quinta-feira, 8 de março de 2012

APENAS UMA PEQUENA MULHER


OS MILHÕES DE CHINESES  (Início do 1º Capítulo)

A maior ambição da minha vida era trabalhar no palco. Embora tivesse pouquíssima formação eu sabia falar e gostava muito de representar.
Cresci num lar cristão e frequentei a igreja e a escola dominical quando criança, mas, ao ir ficando mais velha, tornei-me impaciente com tudo o que dissesse respeito à religião.
Naquela época, a maioria das moças das classes trabalhadoras empregavam-se como 'domésticas', por haver poucas oportunidades de outro tipo de trabalho para elas. Assim, tornei-me uma empregada, mas, de noite, fazia um curso de artes dramáticas pois estava decidida a economizar e, por bem ou por mal, chegar até à 'ribalta'.

Certa noite, porém, por motivo que jamais consegui explicar, fui a uma reunião religiosa. Ali, pela primeira vez, percebi que Deus tinha direito à minha vida, e aceitei a Jesus Cristo como Salvador. Tornei-me membro da Campanha Vida Jovem, e, numa revista dessa entidade, li um artigo sobre a China que me impressionou tremendamente. Saber que milhões de chineses nunca tinham ouvido falar de Jesus Cristo foi para mim uma descoberta assombrosa, e achei que certamente tínhamos a obrigação de fazer algo a esse respeito.
Primeiro, fui procurar os meus amigos cristãos e falar com eles sobre o assunto, mas ninguém pareceu demonstrar muito interesse. Depois tentei falar com o meu irmão. Tinha a certeza de que, se eu o ajudasse, ele iria para a China com prazer!
- Eu não! - disse ele, sem hesitar. - Isso é serviço para solteironas. Por que não vai você?
Serviço para solteironas, essa é boa! pensei com raiva. Mas a estocada tinha atingido o lugar certo. Por que deveria tentar empurrar outras pessoas para a China? Por que não ir eu mesma?

Comecei a pesquisar como poderia preparar-me para ir para um país a milhares de quilómetros de distância, do qual quase nada sabia, a não ser que precisava de gente que falasse do amor de Deus. Disseram-me que eu devia apresentar-me a uma certa sociedade missionária, e acabei frequentando a Escola dessa sociedade por três meses.
No fim desse período, a comissão chegou à conclusão de que as minhas qualificações eram muito escassas, a minha instrução muito limitada. A língua chinesa, segundo eles, seria difícil demais para eu aprender.
Saí da entrevista em silêncio, todos os meus planos em ruínas. Revendo agora aquela cena, não posso culpá-los. Sei, melhor do que ninguém, quão idiota devo ter parecido. O ter aprendido não só a falar, mas também a ler e a escrever o chinês como uma pessoa nativa, em anos posteriores, é para mim um dos grandes milagres de Deus.
...
O Sr. Xan (14º capítulo)

Após deixar o mosteiro, não tive outro recurso a não ser voltar. O Dr. Huang disse que a viagem levava 5 dias. Já fazia 17 que partíramos, e ele tinha esposa e filhos em casa. Eu não podia continuar sozinha por bandas tão inóspitas e desabitadas. Assim, voltámos a Tsin Tsui, dando testemunho a todos os que encontrávamos pela estrada. De Tsin Tsui, fui a Fenghsien para contar aos estudantes a forma maravilhosa mediante a qual Deus tinha respondido às suas orações.

Algum tempo depois, vi-me obrigada a ir a uma certa cidade totalmente desconhecida. Tudo o que eu possuía era um vestido esfarrapado que me tinham dado, e sentia-me absolutamente desapontada e perplexa. Por que Deus me enviara a esta cidade estranha, sem dinheiro algum? Era uma cidade enorme, cheia de estudantes. O que havia ali para mim?
Fui recebida por um médico chinês e sua esposa. Eles trataram-me com muita bondade. Um dia, sentada numa poltrona da casa deles, percebi que dois homens atrás de mim falavam de um certo lugar na cidade onde havia gente que jamais ouvira falar de Jesus Cristo. Esquecendo-me completamente das boas maneiras, interrompi-os abruptamente:

- Senhores, por certo estão enganados. Há igrejas por toda a cidade; há reuniões por toda a parte; há centenas de cristãos.
- Senhora, deve ser de fora, não?
- Faz dois dias que cheguei.
- Estávamos a falar da cadeia.
- Existe uma cadeia aqui?
- Ora, temos aqui a segunda maior prisão da China e ninguém jamais a visitou para falar àqueles pobres desgraçados de Jesus Cristo.

Conversei mais um pouco com eles, mas não fiquei particularmente perturbada. Afinal de contas, o trabalho das prisões nada tinha a ver comigo. Eu sempre pregara nos vilarejos e cidadezinhas - esse era o meu trabalho.
Mas não consegui ficar em paz. Deus me dizia, de forma muito clara, que, gostasse ou não, eu era responsável por aqueles presos. Cristo morrera pela alma de cada um deles, e eu viera à China para proclamar esse evangelho aonde quer que Deus me conduzisse.

No final da semana, tive uma entrevista com o governador. A sua maneira foi extremamente bem-educada, mas a sua atitude tão condescendente deixou-me muito nervosa.
- Em que posso servi-la, senhora? - perguntou, olhando friamente para mim.
- O senhor permitiria que eu fosse à prisão para falar de Jesus Cristo aos prisioneiros?
- A senhora deseja entrar na prisão?
- Sim.
- E o que pretende fazer se eu lhe permitir falar aos homens?
- Pretendo mudar a prisão!
- Senhora, já vai para 5 anos que sou governador, e não consegui a mínima mudança.
- Mas eu tenho a Jesus Cristo. É Ele quem pode produzir a mudança.

Deram-me um passe e fui escoltada até ao grande pátio interior. Os guardas fizeram entrar fileiras e mais fileiras de homens sujos, degradados, cujos rostos reflectiam crueldade. Uns gritavam, outros riam e outros ainda gracejavam.
Eu era tão baixa que precisei de subir num pequeno monte de terra. Falei-lhes, contei-lhes histórias. Dia após dia eu me colocava em pé perante os presos, com o coração batendo violentamente, mas a consciência da necessidade terrível e desesperada daqueles homens incitava-me a prosseguir.

Orava por eles durante horas, noite após noite. Frequentemente, quando devia estar a dormir, saía pelas encostas das montanhas acompanhada de um cristão leproso. Andávamos e orávamos, não tendo coragem de parar porque ele era 'impuro' de corpo, mas tão verdadeiramente puro de coração.
Além de ir à prisão, eu visitava o leprosário, e acredito que foram as orações dos leprosos crentes que me deram forças naquelas primeiras terríveis semanas.
Afinal, um prisioneiro converteu-se, depois outro, até que cinco vinham tomar os seus lugares ao meu lado e testemunhar da mudança que Deus tinha operado nas suas vidas. Essas conversões foram algo maravilhoso, mas a prisão certamente não tinha sido mudada, e milhares ainda zombavam da Palavra de Deus.


Certo dia, eu terminara de falar e ia sair magoada, cansada e desesperada. Queria ver-me longe daquele incrível mau cheiro de humanidade imunda, quando o portão se abriu e quatro homens foram arrastados para dentro. Estavam acorrentados uns aos outros e foram atirados com violência para o chão. Os guardas, com as armas em punho, se colocaram em cima deles.
O meu primeiro pensamento foi: Saia daqui o mais rápido que puder.
Apressava-me para a saída quando ouvi alguém dizer: "Gladys Aylward, morri por eles tanto quanto por você."
Fui até junto a um dos guardas e perguntei: "Posso falar com esses homens?"
Brusca e rudemente, ele recusou o meu pedido.
Andei devagar em volta do pátio, orando, e pedi novamente.
Desta vez, a resposta foi um palavrão, e um grito:
"Ponham essa peste de mulher lá fora!" O guarda do portão levou-me para fora.

Alguns dias mais tarde fiquei a saber que os quatro presos eram assassinos. Três já estavam mortos; apenas um, o Sr. Xan, ainda vivia. O Sr. Xan era jovem, de boa aparência, não arrogante, mas percebia nele um quê de pura maldade. Ele olhou para mim de uma forma horrivelmente ofensiva, e disse coisas que não posso repetir. Senti intensa repulsa, mas orei por ele e levei os meus amigos a orar também. Um certo dia, tentando falar com ele, o Sr Xan soltou uma praga, e, voltando-se, cuspiu-me no rosto. Cheguei quase a odiá-lo.

Passaram-se os meses, e eu consegui a ajuda de outras pessoas. Alguns prisioneiros se converteram e tínhamos um grupo de quarenta, preparando-se para o baptismo. Mas, ainda assim, a bênção não tinha varrido a prisão mudando-a de forma visível.
Do leprosário, porém, subiam orações incessantes.

Um certo dia, ao terminar de falar, os homens dispuseram-se em filas para voltar às celas. Tinham sempre de ir em marcha acelerada, e não podiam falar enquanto se moviam.
Em pé, fiquei a vê-los passar com o meu coração sentindo compaixão deles. A essa altura, já conhecia a maioria deles. Sabia por que estavam na cadeia e, embora não tivesse permissão para falar, eu podia sorrir e acenar com a cabeça.
No fim da fila, vi o homem que eu tanto detestava, o Sr. Xan, o homem que parecia ter o coração mais duro do que os próprios muros da prisão.

Com muita clareza, disse-me uma voz:
- Fale com aquele homem!
- Oh, não - repliquei. - Ele detesta-me! Chegou a cuspir em mim. Além disso, a lei declara que não devo falar com ele enquanto a fila está em movimento.
- Mesmo assim, você precisa de falar com ele.

O que fazer? Comecei a suar frio. Ele estava quase a chegar aonde eu me encontrava. Na minha agitação, inclinei-me para a frente e encostei a mão no ombro dele, enquanto dizia apressadamente:
"Oh, Sr. Xan, o senhor deve ser muito infeliz!"
Que coisa mais tola para dizer, pensei imediatamente.
Com uma horrível maldição, ele se livrou da minha mão.
- O que é que a senhora tem que ver com isso?
- É porque eu sou tão feliz!
- É claro que é. A porta não se abre para si todas as vezes que deseja sair?
- Ah, não é por isso, não. É porque Jesus Cristo morreu por mim.

O Sr. Xan continuou a marcha. Caindo em mim, percebi o terrível deslize que cometera. Um dos princípios chineses mais importantes é que mulher alguma jamais deve tocar num homem em público.
Deixei a prisão deprimida e envergonhada. Diante daqueles homens, eu tinha-me maculado. E com um homem como ele!

O Sr. Xan seguiu a fila e sentou-se numa pedra num pátio interior com a cabeça entre as mãos. Alguns momentos mais tarde, Dhu Cor, o primeiro preso convertido, viu-o ali sentado.
- Está a sentir-se mal? - perguntou, olhando-o atentamente.
- Você viu o que ela fez?
- O quê?
- Ela tocou-me!
- Não. É mentira!
- Não é mentira. Ela pôs a mão no meu ombro.
- Não posso acreditar.
Um outro preso, que estivera a ouvir, entrou na conversa:
- O que ele está a dizer é verdade. Ela realmente tocou nele.
- Ela me tocou como se gostasse de mim! - disse o Sr. Xan ofegante.
- Talvez ela realmente o ame - respondeu Dhu Cor.
- O quê, uma mulher pura como ela amar-me, um assassino, que a amaldiçoou e cuspiu nela?!
- Sim, creio que ela pode amar você porque acredita que Deus o ama, não importa o que tenha feito.

O Sr. Xan converteu-se, não como resultado de um grande sermão, mas por que, muitos anos atrás em Londres, Deus tomou uma moça e pediu-lhe que lhe dedicasse as mãos, os pés - o corpo inteiro - para serem usados no Seu trabalho. E, naquele dia, Deus tocou o Sr. Xan através daquele pobre instrumento humano.

A conversão do Sr. Xan deu início a um verdadeiro reavivamento naquela prisão. Os homens passavam horas ouvindo a Palavra de Deus; passavam horas de joelhos; e foram precisos três dias para baptizar a todos.
Testemunhos, especialmente o do Sr. Xan, apareceram no boletim da prisão. Não se passou muito tempo para eu começar a receber convites de outras prisões.
O próprio governador, convencido pela transformação dos criminosos mais endurecidos, converteu-se e proclamou em termos bem claros que o que ele fora incapaz da fazer em cinco anos, o poder do glorioso evangelho da salvação conseguiu em um.


Extractos do livro Apenas Uma Pequena Mulher, biografia de Gladys Aylward, Editora Vida, adaptado para o cinema sob o título - A Pousada da Sexta Felicidade - "Um filme baseado na história verdadeira de Gladys Aylward, cuja paixão irredutível por fazer o bem a levou a percorrer o mundo... Drama baseado na verdadeira história de Gladys Aylward, mulher que dedicou a sua vida a fazer o bem pelos outros.

A inglesa Gladys (Ingrid Bergman) tinha o sonho de se tornar missionária. Trabalhava como empregada quando viajou para a China e abriu uma pensão. Levou algum tempo até vencer a hostilidade dos habitantes locais, chegando a ganhar o amor de um coronel (Curt Jurgens) e a converter um poderoso mandarim (Robert Donat) ao cristianismo. O seu grande feito acontece quando, durante a invasão japonesa da China, ela consegue levar uma centena de crianças sem lar para um local seguro atravessando território dominado pelo inimigo.
Adaptado do best-seller The Small Woman, de Alan Burgess, foi indicado para o Óscar de melhor realizador.
(A minha opinião é que o livro é melhor do que o filme... E.E.)


Envolva-se nesta vibrante música - VOU TESTEMUNHAR DO AMOR - Links 5M

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PORQUÊ O SOFRIMENTO?



Há não muito tempo, uma jovem estudante numa grande universidade, foi encontrada morta sob uma árvore no prado da escola. Ao seu lado, estava uma garrafa e o livro E Tudo O Vento Levou. Dentro do livro havia uma nota que dizia:
"Sinto ter tido de fazê-lo, mas não posso mais enfrentar a vida. Quando cheguei à universidade tinha fé em Deus e era feliz. Mas a universidade roubou-me a fé, e não mais posso enfrentar a vida com as suas perguntas não respondidas, suas perplexidades e incertezas. Quando me acharem, notifiquem aos meus pais e digam-lhes que sinto ter-lhes causado ainda esta dor. Que me enterrem no cemitério debaixo dos pinheiros, cuja graça e beleza tantas vezes admirei, mas nunca pude alcançar."

O suicídio desta jovem reflecte o desespero de milhares de corações que enfrentam as perplexidades da vida sem a luz da fé. Entre essas perplexidades, nenhuma é maior do que a dura realidade do sofrimento e da morte, que lançam um véu de desolação sobre a existência humana.

A realidade do sofrimento, apesar de tudo o que se tem dito, constitui o mais sério problema com que a religião se defronta. Que o digam aqueles que experimentaram a angústia de perder um ente querido num acidente, ou vítima de uma doença inelutável. E nada torna o sofrimento tão confrangedor como a ausência de esperança, a bendita esperança de que os laços afectivos rompidos pela morte serão refeitos um dia pelo Doador da Vida.


A ORIGEM DO SOFRIMENTO


A religião cristã retém o seu perene atractivo porque elucida, como nenhuma outra, a razão de ser do sofrimento.

Para a realidade universal do sofrimento e da morte, a explicação bíblica é - o escândalo do pecado. Não tivesse o pecado quebrado a harmonia do Universo, não haveria sofrimento. Em apoio desta afirmação, poderiam ser citados inúmeros textos bíblicos. Traduzindo o seu ensino em linguagem moderna, poder-se-ia qualificar o pecado como a quebra unilateral das relações entre o homem e o seu Criador. Movido pelo orgulho, ou pela dúvida, ou por ambos, o homem insurgiu-se contra as leis do seu ser. Nenhuma razão ou causa pode ser aduzida para essa rebelião. Se causa houvesse, o pecado estaria justificado.

O pecado originou-se:
não em alguma deficiência da graça divina,
mas na escolha deliberada do próprio homem.

Ao dizê-lo tocamos - no mistério do livre arbítrio,
da incompreensível capacidade do homem tomar iniciativa,
agir como uma personalidade independente.
É esta faculdade de pensar e decidir, que confere ao homem
a sua dignidade como um ser criado à "imagem de Deus."


O facto de o homem dotado de livre arbítrio ter usado a sua liberdade ruinosamente, desafia qualquer explicação. A Bíblia alivia a tensão deste mistério, sem de todo removê-la, atribuindo a origem do pecado a um ser dotado de faculdades mais elevadas do que o próprio homem, a saber, um anjo que se deixou cegar pelo deslumbramento da sua própria perfeição. A origem do pecado assume, deste modo, proporções titânicas, mas não infinitas. Um anjo, embora notável em sabedoria e poder, é uma criatura, e, portanto, finito. O livro do Génesis descreve a queda do homem como o resultado de uma tentação satânica. Se o homem entreteve dúvidas e escolheu um curso de acção contrário à vontade divina fê-lo não por iniciativa inteiramente sua, mas, por assim dizer, sob provocação. Nem por isto foi ele isento de responsabilidade, nem das consequências funestas do pecado. Era possível ao homem não ter pecado. Logo, se pecou voluntariamente, não pode reclamar isenção das consequências de uma decisão sua, porque na linguagem do apóstolo Paulo, não lhe sobreveio tentação "que não fosse humana."1 Por outras palavras, não havia compulsão irresistível na tentação.

Esta é, em suma, a origem do pecado, segundo as Escrituras. Compreender a gravidade do pecado é dar o passo mais importante na compreensão do problema do sofrimento. Longe de ser a violação de uma lei arbitrária, que podia ser abolida por um fiat (faça-se) divino, o pecado é uma quebra das condições sob as quais o homem poderia gozar a vida abundante que o Criador lhe destinara. A vontade de Deus é essencialmente benéfica, e obedecer-Lhe, é colocar-se em posição de desfrutar vida, saúde, plenitude, enfim, as bênçãos que uma Providência bondosa reservou para o homem. Logo, dizer que o pecado é a causa do sofrimento, é enunciar a simples verdade de que o pecador, rompendo com Deus, violou a condição básica de uma existência feliz.


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A - Tendo dito isto, porém, apressamo-nos a acrescentar que a fé cristã não nos assegura uma explicação fácil de cada caso de sofrimento individual. Não podemos, como queriam os amigos de Jó, explicar todo o sofrimento em termos de pecado cometido pela vítima. Esta formulação simplista exigiria que a intensidade dos padecimentos de Jó fosse equacionada com a enormidade do seu pecado. Jó protestava a sua inocência, mas para os seus amigos não havia outra explicação para os seus padecimentos senão os seus próprios pecados.

A verdade é que muitas vezes o nosso sofrimento é o resultado directo da violação das leis divinas que regem a existência. Deste ponto de vista é que o apóstolo Paulo escreveu certa vez: "Deus não Se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear isso também ceifará."2 Se quebrarmos as leis da saúde, ficaremos presos às consequências sob a forma de uma ou outra doença. O fumador inveterado não se pode queixar perante o tribunal divino, se o cancro do pulmão lhe abreviar os seus dias, nem o bebedor assíduo, se os rins lhe falharem. Muitas das mazelas que atormentam o homem, são sem dúvida, o fruto de maus hábitos de estilo de vida ou, pior ainda, da transgressão deliberada das leis morais. Não pode o homem reclamar imunidade se se lançar de uma ponte, em desafio à lei da gravidade; tãopouco se infringir displicentemente os preceitos morais gravados sobre a sua consciência. Nos exemplos acima, o sofrimento é o salário que o pecado paga, quer o transgressor queira aceitá-lo ou não.


B - Válida em grande número de exemplos, a explicação acima deixa a descoberto muitos casos de sofrimento. Não explica necessariamente o sofrimento que experimentamos quando a dor atinge um filho, um parente ou um amigo. Laços de simpatia nos ligam de algum modo a todo o ser humano. Nenhuma tragédia ocorre que não nos atinja em certa medida. É o sentimento de solidariedade humana. Como nosso Pai, que nos ama a todos, nem mesmo Deus contempla impassível o sofrimento. Nenhuma lágrima é derramada que não afecte o coração divino. Jesus chorou junto da sepultura de Lázaro. Chorou também ao contemplar do alto do Olivete a cidade de Jerusalém imersa na sua indiferença para com o seu destino eterno. Referindo-se ao sofrimento de Deus por Israel, declarou o profeta Isaías: "Em toda a angústia deles foi Ele angustiado."3
No mesmo diapasão se expressa Abbé Gratry: Cristo "sofreu desde o início em todos os que sofreram. Ele sofreu fome com todos as famintos. Foi imolado com todos os que ofereceram a sua vida. Ele é o Cordeiro morto desde a fundação do mundo."4
Nem mesmo no Céu haverá perfeita alegria, enquanto não for enxuta "dos olhos toda a lágrima", enquanto não raiar o dia em que não haverá mais "luto, nem pranto, nem dor."
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C - Chorar por solidariedade com o sofrimento alheio é partilhar com o Céu a dor desencadeada pela tragédia do pecado. Mas a própria solidariedade universal no sofrimento é o penhor da sua erradicação final por um Deus de amor.

Nos inescrutáveis desígnios de Deus, o sofrimento é transfigurado num instrumento de redenção. Desta verdade sublime, a cruz é a perene lembrança. Aprouve a Deus transformar a cruz, que era um símbolo de dor e ignomínia, num símbolo de triunfo sobre o pecado e a morte. O escândalo da cruz, o escândalo de que o inocente pudesse sofrer sem causa aparente, foi, com a morte do Filho de Deus, para sempre abolido. Podemos hoje compreender, como não era possível antes do Gólgota, que o inocente, pelo seu sofrimento, pudesse contribuir para a redenção dos culpados.
Se, num sentido, só a eternidade há-de revelar que nenhum inocente sofreu em vão, noutro sentido, a força desta verdade, mesmo hoje, é impressa sobre a nossa consciência. No campo da pesquisa médica, muitos aceitaram o sofrimento e mesmo a morte, para que outros pudessem viver. Quando Osvaldo Cruz verificou na sua própria carne o efeito da picada do mosquito portador da febre amarela, deu um admirável exemplo de sacrifício próprio para o bem da humanidade. De igual modo, muitos dos pioneiros da radiologia expuseram-se a doses fatais de raios X no intuito de trazer cura aos seus semelhantes. Os anais da medicina estão repletos de exemplos de abnegação, esta abnegação que se sacrifica pelo bem de outros. Igualmente, nos livros do Céu estão registados os nomes daqueles que padeceram como mártires no serviço de Cristo.
Não, nem todo o sofrimento encontra a sua explicação nas faltas do próprio indivíduo. Há o que podemos chamar a solidariedade no sofrimento, e há o sofrimento que redime, como o de Cristo sobre a cruz.


D - Falemos ainda do sofrimento que disciplina.
A vida é como uma escola. Mas diferentemente de muitas escolas modernas é uma escola onde reina a disciplina. Deus actua como nosso Mestre. Com uma diferença, porém: enquanto outros mestres, por vezes, aplicam disciplina movidos pela ira ou impaciência, Deus disciplina-nos com amor. Lemos esta tocante passagem na carta enviada à igreja de Laodicéia: "Eu repreendo e disciplino a todos quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te."6 É ridículo, pois, interpretar todo o sofrimento como castigo. Pode muito bem ser evidência de que Deus nos esteja disciplinando para proveito nosso, "a fim de sermos participantes da Sua santidade."7

Discorrendo sobre o papel da disciplina na vida cristã, o autor da carta aos Hebreus afirma: "O Senhor corrige a quem ama, e acoita a todo o filho a quem recebe ... pois, que filho há a quem o pai não corrija?"8 À luz desta passagem, o sofrimento pode ser visto como o buril com que o nosso Pai celeste remove as arestas do nosso carácter e restaura a Sua imagem na nossa alma. Bendito o sofrimento que é experimentado num espírito de submissão à acção disciplinadora de Deus!
Outra ilustração que as Escrituras usam para elucidar a razão do sofrimento é a da poda. Árvores frutíferas são podadas regularmente com o fim de produzirem a sua plena capacidade. Nas mãos de um perito, a poda visa não destruir, mas corrigir defeitos e aumentar a produtividade. Com singeleza, Cristo ilustra esta sublime verdade: "Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em Mim, não der fruto, Ele o corta; e todo o que der fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda."9 É justamente o ramo produtivo que é limpo de brotos inúteis que poderiam dissipar a sua vitalidade. Corre todo o discípulo o perigo de pensar que não há maiores alturas a galgar na senda da virtude, nem mais vícios a vencer. Satisfazendo-se com o presente, age na vida espiritual como o rebento que rouba a seiva de um galho frutífero. O sofrimento é, em muitos casos, a maneira divina de estimular o nosso crescimento espiritual. A ausência de crescimento prenuncia a morte.


E - Há ocasiões em que o sofrimento é melhor interpretado como um convite de Deus para nos chegarmos a Ele. Professamos crer em Deus; pretendemos amá-Lo, mas imperceptivelmente estamo-nos enamorando das glórias e vaidades deste mundo. Sem que o percebamos, talvez, o nosso coração esteja dividido, entre o nosso apego ansioso ao presente e o nosso amor a Deus. É o caso do moço rico que correu até ao Mestre para perguntar: "Que farei para herdar a vida eterna?" A sua sinceridade foi posta à prova, quando Jesus lhe disse: "Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no Céu; então vem e segue-Me." O evangelista Marcos apresenta significativamente: "Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades."10

Um casal abastado orgulhava-se da sua filha única e da sua bela casa, mas o pai e a mãe eram egoístas, vivendo apenas para os prazeres desta vida, de todo indiferentes às misérias do mundo em derredor. Inesperadamente, a tragédia invadiu-lhes o lar, sendo a filha do seu coração levada pela morte. Desolados, os pais recusavam o conforto de amigos. Fizeram uma viagem à Suiça, e buscaram consolo na solidão de um chalé, na montanha. Sentados na varanda, um dia, viram um pastor a tentar guiar o seu rebanho através de um riacho, mas as ovelhas teimosas recusavam-se a obedecer. Finalmente, o pastor tomou um cordeiro no colo e levou-o para o outro lado da corrente. Sem demora, a ovelha-mãe seguiu-o e, logo, todo o rebanho. De súbito, o pai desolado exclamou: "Ó, minha querida, o Pastor levou a nossa cordeirinha para que nós O seguíssemos." Sim, o sofrimento bem pode ser um convite do nosso Pai celeste para que o sigamos mais de perto.


Seria presunção nossa ir além das sugestões acima, para elucidar o porquê do sofrimento. O suficiente, porém, foi dito para nos convencer de que, nas circunstâncias actuais de um mundo em revolta contra a ordem moral do Universo, o sofrimento não só é inevitável, como também salutar. Enquanto perdurar a tragédia do pecado, o sofrimento continuará sendo uma experiência universal, lembrando ao homem que algo está profundamente errado na sua relação para com Deus. Assim como a dor é um sintoma de uma desordem na vida física, o sofrimento é um sintoma de uma desordem na vida moral. Abolir o sofrimento sem extinguir o pecado seria tão funesto como abolir a dor física sem corrigir a doença, da qual ela é uma manifestação. Há quem busque nos barbitúricos um escape para o sofrimento moral que os atormenta. Com isto, tão-somente agravam a desordem na sua vida psíquica. Quão mais acertado seria procurar compreender a razão do sofrimento à luz dos ensinamentos de Cristo! Para muitos o sofrimento foi a porta que os levou a uma comunhão mais perfeita com Deus.
É instrutivo lembrar que Jesus gastou mais tempo aliviando o sofrimento humano do que esclarecendo os Seus ouvintes sobre a razão de ser do sofrimento. Há nisto certamente uma lição preciosa. Foge-nos a capacidade de esgotar mistério tão profundo. É, porém, nosso privilégio associarmo-nos com os Céus na tarefa ingente de aliviar o sofrimento ao nosso redor. Minorando a dor alheia descobriremos agradecidos que a nossa cruz se torna menos pesada. Reflectindo morbidamente sobre os nossos males reais ou imaginários, vê-los-emos ampliarem-se como num microscópio. Focalizando, ao contrário, a nossa atenção sobre o sofrimento do nosso próximo, movidos pelo desejo de ajudá-lo, verificaremos surpresos a nossa dor desvanecer-se.


Duas objecções precisam de ser respondidas antes de concluirmos este capítulo:

A primeira é: Se todos sofrem, que vantagem tem o que serve a Deus sobre aquele que não O serve?
A esta objecção respondemos que uma vez que o sofrimento não é necessariamente castigo por pecado individual, mas pode ter uma finalidade disciplinar, ou pode mesmo ser um instrumento de redenção de terceiros, então o espectáculo do justo sofredor deixa de ser um tropeço. Há um provérbio chinês que reza: "Não se faz escultura em pau podre." Se continuamos na oficina do sofrimento, é porque o grande Artista vê em nós material precioso e digno da eternidade. O sofrimento pode bem ser evidência de que Deus ainda esteja esculpindo o Seu carácter na nossa alma.
Há, porém, outro aspecto desta questão. Quem serve a Deus, sofre com esperança; aquele que não O serve, sofre em desespero. A esperança faz toda a diferença neste mundo. Ela doura a nuvem do sofrimento com a luz da eternidade. Pela esperança, o indivíduo ancora-se ao próprio trono do Universo.

A segunda objecção é a seguinte: Se Deus é um Deus de amor como os cristãos afirmam, por que permite ainda o sofrimento numa escala tão colossal? Não poderia o Omnipotente exercer a Sua vontade benévola e extinguir o sofrimento da face da Terra? Em resposta, diríamos que isto é precisamente o que as Escrituras afirmam que Ele fará um dia, quando "lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram."11
Não foi com Deus que o sofrimento se originou. Este, originou-se com criaturas que se insurgiram contra a vontade divina e violaram as condições básicas de uma vida harmoniosa e feliz. O sofrimento cessará quando a Terra for reintegrada na harmonia universal, quando o homem voltar, como o filho pródigo, ao lar paterno. Persistentemente, o convite tem sido enviado ao filho rebelde: "Deixe o ímpio o seu caminho ... converta-se ao Senhor, que Se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar."12 Todas as coisas são possíveis a Deus, excepto obrigar o pecador a aceitar o perdão, a reconciliar-se com o seu Criador. Neste conflito moral, Deus jamais privará o homem da liberdade de escolha. O reinado do pecado não poderá terminar por um decreto divino, sob pena de reduzir as criaturas humanas a meros autómatos. Mas uma coisa Deus fará: limitará o tempo em que o drama do pecado se desenrolará no teatro deste mundo. Quando esta hora predeterminada no conselho divino soar, então, e só então, esta Terra será purificada de todo o vestígio do pecado e do sofrimento. Até essa hora aprazada, o sofrimento continuará a lembrar o homem da dolorosa realidade do pecado, cujo fruto é invariavelmente amargo.


Um antigo rei saxónico marchou com o seu exército para esmagar uma rebelião numa distante província do seu reino. Derrotados os rebeldes e restaurada a ordem, o rei colocou uma enorme vela no portão do seu castelo. Acendendo a vela, mandou o seu arauto anunciar que todos os que se submetessem e fizessem o juramento de lealdade enquanto a vela ardia, seriam perdoados. O rei ofereceu-lhes clemência, mas o oferecimento limitava-se à duração da vela. De igual modo, a clemência divina é ainda oferecida ao pecador, mas não indefinidamente. Mais cedo ou mais tarde soará para cada qual a hora que fixará de modo irrevogável o seu destino final.

1. Coríntios 10:13.
2. Gálatas 6:7.
3. Isaías 63:9.
4. La Morale et la Loi de l'Histoire, pags. 165, 166.
5. Apocalipse 21:4.
6. Apocalipse 3:19.
7. Hebreus 12:10.
8. Hebreus 12:6, 7.
9. S. João 15:1, 2.
10. S. Marcos 10:22.
11. Apocalipse 21:4.
12. Isaías 55:7.


Júlio Schwantes in O Despontar De Uma Nova Era, Casa Publicadora Brasileira, 1984.
"O Dr. Schwantes era bacharel em Física e Química, mestre em Teologia e doutor em Antropologia Vétero-Testamentária pela Johns Hopkins University. Escreveu vários livros, entre eles Colunas do Caráter, O Despontar de Uma Nova Era e o devocional Mais Perto de Deus." Prof. David Ben Schwantes in Criacionismo - http://www.criacionismo.com.br/2008/06/o-mestre-schwantes-descansa.html

sábado, 11 de fevereiro de 2012

CANCRO - ATÉ QUANDO?




Quem é que, nos dias actuais, não pensa logo nalguma doença grave quando sente algo estranho no seu organismo? O número de casos de cancro tem aumentado em todos os lugares. Somente no Brasil, estima-se que deverão morrer de cancro, este ano, cerca de 30000 pessoas.

O organismo humano é composto por milhões e milhões de células que se juntam formando órgãos e tecidos, os quais exercem funções específicas para o bem estar geral do organismo. Cada célula age como se tivesse inteligência própria e um comando próprio. Elas conhecem-se, sabem as suas funções e o lugar exacto que ocupam dentro do corpo.

Você nunca verá uma célula dos rins passeando pelo cérebro, nem uma célula do fígado dando uma 'voltinha' pelo pulmão. Além disso, cada célula normal submete-se à orientação geral, liderada pelas células do sistema nervoso.

O sistema nervoso é semelhante ao maestro de uma orquestra com incontáveis músicos, todos tocando no mesmo compasso e dentro de todas as notas previamente determinadas.

Isto acontece com a célula normal.

Olhando mais de perto uma célula, encontraremos uma parte muito importante no seu interior, denominada núcleo. Esse núcleo é a capital da célula, onde são tomadas as decisões que afectam a sua vida.

Tudo o que a célula necessita ou produz é indicado pelo núcleo, pelo programa codificado nesse núcleo. O núcleo contém os genes que formam os cromossomas. Cada gene é responsável por uma característica da célula. Os genes são formados por moléculas de DNA. Tudo o que esses DNA produzem para a célula está em harmonia com os interesses do organismo. O resultado disso será um corpo saudável em boas condições.

Assim não acontece com as células cancerosas. Individualistas, egoístas, resolvem seguir os seus próprios caminhos. Não estão interessadas no todo. Pensam somente em si. Não são organizadas, crescem sem limites, invadem outros tecidos e órgãos, e se deixadas livremente, acabarão destruindo todo o sistema.

Como pode isso acontecer?

Há varias maneiras. Vírus, substâncias químicas, radiações, podem alterar o DNA das células normais, alterando o seu programa normal. Há uma multiplicação exagerada dessas células e o seu tamanho cresce muito mais rápido, e com isso vão ocupando espaço dentro do órgão ou tecido onde se originaram, formando nódulos ou tumores após muitos anos de crescimento lento e quase imperceptível ao organismo. Logicamente ele não aceita essa situação e procura por todos os meios lutar contra as células revoltadas e independentes e se possível destruí-las.




Para isso põe em acção todo o seu sistema defensivo - O Sistema Imunológico. Milhões de células, na corrente sanguínea e fora dela, têm a função específica de matar permanentemente qualquer célula cancerosa. O organismo reconhece essas intrusas como inimigas e passa a travar uma batalha mortal. Ou o tumor com as suas células cancerosas são aniquiladas ou todo o corpo será destruído pelo cancro!

Como é que o organismo consegue combater e eventualmente liquidar células cancerosas?

Normalmente possuímos um conceito firmado de que o organismo não tem muita força para se opor à invasão das células cancerosas. De cada vez que se detecta um cancro no organismo, o ânimo fica abatido, pois, segundo a ideia corrente, pouco tempo de vida restará. Na realidade o que acontece no interior do corpo é algo bem diferente. Em condições normais, e entre os milhares de células, poucas se desviam da sua normalidade tornando-se células independentes capazes de se multiplicarem sem controlo. Se forem deixadas à mercê da sorte, certamente aumentarão em número ficando cada vez mais poderosas na oposição à lei geral que rege todo o organismo.

O sistema imunológico, que vasculha todos os recantos do corpo em busca de anormalidade, imediatamente descobre a célula desobediente, e passa a cercá-la com as células brancas chamadas linfócitos T. Essas células são capazes de produzir um veneno mortal para as celulas cancerosas ameaçadoras, que serão aniquiladas e eliminadas. Esse trabalho é feito, permanentemente e silenciosamente. Sem que saibamos somos protegidos por esse admirável exército sempre pronto para atacar qualquer coisa que ameace a integridade dos tecidos e órgãos.

Um facto importante diante desse modo de funcionamento do sistema inumológico é que, se alguém contrair um tumor ou cancro, terá que admitir, e efectivamente assim acontece, estar diante de um sistema de defesa deficiente, incapaz de manter o corpo a salvo dos invasores.

Essa é uma posição bem diferente do fatalismo como é visto o cancro pela maioria das pessoas. Esse facto coloca o doente frente a frente com a doença, com a sua responsabilidade. Não é tanto a força do invasor o culpado pela doença, mas sim a fraqueza do defensor. Em geral, porém, prefere-se fugir à responsabilidade. A culpa não é reconhecida. Procura-se sempre um bode expiatório, alguma coisa fora do controlo...
Mas era precisamente aí que estaria a força! Aceitando responsabilidades pessoais, existem condições para procurar soluções. Por outro lado, sempre que for negada a participação no desenvolvimento de um tumor ou de qualquer outra doença, as soluções se mostrarão inadequadas.

Como pode o sistema imunológico ficar fraco? São várias as razões, mas há duas principais:

a)- excesso de actividade
b)- sistema mal assessorado


Em todas as vias de entrada do corpo estão estacionadas incontáveis células e sistemas para rigoroso controlo de tudo o que possa entrar no organismo. No intestino, toda a alimentação é passada em revista quanto à qualidade. Alimentos impróprios e mesmo digestão imprópria, embora de alimentos bons, accionam as defesas naturais, sempre prontas e alerta para impedir que elementos estranhos atinjam a corrente sanguínea, ou então inutilizá-los e eliminá-los prontamente.

Em média você come cerca de 3 vezes, no mínimo, por dia e isso desde o lº dia do seu nascimento. Desde o início da vida começa o controlo ininterrupto pelo sistema imunológico. Esse exercício acompanha-o ao longo dos anos. Ao longo desse período, em muitíssimas ocasiões, as defesas tiveram muito trabalho! Poucas pessoas têm tido a sorte de poupar o seu corpo de agressões que tão frequentemente acontecem. Como você se agrediu a si mesmo?! Bem, a lista pode ser grande:

Por exemplo: - Você comeu mais de 3 vezes ao dia? Nesse caso o alimento não teve tempo para ser digerido. Isso provoca uma espécie de fermentação intestinal devido à presença de bactérias intestinais, e o alimento, que era saudável, estraga-se no próprio intestino, transformando-se em substâncias prejudiciais.

É verdade que nada, ou pouco, foi sentido na ocasião. O sistema imunológico saiu-se bem e formou substâncias, neutralizadas e eliminadas. Noutra ocasião, você comeu rapidamente e sob certa tensão. Isso paralisou a digestão por um período prolongado dando outra vez oportunidade aos alimentos para se decomporem no tubo digestivo. Novamente se formaram toxinas e uma vez mais o sistema imunológico executou o seu trabalho eficientemente e tudo foi colocado em ordem.

Silenciosamente e sem alarde você foi incontáveis vezes libertado pelo seu vigilante organismo!

Outra coisa que você não sabia, mas que deu muito trabalho aos linfócitos T, foram as gorduras que tão 'generosamente' foram acrescentadas no processo de preparar os alimentos. A medicina moderna descobriu, nos nossas dias, o que a Bíblia já advertia há mais de 3000 anos atrás: "Toda a gordura é Minha" diz o Senhor.

Ela não devia ser comida. Quantos sistemas de defesa já foram inutilizados ao longo dos séculos por não considerarem esse conselho milenar! Olhe ao redor e veja quanta gordura entra no seu cardápio: carnes gordas; manteiga e margarina; óleos de todas as marcas; fritos: batatas fritas, ovo estrelado e omoletes; carne e peixe frito; óleo para preparar molhos; arroz frito com feijão; bolos, bolachas, etc. E assim os linfócitos e outras células têm um trabalho incessante dia e noite!!!

Você diz: "Não vejo problema! Afinal, se existe sistema de defesa é para ser usado e exercitado!" Até certo ponto é verdade. Mas o limite de funcionamento do sistema de defesa também está dentro de um programa natural de vida. Quando é exigido mais do que se pode fornecer, esgota-se a capacidade. A vigilância do sistema de defesa declina e tóxicos invadem e permanecem no corpo alterando células e órgãos. A doença se instala.

Que doença? Qualquer doença! Muitíssimas estão relacionadas com esse sistema de defesa, inclusive as malignas como o cancro nas suas várias apresentações.

As regras acima são importantes para a prevenção das doenças malignas. Mas o que, porém, mais interessa a uma pessoa que já está com a terrível doença? Simples! Livrar-se dela e o mais rápido possível.

Mas o caminho de volta é doloroso e demorado. A prevenção deve ser o objectivo permanente da nossa vida. O descuido, ou o desconhecimento, porém, fez a sua obra e o cancro é uma realidade para muitos, hoje. Contudo, o doente de cancro pode ter o seu caminho de retorno. Esse doente muito pode fazer pela recuperação da sua saúde. Se o organismo sofreu pelo uso do cigarro, liberte-o, abandonando o tóxico!
A carga demasiada de alimentos impróprios exerceu a sua influência? Cuide o doente das forças restantes, dando aos órgãos digestivos oportunidade de recuperar o seu vigor perdido e assessorar o organismo na tarefa da cura.

Os linfócitos T têm poder para matar células cancerosas através das linfoquinas que produzem. Em certos casos de cancro, a causa foi o enfraquecimento das (células) linfócitos T. A capacidade defensiva do sistema imunológico pode ser recuperada! Sempre que se avisa o doente da dura realidade da sua doença, este fica abatido pois sabe da incurabilidade do mal. Mas a depressão e a angústia, em seguida, enfraquecem mais o sistema defensivo, e a doença avança. São consultados os números estatísticos. "Poucos escapam", segundo os dados médicos.

O Senhor, porém, tem métodos e caminhos diferentes. A Bíblia afirma: "Eu sou o Senhor que te sara". Só Ele sabe como fortalecer as defesas e devolver a saúde. O doente deve ser encorajado a depositar a sua confiança no Médico dos médicos. A confiança é essencial para mudar o estado do corpo que caminhava em direcção à destruição.




REGRAS PARA A PREVENÇÃO DE CANCRO

- Evite alimentos que são uma carga para os seus órgãos e sistema de protecção:
carnes em geral, gorduras e queijos.

- Fortaleça o organismo com alimentos saudáveis e portadores de nutrientes
essenciais ao sistema de defesa:
legumes, frutas, verduras, cereais integrais e nozes (proteínas vegetais).

- Coma somente 3 vezes ao dia. Coma à noite uma refeição muito leve,
e várias horas antes da hora de dormir.

- Repouse adequadamente. Permanecer horas da noite acordado
diminui a capacidade defensiva do corpo e a sua vigilância pode ser vencida.

- Exercite-se frequentemente. A circulação activa-se com o exercício
e ajuda a eliminar substâncias indesejáveis ao organismo.
Os rins trabalham mais e o sangue é purificado com eficiência.

- Mantenha paz de espírito. O stress mental produz quantidade de adrenalina
prejudicial aos linfócitos T, que os enfraquece.
A paz de espírito é o resultado da confiança no Senhor.
Somente quem faz de Deus o seu braço forte,
repousará das tensões da vida moderna.


Dr. Sang Lee, médico especialista em Imunologia, Alergologia e Medicina Interna in Liberte-se.

(Complete com NEW START, o que é? em Meditação para a Saúde, 11.02.2012).

Interiorize o cântico Antes Você Precisa Crer em Links 5M - mas lembre-se que terá também de obedecer às leis que regem o organismo humano criado por Deus.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MAIS DO QUE VIOLÊNCIA! PERVERSIDADE!


COMO PROTEGER O SEU FILHO DO ABUSO SEXUAL

Sinais a Procurar e O Que Dizer aos Vossos Filhos

Parece-nos que ouvimos muita coisa sobre o abuso sexual de crianças, através de amigos, da televisão, e dos jornais. Sabe como é: "Ouviste falar do... Ele foi preso por molestar uma menininha." Ou talvez um rapazinho.

Estas notícias levantam questões muito sérias. Quem são estas pessoas chamadas 'molestadores sexuais' ou 'pedófilos'? É possível identificá-los com antecedência? O que é que devemos dizer aos nossos filhos que ajude a protegê-los de uma coisa tão horrível?

Durante as últimas décadas, muitos autores pegaram no assunto do abuso sexual sem escreverem detalhadamente sobre quem o faz. Mas os investigadores estão a pôr a descoberto muita informação que poderá ajudar os pais, professores, ou apenas bons cidadãos. Muitas das seguintes informações foram dadas em primeira mão num artigo de investigação intitulado Prevenção do Abuso Sexual de Crianças. O que os Pedófilos nos Dizem", da autoria de Browne e Kilcoyne, publicado na Child Abuse and Neglect. Browne e Kilcoyne relatam aquilo que 91 pedófilos lhes disseram.

A maior parte dos molestadores tem entre 30 e 42 anos. Metade deles era casado na altura em que cometeu essas ofensas. Trinta e cinco por cento tinham profissões sólidas; 93% só abusavam de crianças e 30% já tinham abusado de 10 vítimas ou mais. As meninas eram o alvo de 58%, só rapazes apenas 14%, e 28% molestavam tanto meninas como rapazes. Um terço dos pedófilos foi preso por abusarem dos seus próprios filhos, outro terço não conheciam as suas vítimas; e o terço restante eram familiares ou amigos. Todos os molestadores eram homens.

Os molestadores de crianças revelam que uma característica que normalmente procuram numa vítima é a falta de auto-confiança. "Pode-se detectar uma criança que não tem confiança própria e fazer dela um alvo elogiando-a e dando-lhe atenção positiva." Todos eles procuraram, ainda, uma criança com quem pudessem desenvolver um relacionamento. "A não ser que a criança e eu gostemos um do outro e nos achemos atraentes, nada se conseguirá. Tenho de sentir que sou importante e especial para a criança e que lhe estou a dar o amor que ela necessita e não tem."

Muito frequentemente, procuram as suas vítimas em lugares públicos e depois tentam ser aceites nas suas casas. As vítimas são encontradas, muitas vezes, nas escolas, nos parques de diversão, centros comerciais, arcadas - todos os lugares onde as crianças se juntam.

Lugar e Estratégia do Abuso

Os abusos têm lugar, na sua maioria, na casa dos molestadores (61%), na casa da criança (49%), ou fora de portas (44%).

Por ordem decrescente de frequência, as estratégias usadas pelos pedófilos são:

Brincar e ensinar actividades.
Isolar a criança tomando conta dela.
Dar uma boleia para casa.
Oferecer compreensão ou amor.
Ganhar a confiança da família da criança.
Muitos oferecem-se para jogar com as crianças ou para lhes ensinar algum desporto.
As pessoas que tomam conta da criança começaram por falar de sexo com a vítima,
oferecendo-se para lhe dar banho ou para a ajudar a vestir-se.
Também dizem à criança que o acto sexual será bom para ela e para a sua educação,
que é isso o que fazem as pessoas que se amam.

Quase todos os molestadores disseram que, assim que desenvolvem uma estratégia, a usam sempre que contactam a sua vítima.

O Primeiro Contacto Sexual

Durante o contacto sexual inicial os pedófilos falam sobre sexo, utilizam toques acidentais, dão prendas (subornos), ou usam persuasão verbal. Só em 19% dos casos é que a força física foi usada no primeiro contacto. A maior parte dos molestadores iniciam o abuso testando a reacção da criança ao sexo, falando sobre sexo, usando materiais sexuais, ou aumentando subtilmente os toques sexuais. Se a criança reagir à menção do sexo, os abusadores retraem-se, esperam algum tempo, e voltam, aos poucos e com gentileza, a falar de sexo. Apenas um quarto dos molestadores ameaçaria a criança com algum dano físico, caso ela não coopere. O relacionamento abusivo mantinha-se quando o molestador ameaçava terminá-lo ou ameaçava culpar a criança vitimada.

Os pedófilos preferiam, muitas vezes, as crianças aos adultos, porque as crianças são menos ameaçadoras e porque estavam à procura de algo 'novo' num relacionamento. Metade dos ofensores achou que as vítimas não ficaram angustiadas ou em sofrimento devido ao incidente e quase dois terços temiam que a criança os denunciasse.

Recomendações aos Pais e Professores

Os molestadores sugerem que os pais e os professores necessitam de instruções específicas sobre o que dizer às crianças. "As crianças são fáceis de enganar quando não têm a mínima ideia do que eu estou a tentar fazer". Dizem ainda que "as crianças deviam evitar sítios isolados, remotos. À noite, não brinquem em vãos de escada ou ruas desertas; nunca brinquem às escondidas sozinhos - escondam-se em grupos."

Eles recomendam que "as crianças são demasiado crédulas e devem ser avisadas de que nem toda a gente merece confiança", e que as crianças deviam dizer quando alguém as tenta enganar: "faça sugestões estranhas ou fale sobre sexo ou pareça tocar-lhes ou roçar-se nelas acidentalmente." Os pedófilos dizem que raramente se dirigem a grupos de crianças.

Nunca deixe que os seus filhos vão a uma casa de banho pública sozinhos. "Um bom lugar para se fazer uma espera é nos restaurantes do tipo hamburger. Especialmente os rapazinhos, vão sozinhos às casas de banho, e nunca esperam que alguém tente tocar-lhes. Muitas vezes, as crianças ficam demasiado embaraçadas até para gritarem." Os criminosos dizem que os pais deviam ensinar os filhos a "saírem da casa de banho a gritar se alguém tentar tocar-lhes."

"A melhor altura para contactar as crianças é quando regressam sozinhas a casa, a pé, vindos da escola." "Nunca devem aceitar boleias." "As crianças são muito confiantes. De início pergunto-lhes as horas. E rapidamente ganho a sua confiança. É difícil para elas afastarem-se." "Tento parecer respeitável pois isso engana as crianças." "Devem ser ensinadas que se forem seguidas devem correr para alguma casa e bater à porta, a gritar."

As pessoas que tomam conta de crianças dizem que "as crianças caem sempre por alguma ideia que as deixe ficar a pé até mais tarde, se brincarem a um jogo secreto com elas." Os pais devem tomar medidas especiais para se certificarem de que conhecem bem a baby-sitter, que verificaram as referências dadas, e que dizem aos filhos quais as perguntas que farão sobre ela quando regressarem a casa.

Os pais também devem ter cuidados com familiares e outras pessoas que parecem muito carinhosos. Alguns molestadores declaram que abusam das crianças na mesma sala em que estão os pais, sem que ninguém dê por isso. Deve-se ensinar as crianças a diferença entre um 'toque bom' e um 'toque mau'. Dizer-lhes que têm todo o direito de não ficarem ou estarem com alguém com quem não se sintam bem. Um pedófilo disse que as crianças que são muito castigadas, são os alvos mais fáceis: "Dou-lhes amor."

Sugerem que as mães sozinhas são as mais fáceis - "a mãe está cansada por trabalhar demasiado e agradece quando eu fico algum tempo com os miúdos."
Os molestadores recomendam que os pais e professores devem "acreditar nos miúdos". Ensinem-nos a contar aos seus pais sempre que alguém lhes toque acidentalmente.

Dr. Gary Hopkins, Professor Investigador, Director do Centro de Pesquisa para a Prevenção e do Centro de Pesquisa do Impacto dos Meios de Comunicação da Universidade de Andrews, Michigan, EUA  in  Saúde & Lar (Links 4LS).


A INOCÊNCIA


"Uma menininha, diariamente, vai e volta andando para a escola.
Apesar do mau tempo daquela manhã e de nuvens se estarem formando
ela faz o seu caminho diário para a escola.
Com o passar do tempo, os ventos aumentaram, os raios e os trovões.
A mãe pensou que a sua filhinha poderia ter muito medo no caminho
de volta, pois ela mesma estava assustada com os raios e os trovões.
Preocupada a mãe, rapidamente entrou no seu carro
e conduziu pelo caminho em direcção à escola.
Logo ela avistou a sua filhinha andando. Mas a cada relâmpago,
a criança parava, olhava para cima e sorria.
Finalmente, a menininha entrou no carro e a mãe curiosa perguntou:
- O que estás fazendo?
E a garotinha respondeu:
- Sorrindo! Deus não pára de tirar fotografias minhas!"


Deixai vir a Mim as crianças, e não as impeçais, porque das tais é o Reino de Deus. Em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele. E, tomando-as nos Seus braços, as abençoou, pondo as mãos sobre elas. Marcos 10:14-16

E qualquer que receber em Meu nome uma criança tal como esta, a Mim me recebe. Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em Mim, melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse nas profundezas do mar. Mateus 18:5, 6

Castigarei os que gostam de ... praticar actos imorais. Eu os castigarei pelo que têm feito. Eu, o Senhor Eterno, falei. Ezequiel 11:19, 21

Mas Deus Também Diz:


Eu lhes darei um coração novo e uma nova mente. Tirarei deles o coração de pedra, desobediente, e lhes darei um coração humano, obediente. Ezequiel 36:26
Dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um coração de carne.
Noutra versão bíblica

Oxalá o homem/mulher queira e deixe ser ajudado por Deus!

Deus ama-o! Aceite a boa mensagem do cântico - Ele Vai-te Alcançar - Links 5M


domingo, 15 de janeiro de 2012

COMO DESFRUTAR DE PAZ INTERIOR





No íntimo do coração de todo o ser humano há sempre um anelo intenso de paz e de permanente segurança.

Em busca da paz, algumas pessoas entregam-se aos prazeres sensuais como o uso de drogas alucinógenas, perversão sexual, glutonaria, embriaguez, etc.

Outros buscam-na acumulando vastas riquezas. Há os que crêem que alcançarão essa paz interior mediante a aquisição de conhecimentos, realizando viagens, praticando desportos e, às vezes, adoptando uma religião. Mas todos esses esforços humanos produzem sempre os mesmos resultados: frustração, desespero e revolta.

As Sagradas Escrituras ensinam-nos que no princípio Deus criou o homem à Sua divina imagem (Génesis 1:27). A criação do homem foi o acto culminante do poder criador de Deus no planeta Terra. Deus criou um homem perfeito, santo, de configuração harmoniosa, e em perfeita paz consigo mesmo e com o seu próximo. Pela sua aparência exterior, carácter moral, sensibilidade espiritual e capacidade intelectual, o homem era um reflexo de Deus. Num sentido relativo, o homem foi feito como Deus. E foi criado com a capacidade de poder viver para sempre na companhia do seu Deus.

A tragédia do pecado interrompeu abruptamente esta perfeita condição de homem semelhante a Deus. A súbita aparição do pecado neste planeta produziu mudanças profundas e de enormes consequências para a raça humana.

Toda a família humana, tanto pela sua própria natureza como por escolha própria, ficou debaixo do pecado. "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" Romanos 3:23. E "o salário do pecado é a morte" Romanos 6:23.

No seu estado de depravação espiritual e moral, o pecador tem buscado em vão encontrar a salvação. Todos os esforços humanos para alcançar paz interior e restauração têm-se demonstrado equivocados e infrutíferos.

A salvação só se consegue por meio da graça de Deus, que opera através da fé.
"Não por obras, para que ninguém se glorie" Efésios 2:9.

Se   fosse   possível   ao   pecador   obter   a   salvação   mediante   esforços   humanos,
não   teria   havido   necessidade   do   sacrifício   de   Cristo   na   cruz.

A total incapacidade do homem para redimir-se a si próprio está claramente exposta em Romanos 3:10-14, 24-26.

A RESTAURAÇÃO GARANTIDA EM CRISTO


Contemplada desde a divina perspectiva de Deus, a raça humana tem uma feliz e gloriosa alternativa perante a separação e a morte. Esta é a reconfortante e bendita certeza interior do perdão, libertação e restauração à imagem de Deus.

Nenhuma outra coisa, senão a obediência, pode satisfazer os requisitos da Santa Lei de Deus. Dado que o homem é totalmente incapaz de prestar perfeita obediência mediante os seus próprios esforços, Cristo tornou-Se voluntária e vicariamente o Substituto, o Perfeito Sacrifício, e o Dom de Deus para a salvação do homem. João 3:16.

Num emocionante acto de insuperável amor e graça, Deus entregou-Se decididamente à tarefa de garantir a restauração total de todo o membro da raça humana que creia no Seu Poder Salvador e O Aceite de todo o coração.

A primeira etapa desta restauração chama-se JUSTIFICAÇÃO.

Na Justificação afirma-se a eficácia do Plano Redentor de Deus.

Em Romanos 5:1 destaca-se o profundo segredo da paz interior que o homem encontra em Deus.

"Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus."

Isto significa que quando o crente é Justificado pela generosidade de Deus, ocorre na sua vida algo de radical, instantâneo e completo.

O primeiro passo fundamental na justificação é crer em Jesus Cristo como o único Salvador do homem. O crer em Jesus Cristo não é simplesmente crer no que Ele diz como sendo verdade absoluta. É, antes, render totalmente o nosso ser, pela fé, entregando-o nas mãos de Cristo mediante a plena Aceitação da Sua Soberania sobre as nossas vidas.

Deus justifica o crente num acto instantâneo e completo. O ser justificado, de acordo com o significado básico da palavra, é "estar bem" com Deus. Em determinado momento, o pecador está perdido, desesperançado e numa condição totalmente inaceitável. Mas no momento seguinte, mediante uma miraculosa demonstração de divino amor e de graça, o mesmo pecador torna-se aceitável e está justificado, livre e cheio de esperança e segurança.

Desde que o pecador aceita a Cristo pela fé, nesse mesmo instante é 'feito justo' ou 'declarado justo', ou 'considerado justo', por Deus. O crente não é agora apenas um pecador absolvido mas também um Filho totalmente Restaurado e Reconciliado com o seu Pai Celestial.

A justificação não é apenas uma absolvição, mas também uma aprovação.
Não apenas um acto de perdão, mas uma promoção a um novo estado.
O perdão vem sempre acompanhado de restauração.
Por meio da Justificação, o pecador chega de novo a 'estar de bem' com Deus
para começar uma nova vida vitoriosa em Cristo.


O RESULTADO AUTOMÁTICO DA JUSTIFICAÇÃO



Romanos 5:1 é um elemento fundamental das boas novas do evangelho de salvação. Assegura à humanidade a infinita disponibilidade e idoneidade de Deus para salvar ampla e totalmente a todos os que crêem. "Justificados, pois, pela Fé, temos Paz com Deus, Por nosso Senhor Jesus Cristo."

O tempo verbal, 'temos', implica claramente que: Os Que São Justificados Pela Graça De Deus Desfrutam De Paz Interior, De Verdadeira Serenidade E Absoluta Segurança, Como Uma Realidade Presente.


A profunda satisfação do crente ao saber:

               que está perdoado
               que está bem com Deus
               que está livre de condenação
               que foi declarado filho de Deus
               que tem a promessa da vida eterna
               é razão mais do que suficiente para que possa desfrutar de Paz Interior.


A serenidade imperturbável que produz a Justificação, acrescenta novas dimensões ao crente justificado. Como o mel que flui das colmeias, a Paz, o Gozo, a Paciência e a Esperança fluem livre e progressivamente da vida dos que são Justificados pela graça de Deus. Romanos 5:1-5.

Outra razão para desfrutar da Paz Interior que produz a Justificação, é o facto de que todos os que aceitam a Graça Salvadora de Deus estão Completos em Cristo. Colossenses 2:10.

Estar completo supõe:

               Limpeza Completa (Colossenses 2:11)
               Completo Perdão (Colossenses 2:13)
               Completa Liberdade em Cristo (Efésios 1:19 até Efésios 2:6)
               Completa Justificação (Romanos 5:1, 19; Colossenses 2:14).


Os que crêem não estão meio limpos, ou meio perdoados, ou meio justificados. A obra que Deus faz é Eficaz, Completa e está Garantida pelo Precioso Sangue de Cristo.

Em Vista Desse SUFICIENTE E VICÁRIO SACRIFÍCIO DE CRISTO, Já Os Pecadores Não Têm Que Morrer Pelos Seus Pecados, Visto Que Ele Sofreu Na Cruz O Castigo Do Pecador.

Escreveu o apóstolo João: "E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em Seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a Vida" I João 5:11, 12.

O Aceitar Humildemente Esta Sublime Oferta É Ser Justificado Pela Graça Infinita De Deus.

E  SER  JUSTIFICADO  É  TER  PAZ  COM  DEUS  MEDIANTE  JESUS  CRISTO.

A Fórmula É Muito Simples: "Crê No Senhor Jesus Cristo E Serás Salvo, Tu E A Tua Casa" Actos 16:31.

Jorge Brown



Ainda pode ouvir o bonito cântico - Justificado - Links 5M

domingo, 1 de janeiro de 2012

O PODER DA ESPERANÇA


O barco virou-se com quatro homens dentro - todos eram atletas profissionais, jogadores de futebol. Um deles, Nick Schuyler, foi encontrado dois dias depois, agarrado ao casco da embarcação, praticamente inconsciente, e vestindo o seu colete salva-vidas. Os outros nunca foram encontrados.
Depois de ter recuperado totalmente a consciência no hospital e de ter explicado como as coisas aconteceram, as buscas pelos outros três homens cessaram. Schuyler disse aos investigadores que depois de quatro horas naquelas águas geladas - e estando cientes de que o grupo não conseguiria emitir um sinal de socorro que ajudasse os socorristas a localizar a sua exacta posição - os outros três perderam a esperança de virem a ser encontrados. Despiram os seus coletes e deixaram-se afundar nas profundas e frias águas.

Mas Schuyler nunca perdeu a esperança. Ele referiu que acreditava que iria ser resgatado. Os médicos afirmam que foi um milagre ele conseguir manter-se vivo durante todo aquele tempo - 48 horas - dentro de água, a uma temperatura de 17°C. Há força na esperança!

A FORMA COMO PAULO TRATA O ASSUNTO


Enquanto pesquisava sobre o tema da esperança, fui conduzido a um texto familiar que se encontra no livro de I Coríntios. Paulo diz: "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor" (I Coríntios 13:13).

A palavra 'esperança', que se encontra no meio deste trio, aparece 128 vezes na Bíblia, sendo que Paulo a usa 41 vezes nas suas epístolas. Este capítulo de Coríntios diz-nos como tudo perde importância em comparação com o amor - sejam as profecias, as línguas, seja o conhecimento ou outra coisa qualquer. Mas ainda que o amor seja 'o maior', Paulo também afirma que a 'fé' e a 'esperança' fazem parte dos três grandes que 'permanecem', os três grandes que persistem depois de todos os outros dons e de todas as outras qualidades se desvanecerem.

No entanto, nesta trilogia, a esperança parece ser aquela que não faz muito sentido. Conseguimos perceber a fé - afinal de contas qualquer Cristão sabe que "sem fé, é impossível agradar-Lhe (a Deus)", como é dito em Hebreus 11:6. E toda a gente parece compreender naturalmente o lugar e a importância do amor - a graça que, segundo Jesus, permite que todos saibamos que somos Seus discípulos (João 13:35).

Mas a esperança - como é que se enquadra aqui? Parece quase fora do lugar. Mas não está.

Há algo relacionado com a nossa maneira de ser, algo na nossa psique (alma) que se alimenta da esperança; e o Deus que nos criou sabe disso. Há uma qualidade intangível nela, mas ainda assim há algo de muito real também. Na verdade, Paulo relembra-nos que "em esperança somos salvos" (Romanos 8:24). A palavra deriva do grego elpis e está relacionada com a noção de expectativa.

Quando decidi pedir a minha mulher em casamento, escolhi o restaurante, fiz as reservas com duas semanas de antecedência, fui ao restaurante uma semana antes, escolhi uma mesa em particular e num local especial e, depois, sai para escolher o relógio que lhe daria como prenda de noivado. Eu tinha esperança! Pensei na forma como decorreria o momento, ensaiei aquilo que iria dizer e depois pensei qual seria a resposta dela. Pensei que ela iria dizer que sim - tinha quase a certeza de que ela diria que sim - mas não tinha provas concretas de que aceitaria. Mas eu tinha esperança! Vivia na expectativa, e mal podia esperar por aquele momento!
Bem, ela disse que sim. E no ano passado comemorámos 25 anos de casamento. É isto que é a esperança. E Deus diz que ela permanecerá.

Numa canção que foi lançada há alguns anos é dito que mesmo que o Céu ou a vida eterna nunca nos tivessem sido prometidos, teria valido a pena só para termos o Senhor a fazer parte da nossa vida. Contudo, Paulo não está de acordo com estes sentimentos. E eu também não! Deus fez-nos algumas promessas e quer que vivamos na esperança de morarmos num lugar melhor. Paulo afirma: "Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens" (I Coríntios 15:19). Deus sempre nos concedeu esperança. Quando expulsou os nossos primeiros pais do Jardim do Éden, Ele prometeu-lhes um Libertador. Quando os Israelitas definhavam na escravatura, Deus prometeu-lhes o Messias. Esperança era a que Job tinha quando disse: "Porque eu sei que o meu Redentor vive e que, por fim, Se levantará sobre a Terra. E, depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus" (Job 19:25, 26). Isso é esperança - desejo acompanhado de expectativa.

Os cristãos devem ser um povo de esperança! ...
As mensagens dos três anjos (Apocalipse 14:6-12) são não só mensagens de aviso, mas também de esperança. ...

Mesmo nas nossas lutas há esperança. Em Romanos 5:3 e 4, Paulo refere: "E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança."
As pessoas, em todos as lugares, estão à procura de esperança em algo, em alguém. Nós temos aquilo que elas procuram; nós temos o artigo genuíno. Como cristãos, em geral, e Adventistas, em particular, nós estamos "aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo" (Tito 2:13).

PERMEANDO O NOVO TESTAMENTO

Podíamos fazer uma análise do tema da esperança ao longo de todo a Novo Testamento, se o espaço assim o permitisse. O autor de Hebreus fala acerca daqueles que "pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta" (Hebreus 6:18). "A qual temos", diz ele, "como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu" (Hebreus 6:19). E Pedro admoesta-nos: "Estai sempre preparados para responder, com mansidão e temor, a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (I Pedro 3:15).
Assim, não temos de nos preocupar com nada - incluindo as actuais condições económicas do mundo. Tal como David diz: "Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão" (Salmo 37:25).

Nem mesmo os problemas da vida - seja na forma de cancro, doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais (AVC), ou qualquer outro - podem derrotar os filhos de Deus. Eles podem matar-nos, mas Paulo, em I Tessalonicenses 4:14, refere que "se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim, também, aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com Ele". E continua, dizendo: "Porque o mesmo Senhor descerá do céu, com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (I Tessalonicenses 4:16, 17).
QUE MENSAGEM!
Mas uma discussão sobre este assunto não pode terminar nunca sem se fazer uma referência ao livro de Apocalipse. João diz: "E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o Seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará dos seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Apocalipse 21:1-4).

Enquanto crescia, vivi numa quinta, numa pequena localidade nos arredores de Wynne, no Arkansas. Quando se tornou difícil para o meu pai ganhar ali a vida, ele anunciou à família que iria mudar-se para St. Louis, a cerca de 480km de distância, onde iria viver com o seu irmão. Ele arranjaria um emprego, juntaria dinheiro suficiente, alugaria uma casa e depois viria buscar-nos.
Eu era o filho mais ve1ho, pelo que o meu pai chamou-me à parte e disse-me para tomar conta das coisas e ocupar o seu lugar até ele regressar. "Ajuda a tua mãe", disse ele. "Certifica-te de que existe sempre lenha suficiente cortada para manter a casa quente e para colocar no fogão de forma a que a tua mãe possa fazer a comida. Certifica-te de que tiras água suficiente do poço (nós não tínhamos água corrente em casa) e, depois de vires da escola, alimenta bem os animais."
Eu respondi-lhe: "Sim, senhor." Eu tinha apenas oito anos de idade, quatro irmãos mais novos e a minha mãe estava grávida de cinco meses. Ele disse-me: "Filho, eu sei que, por vezes, vai ser muito duro para ti, mas lembra-te de que não terás de o fazer por muito tempo. Eu voltarei em breve."
Lembro-me de lhe ter perguntado: "Quando é que vais voltar?

Mas ele era demasiado sábio para me responder. Ele apenas disse: "Em breve!" Foi duro para mim ter de cortar lenha ao frio e encher os garrafões de água. A única coisa que me fazia continuar era saber que o papá contava comigo e que não teria de o fazer por muito tempo.
Uma noite, sem dizer nada a ninguém, o meu pai entrou de rompante no meu quarto. Quando me apercebi de que era ele, saltei de cima do meu beliche, uma distância que parecia ser de uns cinco metros, para os braços do meu pai. Estava tão feliz por o ver! Já não havia mais corações quebrantados! Já não havia mais dor! Tudo estava no passado agora! O papá estava de volta! E aquilo que parecia ter demorado anos, agora era sentido como se tivesse sido apenas um momento. Todo o trabalho árduo que eu tinha executado foi esquecido de repente.

Já não falta muito. Em breve, o nosso Salvador vai voltar para nos vir buscar. "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque, assim como é, O veremos" (I João 3:2).

Nós somos um povo de esperança, com uma missão de esperança e com uma mensagem de esperança!

G. Alexander Bryant - Secretário da Divisão Norte-Americana dos Adventistas do Sétimo Dia, em Silver Spring, Maryland, EUA


Inspire-se este Novo Ano no lindo cântico: Jerusalém - Links - 5M