sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PARA UMA VELHICE DE QUALIDADE


Herminie-Louise Roth, de nacionalidade suíça, festejou os seus 100 anos a 17 de Abril de 1986, em pleno vigor de espírito e autonomia física.
Conhecendo o francês e o inglês, foi professora e secretária em Inglaterra, Estados Unidos, Haiti, Camarões, Suiça e França.
Dirigiu a instituição de convalescença 'Vie et Santé' na Argélia durante 7 anos.
Saídos da pena de Herminie-Louise Roth, os textos que aqui publicamos são, segundo as suas próprias palavras, 'o resultado de observações feitas ao vivo num lar para pessoas idosas de 1978 a 1983.'
Ela continua ligada a esse estabelecimento, situado em Oron (Vaud, Suiça), onde toma as suas refeições do meio-dia.

Não tenho segredo algum de longevidade, mas tenho uma linha de vida, um estilo de vida.
A vida permitiu-me conhecer muitos meios e as mais variadas espécies de situações. Desde a minha 1ª infância, os meus pais fizeram-me participar na vida corrente. Desde que fui capaz de escrever, pediram-me para escrever os endereços numa vintena de revistas 'Sinais dos Tempos' que o meu avô Roth expedia cada mês. O papel não tinha linhas, e era necessário escrever direito sem erros.
Aos 7 anos, o meu pai confiava-me um grande porta-moedas castanho que continha dinheiro e pedia-me para ir levá-lo ao Banco, que ficava do outro lado da rua, um pouco mais abaixo. O meu pai vigiava-me da janela para se certificar de que eu seguia as suas recomendações.
Aos 12 anos, a minha mãe pedia-me, de vez em quando, que preparasse o pequeno-almoço para a família. Além da bebida, era necessário cozinhar um cereal, pôr a mesa e ter tudo a horas.
Esta espécie de educação deu-me o gosto pelo esforço, por tarefas difíceis, e ajudou-me a compreender o sentido da responsabilidade.

Uma velhice de qualidade não é um presente. É preparada com muito tempo de antecedência. A velhice de qualidade não é apenas um período da vida, é também uma dimensão da vida. É o resultado de uma convicção e do esforço de vontade. É um estado de espírito. É também uma transposição, uma sublimação dos interesses materiais para os valores morais, espirituais e eternos.

'O irreparável ultrage dos anos' continuará a ser sempre uma fonte de sofrimento. Sem uma atitude positiva do espírito, sem uma disciplina mental e espiritual, a velhice pode ser um desmoronamento, uma tragédia.



Eis Alguns Elementos Que Podem Ajudar A Desenvolver
Uma Velhice De Qualidade

(a lista não é exaustiva e deve ser adaptada a cada situação)


CONTRA  A  CONCENTRAÇÃO  EM  SI  PRÓPRIO


1. Aceitar com contentamento o que não se pode mudar nem evitar.

2. Não 'ruminar' as suas preocupações, as suas dores, as suas decepções, as suas infelicidades.

3. Adaptar-se com maleabilidade e rapidez às circunstâncias, ao meio.

4. Evitar a 'doença da análise' que esteriliza toda a actividade.

5. Não pensar que se deve intervir em todas as conversações.

6. Não falar demais.

7. Saber ouvir os outros sem interromper.

8. Não carregar os seus discursos com pormenores inúteis, que fatigam e irritam os outros.

9. Não dizer tudo o que sabe, mas saber tudo o que diz.

10. Fugir da 'contradição sistemática': é uma arma de dois gumes.

11. Respeitar as opiniões do outros. Não ter ideias fixas.

12. O declínio das forças e da actividade pode fazer surgir uma necessidade de se valorizar; evite falar de si, relacionar tudo a si.

13. Não ser invasor, não se intrometer nos assuntos dos outros.

14. O velho egoísta que quer que os outros o sirvam priva-se de muitas alegrias.



EM  CONTACTO  COM  OS  OUTROS


1. Não ser curioso. Para quê, querer saber tudo, ver tudo, ouvir tudo?

2. Dominar a língua. A crítica, a maledicência, a calúnia afectam também a saúde do corpo.

3. Ver e contemplar o bem, o bom e o belo.

4. Não ser avarento a ponto de privar-se das coisas úteis.

5. Não suspeitar que os parentes aguardam a vossa partida para ter o que vos pertence.

6. Dominar o apetite. Parar de comer quando se tem ainda um pouco de fome. O domínio do apetite desempenha um papel de primeiro plano para a compreensão das coisas espirituais e para a formação dum carácter cristão.

7. Não se gastar ao tratar com as pessoas.

8. Modular a voz. Uma palavra mansa pode tornar-se dura devido ao tom com que é proferida.

9. Desfrutar de passatempos que não dependam de outros.

10. Vigiar as reacções do coração e da idade, para lhes dar uma dimensão conveniente, razoável. Evitar os excessos emotivos, afectivos, nervosos. Evitar também o desperdício de sensibilidade.

11. Conservar o domínio próprio até no modo de se apresentar e de se vestir.



ORGANIZAR  A  SUA  VIDA


1. Ter um programa de actividades para não ficar sobrecarregado, sob tensão.

2. Saber ocupar o tempo descontraidamente.

3. O desgaste do corpo pode afectar o bom discernimento. Perde-se o sentido das proporções. Deformam-se os factos. Bagatelas, futilidades tornam-se montanhas. Corre-se o risco de fazer 'hemorragias' nervosas.

4. Nunca perder essa maravilhosa primavera do espírito - o sorriso. O semblante que oferecemos aos outros reveste-se também de poderosa influência.

5. Gozar todas as alegrias do presente, mesmo pequenas, tendo em conta que todas as alegrias terrestres são imperfeitas.

6. Aprender a viver com as suas doenças. O corpo tem o direito de se sentir cansado e gasto, depois de tantos anos de serviço. É normal. Não exagerar as suas doenças nem aproveitar-se delas para atrair favores.

7. Fugir da inveja como de um veneno.

8. Um velho agressivo é como uma silva cheia de espinhos, põe a sua roupa às avessas a mostrar todas as costuras. Não é nenhuma virtude!

9. Mostrar-se amável e disponível para prestar serviço, mas não ser servil.

10. Não contar o que lhe falta. Sobretudo, não fazer disso um recital.

11. Alegrar o espírito. Enquanto é possível ainda fazê-lo, desembaraçar-se das coisas inúteis. Desprender-se. Liquidar os seus problemas. Sendo necessário tratar da sua sucessão.

12. Deixar as coisas antes que elas vos deixem.



CULTIVAR  O  ESPÍRITO


1. Lembrar-se de que a qualidade da velhice depende da reserva acumulada ao longo dos anos no espírito, na alma e no coração.

2. Ver menos os outros é por vezes melhor do que vê-los demais.

3. Se alguém tem reacções desagradáveis, não lhe manifestar antipatia.

4. Respeitar a dignidade da pessoa, seja qual for o seu estado. Salientar as doenças, as anomalias, pode fazer sofrer.

5. O silêncio é também uma solução.

6. Escrever uma lista dos seus defeitos pessoais. Esta introspecção pode ser salutar.

7. Continuar a cultivar o espírito. Estar em dia com a actualidade. Manter os pés no chão para a vida presente, mas julgar as coisas desta terra à luz da eternidade.


Saúde & Lar, Publicadora SerVir, Agosto de 1987



domingo, 16 de outubro de 2011

A SAÚDE DEPENDE DO ESTILO DE VIDA


(clique nas imagens para as aumentar - veja mais nos links - 3I)

HOSPITAL/UNIVERSIDADE DE LOMA LINDA - CALIFÓRNIA - ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA




O Dr. Llorca participou recentemente no Congresso Internacional de Nutrição que teve lugar em Washington, patrocinado pela Universidade de Loma-Linda (Califórnia). Assistiram especialistas de todo o mundo.

-SINAIS Dos TEMPOS: Qual foi o tema principal deste Congresso?

-Dr. Llorca: Falou-se sobretudo do facto de que a comunidade científica internacional está cada vez mais de acordo em que, uma alimentação rica em produtos de origem vegetal é uma garantia para a nossa saúde. A alimentação vegetariana é uma dieta pobre em gorduras, em proteínas, em sal, e rica em hidratos de carbono completos, que são as recomendações actuais de todos os grupos de investigação.

-Que vantagens traz à nossa saúde, fazer uma alimentação correcta?

-Na realidade este conceito é muito antigo: Hipócrates, o pai da medicina, já dizia "A tua alimentação é o teu remédio ... ". O que acontece é que durante muito tempo se pensou que o mais importante era a quantidade e a higiene dos alimentos, e não a qualidade.
Acontecia o mesmo com a origem das proteínas, os hidratos de carbono, as gorduras e as vitaminas. Ultimamente verificou-se que não era assim. O facto de a proteína ser animal, pressupõe à partida uma maior concentração de gorduras, um dos principais factores de doenças cardiovasculares.

As pessoas que fazem uma alimentação rica em gorduras e produtos animais, consomem, geralmente, menor quantidade de outros tipos de alimentos que são úteis e necessários: frutas, vegetais e cereais. Está demonstrado que as pessoas que fazem uma alimentação mais rica em vegetais, como cereais, legumes e hortaliças, frutas e verduras, gozam de mais saúde.

-Existe algum grupo da população no qual se possa comprovar os efeitos de uma tal alimentação?

-Fizeram-se estudos entre os hindus, que fazem uma alimentação à base de vegetais e bastante simples. À parte das doenças que podem contrair devido à sua pouca higiene, os hindus sofrem com menos frequência das doenças degenerativas típicas no ocidente: aterosclerose, artroses e artrites, etc.

Estudou-se também a alimentação do povo chinês, que contém 30% menos de gorduras e muito mais frutas e cereais do que, por exemplo, o povo americano. Este facto, adicionado a menos "stress" e menor consumo de tabaco, faz com que as doenças cardiovasculares sejam menos frequentes.

Mas, o grupo que mais interesse motivou por parte dos investigadores, foi o dos cristãos, membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Estas pessoas, fazem geralmente uma alimentação ovo-lacto-vegetariana, (alguns são mesmo vegetarianos puros, sem ovos, nem produtos lácteos), rica em cereais integrais, frutas e verduras; além disso praticam um estilo de vida são, isento de tabaco e bebidas alcoólicas. Tenho aqui, sobre a mesa, uma lista de 150 trabalhos publicados em revistas científicas de todo o mundo, nos quais se mostra que os adventistas gozam de mais saúde do que o resto da população: menos enfartes (aproximadamente menos 50% do que a população em geral); menos casos de cancro, tanto do pulmão, como do cólon e do estômago. Isto fez com que o Instituto Nacional do Cancro e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, investisse milhões de dólares para estudar a razão desta situação. Este assunto foi muito referido no Congresso a que assisti.

-Estes Estudos fizeram-se somente nos Estados Unidos, ou existe, algum estudo, por exemplo, a nível da Europa?

-Existe sim. Na Noruega, na Polónia e na Holanda. Na Polónia, a esperança de vida para uma mulher não adventista, é de 70 anos. Para uma mulher adventista é de 75. Para um homem não adventista é de 62 anos, para um adventista é de 71,9, isto significa cerca de 10 anos mais de esperança de vida.

Estas diferenças por comparação foram feitas também entre adventistas e não adventistas na Noruega - a esperança de vida dos adventistas é de 5 anos mais. Na Holanda é de 6 anos mais. Entre os adventistas da Noruega, há 64% menos de doenças cardiovasculares do que a população em geral.

São muitas as publicações de organismos oficiais que citam o estilo de vida dos adventistas como um exemplo de vida sã. Recentemente, a Comunidade Europeia, publicou o chamado código europeu contra o Cancro, preparado por especialistas de oncologia dos países membros. Num dos seus parágrafos diz-se que "O cancro do aparelho digestivo é menos frequente entre os adventistas, cuja dieta é rica em frutas e vegetais, não incluindo tabaco, álcool ou café."



-Porque é que os adventistas fazem uma alimentação assim, basicamente vegetariana ou ovo-lacto-vegetariana?

-Os adventistas são um grupo de pessoas que atrai muito o estudo dos investigadores e epidemiologistas. Eles aguardam o segundo advento de Jesus Cristo, tal como Ele mesmo prometeu, para acabar definitivamente com a dor, a doença e o sofrimento que abunda neste mundo. Enquanto esperam esse acontecimento extraordinário, essa salvação, procuram cuidar do seu corpo e conservá-lo na melhor forma possível. Não somente o seu mas também o dos seus semelhantes. É um bom exemplo de equilíbrio entre a esperança e a acção, entre a crença e a prática.

Além desta razão de saúde os adventistas têm outras para fazerem uma alimentação simples e basicamente vegetal. Eles crêem que, tal como refere o Capítulo 1 do livro de Génesis, Deus criou o homem vegetariano. O regime que foi dado por Deus no princípio, consistia em frutas e cereais, e mais tarde Ele juntou as verduras. Esta é a alimentação ideal do ser humano. Para alguns isto pode parecer uma lenda, mas o facto é que tem uma base científica, e que funciona bem na prática. Os adventistas seguem tão de perto quanto possível os abundantes conselhos sobre Medicina Preventiva que estão contidos na Bíblia Sagrada.

Outra razão é de índole social. Para produzir 1.000 calorias de origem animal, são necessárias 10.000 calorias de origem vegetal sob a forma de rações à base de soja e grão, para alimentar os animais. A carne é um alimento muito caro, um luxo do ponto de vista ecológico. Para produzir uma quantidade relativamente pequena de carne, é necessário utilizar grandes quantidade de soja e de outros cereais, com os quais se pode alimentar muitas pessoas.

-É verdade que alguns alimentos podem reduzir o risco de contrair o cancro?

-Ultimamente fala-se muito de nutrientes anti-cancerígenos, que se encontram fundamentalmente no reino vegetal. Por exemplo a vitamina A: o seu precursor, o beta-caroteno, encontra-se na cenoura, tomate e vegetais coloridos. Esta provitamina é um potente anti-cancerígeno, possivelmente pelo seu efeito antioxidante. A vitamina A do reino animal, chamada retinol, sendo também oxidante, não tem o mesmo efeito. Acontece o mesmo com a vitamina C, que se encontra em todos os cítricos e também noutros vegetais, mas escasseia no leite e na carne. A vitamina E é outro antioxidante poderoso, que se encontra especialmente no gérmen dos cereais. Podíamos falar também dos inibidores das proteases, substâncias que abundam nos legumes, e que são potentes antioxidantes e anti-radicais livres; deste modo, bloqueiam os processos de oxidação e de formação de radicais livres nas células, um dos mecanismos pelo qual se crê o cancro é produzido.

Nos Estados Unidos fez-se um estudo chamado 'Dos Médicos', com o qual se quis provar que os médicos que fumam têm mais cancro do que os que não fumam. Com efeito, isso foi confirmado. Esse estudo foi continuado para saber se os fumadores, que fazem uma alimentação rica em frutas, verduras e em carotenos (pro-vitamina A), têm menos cancro do pulmão do que os fumadores que comem poucos vegetais. Isso foi confirmado.

-Que pode dizer-nos sobre a fibra vegetal de que tanto se fala?

-Como lhe dizia, o reino vegetal contém uma grande quantidade de substâncias protectoras contra o cancro e outras doenças degenerativas. Uma delas, que ainda não mencionámos até agora, é a fibra vegetal, que se encontra nos cereais integrais, nas frutas e nas verduras, mas não na carne, nem no peixe e nos ovos. Logo, as pessoas que fazem uma alimentação baseada nesse tipo de alimentos, não comem fibras suficientes e apresentam maior incidência de cancro do cólon, divertículos intestinais e outras doenças.

-Além da alimentação, que outros hábitos influem directamente na nossa saúde?

-Podemos dizer que a saúde de que dispomos, depende em grande parte dos nossos hábitos alimentares. Há um espaço muito pequeno para o acaso ou o azar. Há estudos feitos que mostram que mais de 50% das doenças de que sofremos têm que ver directamente com os nossos hábitos e costumes alimentares. A OMS (Organização Mundial de Saúde) definiu o tabaco como a principal causa de doença e mortalidade. Quanto ao álcool, a OMS define como bebedor de alto risco o que bebe mais de 50 gramas de álcool puro por dia. Demo-nos conta de que a cerveja, que se usa muito neste país, contém 70 ou mais gramas de álcool puro por litro. Isto quer dizer que num litro de cerveja, já foi largamente ultrapassado o limite de 50 gramas considerados de alto risco.

- Vale a pena cuidar da nossa alimentação e da nossa saúde. Não somente para viver mais anos, mas sobretudo, para vivê-los melhor. Muito obrigado, Dr. Llorca!

O Dr. Pere Llorca i Contel, espanhol, é especialista do Aparelho Digestivo (Gastroenterologista) e de Medicina Interna. Realizou estudos de especialização nos Estados Unidos, na Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda, onde obteve 'masters' em Nutrição, Epidemiologia e Educação, assim como um doutoramento em Medicina Preventiva.




A investigação científica demonstrou que uma combinação adequada de vegetais
proporciona uma proteína completa e do mais elevado valor biológico.



«A carne nunca foi o melhor alimento; o seu uso agora é, todavia, duplamente objectável, visto as doenças nos animais estarem aumentando com tanta rapidez. ...
«Os efeitos do regime cárneo podem não ser imediatamente evidentes; isto, porém, não é prova de que não seja nocivo. A poucas pessoas se pode fazer ver que é a carne que ingerem o que lhes tem envenenado o sangue e ocasionado os sofrimentos. Muito morrem de doenças inteiramente devidas ao uso da carne, ao passo que a verdadeira causa não é suspeitada nem por eles nem pelos outros.»


Ellen Gould White (1827-1915) in A Ciência do Bom Viver, Publicadora SerVir, Portugal

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A BÍBLIA

UM LIVRO EXCEPCIONAL



Poderemos continuar a confiar na Bíblia?
Descobriremos, neste artigo, factos surpreendentes
que reafirmam a sua autenticidade histórica
e o seu valor para solucionar os problemas dos seres humanos.

Podemos dizer, sem receio de nos enganarmos, que a Bíblia detém o record de vendas de livros de todos os tempos. A sua grande importância radica-se no facto de não ser um livro como tantos outros.

A Bíblia constitui uma das provas mais evidentes da existência de Deus e do Seu amor por nós. A grande diferença que existe entre a Bíblia e outro livro qualquer é indicada por S. Paulo na seguinte declaração: “Toda a Escritura é divinamente inspirada…” - II Timóteo 3:16.

A Bíblia abrange desde a mais remota época patriarcal até ao pleno apogeu do Império Romano. Civilizações e povos bem conhecidos, como os Egípcios, Assírios, Caldeus, Persas, Gregos e Romanos, aparecem ao longo das suas páginas que abarcam dezasseis séculos de história.

Desde o primeiro autor bíblico, Moisés (século XV a. C.), até ao apóstolo S. João (cerca do ano 100 d. C.), a Bíblia foi escrita por uns 40 autores. Estes escritores sagrados, com quem Deus Se comunicava, viveram em lugares diferentes e afastados uns dos outros. Foram patriarcas, reis, estadistas, filósofos, profissionais, sacerdotes, profetas, etc., todos eles falaram em nome de Deus, inspirados pelo Espírito Santo. - Hebreus 1:11; II Pedro 1:21.


A AUTENTICIDADE DA BÍBLIA


Para alguns historiadores do século passado, toda a Bíblia era um simples colecção de relatos fantásticos que não correspondiam à realidade, pois, segundo eles, mencionava cidades, lugares e acontecimentos que só haviam existido na mente sonhadora dos seus autores.

No entanto, as constantes descobertas arqueológicas que se têm feito desde o século passado até hoje no Próximo Oriente, assim como no Médio, nunca desmentiram a Bíblia, antes confirmaram muitas informações de que duvidavam, quando não eram rotuladas de completamente falsas.

O mundialmente considerado arqueólogo William F. Allbright afirma que "todos os dados históricos da Bíblia são exactos ao ponto de superar as ideias de qualquer dos críticos modernos que têm sido induzidos em erro por uma hipercrítica." 1

O racionalismo como método de investigação filosófica tentou, no século passado, pôr em causa a inspiração das Sagradas Escrituras. A corrente de ateísmo surgida do desenvolvimento das hipóteses evolucionistas tentou eliminar do texto bíblico tudo o que fosse surpreendente e sobrenatural. Cedeu-se nessa época à tentação de dar maior crédito às investigações dos sábios do que às declarações da Bíblia. A religião foi posta sob interdição.

Quando, porém, tudo parecia estar contra a Sagrada Escritura, quando os próprios crentes se intimidavam ou se tornavam cépticos, a arqueologia surpreendia o mundo com as suas descobertas. O Senhor Jesus Cristo já o havia predito:

"Se estes se calarem, as pedras clamarão." S. Lucas 19:40. E as pedras clamaram…


APARECE A CIDADE PERDIDA


Em 1833, Paul Émile Botta, agente consular francês em Mossul, reparou numas colinas misteriosas que se erguiam nas planícies da Mesopotâmia. Mandou um empregado seu explorá-las e este voltou, passada uma semana, com surpreendentes notícias.

Relatou que mal começara a escavar o cimo quando se deparou com umas ruínas onde apareciam misteriosas inscrições, baixos-relevos, animais fabulosos…

Botta mudou-se imediatamente para o local. Poucas horas depois entrava por um buraco no solo e extasiava-se a contemplar as figuras de homens barbudos, quadrúpedes alados e imagens que ultrapassavam tudo quanto tinha podido imaginar.

Acabava de descobrir o primeiro palácio assírio. Não se tratava apenas de uma notícia sensacional mas também de uma novidade científica da maior importância.

Pensara-se, até aquele momento, que o berço da civilização havia sido o Egipto. Da Mesopotâmia, o país entre os rios Tigre e Eufrates, dos Assírios, só a Bíblia falava.

Por isso a descoberta de Botta significava a confirmação histórica de que, tal como a Bíblia indica, havia florescido na Mesopotâmia uma civilização pelo menos tão antiga como a Egípcia, ou talvez ainda mais. Muitas daquelas esculturas encontradas por Botta estão agora expostas no Museu do Louvre, em Paris.

A nação dos Assírios, que a Bíblia descreve com precisão, saía assim da noite dos tempos. Mais uma vez, o texto bíblico tinha razão; a sua exactidão histórica tornara-se incontestável. 2

ESTAVA ESCRITO NA BÍBLIA


Várias localizações arqueológicas puderam ser exploradas e identificadas graças a indicações precisas fornecidas pela Bíblia. Detalhes históricos que eram tidos como fantásticos, foram finalmente reconhecidos como exactos pelos historiadores contemporâneos graças às escavações efectuadas partir das indicações do texto. Por exemplo o tanque de Betesda, onde Jesus curou o paralítico, como é referido no capítulo 5 de S. João.

Durante muito tempo permaneceu a pergunta acerca do aspecto que poderia apresentar uma piscina que tinha um pórtico com 5 arcos, tal como é descrita no evangelho. A arqueologia deu uma resposta satisfatória: a piscina era pentagonal, e cada lado do pentágono tinha o seu pórtico. O detalhe bíblico era estranho apenas por desconhecimento da realidade.

Segundo a Bíblia, Tera, pai de Abraão, saiu um dia da cidade de Ur dos Caldeus, cerca de mil anos antes de Cristo. A Bíblia indica-nos a rota seguida por toda a família desde Ur até Haran. Também nos diz que os pais de Abraão eram politeístas idólatras. Não deixa de causar surpresa, pois Abraão é chamado pai dos crentes. Por tal razão, durante muito tempo este relato foi aceite como lendário e os seus personagens como míticos.

A arqueologia permitiu ressuscitar a vida daquela época. Ela revela-nos a existência de santuários de deuses pagãos desde Ur até Haran. Outra revelação é a existência de muitas tribos ou clãs familiares, cujos nomes são muito parecidos com os dos personagens bíblicos, de onde se deduz que aqueles personagens, existiram na realidade. De tal modo que, os melhores arqueólogos, como por exemplo André Parrot, pensam que as migrações patriarcais entre Ur e Haran existiram de facto. Aquilo que era antes referido como uma lenda, desfruta, graças à arqueologia, de sólido apoio.


Que livro tão excepcional é a Bíblia!
Que pena que a tenhamos tantas vezes nas nossas casas
sem lhe prestarmos atenção!




O poço de Abraão, situado em Berseba, ao sul de Israel. A arqueologia demonstrou que todo o ambiente cultural em que se desenvolve a vida de Abraão, pai das grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islão), que viveu há cerca de 4 000 anos, é o que a Bíblia nos apresenta.







Numerosos locais arqueológicos puderam ser identificados e explorados graças às indicações precisas fornecidas pela Bíblia. Na fotografia vemos o que resta do pavimento de uma rua, perto do Templo de Jerusalém, que data do tempo de Jesus. As escavações arqueológicas descobriram esta rua 15 metros abaixo do nível da cidade actual.

CONCLUSÃO


Podemos confiar plenamente nos relatos e conselhos de um livro que, como dizíamos no princípio deste artigo, foi inspirado por Deus. Os factos objectivos das investigações históricas assim no-lo demonstram.

"Actualmente, nos manuais de história antiga, admite-se que a Bíblia é um bom testemunho de civilizações que já desapareceram. Reconhece-se-lhe uma precisão que anteriormente lhe era negada." 3

Contudo, acima da veracidade dos relatos bíblicos, o leitor não deve ignorar que a Bíblia é um livro transcendente, que, além de nos falar das origens dos Céus, da Terra e da nossa espécie, a Bíblia nos oferece nas suas sagradas páginas, um plano de salvação e de vida eterna para o homem, graças ao grande Autor e Personagem central da Bíblia: o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo disse: “Examinais as Escrituras; e são elas que dão testemunho de Mim.” S. João 5:39.

As Sagradas Escrituras são o testemunho do Filho do homem, do Homem com maiúsculas, Jesus Cristo, e esse testemunho tem sido comprovado pela mais rigorosa ciência histórica.

Mas o mais importante, para cada um de nós, é que nelas se pode encontrar a vida mais plena e feliz, a vida eterna, da qual podemos começar já a gozar, em boa medida, aqui e agora. Para isso basta que nos aproximemos desse cantinho, talvez esquecido, da nossa estante de livros, que peguemos na nossa Bíblia e comecemos a lê-la.



A cruz do Calvário é a mensagem central da Bíblia.


NOTAS E REFERÊNCIAS

1. W. F. Allbright, Arqueologia da Palestina, Garriga, Barcelona, 1962, pág. 233.
2. Ver C. W. Ceram, Dioses, tumbas y sábios, Destino, Barcelona, 1976, págs. 200-203.
3. Jean Flori, Los orígenes, una desmistificación, Safeliz, Madrid, 1983, pág. 19.

Rafael Calonge, Licenciado em História pela Universidade de Valência

sábado, 24 de setembro de 2011



ATEROSCLEROSE

Flagelo Universal
Mortal
Doença do “iceberg”
Que à frente de todos ergue
Uma barreira de luto
Em cada minuto
Hora a hora, dia a dia
Mina, insidiosamente
E inexoravelmente
Sem sintomatologia
Os vasos de toda a gente

Para depois, de repente
Da noite para o dia
Mostrar o seu horizonte,
Ponte
Entre a vida e a morte
Onde a pessoa sem norte
Num minuto, dia ou ano
Se torna um farrapo humano.

...


Mas para quê
Valorizar tudo isto
Quando entram em cena
Com pujança plena
Os factores de risco?

Se o colesterol é um papão
E também a hipertensão
Se o tabaco é temível
A diabetes terrível
Bem como a obesidade
E a hereditariedade
Se o álcool é um cataclismo
Tal como o sedentarismo
E também a menopausa
Se todos podem ser causa
Vamos fazer uma pausa
Se não a gente estremece
E padece
Por se agravar o stress !

Mas qual deles é afinal
O flagelo universal
Que é a todo o momento
Mãe de luto e sofrimento?

Responsável pela trombose
Que tão traiçoeiramente
Espera por toda a gente

a
Aterosclerose!



TABACO

HIPERTENSÃO           DIABETES            OBESIDADE

HEREDITARIEDADE                         ÁLCOOL


SEDENTARISMO

STRESS

PREVENÇÃO VASCULAR!

Dissemos que a aterosclerose
Responsável pela trombose
É um assassino
Que muda o destino
De qualquer mortal
Atacando o coração
O rim, o pé e a mão
E a nível cerebral.

É tal
A sua pujança
Que desequilibra a balança
Da taxa obituária
Sempre a abarrotar
Ou então, por sua vez
Muita invalidez
A lamentar.

É um processo muito arisco
Desencadeado
Ou agravado
Pelos factores de risco
E a todo o momento
Para impedir a sua acção
Bem melhor que o tratamento
É a Prevenção.


Portanto, e quanto antes
Trata já de dizer
Não
Aos factores agravantes.


Faz uma vida salutar
Faz Prevenção Vascular.




ATEROSCLEROSE


Professor Doutor Políbio Serra e Silva, especialista em Endocrinologia, Doenças Metabólicas e Nutrição; retirado do seu livro Prevenção Vascular; excepto a última imagem, a 1ª da capa é de Luís Bonet e as restantes de F. Jorge Silva
(ver mais em Meditação para a Saúde - 24.09.2011)

sábado, 10 de setembro de 2011

NÃO TE DEIXES VENCER PELA ADVERSIDADE



"Meu querido defunto" era a expressão com a qual a novelista George Sand costumava dirigir-se ao famoso músico polonês Frederico Chopin (1809-1849). Ele próprio dizia, referindo-se aos relatórios dos médicos que o atendiam: "Um disse que eu morreria, o segundo afirmou que estava moribundo e o terceiro declarou que eu já estava morto." Antes de completar os 40 anos, o noticiário tinha publicado várias vezes a notícia da sua morte.

Quando Chopin tinha 20 anos, as mulheres se condoíam e se compadeciam dele pelo seu lamentável aspecto de moço fraco. A tuberculose pulmonar tinha causado estragos no seu pobre organismo. O seu pai, um comandante francês casado com uma mulher polonesa, estava em bancarrota.

Quando a Polónia se levantou em armas, os seus amigos correram apressadamente em seu socorro, mas o pálido Frederico estava muito doente para se unir a eles. Fugiu para Viena levando um punhado de terra polonesa. Posteriormente radicou-se em Paris.

Que quadro mais patético! Uma flor que acaba de desabrochar para a vida, murcha pelo vento escaldante da adversidade. Morrendo aos poucos, Chopin trabalhou febrilmente para compôr 54 mazurcas, 11 polonesas e 17 canções polacas. Fantasias, valsas, prelúdios e baladas fluíam da sua pena acionada agilmente pelos seus pálidos e trémulos dedos. Apegando-se desesperadamente à vida, e lutando contra a pobreza, Chopin esculpiu o seu nome na rocha da fama, e não se deixou vencer pela adversidade.

Alexandre Pope, poeta e filósofo inglês do século 18, era tão deformado e corcunda que precisavam de envolvê-lo num pano resistente para que pudesse manter-se erguido. Não conseguia levantar-se nem deitar-se sem auxílio. Apesar do seu infortúnio, elaborou um plano de trabalho para si mesmo quando tinha apenas 12 anos, e seguiu-o até ao final da sua vida. A sua deformidade e as suas constantes dores de cabeça não o impediram de apresentar uma abundante produção literária. Pope enfrentou a adversidade e não permitiu que esta lhe inutilizasse a vida.

Uma adolescente escreveu o seguinte a uma amiga:

"Querida Eugénia: Estou no hospital sofrendo de uma doença grave. Não consegui dormir bem durante uma semana. Estou muito nervosa e sinto muitas dores. Acho que irei passar bastante tempo aqui. Não é maravilhoso que Deus tenha permitido que me internasse neste belo hospital?
O que os médicos me fazem é doloroso, mas estou agradecida pela atenção que me dispensam. O Senhor Jesus fez muito por mim, e não encontro palavras para Lhe agradecer.
A mamã piorou. Colocaram-lhe um balão de oxigénio noutro andar deste mesmo hospital. Creio que terão de a operar ao coração como último recurso para lhe salvarem a vida. O papá continua tão ocupado como sempre. Depois de separar-se da mamã, não quer saber nada de nós, seus seis filhos. Eu sou a mais velha, de maneira que se acontecer alguma coisa com a mamã, terei de cuidar dos meus irmãos. Estou alegre por ser cristã, pois não poderia fazê-lo se Jesus não morasse em mim e me desse a força e a coragem de que necessito para enfrentar todas as angústias que me aguardam."

Esta é uma carta que revela o optimismo e a confiança da sua jovem autora. A adversidade tinha erigido diante dela uma muralha que parecia intransponível. Não obstante, o seu valoroso espírito não se curvou diante dos impiedosos golpes. Em lugar disso, manifestou a sua radiante confiança em todos os momentos. Não ficou a lamentar-se nem a condoer-se de si mesma, mas valeu-se da adversidade para fortalecer o seu carácter e lutar para colocar-se acima dos obstáculos.

Quando os colegas do jovem Napoleão zombavam dele por ser pobre e não proceder de nenhuma família de projecção, procurou corrigir essa desventura estudando conscienciosamente, de maneira tal que em pouco tempo venceu os que dele se riam, e eles se viram obrigados a respeitá-lo, porque ele se tornara um aluno que honrava a academia.

A adversidade tem temperado o carácter de muitos homens, e fê-los produzir obras que resistiram aos efeitos destruidores dos séculos:

Daniel Defoe escreveu no cárcere o seu Robinson Crusoe;
João Bunyan produziu o seu imortal O Peregrino enquanto estava atrás das grades.
Walter Raleigh também escreveu a sua História Universal na prisão;
Lutero traduziu a Bíblia para o alemão exilado no Castelo de Wartburg
assim como Dante compôs no deserto o seu famoso poema, a Divina Comédia.


Na Natureza vemos o mesmo efeito revigorante e enrigecedor da adversidade. Por exemplo, tomemos duas bolotas do mesmo carvalho e plantemos uma num bosque e a outra numa lombada descoberta, batida pelo vento e pela chuva. O que acontece? A pequena árvore que nasce e cresce no bosque é débil e fina. Não se transforma num poderoso e firme exemplar, porque vive ao amparo de outras árvores que a protegem do vento e das tempestades. E a arvorezinha que nasce no campo descoberto? As suas raízes se alastram em todas as direcções, firmando-se nas pedras e afundando no solo. Cada raizinha se firma como se fora a única a suportar o peso da árvore e a resistir aos embates das ventanias. Por alguns instantes parece que o pequeno carvalho deixou de crescer, mas isso deve-se ao facto de ele estar a utilizar a sua energia para se firmar numa rocha que a raiz encontre no caminho. E assim cresce até se tornar num carvalho adulto. As rajadas violentas que lhe agitam a copa jamais poderão desarreigá-lo, e o seu único efeito será firmar ainda mais as suas raízes nas pedregosas entranhas da terra.

O jovem que luta intensamente para abrir caminho por entre a sociedade tão competitiva, muitas vezes encontra-se inesperadamente com os cruéis assaltos da adversidade: falta de dinheiro, sentimento de inferioridade por algum defeito ou característica que possua, doença ou morte de pai ou mãe, falta de amigos; enfim, tantas outras formas que esta possa assumir.

Que fazer? Pode tomar duas atitudes: renunciar à luta, ou, pelo contrário, lançar mão dos seus recursos interiores, da sua força de vontade, da confiança em si mesmo, da fé em Deus, e dedicar-se com paciência e firmeza a superar os inconvenientes, e construir o futuro.

É muito comum acovardar-se um jovem diante da adversidade. Afinal, é ele um ser que está passando por uma série de mudanças que, comumente, lhe são conflitantes (por exemplo, o desenvolvimento sexual, a luta contra a autoridade dos pais em busca de independência, movimentação no mundo dos adultos). Essas mudanças problemáticas consomem-lhe uma quantidade considerável de energia e de atenção, que seriam necessárias para enfrentar as dificuldades de outra espécie que lhe surjam no caminho. Assim, encontramos jovens desorientados, às vezes vencidos, sem ideias de superação e de progresso, que abandonam a sua preparação para a vida aos 14, 15 ou 17 anos, porque a adversidade lhes bateu à porta e não souberam como encará-la.

O adolescente que fracassou nos estudos (às vezes contra a sua vontade); o que luta pela sua independência diante de pais autoritários e incompreensíveis; o que vive com familiares que não têm consideração por ele e não lhe proporcionam o afecto que tanto anela; o que vive angustiado por dúvidas e incertezas. Esse adolescente ou jovem cai facilmente presa do desânimo, e procura por todos os meios fugir dessa situação perturbadora.

E pode fazê-lo de diversas maneiras: dedicar-se apaixonadamente aos desportos e descuidar-se dos estudos; passar a maior parte do tempo fora de casa; aparecer apenas para dormir, às vezes para comer, e em alguns casos desaparecer definitivamente. Liga-se a grupos de adolescentes ou jovens e torna-se amargo e agressivo contra a sociedade; une-se a uma jovem e dedica-lhe todo o seu tempo, carinho e dinheiro, deixando de lado actividades importantes como o trabalho e os estudos. Enfim, não importa o meio escolhido, é sempre uma forma de protestar contra a situação aflitiva, um meio de escape.

É evidente que nenhuma dessas possibilidades constitui um caminho conveniente, pois embora se esqueça momentaneamente do problema, não o soluciona, e com os anos chega a afligir-se ainda mais, pois por causa do tempo e oportunidades perdidas, vê-se sem uma profissão na vida, limitado a um salário mínimo; descontente, frustrado.

Que fazer então?

Em 1º lugar convém analisar pormenorizadamente a situação adversa, se possível com um adulto idóneo, compreensível e competente (psicólogo, médico, conselheiro espiritual). Após ter compreendido a verdadeira grandiosidade do conflito (pois o adolescente entregue aos seus próprios pensamentos e conhecimentos pode exagerar a gravidade do problema), estará mais em condições de avaliar os meios necessários para superá-lo. Ao realizar essa tarefa, deve-se lembrar de que possui potencialidades que talvez não tenha descoberto, que a sua força de vontade pode alcançar níveis de desenvolvimento não imaginados e que a sua confiança nele mesmo se irá fortalecendo ao conseguir pequenas vitórias. Por outro lado, há um Deus Todo-Poderoso que o ama infinitamente, e está disposto a ajudá-lo de maneira maravilhosa.


Jovem leitor (ou adulto), se acha que a adversidade o rodeia, não se deixe vencer! Firme a sua confiança e leve em consideração estes conselhos. Decida corajosamente reestruturar a sua vida. Faça planos bem traçados e esforce-se dia-a-dia para colocá-los em prática. Não perca tempo compadecendo-se de si mesmo, lamentando-se da sua má sorte e fujindo dos problemas. Invista corajosamente contra a situação adversa e faça ir pelos ares os obstáculos que se opõem à sua felicidade e ao seu êxito!

Sérgio V. Collins in Revista MOCIDADE, Casa Publicadora Brasileira (CPB)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

DIA INTERNACIOAL DE RECORDAÇÃO DO CONTRABANDO
DE ESCRAVOS E SUA ABOLIÇÃO


A história da escravatura é quase tão vasta como a história da humanidade.


Na actualidade, as formas mais primárias de escravatura relacionam-se com os prisioneiros de guerra e as pessoas com dívidas. Nas civilizações antigas, a escravatura tornou-se essencial para a economia e para a sociedade de todas as civilizações. A Mesopotâmia, a Índia, a China, os Antigos Egípcios e Hebreus, a Civilização Grega e o Império Romano utilizaram escravos. O mesmo se verificou nas civilizações pré-columbianas, Asteca, Inca e Maia. No Brasil, a escravidão começou com os índios, muito antes da chegada dos portugueses.

Na história moderna, ao falar-se em escravatura, é difíci não pensar nos ingleses, holandeses, franceses, espanhóis e portugueses. Desde a primeira metade do século XVI que os porões dos navios eram superlotados com negros africanos, em condições desumanas, para serem postos à venda nas Américas. Desenvolveu-se então um cruel e lucrativo comércio de homens, mulheres e crianças entre a África e as Américas.

A escravatura passou a ser justificada por razões morais e religiosas, baseada na crença da suposta superioridade racial e cultural dos europeus. Os escravos, presos a correntes para não fugirem, trabalhavam de sol-a-sol e tinham uma alimentação de péssima qualidade, apenas uma a duas vezes por dia. Dormiam em sanzalas, que eram galpões ou telheiros escuros, húmidos e sem higiene. Eram castigados com frequência, sendo o açoite a punição mais comum. Proibidos de praticar as suas religiões de origem africana e de realizar as suas festas e rituais africanos, foram assimilados culturalmente, sendo-lhes imposta a língua portuguesa ou espanhola e a religião católica. As mulheres eram usadas em trabalhos domésticos e muitas tinham que fazer sexo com os seus senhores, o que deu origem a uma grande população mulata, em especial no Brasil.

Na base de toda a actividade dos escravos, estava a produção de café, açúcar, algodão, tabaco e transporte de cargas. Desenvolveu-se também em paralelo o comércio de outros produtos: marfim, tecido, peles e armas de fogo. Muitos escravos tinham outras funções em meio urbano: carpinteiro, pintor, pedreiro, sapateiro, ferreiro, marceneiro, embora várias dessas profissões fossem exercidas principalmente por cristãos-novos.

A história da escravatura nos Estados Unidos da América teve o seu início no século XVII e usou as práticas semelhantes às utilizadas pelos espanhóis e portugueses na América Latina. Terminou em 1863, com a Proclamação de Emancipação de Abraão Lincoln, realizada durante a Guerra Civil Americana. Com o surgimento do ideal liberal e da ciência económica na Europa, a escravatura passou a ser considerada pouco produtiva e moralmente incorrecta. Depois de milénios de escravatura, parece que as consciências começaram a despertar. Porém, ainda muito longe do ideal. O que se mantém válida e actual é a afirmação de Abraão Lincoln: "Nada pode ser considerado politicamente correcto quando é moralmente indefensável".

Ezequiel Quintino in Pensar Faz Bem - Rádio Clube de Sintra


O CONTRABANDO DE ESCRAVOS E SUA ABOLIÇÃO


No Século do Ouro, o séc. XVIII, alguns escravos conseguiram comprar a liberdade ao adquirirem a carta de alforria.
Em Portugal, a escravatura foi abolida (no Reino e na Índia, excepto no Brasil) no reinado de D. José I, pelo Marquês de Pombal, a 1 de Fevereiro de 1761.

A questão da abolição da escravatura no Brasil, aconteceu depois de 7 de Setembro de 1822, dia do 'Grito do Ipiranga' para a independência. Mas foi só a partir da Guerra do Paraguai que o movimento abolicionista ganhou impulso. Em 13 de Maio de 1888, o governo imperial rendeu-se às pressões e a princesa Isabel de Bragança (filha do imperador D. Pedro II) assinou a Lei Áurea que extinguiu a escravatura no Brasil.

O fim da escravatura, porém, não melhorou a condição social e económica dos ex-escravos. Sem formação escolar ou uma profissão definida, para a maioria deles, a simples emancipação jurídica não mudou a condição subalterna em que se encontravam, nem ajudou a promover a cidadania ou ascensão social dessas pessoas.

O último país do mundo a abolir a escravatura foi a Mauritânia, em 9 de Novembro de 1981. Porém, a escravidão continua em muitos países, porque as leis não são aplicadas.

Segundo alguns estudos, há mais escravos na actualidade do que o total de escravos que, durante quatro séculos, fizeram parte do tráfico transatlântico. Calcula-se que existam hoje, pelo menos, 27 milhões de escravos no mundo, principalmente em países árabes e muçulmanos. É, no mínimo, escandaloso!

Apesar de se comemorar cada ano o Dia Internacional de Recordação do Contrabando de Escravos e sua Abolição, a escravatura continua a ser uma vergonha na história da Humanidade. Mas, a questão de base não se pode ignorar nem iludir. Desde que o ser humano optou por se deixar enganar, julgando conquistar novas sensações e experiências ao assumir a emancipação de Deus, tornou-se escravo de quem o iludiu, e de si mesmo. Daí que a prática da escravatura entre humanos não é surpresa.

Mas a boa notícia, hoje, é que Alguém - Jesus - pagou a nossa 'carta de alforria' (Romanos 6:20-23): "Quando eram escravos do pecado, não estavam ao serviço da vontade de Deus (...) O resultado disso é a morte. Agora porém, livres do pecado, estão ao serviço de Deus. O fruto disso é a vida consagrada a Deus e no fim a vida eterna (...) em união com Cristo Jesus, nosso Salvador."


Por isso e apesar de paradoxal, só existe uma maneira de sermos livres e libertos de todo o género de escravidão:

Vivermos na dependência do amor, da sabedoria e da protecção de Jesus.

Ezequiel Quintino - Idem

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

AMAR E EDUCAR PARA O FUTURO



O  ATAQUE  DAS  HORMONAS  ASSASSINAS

Qual é o processo pelo qual uma menina ou um menino de 12 anos, feliz, amigável, de repente se transforma numa jovem ou num jovem de 15 anos mal-humorado e depressivo? Isto acontece em quase todas as famílias.

Há duas forças poderosas responsáveis pelo comportamento adolescente que leva os pais à loucura.
A 1ª está vinculada com as pressões dos colegas e amigos que são comuns nessa fase. Muito tem sido escrito sobre essas influências.
Mas há uma 2ª, que eu acho mais importante fonte de desequilíbrio desses anos. Está relacionada com as mudanças hormonais que não somente transformam o corpo físico, como podemos ver, mas também revolucionam a forma como os jovens pensam. Para alguns (mas não todos) os adolescentes, a química humana é um estado de desequilíbrio por alguns anos, causando agitação, violentas explosões de raiva, depressão e volubilidade. Esta sublevação pode motivar um menino ou menina a fazer coisas que não fazem nenhum sentido para os adultos que estão observando, ansiosamente, à margem. A tempestade de fogo hormonal actua de forma muito parecida com a tensão pré-menstrual ou a menopausa nas mulheres, desestabilizando a sua própria auto-estima e criando uma sensação de mau presságio.
Os pais geralmente se desesperam durante a irracionalidade desse período. Todas as coisas que eles tentaram ensinar aos seus filhos e filhas parecem falhar durante alguns anos. Autodisciplina, asseio, respeito para com a autoridade, cordialidade, podem dar lugar a actos de risco e irresponsabilidade generalizada.
Se é aí que o seu filho se encontra hoje, tenho boas notícias para si. Dias melhores virão! Esse filho excêntrico logo se irá tornar numa torre de força e de bom senso - se ele não fizer alguma coisa destrutiva antes que as suas hormonas se acomodem...


                                                                                                                                                                                                                VOCÊ  NÃO  CONFIA  EM  MIM

Se há uma jogada mágica que os adolescentes usam para manipular os seus familiares são estas 5 palavras: "VOCÊ NÃO CONFIA EM MIM?!"

No instante em que um jovem nos acusa de sermos desconfiados ou termos imaginado o pior, começamos a pedalar para trás. "Não, querido, não é que eu não tenha confiança em tu saires com os teus amigos ou conduzires o carro, eu apenas...", e então ficamos sem palavras. Estamos na defensiva, e a discussão acabou.
Bem, talvez seja o momento de reconhecermos que a confiança é divisível. Por outras palavras, confiamos nos nossos filhos no que diz respeito a algumas coisas, mas não em relação a outras. Não é uma proposição do tipo 'ou tudo ou nada'. Este é o modo como o mundo dos negócios funciona no dia-a-dia.
Muitos de nós somos autorizados, por exemplo, a gastar dinheiro da nossa empresa, de certas contas, mas não todos os talões de cheques da empresa. Não tenho, por exemplo, confiança em mim mesmo para tentar certas coisas, como saltar de pára-quedas ou saltar de uma plataforma com uma corda elástica presa ao meu tornozelo. Portanto, vamos parar de ser enganados pelos nossos filhos e afirmemos corajosamente que a confiança vem por etapas. Alguma confiança agora e uma confiança maior mais tarde.
Os pais têm a tarefa de arriscar somente o que podemos razoavelmente esperar controlar com segurança. Ir além disso não é realmente confiança: é imprudência.


ESCOLHA  AS  SUAS  BATALHAS  COM  CUIDADO

Um dos aspectos mais delicados na formação de uma dolescente é imaginar o que vale uma luta e o que não vale.

Lembro-me de uma conversa com uma empregada de mesa, mãe solteira, num restaurante, há poucos anos. Quando ela soube que eu era psicólogo começou a falar sobre a sua filha de 12 anos.
- Temo-nos zangado com unhas e dentes todo este ano - disse ela. - Tem sido horrível! São todas as noites, e geralmente sobre o mesmo assunto.
- A respeito do que vocês discutem? - perguntei.
A mãe contou toda a história.
- Bem, ela ainda é uma menininha, mas quer rapar as suas pernas. Vejo que ela é muito jovem, mas ela fica com tanta raiva que nem conversa comigo. O que o senhor acha que devo fazer?
- Minha senhora - disse eu, - compre um depilador para a sua filha!
Aquela garota de 12 anos logo estará remando numa fase da vida em que vai balançar a sua canoa em águas mansas ou turbulentas. A sua mãe, uma mãe sozinha, deveria estar procurando desesperadamente evitar que a sua adolescente rebelde se entregue a drogas, álcool e sexo pré-conjugal. Verdadeiramente, haverá no seu rio jacarés vorazes, dentro de um ou dois anos. Neste cenário actual, parece imprudência fazer tanto 'barulho' a respeito do que não é essencial.
Tenho encontrado pais envolvidos em enormes batalhas por causa de coisas que eram, na realidade, questões inconsequentes. É um grande equívoco. Incito você a não estragar o seu relacionamento com os seus filhos por um comportamento que não tem grande importância moral ou social. Há inúmeras questões de real interesse que hão-de requerer que você permaneça como uma rocha. Guarde as suas grandes armas para aquelas confrontações decisivas e finja não estar percebendo aquilo que é trivial.

                                                                                                                                                                                                                         UM  GATO  ESQUELÉTICO

Lembro-me de estar sentado dentro do meu carro num snack bar de serviço rápido comendo um hambúrguer com batatas fritas, quando de repente olhei pelo retrovisor. Pude observar, próximo da extremidade traseira do meu carro, o gato mais esquelético e sujo que já alguma vez vi.

Fiquei com tanta pena, de tão esfomeado que parecia, que parti um pedaço do meu hambúrguer e atirei para ele. Mas, antes que ele pudesse alcançá-lo, um gatão cinzento saltou detrás dos arbustos, abocanhou o hambúrguer e mastigou-o bem depressa. Fiquei com muita pena do pobre gatinho, que saiu a correr em direcção às sombras, ainda esfomeado e assustado.
Lembrei-me, então, instantaneamente, dos meus anos como professor do Ensino Básico. Via todos os dias adolescentes que estavam tão necessitados, tão despojados, tão perdidos como aquele pobre gato. Não era de comida que eles precisavem; eles tinham fome de amor, de atenção, de respeito, e viviam desesperadamente sequiosos disso. E quando tentavam manifestar-se e revelar o sofrimento que os corroía, um dos rapazes mais populares desprezava-os e ridicularizava-os, escorraçando-os do seu meio e afugentando-os em direcção às sombras, assustados e solitários.
Nós, adultos, não devemos jamais esquecer o sofrimento de tentar crescer e o mundo competitivo em que muitos adolescentes vivem hoje. Dedicar-lhes um momento para ouvi-los, importar-se com eles e orientá-los, pode ser o melhor investimento de toda uma vida.

James Dobson - Psicólogo e Conselheiro Familiar in LAR, doce LAR