos 1:3 diz que Jesus, depois de ressuscitar, deu aos discípulos "muitas provas" da Sua ressurreição "no espaço de quarenta dias"; 15. Ver Mateus 28:16-20; Marcos 16:14-18; Lucas 24:44-49; João 20:21-23; cf. Actos 1:1-8. No texto grego de Mateus, os diferentes elementos da ordem de Jesus não têm a mesma função na frase. Estão todos subordinados a "fazer discípulos". Por conseguinte, Jesus dá uma única ordem: "Fazei discípulos de todas as nações" e explica como o conseguir: indo, ensinando e baptizando; 16. João 14:1-3; Apocalipse 22:20.



Roberto Badenas, Escritor com livros publicados em vários países. Professor de Teologia, licenciado em França e com Mestrado e Doutoramento nos EUA. Exerce neste momento a sua atividade como professor na Facultad Adventista de Teología em Espanha (Links 3I). Textos do seu excelente livro ENCONTROS - um livro recheado, também, de psicologia. Publicadora Atlântico, S. A., Lisboa, Portugal, 1998.