quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

DOENÇA OU CASTIGO?

Breve Reflexão Sobre o Sofrimento Humano



QUANDO A DOENÇA ATACA
"'Foi a vontade de Deus!' Com esta expressão geralmente responsabilizamos a Deus pelas doenças e acidentes que nos sobrevêm. É Ele realmente responsável pelo mal existente no mundo? Leia este livrinho e saiba quem é o autor do sofrimento."

"Às vezes temos que nos defrontar com momentos de crise, acompanhados de dor e sofrimento. A grande pergunta que se levanta nessas ocasiões é: 'Por que eu, Senhor?' Porque Deus está fazendo isso comigo? Mas será que é Deus, realmente, que nos aflige com preocupações, ansiedades, desencantos, dor e sofrimento? Rubem M. Scheffel responde com equilíbrio e sensatez a tão intrigantes e perturbadoras interrogações. Este livrinho é um esforço para ajudar as pessoas a encontrar uma resposta satisfatória para as suas inquietudes, perturbações e sofrimentos, e a compreender quão importante é enfrentar tais dilemas, ancorados em Alguém que nos ama e quer a nossa felicidade. É com prazer, e sentindo-me honrado, que apresento Doença é Castigo? como uma contribuição de solidariedade e ânimo aos feridos pela dor e pelo sofrimento."
Pastor Floriano Xavier dos Santos

John e Cláudia tinham pouco mais de 20 anos e eram recém-casados. Estavam felizes. Mas essa felicidade durou apenas um ano. Cláudia contraíra a doença de Hodgkins – cancro das glândulas linfáticas, e os médicos diziam que sua chance de vida era de apenas 50%. Os cirurgiões fizeram-lhe um corte que ia da axila até ao abdómen e removeram todo e qualquer traço visível da doença. Fraca e confusa, ela estava ali, num leito de hospital.
John trabalhava como assistente de capelão. Embora ele e a esposa fossem cristãos, sentiram revolta contra Deus. Revolta contra um parceiro a quem eles amavam e que Se tinha virado contra eles.
- Ó Deus, por que nós? Deste-nos apenas um ano de casamento feliz para então nos trazeres esta dor? - clamaram eles.
"O tratamento de cobalto arruinou o organismo de Cláudia. Ela perdeu a beleza. Sentia-se constantemente cansada, sua pele tornou-se escura, o cabelo começou a cair, e a garganta estava sempre inflamada e ferida. Vomitava quase tudo o que comia. Os médicos precisaram suspender o tratamento por algum tempo, pois a garganta havia inflamado de tal maneira que ela não podia engolir nada. Todos os dias Cláudia pensava em Deus e na dor que sentia, principalmente quando estava na sala de tratamento. Naquela sala fria, estirada numa mesa, ela ouvia o chiado e o estalido do aparelho, bombardeando-a com partículas invisíveis. Cada dia de radiação fazia o seu corpo envelhecer meses." 1

As Visitas
De início, Cláudia esperava consolo e conforto dos seus amigos cristãos. Mas isso nem sempre acontecia.
+ Um diácono de sua igreja disse-lhe que ela deveria meditar solenemente naquilo que Deus estava tentando ensinar-lhe.
- Deve haver alguma coisa em sua vida que desagrada a Deus. Você deve ter deixado de fazer a Sua vontade. Estas coisas não acontecem por acaso. Procure descobrir o que é que Deus está querendo lhe dizer.
+ Outro dia apareceu uma senhora gorda, trazendo flores. Ela cantou hinos e recitou lindos salmos, sempre batendo palmas. Todas as vezes que a doença de Cláudia era mencionada, ela depressa mudava de assunto. Queria afastar o sofrimento com o seu entusiasmo e boa vontade. Mas quando ela se foi, as flores murcharam, não mais se ouviram os hinos, e Cláudia se viu face a face com outro dia de dor.
+ Outro visitante disse a Cláudia que a única solução seria buscar a cura divina.
- A doença jamais é da vontade de Deus - insistia ele. - É o que a Bíblia diz. O diabo está alerta, e Deus espera que você tenha fé e acredite que será curada. Lembre-se, Cláudia, que a fé remove montanhas, inclusive o cancro. Se de todo o coração acreditar que será curada, Deus responderá às suas orações.
Nas manhãs seguintes, Cláudia tentou 'aumentar a fé', enquanto estava deitada na sala de tratamento de cobalto. Mas essa questão 'de aumentar a fé' pareceu-lhe um processo terrivelmente cansativo, e ela não pôde descobrir como conseguir isso.
+ Outra senhora, muito consagrada, veio ler para ela livros sobre louvar a Deus por tudo.
- Cláudia, você precisa chegar ao ponto de poder dizer: Ó Deus, eu Te amo por me fazeres sofrer desta maneira. É a Tua vontade. Tu sabes o que é melhor para mim. Agradeço-Te por tudo, inclusive por esta experiência.
Ao meditar no que a senhora dissera, a mente de Cláudia se encheu de visões horríveis e cruéis de Deus. Imaginou um gigante, tão grande quanto o Universo, que tinha prazer em esmagar entre os dedos pobres criaturas humanas, pulverizando-as com os punhos e arremessando-as contra pedras pontiagudas. E os seres humanos continuavam a ser torturados até que gritassem: "Ó Deus, eu Te amo por fazeres isso comigo."
Essa ideia lhe era repulsiva. Cláudia não podia adorar nem amar um Deus assim.
+ Outro visitante, o pastor da sua igreja, fê-la sentir que estava cumprindo uma missão:
- Você, Cláudia, tem o privilégio de participar dos sofrimentos de Cristo. Você foi escolhida para sofrer por Ele, e Ele a recompensará. Deus a escolheu por causa de sua integridade, assim como Ele escolheu a Jó. Ele a está usando como exemplo. A fé de outros poderá aumentar por causa da sua atitude.

Qual desses visitantes estaria com a razão? O diácono, que lhe disse que a doença era castigo divino por algum pecado; a viúva, que procurava ignorar a doença com cânticos e muita alegria; o visitante, que afirmou que a única solução era buscar a cura divina; a senhora, que a aconselhou a agradecer a Deus por fazê-la sofrer; o pastor, que a considerou mártir, usada por Deus, para benefício de outros?

Resposta difícil, não é mesmo? Muito difícil. Vamos ver rapidamente outro caso.
Um homem, que estava ficando cego, escreveu uma carta para um pastor. E a carta dizia, em resumo, o seguinte: "O que eu preciso é ver, para acreditar que Deus não me odeia. Será que Deus não sabe o que está fazendo comigo?... Quase não posso mais ver o que estou fazendo, e tenho que tatear como um velho urso. Praguejo e digo palavrões, e imagino que estou condenado ao inferno... Por que Deus está fazendo isso comigo? Por que Ele não me devolve a visão? Só consigo ver a calçada agora, mas quando eu mergulhar totalmente nas trevas, sei o que vou fazer..." 2
Ele certamente se referia àquilo que 16 mil americanos haviam feito no ano anterior: cometer suicídio.

Tanto num caso como nos outros várias pessoas atribuíram a responsabilidade pela doença a Deus. Deus estava castigando Cláudia. Deus queria que Cláudia fosse participante dos sofrimentos de Cristo. Deus a fazia sofrer e ainda esperava gratidão. Deus é o responsável pela cegueira desse pobre homem. E em inúmeros outros casos de doenças ou acidentes, Deus é quase sempre direta ou indiretamente responsabilizado. Afinal, Ele é ou não é soberano? A Bíblia não diz que "nenhum pardal cai ao chão sem que seja do consentimento de nosso Pai celestial?" (São Mateus 10:31) Por que, então, Ele permite que os seres humanos, especialmente os Seus filhos, sofram?

SOFRIMENTO É CASTIGO?

Se Deus estivesse dando a cada um segundo as suas obras, agora, então os maus deveriam estar sempre sofrendo e os justos sempre prosperando, porque Deus é um Deus de justiça. A realidade, porém, mostra que muitas vezes são os justos que sofrem e os ímpios que prosperam!
Essa ideia de que os pecados são punidos nesta vida é muito antiga. Os antigos judeus pensavam assim. Vejam a seguinte declaração: "Toda a enfermidade era considerada como o castigo de qualquer mau procedimento, fosse da própria pessoa, fosse de seus pais. É verdade que todo sofrimento é resultado de transgressão da lei divina, mas esta verdade fora pervertida. Satanás, o autor do pecado e de todas as suas consequências, levara os homens a considerarem a doença e a morte como procedentes de Deus - como castigos arbitrariamente infligidos por causa do pecado. Daí, aquele sobre quem caíra grande aflição, sofria além disso o ser olhado como grande pecador." 3

Mesmo os discípulos pensavam que a dor e o sofrimento eram juízos divinos. Certa ocasião, quando Cristo Se viu face a face com um homem cego de nascença, Seus discípulos Lhe perguntaram: "Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais." São João 9:2 e 3. A ideia pagã de que a desgraça e o sofrimento se abatiam sobre as pessoas como juízos arbitrários de Deus era repulsiva a Jesus.
Noutra ocasião, disseram a Jesus que os galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam, deviam ter sido muito ímpios para receber tal tratamento. Jesus, porém, respondeu: "Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Não eram, Eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.
Ou cuidais que aqueles dezoito, sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, Eu vo-lo afirmo." São Lucas 13:2-5.

Jesus, portanto, deixou bem clara essa questão. Embora o sofrimento e a morte sejam consequências naturais do pecado, o pecado não vem de Deus, e Deus não está punindo o pecado, agora. Se a doença fosse um castigo divino, que direito teríamos de procurar os médicos para sermos curados? Estaríamos agindo contra a vontade divina.

E A CURA DIVINA?

Caso de Ezequias
A Bíblia conta o interessante caso da doença do rei Ezequias e sua cura maravilhosa. Ele havia adoecido de uma enfermidade mortal, e tomou conhecimento disso através do profeta Isaías, que lhe disse: "Assim diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás." II Reis 20:1. O rei, inconformado, virou o rosto contra a parede, chorou muito e orou ao Senhor lembrando a sua fidelidade no passado e pedindo que lhe prolongasse a vida. Em atendimento à sua oração, Deus imediatamente mandou que o profeta Isaías retornasse a Ezequias com uma nova mensagem: "Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que te curarei; ao terceiro dia subirás à casa do Senhor. Acrescentarei aos teus dias quinze anos." II Reis 20:5 e 6. Orientado por Isaías, foi colocada uma pasta de figos sobre a chaga de Ezequias, e ele sarou.

Há várias lições que se podem tirar desse episódio.

Em 1º lugar, observamos que nem todas as profecias são necessariamente absolutas, mas podem ser condicionais, como ocorreu no caso de Nínive (Jonas 3:4-10). Se orarmos, Deus poderá fazer por nós o que não faria se não orássemos.
Em 2º lugar, quando Lhe pedimos que nos cure, devemos fazê-lo com um espírito submisso, pois só Deus sabe se o atendimento a essa oração será para o bem do suplicante e se redundará em glória para Deus. Ao orar pelos enfermos, alguns têm cometido o erro de quase exigir que Deus conceda vida e saúde ao que sofre. A vida dos que assim se salvaram, em muitos casos não honrou posteriormente a Deus. Teria sido melhor que essas pessoas tivessem baixado à sepultura enquanto tinham a esperança da salvação. O prolongamento da vida de Ezequias é um exemplo desse fato, pois foi nesse período de acréscimo que ele cometeu o único erro grave de sua vida (versos 12-19). Se em sua oração Ezequias tivesse dito: "Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como Tu queres" (São Mateus 26:39), poderia ter morrido com o registo de uma vida irrepreensível. 4
Em 3º lugar, observamos que nesse caso o homem se valeu de um remédio (natural) para ajudar a operar uma cura milagrosa. Deus deseja que façamos aquilo que está ao nosso alcance, com os recursos que temos. Quando estes são insuficientes para alcançar o objetivo desejado, Ele provê ajuda adicional aos processos naturais, se Lho pedirmos e se isto for de Sua vontade. Ezequias, portanto, foi curado porque se voltou humildemente para Deus e, com o auxílio dos remédios disponíveis, aliados à ajuda divina, restabeleceu-se.

Mas o Velho Testamento também conta a história de outro rei que adoeceu, e dessa vez o resultado foi outro.
Diz o relato bíblico: "No trigésimo nono ano do seu reinado caiu Asa doente dos pés; a sua doença era em extremo grave, contudo na sua enfermidade não recorreu ao Senhor, mas confiou nos médicos. Descansou Asa com seus pais; morreu no ano quarenta e um, do seu reinado." II Crónicas 16:12 e 13.
No passado, o rei Asa havia confiado em Deus, a ponto de merecer um bom registo bíblico: "Asa fez o que era reto perante o Senhor, como Davi, seu pai." I Reis 15:1l. Mas em vez de continuar confiando em Deus, nos últimos anos de seu reinado ele passou a depender quase que exclusivamente da ajuda humana, tanto na administração pública como na enfermidade. E a sua doença, que alguns acreditam ter sido gangrena, lhe causou a morte.
O grande erro de Asa foi ter confiado apenas nos médicos de seu tempo, que eram pouco mais do que curandeiros, já que a Medicina e a feitiçaria andavam de mãos dadas naqueles tempos remotos.

Mesmo hoje, com todos os recursos médicos que temos, não deveríamos jamais prescindir da ajuda divina. Mas confiar em Deus, por outro lado, não significa dispensar os cuidados médicos. Em outras palavras, não devemos optar por um com exclusão do outro, pois Deus deseja operar em associação conosco.
Um capelão americano contou que muitos dos pacientes que davam entrada no hospital se sentiam culpados por isso. Eles desabafavam dizendo: "Se eu tão-somente tivesse tido a necessária fé, eu poderia ter sido curado pelo poder da oração, evitando assim despesas médicas e hospitalares!" Mas essa atitude é incorreta, pois embora Deus deseje operar milagres ainda hoje, há certas condições que precisam ser observadas:

1. Tanto quanto possível, Ele quer que façamos a nossa parte, caso contrário a operação de milagres nos encorajaria à preguiça. Se a pessoa precisa fazer exercício físico para curar-se de insónia, não adiantará orar, ao mesmo tempo que negligencia os exercícios, pois a oração não é substituto para o trabalho.
Temos hoje um acervo extraordinário de conhecimentos médicos, e Deus certamente não deseja que desprezemos esses recursos, trocando-os pela oração, e esperando de braços cruzados que Ele faça tudo, enquanto não fazemos nada. É preciso unir a ajuda humana com a divina, em vez de optar por uma com exclusão da outra.
2. Deve-se unir a cura à educação e reforma. Se o doente contraiu uma enfermidade devido à transgressão de leis naturais, ele deve ser orientado a corrigir seus hábitos de vida, pois Deus não é honrado em curar alguém apenas para que este continue a viver erroneamente e contrair novamente a mesma doença da qual já foi curado uma vez.
3. Deus nos ouve se pedirmos alguma coisa segundo a Sua vontade. (I São João 5:14 e 15.) Algumas coisas que desejamos ardentemente, inclusive a cura, podem não estar de acordo com a vontade de Deus." 5
4. Embora Deus tenha poder para curar, Ele nem sempre o faz, porque uma doença pode ser usada por Deus como um instrumento de correção para produzir frutos (ver II Coríntios 4:17). O apóstolo Paulo é um exemplo de alguém que por três vezes orou pedindo a cura para o seu "espinho na carne" e não foi atendido. A resposta divina foi: "A Minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza." II Coríntios 12:9. E qual foi a reação do apóstolo Paulo diante dessa recusa? Passou o resto da vida choramingando e reclamando? Não. Ele se conformou dizendo: "De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo." (Verso 9.)
Dessa experiência podemos concluir que precisamos confiar na sabedoria divina e aceitar a Sua decisão. Se Ele decidir não nos curar, devemos nos conformar e crer que isto também é para o nosso bem eterno, pois "todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus".

O SENHOR É A MINHA LUZ


VÁRIAS CAUSAS DE SOFRIMENTO

Dentre  as  Muitas  Causas  de  Sofrimento,  Queremos  Salientar  Aqui  as  Seguintes:

1. Em primeiro lugar, temos o SOFRIMENTO QUE É COMUM A TODA A CRIAÇÃO, a qual geme sob o efeito do pecado. Não só o homem, mas também os animais e a Natureza em geral.
Quando Adão e Eva pecaram, surgiram os espinhos, que devem tê-los espetado algumas vezes, fazendo-os sofrer. Quando Adão foi lavrar a terra, pela primeira vez sentiu cansaço, e grossas gotas de suor escorreram-lhe pela face. Daí ele entendeu o que Deus lhe havia dito: "No suor do teu rosto, comerás o teu pão." Adão também notou que a terra havia perdido parte da sua fertilidade, que haviam surgido pragas, e que ele agora precisava trabalhar mais para colher menos. Os animais, que antes eram vegetarianos, passaram a se devorar uns aos outros.
E quando Eva teve o seu primeiro filho, sem anestesia, entendeu as palavras divinas: "Com dor terás filhos." Assim, o sofrimento se tornou comum a todos, como consequência do pecado. Como diz Salomão, em Eclesiastes 9:2 e 3 "Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao perverso; ao bom, ao puro e ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o mesmo."

2. Em segundo lugar, temos o sofrimento causado por ESCOLHAS ERRADAS que fazemos na vida. Deus nos concedeu livre-arbítrio, mas essa liberdade acarreta responsabilidade, conforme diz o apóstolo Paulo: "Aquilo que o homem semear, isso também ceifará." Gálatas 6:7.
Por exemplo: Se o homem transgredir as leis sociais, ele poderá perder a liberdade. Se transgredir as leis das relações humanas, colherá inimizades. Se transgredir as leis de trânsito, poderá colher um acidente. SE TRANSGREDIR AS LEIS DE SAÚDE, COLHERÁ ENFERMIDADES. Se desafiar as leis físicas, como a lei da gravidade, irá cair ao solo e, dependendo da altura, poderá perder a vida. É interessante notar que Satanás tentou Jesus a transgredir exatamente essa lei. Levou-O ao pináculo do Templo e disse-Lhe: "Pula daqui! Deus irá Te proteger!" Mas Jesus Se recusou a fazer tal exibicionismo, deixando-nos essa preciosa lição. Deus não pode anular as leis que Ele próprio estabeleceu, porque senão o Universo viraria uma anarquia.
A lei da causalidade é uma das leis mais inflexíveis que existe. Plantou, colhe. A toda causa segue-se uma consequência. No entanto, os homens muitas vezes acionam as causas e esperam que Deus remova as consequências... Mas Deus dificilmente faz isso.
O homem pode até aceitar sofrer como consequência de seus erros. O que ele não admite é pagar pelos erros alheios. Você pode estar no seu direito e ser atropelado por um bêbado!!! É que nós fazemos parte de uma sociedade em que os erros de uns poucos, podem fazer toda a sociedade sofrer. Se o governo toma uma decisão errada, toda a Nação pode sofrer. Foram poucos os que decidiram a Segunda Guerra Mundial. E milhões de inocentes, que não escolheram a guerra sofreram os seus efeitos.
A vida moderna se tornou tão entrelaçada, tão interdependente, que o erro de uma pessoa-chave nessa sociedade, pode afetar milhares de pessoas. E o cristão, certamente, não está isento desse tipo de sofrimento.

3. Sofrimento causado por CATÁSTROFES NATURAIS. Jesus disse que antes do fim haveria fomes e terremotos em vários lugares (São Mateus 24:7). Os terremotos, furacões, raios, inundações, atingem uma pessoa sem lhe perguntar se é boa ou má. Não é verdade que atingem os maus e poupam os bons. Como também não é verdade que as pessoas atingidas estejam sendo castigadas.
Um crente, ao sair da igreja após o culto, foi atingido mortalmente por um raio. Alguns irmãos, muito piedosos, julgaram que ele devia ter algum pecado oculto em sua vida, já que o castigo veio de cima, de modo fulminante. Concluíram que isso só podia ser uma manifestação da ira divina.
Mas Deus não está punindo o pecado, agora. Um terremoto na Índia derrubou o prédio de uma missão e deixou em pé, ali perto, um prostíbulo. Na Birmânia, entretanto, um terremoto destruiu toda uma localidade, deixando intacta apenas a casa de um cristão. E isso foi considerado um ato especial da Providência. 6
Interessante: quando um cristão é poupado, numa catástrofe ou acidente, dizemos que houve um milagre divino. Mas quando um descrente é poupado, dizemos que "bicho ruim não morre!"
Se fosse possível provar que o cristão é sempre poupado, nos sofrimentos e calamidades, as multidões afluiriam às igrejas e aceitariam o cristianismo e sua proteção como se estivessem obtendo uma apólice de seguro. Com isso o cristianismo se degradaria, e também o cristão, pois ele não teria a disciplina necessária para viver num Universo regido por leis imparciais.
A Bíblia indica que Satanás tem poder para causar catástrofes, operando através dos elementos da Natureza. A experiência de Jó, que analisaremos no tópico seguinte, deixa claro que Satanás foi quem fez se levantar um "grande vento da banda do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre eles (os filhos de Jó) e morreram". Jó 1:19.
Por trás dos violentos furacões, tempestades, inundações, maremotos, terremotos, está a mão de Satanás. E à medida que nos aproximamos do final da história deste mundo, podemos esperar que essas calamidades não apenas cresçam de intensidade, mas que também se tornem mais frequentes. Diz o Apocalipse: "Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta." Quanto menos tempo ele tem, maior a sua ira. E quanto mais ira, mais destruição.
É interessante observar, por exemplo, o aumento na frequência dos terremotos. Veja a tabela seguinte:


4. Sofrimento POR CAUSA DA JUSTIÇA. Jesus disse: "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça." São Mateus 5:10.
O caso de Jó é uma boa ilustração desse facto. É o pior caso de sofrimento mencionado na Bíblia. E porque sofreu Jó? Por causa de algum pecado? Isso era o que os seus três amigos pensavam. Foram vê-lo a fim de consolá-lo e acabaram acusando-o. Diz o papa João Paulo II: "Dir-se-ia que os velhos amigos de Jó querem não só convencê-lo da justeza moral do mal, mas, de algum modo, procuram defender, aos seus próprios olhos, o sentido moral do sofrimento. Este, a seu ver, pode ter sentido somente como pena pelo pecado; e portanto, exclusivamente no plano da justiça de Deus, que paga o bem com o bem e o mal com o mal." 7
No entanto, a história de Jó revela claramente que por trás de todo o seu sofrimento estava a atuação de Satanás, arrebatando-lhe as posses, os filhos e a saúde. Se Deus lho permitisse, ele teria também tirado a vida de Jó.
Satanás dissera a Deus que Jó só O servia por interesse. Deus, porém, tinha certeza de que Jó O servia por amor. Como Satanás duvidasse, Deus lhe permitiu afligir a Jó. A provação foi dura, mas valeu. Satanás foi derrotado.
E o melhor veio depois. Quando Jó orava pelos seus amigos, Deus mudou-lhe a sua sorte e deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra. E outros dez filhos. O Sofrimento dos Mártires pode pertencer a este grupo, como também o do homem cego, que foi curado, conforme se acha registado em São João 9:3: "Para que se manifestem nele as obras de Deus".
Nós estamos no meio desse fogo cruzado entre Cristo e Satanás, e podemos ficar feridos. É o risco que todos nós corremos, desde que o homem (Adão e Eva) entregou a Satanás, de presente, o domínio da Terra.

5. Sofrimento PARA DISCIPLINAR. Aqui nós temos mais uma demonstração do amor de Deus: "O Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe... pois, que filho há a quem o pai não corrige?" Hebreus 12:6-8. "Eu repreendo e disciplino a quantos amo." Apocalipse 3:19. Nascemos com tendência para o pecado, e de vez em quando precisamos de uma reprimenda, a qual, às vezes, toma a forma de sofrimento. A experiência de Saulo, na estrada de Damasco, seguida de três dias de jejum e cegueira, e talvez de visão deficiente para o resto da vida, poderão também pertencer a este grupo.

6. Sofrimento relacionado com PECADOS GRAVES E ESPECÍFICOS. Alguns exemplos, notadamente no Velho Testamento, não parecem deixar dúvida de que a transgressão foi punida exemplarmente por Deus. Nadab e Abiú eram sacerdotes, trouxeram fogo estranho perante Deus e foram mortos. Uzá tocou a arca, desobedecendo à proibição divina, e foi fulminado. Davi mandou matar Urias para apossar-se de sua esposa, e então Deus, através do profeta Natã, mandou dizer-lhe que sobreviriam problemas de todo o tipo sobre ele, o seu reino, o seu povo, e sobre o bebé, o qual morreria. E tudo aconteceu conforme predito. (Ver II Samuel 12:7-19)
Já no Novo Testamento, temos os exemplos de Ananias e Safira, os quais pecaram contra o Espírito Santo e foram punidos exemplarmente. Herodes foi ferido por um anjo do Senhor, conforme relatado em Atos 12:23.
Mas esse tipo de sofrimento pode ser considerado raro, e talvez inexistente na era moderna. Através da História Deus já demonstrou claramente a Sua repulsa pelo pecado, e não precisa ficar multiplicando exemplos. Portanto, repetimos que não se deve dizer que Deus está punindo alguém que esteja sofrendo, porque ninguém sabe em que tipo de sofrimento está envolvido. Isso será sempre um teste para a sua fé.

PORQUÊ, SENHOR?

Muitas pessoas boas, tementes a Deus, têm a vida repentinamente abreviada ou mutilada, através de uma catástrofe, acidente ou doença, deixando no ar a pergunta: "Porquê, Senhor? Era um bom cristão, estava fazendo a Tua obra, e ainda tinha a vida pela frente. Por que ele, e não outro?"
Deus dificilmente responde a esta pergunta. Este é um mistério para o qual só teremos uma resposta definitiva na eternidade. Mas às vezes a vida nos dá algumas indicações. Vejamos a experiência de Fred Adams, missionário americano no México. Ele estava um dia trabalhando na construção de um galpão que abrigaria a marcenaria da escola, quando o telhado veio abaixo lançando-o no piso de concreto. A queda quebrou-lhe o pescoço deixando-o paralítico.
Até aquele instante a vida lhe sorrira. Estava casado com Diana havia seis anos e ambos desfrutavam a alegria de criar o seu filhinho de um ano e meio de idade. Havia aceite o convite para trabalhar como professor-missionário no México e se dedicava de coração a essa tarefa. Mas em apenas cinco segundos sua vida mudara completamente. A longa viagem de avião para o Centro Médico, Adventista, da Universidade de Loma Linda na Califórnia, foi seguida de uma cirurgia e cinco meses de reabilitação intensiva. Teria de encarar o futuro, agora, numa cadeira de rodas. Não havia qualquer esperança de voltar a andar, e nem mesmo de poder usar os seus dedos novamente.
Inúmeras vezes foi confrontado com a pergunta: "Porquê, Senhor? Estas coisas acontecem a outras pessoas... Mas a um missionário fazendo o trabalho de Deus? Oh, Deus, eu não consigo entender!" Entretanto, alguns meses após ter recebido alta do hospital, ocorreu algo que o ajudou a entender a situação um pouquinho melhor. Seu filhinho Daniel havia estado doente o dia todo, e não conseguia segurar qualquer alimento ou líquidos no estômago. À tardinha ele se achava debilitado e com muita sede. O pediatra, porém, havia recomendado que os pais esperassem duas horas após Daniel ter tentado tomar algum líquido. Então ele poderia tomar duas colheres de água. Se não a devolvesse, poderia receber quantidades crescentes a cada meia hora.
Às sete horas da noite o garoto estava com muita sede e pedia algo para beber. Os pais sentiam agonia por verem o menino choramingar pedindo água e terem de negá-la. Como pais amorosos, eles queriam explicar-lhe a situação: ele receberia a água mais tarde. Eles o estavam fazendo esperar porque esse era o melhor caminho. Se lhe dessem água agora, isso iria lhe fazer mais mal do que bem. Mas Daniel era pequeno demais para entender o problema.
Durante esses longos e agonizantes momentos, Fred pensou em sua própria situação. Todos os dias ele suplicava a Deus que o curasse, devolvendo-lhe o corpo sadio que sempre tivera. De repente, ele teve a percepção de que Deus estava sofrendo com ele e com as demais pessoas que sofrem. Quase podia sentir os Seus amorosos braços circundando-o e apertando-o contra o Seu peito. Parecia ver grossas lágrimas escorrendo-Lhe pela face, enquanto dizia: "Fred, Eu o amo muito mais do que você pode compreender. Eu tenho poder, e posso curá-lo, mas este ainda não é o momento certo. Meu querido filho, Eu sinto muito ter de permitir que isto lhe aconteça. Se houvesse uma maneira melhor, Eu o pouparia desse sofrimento. Não tenha dúvida quanto a isto! Mas preciso deixar que Satanás demonstre as suas obras diante do Universo. Todos devem testemunhar os resultados da sua administração na Terra. Você, portanto, está cumprindo o mais elevado propósito de sua existência: defender a Minha bondade perante o Universo! Quando os demais seres criados virem como o pecado destrói o que é belo, causando apenas sofrimento e morte, ninguém jamais irá questionar a Minha soberania. O seu sofrimento, Fred, poupará bilhões de criaturas de passarem pela mesma agonia. Em breve Satanás e seus seguidores serão eternamente destruídos, e então tudo voltará a ser como antes: felicidade completa. Apenas tenha um pouco de paciência até que tudo termine!" 8
Naquela mesma noite o pequeno Daniel pôde saciar a sua sede, e na manhã seguinte estava bem melhor. E da mesma maneira como Daniel foi curado, Deus pode também curar a todo aquele que sofre. Mas se Ele não o fizer agora, fará quando Jesus voltar. É só uma questão de tempo! Logo Jesus voltará e porá fim à dor, conforme a promessa feita em Apocalipse 21:3 e 4 - "Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram."

PORTANTO,  AGUENTE  FIRME!  VALE  A  PENA  ESPERAR!

Referências
1. Yancey, Philip. Deus Sabe Que Sofremos. Editora Vida, págs. 8-ll.
2. Hegstad, Roland R. Who Causes Man's Suffering? Review and Herald Publishing Association, Hagerstown, MD, EUA, 1965.
3. White, Ellen G. O Desejado de Todas as Nações. Casa Publicadora Brasileira, 1990, pág. 471.
4. Comentário Bíblico Adventista Del Septimo Dia, Pacific Press Publishing Association, Mountain View, California, EUA, vol. 2, pág. 959.
5. Endruveit, Wilson H. Movimento Carismático. Instituto Adventista de Ensino, 1976, pág. 55.
6. Jones, E. Stanley. Cristo e o Sofrimento Humano. Editora Vida, 1991, págs. 18 e 19.
7. João Paulo II. O Sentido Cristão do Sofrimento Humano. Editora Vozes, Petrópolis, 1984, pág. 16.
8. Why? Fred Adams. Adventist Review, March 22, 1990, págs. 12 e 13.

"Prezado leitor: Se você gostou desta leitura, recomende-a a outros. Lembre-se de que 'livro é presente de amigo'."
Rubem M. Scheffel, Pastor e Escritor, Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, São Paulo


sábado, 7 de novembro de 2015

TRINDADE:  PAGÃ  OU  CRISTÃ?



O tema da Divindade é algo que devemos abordar com absoluta reverência e solenidade. E é com esse espírito que sugiro aos prezados amigos, e irmãos e irmãs na fé, a lerem, em espírito de oração, os seguintes textos bíblicos:

Mateus 12:31-32: "Portanto, Eu vos digo: Todo o pecado e blasfémia se perdoará aos homens; mas a blasfémia contra o Espírito Santo não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoada; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro."
João 14
João 15:26-27: "Mas, quando vier o Consolador, que Eu da parte do Pai vos hei-de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, Ele testificará de Mim. E vós também testificareis, pois estivestes Comigo desde o princípio."

João 16:7-16: Todavia, digo-vos a verdade, que vos convém que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei. E, quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em Mim; da justiça, porque vou para Meu Pai, e não Me vereis mais; e do juízo, porque o príncipe deste mundo está julgado.
Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir. Ele Me glorificará, porque há-de receber do que é Meu, e vo-lo há-de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é Meu; por isso vos disse que há-de receber do que é Meu e vo-lo há-de anunciar. Um pouco, e não Me vereis; e, outra vez um pouco, e ver-Me-eis; porquanto vou para o Pai."

Em João 10:30 lemos que Jesus diz o seguinte: "Eu e o Pai somos um". Este texto aqui tem a ver, como outros textos, com uma unidade unida.

Mateus 28:19: "Portanto, ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Sobre este texto Ellen G. White comentou o seguinte: "O Pai, o Filho e o Espírito Santo, os três santos dignitários do Céu, declararam que fortalecerão os homens a vencer os poderes das trevas. Todas as facilidades do Céu estão garantidas àqueles que, por meio dos seus votos baptismais, entraram num concerto com Deus." (Manuscrito 92, 1901; citado em SDABC, vol. 5, pág. 1110). Reparemos que Jesus, ao prometer estar com os discípulos até à consumação dos séculos, envolve, nesse estar, também o Pai e o Espírito Santo. Portanto, podemos ter confiança em vencer os poderes das trevas com a ajuda divina do Trio celestial.

Face a estes textos e outros nas Sagradas Escrituras e nos escritos de Ellen G. White
chego, pessoalmente, à conclusão de como devo entender Deus.

Assim:

DEUS:  Pai,  Filho,  Espírito Santo.

A Palavra Trindade Nunca Aparece Na Bíblia. Mas O Conceito Que Lhe Dá Origem Está Lá Claramente Explícito.

Quando Jesus ordenou, nas Suas palavras finais, que os Seus discípulos fossem por todo o mundo a pregar o evangelho, disse-lhes: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo." (Mateus 28:19). Quem poderá afirmar, com absoluta honestidade, veracidade e certeza, que Jesus nunca proferiu estas palavras? Há quem afirme que elas foram acrescentadas, séculos mais tarde, ao evangelho para servir de base à 'doutrina pagã' da Trindade. Mas com que autoridade o podem afirmar? Autoridade divina ou humana? Em nenhum dos escritos, divinamente inspirados, encontramos tal afirmação ou qualquer indício que tal tivesse acontecido ou viesse a acontecer. Por outro lado, também ouvimos que não podemos elaborar doutrina num único versículo da Bíblia. Mas é bom recordarmos que o Senhor Jesus Cristo, quando foi confrontado por Satanás no deserto, não utilizou mais do que um versículo para cada tentação que o tentador Lhe apresentou. E foi o suficiente para rebater o embusteiro, que se apresentou como um anjo de luz. Por muito eloquentes e deslumbrantes que nos possam parecer as afirmações de certos indivíduos sobre a negação da Trindade, devemos enfrentar toda e qualquer afirmação com um "Está Escrito" (Lucas 4, Mateus 4). Não é necessário que apresentemos vários ou muitos versículos, basta um bem escolhido como fez o Senhor.

Os Pioneiros Adventistas e a Trindade
É verdade que alguns dos pioneiros Adventistas não acreditavam na Trindade. Achavam-na uma doutrina pagã, e um ou outro até a classificou de 'aberrante'. E isto porquê? Porque a maioria deles provinha de igrejas evangélicas que eram unitarianas. Depois do grande desapontamento de 1844, a maioria dos crentes que aguardara a vinda de Jesus, desapontados por tal não ter acontecido, voltaram para as suas igrejas anteriores. E alguns nunca mais professaram qualquer tipo de fé.
No entanto, um reduzido número de crentes, acreditou que a profecia das 2300 tardes e manhãs ter-se-ia cumprido. Como tal buscaram, com zelo e afinco, dia e noite, estudar as Sagradas Escrituras para se certificarem onde teriam errado na interpretação da mesma. Durante dois anos, 1845 a 1847, reuniram-se regularmente para esse estudo. Foi mediante esse estudo que os Adventistas lançaram as bases sólidas das doutrinas bíblicas, que hoje professam, assim como compreenderam o que ocorrera em 1844 e a razão do desapontamento.
Entre esse grupo encontrava-se o Pastor Tiago White e a jovem Ellen Gould Harmon. Enquanto estudavam e debatiam passagens das Escrituras sobre as quais nenhum dos presentes tinha uma compreensão idêntica, a jovem Ellen, ao recordar esses estudos, afirma que se sentia terrivelmente desconfortável por não conseguir acompanhar o raciocínio dos irmãos no decorrer das discussões. Afirma mesmo que a sua mente estava como que trancada, bloqueada. Quando os ânimos ficavam mais exaltados, o Pastor Tiago White, de índole pacífica, propunha que se ajoelhassem e buscassem o Senhor a fim de chegarem a uma compreensão unânime. Então todos oravam com esse objectivo. Quando chegava a vez da jovem Ellen orar, normalmente, ela era tomada em visão e descrevia o que o Senhor lhe revelava acerca do assunto em discussão. Os presentes ficavam encantados com a explicação simples e clara e interrogavam-se sobre a razão de não terem compreendido as coisas dessa maneira antes.


Escritos Adulterados
Há quem afirme, categoricamente, que os escritos de Ellen G. White foram 'abusivamente adulterados', antes de terem sido publicados. A este respeito gostaria de descrever, a seguir, o testemunho pessoal de Milian Lauritz Andreasen (1876-1962), autor de vários livros, entre os quais "O Ritual do Santuário", conhecido de muitos Adventistas do Sétimo Dia portugueses. Tendo sido ordenado ao ministério em 1902, decidiu, logo que lhe foi possível, ir visitar pessoalmente Ellen G. White, na sua casa em Elmshaven, Califórnia. Foi muito bem recebido e aí ficou vários dias, tendo-lhe sido facultado verificar, abertamente, tudo o que se passava durante o dia de trabalho tanto dela como dos seus assistentes. Eis o que ele concluiu:
"Aprendi, para minha grande surpresa, que a senhora White escrevia com a sua própria mão tudo o que era publicado sob a sua assinatura. Tendo escrito um texto, passava-o para os seus copistas o dactilografarem. Depois disso ter sido feito, o manuscrito era-lhe devolvido para correcção. Ao ver esse processo, dia após dia, fiquei com a certeza de que nenhumas correcções eram feitas, a não ser sob a sua direcção, e que aquilo que aparecia nos periódicos ou livros sob a sua assinatura, era o seu próprio trabalho exactamente como tinha vindo da sua pena, com as correcções que ela própria tinha feito, ou as que faziam com a sua aprovação.
Para mim isto era um assunto vital, pois tinha sido informado que os seus copistas mudavam, alteravam, omitiam, ou acrescentavam àquilo que ela tinha escrito, de modo que o que aparecia impresso era muito diferente do seu manuscrito original. A minha experiência convenceu-me que esta afirmação era pura fabricação." - A Faith to Live By, págs. 300-301.


Concílio Celestial Sobre a Redenção
"A Divindade moveu-Se de compaixão pela raça, e o Pai, o Filho e o Espírito Santo deram-Se a Si mesmos ao estabelecerem o plano da redenção. A fim de levarem a cabo plenamente esse plano, foi decidido que Cristo, o unigénito Filho de Deus, Se desse a Si mesmo em oferta pelo pecado." Conselhos Sobre Saúde, pág. 222.

Fórmula Baptismal
"O preconceito dos judeus irrompeu porque os discípulos de Jesus não usavam as palavras exactas de João no rito do baptismo. João baptizava para o arrependimento, mas os discípulos de Jesus, sob profissão de fé, baptizavam em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Os ensinos de João estavam em perfeita harmonia com os de Jesus, não obstante os seus discípulos ficarem ciumentos por recearem que a sua influência estivesse a diminuir. Surgiu uma disputa entre eles e os discípulos de Jesus a respeito das palavras apropriadas a serem usadas no baptismo e finalmente quanto ao direito sequer de eles baptizarem." - The Spirit of Prophecy, vol. 2, pág. 136.

Os Três Grandes Dignitários
"Em nome de quem é que fostes baptizados? Descestes às águas em nome dos três grandes Dignitários no Céu – o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo fostes sepultados com Cristo no baptismo; e fostes erguidos da água para viver em novidade de vida. Deveis possuir uma nova vida. Deveis viver para Deus; não tendes que viver para vós mesmos, e manter-vos sob a vossa própria supervisão com receio de que alguém vos toque ou magoe." (Sermons and Talks, vol. 1, pág. 363).
"Os que foram baptizados podem pedir a ajuda dos três grandes Dignitários do Céu para os ajudar a não cair e a revelar, por Seu intermédio, um carácter segundo a semelhança divina. É isto que alegamos ser – seguidores de Jesus. Precisamos de ser moldados e modelados segundo o padrão divino. Se perdestes a vossa semelhança com Cristo, meus irmãos e irmãs, nunca podereis, jamais, entrar em comunhão com Deus outra vez a menos que vos reconvertais, e sejais rebaptizados.
Deveis arrepender-vos e rebaptizar-vos para poderdes experimentar o amor, a comunhão e a harmonia com Cristo. Então tereis discernimento espiritual que vos habilitará a ver as coisas de Cima, onde Cristo está sentado à mão direita de Deus. Há coisas celestiais suficientes para contemplar, para encher cada coração e mente, cada congregação que está na Terra, com regozijo, louvor e acção de graças a Deus." (Sermons and Talks, vol. 1, pág. 366).


Os Três Seres Mais Santos
"É aqui que entra o trabalho do Espírito Santo, depois do vosso baptismo. Fostes baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Fostes erguidos da água para viver daí em diante em novidade de vida – para viver uma nova vida. Nascestes para Deus, e permaneceis sob a sanção e o poder dos três Seres mais santos no Céu, que são capazes de vos guardar de tropeçar e cair. Precisais de revelar que estais mortos para o pecado; a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Escondida 'com Cristo em Deus' – maravilhosa transformação. Esta é uma promessa muito preciosa. Quando me sinto oprimida e mal sei como relacionar-me com o trabalho que Deus me deu a fazer, invoco simplesmente os três grandes Dignitários, e digo: 'Vós sabeis que eu não consigo realizar este trabalho nas minhas próprias forças. Vós precisais de trabalhar em mim, por mim e através de mim, santificando a minha língua, santificando o meu espírito, santificando as minhas palavras, e trazendo-me a uma posição em que o meu espírito seja susceptível às impressões do Espírito Santo sobre a minha mente e carácter. E esta é a oração que cada um de nós pode fazer.'" (Idem, pág. 367-368).


Sinal de Entrada no Reino Espiritual
"Fazendo do baptismo o sinal de entrada para o Seu reino espiritual, Cristo o estabeleceu como condição positiva à qual devem atender os que desejam ser reconhecidos como estando sob a jurisdição do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Antes que o homem possa obter abrigo na igreja, deve receber a impressão do nome divino – ‘O Senhor Justiça Nossa.’ (Jeremias 23:6).
Significa o baptismo soleníssima renúncia do mundo. Os que ao iniciar a carreira cristã são baptizados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, declaram publicamente que renunciaram o serviço de Satanás, e se tornaram membros da família real, filhos do celeste Rei." - Evangelismo, pág. 307.


Toda a Plenitude da Divindade nas Três Pessoas Vivas da Trindade
"O Pai é toda a plenitude da Divindade corporalmente, e invisível aos olhos mortais. O Filho é toda a plenitude da Divindade manifestada. A palavra de Deus declara que Ele é 'a expressa imagem de Sua pessoa.'
O Consolador, que Cristo prometeu enviar depois de ascender ao Céu, é o Espírito em toda a plenitude da Divindade, tornando manifesto o poder da graça divina a todos quantos recebem e crêem em Cristo como Salvador pessoal.
Há três pessoas vivas pertencentes à Trindade celeste; em nome destes três grandes poderes – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – os que recebem a Cristo por fé são baptizados e estes poderes cooperarão com os súbditos obedientes do Céu nos seus esforços para viver a nova vida em Cristo." - Evangelismo, pág. 615.


Terceira Pessoa da Trindade
"O príncipe da potestade do mal só pode ser mantido em sujeição pelo poder de Deus na terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo.
Cumpre-nos cooperar com os três poderes mais altos no Céu – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – e esses poderes operarão por meio de nós, fazendo-nos coobreiros de Deus." - Evangelismo, pág. 617.
"Ele determinou dar o Seu representante, a terceira pessoa da Trindade." - Bible Echo, 27-2-1899.


Poderes Tríplices
"Quando os homens seguem as suas próprias teorias humanas revestidas de suaves e fascinantes representações, preparam uma armadilha para apanhar as pessoas. Em lugar de dedicar as vossas faculdades a formar teorias, Cristo deu-vos uma obra a fazer. A Sua comissão é: 'Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.' (Mateus 28:19).
Antes que os discípulos alcancem o limiar, deve haver a impressão do nome sagrado, baptizando os crentes no nome do poder tríplice do mundo celestial. A mente humana é impressionada nessa cerimónia, o início da vida cristã. Significa muito. A obra da salvação não é uma questão de pouca monta, mas tão vasta que as mais elevadas autoridades são submetidas pela fé expressa do instrumento humano.
O Pai, o Filho, e o Espírito Santo, a eterna Divindade, estão envolvidos na acção requerida para assegurar ao instrumento humano que todo o Céu está em união para contribuir no exercício das faculdades humanas em alcançar e reforçar a plenitude dos poderes tríplices e em unir-se na grande obra designada, ligando os poderes celestiais com o humano para que o homem se torne, mediante eficiência celeste, participante da natureza divina e coobreiro de Cristo." (Manuscrito 45, 14 de Maio de 1904; citado em Olhando para o Alto, pág. 142, Meditações Matinais de 1983).


O Baptismo de Jesus
Quando o Senhor Jesus se dirigiu a João Baptista e lhe pediu para O baptizar, João objectou por sentir que era ele quem necessitava de ser baptizado por Jesus e não o contrário. O Senhor respondeu-lhe: "Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu. E, sendo Jesus baptizado, saiu logo da água e eis que se Lhe abriram os céus e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo." (Mateus 3:15-17).
Na resposta de Jesus vemos que o Senhor utilizou o pronome pessoal plural 'nos', o que denota mais do que uma pessoa envolvida nessa cerimónia. E, de facto, assim foi: Jesus, o Filho que recebeu o baptismo; o Espírito Santo que desceu sobre Jesus em forma de pomba; e o Pai que fez ouvir a Sua voz.


A Bênção Apostólica
O apóstolo Paulo encerra a sua segunda epístola aos coríntios, desta maneira: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo, seja com vós todos! Ámen." (II Coríntios 13:13).
Uma vez mais encontramos aqui as três pessoas da Divindade, as quais operam sempre em perfeita harmonia e unidade.


Três Que Testificam
"Este é Aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que testificam no Céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, a água e o sangue; e estes três concordam num." (I João 5:7-8).

Encontramos neste texto o testemunho do apóstolo João, que conviveu intimamente com Jesus, durante o Seu ministério terrestre, bem como testemunhou a descida do Espírito Santo sobre os discípulos no dia de Pentecostes. Quando o apóstolo diz que três são os que testificam no Céu, ele define-os bem: o Pai, a Palavra (isto é, o Filho) e o Espírito Santo, e que são um, ou uma unidade. Quando o apóstolo fala de três os que testificam na terra: o Espírito, refere-se ao Espírito Santo; a água, ao baptismo de Jesus na água quando o Pai Se fez presente e testificou d’Ele, como Seu Filho amado; o sangue, refere-se ao sacrifício de Jesus no Calvário, que consumou o plano da redenção decidido no Céu antes de o Senhor vir à Terra. O sacrifício de Jesus na cruz de nada teria valido se não fosse a obra do Espírito Santo nos corações humanos para os levar ao arrependimento. Em resumo, posso afirmar que o Espírito Santo testifica do baptismo de Jesus, que deu início ao Seu ministério na terra, e também da Sua morte, que assinalou a consumação desse ministério na terra.


CONCLUSÃO

A concluir volto a perguntar: É a Trindade pagã ou bíblica? Perante tudo o que acabo de apresentar, o qual foi objecto de sério, honesto e acurado estudo, só me resta afirmar, categoricamente, que é bíblica, sim, sem dúvida alguma. Os escritos inspirados, da Bíblia e de Ellen White, confirmam-no e eu não posso fazer de outro modo.

Ainda uma citação final de Ellen G. White, ao comentar a rebelião de Datã, Coré e Abirão, que encontramos em Números 16:1-50: "Rebelião e apostasia encontram-se no próprio ar que respiramos. Seremos afectados por ela a menos que apoiemos, pela fé, as nossas almas impotentes sobre Cristo. Se os homens são tão facilmente desviados, como permanecerão eles quando Satanás personificar a Cristo, e operar milagres? Quem ficará inabalável perante as suas falsificações? Professando ser Cristo, quando é apenas Satanás a pretender ser a pessoa de Cristo, e aparentemente operando as obras de Cristo?... Que impedirá ao povo de Deus de dar a sua lealdade a falsos Cristos? 'Não vades após eles'". ... Os enganos aumentarão, e nós devemos chamar a rebelião pelo seu próprio nome. Devemos estar vestidos com toda a armadura. Meus irmãos não estais a enfrentar unicamente homens, mas principados e potestades. Não estamos a lutar contra a carne e o sangue." Carta 1, 1897; citada no Comentário Bíblico Adventista, vol. 1, pág. 1114.

Efésios 6:10-18: "No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça. E calçados os pés na preparação do evangelho da paz, tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai, também, o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus; orando, em todo o tempo, com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica, por todos os santos."

A concluir ela ainda diz o seguinte: "Cristo veio ao nosso mundo não para ajudar Satanás a operar rebelião, mas para abater a rebelião. Sempre que homens comecem a acalentar rebelião, eles operarão secretamente e na escuridão, pois não vêm como Cristo disse para fazer quando temos alguma coisa contra alguém, mas levarão o seu rol de falsidades, inimizades, ruins suspeitas e satânicas representações, como fez Satanás com os anjos, seus companheiros, que estavam sob a sua liderança, e ganhar a simpatia deles mediante falsas representações." - Carta 156, 1897; citada no Comentário Bíblico Adventista, vol. 1, pág. 1115.

Texto de Manuel Nobre Cordeiro, Licenciado em Teologia, de 1965 a 1969, em Helderberg College,
na África do Sul, Província do Cabo - uma extensão da Universidade Adventista de Andrews,
Estados Unidos da América (ver links 3I). É Pastor da Igreja Adventista do 7º Dia em Portugal
e o Responsável durante muitos anos pelo Departamento do Espírito de Profecia/Ellen White.
Foi também, durante 20 anos, juntamente com o Pr Ernesto Ferreira (antigo Presidente da UPASD),
Professor de várias disciplinas do Curso de Doutrinas no CAOD - Colégio Adventista de Oliveira do Douro.

(Posso dizer que fui um ano a esse Curso durante as minhas férias. Foi uma experiência maravilhosa, onde tive o privilégio de conhecer melhor a Deus, passar momentos de grande intimidade com Ele. Mas também bons e agradáveis relacionamentos com os nossos professores, e aprender mais matérias de grande interesse. Momentos saudáveis e alegres com os nossos irmãos na fé e amigos. Profundas emoções inesquecíveis (como aquela Santa Ceia em que nos sentíamos como se Jesus fosse o nosso Pastor oficiante!) e muito, muito mais... Foi lá que uma noite, nessa comunhão e inspiração com Deus, senti o profundo desejo de escrever uma carta especial, umas palavras espirituais, para alguém muito, muito, amado - um filho muito querido. Pois ainda hoje acho que ela lhe possa, de algum modo, ter dado um estímulo para ser o que é agora, e nos faz muito felizes - Pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Realmente com Deus nada há a perder! Sempre, sempre, só a ganhar! E.E.)


AINDA SOBRE A TRINDADE
(Texto adaptado de uma carta pessoal)

1º - É verdade que havia uma trindade pagã. E que raciocínio podemos fazer a partir daí? Por haver uma trindade pagã devemos pôr em causa tudo acerca da Trindade bíblica?! É verdade que no Egipto havia Ísis, casada com Osíris e com um filho chamado Horo, os quais formam uma das trindades egípcias. São várias as trindades existentes em outros sistemas de culto pagão. E é aqui que começam muitos dos problemas de raciocínio em cristãos ao pensarem que a Trindade bíblica tem a mesma origem que as pagãs, e que por isso é uma doutrina falsa, vestida de 'verdade'. Este é o raciocínio mais comum de se fazer e que serve de base aos anti-Trindade cristã. Mas deveríamos antes ver e aceitar que existe uma Trindade verdadeira, a bíblica, e uma trindade falsa, a pagã.
E porque é que isto acontece? Porque Satanás sempre tentou realizar uma contrafação face à verdade, ou seja, fazer com que a mentira seja tão próxima da verdade que engane o maior número possível de pessoas.

Vejamos o que o paganismo nos mostra:

a) Ao maior deus indu, segundo a lenda, foi profetizado que iria ter um nascimento a partir de uma virgem. E assim aconteceu, segundo eles dizem... E por isso muitos ateus têm atirado à cara dos cristãos palavras dizendo que "é tudo o mesmo". Há um vídeo na net, colocado pelos ateus, que põe em descrédito Cristo à conta da doutrina indu... É forte este raciocínio tanto mais que este deus é quase contemporâneo de Jesus. Mas por causa disso vão os cristãos deixar de acreditar na virgindade de Maria?

b) Os egípcios não sacrificavam animais aos ídolos. Isso para eles até seria uma abominação. Mas os israelitas sacrificavam a Deus os seus cordeiros e outros animais limpos (Levíticos 11).* E os cananeus também sacrificavam aos seus ídolos... Se vivêssemos naquele tempo talvez então ouvíssemos muitos egípcios dizerem que a religião israelita e a cananeia "era tudo a mesma coisa"... E vamos nós, cristãos, achar que era tudo a mesma coisa?! Lembremo-nos que os cananeus até sacrificavam crianças!!! E Deus até tinha pedido a Abraão para dar o seu filho Isaac em sacrifício... E mais: também esta história de Abraão era conhecida na altura!... Assim, qualquer pessoa poderia fazer um raciocínio de 'associação rápida por semelhança' e dizer que "era tudo a mesma coisa!"... Contudo seria um raciocínio falso, como claramente compreendemos.

c) Caim ofereceu os frutos da terra a Deus e Abel um dos seus cordeiros. A oferta de Abel era aceitável, a outra não. Uma era a verdadeira, a outra a falsa, no entanto, em ambos os casos havia uma oferta, um altar, e um ofertante. Pergunta lógica: o problema estava no conceito da oferta, ou na natureza da oferta? A resposta é fácil!... O mesmo se passa com a Trindade. O problema não está no conceito, mas sim na distinção da trindade falsa da Trindade verdadeira.

d) Todos os cristãos sabem qual é a origem da 'santidade' do domingo...** Os testemunhas, que propagam não guardar dia nenhum, dizem várias vezes que os adventistas, que guardam o sábado (como apresenta a Bíblia), são iguais aos católicos e evangélicos, porque têm também um dia de guarda... Será que somos a mesma coisa?... Este raciocínio é tão bem utilizado por Satanás que no início da igreja primitiva foi uma das razões para a igreja cristã da época, na sua maioria, rejeitar o sábado bíblico por estar tão associado aos judeus, um povo maioritariamente obstinado e rebelde à mensagem cristã. Mas será que era a mesma coisa? Não! Só que isso levou também muitos cristãos da época dos pioneiros adventistas a ter aversão à Trindade por estar muito associada à igreja católica. Pergunto: Havia nesta associação da doutrina da Trindade algo errado no seu conceito? Tem isto alguma coisa a ver com politeísmo? Não! Mas foi fácil fazer entre os pioneiros este 'raciocínio associativo'... Graças a Deus que a profetisa Ellen White, pelas revelações que Deus lhe deu, esclareceu bem este assunto para levar a Igreja a um conhecimento correto das escrituras e termos uma melhor ideia de como é a Divindade.

e) Também muitos testemunhas não acreditam no Dízimo e associam a Igreja Adventista a uma forma de comportamento censurável que se pratica, sim, em muitas igrejas evangélicas... E faz este fato de nós, adventistas, uns falsificadores também? Ainda que muita desonestidade se pratique noutras igrejas e na nossa igreja possa haver falhas nesta área, fazem estes fatos ser o Dízimo uma falsidade? Não! Lembremo-nos de Judas Iscariotes que, mesmo ao lado de Jesus, furtava do saco das ofertas e não foi isto que fez Jesus desistir da Sua igreja... Infelizmente, 'raciocínios associativos' são fáceis de se fazer... Cuidado!

f) Muitas pessoas, nomeadamente adventistas, têm ouvido Walter Veith falar sobre paganismo. Um dos fatos que este apresentou como um dos maiores símbolos pagãos é o que começou com Hathor, deusa do amor, egípcia, que tinha na sua cabeça uns chifres a envolver um sol na sua base. Segundo o referido autor, este símbolo, migrou para a igreja católica e posteriormente para o islamismo, tanto é assim que na igreja católica temos já uma lua na base de um sol, na mesma forma dos chifres de Hathor, e no islamismo temos o quarto crescente, que é uma lua a envolver uma estrela.

Tudo isto é um raciocínio válido, e é verdadeiro... Mas se se ler em Apocalipse, capítulo 12, há uma virgem, símbolo da Verdadeira Igreja, vestida de sol e com a lua a seus pés... Notemos bem: uma mulher vestida de sol, com a lua a seus pés que em muitos desenhos esquemáticos parece que a envolve. Vamos nós agora, cristãos adventistas, ficar assustados, e fazer o mesmo raciocínio, dizendo também que "tudo é a mesma coisa"? Não, certamente que não!
Sol e lua no paganismo têm um simbolismo bem diferente do da Bíblia, ainda que estes dois corpos celestes estejam próximos um do outro em ambos os simbolismos, pagão e cristão... Rejeitar o texto bíblico, profético, inspirado por Deus, de Apocalipse 12, por ser semelhante a algo pagão, é rejeitar uma verdade que Deus nos quer ensinar de forma ilustrada, e fazer ou permitir o que Satanás quer, que é seguir a sua estratégia de contrafação, pôr a mentira próxima da verdade, e levar muitos a pensar que a contrafação surgiu primeiro e a verdade é uma cópia maliciosa e enganadora da contrafação, quando foi exactamente o contrário! Primeiro surgiu o Verdadeiro Dilúvio, o Verdadeiro Sacrifício, o Verdadeiro Messias e a Verdadeira Trindade, e só depois as histórias inventadas, com algo de verdade, mas enganosas e enganadoras.

Rejeitar uma verdade por ser muito semelhante ao erro, foi assim uma das estratégias mais conseguidas por Satanás, a tal ponto que o resultado é, infelizmente, o que estamos a ver...

g) O dilúvio é o exemplo máximo de se poder cair nesta estratégia de Satanás de enganar as pessoas, inventando um sistema falso e pagão em tudo parecido com a verdade. Os ateus dizem: o dilúvio é uma alegoria porque já as civilizações antigas do médio oriente contavam uma história de uma grande inundação naquela região que matou todos os seres vivos e de um homem que construiu um barco para se salvar... Vamos nós acreditar que o dilúvio não existiu por estar associado com lendas antigas? Claro que não!
Mas se houver alguma dúvida, ela logo desaparece quando se lê e percebe que, não só as civilizações do médio oriente, mas as civilizações antigas de todo o mundo contam à sua maneira esta história. Há até um livro que refere que é muito estranho uma história sobre uma enorme inundação estar presente em todas as civilizações antigas, de todo o mundo!!! Civilizações essas tão diferentes e distantes entre si como as africanas, americanas, europeias e asiáticas...
Mas aquele que for sincero na sua busca pela verdade, faz-se luz em sua cabeça: a história do dilúvio existe em cada civilização antiga do mundo porque todos aqueles povos antigos ouviram contar a mesma história! Há na net um vídeo que até mostra como na antiga escrita chinesa um "barco grande" se escrevia como "um barco com oito pessoas lá dentro"... Não é interessante?...
Infelizmente, e estranhamente... os católicos vão dizendo que o dilúvio não existiu porque tem origem em lendas pagãs antigas do médio oriente... E do mesmo modo... os testemunhas dizem que a Trindade não existe porque tem origem em sistemas pagãos antigos... Será verdade uma e outra coisa? Claro que não! Primeiro surgiu o Dilúvio verdadeiro e depois vieram histórias derivadas do mesmo que adquiriram caraterísticas diferentes consoante as diversas culturas e civilizações.

Primeiro temos a Trindade Verdadeira e depois surgiram muitas trindades em todos os sistemas pagãos...

E já alguém pensou porque é que está tão presente o número 3 (3 pessoas) no paganismo? Por isso mesmo!!! Ouviram uma história comum, verdadeira, e mais antiga a todos eles, e derivaram depois em outras histórias inventadas para cada sistema pagão diferente...Mas se pensarmos bem, a existência de trindades em sistemas pagãos é mais um argumento a favor da Verdadeira Trindade, porque prova como é real esta estratégia de Satanás em copiar a Verdade! Mas infelizmente... para enganar as pessoas com a mentira...
Portanto, o facto de existir trindades em sistemas pagãos antigos tem o mesmo paralelo. Porque Satanás quis arranjar uma contrafação semelhante à verdadeira Trindade, arranjou, assim, as falsas. Obviamente!

2º- Dizer-se que Mateus 28:19 ("Portanto, ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo") não se encontra no original bíblico... É um argumento sem valor! Por várias razões... Mas mesmo que o retirássemos da Bíblia, encontraríamos muitos outros versículos bíblicos em que a Trindade aparece junta, principalmente nas cartas de Paulo.
Mas admira muito... o fato de alguns que se dizem cristãos, não fazerem agora um 'raciocínio por semelhança' também com este argumento... Estranho!
Repare-se que toda a religião não correta tem a tendência para alterar a Bíblia... Os testemunhas têm para eles uma tradução à parte; os mórmons têm um evangelho próprio; os católicos introduziram os apócrifos e dizem que grande parte da Bíblia é uma alegoria; e os evangélicos tiveram que dizer que o Velho Testamento não tem mais valor... Impressionante!
Não admira assim que os que negam a Trindade bíblica tivessem que ir também buscar algo sobre o que está na Bíblia, ou alguma coisa semelhante... Será que não se pode ver algumas 'semelhanças' neste tipo de raciocínio, mas só ver para duvidar entre as trindades?!... Pensemos bem!

Também já ficou demonstrado que Ellen White escreveu sobre a Trindade. Então agora, o raciocínio mudou (com alguma ironia...). Já não tinha sido alguém que alterou os seus escritos depois da sua morte, mas que ela tinha ficado 'tonta' depois de idosa e de ter estado na Austrália onde fazia muito sol... E começou então a escrever sobre a Trindade... Pode alguém acreditar na seriedade destes argumentos?!...

3º - Outra ideia estranha é dizer-se que o Espírito Santo é o próprio Deus porque na Bíblia quando se fala que o espírito de Maria estava alegre, quer dizer que era a própria Maria alegre, que não há um espírito à parte de Maria... Ora para fazermos uma doutrina devemos ler toda a Bíblia e perceber a palavra 'espírito' dentro de cada contexto. Quando se fala que o espírito de Maria estava alegre, neste caso, sim, era a própria Maria, não há nada aqui que nos leve a acreditar numa 'entidade' à parte da pessoa.
Mas quando a Bíblia fala que João Baptista veio no Espírito de Elias quer dizer que era o próprio Elias? Claro que não!!!
Façamos uma pergunta: Se nós, acreditando no Espírito Santo como uma pessoa à parte do Pai, estamos a acreditar em algo do tipo 'espírita'... (conceito falso) por pensarmos nas pessoas com um 'espírito' à parte de si próprias, não estarão os anti-Trindade também a acreditar em algo semelhante, como uma 'reencarnação' (outro conceito falso), por acreditarem que, se João Baptista veio no espírito de Elias, então seria ele mesmo, o próprio Elias?!...
É claro que Maria era a própria Maria. E João tinha o Espírito Santo com ele do mesmo modo que Elias o teve. A palavra 'Espírito' na Bíblia não tem o mesmo significado sempre, conclui-se facilmente.
E vamos agora dizer (com que autoridade?!) que este versículo de João Baptista vir no Espírito de Elias foi acrescentado para apoiar uma interpretação pessoal?... "Nada acrescentes às suas palavras, para que Ele não te repreenda e tu sejas achado mentiroso". Provérbios 30:6. Outros textos falam em retirar ou alterar. Ninguém pode modificar o mínimo da Santa Palavra de Deus - a Bíblia!


Texto de Daniel Cordeiro, jovem simpático e bem talentoso!, licenciado em Enfermagem, e que trabalha em Ortopedia num Hospital do nosso país. Fez também Gestão e Administração Pública na Escola Superior de Gestão e Administração de Santarém, e actualmente está a fazer outra licenciatura em Administração de Saúde Pública na Faculdade da Universidade Nova de Lisboa. Muito interessado e estudioso de temas espirituais, gosta de conviver e conversar com pessoas de várias religiões sobre assuntos teológicos.

* Pode estudar/aprofundar este assunto lendo http://www.adventistas-historicos.com/arquivos/r_santuario.PDF
** Pode estudar/aprofundar este assunto vendo o vídeo em Links 1R - A Verdade sobre o Dia do Senhor




CRISTO É DIVINO
E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, a glória do Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. S. João 1:14.

Como foi que a Divindade Se tornou humana, de carne e sangue, para que pudesse vir viver entre nós como um ser humano e, no entanto, mostrar-nos a glória do Pai? É um milagre tão imenso que tenho dificuldade em pensar sobre o assunto. Mas aqui está o que eu sei com certeza. Sem dúvida nenhuma, Ele é divino, porque:

* só Deus podia subjugar e enternecer o meu coração duro, teimoso, cheio de orgulho e egoísmo;
* só Deus podia quebrar as cadeias da minha escravidão do pecado;
* só Deus podia levantar-me da confusão dos meus pecados e dar-me clareza;
* só Deus podia continuar a atrair-me com amor, embora eu lute para me distanciar d'Ele;
* só Deus podia suavizar as minhas lutas com a certeza de aceitação e amor;
* só Deus podia dizer: "Os teus pecados estão perdoados, tem ânimo e entra no Meu gozo";
* só Deus podia transformar a minha grande dor e profunda tristeza em riso;
* só Deus podia entrar no meu coração desolado e trazer-me alegria indescritível;
* só Deus podia cumprir todas as promessas que fez;
* só Deus podia satisfazer a profunda fome da minha alma com o banquete da Sua graça;
* só Deus podia ser um mestre tão bom e gentil para com este servo agradecido;
* só Deus podia ser um bom amigo, um irmão e um companheiro constante para mim;
* só Deus podia ser um marido amoroso do meu solitário coração - nenhum cônjuge poderia ser tão fiel;
* só Deus podia ser um amoroso e terno Salvador para este miserável pecador;
* só Deus podia confortar com suavidade este coração de luto;
* só Deus podia rodear a minha pobreza opressora com a Sua extravagante riqueza;
* só Deus podia curar a minha doença febril com saúde vibrante;
* só Deus podia iluminar a escuridão opressiva com a Sua brilhante luz;
* só Deus podia entrar no caos da minha vida e dar-lhe ordem e beleza;
* só Deus podia estar livre de retribuição e cólera em face da minha perpétua desobediência;
* só Deus podia ser tão cheio de graça durante toda a minha vida em que rejeitei o Seu amor;
* Só Deus Podia Ser Responsável Pela Magnificência Criada no Universo.

Glória a Deus nas alturas. Grandes coisas Ele tem feito!
Professor Doutor David A. Steen in O Deus das Maravilhas, Meditações Matinais, 08.08.2014.

(Gostará de ler mais em Meditação para a Saúde, links 1R, 07.11.2015)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015


NOVA  OPORTUNIDADE







(clique nas imagens para as aumentar)

domingo, 4 de outubro de 2015


Cão Muito Inteligente! E Tem Razão...


Os Irmãos Montgolfier

"Um carneiro, um galo e um pato foram os primeiros seres vivos a elevar-se nos ares por meio de uma máquina construída pelo homem. Isto passou-se no céu de Versailles, a 19 de Setembro de 1783, a bordo de um aeróstato que os irmãos Montgolfier tinham construído para vencer a atracção terrestre, o qual media 24 metros de diâmetro. Esta excepcional experiência teve lugar na presença do rei Luís XVI, sua família e corte.
Faz-nos sorrir pensar que um carneiro, um galo e um pato, encerrados num cesto se elevaram no céu. Mas nos nossos dias, não se fizeram dezenas de experiências com macacos, ratos e cães, antes de fazer subir um ser humano num foguetão?
Depois de se verificar o sucesso do voo com animais, um homem ousou tentar a aventura e deixar o solo a bordo da... 'máquina terrível'. A 15 de Outubro de 1783, o francês Jean Pilâtre de Rozier elevou-se nos ares a bordo dum balão 'cativo', quer dizer, preso à terra por um cabo. Foi o primeiro homem a voar.
A 21 de Novembro do mesmo ano repetiu-se a experiência. Desta vez, um segundo passageiro, o marquês D'Arlandes subiu a bordo de um 'montgolfiére'. Eles levaram uma pequena reserva de combustível (palha e lã) com a qual puderam alimentar a fogueira, o que lhes permitiu estar no ar durante 25 minutos, efectuando assim um voo de 8 km por cima de Paris. Tinha nascido a navegação aérea!"

Adaptado de Tout L'Univers, n.º 3, de 8-11-61.

PESSOAS  QUE  NÃO  SÃO  HOMENS... SÃO  ANJOS!!!


UNS  ARRISCAM  A  VIDA  POR  ANIMAIS...
Outros... - M/A/T/A/M/ Pessoas!!!  Pode-se Compreender Isto?!...


SÓ Deus PODE dar a Vida e tirá-la.  Ele CHORA quando alguém faz isso!  E Ele pedirá CONTAS um dia... EE


A CABRINHA BRANCA

Conta-se a história de um homem que morava num belo vale cercado por lindos campos de verdes pastos, banhados por um caudaloso e manso rio de águas cristalinas.
Para cada lugar em que se voltasse os olhos, era vista uma exuberante paisagem, digna de ser cartão-postal: árvores altivas que erguiam-se pela encosta de uma colina; uma alta cachoeira a refletir em cada gota d’água os raios do sol; passarinhos dos mais variados tamanhos, cantando os mais melodiosos sons e flores exóticas, das mais diversas cores, com os mais inusitados perfumes. Tudo era extremamente belo.
Porém, o que chamava mais a atenção dos espectadores, não era a cachoeira de beleza ímpar; nem os passarinhos com os seus melodiosos cantos; nem mesmo as flores de rara beleza mas sim uma grande montanha que se erguia altiva e imponente. Aquela montanha era o alvo dos mais diversos olhares devido à sua forma exuberante, coberta de pinheiros e outras árvores frondosas, que, juntas, formavam um cenário inesquecível.
Mas era quando o sol começava a declinar, ficando de um vermelho rubro, que a montanha era realmente bela. O sol ia se pondo atrás da montanha, tingindo o céu, as nuvens e as árvores de um rosa vívido e fulgurante, formando um espetáculo tão belo, que a pessoa mais hábil com as palavras seria incapaz de descrever.

E era em meio a esta beleza toda que ficava o vale, onde se erguiam três humildes construções: Uma simplória casa, um humilde galpão e uma estaca. O homem que morava naquela casa chamava-se Séguin. Seu Séguin, como a maioria das pessoas de bom coração, gostava de criar animais. O animal que ele mais apreciava criar era as cabras.
Como todos sabem, as cabras são diferentes das ovelhas, pois são vivas e saltitantes, e devoram tudo quanto acham: folhas, raízes e ramos. São brincalhonas e fiéis amigas de seu pastor. Talvez seja este o grande motivo que levava o seu Séguin a criar cabras. O certo era que o seu Séguin as amava e estava disposto a dar a vida por elas. E ele as criava amarradas à estaca, que se erguia no meio do vale.
Porém, o seu Séguin não era feliz criando cabras. A imponente montanha as atraía tal como o imã atrai o ferro. Nem mesmo o medo dos lobos ferozes que haviam na montanha, e nem os constantes afagos de seu Séguin faziam com que as cabras se contentassem com os verdes pastos do vale. Todas elas acabavam sempre da mesma forma: um belo dia, arrebentavam a corda que as prendiam à estaca e fugiam saltitantes para a montanha, onde eram comidas por lobos.
Mas... o seu Séguin decidiu ainda comprar uma cabra, disposto a cuidar dela como de nenhuma outra, pois já era a sétima...

A cabra que o seu Séguin comprara era muito bonita. Ela tinha os olhos bem pretinhos e umas barbichas espichadas. Ela tinha reluzentes cascos pretos, chifres muito grandes e bem compridos e um pelo todo branquinho, que parecia-se com a neve, devido à sua brancura. Seu nome era Branquinha. O seu Séguin amarrou-a por um pé à estaca, na parte mais bela do campo. Soltou muita corda, e sempre vinha ver se a sua cabra branquinha estava bem. Ele chegou até a pensar que Branquinha nunca iria querer fugir. Mas se enganou!


A sua cabra logo se aborreceu de viver presa a uma estaca. A montanha a atraía com as suas cores e formas, prometendo liberdade, que era o que ela tanto queria.
A cabrinha olhava a montanha e dizia:
- Como deve ser bom lá em cima! Que prazer poder saltar por entre aquelas árvores sem esta maldita corda me prendendo. Pastar amarrado é bom para burros... As cabras precisam de amplidão. Da amplidão que só uma montanha oferece!

Seus olhinhos brilhavam quando olhava para a montanha, imaginando-se saltar entre as colinas e árvores. E assim, ela foi se entristecendo. Dava pena vê-la contemplando a montanha e berrando tristemente: mé, mé, mé...
Um dia, ela reuniu coragem e disse para o seu Séguin, lá na sua língua, o seguinte:
- Seu Séguin, deixe-me ir para a montanha.
- Ah, mas era só o que me faltava, disse o homem.
Depois, sentando-se na grama, ao lado da cabrinha, o homem disse:
- Mas como, Branquinha, você quer me deixar?
E Branquinha respondeu:
- Sim, seu Séguin. Não é nada pessoal, mas eu quero ir para a montanha.
- Mas, Branquinha, replicou ele, aqui tem lhe faltado pasto, amor e carinho?
- Não, seu Séguin. Não é isso.
- Mas então, o que você quer?
- Eu quero ir para a montanha. Lá eu serei mais feliz.
- Mas Branquinha, você não sabe que tem lobos ferozes que vivem lá?
- Mas eu vou lhes dar marradas, seu Séguin, e os afastar!
- Os lobos vão rir das suas marradas. Já me comeram outras cabras com os chifres maiores do que os seus... Lembra-se da Esmeralda? Ela era uma forte cabra e má como um bode. Lutou toda a noite com um lobo e o lobo a comeu pela manhã!
- Pobre Esmeralda! Mas me deixe ir para a montanha, seu Séguin!


Seu Séguin pensou consigo: Esta será mais uma que os lobos vão comer. Não! Eu vou salvá-la, mesmo que ela não queira.
E, seu Séguin levou a cabra para o curral, fechando bem a porta, para ela não fugir. Ele deu até duas voltas na chave para a cabra não escapar. Infelizmente, ele se esqueceu de uma janela que estava aberta, e que Branquinha transpassou num pulo. Quando ela se viu livre, saiu saltitando em direção à montanha. Quando lá chegou, foi uma grande admiração. Nem mesmo os velhos pinheiros tinham visto uma coisa tão bonita! Receberam-na como a uma pequena rainha.
Os castanheiros abaixaram-se até ao chão para a acariciarem com a ponta de seus ramos. As samambaias se abriam à sua passagem e as flores abriam-se o mais que podiam para perfumarem o ar que a cabrinha iria respirar. Enfim, toda a floresta festejava a sua chegada à montanha.
A cabrinha branca espojava-se de pernas para o ar, embrulhada pelas folhas caídas. E, de repente, levantava-se de um salto sobre as quatro patas e disparava a correr, aparecendo algumas vezes no pico de um monte, outras no fundo de um barranco, ora lá em cima, ora lá em baixo, por toda a parte. Podia-se dizer que haviam dez cabras do seu Séguin na montanha, de tanto que Branquinha corria.

É que Branquinha não tinha medo de nada. Com apenas um salto ela transpunha as grandes torrentes de água que salpicavam uma poeira húmida de espuma. E então, toda a pingar, ia estender-se numa pedra plana a secar-se ao sol.
Uma vez, ela avistou, lá embaixo, a casa do seu Séguin. E quem quiser saber o que ela disse, rindo, é só perguntar às árvores tagarelas.
Enfim, foi um dia feliz para Branquinha. Lá embaixo, ela podia ver os campos mergulhados na neblina.
Repentinamente, o vento refrescou, e tudo tingiu-se de rosa. Era a tarde que declinava e a noite que chegava.
Da cozinha do seu Séguin, só se via o telhado de onde se via um fio de fumaça saindo. Branquinha ouviu os berros de um rebanho que era recolhido e sentiu uma tristeza muito grande. Um gavião que retornava para um ninho próximo, tocou-lhe com as suas asas. Ela estremeceu. Uivos de lobos começaram a ser ouvidos. Só então ela realmente pensou nos lobos.

Lá embaixo, o seu Séguin a chamava piedosamente. Branquinha sentiu desejos de voltar, mas lembrou-se da estaca, da corda e resolveu ficar. Mas um barulho numa moita próxima, fez Branquinha tremer de medo. Quando viu duas orelhas curtas, muito retas, seguidas de dois olhos brilhantes, como se deles saíssem fogo, ela só teve uma certeza: era o lobo.
Enorme e imóvel, sentado sobre as duas patas traseiras, olhava para a cabrinha branca. Era o lobo e tinha a certeza de que a iria comer e não se apressava, pois já sabia que era outra cabrinha do seu Séguin, e como todas as outras, esta também seria sua.
Branquinha sentiu que estava perdida. Ela só se lembrava da história da velha Esmeralda que havia lutado com o lobo a noite toda para ser comida ao amanhecer. Ela sabia que ao amanhecer, o seu Senhor viria procurá-la. Ela só tinha que aguentar até lá.
Então, o lobo avançou e os chifrezinhos de Branquinha entraram em ação. E como Branquinha era valente! Como ela se batia com coragem! Mais de dez vezes ela forçou o lobo a recuar, e assim foi a noite toda.
De tempos em tempos, ela via as estrelas dançarem no céu claro, e pensava: "Contanto que eu resista até ao romper da alva, o seu Séguin vem me ajudar. Ele vem me resgatar!"

As estrelas começaram a sumir-se uma a uma. Depois uma luz pálida brilhou no horizonte. Ouviu-se ao longe o cantar do galo.
- Enfim, disse ela, já não posso mais! Acabaram-se as minhas forças.
Dizendo isso, deitou-se no chão com a sua bela pelica branca manchada de sangue. E o lobo, vendo que ela havia desistido de lutar, lançou-se sobre ela, mas uma pedra atirada em sua cabeça, fê-lo recuar e dar um grito de dor. Quando ia avançar novamente sobre a sua presa, o seu Séguin surgiu por detrás de uma moita de capim, bem perto dele e lhe deu uma paulada no meio da cabeça, que fez com que fugisse imediatamente.
O encontro do seu Séguin com a sua cabra branca, foi algo maravilhoso. Ele a tomou em seus braços, dizendo carinhosamente:
- Cabrinha marota! Não me quis ouvir? Felizmente, o seu dono é um bom dono de cabras e passa toda a noite a vigiá-las contra o lobo.
Dizendo estas poucas palavras, levou Branquinha para casa e tratou de suas feridas. Branquinha nunca mais quis fugir do seu pastor. Ela o amou muito.
Seu Séguin comprou muitas cabrinhas que não quiseram mais fugir, pois a todas que mostravam este desejo, Branquinha lhes mostrava as suas feridas e dizia como o lobo era terrível.
E assim viveu o seu Séguin feliz com as suas cabrinhas.

MORAL DA HISTÓRIA: Esta história relata a relação que muitos têm com o seu Pastor. Elas querem fugir da estaca (igreja) para a montanha (o mundo) e tudo o que ela oferece. Muitas vezes, não têm tempo e são comidas por lobos (pecados) vorazes. Mas quando ouvem a história de quem já foi, e viu como a montanha realmente é, sossegam no seu canto. (Autor Desconhecido)






Por causa de Satanás ter pecado no Céu, e depois de expulso ter introduzido o pecado aqui na Terra, alguns animais tornaram-se muito maus. Mas quando Jesus VIER AQUI DE NOVO, e restabelecer tudo à sua forma original, o pecado terminará PARA SEMPRE e TODOS os animais serão de novo bons como eram de início quando foram criados - é a Bíblia que o diz! EE

quarta-feira, 2 de setembro de 2015



A PRESENÇA e o SIGNIFICADO do HUMOR na BÍBLIA

Tem-se por vezes difundido a ideia errada, acerca da relação entre Deus, a fé e o humor. A verdade é que existe entre os três um laço indissolúvel e benéfico para a experiência pessoal e para a forma como podemos compreender Deus.
Na verdade, a vivência cristã nunca poderá estar conotada à tristeza, mas sim à alegria e à felicidade. Porque Cristo nos libertou do poder do pecado e nos dá a possibilidade de experimentarmos uma transformação na nossa vida, por si só já é motivo de alegria. Apesar das dificuldades do início do Cristianismo, os primeiros cristãos eram pessoas alegres (Actos 2:46; 5:41; 16:23-25), pois a "alegria é o cunho particular do cristão"1. Devido à importância da alegria, um certo autor cristão chega até a dizer: "Haverá algum critério para avaliar a maturidade, a autenticidade, a saúde da fé? Sim, o espírito de alegria e regozijo que envolve a experiência religiosa"2.
Desta alegria, faz também parte o humor, como componente da vida e experiência de todo aquele que crê em Deus.

Definindo o Humor

A nossa palavra humor, vem do latim humor, que significa, "água" ou "humidade" e faz referência a toda a substância líquida ou semi-líquida contida num corpo organizado e principalmente nos organismos3.
A palavra foi também usada para ilustrar os quatro humores cardinais que eram o sanguíneo, o fleumático, o colérico e o melancólico. As misturas variadas destes humores, determinavam nas pessoas os seus temperamentos, as qualidades mentais e físicas e as disposições. A pessoa ideal era a que tinha uma mistura proporcional dos quatro. Atribui-se a Hipócrates (460 a 370 D.C.) a menção destes humores"4. Hoje falamos de hormonas e outras substâncias bioquímicas em vez de humores.
A palavra humor, veio também a exprimir tudo o que podia caracterizar uma atitude interior, uma forma de conceber a existência. Trata-se num certo sentido dum controle dum reflexo humano face a tudo o que nos possa acontecer"5.
Neste sentido podemos definir o humor como a capacidade de se elevar para lá das circunstâncias e sorrir. Deste ponto de vista, o humor está intimamente ligado à mensagem da Bíblia.
Já o Apóstolo João tinha definido a fé como um triunfo sobre as circunstâncias da vida "pois todo o que é nascido de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé" (1 João 5:4).
O humor é por isso uma espécie de antecipação da grande esperança cristã: a reposição da verdade, da justiça; a eliminação completa do mal e do sofrimento; o desaparecer das circunstâncias limitativas da felicidade; a reposição da perfeita alegria de viver, numa relação renovada e equilibrada entre Deus, nós e o meio que nos rodeia - que sucederá após a segunda vinda de Cristo (Apocalipse 21:4; 22:1-6).
Por outro lado, como veremos, o humor bíblico, ajuda-nos a colocar as coisas no seu devido lugar, permite-nos fazer a distinção entre o que é provisório e o que é eterno. Ele pode expressar-se por diferentes formas: ironia, sarcasmo, imitação, brincadeira, paradoxo...
Vejamos então alguns episódios de humor na Bíblia.

Relatos Humorísticos no Velho Testamento

Várias passagens do Velho Testamento dão conta do humor de Deus,
até mesmo para com os Seus inimigos

(Salmos 2:1-4; 37:12-13; 59:8; Provérbios 8:30)



A- Um dos relatos em que o humor está presente é o episódio da Torre de Babel relatado em Génesis 11:1-9.
Existe aqui um humor irónico. A humanidade procurava então "fazer-se" e atingir os céus, para ver Deus. Mas eis que é Deus que desce para ver o que fazem os seres humanos, e ver o produto insignificante da sua realização... Ora este ser humano que está prestes a ultrapassar a sua fronteira entre o céu e a terra, acaba por ser espalhado pela face da terra. De um intento que era quase unânime, resulta uma discórdia pela multiplicidade da linguagem.
O humor, está aqui na contradição entre o que se pretende e o que se obtém. O Homem que quer ser como Deus, elevar-se até Deus, não consegue afinal de contas resolver os seus próprios diferendos linguísticos e acaba por cumprir aquilo que era plano de Deus: povoar a Terra. A soberania e direcção de Deus sobre o Universo sai assim realçada mesmo apesar das tentativas de destronarem Deus.

B- Em 1 Reis capítulo 18, temos outro episódio humorístico na confrontação entre a idolatria e o culto ao verdadeiro Deus. Elias usa o humor com recurso à ironia e à sátira para realçar a insensatez que é procurar apoio em deuses que mais não são que invenção humana. (pequeno filme no final)

C- Pessoalmente o relato mais humorístico da Bíblia, para mim, é o do livro de Jonas. Alphonse Maillot, pastor Protestante, disse que este livro "é a autêntica interpelação que o Deus autêntico dirige a cada um de nós"6. Neste livro se retratam alguns aspectos dum profeta de Deus, Jonas. Uma pessoa depressiva, taciturna, egoísta, a quem Deus quer fazer compreender a importância da salvação do ser humano (não importando a sua raça, religião ou comportamento social).
Jonas começa por fugir de Deus e da missão que Ele lhe confere: anunciar a destruição de Nínive. Surge uma tempestade e Jonas que queria passar despercebido é obrigado a dizer quem é, que mensagem tem, e porque acontece tal tempestade (devido à sua fuga). Engraçado, enquanto Jonas é lançado ao mar (por sugestão sua), já não consegue ver que com a sua mensagem fez com que esta tripulação adorasse a Deus (Jonas 1:16)
Outros detalhes trazem o humor à história de Jonas e de Nínive. Por exemplo, as intervenções dos animais para fazerem Jonas refletir. Primeiro é um grande peixe que o engole e que lhe permite fazer uma oração na qual Jonas reconhece que do Senhor vem a salvação (Jonas 2:9). Depois é um pequeno verme que faz secar a árvore em que o teimoso Jonas esperava ver descer o fogo do céu para consumir Nínive e os seus habitantes (Jonas 4:7) e que leva ao grande diálogo do livro onde Deus, duma forma humorística, faz comparações entre o desgosto de Jonas por uma árvore que lhe dava sombra, e o amor de Deus pelos habitantes de Nínive (Jonas 4).
Em segundo lugar é o efeito da graça de Deus. Os Ninivitas acolhem a mensagem de Jonas e arrependem-se confiando na misericórdia e graça de Deus, e vivem. Jonas deseja morrer porque essa graça poupou a vida dos Ninivitas (Jonas 3:10-4:3). Através do humor, Deus dirige-se a Jonas e leva-o a compreender a Sua pedagogia. Deus não tem prazer na destruição, mas na salvação (Ezequiel 18:32) e leva Jonas a olhar para lá do seu pequeno mundo, para uma realidade mais abrangente que são as necessidades reais daqueles que o rodeiam.

      

O Humor no Novo Testamento

O Evangelho é a boa nova da Salvação de Deus e como tal Jesus e a Sua mensagem são sinónimos da alegria. Podemos até dizer que "Cristo chegou a um mundo enfastiado e vazio e penetrou nele pela porta esquecida da alegria"7. Na verdade a mensagem de Jesus transmite alegria (Lucas 2:10; 6:21), e como as crianças e as pessoas em geral se sentiam bem na Sua presença, devemos concluir que Ele era alguém simpático, alegre, humorado. É natural pois que o humor encontre também eco nas Suas palavras. Mateus 7:3 transmite-nos uma ponta do humor de Jesus: "Porque reparas no cisco que está no olho do teu irmão, mas não percebes a trave que está no teu"?
Nesta afirmação, Jesus caricatura aqui a tendência humana de minimizarmos os nossos defeitos e de maximizarmos os dos outros. Usando o absurdo, Cristo chama-nos a uma tomada de consciência dos nossos erros, que podem ser até maiores que os erros alheios. As faltas dos outros não podem esconder as nossas, nem nos impedirem de ver o quanto precisamos de progredir na nossa esfera pessoal.
Mateus 23:23-24 é outro exemplo do humor de Jesus. Aqui Jesus coloca em evidência o zelo extremoso dos fariseus para certos aspectos que eles consideravam essenciais (donde a expressão coar um mosquito), mas que no fim de contas desprezavam o mais importante da revelação de Deus: a lei, a justiça, a misericórdia e a fé. A figura de engolir o camelo, sugere o quanto estes contemporâneos de Jesus estavam longe do ideal de Deus para a humanidade. Pode-se ser muito exigente em certos aspectos que no fundo são insignificantes, e ignorar completamente o que é essencial na experiência religiosa.

       

(A jumenta de Balaão fala - Números 22)    (David e o gigante Golias - I Samuel 17)

CONCLUSÃO

Há muitas outras passagens da Bíblia em que o humor está presente, mas que por motivo de espaço não podemos incluir aqui. Mesmo este estudo é apenas uma pequena contribuição para algo que ressalta da mensagem bíblica. Deus dirige-se a cada um de nós de muitas maneiras e o humor é uma delas. Recorrendo a esta forma de expressão podemos compreender que se Deus ri e usa o humor, então Ele é alguém acessível. Através do humor, no entanto Deus continua a mostrar-nos como Ele deseja que sejamos conscientes dos nossos erros, da nossa condição de criaturas, das nossas tentativas frustradas de O substituirmos na nossa vida. Mas diz-nos também que não há mal que não tenha solução, e que se desejarmos, Ele pode transformar a nossa vida.
O humor ajuda-nos a viver acima das situações, porque como cristãos sabemos em última análise que Deus dirige todas as coisas e que tudo Ele fará para nosso bem (Romanos 8:28). Finalmente o sentido de humor é já uma antecipação daquilo que Deus realizará no final dos tempos: a restauração de todas as coisas, a erradicação do mal e a instauração do bem e da felicidade em todo o Universo.

Anotações:
1 Cf. Atilano Alaíz, Cristãos Adultos, Lisboa: Edições S. Paulo, 1994, pág. 75; 2 Id., pág. 71; 3 Cf. Dictionnaire Encyclopédique Quillet,: Éditions Quillet, 1990, pág. 3361; 4 Cf. The New Encyclopaedia Brittanica 1992, vol. 6, pág. 145. Ver também Tim la Haye, Temperamentos Transformados, S. Paulo: Editor Mundo Cristão, 1998, pág. 7; 5 Cf. Roland Fisher; "L'Humour dans la Bible", in Servir, nº 3, 1995, pág. 52; 6 Cf. Alphonse Maillot, Jonas, Paris: Delachaux et Niestlé, 1977, pág.21; 7 Cf. José Luíz Martin Descalzo, Vida e Mistério de Jesus de Nazaré, Cucujães: Editorial Missões, 1994, vol. II pág. 490.

Artur Machado, mestre em Teologia, é o Secretário da UPASD (União Portuguesa dos Adventistas do 7º Dia) em Portugal. Texto da Revista Sinais dos Tempos, 1º Trimestre, 2002.


Um Pequeno Presente de um Grande Coração
(O Humorzinho Tão Amoroso de um Querido Menino! EE)

     Fui trabalhar nas Ilhas Andaman, na Índia, como estudante missionário. Não sabia quem me buscaria no porto, onde moraria, ou o que iria fazer. Mesmo assim, segui em frente, sabendo que o Senhor tomaria as providências necessárias.
     No navio, conheci um senhor que, além de ser adventista, também era o cozinheiro-chefe do navio. Ele me convidou a ir para sua casa e, de bom grado, aceitei. Sua família, constituída de sete pessoas, concordou alegremente que eu morasse com eles.
     Eles tinham apenas um filho, de sete anos de idade, ao qual chamavam carinhosamente de "Sunny." Esse menino era meu guia na pequena cidade; ele me mostrou o caminho para as lojas, restaurante e residências dos membros da igreja.
     Por seis semanas, estive ocupado dirigindo a Escola Cristã de Férias e os cultos da igreja, pois não havia pastor naquela congregação. O tempo passou rapidamente e logo chegou a hora de voltar para o Spicer Memorial College, em Pune, Índia, para continuar meus estudos.
     O fato de ficarmos juntos por mais de um mês, ensinando novas canções, contando histórias e ajudando-os a apresentar encenações baseadas na Bíblia para a Escola Sabatina e para os cultos, criou um elo muito forte entre nós.
     O momento de fazer a última refeição no lar da querida família que tanto me ajudou, chegou muito rápido. Sunny sentou-se ao meu lado à mesa, enquanto a mãe servia. Geralmente, ele reclamava da comida para sua mãe, uma mulher muito paciente. Ela não se importava, pois ele era seu único filho. Nessa refeição, entretanto, ele sentou-se ao meu lado, comeu sozinho o que a mãe lhe serviu e sem reclamar uma só vez. Após a refeição, reunimo-nos para orar e o pai da família disse:
     - Isso é para você - entregando-me uma nota de 50 rúpias (cerca de um dólar americano).
     Ao lhe perguntar por que estava fazendo isso, ele me disse alegremente o que havia acontecido antes da refeição, enquanto eu arrumava a mala para ir embora.
     Sunny foi até seu pai e perguntou: "Pai, o que o senhor me dá se eu comer toda minha comida sozinho, sem reclamar para minha mãe?" O pai, feliz com seu filho, disse: "Escolha o que você quiser." Sunny pediu 50 rúpias. O trato foi feito e ele comeu tudo. O pai estava impressionado com o menino e, quando lhe ia dar o dinheiro, Sunny disse: "Por favor, dê ao meu professor da Escola Cristã de Férias." O valor era pequeno, mas para mim, muito sagrado.

Enquanto viajava sozinho, lembrei-me de outro Filho que foi até Seu Pai e perguntou: "O que o Senhor me dará se Eu tomar esse cálice?" E o Pai pediu gentilmente ao Filho para escolher. O Filho escolheu assumir a minha e a sua pena de morte. Ele disse ao Pai: "Por favor, dê vida eterna àquele professor da Escola Cristã de Férias e a todos os que crerem em Mim."

Jesin Israel Kollabathula é estudante de pós-graduação no Instituto Internacional Adventista de Estudos Avançados (AIIAS), em Silang, Cavite, Filipinas. Texto apresentado na Revista Adventist World Janeiro 2009.


Pode ler na Bíblia sobre a história verdadeira deste filme, de 1 Reis 16:29 até ao fim do capítulo 19. E depois, o final com o seu sucessor Eliseu, em 2 Reis 2. Impressionante a subida de Elias para o Céu num carro de fogo, onde já está a viver com Deus e com todas as maravilhas que lá existem!
A Bíblia, o Livro de Deus, fala de mais 2 homens que também já vivem no Céu: Enoque e Moisés. "As únicas pessoas mencionadas nas Escrituras como tendo sido arrebatadas ao Céu em vida (não por ocasião da morte como ensinam alguns) foram Enoque (Génesis 5:24; Hebreus 11:5), Moisés (Deuteronómio 34:6 e Judas 9 – antes de ir para o céu, Moisés foi ressuscitado) e Elias (2 Reis 2:9-12)." Leandro Quadros - Na Mira da Verdade, Links 1R.