sábado, 19 de março de 2011

O PAI


Tinha 7 anos e era muito orgulhoso - o que quer que isso signifique. Os cabelos cresciam-lhe espetados para a frente, como topete de pônei, e quando ele estava cansado, um dos olhos desviava-se um nadinha - menos porém do que há um ano. Sentia-se melhor agora que a casa não lhe dava mais aquela sensação de presença envolvente da situação horrível.

Passara o tempo em que tinha de subir para o quarto, sentindo a opressão de um ambiente que o magoava. Já não era assim, e não ficava mais estendido na cama, de noite, a ouvir um som que não era de facto um som, mas uma espécie de angústia, a respeito da qual não sabia sequer pedir uma explicação. Em casa, agora, estava bem. Na rua é que se sentia mal. Os garotos tinham começado onde o horror da casa acabara.

Sentara-se na saliência do rodapé da fachada e ficava a ver os táxis que passavam, um após outro, interminavelmente, amontoando-se quando o sinal fechava, e continuando a rodar quando aparecia a luz verde.

Quando o Alvin dobrava a esquina, a dois quarteirões de distância, podia pressenti-lo, e um calafrio lhe arrepiava a pele. O Alvin não lhe dizia nada. Nenhum dos garotos dizia coisa alguma; mas aquilo estava nos seus olhos, no olhar com que o olhavam, olhar que o mortificava com uma pungente sensação de vergonha culposa. A princípio fugira e evitava a companhia dos outros; mas nem sempre era possível fugir e, além do mais, sentia-se muito só. Talvez o primeiro não tivesse sido o Alvin. Talvez tivesse sido o Max ou o Georgie ou qualquer outro. Todos tinham começado mais ou menos ao mesmo tempo.

Estava ele naquele dia, sentado como de costume na saliência do rodapé da fachada a ver os táxis e a meninada, os velocípedes e os carrinhos de bebés, as amas e os garotos maiores a atirar bolas de ténis uns aos outros, de um lado para o outro lado da rua, por cima do trânsito. De súbito, um deles - o Alvin ou qualquer outro, não importa qual - gritou:

"Onde está o teu pai?"

O que devia ter respondido era: "Está a viajar." Mas não o fez. A pergunta atingiu-o como um soco na boca do estômago. Pelo menos foi assim que a sentiu. Sabia que aquilo era pura crueldade. Os garotos não queriam perguntar; queriam era dizer aquilo para o humilhar e ferir. Esta era a intenção.

Era verdade, sim, que o seu pai estivera fora de casa, viajando, centenas de vezes - mas não desta vez, sabia disso, e subitamente compreendeu que todos eles também sabiam. Não respondeu à pergunta.

Três garotos repetiram-na então com uma cantilena em uníssono:

"Onde está o teu pai? Onde está o teu pai? Onde está o teu pai?"


Apanhado de surpresa, mentiu: "O meu pai está em casa".

Desta vez foi mesmo o Alvin quem falou: "Ah, é? Então por que é que ninguém o vê?"

Após ter dito isso todo o seu ser se contraiu tenso. Tinha que sustentar o dito. Não podia recuar. Chegou a imaginar que o que dissera podia ser verdade. Sentiu impulsos de entrar em casa para averiguar - talvez ele estivesse na cave, na lavandaria ou atrás daquele monte de mato, no fundo do quintal.

Um dos meninos mais crescidos interrompeu, por um instante, o gesto de lançar a bola de ténis ao outro lado da rua e disse:

"Está maluco. Eles estão divorciados."

Aquela era a palavra! - a palavra contundente que todos murmuravam, que ninguém ousava pronunciar abertamente. Não podia nem perguntar o que significava, porque ela fazia parte de tragédia e ninguém, jamais, falava dela. Uma palavra acima do alcance da sua compreensão, sem sentido, louca - mas carregada de insulto.

Foi então como se se ouvisse a si mesmo perguntar repetidamente: "O meu pai está em casa?" E como se se visse arremetendo em ataques furiosos e rápidos, esmurrando ora um ora outro garoto, ao passo que todos eles riam e evitavam os golpes. Viu-se a si mesmo agarrando a Mary Finley e dando-lhe um pontapé na canela. Viu tudo isso como costumava ver as coisas quando estava para adormecer; coisas como o gigantesco gato cinzento que viajava no tecto elevado do combóio. Mas deve ter havido zanga, de facto, porque o seu pai saiu de casa, e a mãe levou-o para o quarto e leu coisas para ele ouvir, embora ele não conseguisse entender o que ela lia.

Depois desse incidente, porém, alguma coisa deve ter acontecido porque ninguém mais pronunciou a palavra, que estava entretanto sempre presente nos olhos de todos. Teria sido melhor que a gritassem na cara dele para que tivesse oportunidade de reagir. Mas não podia dar-se por achado porque os outros não a mencionavam, nem mesmo o Alvin.

Não podia dizer: "Está em casa, sim, a trabalhar." Não podia dizer: "Era mentira. Está fora, de viagem." E a coisa horrível continua ali, estagnada, apodrecendo dentro dele. Quando só, podia esquecê-la; mas não quando os garotos olhavam para ele, nem quando desviavam o olhar.

Por algum tempo, chegou a pensar em consultar Tony, o jornaleiro; mas foi deixando para depois e não pôde mais fazê-lo: A coisa horrível tinha afundado e fora-se aninhar no lugar em que as sombrias coisas secretas se encontram - todas as coisas vergonhosas como: 'porque foi que a cortina se incendiou?' Ou: 'que paradeiro levou o abre-latas novo?' Havia um montão de coisas assim, nas profundezas sombrias do esconderijo vergonhoso.

Naquele dia, sentou-se na saliência do rodapé da fachada e pôs-se a bater no chão com os saltos, daquele modo que estraga os sapatos, coisa que não se deve fazer. Ficou-se a olhar para os táxis que passavam. À esquerda, viu Tony sair de dentro da sua pequena loja e arrumar os jornais da tarde na banca exterior de madeira. Duas moças dobravam a esquina e entraram na loja do Tony.

Sabia que o Alvin se estava a aproximar. Vira-o dobrar a esquina a dois quarteirões - um quarteirão e meio, agora. Pensou em levantar-se devagarinho - bem devagarinho; em dar um soco na cara do Alvin. Tacteou o punho da mão direita com os dedos da esquerda.



De repente, uma sensação esquisita - uma sensação estranha e explosiva, no peito. Algo apenas pressentido tinha causado isso. Olhou rápido para a direita - e era verdade! O pai tinha dobrado a esquina e caminhava apressado para ele, a baloiçar, como era seu hábito.

A sensação sufocante paralisou-o. Susteve a respiração. Parou de bater no chão com os saltos. O queixo caiu-lhe sobre o peito e ele ficou sentado, imóvel. Fechou os olhos.

Ouvia os passos do pai na calçada. Pararam em frente dele. Sabia que o pai se sentara ao seu lado, na saliência do rodapé.

Ouviu-o dizer: "Olá!"

Respondeu: "Olá!" bem baixinho, sempre de olhos fechados.

E, subitamente,
gritou:

"Ele está aqui! Vocês querem vê-lo?"



dddd




John Steinbeck - Prémio Nobel da Literatura em 1962
in
Desafio Jovem

O Desafio Jovem é uma instituição que tem desenvolvido uma acção extremamente meritória
no tratamento e apoio de jovens toxicodependentes.

(Veja nos links)

terça-feira, 8 de março de 2011

DIÁRIO DE UMA PROSTITUTA



03/01
Gostaria que todos me apreciassem pelo que sou de facto. Mas sinto que a maioria das pessoas só se interessa pela minha beleza. Se ao menos eu tivesse uma amiga, alguém a quem pudesse confiar os meus segredos...

11/01
Os prostíbulos são os lugares mais solitários do mundo. Ali, nada é humano; cada um age como se estivesse diante de um objeto. Havia algumas mulheres que fingiam que tudo aquilo era bom, mas agiam desta forma para não ficarem loucas. Quando se está afundado no lodo, parece que não existe nada além, fora o lodaçal. Nenhuma prostituta sabe sair. É pior que a escravidão; é como estar morta em vida. A maioria se esconde atrás do sorriso e uma maquiagem berrante. Oh Deus! Como eu desejaria sair disto! Sinto que a vida é um abismo escuro e tétrico. Um despenhadeiro onde os dois extremos são o nascimento e a morte.

07/02
Sinto nojo quando me tocam. Alguns querem se achar sedutores, atuando como se eu fosse a mulher mais linda do mundo. Desgraçados! A única coisa que lhes interessa é tomar o meu corpo e usar-me. Tocam a minha carne, mas não tocam a minha alma! Nesta hora, escondo-me no fundo da minha mente e corro atrás de sonhos e lembranças. Vêem, tocam-me e vão embora. Ninguém pergunta quem eu sou. Hoje é mais um dia em que eu gostaria de estar morta.

22/03
Minha vida é um suicídio lento, tortuoso, fatalmente certeiro que vai me minando por dentro, tirando a minha vontade de viver, de enfrentar a vida. Às vezes, sinto que tenho 100 anos. Olho-me no espelho e vejo minhas carnes enrugadas, pálidas. Sinto que em mim habitam duas pessoas.

08/04
Nem todos os clientes querem ter relações sexuais. Alguns querem apenas um carinho, e pagam para que eu os escute. Que terrível! Seria preferível estar morto. Pagar para ser ouvido!

09/04
A maldita noite se aproxima. Com ela, um desejo de crueldade. A escuridão esconde as mais terríveis paixões. Durante o dia, sinto-me muitas vezes livre, mas quando a noite se aproxima, ouço o som da morte e do desprezo. Alguém tomará posse do meu corpo. Minha boca se encherá de veneno e meu corpo se renderá ao ritmo da loucura. Maldita noite! Deveria ser sempre dia...

15/06
Poderá Deus me perdoar algum dia? Sinto que levo em minhas costas uma grande pedra atada que não me abandona. Se ao menos eu pudesse dormir em paz.

17/06
Quando eu era menina, minha mãe me contava histórias. Ela falava sobre um homem respeitado que viveu por essas terras durante muitos anos e que um Deus diferente o guiava por todos os lugares. Esse Deus não exigia sacrifícios humanos, nem nada disso. Ele se conformava com um cordeiro oferecido num altar de pedras. Nada além disso.


18/06
Lá está novamente o velhinho na praça contando aquelas histórias. Muitas crianças sentam-se ao redor dele para ouvir os contos. Hoje ele falou a respeito de um tal Abraão, que era filho de Deus, do Criador. Cheguei perto para ouvi-lo. Ouvi falar de Moisés, de Enoque e Noé. Achei interessante.


27/08
Hoje senti a brisa fresca da liberdade batendo no meu rosto. Recebi dois hebreus em minha casa. Escondi-os é claro, para que não fossem apanhados. Eles foram a resposta aos meus clamores! Foram os primeiros homens que entraram em minha casa sem segundas intenções. Eles me falaram para colocar um pano vermelho em minha janela e prontamente obedeci. Percebi que o Deus deles estava me ajudando. Senti-me saindo do lodo. Depois de anos, o sol brilhou na meia noite da minha vida.

01/12
O Deus dos hebreus salvou a minha vida. Jericó ficou em ruínas, mas eu e a minha casa fomos preservadas. Ofereci a Ele um cordeiro. Devo a Ele a minha vida. Acho que isso é fé!

04/04
Pela primeira vez em minha vida senti meu coração pulsar de facto. Conheci um homem e não apenas isso: um príncipe! O nome dele é Salmom. Acho que estou apaixonada. E o melhor, ele também! Estou amando de verdade. Parece um sonho! Nunca um príncipe se apaixonou por uma ex-prostituta. Adeus ilusões! Como é lindo conhecer o amor. Ele quer se casar comigo. Estou tão insegura, mas tão feliz!

30/01
Hoje o dia foi intenso. Senti uma dor terrível. Nosso bebé não pára de chutar. Após anos de casamento, nunca senti tão fortes emoções! Acho que está quase para nascer. Pelo jeito, deve ser menino. Se for, queremos o nome 'Boaz'! Bonito, não? O que acha diário? Significa 'Nele está a minha força'.

Você deve conhecer o resto da história. Boaz, filho de Raabe, casou-se com Rute, que foram os pais de Obed, avô de David. Que maravilha! A graça de Deus alcançou uma prostituta e arrancou-a do lodo para fazer parte da linhagem real, linhagem do próprio Messias! (Mateus 1).


Essa Graça Ilimitada Está Disponível Para Nós Hoje.

Milton Andrade




RAABE - Uma Salvadora Perspicaz

Não há dúvidas que Raabe era uma mulher inteligente. Demonstrou um conhecimento impressionante da história recente de Israel e daquilo que Deus estava a fazer pelos israelitas ao aproximarem-se dos seus pais. Na verdade, parecia ter mais consciência da intervenção divina em favor de Israel do que os próprios israelitas (Observe a semelhança das suas palavras em Josué 2:9-11 com Josué 1:2, 11, 13). Além disso, fez um acordo de protecção com os espias, escondendo-os, e foi mais astuta do que os homens do seu povo que foram procurá-los.

Raabe também demonstrou iniciativa ao conseguir a salvação de toda a sua família. Era uma mulher de grande coragem, pois ajudar os israelitas era uma traição passível da pena de morte não apenas para ela, mas para todos os seus familiares. Uma vez tomada a decisão, não havia como voltar atrás.

Por fim, Raabe possuía discernimento espiritual, reconhecendo a disparidade entre o Deus de Israel e os outros deuses a quem ela e o seu povo serviam. O Deus de Israel era supremo - não compartilhava com ninguém a Sua soberania sobre os céus e a terra, como supostamente faziam os deuses pagãos (Josué 2:11).
A confissão de fé inicial de Raabe é vista no uso do nome Javé. Sem nenhuma corroboração ou informação do seu meio ou dos israelitas, ela empregou o nome de Deus segundo a Sua alianca, o nome proferido de Moisés quando os israelitas saíram do Egipto (Êxodo 3:14). Em seguida, mais uma vez sem nenhum incentivo de outros, agiu em função do seu compromisso com Deus e escondeu os espias. Esse tipo de fé incomum no meio do povo de Deus no Antigo Testamento é ainda mais extraordinário numa prostituta gentia.

Raabe é um exemplo de como tomar decisões certas e manter-se firme, mesmo quando isso significa opor-se aos seus semelhantes. Não é de admirar que Deus tenha honrado a fé e coragem dessa mulher colocando-a na linhagem do Messias. Boaz, um dos homens mais bondosos e justos do Antigo Testamento, era um dos seus filhos.

Deus honrou a fé e a coragem de Raabe ao colocá-la na linhagem, não apenas do grande rei David, mas também de Jesus, o Rei dos reis.

A Bíblia da Mulher - SBB

BONDADE DE DEUS

Ó Deus, tu és o meu Deus! Sem cessar Te procuro!
A minha alma está sedenta de Ti;
todo o meu ser Te deseja,
como a terra árida, exausta e sem água.
Quero ver-Te no Teu santuário
e contemplar o Teu poder e a Tua glória,
porque o Teu amor é mais precioso do que a vida!
Com os meus lábios Te louvarei
e toda a minha vida Te bendirei;
a Ti levantarei as mãos em oração.
A minha alma ficará satisfeita
como se tivesse comido uma deliciosa refeição.
Os meus lábios Te louvarão alegremente.

Quando estou deitado lembro-me de Ti;
se fico acordado, penso muito em Ti,
porque Tu és o meu auxílio.
Cantarei feliz debaixo das Tuas asas!
A minha alma está unida a Ti,
e a Tua mão mantém-me seguro.
Os que procuram a minha ruína
cairão nas profundezas do abismo.
Eles morrerão à espada
e serão pasto dos animais selvagens!
Mas o rei alegrar-se-á em Deus;
cantarão louvores os que juram por Ele,
mas os mentirosos serão calados.
Salmo 63

David após o seu reencontro
com Deus

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

SEXO
UmA
EnCRuZilhAdA



PROBLEMA TORTURANTE

Apresento-vos o Carlos.
O Carlos é um adolescente, tem boa aparência e gosta de garotas. Não de uma garota especial, embora esteja particularmente interessado em Míriam neste momento. Mas de garotas em geral. Ele aprecia o jeito delas quando se reúnem.

Então qual é o problema?
Carlos está confuso. Ele é cristão e imagina que Deus seja contra o sexo. Mas o problema de Carlos é muito maior! Metade do tempo Carlos sente-se como um leão enjaulado. As suas glândulas bradam por uma coisa e a imagem que ele tem de Deus pede-lhe outra. Carlos fica então preso no meio. O que se supõe que ele deva fazer?

Na nossa sociedade, onde as mais grosseiras formas de exploração do sexo são ocorrências comuns, cada um de nós é bombardeado quase constantemente com estímulos sexuais. Se é preciso vender lâminas de barbear ou passagens aéreas, o sexo é o centro da comunicação; um pouco do corpo encontra-se em todos os anúncios. O jovem encontra o sexo não somente disponível, mas quase obrigatório nalgumas subculturas.
Naturalmente, nem todos os jovens são promíscuos. Nem todos os casados são adúlteros. Contudo, vivemos num meio altamente carregado de sexo. As pessoas estão praticando-o mais, falando dele e referindo-se a ele mais livre e levianamente.

É correcto um cristão agir assim? Deveria andar o dia inteiro com um saco a cobrir-lhe a cabeça e rolhas nos ouvidos? Tem o cristão as mesmas tentações dos outros? Podemos dizer que o envolvimento com alguma igreja amortece o desejo? Quem está enganando a quem?

Os cristãos são afectados pelas pressões do sexo tanto quanto qualquer outro. Não há escape. Vivemos no seio de uma revolução sexual. Temos de encarar o facto. Neste meio estão Carlos e Míriam. Eles vão com um grupo à praia, brincam nadando em trajes que mostram grande parte da anatomia. Têm algum contacto físico. E então a sociedade cristã espera que eles voltem para casa castamente desestimudados? Falemos francamente: eles encontram-se profundamente estimulados! E enfrentam problemas reais.

E agora?
O sexo é poderoso! O desejo inflamado é de difícil anulação ou controlo. Carlos e Míriam precisam de ajuda pois soltaram as rédeas da 'natureza' e agora podem encontrar-se muito facilmente numa situação que realmente não podem controlar. E isto acontece repetidamente.
Se tu é um Carlos ou uma Míriam ou parente deles, conhece a realidade do 'coração partido' que pode suceder quando caímos na armadilha do sexo. Uma vida inteira pode ser arruinada, ou diversas vidas podem ser gravemente atingidas por um erro na conduta sexual. Devemos saber como tratar com esta espécie de problema.

Encaremos isto como a realidade: O sexo não pode ser deixado de lado. Temos então que enfrentar o tipo de mundo onde vivemos e as espécies de tentações que encontramos.

Como Deus encara o sexo? Parte da nossa confusão e dificuldade surge da compreensão errada que temos do que a Bíblia realmente diz a respeito da actividade sexual.

DEUS É CONTRA O SEXO?

Deus não poderia ser contra o sexo, pois foi Ele que o planeou. Correcto? Foi ideia Sua! Assim, é natural que Ele conheça muito mais a respeito do sexo do que tu ou eu. O sexo é um dom de Deus. Um presente que Ele oferece à humanidade.

A Bíblia diz que Deus fez o Homem e o chamou "Adão". Deus colocou Adão num belo jardim com toda a espécie de animais e plantas. Adão deveria cuidar de tudo. E as coisas corriam muito bem, mas Deus sabia que não era bom para Adão ficar a andar sozinho pelo jardim.
"Não é bom para este Meu filho estar sozinho", disse Deus (Génesis 2:18). Então Ele deu-Se ao trabalho de lhe fazer uma companheira. Pôs Adão a dormir e extraíu do seu lado algum material - uma costela. E desta costela formou a Mulher.

Facilmente tu notas que os dois eram diferentes. Sim, Deus quis fazê-los assim! Ele gosta de variedade. Repara que a beleza encontra-se em diversas formas.

Frequentemente imaginamos como deve ter sido aquele primeiro encontro de Adão e Eva: Adão acorda, abre os olhos e vê aquela criatura maravilhosa diante dele. Ele diz: "Hummmm, o que será isto? Claro que não é um animal! Mas ainda não vi coisa nenhuma parecida no jardim! Contudo, não parece má. Realmente..."

E desde aquela altura os homens têm estado a observar as diferenças existentes entre eles e as mulheres. E apreciado muito! E as mulheres também não se têm queixado demasiadamente.
Este encontro é algo que parece acontecer espontaneamente. Ninguém precisa de vir ter com um rapaz e dizer: "Hei, a partir de agora tu podes começar a gostar das garotas." Não, isto ocorre naturalmente. Isto acontece porque Deus nos fez assim!

Mas alguns parecem ter a ideia de que embora Deus tenha criado o sexo, Ele está um tanto perturbado a esse respeito. Ele pode até desejar ver esse assunto à distância! Estão errados. Antes, pelo contrário, Deus disse: "Sede fecundos, multiplicai-vos" (Génesis 1:22). Não há necessidade de ficarmos envergonhados. Deus não está temeroso, perturbado ou envergonhado de forma alguma. Por que é que nós estaríamos? Deus está por detrás disto. O sexo foi um boa ideia, em primeiro lugar, e Deus não deu demonstração de estar arrependido.

Contudo, os seres humanos são estranhos! Parece que gostam de complicar as coisas! É muito importante lembrarmo-nos de que nós não somos apenas corpos, organismos físicos com necessidades biológicas. E que o sexo não é simplesmente um acto biológico qualquer, como a digestão dos alimentos, por exemplo. O sexo é um aspecto altamente complexo da bela unidade que forma um ser humano! É algo muito delicado, muito especial.

Mas a moderna sexualidade tem-no separado fortemente dos outros elementos do ser humano. Desse modo o sexo tem-se vindo a tornar apenas um 'acto', mais do que parte de um profundo relacionamento. É mais uma 'execução' do que uma experiência partilhada que torna dois indivíduos realmente num só.

Deus fez o homem como uma unidade, com capacidades emocionais, intelectuais e espirituais, juntamente com a física. Quando tentamos negar ou destruir alguns aspectos do nosso ser a fim de satisfazer a outros, estamos a desumanizar-nos. O homem (ou a mulher) que vive ao nivel físico em detrimento do nível mental e espiritual não chega a ser um homem completo.

A intenção de Deus foi a de um relacionamento a vários níveis. Fisicamente o sexo é importante, mas é só uma parte do total. Uma definição moderna da palavra 'amor' mostra-nos o quão longe temos ido, infelizmente, nessa direcção. Na nossa moderna sociedade quando duas pessoas falam em 'fazer amor', muito frequentemente apenas querem dizer que foram para a cama juntos. Estão dizendo que, juntos, partilharam de um acto biológico. O que acontece com dois animais. Quão pobre é essa definição de 'amor'!

O verdadeiro amor implica a união de duas vidas, não de dois corpos. Pessoas que se amam de verdade desfrutam de genuína amizade e não simplesmente utilizam órgãos um do outro para satisfação dos seus sentidos. O verdadeiro amor, é o amor de relacionamento em vários níveis, que envolve o prazer de estarem juntos. Sorrirem juntos, partilharem coisas, fazerem coisas, tornarem-se ambos um só. Isto envolve muito mais do que sexo! Interesse mútuo, mútuo conforto e encorajamento! Altruísmo! Deus deseja-nos como pessoas completas, não como corpos satisfeitos! Ele oferece-nos muito mais do que comummente 'pagamos' pelos nossos relacionamentos. Frequentemente nos vendemos barato demais! Pensa nisto!

Agora imagina que compras um carro. Tu pegas no carro e encontras um manual de funcionamento no porta-luvas. Naquele pequeno livro o fabricante diz como tu deves utilizá-lo. Ele sabe que tipo de tratamento o carro necessita para oferecer maiores vantagens. Ele diz-te como cuidares dele para que rode melhor e por mais tempo. Se tu queres obter o máximo do teu carro, então deves seguir as suas sugestões, pois ele conhece melhor o carro. Foi ele que o fez!

Da mesma maneira, Deus criou-nos. E como foi Ele que nos fez, Ele sabe o que nos faz funcionar melhor. O 'manual do fabricante' é a Bíblia. Naquele Livro, Deus estabeleceu as directrizes para o uso do corpo e da personalidade humanos. Se violarmos as directrizes, sofreremos várias disfunções.

A crescente desumanidade e a ausência de sensibilidade no nosso mundo evidenciam um colapso enorme na maquinaria humana. Encaremos isto! Temos estado a violar o manual há tanto tempo que o mundo tem mesmo que ter problemas! Tu não podes abusar do sexo e deixar de arruinar a pessoa humana e a sociedade!

A Bíblia fala-nos do príncipe Amnom, que se enamorou da princesa Tamar (II Samuel 13). Ele desejava tanto ter relações sexuais com ela que não conseguia comer nem dormir. Amnom possuía um desequilíbrio sexual, sinal certo de uma disfunção no mecanismo humano. Seja como for, o príncipe planejou, arquitectou, fez promessas, insistiu, até que ela finalmente concordou em ir ao quarto dele. Mas quando o seu desejo sexual foi satisfeito, o 'amor' do príncipe Amnom transformou-se em ódio. Ele expulsou Tamar e bateu com a porta. Disse-lhe que jamais o procurasse. A culpa e a vergonha produziram sérios transtornos. Sempre produziram. E produzirão!

Esta é uma história típica da alienação e frustração, produzidas pela aproximação superficial, biológica, no relacionamento homem-mulher no nosso mundo. Algo que Deus designou que fosse belo, nós o tornamos feio. O sexo, uma das mais belas e excitantes dádivas de Deus ao Homem, tem sido pervertido pelos seres humanos separados de Deus. O sexo, satisfeito fora das especificações identificadas no 'manual do fabricante', a Bíblia, tem-se tornado feio e doente.

A Bíblia reserva as relações sexuais para o Casamento. O sexo não é um brinquedo para crianças. Nem um jogo de sala para experiências de adultos. Poucas coisas são mais explosivas ou ocasionam mais cicatrizes à sensibilidade humana do que o sexo leviano. Deus é claro: se tu não és casado, espera até o casamento! (Êxodo 20:14).
Lembra-te, é o Fabricante que te está a dizer como manter a máquina em bom funcionamento. Ele sabe o que diz! Se tu violares as Suas instruções, pagarás pela desobediência com profundos danos pessoais, a ti próprio e aos outros.


Uma pesquisa recente informou que 88% das pessoas casadas entrevistadas disseram que não voltariam a ter relações sexuais antes do casamento, caso pudessem recomeçar a sua vida. E a maioria acredita que essa prática produziu efeitos negativos sobre o seu cônjuge. Deus sabe o que faz!
Se tu desejas destruir um relacionamento de profundo significado com um moço ou uma moça, envolve-te em comprometedoras carícias antes do casamento. Culpa e vergonha criarão um muro de separação ao teu redor. Mesmo depois do casamento, permanecerá uma contínua diminuição do respeito de um pelo outro. Remontando-se às origens, chega-se à intimidade que teve lugar, indevidamente, no começo. Todo o teu casamento pode perder o brilho porque tu escolheste andar pelos teus próprios caminhos a andar pelos caminhos de Deus.

Bem, voltemos ao Carlos e à Míriam. Eles são cristãos. Sabem o que a Bíblia ensina a respeito do sexo fora do casamento. E eles realmente desejam ser obedientes. Sabem que não devem manter intimidades físicas, ou permitir-se situações altamente estimuladoras que não possam controlar.
O que supões que devam fazer? Eles já se sentem atraídos. O mundo ao redor inunda-os com estímulos. Quando estão juntos, Carlos dificilmente fica sem pôr as mãos em Míriam, ou tirar os olhos dela. E Míriam também não quer de forma alguma que ele seja diferente!

Deste modo, eles enfrentam um grande problema, um problema humano - a Tentação!
Eles sentem uma intensa pressão! Eles precisam de saber exactamente o que está a acontecer, porquê e como acontece. E depois, fazer alguma coisa. Eles sabem que precisam de ajuda.

COMO LIDAR COM A TENTAÇÃO

Encaremos o facto: Tu não tens tentação a menos que seja algo que realmente desejes fazer. O desejo sexual é uma parte da dádiva de Deus incluída na formação do organismo humano. Não é errado teres desejo de satisfação sexual. Foi Deus quem o colocou em ti. Mas Deus não te empurra para situações de estímulos insuportáveis!
Deus delineou meios próprios de satisfazer os desejos de um homem se unir a uma mulher. Contudo, Satanás tenta-nos à satisfação sexual antes de estarmos preparados ou de termos alcançado a situação ideal para a incumbência.

Muito obviamente, as mulheres exercem atracção sobre os homens. Olhar para uma garota de boa aparência não é pecado. Deus não nos pede para sermos cegos. Recebemos de Deus o sentido de apreciação do belo, embora ele não se destine a despertar a sensualidade. Quando tu estás a andar numa rua e uma moça especialmente atraente passa, e tu olhas, isso não é pecado. Pode ser uma tentação. Porém, quando tu páras, te voltas e começas a imaginar coisas, então começas a pecar.

Jesus disse: "Vocês sabem o que foi dito: 'Não cometas adultério.' Mas Eu digo-vos: Quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la, já adulterou em seu coração." S. Mateus 5:27 e 28, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
Deus não está interessado somente e fundamentalmente no exterior. Ele está mais interessado no que existe dentro de ti!

O facto de não teres experimentado ainda relações sexuais com uma moça não significa que estejas sem culpa! A oportunidade pode ainda não ter chegado; pode a moça não estar no momento a desejar. Pode ser que tu estejas com muito medo da pressão social ou das consequências. Pode ser que tu estejas com medo de Deus. Tu podes não ter levado as tuas fantasias à acção, mas talvez já tenhas cometido adultério 'em teu coração'. Mas lembra-te: Deus lê o coração! Tu não pode esconder-te d'Ele.

Pecar é ceder ao pecado. Jesus foi tentado em todos os pontos - inclusive no aspecto sexual - como nós, mas 'sem pecado' (Hebreus 4:15). Porém, quando acariciamos a tentação na nossa mente, ou quando a praticamos na nossa vida, então pecamos.

Facto nº 1: Quando alguém se torna cristão não se liberta da tentação. Alguns pensam que sim. Pensam que por pertencerem a uma igreja estão livres de desejos sensuais. E quando descobrem que isso não é assim, começam a duvidar da realidade da sua fé. Contudo, Deus jamais prometeu livrar-nos da tentação. Nem ao Seu próprio Filho Ele excluiu. Ele prometeu, sim, que não seríamos vencidos pela tentação se ficássemos sob a Sua direcção (I Coríntios 10:13).

Facto nº 2: Quanto mais unido tu estiveres a Cristo, maior será o teu senso de tentação. Isto pode parecer contradição, mas é verdade. É que quanto mais nos unimos a Cristo, mais claramente vemos as nossas tendências para o mal, desse modo nos tornamos mais sensíveis ao que realmente está a acontecer no nosso coração. Vemos mais claramente as motivações mescladas, as insinuações subtis, os flertes casuais. À medida que Deus abranda a nossa dureza, vemos quão distantes do Seu belo plano para a nossa vida tendemos a vagar.

Facto nº 3: Quanto mais unidos estamos a Cristo, mais somos capazes de reivindicar reservas do Seu poder pelo qual é ganha a vitória. Aqui está o ponto-chave. Se, à medida que o nosso relacionamento com Jesus aumenta, a única coisa que acontece é ver-mo-nos mais claramente, então podemos nos encontrar vencidos pelo desespero. No entanto, juntamente com uma compreensão mais ampla surge também uma profunda consciência do amor de Deus, do Seu desejo de conceder mais do que pedimos, e do Seu plano para nos manter seguros através das tentações. Dessa maneira, enquanto as nossas tentações se tornam mais evidentes, a nossa capacidade de reclamar vitória torna-se também mais segura e pode ser posta em acção mais rapidamente.

Facto nº 4: A forma de abordagem das tentações sexuais é a mesma de qualquer outra tentação. Parece que aprendemos a classificar as 'tentações sexuais' separadamente das outras tentações.

Tentamos dividir os pecados em duas categorias:

1 - Pecados sujos - os praticados com o sexo
2 - Pecados limpos - todos os demais

Com Deus é diferente. Pecado, é pecado à Sua vista. O orgulho e o egoísmo podem ser mais desagradáveis diante de Deus do que os 'pecados da carne'. E por vezes, aqueles pecados profundamente enraizados são os mais imunes à Sua compreensão. Deus não considera pecado algum levianamente. Isto porque todos os pecados envolvem o mesmo problema - violam o nosso relacionamento com Ele e com o nosso próximo. Em Isaías 59:2 lemos: "Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus." O pecado ergue um muro de separação entre ti e Deus. Tu cortas o teu contacto. E se cortas o teu contacto com Deus, ficas separado da verdadeira Fonte de toda a vida.

Em relação às distinções que fazemos quanto aos pecados, os pecados de ordem sexual prendem-nos de um modo especial. Somos inclinados a vê-los como pecados muito piores, pecados menos facilmente perdoáveis por Deus. Desta maneira abordamos os nossos pensamentos impuros com uma atitude muito perigosa. Ficamos impedidos e temerosos de levá-los a Deus, o que é um erro.
No entanto precisamos de admitir abertamente que todos temos tentações na área sexual. Estas tentações devem ser tratadas como todas as outras. Devemos enfrentá-las destemida e abertamente. Devemos levá-las a Deus. Somente assim podem ser riscadas da sua condição especial.
Frequentemente um homem ou uma mulher que caiu em pecado que envolve violação sexual são tratados mais severamnte pelos seus amigos e familiares do que os que mostram aberto rancor ou ambição.

Isto não quer dizer que devamos deixar de nos horrorizar com uma conduta sexual errada. Mas muitos dentre nós, actualmente, já perderam a capacidade de ficar moralmente chocados com a perversidade da nossa sociedade em todas as áreas. Precisamos centralizar a nossa atenção no facto de que todos os pecados prejudicam o relacionamento vital entre o seu humano e Deus. Se considerarmos os pecados sexuais como 'GRANDES PECADOS' e todos os outros como 'pecadinhos', estamos a fazer confusão.
Semelhantemente, se dividimos os nossos amigos em 'pecadores comuns' e 'pecadores do sexo', podemos estar a afastar de muitos deles os meios de suporte pelos quais Deus pode estar a querer usar-nos como canais do Seu perdão e cura. Pecado é pecado, e necessita de confissão e perdão. E somente quando o entendermos como a violação de um relacionamento, descobriremos a dinâmica da vitória sobre ele.

E AGORA, O QUE FAZER?

"Cada vez que saio com uma garota parece que acabamos sempre fazendo algo que sei que não devemos. Mas eu desejo ter um relacionamento mais profundo do que o que tenho! Só que pareço impedir isso o tempo todo. Creio que para mim não há esperança!"

A frustração deste rapaz de 18 anos coloca agora a pergunta mais importante: "Como lidas com a tentação?" É óptimo identificar o problema e traçar o seu esboço. Mas o que fazes depois com ele? Como alcanças a vitória sobre os desejos pecaminosos? Ranges os dentes? Amarras os pés?...

Nada disso. Essas acções estão baseadas apenas na força humana e não na força divina. São técnicas defensivas. Ainda que funcionassem, a 'vitória' somente daria a oportunidade ao orgulho humano.

O que precisas é de ir à raiz do problema - à tua natureza humana que é pecaminosa e egoísta. Quando acreditas que a aplicação de uma grande força de vontade te pode capacitar a resistir à tentação, tu jamais experimentarás a genuína vitória de que Deus fala! Assim, primeiro, reconhece a tua própria fraqueza. Compreende que na tua própria força não terás possibilidades!

Em S. Tiago 4:7 lemos uma prescrição que reúne a única técnica efectiva em lidar com a tentação:

"Portanto, obedeçam a Deus", diz ele. "Enfrentem o diabo, e ele fugirá de vocês." - A Bíblia na Linguagem de Hoje. Observa as duas palavras-chaves e a sua sequência: 'obedecer' e 'enfrentar'.

Enfrentar o diabo é o caminho da vitória. Mas tu não podes enfrentá-lo sem antes obedeceres a Deus! Aqui está a chave! Tu deves submeter a tua vontade a Deus. Tu deves conquistar a vitória em Deus antes de avançares.

No entanto, exactamente neste ponto, muitos de nós falhamos continuadamente. Porquê?
Porque não queremos errar; ferir alguém; não queremos ceder o controle total da nossa vida a ninguém, nem mesmo a Deus; queremos resistir sem submissão; queremos ser heróis; não desejamos passar o crédito a outrem; etc.

Suponhamos que sentiste um mau cheiro no teu quarto. Queres eliminá-lo e trazes uma ventoinha. Coloca-la no chão, ligas o interruptor e desejas que ela funcione! Mas nada acontece. Porquê? Porque não a ligaste à tomada. Não adiantará desejares, mesmo com toda a sinceridade, que as pás da ventoinha girem. Se não ligares o fio à tomada, nada acontecerá! Podes sentar-te no chão e até girares as pás com a mão. Podes esmurrar a parede. Mas nada conseguirás. O que tens de fazer? Ligá-la à corrente eléctrica! Do mesmo modo, tu deves ligar-te a Deus.

Assim, submeter-se a Deus significa descobrir duas coisas:

1º - Não podemos cuidar da nossa própria vida.

2º - Não necessitamos de o fazer.

Deus quer fazer isso por nós! Ele deseja fazer por ti o que tu nunca poderás fazer. Ele quer mudar cada desejo que produz pecado. Ele quer mudar o teu coração (Ezequiel 11:19). Submeter-se a Deus significa levar-Lhe a tentação e deixá-la com Ele.

Significa orar assim: "Ajuda-me, Senhor! Estou aqui sentado com esta moça e ela está muito perto. Tu sabes a espécie de pensamentos que estão na minha cabeça. Não tenho forças para vencê-los ou para manter-me fora da acção deles. Mas tu podes! Por essa razão entrego esta situação em Tuas mãos. Sou Teu filho e peço-Te para expulsares os meus maus desejos."

Feito isto, contudo, tu tens de tomar uma importante decisão. Compreende que não poderás ser vitorioso nesta espécie de submissão de que temos estado a falar, nos momentos extremos da tentação! A não ser que já estejas envolvido num contínuo processo de crescimento com Deus. Pedidos de auxílio de emergência são mais efectivos quando tens uma boa ligação, quando manténs um sólido relacionamento com Deus. E cada dia tu deves ceder-Lhe novo território da tua vida.

Para resistires ao inimigo, então, deves voluntariamente deixar toda a situação especial nas mãos de Deus. Apela para as reservas de força que Deus tem para te dar. Quando vier a tentação para fazeres ou pensares algo contrário à Sua vontade, resiste ao inimigo enfrentando-o. Como? Com uma vida submissa a Deus! Como filho de Deus, tu não estás mais sob o domínio do pecado (Romanos 6:14).

Tu não precisas de temer, não precisas de te render! Jesus já ganhou a vitória em teu lugar. Precisas apenas de a reclamar. Estás escudado na Sua vitória! Deus prometeu que se tu te submeteres a Ele, e resistires com base nessa submissão, Ele expulsará o mal! O mal fugirá de ti. Esta é uma promessa que deves reclamar! ...

Confia então plenamente. Nesta manhã entrega a tua vida aos cuidados de Deus. Deixa todos os teus desejos e esperanças nas Suas mãos, pronto para aceitares o que quer que Ele decida. Então, antes do encontro com a garota tu reforçaste o teu relacionamento com Ele. Disseste: "Meu Deus, eu gosto dela. Mas eu sei que Tu me darás tudo na vida, e mais do que eu poderia pedir. Assim, confio em Ti. Se ela é a pessoa indicada, Tu ligarás os nossos corações em amor. Se não, eu não a quero de forma alguma. Assim, não forçarei este relacionamento. Confio-te tudo, Senhor."

Por teres submetido o caso a Deus, tu não estás mais sob irressistível pressão. Se, antes, às vezes sentias necessidade de ir um pouco mais além do que desejasses no contacto a fim de manter o interesse, agora tu sabes que não precisas mais disso. Agora Deus vai cuidar do teu caso! Assim tu podes resistir! Porque antes de tudo, tu pertences a Deus! Ele está cuidando de ti.

Sendo obediente e tendo-te submetido, Deus pode operar com o Seu poder. Uma vez que te relacionas com Deus de um modo activo e significativo, tu estás sempre na Sua presença. Não estás mais fraco e só, não estás mais lutando em desigualdade e jamais fracassarás. Dizes no teu coração: "Escolhi não pecar", e tomas uma atitude confiante, pois a tua confiança está em Deus e não em ti mesmo. ...

PARA ONDE IR?

Mesmo depois de termos aprendido como lidar com certas tentações particulares, precisamos ainda de aprender algumas coisas a respeito da dinâmica do crescimento cristão.

Perguntas: "Não haverá ocasiões em que as tentações deixarão de exercer influência?" "Nunca estarei a salvo de todo o lixo da minha vida?" "Nunca serão puros os meus pensamentos e desejos?" "Chegará o tempo em que poderei amar uma pessoa com calor e afeição sem duplicidade das minhas motivações?"

Se tens este tipo de sentimentos, podes estar certo de que Deus já está a trabalhar em ti para te tornar uma nova pessoa. Tais pensamentos só podem ser despertados pelo Espírito Santo.

O cerne de tudo o que podemos dizer a respeito do crescimento cristão é este: Deus está na direcção da tua vida! Estando aos cuidados de Deus, tu podes deixar que Ele tome conta de cada situação. ... Jesus disse (S. João 3:8) que o trabalho do Espírito Santo é como o vento. Não podes vê-lo agindo. Mas podes sentir os seus resultados: o movimento das folhas e das nuvens a passar. Da mesma forma, tu não podes ver a acção do Espírito Santo no teu coração, abrandando-o e tornando-o dócil e obediente. Mas Deus está em acção, mudando-te. ...

Aprende também como te ergueres quando tropeçares e caires! Um dos mais desastrosos resultados dos pecados do sexo é a sensação de desencorajamento que experimentamos depois de termos caído. Fomos 'imorais'! E Satanás quer que fiquemos na valeta com sentimentos de desalento!

Não há pecado por mais terrível que seja que Deus não possa perdoar. Contudo, se não pedirmos, Ele não nos perdoará. "Se confessarmos os nossso pecados", diz a Bíblia, "Ele (Deus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça" (I S. João 1:9).

Isto inclui todos os tipos de pecado, não interessa quão perversos sejam. Lembra-te: para Deus todos os pecados são perversos. Se caíres, não fiques por terra, sentindo autocomiseração ou autocondenando-te. Admite o teu erro: "Eu caí, é verdade. Mas prossigo. O que aconteceu foi que eu quis dirigir a minha própria vida. Sei agora que sempre que isso acontece só posso esperar fracasso. E dessa maneira colocarei tudo nas mãos de Deus a fim de que Ele possa agir até que eu esteja inteiramente liberto."

Quando esta atitude se tornar uma resposta espontânea no nosso coração, estaremos no caminho certo para prosseguir de vitória em vitória. A promessa de Deus para os problemas da escravidão sexual, é igualmente para a escravidão de todos os outros pecados, e é clara: "Se pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (S. João 8:36).


Adaptado de  Sexo - Uma Encruzilhada, de Dan Day.
Casa Publicadora Brasileira.



S.O.S. - Ajudemos os Jovens!!!

sábado, 1 de janeiro de 2011


PENSAR EM GRANDE



Perdidos na Tempestade

Poderia ter sido a catástrofe naquela noite de véspera de Natal. Uma família é surpreendida por uma tremenda tempestade de neve numa das estradas do seu país, a caminho do encontro da consoada. Rapidamente o carro foi impossibilitado de prosseguir pela neve que há muito tinha eliminado os vestígios da berma do caminho.
Um manto branco cobria agora as árvores, as planícies e os vales. O motor silenciou-se indiciando que aquela poderia ser a última noite daquelas duas crianças e seus pais. Ficar dentro do automóvel era caminhar para uma morte certa. O pai tentou abrir a porta do seu lado para limpar o pára-brisas - sem sucesso.
Com breves palavras pronunciadas naquela negrura, começaram os preparativos para o que de pior a neve branca escondia nessa noite de Dezembro. Depois, abrindo lentamente o vidro, este jovem pai esgueirou-se para cima do capot do carro de modo a limpar o pára-brisas, perscrutando mais uma vez ao seu redor.

Guiados pela Estrela de Natal


Por breves instantes pareceu então desvendar uma luz não muito distante do sítio onde estavam. Um abrandamento da intensidade da queda de neve veio confirmar a sua suposição. Na verdade parecia que havia uma fonte de luz a pouco menos de um quilómetro. Entrando precipitadamente no carro informou a sua mulher que iria procurar socorro. Esta recusou a sua intenção: consciente da possiblidade de um agravamento das condições atmosféricas ela instou para que - cada um levando um filho - todos fossem em busca desse ponto de luz.

Assim fizeram. Ao fim de três longas e difíceis horas de marcha, a família perdida chegava à varanda de uma casa de montanha que tinha plantado uma enorme estrela de natal, com uma potente lâmpada no seu interior, no pinheiro mais alto do seu jardim.
Parece uma daquelas histórias de encantar... de Natal, que adormecem numa família as crianças já deitadas em limpos lençóis!... No entanto isto é só a primeira parte deste episódio da vida real.

Depois dos inesperados visitantes estarem reanimados e bem aquecidos junto da lareira, a família hospedeira olhava para o seu filho mais novo, estupefactos. Naquela tarde, tinham ido às compras à cidade mais próxima. A cada filho tinha sido oferecido um montante para que comprassem as prendas que desejavam oferecer nessa noite. O filho mais novo apareceu então na caixa do supermercado com um enorme embrulho, ajudado por um empregado.
Os irmãos ficaram intrigados e a curiosidade aumentou à medida que se aproximava o momento da abertura das prendas. Quando esse momento chegou, todos quiseram ajudar a desfazer o grande embrulho para descobrirem que ele continha uma enorme Estrela de Natal de plástico. A chacota dos irmãos mais velhos deixou aquela criança profundamente triste pela escolha que tinha feito: onde - diziam eles - queria ele que pusessem aquela enorme estrela, maior do que o próprio pinheiro de natal? O pai, para animar um pouco o filho, propôs então que ainda naquela noite, pusessem a estrela não no pinheiro artificial que estava no interior da casa, mas no do exterior, no pinheiro mais alto do jardim. ...

Se naquela noite, aquela criança não tivesse ousado PENSAR EM GRANDE e romper com as regras do natalmente correcto, quatro pessoas não teriam provavelmente sobrevivido à tempestade da neve!

Extraído do Artigo  PENSAR  EM  GRANDE  de Luís Nunes - Professor da Escola Superior de Saúde Pública
Publicado na Revista Saúde e Lar

VIDA ABUNDANTE




«O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.» João 10:10.

O grande desejo de Deus para o homem, enquanto nesta Terra, pode resumir-se nas palavras de Cristo no texto de hoje:
Vim para que tenham vida, e vida em abundância.

Alguém dizia:
"Todos os homens morrem. Nem todos os homens vivem."

A GRANDE QUESTÃO É:

Quantos de nós estamos realmente vivos?

Quantos de nós estamos a viver o objectivo de vida para o qual Deus nos chamou?

Estamos nós hoje a experimentar a vida abundante da qual Cristo falou?


Reflictamos sobre alguns factores que até podem servir de barómetro, para avaliar se estamos a viver o tal tipo de vida abundante:

1 - Paz para além da compreensão.

2 - Tranquilidade perante as maiores adversidades.

3 - Descansar completamente na certeza de que Deus sabe o que é melhor para nós (aceitando sem reservas mesmo as respostas que nunca gostaríamos de ter).

4 - Seguir alegremente as orientações de Deus a todos os níveis, apenas porque conhecemos a sua origem, ainda que não entendamos todas as razões científicas.

5 - Ser capaz da amar aqueles que nos fazem mal (reconhecendo que a nossa luta não é contra a carne e o sangue - «Pois não é contra seres humanos que temos de combater, mas contra poderes e autoridades, que dominam este mundo de escuridão, contra espíritos do mal, que não se vêem.» Efésios 6:12).

6 - Sentir e irradiar uma alegria difícil de exprimir em termos humanos.

7 - Conhecer o amor de Deus de tal forma que seja afastado todo o temor.

8 - Viver a esperança e a alegria da salvação pelos méritos de Cristo.

9 - Experimentar diariamente a transformação de vida à imagem e semelhança de Deus.

Será possível viver esta vida abundante? Tenho de afirmar que sim, porque se não fosse possível, Jesus não o teria dito. Como? Só há um caminho: através de um conhecimento vivencial e um profundo relacionamento com Deus.

Deuteronómio 30:19, 20 confirma as palavras de Cristo e aponta o caminho: «O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, (Como?) amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à Sua voz, e apegando-te a Ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade.»

A oração consciente e a leitura da Palavra de Deus, com sentido, procurando conhecer a vontade de Deus como um verdadeiro tesouro escondido, são as chaves que abrem este tipo de relacionamento.

José Eduardo Teixeira
Presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Portugal
Meditação Matinal de 1 de Janeiro de 2010 in Nós, a Igreja



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

NATAL  PARA  COMEMORAR




PROJECTADO  PELO  CÉU
«O anjo, porém, lhe disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que será para todo a povo.» Lucas 2:10.


Benjamin Franklin descobriu que o gesso, quando lançado ao solo, realmente ajudava as plantas a crescer. Quando ele falou sobre isto aos outros agricultores, eles riram-se. Por isso Franklin deixou o assunto de lado.
Na Primavera seguinte, entretanto, plantou trigo num pedaço de terra perto de um caminho bastante utilizado por todos. Primeiro traçou algumas letras no solo com o dedo, e lançou ali o pó de gesso. Depois, passou a semear o trigo por todo o terreno. Dentro de poucas semanas, os caules verdes começaram a brotar, e os que ali passavam começaram a observar um padrão cada vez mais definido a tomar forma naquele pedaço de terra. Finalmente, aqueles caules, cada vez mais altos e mais verdes, começaram a apresentar uma mensagem no campo, a qual finalmente convenceu os teimosos vizinhos de Franklin da utilidade de algo tão simples como o humilde gesso.
Quando Deus quis convencer os seus teimosos filhos do Seu extraordinário amor, projectou essa mensagem pelo céu. Os anjos visitaram humildes pastores em Belém com uma mensagem muito clara. Através dos séculos, os arautos de Deus, os profetas, foram ridicularizados, troçados, caluniados e perseguidos. Quando o Seu povo não deu ouvidos aos enviados de Deus, Ele fez algo radical. Enviou o Seu próprio Filho.
Existem coisas que não podem ser explicadas e que, por isso, precisam de ser demonstradas. O amor de Deus é assim. Ele não pode ser explicado, mas pode ser revelado. O amor de Deus é revelado através do nascimento, vida e morte de Jesus. Numa cruz manchada de sangue, Deus projectou amor por toda a face de um planeta perdido. Revelou até onde iria só para nos salvar. Não há sacrifício que Ele não fizesse. Não há preço que Ele não pagasse. Não há nada que Ele não desse para nos redimir.

O Céu deu-se inteiramente. O Céu deu o seu melhor. O Céu deu tudo o que tinha. E é por isso que os anjos cantaram: "Glória a Deus nas alturas", e, juntamente com eles, nós também cantaremos por toda a eternidade.




UM  PRESENTE  PARA  QUEM  DEU
«E abrindo os seus tesouros, entregaram-Lhe as suas ofertas: ouro, incenso e mirra.» Mateus 2:11.


Quando Jesus nasceu, as pessoas da Sua época tiveram reacções diferentes quanto ao Seu nascimento. Os escribas e fariseus ficaram indiferentes. Eles mal percebiam o que estava a acontecer. Infelizmente, existem pessoas religiosas que estão indiferentes a Cristo neste Natal. Cristo ainda fica perdido na agitação da época. Ele fica encoberto pela árvore de Natal e pelos presentes caprichosamente embrulhados. Ele fica escondido em toda esta correria.
Houve quem se Lhe opusesse naquela época, como também há quem se Lhe oponha hoje. Herodes e os soldados romanos sentiam-se ameaçados pela perspectiva do Rei recém-nascido. Estavam ameaçados pelo desafio em potencial que o Seu governo representava. Herodes mandou matar todas as crianças hebreias com menos de dois anos. Ele não queria que o seu trono fosse ameaçado. Há pessoas hoje, nesta época de Natal, que não Lhe darão o trono do coração. Estas fazem tudo para manter o controlo.
Ainda há uma terceira reacção para com Jesus. Três reis do Oriente trouxeram-Lhe presentes. Aqueles sábios prostraram-se aos Seus pés para O adorarem. Mulheres e homens sábios ainda O adoram, hoje.
O evangelho de Mateus diz: «E, abrindo os seus tesouros, entregaram-Lhe as suas ofertas: ouro, incenso e mirra.» Mateus 2:11. O ouro é um presente para um rei. Representa todos os nossos bens materiais. No Natal, reconhecemos: "Senhor, todas as minhas posses são Tuas. Tu és o Rei dos reis e o meu Rei."
O incenso é um presente para um sacerdote. Era usado pelos sacerdotes no antigo santuário. No Natal, ajoelhamo-nos e declaramos: "Jesus, Tu és o meu Sacerdote. Tu intercedes por mim. Tu apresentas a Tua justiça perfeita diante de todo o Céu, em lugar do meu enorme fracasso."
A mirra é um presente para quem está para morrer. É um unguento antigamente utilizado nos serviços fúnebres. No Natal, reconhecemos: "Jesus, Tu és o meu Salvador. Tu és o inocente Bebé que nasceu e o meu justo Redentor que morreu por mim."

Alegre-se, hoje! É hora de comemorar! Aceite-O como o seu Salvador. Busque-O como o seu Sacerdote. Reconheça-O como o seu Rei.




UM  NASCIMENTO  PARA  SER  COMEMORADO
«Salvé Agraciada: O Senhor é contigo.» Lucas 1:28.


Não há nada mais excitante na vida de um casal do que o nascimento do seu primeiro filho. A minha mulher e eu tinhamos 25 anos quando a nossa filha Debbie nasceu. Eu tinha tanta certeza de que seria uma menina que lhe comprei um vestidinho vermelho muito brilhante. Pode até imaginar a nossa filhinha, com o tom avermelhado de um bebé recem-nascido, com aquele lindo vestido vermelho. Ela iluminou todo o hospital.
Dizer que Teenie e eu estávamos felicíssimos com o nascimento da nossa primogénita é dizer muito pouco, como também é muito pouco dizer que estávamos preparados para o evento.
Nós lemos todos os livros sobre educação infantil que pudemos obter. Juntos, assistimos às aulas sobre parto natural e preparámos o quarto para o bebé. Quando Debbie nasceu, estávamos prontos.
Deus também ficou muito contente com o nascimento do Seu Filho. Os coros angelicais anunciaram a Sua chegada. Os pastores e os magos proclamaram o Seu nascimento. As vozes de profecias feitas séculos atrás ecoaram o nascimento do Messias.
Aquele não foi um nascimento comum. Jesus foi concebido de maneira sobrenatural pelo Espírito Santo no ventre de Maria. Aquele não era um bebé comum. Jesus era o divino Filho de Deus em carne humana, o Cristo divino-humano. O anjo anunciou a missão de Jesus para José: «Ela dará à luz um filho e Lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o Seu povo dos seus pecados.» Mateus 1:21. A Sua missão foi claramente definida pelo Céu - salvar o Seu povo dos pecados deles.
O bebé nascido na manjedoura de Belém é o seu e o meu Salvador. O período do Natal é próprio para comemorar e rejubilar. É um bom momento para louvar. Não fomos deixados sós nas profundezas do nosso pecado. Na escuridão da nossa rebelião existe uma luz. Estamos presos nas garras do pecado, mas existe esperança.

Podemos alegrar-nos. Deus enviou-nos uma inegável mensagem do Seu amor, no Bebé nascido numa manjedoura de Belém. Ele encherá a sua vida de felicidade e alegria neste Natal.




A  PAZ  DO  NATAL
«Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na Terra entre os homens, a quem Ele quer bem.» Lucas 2:14.


O senador John McCain passou cinco anos e meio como prisioneiro de guerra em Hanói, durante a guerra do Vietname. Ele e muitos outros pilotos enfrentaram sofrimentos terríveis. Mas chegou um dia, do qual McCain se lembra claramente, quando eles puderam erguer-se acima do abuso e do isolamento.
Era a véspera de Natal de 1971. Poucos dias antes, McCain pôde ter uma Bíblia nas suas mãos apenas durante alguns momentos. Rapidamente, copiou o maior número que pôde de versículos da história do Natal, antes que um guarda se aproximasse e lhe tirasse a Bíblia.
Naquela noite especial, os prisioneiros decidiram fazer o seu próprio culto de Natal. Eles começaram com a Oração do Senhor e depois cantaram músicas de Natal. Entre cada hino, McCain lia uma passagem.
Os homens estavam nervosos e, no começo, pareciam tensos. Lembraram-se de quando, um ano atrás, os guardas invadiram o local onde eles, secretamente, faziam o seu culto, e começaram a bater nos três homens que o dirigiam. Estes foram arrastados para a solitária. Os restantes foram trancados em celas durante 11 meses.
Mesmo assim, naquela noite, os prisioneiros queriam cantar. E eles começaram a cantar: "Chegai-vos, ó crentes, vinde jubilosos ... " Cantavam bem baixinho, com os olhos fixos nas janelas com grades da sua cela. À medida que o culto progredia, os prisioneiros foram ficando mais corajosos. As suas vozes elevaram-se um pouco mais até que encheram a cela com: "Já soou por todo o céu: 'Glória ao Rei que vos nasceu.'"
Quando se puseram a cantar: "Tudo é paz! Tudo amor!", as lágrimas começaram a rolar pelos seus rostos. Mais tarde, John McCain escreveu: "De repente, estávamos longe dali, numa cidade chamada Belém, há 2000 anos atrás. Nem a guerra, nem a tortura, nem a prisão conseguiram desvanecer a esperança nascida naquela noite de paz, há muito tempo atrás."

Se Lhe abrirmos o nosso coração, Jesus também nos dará a Sua paz. Assim como Ele transformou uma prisão norte-vietnamita num lugar cheio de amor, também deseja encher o seu lar de amor ainda hoje.


Mensagens de Natal de  Mark Finley  in  SOBRE A ROCHA

Director/Orador do programa de Televisão It is Written (de 1991-2004)
e que continua a ser emitido regularmente nos EUA.
(Mais informações na Wikipedia).

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

BLAISE PASCAL



Já viu alguém apaixonado citando o pensamento "o coração tem razões que a própria razão desconhece"? Mesmo que esteja um pouco fora do seu sentido filosófico original, este é um ditado conhecido em todo o mundo e o seu autor foi um famoso matemático chamado Blaise Pascal. Quem faz Filosofia, Ciências Exactas ou Análise de Sistemas tem obrigatoriamente de estudar o pensamento desse grande cristão que viveu no século XVII.

Pascal nasceu em Clermont-Ferrand - França, no dia 19 de Junho de 1623. Os seus pais eram Etienne Pascal e Antoinette Bégon, que morreu quando ele tinha apenas 3 anos. 0 Dr. Etienne, agora viúvo, resolveu, depois de alguns anos, deixar o seu emprego como advogado em Clermont e mudar-se para Paris a fim de dar melhores condições aos seus filhos. Nessa ocasião, Blaise Pascal tinha 8 anos de idade e, nas horas vagas, era o seu próprio pai quem lhe ensinava gramática, latim, espanhol e matemática seguindo um método pedagógico que ele mesmo elaborara.

O entusiasmo do seu pai em ser professor do próprio filho aconteceu por notar o brilhantismo excepcional do garoto. Só para se ter uma ideia, com apenas 11 anos, Blaise reconstituiu as provas da geometria euclidiana até à Proposição 32, aos 12 anos compôs sozinho um tratado sobre a comunicação dos sons e, aos 16, um outro sobre as divisões cónicas. Se você ainda não entendeu o que significam essas descobertas, não se preocupe. É matéria para especialista. Basta saber que Blaise Pascal era um génio incontestável.

Mas não pense que a sua inteligência lhe subia à cabeça. Pascal sempre foi apontado como uma pessoa muito humilde e simpática com os demais com quem convivia. Essa era uma virtude que o acompanhava desde a infância. Mesmo as coisas materiais eram para ele um detalhe que deveria ser submetido à vontade de Deus.

Um adolescente "fora de série"

As conclusões matemáticas que Pascal idealizou entre os 11 e 17 anos foram tão originais que ele provocou o interesse de vários matemáticos que queriam conhecer as suas teorias inovadoras. Em 1637, foi convidado a ter encontros semanais de discussão com matemáticos famosos da época como Roberval, Mersenne e Mydorge. Foi a própria Academia Francesa quem promoveu esses diálogos e incentivou as pesquisas daquele garotinho de apenas 14 anos.

Não pense, porém, que tudo eram flores. Sempre houve na História aqueles inseguros que se sentem ameaçados com o sucesso de outra pessoa. Foi o que aconteceu. René Descartes, que era o maior matemático vivo naquela época, recusou-se a acreditar que aquela profundidade de raciocínio pudesse partir de um garoto com espinhas no rosto. Chegou a supor que Pascal tinha plagiado as suas ideias de um outro matemático chamado Gérard Desargues. O facto, porém, é que havia elementos novos no trabalho de Pascal, que nem mesmo os grandes matemáticos tinham percebido.

Assim, a Academia Francesa resolveu publicar as suas obras que se tornaram rapidamente conhecidas em toda a Europa. Os seus avanços na geometria foram considerados os mais profundos desde a época dos gregos. Um deles era o cálculo das probabilidades combinadas que até hoje é usado por matemáticos para saber quais as chances (em 10, 100, 1000, etc.) de que tal coisa prevista venha de facto a acontecer. Seguradoras, Companhias de Planos de Saúde e indústrias em geral pagam verdadeiras fortunas para que matemáticos calculem quais as chances da empresa ter de indemnizar um assegurado ou conseguir lucro na venda de determinado produto. Se os números não forem bons, eles não se arriscam no negócio. E quem elaborou tudo isso? Um jovem chamado Blaise Pascal.

E não pára por aí. Aos 18 anos, ele construiu a primeira máquina aritmética da História, um instrumento no qual trabalhou durante 8 anos até aperfeiçoar o sistema. Pena que não conseguiu patentear o produto, de modo que, a máquina de calcular que Leibnitz projectaria no futuro acabou sendo considerada a ancestral da calculadora, embora Pascal já tivesse inventado um modelo.

Por esse tempo, numa correspondência particular com Fermat, Pascal admite ter sentido um especial interesse pelo estudo da geometria e da física analítica. Como de costume, ele também revolucionou o conhecimento nesse novo campo de pesquisas. Primeiro, repetiu as experiências de um certo Dr. Torricelli e provou, contra as ideias de Père Noel, que o ar possui peso. Depois, desenvolveu o barómetro, que é um instrumento para medir a pressão atmosférica e ainda conseguiu, pela primeira vez na história, produzir vácuo (total ausência de oxigénio) a partir da inversão de um frasco de mercúrio.

Um jovem que se volta para Deus

Foi em meio a essas últimas pesquisas que Pascal se sentiu totalmente atraído pelo chamado religioso. Numa noite de 1664 ele sentiu muito perto a presença de Deus, numa experiência espiritual que durou cerca de duas horas. Segundo ele escreveu nos seus Pensamentos, naquela noite, o Senhor lhe mostrou em que consistia "a grandeza e a miséria do género humano". E Pascal escolheu a grandeza, escolheu ser um servo de Deus.

A certeza que brotara no seu coração era forte demais para nutrir qualquer dúvida quanto à realidade do Céu. Porém, Pascal pensara nas pessoas que por algum motivo não tinham a mesma convicção. Ele conhecia vários intelectuais que desde há uns tempos tinham perdido a fé. Logo, aquele que tanto contribuiu para avanços matemáticos, físicos e químicos, resolveu agora usar a sua genialidade mental para testemunhar acerca do Criador de todo o universo.

Embora alguns o julgassem fanático, não era essa a intenção do seu espírito. Aliás, não havia nada que o aborrecia mais do que a fé destituída de razão. Quando criança, ele ainda se lembrava, uma doença contagiosa tinha-o deixado de cama e uma pobre mulher, que nada tinha a ver com o problema, foi responsabilizada sob a acusação de ser uma bruxa que tinha enfeitiçado o menino. Ele sabia que ela não era culpada, mas por pouco não viu a mulher ser queimada por religiosos insanos que viam demonismo em tudo, até nos acontecimentos puramente naturais. Pascal jamais se tornaria um fanático.

Argumentando sobre a existência de Deus

Pascal entendia que as argumentações racionais tinham um grande valor no discurso acerca de Deus. Mas, apesar disso, elas parecem convencer somente por algum tempo e logo perdem a força. A razão dos homens fracassa porque é uma virtude finita tentando descrever um ser infinito que está acima da compreensão humana.

Portanto, as provas racionais não devem ser abandonadas mas mescladas de fé e graça, que são elementos concedidos directamente por Deus. Elas servem, num primeiro momento, para despertar a fé no coração de alguns que insistem na descrença. Foi dessa atitude que surgiu o famoso argumento da aposta. Você já ouviu falar nele?

Tudo aconteceu quando Pascal e os seus amigos estavam um dia discutindo pensamentos numa praça da cidade de Paris. Aqueles homens eram pensadores livres e não aceitavam a existência de Deus. Pascal estava consciente disso e sabia também que eles apreciavam bastante um jogo de apostas. Então ele afirmou: "Aposto com vocês que, matematicamente falando, crer em Deus é mais lucrativo do que descrer d'Ele." "Como?" perguntou um dos seus colegas.

"É simples", respondeu Pascal.

"Você pode, enquanto ateu, ter tudo o que um crente possui: família, saúde, cultura, princípios, etc. Enquanto ateu, você pode ainda argumentar que, inquestionavelmente, ninguém lhe pode provar, que Deus existe. Logo, se você e um crente morrem, é possivel dizer que a vossa vida terminou num empate. Tudo o que um teve, o outro também possuía."

"Assim, se você estiver certo no seu ateísmo, o empate continua, pois ambos terão o mesmo fim.
Porém, se o crente estiver certo, então haverá um desempate, pois não será possível que ambos desfrutem da mesma sorte diante do juízo de Deus."

"Portanto", concluía Pascal:


"Se eu aposto por Deus e Deus existe - meu ganho é infinito
Se eu aposto por Deus e Deus não existe - não perdi nada
Se eu aposto contra Deus e Deus não existe - não perdi nem ganhei
Mas, se eu aposto contra Deus e Deus existe - então minha perda será infinita."


Infelizmente, Pascal foi um homem de saúde bastante debilitada. Não obstante, mesmo em meio às dores e fraquezas que a doença lhe proporcionava, ele entregou-se mais e mais ao Salvador crucificado. No leito de dor, ele escreveu um sublime memorial intitulado "O Mistério de Jesus", onde testemunha o seu amor pelo Filho de Deus. Com poucas forças ainda se envolveu em trabalhos de caridade e projectou um sofisticado sistema de transporte público para a cidade de Paris. Até linhas de veículos colectivos, evidentemente puxados a cavalo, estavam nesse projecto que foi executado em 1662. Em Agosto daquele mesmo ano, ele veio a falecer com apenas 39 anos de idade. Segundo alguns biógrafos, as suas últimas palavras foram: "Por favor, meu Deus, jamais me deixes sozinho."




Rodrigo Pereira da Silva - Arqueólogo - in Eles Criam em Deus
(Biografias de cientistas e sua fé criacionista)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

“NÃO PERMITAS QUE TUDO TERMINE DESTA MANEIRA”



O hospital encontrava-se impressionantemente silencioso naquela fria noite de Janeiro, silencioso e calmo como o ar, antes de uma tempestade.
Eu estava na sala das enfermeiras do 7º andar e levantei os olhos para o relógio. Eram 9 horas da noite. Coloquei o estetoscópio em volta do pescoço e dirigi-me para o quarto 712, o último quarto do corredor. O quarto 712 tinha um novo doente, o Sr. Williams. Um homem sozinho. Um homem estranhamente silencioso acerca da sua família.

Quando entrei no quarto, o Sr. Williams olhou ansiosamente, mas logo baixou os olhos quando viu que só ali estava eu, a sua enfermeira. Pressionei o estetoscópio sobre o seu peito e ouvi. Forte, vagaroso, ainda batendo. Precisamente o que eu desejava ouvir. Nem parecia que ele tinha sofrido um ligeiro ataque cardíaco poucas horas antes.
Olhou para mim, do seu imaculado leito branco. “Senhora enfermeira, poderia...” Hesitou, com os olhos cheios de lágrimas. Já uma vez antes ele tinha começado a fazer-me uma pergunta, mas tinha mudado de parecer. Toquei na mão, aguardando. Ele limpou uma lágrima. “Poderia chamar a minha filha? Diga-lhe que tive um ataque cardíaco. Um ataque ligeiro. Sabe?... eu vivo sozinho, e ela é a única família que tenho.”

Subitamente, a respiração acelerou-se-lhe. Pus o oxigénio nasal a 8 litros por minuto. “Sem dúvida, vou chamá-la”, disse eu, estudando o seu rosto. Soergueu-se levemente com os olhos fixos em mim, com uma expressão de urgência no rosto.
“Poderia chamá-la imediatamente – o mais depressa possível?” Ele estava com uma respiração rápida – demasiado rápida. “Vou chamá-la antes de mais nada”, disse eu, afagando-lhe o ombro.
Apaguei a luz. Ele fechou os olhos, belos olhos azuis no seu rosto de 50 anos. O quarto 712 ficou praticamente às escuras, iluminado apenas por uma ténue lâmpada nocturna. O oxigénio borbulhava nos tubos verdes por cima da sua cama. Com relutância em sair, dirigi-me através do sombrio silêncio para a janela. As vidraças estavam frias. Em baixo um denso nevoeiro pairava sobre o parque de estacionamento do hospital.

“Enfermeira”, chamou ele, “podia trazer-me um lápis e um papel?” Tirei um pedaço de papel amarelo e uma esferográfica do meu bolso e coloquei-os sobre a mesinha de cabeceira. Voltei para a sala das enfermeiras e sentei-me junto do telefone. A filha do Sr. Williams figurava na sua ficha como sendo a pessoa mais próxima da família. Consegui saber o seu número telefónico e liguei. A sua ténue voz respondeu.
“Janie, daqui é Sue Kidd, enfermeira de serviço no hospital. Quero dar-lhe notícias do seu pai. Ele deu entrada esta tarde com um ligeiro ataque cardíaco e...”
“Não!”, gritou ela para o telefone, alarmada. “Ele não está a morrer, pois não?” “Por agora a sua situação é estável”, disse eu, procurando mostrar-me convincente. Silêncio. Mordi o meu lábio. “Não o deve deixar morrer!” disse ela. A sua voz era tão intimativa que a minha mão tremeu ao telefone. “Estamos a tratar dele com todo o cuidado possível.” “Mas talvez tenha dificuldade em compreender...”, desculpou-se ela.

“O meu pai e eu não nos falamos há quase um ano. Tivémos uma terrível discussão quando fiz 21 anos, a propósito do meu namorado. Então saí de casa... E nunca mais voltei. Durante todos estes meses tenho tido o desejo de voltar e pedir-lhe perdão. A última coisa que lhe disse foi: 'Odeio-o'."

A sua voz fraquejou e ouvi-a irromper em agonizantes soluços. Eu estava sentada, ao ouvi-la, com lágrimas queimando-me os olhos. Um pai e uma filha, tão perdidos um para o outro. Então pensei no meu próprio pai, a muitos quilómetros de distância. Fazia já tanto tempo que eu lhe tinha dito: “Amo-o!”

Enquanto Janie lutava por controlar as suas lágrimas, balbuciei uma oração: “Por favor, ó Deus, permite que esta filha encontre o perdão.” “Vou imediatamente. Estarei aí dentro de 30 minutos”, disse ela. Clique. O telefone acabava de ser desligado.

Procurei ocupar-me com uma quantidade de fichas que estavam sobre a mesa. Não era capaz de me concentrar. Quarto 712. Eu sabia que tinha de voltar ao 712. Para lá me dirigi à pressa. Abri a porta. O Sr Williams jazia imóvel. Peguei-lhe no pulso. Não havia a mínima pulsação. «Código 99. Quarto 712. Código 99. Urgente». O alerta soou por todo o hospital dentro de segundos. O Sr. Williams tinha tido um colapso cardíaco. Com rapidez eléctrica, curvei-me sobre a sua boca, expirando ar para os seus pulmões. Coloquei as mãos sobre o seu peito e comprimi. Um, dois, três. Procurei contar. Aos 15 voltei à sua boca e respirei tão profundamente quanto pude. Como ajudar? De novo comprimi e respirei. Comprimi e respirei. Ele não podia morrer! “Ó Deus!”, orei. “A sua filha está a chegar. Não permitas que tudo termine desta maneira”.

A porta abriu-se subitamente. Médicos e enfermeiras precipitaram-se para dentro do quarto, empurrando equipamento de urgência. Um médico empreendeu a compressão manual do coração. Um tubo foi inserido através da sua boca para ajudar a respiração. Enfermeiras mergulharam seringas de medicamentos nas suas veias. Liguei o monitor do coração. Nada. Nem sequer uma palpitação. O meu próprio coração batia forte. “Deus, não permitas que termine assim. Não em amargura e ódio. A sua filha está a chegar. Que ela possa achar paz”. “Desviem-se”, ordenou o médico. Passei-lhe o equipamento para o electrochoque ao coração. Aplicou-o sobre o peito do Sr. Williams. Tentámos repetidas vezes. Mas nada. Nenhuma resposta. O Sr. Williams estava morto. Uma enfermeira desligou o oxigénio. Um a um, médicos e enfermeiros saíram, tristes e silenciosos. Como pôde isto acontecer? Como? Mantive-me junto da sua cama, atordoada.

Um vento frio fustigava a janela, salpicando as vidraças com neve. Lá fora – por toda a parte – parecia um leito de trevas e frio. Como podia eu enfrentar a sua filha? Quando deixei o quarto, vi-a no corredor. Um médico que tinha estado dentro do 712 momentos antes estava ao seu lado, falando-lhe, afagando-lhe o cotovelo. Depois seguiu o seu caminho, deixando-a aniquilada contra a parede. O seu rosto reflectia um patético horror. Os seus olhos estavam assombrados. Ela sabia. O médico tinha-lhe dito que o seu pai tinha falecido. Estendi-lhe a mão e levei-a para a sala das enfermeiras.
Sentámo-nos em pequenas cadeiras verdes, sem dizer uma palavra. Ela fixou os olhos num calendário farmacêutico, com um semblante vítreo, quase parecendo prestes a quebrar-se. “Janie, tenho tanta, tanta pena”, disse eu. “Nada se pôde fazer”. “Sabe? Eu nunca o odiei. Amava-o". disse ela.

Deus, ajuda-a, por favor, orei em pensamento. Subitamente, dirigiu-se para mim. “Desejo vê-lo”. O meu primeiro pensamento foi: 'para que há-de sofrer mais? O vê-lo apenas agravará a situação'. Mas levantei-me e pus o braço ao redor dela. Percorremos vagarosamente o corredor até ao quarto 712. Junto da porta apertei a sua mão, desejando que desistisse de entrar. Mas ela empurrou a porta. Dirigimo-nos para a cama, ambas confusas, dando pequenos passos em uníssono. Janie inclinou-se sobre o leito, e ali sepultou o seu rosto.
Procurei não olhar para ela, neste triste, triste adeus. Desviei-me para junto da mesinha de cabeceira. A minha mão pousou sobre um pedaço de papel amarelo. Peguei nele e li: “Minha querida Janie, perdoo-te. Peço-te que também me perdoes. Sei que me amas. Também te amo. Teu pai”.

O papel estava tremendo nas minhas mãos quando o apresentei a Janie. Ela leu-o uma vez. Leu-o pela segunda vez. O seu rosto atormentado tornou-se radiante. A paz começou a brilhar nos seus olhos. Apertou o pedaço de papel contra o peito. “Obrigada, ó Deus”, murmurei, olhando para a janela. Algumas estrelas cristalinas cintilavam no meio da escuridão. Um floco de neve bateu na janela e derreteu-se, desaparecido para sempre. A vida pareceu-me tão frágil como aquele floco de neve na janela. Mas, graças, ó Deus, porque relações, por vezes frágeis como flocos de neve, podem ser de novo reatadas.

Mas não há um momento a perder. Saí furtivamente do quarto e dirigi-me à pressa para o telefone. Liguei para o meu pai – para lhe dizer: “Eu amo-o”.


«Desfaço as tuas transgressões como a névoa,
e os teus pecados como a nuvem;
torna-te para Mim,
porque Eu te remi.»
Isaías 44:22.>

Sue Kidd
Revista SAÚDE E LAR - Publicadora SerVir