sábado, 8 de março de 2014

Ultrapassar a DEPRESSÃO?... É Possivel!
"Não Tenho Tempo Para Estar Deprimida." S.E.



Já alguma vez pensou na depressão como sendo boa? Até há pouco tempo, eu considerava-a uma daquelas emoções más que simplesmente acontecem às outras pessoas. Pensava que como nós, cristãos, temos o poder de Deus à nossa disposição, conseguiríamos endireitar-nos puxando pelos cordões das nossas próprias botas. Se nos sentíssemos deprimidos, podíamos subir os degraus a, b e c - pensar positivamente, sair, ser agradecidos - e ficar de novo felizes.
Se esta fórmula não dava resultado, então naturalmente a nossa depressão resultava de algum pecado que não estávamos dispostos a abandonar. Deus continuaria a premir o botão da depressão até suplicarmos "Socorro!" Com base no que tinha lido, essa depressão sempre se desenvolvia a partir duma ira reprimida ou congelada. A solução para essa crise era pedir perdão e acabar com a ira.
Alguns casos de depressão podem ajustar-se a esta fórmula, mas muitos não. Insistindo nessas duas soluções para a depressão, nós garantimos que muitas pessoas continuarão a sofrer e que muitos cristãos irão para lugares errados em busca doutras soluções, ou pelo menos de alívio para a sua dor.
A palavra depressão significa diferentes coisas para diferentes pessoas. Os psicólogos e médicos empregam definições que incluem sintomas observáveis. Falam de depressão clínica em que os sentimentos se tornaram tão intensos que os sintomas fisiológicos se tornam evidentes. Muitos concordam, contudo, que a depressão pode ser bastante complicada. A pessoa pode estar deprimida e não apresentar qualquer sintoma típico. Eu emprego o termo com o seu significado normal, como sentimento que vai além dum desânimo temporário.
A dor emocional resulta em sintomas fisiológicos. Podem estar envolvidos sentimentos de ira, culpa ou pesar, mas é principalmente um senso de inutilidade e abandono que subjuga a pessoa. Quando as feridas são profundas e a depressão se tornou um meio de vida, são necessárias algumas das belas verdades bíblicas para a cura e controlo da depressão.
Primeiro que tudo, precisamos de reconhecer o facto de que a depressão é uma via normal das nossas emoções enfrentarem os traumas das nossas vidas. Estar deprimido não é pecado. Talvez isto seja um pensamento novo para si. Compare a depressão com a ira a esta luz. Lembre-se de que Jesus Se irou, mas não pecou. Ele reagiu a certos eventos com ira. A Sua ira dava-Lhe energia para responder de modo adequado a esses acontecimentos. Tal como a ira, a depressão torna-se pecado, apenas quando nós respondemos de modo errado, ao nos sentirmos deprimidos por razões erradas. De acordo com Cohen e Gans, no seu livro The Other Generation Gap (O Outro Abismo das Gerações),1 a depressão pode constituir a reacção mais lógica e apropriada que a pessoa experimenta numa perda. Pode servir um propósito positivo e saudável em pessoas que se confrontam com problemas imediatos.

Deixe-me ilustrar: Uma mulher de 35 anos acorda com medo desse dia. Ao longo dos anos tem sido dinâmica, confiante e produtiva. Agora, tem uma terrível dor de cabeça que não desaparece com aspirinas. Teme o dia, porque tem a certeza de que não lhe acontecerá nada de bom. Teme a noite, com as suas longas e solitárias horas, perguntando a si mesma se o sono chegará, enfim, para aliviar os seus dolorosos pensamentos. As semanas são cheias de choro incontrolável. Ela tem medo das suas anteriores actividades. E se começa a chorar numa loja ou no meio de amigos? Não pode compreender nem explicar o que está a acontecer. Assim, isola-se.
Esta mulher ilustra os principais sintomas da depressão. De acordo com Ministh e Meier, estes sintomas são designados por:

1. Melancolia (ou tristeza).
2. Pensamento doloroso (pensamentos negativos acerca do seu eu, falta de motivação, indecisão).
3. Sintomas físicos de insónia e falta de apetite.
4. Ansiedade que resulta em irritabilidade.
5. Pensamento ilusório, ou estar fora da realidade (págs. 23-28).


Na vida dos cristãos verificam-se de facto eventos traumatizantes. A depressão que daí resulta devia ser primeiramente rotulada de normal e não de pecado. Por vezes, a depressão que se verifica nessas ocasiões é branda. Podemos ter experimentado os sintomas de depressão em virtude da perda de um emprego, uma queda séria no ordenado, ou a morte dum amigo ou parente. Tenho amigas que atravessaram divórcio, paralisia por acidente e a perda do cônjuge após um casamento longo, agradável a Deus e sólido. Todas essas mulheres experimentaram mais que uma depressão leve.
Muitos de nós enfrentamos a depressão em certas ocasiões - mesmo sem experiências tão traumatizantes. Eu sou a mulher descrita acima e que tinha medo do dia à sua frente. É irrealista dizer que os crentes nunca devem experimentar depressão. Eles experimentaram-na no tempo de Elias e Moisés, e continuam a experimentá-la no nosso tempo.
Philip Yancey faz uma aplicação no seu livro Where Is God When It Hurts? (Onde Está Deus Quando se Sofre?)2 A dor física tem um propósito bom. Avisa-nos de algum ferimento ou doença. Se a pessoa não sente dor, está com problemas. Se, por exemplo, devido a lepra, alguém fica sem sensibilidade nos pés, pode usar sapatos que o magoem ao ponto de lhe caírem parte dos pés. Isso podia evitar-se se se tivesse retirado a pressão dessa parte frágil do corpo - se tivesse sido protegida. Em vez disso, o dano torna-se irreparável.
A depressão avisa-nos de que temos uma pressão ou sofrimento em qualquer lado. Às vezes, isso expressa-se por meio de respostas óbvias, como profundo pesar. Quando Jeanne Good perdeu o marido, ficou profundamente acabrunhada. A depressão que se seguiu era compreensível. Contudo, a depressão pode levar a sentimentos e acções que nos desconcertam. Podem ser tão complexos que nos sentimos incomodados, ou mesmo perturbados, tentando descobrir o como e o porquê do que nos está a acontecer.

Na minha própria experiência, a minha mente e emoções lutavam por se restabelecer. As minhas emoções tinham sido prejudicadas por experiências da infância, embora eu não estivesse consciente desse sofrimento durante anos. Nesse período de depressão, a minha mente trouxe à superfície dolorosas recordações que há muito haviam sido esquecidas. Senti ira, ódio e culpa. Eu não sabia que a minha mente tinha de reconhecer o mal para então poder começar o processo de cura.
As nossas mentes procuram sanar os sofrimentos, exactamente como os nossos corpos tentam recuperar duma doença. Às vezes podemos identificar o acontecimento que provocou a nossa depressão. Noutras ocasiões é impossível. Às vezes, um incidente aparentemente insignificante provoca uma depressão profunda e absolutamente imprevista. Se nos temos considerado como equilibrados e emocionalmente fortes (como acontecia comigo), isto é particularmente desconcertante.
A cura física é trabalhosa. O corpo tem de se recompor e pode exigir alguma ajuda para esse fim: vitaminas, minerais, proteínas, descanso e talvez mesmo medicamentos. O organismo precisa de tempo para assimilar tudo isso. A cura emocional e mental através da depressão é igualmente trabalhosa. Talvez seja por isso que é tão difícil viver com essa emoção e controlá-la. Nós queremos respostas rápidas e fáceis para tudo. As raízes da depressão desenvolvem-se ao longo de muitos anos. Os resultados imediatos são negativos. O fruto positivo aparece, só após um longo período de tempo.
Ao escrever estas palavras, estou a ver uma encantadora cerejeira de Jerusalém junto à minha secretária. O fruto carnudo e vermelho contrasta com as folhas verdes e abundantes. Há um mês, esta bela árvore estava coberta de botões de aspecto miserável. Eu não podia evitar o cheiro acre nem apreciar a beleza da folhagem. A planta tinha um aspecto feio, e o cheiro era ainda pior. Contudo, ela não teria agora qualquer encanto se não tivesse antes atravessado essa fase.
A depressão é assim mesmo. O período depressivo da minha vida foi horrível, mas eu tive de o experimentar para que a cura se pudesse verificar. Teria eu pedido os acontecimentos que conduziram à minha depressão? De maneira nenhuma! Tive prazer nos sentimentos desses meses? Claro que não. Mas agora alegro-me e sinto-me grata por esta experiência - e o meu marido também! O resultado da depressão foi bom. O trabalho da cura emocional e mental foi produtivo.

Há certas ferramentas que nos podem ajudar no processo da cura da depressão. Antes porém de pegarmos nessas ferramentas, preciso dar uma palavra de cautela: Não leve muito a sério todos os conselhos das amigas. Lembre-se da experiência de Job. Já dissemos que a depressão é complexa. As suas raízes são profundas. Talvez ninguém entenda de facto o seu caso. Eis três chamadas de alerta que recebi de amigas: "Estás a negligenciar o teu marido"; "Estás a negligenciar os teus filhos"; "Estás a negligenciar-te a ti própria." O facto de ouvir todas essas chamadas de alerta ainda me deixaram mais deprimida! Cuidado. Nem todos os que se interessam por nós podem ajudar.


FERRAMENTAS PARA A CURA DA DEPRESSÃO

Ferramenta Nº1: Uma Auto-Imagem Positiva


Muita da dor emocional que experimentamos durante a depressão resulta duma falta de valor próprio. O Dr. David D. Burns, autor de Feeling Good: The New Mood Therapy, afirma que só o nosso próprio senso de valor pessoal determina a maneira como nos sentimos.3 Eu tenho o direito e obrigação de me ver positivamente, como Deus nos vê. Eu posso adoptar a Sua imagem de mim, como minha mesmo, ou então destruir-me, utilizando qualquer outra base para a avaliação do meu valor próprio.

Era uma vez um homem que tinha tudo a seu favor. As pessoas olhavam duas vezes para a sua altura e bom aspecto físico quando ele passava. Na juventude, Deus chamou-o para ser um líder. Talvez porque ele era forte e muito trabalhador. Talvez até porque não era vaidoso. Qualquer que fosse a razão, a verdade é que Deus viu o seu potencial e deu-lhe a mais elevada posição política de liderança no país, tornando-o rei de Israel.
Deus nunca nos dá uma responsabilidade sem que nos capacite para a realizarmos; isto verificou-se bem no caso deste jovem. De facto, esse homem ouviu palavras especiais de apoio e segurança. "Faze o que achar a tua mão, porque Deus é contigo" (I Samuel 10:7).
O mundo começou a girar. Os habitantes da sua cidade ficaram com ciúmes dele. (Quando adquirimos influência de repente, ela divide muitas vezes os nossos amigos e multiplica o número de pessoas das nossas relações). Em breve as ameaças militares foram seguidas por vitórias. A sua estatura política e militar cresceu. Ele não acumulou mulheres como muitos homens faziam, à medida que adquiriam popularidade. Tinha uma esposa e cinco filhos. Pelo menos um desses filhos tornou-se um homem íntegro e de grande capacidade.
Após alguns anos, nuvens de depressão imobilizaram esse líder. Não conseguia dormir. Projectou matar um homem que o tinha servido fielmente. No meio da sua ira, tentou mesmo matar o próprio filho. Passou os últimos anos de vida cheio de ódio e perseguiu amargamente um homem que tinha feito o voto de nunca o prejudicar.
Porque é que o nosso Deus omnisciente incluíu a história de Saul na Bíblia? Há uma bela sabedoria acerca da depressão na sua experiência. Quando lemos a respeito dos princípios de Saul, reparamos que era um homem humilde. Ficou surpreendido por ser ungido rei, pois provinha duma família pequena - a tribo de Benjamim. Quando chegou ao momento de ser publicamente eleito, escondeu-se. Isto não descreve, certamente, um indivíduo interessado em honras, ou orgulhoso da sua ascendência. Depois de ter assumido a sua função de rei, ainda encontramos Saul a trabalhar nos campos, como antes fazia. A humildade de Saul era uma característica que Deus desejava utilizar.
No princípio do reinado de Saul, vemos que ele tinha outra preciosa característica: não guardava rancor. Nessa época, o novo rei recebia presentes. Alguns dos perturbadores da sua cidade natal responderam à sua nomeação para rei, dizendo: "É este o que nos há-de livrar?" (I Samuel 10:27). Desprezaram-no e não lhe deram quaisquer presentes. Saul, porém, manteve-se em silêncio. Já tinha um círculo de homens valentes. Podia ter exigido presentes ou ter criado problemas àqueles perturbadores, de variadas maneiras. Contudo, não o fez. Podemos conhecer a estatura de alguém pelas pessoas que ignora.
Depois da primeira grande vitória militar de Saul, no frenesim das celebrações e zelo pelo êxito, as pessoas queriam matar todos os que se tinham oposto à nomeação de Saul como rei. Teria sido politicamente aceite que Saul desse o seu assentimento a tal desejo, mas não o deu.
Saul tinha ainda outra característica que Deus pretendia usar; era um pacificador. Saul tornou-se rei dum grupo de pessoas independentes entre si. Estavam divididas por clãs e não tinham inclinação natural para trabalharem juntas. Saul uniu-as. O povo disperso, que podia ser dominado por qualquer inimigo, tornou-se uma nação de poder militar.
Estes mesmos pontos fortes, as características que Deus muito desejava usar, acabaram por ser deformadas e corrompidas, tornando-se confusas e mal aplicadas. A depressão foi sendo tecida nas emoções de Saul. Ele não conseguiu vencê-la. Consentiu que ela se tornasse uma emoção negativa e asfixiante que alterou o seu pensar, o seu viver, os seus padrões de conduta.
Que aconteceu à humildade de Saul, à sua natureza perdoadora e à sua capacidade de unir as pessoas? Ele sucumbiu a uma crise de identidade. Foi especial no princípio por uma razão vinda de Deus. O Senhor tinha-o criado e tinha-lhe entregue uma tarefa para ele realizar. Saul podia ter-se sentido bem em relação a si mesmo se tivesse aceite a aprovação de Deus. O problema é que ele começou a preocupar-se antes em conseguir a aprovação dos homens.
Isto vê-se muito nitidamente na forma como Saul reagiu à vitória. Quando era humilde, disse: "... hoje tem obrado o Senhar um livramento em Israel" (I Samuel 11:13). Quando procurava mais, atribuiu a glória da vitória a si próprio. Negou ao seu próprio filho o crédito do ataque a uma guarnição dos filisteus. Quando outros soldados conquistavam honra em combate, Saul ficava ciumento. "... Saul feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares" (I Samuel 18:7). Saul observou atentamente David dali em diante e a pungente atmosfera de depressão envolveu-o, afectando toda a nação.

Saul é o exemplo clássico da pessoa que podia ter tido um positivo conceito de si próprio. O problema é que quando o seu tempo de crise chegou, ele procurou a aprovação das pessoas, e isso nunca é suficiente para dar a alguém uma auto-imagem positiva. Um equilíbrio emocional saudável não pode coexistir com uma conduta egocêntrica, orientada pelo pensamento "Tenho de parecer o maior". Quando levamos a nossa necessidade de aprovação a Deus, Ele aceita-nos, ama-nos e apoia-nos. Quando levamos a nossa necessidade de apoio aos outros, eles não nos podem amar o suficiente, nem mostrar-nos aceitação, ou dar-nos uma base para o nosso valor próprio. Ficamos então intimamente irritados e podemos mesmo alimentar ressentimentos contra aqueles que não nos satisfizeram. As pessoas simplesmente não podem fazer o que Deus pode fazer. Não podem dar uma aceitação não qualificada.
Saul começou a cometer erros; como numa reacção em cadeia, eles amarraram-no com um crescente e íntimo sentimento de culpa. Ele recusou-se a mudar o seu comportamento, de modo que a culpa revelou-se em destruição. Loucamente comprometeu os seus soldados num voto de jejum, quando precisavam de energia. Talvez tenha ficado radiante com a leal obediência dos seus homens na altura, mas mais tarde teve de lutar para encarar o pecado dali resultante. Apanhou o seu próprio filho na rede. Ele não obedeceu completamente a Deus destruindo a nação que havia derrotado. Em vez disso, poupou tudo o que lhe parecia bom. Os bens terrenos tornaram-se importantes para ele. Perdeu a capacidade de perdoar os danos e ofensas. As pessoas contavam mais para ele do que o próprio Deus. Repare numa das confissões de Saul: "Pequei, porquanto tenho traspassado o dito do Senhor e as tuas palavras; porque temi ao povo, e dei ouvidos à sua voz" (I Samuel 15:24).
Samuel disse a Saul que seria escolhido um novo rei por ele ter rejeitado o Senhor. Saul devia ter-se ajoelhado e chorado pelo seu grande fracasso. Como é que ele reagiu? "Pequei: Honra-me, porém, agora diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel" (I Samuel 15:30). Os ressentimentos alimentados pela auto-imagem deformada de Saul resultaram em acções irresponsáveis. E a culpa devida a esses actos aumentou ainda mais o peso da sua depressão.

Já se examinou a si própria para ver se a sua depressão não é curada em virtude duma auto-imagem deformada? Às vezes sentimo-nos tão indignos, tão confusos e tão descontentes connosco, ou com o nosso pecado, que achamos que não somos ninguém. Lembre-se disto: Foi criada e é amada como um ser especial em que Deus tem prazer. A própria fraqueza que descobriu ao analisar a sua depressão pode ser aquilo que Deus deseja usar para Sua glória.


Ferramenta Nº2: Um Corpo Saudável

Já dissemos que a depressão é muitas vezes provocada por um acontecimento traumatizante na nossa vida. A depressão que se segue geralmente ao nascimento dum filho é chamada por vezes 'a melancolia do pós-parto'. Os nossos corpos exerceram o máximo esforço no mínimo período de tempo nas nossas vidas. Muitas vezes sentimos o conflito devido ao aumento doutro ser dependente.
Livros recentes sobre a crise da meia-idade salientam que a depressão acompanha o reconhecimento de que as nossas vidas já vão a meio e que ainda temos sonhos por realizar. Verificamos que os nossos corpos já não conseguem manter o ritmo anterior. A nossa aparência ou forma pode estar a mudar e não nos agrada muito o que vemos. Mas queremos trabalhar mais e também fazer exercício.
A depressão acompanha a insuficiência de açúcar no sangue, quer esta seja contínua, ou nos momentos temporários de fome antes das refeições. Pode seguir-se a um período em que estivemos particularmente ocupados.
Qual é o denominador comum de todas estas situações? Que os nossos corpos estão esgotados por um acontecimento traumatizante, por esgotamento físico ou por ambos. Elias exemplificou isto. Ele havia experimentado uma tremenda vitória. O clímax emocional da vitória, embora estimulante para a mente e para as emoções, é exigente em relação ao corpo. Elias foi ameaçado e fugiu. A sua fuga resultou em exaustão acompanhada de depressão. Deus não lhe agarrou nos ombros para o repreender pela sua emoção pecaminosa. Alimentou-o. Deixou-o descansar. Depois pôde ensinar-lhe outra lição. Mas primeiramente o corpo de Elias precisava de recuperar as forças.

Uma jovem mãe pode ser particularmente susceptível de cair em depressão. Há razões válidas para isso. A gravidez, amamentação e cuidado do filho exigem muito do organismo. Na nossa cultura de "pele e osso", ela está provavelmente a diminuir o peso à custa do estado geral da sua saúde. O seu padrão de sono é perturbado pelas exigências do seu bebé. Se tem outros filhos pequenos, acha particularmente difícil conseguir descansar o suficiente. Debate-se talvez ao mesmo tempo com a sua identidade, uma vez que o movimento feminista tem depreciado bastante a maternidade. Hábitos de alimentação que a sustinham antes do casamento e da maternidade não são agora adequados. Hábitos de sono, que a mantinham quando não havia um esgotamento emocional constante devido aos filhos pequenos, já não são possíveis nem suficientes. Como as exigências ao seu tempo aumentaram, ela talvez opte por tomar um pouco de açúcar para reagir e uma chávena de café em vez de se dispor a comer uma peça de fruta.
É bom lembrar que Deus dá valor aos corpos que nos deu. Como templos do Seu Espírito Santo, eles são importantes. Como Suas criativas obras-primas, eles são muito importantes. O cuidado com os nossos corpos faz parte da nossa mordomia ou boa administração. Não conseguimos melhor quilometragem dos nossos carros se andarmos com eles sem atentarmos nas suas necessidades de reparação. Eu cheguei à conclusão de que tratava o meu corpo como uma máquina. Enquanto ele andasse, ia a toda a velocidade. O colapso era inevitável.
Felizmente, Deus pôs a senhora Opal Fasig na minha vida. Aos 75 anos, a sua pele estava mais lisa que a minha. Era activa e vibrante. Explicou-me o valor das diferentes vitaminas e disse-me onde podia comprar o melhor alimento pelo mínimo preço. Ela era um exemplo de sábios hábitos alimentares, da boa mordomia do seu corpo.

No seu livro Men In Mid-Life Crisis (Os Homens na Crise da Meia-Idade), Jim Conway salienta que o exercício e a vida ao ar livre o ajudaram a atravessar o seu período de depressão.4 Quando nos sentimos deprimidos não é prudente planear um programa de exercício rigoroso para conseguirmos pôr de novo em forma o corpo alquebrado. Implementar o programa seria provavelmente impossível. Talvez seja razoável começar por dar uns passeios. Eu descobri que andar de bicicleta tinha uma acção terapêutica. Ir até um parque florestal era repousante e, ao mesmo tempo, um bom exercício. O rio acalmava o sofrimento da minha mente e lançava-o por água abaixo. O cheiro da vegetação acabava com as tensões. Outros poderão ver o rio Des Plaines como moribundo e poluído, mas é o único rio que eu tenho. Ele tem sido um porto para os patos e para algum meu pensamento confuso.
A depressão pode apresentar alguns bons resultados - alteração de hábitos que beneficiam o nosso corpo. Agora eu faço viagens de bicicleta para os parques florestais porque me apetece e não por desespero. O exercício continua a ser bom; a terapia é barata; e o resultado satisfaz.


Ferramenta Nº3: Controlo de Pensamentos Automáticos

Talvez pense que tem uma mente dum só trilho. Ninguém a tem. Podemos não estar conscientes do que acontece nas nossas mentes, mas há muitos sulcos.
Por exemplo: Alguém lhe faz um elogio: "Está muito linda esta noite." Sussurra então que mal teve tempo de se vestir. Pediu a saia emprestada à sua filha e não lhe serve bem. "Parabéns. Fez um trabalho muito bom." Responde então que foi apenas sorte. Qualquer outra pessoa podia ter feito melhor. Num sulco atrás na sua mente sussura uma mensagem: "Eu sou estúpida e feia. Eu sou estúpida e feia. Os elogios não podem ser verdadeiros. Eu sou estúpida e feia."
Embora não estejamos realmente conscientes deste tipo de pensamento, ele exerce grande poder sobre nós. Tudo o que vemos e ouvimos é reinterpretado por meio destes pensamentos automáticos.
Em tempos de depressão, estes pensamentos são mais audíveis e mais numerosos que noutras épocas. Os pensamentos automáticos mais frequentes nas pessoas deprimidas são os seguintes: "Eu não valho nada." "Fui tão estúpida em fazer isto. Ninguém vai gostar de mim." "As pessoas não me tratam bem." Durante a depressão estes pensamentos automáticos podem monopolizar as nossas mentes mesmo que não cheguemos a ter consciência do facto. Contudo, os pensamentos afectam os sentimentos e nós apercebemo-nos perfeitamente dos sentimentos. Achamos que somos uma verdadeira nulidade. Sentimo-nos culpados. Sentimo-nos em conflito.
Que poderemos fazer em relação a esses pensamentos? Primeiro, apreendemo-los e identificamo-los. Depois, controlamo-los. Corrigimo-los se estão errados e lançamo-los fora se são inúteis.

A Patrícia sentia-se inútil, mas na medida em que ia realizando alguma coisa conseguia viver com tal sentimento. Frequentou a escola, arranjou um bom emprego, casou e teve seis filhos. Quando o seu último filho tinha três anos, a vida dela mergulhou em depressão. As amigas lembravam-lhe os êxitos da sua vida: "Repara nestas crianças lindas e saudáveis. O teu marido ganha bem e gosta de ti. Lembra-te dos teus cursos." A Patrícia sentiu-se então culpada por estar deprimida.
Perguntou a si própria: "Porque é que me sinto inútil?" Pensou na sua infância. A mãe morrera quando ela tinha sete anos. O pai era indiferente. Ela conseguira sempre atrair a atenção da madrasta e do pai com as suas realizações. Tornou-se vital para o seu senso de valor próprio estar sempre a realizar algo. Quando aquilo que fazia não era de molde a medir-se, sentia-se inútil.
A Patrícia agarrou o pensamento automático "Eu não sou ninguém se não estiver a realizar algo mensurável." Controlou então esse pensamento. "Eu sinto-me uma nulidade por causa do meu passado. Eu sou alguém para Deus, porque Ele me criou e tem um plano para a minha vida. Ele aceita-me, quer eu realize coisas mensuráveis, ou não." Os seus sentimentos a respeito de si própria baseavam-se agora em factos e começaram a mudar.

Estas vitórias não acontecem instantaneamente. Por vezes é necessária ajuda profissional para captar esses pensamentos subconscientes e automáticos. Mas vale a pena o esforço, pois os sentimentos não poderão mudar enquanto não os basearmos em factos correctos.
Durante a depressão acontece normalmente que os nossos pensamentos íntimos se tornam irracionais. Cometemos um erro. Exageramo-lo. Depois dum acidente com o carro, concluo que sou a pior condutora do mundo. Entorno qualquer coisa, mesmo água simples, e condeno-me por falta de cuidado. Um investimento desvaloriza, e eu classifico-me logo como falhada. É importante que interpretemos estes pensamentos e os classifiquemos com precisão. Nós cometemos erros: todos cometem. Isso faz parte da vida e da aprendizagem. Talvez ajude o facto de escrever os seus pensamentos. O controlo pode ser mais fácil no papel. Filipenses 4:8 dá-nos as directrizes para o controlo desses pensamentos. Serão eles verdadeiros, honestos e justos? Serão puros, amáveis e de boa fama? Haverá alguma virtude que resulte de manter tais pensamentos? Se não, lance-os fora!
A Bíblia ensina-nos que aquilo que um homem ou uma mulher pensa no coração é que o caracterizará (Provérbios 23:7). Também nos ensina que aquilo que nós pensamos no coração é que guiará a nossa língua (Lucas 8:45). Se não apanharmos e controlarmos os pensamentos errados, eles irão moldar-nos e afectar todos os nossos relacionamentos. Se durante um certo período pensarmos que somos estúpidos e feios, com o tempo começaremos a agir em harmonia com isso. Se pensamos que as pessoas nos tratam mal, acabaremos por as fazer tratar-nos dessa maneira. Então não haverá qualquer fruto positivo desse período de depressão. Pode permanecer como um hábito emocional mau que leva com ele a infelicidade.


Ferramenta Nº4: Um Amigo Compreensivo

"A mulher que tem muitas amigas pode congratular-se, mas há amiga mais chegada que uma irmã" (Provérbios 18:24). Os amigos podem intensificar a dor da depressão. Como já disse, nem todos os que se interessam por nós nos podem ajudar. Muitas vezes os amigos não compreendem. Há ocasiões em que o nível do seu interesse por nós é superficial. Contudo, podemos descobrir uma verdadeira gema entre as nossas amizades durante uma crise de depressão.

Uma boa amiga sentirá consigo enquanto gentilmente a ajuda a erguer-se em vez de a acompanhar na descida. Este tipo de amizade é verdadeiramente rara.
Por favor, simpatize com a sua própria amiga. Se o caso dela é semelhante ao meu, lembre-se de que a dor que ela sofre é real e geralmente justificada. Uma senhora foi para o seu círculo de oração em sofrimento. Tinha estado a debater-se com a depressão durante semanas e sentia-se à beira do abismo. Disse às amigas que estava a sofrer. Elas não acreditaram. Como é que ela podia estar a sofrer com uma cara tão linda? Achavam que ela tinha a família perfeita. Recusaram-se pois a atender o seu pedido de ajuda.
Aquela senhora achou alívio para a sua dor numa garrafa de álcool. Não precisava de continuar a explicar e a convencer ninguém para sentir calor e entorpecimento. A garrafa era um alívio garantido e sempre à mão.
Que fazemos quando uma amiga adoece? Dizemos que temos pena. Se é internada, levamos-lhe perfume ou chocolates, ou lilases do nosso jardim. Isso é mostrar simpatia.
Quando a minha amiga Gail ficou paralisada da cintura para baixo em consequência dum acidente, recebeu cartas que diziam que se ela tivesse mais fé podia levantar-se e andar. Outra carta dizia que se ela sondasse o pecado que havia na sua vida e se arrependesse seria curada. Isso não é mostrar simpatia nem amizade.
Um indivíduo da Bíblia teve o mesmo problema que Gail, embora a sua deficiência física fosse de género diferente. Era cego de nascença. As pessoas perguntaram a Jesus: "Quem pecou, este ou seus pais?" (João 9:2).
Jesus respondeu, efectivamente: "Nem ele pecou, nem os pais. Isto aconteceu assim para que eu vos pudesse ensinar uma lição a vós, homens insensíveis e críticos." A lição que Jesus ensinou pela Sua acção foi que Ele veio à terra para ajudar as pessoas que sofriam e lhes dar cura. Ele veio enfrentar a deficiência que os afligia, em vez de negar que ela existia ou que tivessem um sofrimento legítimo. Só então se poderia verificar a cura.

A depressão é um sofrimento tão real como uma úlcera no estômago. Será errado dizer: "Lamento que esteja a sofrer", "Os seus pais não o deviam ter tratado desse modo", ou "Deve realmente sentir a falta dele à noite"? Simpatia significa ampararmo-nos uns aos outros e chorarmos pelas coisas humanas que acontecem. É amar uma pessoa despedaçada e dar-lhe espaço para cair, ficando lá a juntar os bocados, quer o consiga, quer não.
Este tipo de amizade é raro? Se o tiver, talvez não precise da ferramenta a seguir.

Ferramenta Nº5: Ajuda Profissional Cristã

Nem toda a gente precisa de ajuda profissional cristã em tempos de depressão, mas há ocasiões em que se torna necessária. Temos ouvido crentes dizer que um cristão nunca deve recorrer a um psiquiatra. No entanto, essas mesmas pessoas correm ao médico em busca dum antibiótico, se tiverem uma infecção. Põem gesso num braço partido para auxiliar a cura. Não vou discutir esse ponto aqui, em pormenor. Penso, todavia, que precisamos de reconhecer que as nossas mentes e emoções são complexas. Às vezes somos incapazes de desemaranhar os dolorosos enredos, sozinhas. Frequentemente os nossos amigos não conseguem ser bastante objectivos para nos ajudarem. Em certas ocasiões são mesmo parte do problema.
A minha opinião é que a ajuda dum profissional não-cristão é extremamente limitada. O psiquiatra não-cristão é seriamente deficiente em nos ajudar a estabelecer sentimentos de valor próprio. A nossa base absoluta para o sentimento de auto-estima tem origem em Deus. Ele fez-nos únicos à Sua imagem e aceita-nos como somos. Se apagarmos Deus do quadro, tornamo-nos seres que apareceram por acaso. Não temos qualquer propósito na vida, a não ser os alvos que estabelecemos para nós próprios. Estes serão, no melhor dos casos, egoístas, mas o mais provável é que sejam destrutivos para nós e para os outros. Sem Deus como fundamento, como é que se pode estabelecer qualquer senso de auto-estima? Jesus é o nosso exemplo vivo, em carne e osso, de Deus. A Sua morte por nós prova o nosso valor para Ele e Seu Pai. Agora temos uma evidência histórica do nosso valor. Não vejo como é que uma auto-imagem saudável se possa estabelecer ou reafirmar sem tal base bíblica.

Métodos usados em aconselhamento secular têm-se entrelaçado com a filosofia humanística secular. Têm-se tornado profissionalmente aceites práticas que violam princípios bíblicos. Um psiquiatra cristão falou de colegas não-cristãos que tinham relações sexuais com as suas clientes para as libertar da sua 'tendência' para pertencerem a um só homem. Tenho uma amiga cuja filha adolescente foi hospitalizada e dirigida para um quarto com rapazes e raparigas. Foi estimulada a estabelecer relações íntimas com todos para se sentir aceite. Seis meses e 24 000 dólares depois, foi mandada embora com a informação: "Não se notaram melhoras acentuadas."
Felizmente, temos hoje profissionais bem qualificados que são cristãos. Há profissionais que usam o termo 'cristão' para atrair um número maior de doentes, mas as suas práticas não são bíblicas. Procure informar-se não só das credenciais, mas também da prática, antes de confiar as suas emaranhadas emoções a alguém, com vista a pô-las em ordem.
Ferramenta Nº6: Gratidão

Referimo-nos a este instrumento com tanta fluência que parece pouco importante. Mas ele nem é de baixo custo nem de baixo valor, antes algo de precioso no tratamento positivo da depressão. Como esta segue muitas vezes eventos traumatizantes, talvez queiramos acusar Deus em vez de Lhe agradecer pelo que aconteceu. Podemos lamentar que o acontecimento se tenha verificado e podemos visualizar ou sonhar com o que seria se as circunstâncias tivessem sido diferentes.
A seu tempo, se estamos interessados em deixar que a depressão actue positivamente, temos de aplicar o princípio de Romanos 8:28. Deus é suficientemente grande e suficientemente poderoso para fazer resultar bem de qualquer coisa. Foi este facto que permitiu a Corrie Tem Boom agradecer a Deus os anos que passou num campo de concentração. Foi este facto que habilitou Paulo a escrever uma carta positiva de louvor aos filipenses. Foi este facto que habilitou a Patrícia a agradecer a Deus o pai e a madrasta. Eu tenho conseguido agradecer a Deus as experiências da minha infância. Gratidão significa agir sobre o facto antes que os nossos sentimentos tenham mudado. Em devido tempo sentir-nos-emos gratos.
A Bíblia sempre nos tem exortado a sermos gratos. Como devemos dar sempre graças, devemos desenvolver o hábito da gratidão. É interessante ver que as investigações seculares estão precisamente agora a 'provar' isso. No seu livro Cognitive Therapy and the Emotional Disorders, o Dr. Aaron T. Beck afirma que a nossa disposição não dita os nossos pensamentos; são estes que governam a nossa disposição.5 Se pensarmos correctamente, sentiremos correctamente.

Quer sentir-se grata? Então pense grata. Faça uma lista dos motivos que tem para estar grata. Reveja essas coisas na sua mente. Agradeça a Deus em voz alta por elas. Imagine diferentes coisas boas que poderão resultar de alguma das suas dolorosas experiências de crescimento. Agradeça a Deus os infindáveis potenciais positivos.


PASSOS A DAR:
1. Escreva a base para uma auto-imagem positiva. Escreva o que Deus pensa de si. Efésios 1:2-8 pode ajudá-la.
2. Que mudanças realistas podia operar nos seus hábitos alimentares? Que actividade se ajustaria à sua vida para gozo e melhor saúde? O seu corpo merece o investimento de planeamento e tempo.
3. Pratique o controlo dos seus pensamentos subconscientes e automáticos. Decore Filipenses 4:8. Uma avaliação honesta de si própria (Romanos 12:3) inclui os seus pontos fortes. Que qualidades tem que estejam à disposição para uso de Deus?
4. Seja uma amiga simpática. Se tiver uma amiga assim, saiba reconhecer-lhe o valor.
5. Que bem poderá resultar deste tempo de crescimento? Comece por agradecer a Deus o potencial que talvez lhe não seja evidente na altura. É natural que outra pessoa consiga destacá-lo, ou poderá mesmo vir a descobri-lo sozinha. Comece a agradecer a Deus, mesmo antes de ver os resultados.


kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Senhor, ouve a minha oração, E chegue a Ti o meu clamor.
Não escondas de mim o Teu rosto no dia da minha angústia;
Inclina para mim os Teus ouvidos; No dia em que eu clamar, ouve-me depressa.
Porque os meus dias se consomem como fumo, E os meus ossos ardem como lenha.
O meu coração está ferido e seco como a erva, Pelo que até me esqueço de comer o meu pão. - Salmo 102:1-4


Bendize, ó minha alma, ao Senhor, E tudo o que há em mim bendiga o Seu santo nome.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, E não te esqueças de nenhum dos Seus benefícios.
É ele que perdoa todas as tuas iniquidades, E sara todas as tuas enfermidades.
Quem redime a tua vida da perdição, E te coroa de benignidade e de misericórdia;
Quem enche a tua boca de bens, De sorte que a tua mocidade se renova como a águia. - Salmo 103:1-5


"Deus não nos concedeu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de bom senso." 2 Timóteo 1:7

Miriam Neff, "tem um curso de Aconselhamento da Northwestern University. É professora de Bíblia e uma escritora independente de Park Ridge, Illinois", in As Mulheres e as suas EMOÇÕES, editado por Núcleo, Centro de Publicações Cristãs, Lda, 1985.

Referências:
1. - Steven Cohen e Bruce Gans, The Other Generation Gap: You and your Aging Parents (New York.: Warner Books, 1980).
2. - Philip Yancey, Where is God When It Hurts? (Grand Rapids: Zondervan, 1977).
3. - David D. Burns, Feeling Good: New Mood Therapy (New York, N. Y.: Morrow, 1980).
4. - Jim Conway, Men in Mid-Life Crisis (Elgin, III.: David C. Cook, 1978).
5. - Aaron T. Beck, Cognitive Therapy and the Emotional Disorders (New York, N. Y.: New American Library, 1979).


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

"Rir é o Melhor Remédio."
Não é. Mas ajuda Muito!


"Isto sim, é amor!
Diz ele para ela: 'Posso não ser rico, não ter dinheiro, apartamentos e carros de luxo,
ou empresas como o meu amigo Anastácio, mas amo-te muito, muito... sou louco por ti'...
Ela olhou-o com lágrimas nos olhos, abraçou-o como se o amanhã não existisse e disse baixinho ao seu ouvido:
'Se me amas de verdade, apresenta-me o Anastácio'..."

COMO  CASAR  COM  UM  MILIONÁRIO


"Está farta/o de pagar contas, de se levantar ao raiar da madrugada para ir a correr picar o ponto? Há uma forma de fugir a todo este cenário. Como?
Casando com um milionário, novo rico, velho rico, feliz proprietário de cartões de crédito, não interessam esses pormenores. É só preciso saber delinear uma estratégia, ter olho vivo, uma série de talentos que se aprendem depressa, alguns investimentos e persistência e determinação.
Quem a aconselha é Diana McLellan que durante muitos anos escreveu colunas sociais para os jornais e viu como as coisas se fazem."

Texto de Diana McLellan/LHJ

Já reparou que os ilustres das colunas sociais têm todos uma coisa em comum? O quê? Aquele sorriso de felicidade, semelhante ao do gato que acabou de comer o canário. Sorrisos calorosos, infindáveis, daqueles que revelam bem os dentes - dentes de quem não precisa de se preocupar com a conta do dentista. Ou melhor, com conta nenhuma! Alguns herdaram o dinheiro que têm, mas muitos outros - não vale a pena citar nomes - tiveram de puxar pela inteligência, pelo charme e por muitas outras qualidades para terem direito àquele sorriso: casaram com um homem/mulher rico/a.
Uma forma aliás bem tradicional de enriquecer. Já George Washington dizia que um dos pré-requisitos obrigatórios de uma mulher com quem se pretendia casar eram "bom senso, boa disposição, boa fama e meios financeiros"... e casou com uma das mulheres mais ricas da Virgínia. A Jackie Kennedy Onassis ficou célebre por ter dito que um primeiro casamento deveria ser sempre por amor, o segundo por dinheiro, e o terceiro pela camaradagem. É claro que eu nunca me atreveria a dizer que seja quem for casou por dinheiro, mas apenas, que teve a inteligência de amar exactamente a pessoa certa.
Exactamente como você pode fazer. Só é preciso delinear a estratégia certa, manter os olhos bem abertos, fazer alguns pequenos investimentos e munir-se de paciência e determinação.

Que Tipo de Dinheiro Quer Amar?

O primeiro passo é decidir-se sobre que tipo de dinheiro quer amar. O seu "alvo" deve ser novo rico ou velho rico? Atenção, há outras subcategorias igualmente importantes como o Eurotrash, o dinheiro do jogo, do imobiliário, de origem duvidosa... É fundamental que perceba as diferenças mas aqui estou eu para a ajudar.
Os velhos ricos divertem-se de uma maneira pacata e tendem a usar roupas velhas, fazer piqueniques, oferecem uns aos outros frascos de doce feito em casa, e deixam gorjetas que embaraçam qualquer um nas poucas vezes que vão a restaurantes sem ser por convite. Têm uma certa alergia aos "estranhos". Gastam o dinheiro a conservar a casa e a manter o seu estilo de vida - os cavalos são cada vez mais caros de sustentar e as caçadas obrigam sempre a abrir os cordões à bolsa. Acham que os chamados pobres devem ter descoberto um tesouro debaixo da cama, porque parecem ter tanto dinheiro sonante para gastar... A verdade é que para muita gente casar com "dinheiro velho" não dá qualquer sensação de se ser rico a sério.
O novo rico, pelo contrário, gasta imenso dinheiro a comer e a beber, mesmo que não seja numa festa para entreter terceiros. Oferecem uns aos outros BMW, casacos de peles e jóias, mesmo que não tenham feito nada que lhes pese na consciência. As suas gorjetas são tão exageradas que envergonham até os empregados!
São muito mais aventureiros na escolha de amigos, namorados e viagens do que os velhos ricos. Uma boa notícia é que há muitos novos ricos que precisam de uma mulher vivaça e divertida para os ensinar a gozar o dinheiro. Nem tudo é bom, no entanto, já que as qualidades que os levaram a enriquecer - esperteza, agressividade, espírito de competição, ambição e hiperactividade podem não ser exactamente aquelas que mais procuram num futuro parceiro... mas enfim, há-de haver maneira de contornar o problema.

Conviva Com o Dinheiro

Uma vez escolhido o tipo ideal, o passo seguinte é seguir os conselhos de Damon Runyan que dizia: "Meu filho, encosta-te ao dinheiro, porque se te encostarem o tempo suficiente, pode ser que algum se te cole ao casaco."
Sim. Para conquistar o seu "alvo" é preciso que conviva com gente com dinheiro. Em termos práticos, isto quer dizer menos tempo no emprego, no centro comercial ou mesmo na ginástica, e mais em leilões, clubes navais, jogos de pólo e de golfe (o ténis está muito popular), vernissages e inaugurações de galerias de arte, exposições de cães, cerimónias religiosas e mesmo nos funerais das pessoas certas, claro!
Se o seu objectivo é casar com alguém com "dinheiro velho" procure emprego onde essa gente trabalha. Uma sociedade histórica, um clube com tradição, uma empresa de advogados de várias gerações - mas isso cada localidade tem os seus sítios, por isso não se podem ditar regras universais.
É importante ir vigiando a pessoa escolhida. O jovem John Warner - um exemplo para todos nós e descrito por uma revista política como "feliz" nos seus vários casamentos - já nos tempos de escola verificava imediatamente os antecedentes de qualquer rapariga, se estivesse interessado, antes de se envolver com ela. E a verdade é que tanto a sua primeira como a segunda mulher - Elisabeth Taylor - eram suficientemente ricas para merecer a sua atenção.
É importante ler todos os jornais e colunas sociais, especialmente aqueles que fazem listas de acontecimentos ainda por realizar. Mesmo que não a convidem para nenhum deles. Conheci um rapaz que ia "à crava" a todos os bailes de debutantes. Vestido a rigor, entrava pela porta com um copo meio cheio de champanhe, tornando-se rapidamente parte do cenário. Finalmente, ficou noivo de uma rapariga gordinha e rica mas ao que sei, à última hora, perdeu a coragem e não casou. Se lhe falta a lata para tanto, saiba que os solteiros deixam sempre esses sítios em direcção a um local público qualquer, um bar ou boite que esteja "in" na altura. Sendo assim, porque não vestir um vestido de baile ou um fato escuro e aparecer por lá, aí pela meia-noite?
Mas a grande oportunidade de conviver com "gente do dinheiro" pode ser mesmo nas férias. Lembre-se que tanto faz onde tem de dormir a noite - qualquer pensão serve - desde que nas horas em que está acordado/a se mova nos círculos certos.
Uma verdade bem triste é que os ricos só querem estar ao pé de outros ricos. Não só não querem provocar a inveja dos seus irmãos menos afortunados como estão realmente convencidos que os pobrezinhos estão contaminados com alguma doença terrível. Pior do que isso, alguma doença provavelmente contagiosa. Percebe-se assim que só queiram casar com os "seus".

A nossa função é desviá-los. Para o fazer, a Cinderela de hoje tem de se misturar com a corte que rodeia o Príncipe Encantado. Por isso, antes de mais, é preciso que adquira algumas das habilidades sociais que ele aprendeu antes de fazer dez anos, tais como falar inglês e francês, saber de que lado o vão servir à mesa, para que servem aquelas tigelas de água que lhe colocam à frente ao jantar e por aí adiante. Mesmo que o seu alvo seja um novo rico, ficará com certeza impressionado ao ver que você sabe tanto ou mais do que ele.
Tem também que perceber alguma coisa de certos desportos. O ténis é fundamental, segue-se-lhe o esqui - de água e de neve - e de golfe também convém ter umas luzes. Vela dá sempre jeito. Mas, por favor, nada de vólei, basquete, futebol ou coisas do género.
Caso tenha talento para a pintura, ou mesmo para o petitpoint, trate de o desenvolver. Toca piano? Fantástico. Toca flauta ou acordeão? Esqueça!

A Grande Oportunidade

Vamos partir do princípio que já anda nestes mundos há um tempinho. Já gastou uma boa parte do seu ordenado a vestir-se como eles e aprendeu a falar como eles. Talvez já tenha mesmo escolhido o seu alvo que, espera-se, para além de muito rico, é bonito e com uma saúde mental razoável.
O melhor pretendente que se pode ter, como aliás todos os ricos sabem, é o viúvo ou viúva de um casamento feliz. Todo o período da doença e o acompanhamento subsequente são momentos únicos para o estabelecimento de uma relação duradoira. É por isso que depois sobram poucos disponíveis, mas se tiver a sorte de encontrar algum, não hesite. É que se é um homem, vai ser instantaneamente rodeado de mulheres, e se é uma mulher pode descobrir rapidamente as delícias de ser rica, independente, e pretendida por todos...
Mas de regresso à estratégia de fundo: a não ser que seja o tal viúvo ou viúva, não se aproxime muito do alvo neste momento. Lembre-se: não anda à procura de um encontro passageiro. O que você procura é um ticket de refeição vitalício. O caminho já foi traçado por cabeças mais sábias do que a sua: primeiro, é preciso fazer amizade com os membros do clã do mesmo sexo. Servirão de guia a esse mundo e apresentá-la-ão ao seu alvo no momento certo e no sítio mais adequado. Acredite que é assim que se faz.

Tornar-se Irresistível

Antes de mais nada vamos lá a saber quais são os seus bens. É bonita/o? Ajuda muito... Um homem deve ser bastante alto ou, se é baixo, muito, muito divertido, ou o feliz possuidor de estratégias de conquista já muito elaboradas. Uma mulher que queira tornar-se irresistível, deve ser magra mas com um busto que dê nas vistas. Loira dá jeito... mas já reparou que as que conseguem dar o golpe do baú são geralmente ruivas? Pense nisso. Afinal, mudar a cor do cabelo é das coisas mais fáceis de fazer.
Para o alvo novo rico quanto mais nova for a mulher, melhor. Os velhos ricos preferem qualquer coisa um bocadinho mais condimentada. Muitas mulheres pensam que quanto mais velho for o "pretendido" melhor, não só porque se estão a ver viúvas mais cedo, como também porque contam antecipadamente com todas as oportunidades que a arteriosclerose dele lhe vai dar.

Mas mais importante do que a idade e a aparência física é o charme. Os ricos, aliás como os pobres, adoram que os façam rir. Mas, mais do que os pobres, precisam de sentir que são amados pelo que são. Como toda a gente, gostariam de pensar que o seu "companheiro/a" os irá fazer felizes sempre e para sempre, preocupando-se com pouco mais do que os satisfazer em todos os sentidos.
No tempo em que as mulheres precisavam de um homem para as sustentar, as mulheres eram peritas na arte do charme. O Truman Capote disse que Pamela Harriman "era uma gueixa que fazia qualquer homem feliz", Oscar de la Renta chamou-lhe a "feiticeira do mundo ocidental". Agora com 70 anos, continua a ser capaz de olhar e tocar de uma forma que uma das suas mais recentes vítimas descreve "como sendo capaz de fazer com que um homem se sinta o único".
A voz faz parte do charme e é importantíssima. Baixe uma oitava se é esganiçada, tenha explicações se a sua dicção falha.
Mesmo o charme masculino, que temos a tendência para achar que é perfeitamente natural, nunca é - pertence sempre a alguém que teve a inteligência de pensar no que anda a fazer nesta terra.
O príncipe Filipe quando casou com a rainha Isabel II não tinha nem mais um tostão do que aquele que recebia em forma de ordenado da Marinha. Mudou-se para o palácio real com as suas duas malinhas que continham todos os bens que possuía no mundo - "Nem sequer umas escovas decentes", como comentou um dos camareiros. Qual era o segredo? Tinha algum sangue azul mas, basicamente, possuía charme. Era cavalheiro, divertido, e sabia elogiar.
Era assim por natureza? De maneira nenhuma. Os amigos conheciam-no por ter mau génio e a mania que era conquistador. Mas tinha um mentor, treinador mesmo, o seu tio Dick Mountbatten - também ele tinha sido pobre e casado com uma mulher muito, muito rica. E foi ele que lhe ensinou o charme.
Um bom professor é meio caminho andado, e a certeza de que é preciso ter mais qualquer coisa do que toda aquela gente que foi educada desde pequena exactamente para casar com alguém rico.

Habitue-se à Forretice

Não é por terem dinheiro que estão dispostos a gastá-lo. Nelson Rockfeller, por exemplo, mandava virar as golas gastas das camisas para não comprar novas. Há muitos milionários conhecidos pela sua mania de apagarem as luzes mal saem do sítio onde estão, mesmo na casa dos outros. Jack Kent Cooke, um multimilionário, fazia cenas à mulher porque ela não queria comprar roupas fora de moda nos saldos...
Se calhar, é exactamente por isso que são ricos, daí que seja aconselhável ponderar bem como é que irá suportar esta característica. Se não lhe provoca uma irritação por aí além, avance.
O sexo é um outro assunto delicado. Há gente estranha tanto entre os novos ricos, como entre os velhos ricos... É muitas vezes quando a relação se torna mais íntima que os caçadores de fortunas, mesmo os mais determinados, acabam por desistir.
Se conseguir ultrapassar este obstáculo e ter sucesso na sua missão, bravo! Agora, não se assuste quando o advogado do seu alvo entrar no quarto com um envelope de mau aspecto. Lá dentro está o seu acordo pré-nupcial. Não o leia ali, nem naquele momento. A rir, meta-o num bolso e diga: "Odeio estas coisas. Não aguento ler estas coisas. Vou dá-lo ao Fred, o meu advogado."
Quando mais tarde, na privacidade do seu quarto, quase o desfizer na ânsia de o ler, vai ficar horrorizado/a com a baixeza dos pensamentos do seu amado (como é que ele se atreveu a pensar que você queria casar por dinheiro?) mas passe por cima disso e entregue a papelada ao advogado mais esperto que conhecer e deixe-o tratar do assunto. Não se deixe levar pela timidez! Recorde-se que o advogado de Jackie Kennedy, que tratou do casamento com Aristóteles Onassis, pediu logo 20 milhões de dólares à cabeça.
E se vir as coisas friamente, vai perceber que qualquer acordo feito agora previne surpresas desagradáveis no futuro. Quando Leland Hayward morreu e deixou metade do seu património aos filhos, a mulher Pamela Harriman terá dito entre dentes "Como é que fui casada tantos anos com um homem que me deixou tão pouco?" Na vez seguinte não cometeu o mesmo erro e hoje lá está, rainha de Paris, afogada em jóias, com o sorriso confiante e feliz de quem casou - por amor, claro - com um cofre bancário.

Texto extraído da uma Revista Notícias Magazine.
Ensino de Jesus: ELE É A ROCHA


SEGUE-ME

Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no Céu;
depois, vem e segue-Me.
Mateus 19:21

        Um estudo relativamente recente da revista Psicologia Hoje analisou a influência do dinheiro na vida das pessoas. Uma das conclusões é que as pessoas mais preocupadas com o dinheiro têm menos probabilidade de se envolver num relacionamento afetivo satisfatório. Elas tendem a ser perturbadas por constantes ansiedades, preocupações e solidão. A história do jovem rico mencionado no texto de hoje reflete a tragédia de alguém que pensava possuir a riqueza, mas, ao contrário, era a riqueza que o possuía. Era difícil para ele abrir mão de seu ídolo para receber o dom da vida eterna que lhe era oferecida por Cristo.
       Seu "deus" era um enorme obstáculo em linha direta de colisão com o Deus verdadeiro. Numa sociedade na qual a riqueza e a prosperidade eram vistas como sinal de aprovação e aceitação por parte de Deus, a afirmação de Jesus espanta os discípulos: "É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus" (v. 24).


       A salvação é sempre um dom, inteiramente gratuito, baseado absolutamente na graça divina. A dificuldade está na aceitação do dom, uma vez que nos agarramos aos substitutos precários.
       Qual é a tragédia do moço rico? Não é apenas a questão de que ele "amou mais o dinheiro". Na realidade, ele não reconheceu um bom "investimento" quando a oportunidade lhe bateu à porta. O que Jesus está dizendo é que a recompensa será infinitamente desproporcional ao custo do discipulado. Se você está preocupado com o que custa servir a Jesus, isso não é nada em comparação ao que o espera se você fizer a escolha certa. Seja lá o que for que você "perca" seguindo a Cristo, Ele pessoalmente Se encarrega de fazer a compensação. O que lhe prometem os negócios, circunstâncias e benefícios? Ele cobre a oferta.
       Do ponto de vista terreno, o jovem rico era o "primeiro", havia "vencido na vida", parecia um "sucesso". Mas, no momento da decisão crucial acerca de Cristo, ele fez a escolha que o excluiu da verdadeira riqueza. A palavra utilizada para "perfeito" (teleios) não significa perfeição moral, ética ou impecabilidade, mas maturidade. Jesus está dizendo a ele e a nós: "Você quer agir como adulto, com maturidade e lucidez? Vá, liberte-se dos seus 'brinquedinhos'; venha e siga-Me."


http://www.cpb.com.br/htdocs/periodicos/medmat/2014/frmd2014.html  - 9 de fevereiro de 2014 - Meditações Diárias da CPB (Links 1R)


domingo, 19 de janeiro de 2014

DIA MUNDIAL DA RELIGIÃO


       

PORQUÊ  TANTAS  IGREJAS?

Os cristãos crêem que na pessoa de Jesus Cristo, Deus nos deu uma revelação tão completa
que é suficientemente poderosa para prover toda a humanidade com a salvação.

O Cristianismo é a religião maior e mais global na história humana e está continuamente a crescer e a espalhar-se rapidamente. Todavia o Cristianismo está fragmentado em dezenas de milhar de diferentes, e algumas vezes conflituosos, grupos ou denominações.

Na Igreja Anglicana a tradição Católica
tem permanecido mais forte do
que noutras igrejas Protestantes,
mais fortemente influenciadas
pela reforma de Lutero e Calvino.
Uma vista da Catedral de S. Paulo, Londres.


Porque é que quando a Bíblia diz: "Um único Senhor, uma só fé, um só baptismo"1, os Cristãos não conseguem concordar sobre quem é o Senhor e o que Ele fez? O que é a fé e como praticá-la? Ou mesmo (embora pareça bastante simples no Novo Testamento), como baptizar pessoas na religião cristã?
Estas divisões tornam o Cristianismo uma fraude? Deve o candidato a cristão ser desencorajado por elas? E, talvez o mais crucial, que denominação escolher? Ou deve uma pessoa começar uma denominação própria como alguns têm feito no passado?
Estas perguntas precisam de ser respondidas e colocadas no contexto dos tempos em que vivemos. Nós o faremos ao considerarmos as razões religiosas, históricas e bíblicas para a diversidade dentro do Cristianismo.

RAZÕES  RELIGIOSAS
O Cristianismo não é como outras religiões. Desde o princípio ele atravessou todas as fronteiras culturais, sociais e raciais, e cresceu rapidamente sem qualquer burocracia centralizada. Nunca foi uma religião restringida a uma língua ou raça.
O Cristianismo é essencialmente uma fé pessoal. A sua ênfase está na relação pessoal de cada indivíduo com Deus.
O Cristianismo não impõe religiosamente quaisquer barreiras sociais, como o Hinduísmo. De facto, em Cristo não há "judeu ou grego, escravo ou livre, masculino ou feminino"2. Acesso e interpretação pessoal das Escrituras é vital para o Cristianismo. (A questão acerca da Bíblia é discutida no próximo capítulo). A Bíblia ensina o "sacerdócio de todos os crentes."3

Onde há tal liberdade as pessoas divergirão, de modo que o Cristianismo foi diverso desde o princípio, tanto social como culturalmente. Isto foi como Cristo pretendia que fosse, que "qualquer que cresse" fosse aceite. Mas pretendia Cristo também a diferença na doutrina? Para responder a isto volvamos para a história cristã.

RAZÕES  HISTÓRICAS
Assim como o Cristianismo atravessou fronteiras culturais, do mesmo modo se adaptou a novas situações. De modo diferente de outras religiões mundiais, não foi restringido pela raça (como o Judaísmo), e a Bíblia foi traduzida muito cedo para diferentes línguas (o que não aconteceu com o Corão).
A adaptabilidade é uma das grandes forças do Cristianismo. Assim, por exemplo, enquanto o Cristianismo se espalhava, desenvolveram-se pequenas diferenças nos serviços de culto e no calendário de eventos eclesiásticos. Isto não foi necessariamente uma coisa má, uma vez que ajudou frequentemente a fazer face a necessidades específicas.

Mas nem todas as mudanças foram benéficas ou aconteceram assim tão naturalmente. Algumas foram impostas e engendradas, particularmente quando o Cristianismo se tornou a religião do Império Romano. Os imperadores viram a sua utilidade e potencial em controlarem os seus súbditos, e começaram a manipular a Igreja de modo a responder às suas necessidades políticas. Eles comprometeram frequentemente as crenças e práticas da igreja.
Aproximadamente 150 000 Católicos
reuniram-se junto ao Monumento
Washington
para uma missa campal
em honra da Virgem Maria.
Esta fotografia foi tirada do cimo do
obelisco de 169 metros de altura.

Um bom exemplo disto é a maneira como o dia de culto foi mudado do Sábado para o Domingo, que era muito mais conveniente para os negócios e a burocracia de Roma. Assim os pagãos que se convertessem, nominalmente, não tinham que mudar o seu padrão semanal. Inevitavelmente houve alguns que resistiram a algumas mudanças e tentaram permanecer fiéis aos ensinos da Bíblia. Por sua vez, esta resistência, porque ameaçava a autoridade do Imperador, foi declarada ilegal.
Mas não podia ser erradicada pela força... Fora do Império e em lugares obscuros como a Irlanda e Grã-Bretanha, os cristãos primitivos conseguiram resistir à mudança. Ou ficaram despercebidos dela. Mesmo em lugares como esses, outros compromissos ou adaptações religiosas tiveram lugar em menor escala. Um exemplo são as crenças da antiga igreja Etíope que ficou separada durante séculos do resto da Cristandade.

Tais coisas costumavam acontecer na periferia da Cristandade. No centro, a Igreja Romana era dominante e controlada pelo Estado. Houve um cisma no seculo XI entre o Cristianismo Oriental e Ocidental, mas isto deveu-se a razões políticas. Daqui surgiram as tradições Católica e Ortodoxa.

No século XVI outro movimento decisivo levou à divisão entre a Igreja Católica e no que se tornaram as diferentes denominações do protestantismo. Um número de factores históricos precipitaram este acontecimento. A invenção da imprensa aumentou a disponibilidade das Escrituras. Alguns poderosos Estados do Norte da Europa desejavam sacudir o jugo político e económico da Igreja Católica. Depois houve o estudo honesto da Bíblia, a fé e a visão de alguns indivíduos notáveis tais como Lutero e Calvino.

A Scala Santa ou escada santa em Roma.
Lutero subia, de joelhos, estes degraus a fim
de obter a prometida
indulgência,
quando, de repente, compreendeu
que o homem é salvo
somente pela
graça.





O "protesto" do Protestantismo era que toda a pessoa devia ser livre para ler e decidir por si mesma sobre o que Deus diz na Bíblia e ser livre da compulsão do Catolicismo Romano. A corrupção financeira e política da Igreja conduzira aos excessos entre o clero e a ignorância religiosa, bíblica, entre o povo. A tradução da Bíblia para línguas nativas tinha tido resistência. Muitos éditos de dirigentes da Igreja tinham-se tornado doutrinas no lugar das verdades simples da Bíblia. Havia uma grande necessidade de reforma, mas os que detinham o poder não queriam mudar, de modo que os reformadores não tiveram outra opção senão fundar novas igrejas.

Tudo isto significou que, quando na próxima geração outros desejaram ir mais além na reforma, não havia nenhuma boa razão escriturística para os impedir. Nas décadas que se seguiram, desenvolveu-se grande diversidade e liberdade de crenças. Contudo, isto não convinha às classes governantes. A maior parte das nações emergentes da Europa queriam lidar com uma única forma de Cristianismo, preferentemente uma que estivesse sob o seu controlo. Deste modo desenvolveram-se igrejas nacionais. Na Inglaterra foi o Anglicanismo. Na Escandinávia o Luteranismo e em partes da França e da Suiça o Calvinismo. E assim por diante. Na Europa do Sul, o Catolicismo reafirmou o seu controlo. Estas igrejas "estatais" desencorajaram vigorosamente qualquer liberdade religiosa adicional.




O grande monumento à Reforma Protestante
em Worms, com Martinho Lutero no centro
e à volta dele os precursores da reforma:
Valdo, Wycliff, Huss e Savonarola
.



A Bíblia, no todo ou em parte,
já foi traduzida para
aproximadamente 2 000 línguas,
e o trabalho de tradução continua.






Mas a própria natureza do Cristianismo e das Escrituras é oposta a um tal controlo. A liberdade é essencial. Não muito depois, no Novo Mundo (continente americano), a oportunidade para a liberdade religiosa surgiu uma vez mais. Lá, libertos das restrições dos seus países europeus, os colonizadores misturaram-se e trocaram ideias. Isto gerou algumas crenças estranhas e alguns cultos quase cristãos. Mas também produziu um retorno genuíno às práticas bíblicas e aos ensinos de Cristo.
Assim, por que razão não inicia toda a gente a sua própria igreja ou adora a Deus em privado?
Através da era cristã os crentes têm sentido o desejo de estarem com aqueles que crêem como eles. A actividade comunitária é uma coisa natural para os seres humanos, embora seja às vezes um pouco difícil mantê-la. O próprio Cristo encorajou os Seus seguidores a reunirem-se. De facto, a Bíblia ordena-o.4

Pelo facto de ser, na prática, difícil adorar com outros que observam como santo um dia diferente, ou adoram numa língua diferente, ou com aqueles que têm ou não têm um sacerdote; e porque os cristãos não devem forçar os outros a conformarem-se com as suas práticas, assim, diferentes congregações e denominações desenvolveram-se forçosamente.
Mas isso é apenas uma parte da história.

RAZÕES  BÍBLICAS
A Bíblia, na realidade, predisse que haveria divisões na Igreja. O apóstolo Paulo advertiu:
"Sei que, depois de eu partir, se hão-de introduzir entre vós lobos temíveis que não pouparão o rebanho e que, mesmo no meio de vós, se hão-de erguer homens de palavras perversas para arrancarem discípulos atrás de si. Estai, pois, vigilantes..."5
"O Espírito diz abertamente que, nos últimos tempos, alguns hão-de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas diabólicas."6

A Bíblia também adverte os cristãos acerca da corrupção religiosa, comprometimento, fraquezas e ensinos falsos, especialmente nos últimos dias, com o objectivo de causar divisão:
"Fica sabendo que, nos últimos dias, surgirão tempos difíceis. As pessoas tornar-se-ão egoístas, interesseiras, arrogantes, soberbas, blasfemas, desrespeitadoras dos pais, ingratas, ímpias, sem coração, implacáveis, caluniadoras, descontroladas, desumanas e inimigas do bem, traidoras, insolentes, orgulhosas e mais amigas dos prazeres do que de Deus. Conservando uma aparência de piedade, mas negando a sua essência. Procura evitar essa gente."7

As Escrituras predizem e advertem contra aqueles que tentarão acrescentar os seus próprios ensinos aos de Jesus:
"Virão tempos em que o ensinamento salutar não será aceite, mas as pessoas acumularão mestres que lhes encham os ouvidos, de acordo com os próprios desejos."8
"Olhai que não haja ninguém a enredar-vos com a filosofia, o que é vazio e enganador, fundado na tradição humana ou nos elementos do mundo, e não em Cristo."9

Também as escrituras revelam as tentativas satânicas para dividir a Igreja e corromper ou obscurecer as doutrinas dadas por Jesus desde o princípio do Cristianismo:
"Estou admirado de que tão depressa vos afasteis daquele que vos chamou pela graça de Cristo, para seguirdes outro Evangelho. Que outro não há; o que há é certa gente que vos perturba e quer perverter o Evangelho de Cristo."10
"De facto, entre vós infiltraram-se certos homens que já há muito estão inscritos para este julgamento, uns ímpios que convertem em libertinagem a graça do nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo."11

A Bíblia prediz que esta influência satânica continuará:
"Assim como houve entre o povo de Israel falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres; introduzirão disfarçadamente heresias perniciosas e, indo ao ponto de negar o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si mesmos uma rápida perdição. Muitos hão-de segui-los na sua libertinagem e, por causa deles, o caminho da verdade será blasfemado."12

O mundo está imerso numa batalha desesperada entre o bem e o mal. As forças do mal não podem obliterar a verdade mas elas podem desviar e corromper as pessoas, e o fazem.
Assim, a introdução do compromisso e o acrescentar do ensino humano à palavra de Deus, e a mudança de práticas bíblicas para algo mais conveniente, tem causado a maior parte das divisões na Cristandade.

A fé cristã coloca a Verdade antes da unidade. O indivíduo antes do grupo, a Palavra de Deus antes da palavra do homem. Para o cristão o que conta é o que ele ouve Jesus a dizer-lhe e não o que a Igreja-Estado ou a Tradição diz.
Descobrir a verdade por si mesmo é vital, e ela está gratuitamente à sua disposição nas páginas da Bíblia. Isto é como muitos cristãos crêem e ensinam.

Referências:
1. Efésios 4:5; 2. Gálatas 3:28; 3. I Pedro 2:5; 4. Hebreus 10:25; 5. Actos 20:29-31; 6. I Timóteo 4:1; 7. II Timóteo 3:1-5; 8. II Timóteo 4:3; 9. Colossences 2:8; 10. Gálatas 1:6, 7; 11. Judas 4; 12. II Pedro 2:1, 2.

Texto e imagens do Livro Ano 2000 - Fim ou Continuação?
(Conheça os autores, editor e publicadora em Meditação para a Saúde, 15 de Maio de 2012).

ECUMENISMO
Unindo as Igrejas

"Todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (João 13:35)

É O Movimento Ecuménico O Que Jesus Pretendia Quando Orou
Pedindo Que Houvesse Unidade Entre Os Seus Seguidores?


Numa oração fervorosa pronunciada antes da Sua agonia na cruz, Jesus pediu ao Seu Pai que houvesse unidade entre os membros da Igreja que seria fundada após a Sua morte. "E não rogo somente por estes, mas, também, por aqueles que, pela sua palavra, hão de crer em mim; para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em Mim e Eu em Ti; que também eles sejam um, em Nós" (João 17:20 e 21, itálico acrescentado).

Embora tivesse sido uma oração fervorosa, mesmo o olhar mais superficial sobre a História revela que, seja qual for o adjetivo que se pretenda usar para descrever a Igreja, o adjetivo "unida" não seria certamente o mais apropriado. Embora, ao menos, já não se matem uns aos outros, como foi o caso no passado, os Cristãos estão longe de ser o corpo unificado sobre o qual orou Jesus. Uma lista contendo centenas de denominações Cristãs testifica, de modo mais do que suficiente, do estado fragmentado em que permanece a Igreja Cristã passados quase dois mil anos sobre a oração de Jesus pedindo que os Seus seguidores fossem "um em nós".
No entanto, durante as últimas décadas, certas tendências poderosas surgiram no Cristianismo procurando reverter as suas fraturas e realizar a oração de Jesus sobre a unidade dos Cristãos. Dando origem ao "Movimento Ecuménico", estas tentativas de alcançar a união têm procedido de diversos setores e alcançaram diversos níveis de sucesso. Talvez, de todos os movimentos em direção à unidade, nenhum tenha sido mais dramático - e surpreendente - do que aquele que tem vindo a ter lugar entre Católicos Romanos e certos Protestantes, nomeadamente os Luteranos. Católicos e Luteranos assinaram algumas declarações de professa unidade bastante surpreendentes, algo que, há apenas trinta anos, seria considerado totalmente impossível de ocorrer.
Como devemos interpretar estas tendências? Deveriam todos os Cristãos estar zelosamente envolvidos neste movimento em direção à unidade, ajudando a realizar a oração do seu Senhor? Poderiam estes movimentos, especialmente entre Católicos Romanos e Protestantes, ser, de facto, a resposta à oração de Cristo? Ou, pelo contrário, poderia estar a acontecer algo que deveria deixar os Cristãos um pouco mais atentos? Como deveríamos perspetivar estes acontecimentos?

Os Primeiros Tempos

É difícil, para as pessoas de hoje, entenderem a animosidade que envenenou as relações entre Católicos e Protestantes desde o início da Reforma, no começo do século XVI. A retórica ácida dos Protestantes contra os Católicos, e vice-versa, era o tipo de discurso que as pessoas de hoje esperam que exista entre nações em guerra, não entre professos Cristãos. No entanto, o discurso nada era quando comparado com a violência exercida, tal como na execução do Dr. John Hooper em Inglaterra (1555), que foi queimado vivo na fogueira. O Livro dos Mártires, de Fox, descreve os seus últimos momentos no fogo: "Mas quando a sua boca ficou negra e a sua língua tão inchada que ele já não conseguia falar, ainda assim os seus lábios continuaram a mover-se, até mirrarem a ponto de exporem as gengivas; e ele batia no peito com as suas mãos, até que um dos seus braços se separou do corpo; então continuou a bater no peito com o outro braço, enquanto gordura, água e sangue pingavam da ponta dos seus dedos" (p. 215). Lembre-se de que esta atrocidade foi cometida por professos Cristãos sobre outros professos Cristãos.

   

É claro que não eram apenas os Protestantes contra os Católicos. À medida que as Igrejas reformadas rompiam com Roma, muitas dividiram-se em várias seitas e denominações que se encontraram posicionadas umas contra as outras. Numa época em que a ideia de liberdade religiosa se encontrava ainda a séculos de distância, estas divisões frequentemente resultaram em violência. Por exemplo, o reformador suíço Ulrich Zwingli, aborrecido com os Anabatistas por estes defenderem o batismo por imersão total e para adultos (em vez do usual batismo de bebés por aspersão), amarrou alguns deles, levou-os para um lago e afogou-os. Convém dizer de novo: esta violência era exercida por Cristãos contra Cristãos.
Com o tempo, os ideais de liberdade religiosa e de tolerância começaram a apoderar-se da mentalidade Ocidental e os Cristãos aprenderam a viver uns com os outros, apesar das divisões teológicas. Este facto, juntamente com a emergência de democracias seculares - que retiraram o poder político às Igrejas (e, assim, a sua capacidade de perseguir) -, criou um novo ambiente, em que os Cristãos passaram a viver lado a lado uns com os outros, mesmo se não estavam realmente a realizar as palavras de Cristo, segundo o qual "nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (João 13:35).

Movimentos Ecuménicos

Sem dúvida que muitos estavam horrorizados com estas divisões, pelo que começaram algumas tentativas bem-intencionadas para se alcançar a unidade. Estes esforços começaram no século XIX, com grupos tais como a Aliança Evangélica (1846), a Associação Cristã dos Moços (1844), a Associação Cristã das Moças (1884), a Sociedade do Empenho Cristão (1881) e o Conselho Federal das Igrejas de Cristo (1908).
Este "movimento ecuménico", como rapidamente foi chamado, floresceu no século XX com o Conselho Mundial das Igrejas, fundado em 1948 por cerca de 147 Igrejas de 44 países. Hoje "O Conselho Mundial das Igrejas é uma fraternidade de Igrejas, presentemente 347, em mais de 120 países de todos os continentes e representantes de todas as tradições Cristãs" (wcc-coe.org/wcc).

Talvez a tendência mais interessante no movimento ecuménico tenha tido lugar nos últimos vinte anos. No início, a maioria das tentativas para se alcançar a unidade dava-se entre as várias denominações protestantes. Muito poucas entre elas pensavam em realizar uma discussão séria com a sua inimiga tradicional, a Igreja Católica Romana, a qual também considerava os Protestantes como apóstatas. Tudo isto se modificou agora, e tem-se verificado uma rajada de diálogos e de discussões ecuménicas entre Roma e as Igrejas Protestantes. Isto levou à publicação de uma encíclica pelo Papa João Paulo II, Ut Unum Sint (1995), em que ele reafirmou o compromisso da Igreja Católica Romana com o ecumenismo, afirmando que "juntamente com todos os discípulos de Cristo, a Igreja Católica fundamenta no plano de Deus o seu comprometimento ecuménico para reunir todos os Cristãos de volta à unidade".
De modo ainda mais surpreendente, foram assinadas declarações de unidade doutrinal entre Católicos e alguns líderes Protestantes conservadores (aqueles que tinham sido, historicamente, mais hostis para com Roma) na década de 1990. O que tornou estas declarações tão inesperadas é o facto de que elas pretendem existir um acordo entre Católicos e Protestantes no tema da justificação apenas pela fé - a doutrina que gerou inicialmente a Reforma Protestante há quase 500 anos.


Agora, de modo totalmente espantoso, estes grupos estão a afirmar que há perfeita unidade na questão que inicialmente as tinha dividido!
De todos os movimentos em direção à unidade doutrinal entre Católicos e Protestantes, o mais dramático foi a "Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação", assinada em 1999 pelos dignitários do Vaticano e da Federação Mundial Luterana (que representa 58 milhões dos 61 milhões de Luteranos que existem no mundo). A declaração afirma que, apesar de "algumas diferenças que permanecem", os Católicos Romanos e os Luteranos têm a mesma compreensão fundamental da justificação pela fé, e que "as diferenças que permanecem na sua aplicação já não são ocasião para a condenação doutrinal".

E este documento foi apenas um precursor de um novo documento sobre a "apostolicidade da Igreja" (isto é, a autoridade do Papa).
Assim, poderia parecer que, superficialmente, a oração de Jesus pela unidade - "que também eles sejam um, em nós" - está finalmente a ser atendida.

   
Preocupações

Ou não está? Certamente todas as pessoas deveriam regozijar-se por as antigas animosidades, que se tornaram tão ásperas, até mesmo violentas, serem postas de lado e por os inimigos se reconciliarem. Mas, ao mesmo tempo, precisa-se de ser cautelosos. Porquê?

A História mostra que as Igrejas com poder político têm provado ser tão passíveis de perseguir e oprimir os dissidentes quanto as secularistas, desde que lhes seja dado o mesmo poder. Num certo sentido, a desunião da Igreja ajudou a impedi-la de obter o tipo de poder político que provou ser ruinosa nas suas mãos, no passado.
Há mais de dois séculos, James Madison escreveu: "A liberdade surge da multiplicidade de cultos que permeia a América e que é a melhor e a única segurança para a liberdade religiosa em qualquer sociedade. Pois onde existe uma tal variedade de cultos, não pode haver uma maioria de um só culto para oprimir e perseguir os restantes" (citado em Ralph Ketcham, James Madison: A Biography, p. 166). Poderiam as Igrejas hoje, uma vez unidas, reunir suficiente poder político para tornarem a ser uma ameaça?

Isto não é um medo assim tão infundado. O livro de Apocalipse lança um aviso precisamente sobre uma tal ameaça: o surgimento de um poder político-religioso que trará perseguição e morte àqueles que se recusem a "adorar a imagem da besta" (Apocalipse 13:15). Embora exista muita especulação acerca do que isto significa exatamente, o facto de que a "adoração" desempenha um papel central no conflito, prova que este poder do tempo do fim é, claramente, uma entidade religiosa, e que estarão envolvidas questões de fé, de adoração e de obediência a Deus.
De facto, os estudiosos adventistas do Apocalipse predisseram, há mais de um século, que ocorreria o tipo de movimento em direção à unidade, especialmente entre Protestantes e Católicos, que estamos a ver hoje (http://www.agrandeesperanca.com.br/o-livro - links 1R). Assim, eles veem estas tendências, não como um sinal da resposta à oração de Cristo pela unidade, mas, pelo contrário, como um sinal do desenrolar dos eventos finais, eventos que levarão à perseguição do povo fiel de Deus exatamente antes da Segunda Vinda de Jesus.

Portanto, todos os Cristãos - sem dúvida querendo que a oração de Cristo pela unidade seja atendida nos seus dias - seriam sábios se prestassem atenção a outras palavras de Cristo, à medida que veem desenrolar-se estas várias movimentações ecuménicas: "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas" (Mateus 10:16).

Clifford Goldstein, judeu cristão, é escritor e conferencista adventista, editor da revista Liberty (EUA) e editor do Manual (mundial) da Escola Sabatina (http://www.cpb.com.br/htdocs/periodicos/les2014.html - links 1R), in Revista Adventista, janeiro de 2014.


A origem do Dia Mundial da Religião aconteceu nos Estados Unidos da América, em Dezembro de 1949, quando a Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá'is sugeriu que este dia fosse celebrado anualmente no terceiro domingo de Janeiro. São já 24 os países, entre os quais Portugal, que aderiram a esta celebração. O principal propósito do Dia Mundial da Religião é fomentar a compreensão, a reconciliação e a harmonia inter-religiosa. (...) Historicamente, o conceito inicial é de que a Humanidade surgiu de uma mesma origem. Porém, o ser humano, ao assumir a sua emancipação de Deus, viu-se confrontado com questões existenciais: De onde vim? Para onde vou depois de morrer? Viverei mais de uma vez? Como surgiu a vida e o mundo? Qual o sentido da vida? Que forças governam a nossa existência?
O homem tem tentado, em vão, encontrar respostas em expressões culturais, filosóficas e doutrinárias, no seu afastamento progressivo da Divindade. Porém, respostas satisfatórias a tais questões podem ser encontradas, se o homem aceitar o absoluta divino da Verdade revelada, condensada na Bíbia. (...) É louvável o esforço para o diálogo inter-religioso, que produzirá a paz entre as religiões, e, por extensão, A PAZ ENTRE AS NAÇÕES, como bem teorizou o teólogo católico Hans Kung, em 1997.
Pensando na unidade perfeita, Jesus já afirmara (João 10:16): "... haverá um só rebanho e um só pastor", porque "existe um único Senhor, uma só fé e um só baptismo. Há um só Deus, Pai de todos, que está acima de todos e que actua através de todos e em todos" (Efésios 4:5 e 6).

Ezequiel Quintino

"Ninguém Nasce Odiando Outra Pessoa Pela Cor de Sua Pele, Por sua Origem ou Ainda Por Sua Religião.
Para Odiar, as Pessoas Precisam Aprender; e, se Podem Aprender a Odiar, Podem Ser Ensinadas a Amar."

NELSON MANDELA


Recomendo -  https://www.youtube.com/watch?v=3HjAYJr25Pw  - Série de Conferências - Links 1R - realizadas
pelo Pr Daniel Gouveia, um precioso jovem "segundo o coração de Deus" (I Samuel 13:14).
Desfrute também da Meditação para a Saúde - 19.01.2014 (links 1R) - de outro grande Homem de Deus.