quarta-feira, 7 de agosto de 2013

DIA INTERNACIONAL DA EDUCAÇÃO

COMO Podem as ESCOLAS FORTALECER a Vida FAMILIAR



O olhar de Carmen López passava de aluno a aluno. Um a um os rostos tomavam o seu devido ênfase:
Ali estava o Pedro, de cabelo ruivo e enormes olhos castanhos, a quem dava vontade de abraçar. A mãe tinha-o abandonado há quase 6 meses. Tinha ido embora porque, segundo ela, "queria pensar, pelo menos uma vez na vida, em si mesma". Carmen perguntava-se se poderia esquecer alguma vez a imagem da dor, daquela manhã, quando o Pedro lhe contava o que tinha acontecido. "A mamã abandonou-nos e foi-se embora para viver na capital", disse, enquanto olhava através da janela. "Já não nos quer mais!"
E a Marta, pobre Marta! Felizmente, dizia Carmen, tinha-a conhecido quando ainda era uma menina a quem se podia dar amor, porque ultimamente isto tornava-se muito difícil. Os efeitos da puberdade faziam-se sentir numa idade muito precoce e Marta demonstrava os efeitos dessa fase. De vez em quando assomava a doçura da infância, mas a maior parte das vezes expressava confusão, e essa rebeldia estranha da adolescência que se manifesta na maquilhagem e na roupa a chamarem a atenção, na linguagem grosseira e num desinteresse desrespeitoso pelos direitos dos outros.
De repente, chamou a atenção de Carmen um pedaço de papel que passou com algum descuido entre os alunos. Cansada, pegou nele e leu-o: "Quando a professora sair", dizia o papel, "eu começarei. Em seguida vocês todos se unirão a mim e juntos exclamaremos: 'O Ricardo é o menino mimado da professora!'; 'O Ricardo é o menino mimado da professora!' Avisem o resto da turma." Assinado: "Tomás". Carmen fixou o seu olhar de criança em criança. Tinha imaginado que a situação mudaria para melhor se ela falasse com as crianças acerca do perdão, mas Tomás tinha informado os que o rodeavam que o seu pai lhe tinha dito que o perdão é só da 1ª vez, depois há que actuar. "Avisa-se a pessoa do que lhe sucederá da próxima vez que incomodar e actua-se logo", disse o Tomás.
A cadeira mais distante do corredor estava vazia. O que fazer com a Anita? O seu pai tinha abandonado a casa há mais tempo do que Anita se podia recordar. Agora a sua mãe tinha outro marido, que também tinha os seus próprios filhos. Se pelo menos... As emoções de Carmen eram tão intensas que, tão sobrecarregada, estava a ponto de exclamar em voz alta: "Se ao menos pudesse pôr de lado as minhas suspeitas de abuso paterno..., ou mesmo ganhar a confiança de sua mãe e ultrapassar essa barreira impenetrável para descobrir a realidade e ajudar a Anita!

Alguém levantou as mãos, interrompendo as suas meditações. Ao princípio parecia muito fácil ser professora. Mas a realidade exige de uma pessoa mais do que métodos atractivos para servir de aliciante aos alunos na leitura e na explicação da matemática.
Como poderia ela ajudá-los a suportar as cargas emocionais que transportavam? Como poderia servir-lhes de alívio, restituir-lhes o que fazia parte dessa idade juvenil, livre de preocupações? De que maneira, por meio do ensino, poderia influenciar positivamente a vida familiar dos seus alunos? Era apenas um sonho ingénuo supor que essas mesas não seriam mais ocupadas por crianças sofredoras?


É um facto que quando as crianças vêm para a Escola trazem consigo, de certo modo, as suas famílias. Quer dizer, as experiências do Lar deixam-lhes cicatrizes que durante toda a vida os seguirão afectando profundamente.
O número crescente de crianças sem supervisão nos seus lares, somado à grande pressão económica que sofrem os pais, faz com que estas prioridades deixem pouco tempo e energia para fomentar boas relações familiares.

O divórcio e a separação dos cônjuges têm criado uma das maiores crises que as crianças e os jovens têm de enfrentar nos dias de hoje. Para a maioria, se não a totalidade, esta experiência resulta num desvio emocional e psicológico de si próprios. Inclusivamente, o que aparenta ser o melhor arranjo para o cuidado das crianças acaba por ser um jugo pesado que esses mesmos filhos carregam. Quando ocorre um novo casamento e se introduzem padrastos, aumenta-se as tensões, pois agora são duas famílias distintas, que possivelmente terão experimentado dor e perda, que têm de fazer um novo arranjo.

Como um espelho que distorce as imagens, os meios de comunicação têm deformado, nas crianças e jovens, o conceito do que significa a Família, limitando as suas próprias experiências, eliminando as barreiras que os protegiam da dura realidade da vida adulta e inculcando-lhes uma mensagem superficial de que todos os problemas se resolvem facilmente com um produto ou um comprimido. O aumento de sentimentos de frustração, ira, ressentimento e pena, trouxe como resultado uma violência familiar de proporções gigantescas.
Os adolescentes respondem com indiferença perante os valores paternais e voltam-se para os seus companheiros da mesma idade. Sentindo-se incapazes de enfrentar os seus problemas, muitos deles simplesmente se tornam passivos, fugindo de casa, abandonando os estudos, voltando-se para as drogas, para a delinquência e até o suicídio.

UM CÍRCULO VICIOSO

É sabido que as famílias disfuncionais continuam a produzir mais famílias disfuncionais. Que podemos fazer para minorar esta descida vertiginosa? Não há dúvida de que as crises que os alunos enfrentam nas suas casas hoje em dia são de tal magnitude que requerem a ajuda por parte da Escola, como de outra entidade possível, para capacitá-los a funcionar melhor.
No passado considerava-se que a base académica - ler, escrever e fazer contas - era da total responsabilidade da Escola e esperava-se que o resto da preparação estivesse a cargo do Lar, da Igreja e de toda a Sociedade. Mas, na realidade, a vida se tornou mais complexa. Enquanto o conhecimento vai aumentando - e na verdade temos uma ampla informação disponível que nos ajuda a compreender as nossas relações interpessoais e familiares - a influência, tanto do Lar como da Igreja parecem estar diminuindo. Como consequência, é inevitável que se espere mais da Escola, que tem de oferecer a sua ajuda tanto aos alunos como aos seus pais a viver melhor.

OS PROBLEMAS DE RELAÇÃO IMPEDEM UMA DOCÊNCIA EFICAZ

Ao observar-se que o comportamento conflituoso, juntamente com os problemas relacionais, dificultam o ensino eficaz, concluiu-se que a Escola deve intervir de algum modo. Os docentes e directores deram-se conta de que se não pusessem um plano de acção não poderiam ensinar nem o básico. Mas, embora a necessidade de pôr em prática, por meio da Escola algum programa de Relações Familiares Positivas, seja um fato que vai aumentando, todavia existem interrogações na mente dos educadores e dos pais.
Como devem as escolas tratar as situações que vivem os alunos nas suas casas? Deverão considerar estes assuntos do lar como um tema de educação? Se é assim, de que modo se devem ensinar?

Ellen White elevou a visão dos Educadores Adventistas dando ênfase de que a Verdadeira Educação "abrange todo o ser".1 Talvez mais do que nunca, precisamos de compreender a importância que tem a Família na formação integral dos jovens. Uma ampla gama de necessidades humanas, psicológicas, emocionais e sociais, mentais e espirituais, se nutrem e satisfazem, ou se negam e ignoram, no seio da Família. O destaque compreensivo da Educação ajuda os alunos a entender as diferentes maneiras de viver com mais satisfação no seio da Família e a prepará-los para se relacionarem harmoniosamente com as suas futuras famílias.

UM MINISTÉRIO ESPIRITUAL

A Educação Adventista é uma extensão vital do ministério espiritual da Igreja. A família está baseada como tal, num ambiente espiritual que é descrito amplamente nas Sagradas Escrituras. Por ele, a Escola tem não só o privilégio, mas também a responsabilidade de revelar ao aluno a dinâmica espiritual que se obtém no ambiente familiar, incluindo para além disso, todo o tipo de relações interpessoais. A Educação significa mais do que uma preparação para a vida atual,2 escreveu a educadora Ellen White, com a intenção de que compreendamos os factores envolvidos. Sim, muito mais, na verdade! Mas, pelo menos, busca já uma preparação para esta vida, na qual a Família assume uma grande e importante porção.


AS ESCOLAS PODEM TER UM EFEITO POSITIVO SOBRE AS FAMÍLIAS DE HOJE E DO FUTURO

Claro está que a Escola não pode tomar sobre si todas as responsabilidades do Lar que são próprias da Família, nem é sua responsabilidade básica resolver problemas de relacionamentos que algum estudante está experimentando na sua casa. Mas as Escolas podem ter um efeito positivo sobre as famílias de hoje e do futuro.

UMA INFLUÊNCIA ESTABILIZADORA

Os lares podem desequilibrar-se periodicamente quando as crianças e os adultos atravessam momentos de tensão nas suas vidas. Em troca, a Escola, no geral, mantém-se mais equilibrada e não se rege pelas emoções quando se envolve nos problemas familiares. Portanto, provê uma atmosfera mais estável, que serve como um ponto de referência para a criança, na qual deverá encontrar consideração, amor, afirmação e respeito por parte do Professor cristão, e mais ainda quando estes elementos não se manifestam no seu Lar.

UMA INFLUÊNCIA MODELADORA

O pessoal docente e outros colaboradores podem servir como modelo das maneiras certas de relacionamento de uns para com os outros. O seu amor, seu carinho, a sua disposição a escutar, ser francos com os seus alunos, a sua maneira de responder e de tomar decisões, todos estes factores têm influência poderosa, e por longo tempo, nos jovens. Os mestres cristãos que amam os seus alunos têm o privilégio de modelar papéis exemplares de conduta, e desse modo ajudar os jovens a tomar decisões positivas em relação à forma como eles agirão quando adultos. Às vezes o Professor chega a ser uma influência maior do que mesmo os pais.

O PROGRAMA DE VIDA FAMILIAR

A Educação Familiar tem que estar incluída no programa escolar. Pela sua influência sobre a juventude, a Escola tem de ser uma parte dinâmica na interpretação das mudanças sociais que estão afectando a Família, compartilhando o que se conhece acerca do desenvolvimento e comportamentos na família, educando-a quanto às relações interpessoais, apresentando aos seus membros experiências práticas para ajudá-los a funcionar melhor no ambiente familiar e que sirva para o resto das suas vidas.
Um programa bem projectado deve oferecer cursos desde o Jardim de Infância até finalizar o Ensino Secundário. O que se apresenta actualmente como orientação sexual é um princípio; porém, embora a anatomia e a fisiologia da sexualidade tenham muita importância, elas deverão ser apenas uma parte de um todo mais abrangente. A sexualidade, para ser compreendida a fundo, tem de ser considerada também do ponto de vista do plano e propósitos divinos, dos valores morais, da sua função na personalidade e do seu lugar nas relações interpessoais. O uso da frase ‘vida familiar’ não deverá ser um eufemismo para encobrir a sexualidade no programa que se oferece na Escola. A Sexualidade abrange muito mais do que a Reprodução.

Uma Apresentação Total Da Educação Para A Vida Familiar Inclui Temas Como Os Seguintes:

- Como desenvolver uma Auto-Estima Positiva de nós mesmos e dos Outros
- Domínio das Emoções
- O Processo das Crises e Tensões
- A Comunicação
- A Solução dos Conflitos
- Tomar Decisões
- Valores e Metas da Família
- As Finanças Pessoais e da Família
- O Propósito do Lar
- Abuso e Violência no Lar
- Aspectos Físicos da Maturidade Sexual
- Papéis Sexuais
- O Aborto
- A Agressão Sexual
- Suicídio entre os Adolescentes
- Preparação para o Papel de Adulto
- Namoro
- Como Escolher o Companheiro para a Vida
- Preparação para o Casamento
- Decisões acerca da Formação de uma Família
- O Amor no Casamento e na Família
- O Desenvolvimento Pessoal durante a Vida


Cada uma destas áreas abrange temas morais e emocionais de grande importância e podem ser divididos em tópicos mais detalhados. Embora alguns dos temas tenham maior importância em épocas definidas da vida, a maioria são de interesse para todos os graus do ensino básico e secundário. Alguns destes pontos já têm sido apresentados nas nossas instituições educativas, mas deve prestar-se uma maior atenção ao desenvolvimento e à implementação de um Curso Familiar específico, mais abrangente.
Ao pensar-se acerca de um tal programa, seria útil seleccionar-se vários temas mais amplos, como por exemplo: a auto-estima, as relações interpessoais, a sexualidade e as preocupações sociais que têm impacto sobre a família.
Estes temas podem repetir-se cada ano em todos os graus, tendo em conta obviamente a idade e maturidade dos estudantes, para facilitar assim uma compreensão mais profunda dos conceitos apresentados.

(...)
Na implementação deste tipo de cursos, os educadores adventistas não devem ter que lutar pela inclusão de valores morais, o que em tantas outras escolas gera controvérsias. Assim como esperamos que os nossos docentes mantenham bem alto os princípios cristãos no seu ensino de Religião, Ciência, Saúde ou Literatura, também esperamos que o façam com o Programa sobre Família.

NECESSITA-SE DE UMA CONTRIBUIÇÃO COORDENADA

O desenvolvimento de um curso de Vida Familiar requer a colaboração da Escola, do Lar e da Igreja. Com este esforço, teremos a oportunidade perfeita para unir as três Instituições mais importantes que afectam a vida dos jovens. Uma vez estabelecido, o programa terá de ser comunicado periodicamente, para que os pais possam estar informados do que as crianças estão a aprender nesse curso.
Também a Associação de Pais e Professores ou a Escola e a Igreja poderiam patrocinar seminários de desenvolvimento para os Pais, a fim de lhes ensinar os conceitos e as técnicas que os seus filhos estão a aprender.
O ideal seria também a realização de um Seminário ou uma actividade de enriquecimento onde Pais e Filhos pudessem experimentar o desenvolvimento juntos.

Sabemos que o programa básico das Escolas Adventistas é considerado como Bom, e o que lhe deu esta nota distintiva foi o factor das relacionamentos, tanto com Deus como com aqueles com quem compartilhamos a vida.


O Pedro, a Marta, o Tomás e a Anita vêm à Escola a fim de aprender as matérias básicas: ler, escrever e fazer contas. Contudo, a Verdadeira Educação tem que lhes oferecer mais do que a compreensão de dados e números. Se nos esforçarmos para ajudá-los a ter uma boa relação com as suas famílias no presente, poderemos assegurar-lhes também a promessa de ser possível formarem-se famílias mais estáveis no futuro.
Notas:
1. Ellen White, La Educación, pág 11.
2. Idem.

Ron e Karen Flowers, directores associados dos Ministérios do Lar e da Família, Departamento dos Ministérios da Família da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, Silver Spring, Maryland, EUA, in La Revista de Educacion Adventista, Número Especial, 1992.

"A verdadeira educação significa mais do que avançar num certo curso de estudos. É muito mais do que a preparação para a vida presente. Visa o ser todo, e todo o período da existência possível ao homem. É o desenvolvimento harmónico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais. Prepara o estudante para a satisfação do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro." Educação, pág. 13.

"Ensina ao menino o caminho que deve seguir, e assim, mesmo quando for velho, não se afastará dele." "A insensatez faz parte da mentalidade infantil; mas uma Educação rigorosa fá-la desaparecer." Provérbios 22:6, 15 (Tradução Interconfessional em Português Corrente).

O SENHOR É A MINHA LUZ
Salmo 27

O Senhor é a minha luz e a minha salvação, O Senhor é a fortaleza da minha vida,
Quem eu temerei? Quem eu temerei?

Quando homens avançam contra mim, E todos os meus inimigos me rodeiam,
Eles vão tropeçar e cair, Tropeçar e cair.
Apesar de todo o mundo me cercar, E a guerra cair contra mim,
Estou seguro no Senhor, Seguro no Senhor.

E no dia da aflição, Estou seguro dentro da Sua morada,
Ele vai me esconder, sim, Ele vai me esconder.
Minha cabeça será exaltada, Acima dos meus inimigos,
Eu vou cantar ao Senhor, Cantar ao Senhor.

Há uma coisa que peço ao Senhor, Para os dias da minha vida:
Que eu possa morar na casa do Senhor, Todos os dias da minha vida,
Para contemplar a Sua beleza, Buscá-l'O no Seu templo.



quinta-feira, 11 de julho de 2013

R/A/C/I/S/M/O   VERSUS   CRISTIANISMO
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Pessoas  Fantásticas...



O racismo é quase tão velho quanto a raça humana. Ele aparece em muitas formas, tanto explícita como camufladamente. Racismo existe quando permitimos que cor, casta, língua, nacionalidade, tribo, etnia ou cultura, possam de alguma maneira erigir uma parede entre pessoas, individual ou coletivamente, de maneira a fazer que alguém expresse desprezo, preconceito ou domínio sobre outrem.
A ideia de que algumas pessoas são inerentemente superiores ou inferiores pode ser derivada da religião (sistema de casta na Índia ou purificação étnica na Bósnia), da superioridade económica (colonialismo), do chauvinismo (nazismo, apartheid, tribalismo) ou de uma premissa genética falsa (Ku Klux Klan). Qualquer que seja o fator, o racismo afirma que os seres humanos não possuem os mesmos valores intrínsecos e idêntica dignidade.1
Mas seria o racismo realmente uma religião, como sugere o título deste artigo? Porque, e de que maneira, seria o racismo incompatível com o cristianismo? Na qualidade de cristãos, que podemos fazer para promover normas bíblicas nas relações humanas?

RACISMO - UMA RELIGIÃO

A antropóloga Ruth Benedict salienta que o racismo é uma religião estabelecida numa mundivisão naturalista. Racismo, afirma ela, é "o dogma que postula estar um grupo étnico condenado pela natureza a uma inferioridade hereditária, enquanto outro grupo está destinado a uma superioridade hereditária. Segundo este dogma a esperança da civilização depende da eliminação de algumas raças enquanto outras são preservadas puras".2
Aqueles que acreditam ou praticam a superioridade ou inferioridade inerente de um grupo de indivíduos sobre outro, podem não admitir, todavia, que eles estão de fato aderindo a uma religião que lhes é própria. No entanto, o racismo partilha de todas as caraterísticas essenciais de uma religião, seja secular ou sobrenatural.3
- Como Religião, o Racismo Oferece um Sentimento de Poder. Os racistas fazem da raça superior o valor central ou o objeto de devoção. Consequentemente, nessa religião, os membros encontram o "poder de ser" através da adesão e identificação com a 'raça superior'. O poder do racismo toma duas formas distintas: o racismo legal pelo qual políticas discriminatórias são codificadas nas leis do país (o apartheid, o nazismo, a escravatura); e o racismo institucional em que práticas raciais, mesmo sem o apoio legal, são impercetivelmente construídas em diversas estruturas sociais.
- Na Qualidade de Religião, o Racismo Possui as Estruturas Comuns à Religião. Ele possui a sua própria ideologia (arianismo, supremacia branca, poder da raça negra, triunfalismo tribal), realidades tangíveis (suástica), um semideus (Hitler), credos, crenças, mitos, rituais e práticas (cerimónias de purificação, cultos místicos), simbolismos, cultos comunitários (asserções periódicas do grupo) e até mesmo valores morais (como os conceitos do "certo ou errado" definidos segundo as perceções e prioridades do grupo).
- Na Qualidade de Religião, o Racismo Compete com Outras Religiões. As religiões tradicionais apelam para o sobrenatural, para figuras e valores extraterrenos, enquanto que o racismo é mais terrestre e secular. Ele pode competir com outras religiões e explorá-las para seus próprios fins. Por exemplo, considere como o nazismo tentou destruir o cristianismo autêntico enquanto cooperava com as igrejas subjugadas.
A religião apela para um líder supremo, condena os males da sociedade, procura prover respostas aos problemas sociais, exalta elevados ideais de justiça, equidade e irmandade, requer absoluta obediência e sacrifício próprio e possui o seu próprio livro de código. Tal acontece com o racismo, embora restrito ao seu próprio grupo composto de seres humanos superiores.

RACISMO E CRISTIANISMO: A INCOMPATIBILIDADE
O racismo é totalmente incompatível com o cristianismo. Os cristãos precisam entender isso pela simples razão de que o racismo, ao usar a capa da religião, torna-se tão facilmente domesticado que até mesmo os cristãos sinceros são incapazes de reconhecer os seus perigos, tornando-se vítimas da sua insistência na superioridade étnica. O cristianismo autêntico dissocia-se e condena qualquer forma ou prática de racismo.

Enumeraremos 7 Áreas Importantes nas Quais o Evangelho da Graça de Deus Rejeita a Loucura do Racismo:4


- Epistemologia. A Bíblia ensina que o conhecimento da verdade e da realidade vem "do alto": proveniente de uma revelação de Deus em Jesus e na Palavra escrita (João 17:3; II Timóteo 3:15-17). O racismo, por outro lado, apela para as "fontes de baixo", que pressupõem a existência de uma alegada raça superior, contendo várias versões de orgulho étnico. Por exemplo, os brancos racistas no século 19 encontraram uma epistemologia confortável na teoria de Darwin sobre a sobrevivência do mais forte. Através dessa teoria, os europeus encontraram confirmação de que "eles eram os mais fortes de todos".5 Herbert Spencer, argumentando em favor do darwinismo social, afirma que algumas raças são "por natureza incapazes" por serem biologicamente e inerentemente inferiores. Tais argumentos fornecem a "permissão suprema para regras sociais de dominação" e "outorga credenciais espúrias ao racismo".6
Outra fonte de conhecimento para o racista é a compreensão subjetiva e depreciativa da outra raça, que é solidificada por crenças exageradas, mitos, estereótipos e piadas. Para se obter um entendimento cabal daquilo que se passa num determinado contexto social, é necessário pertencer a uma raça particular e adotar as suas interpretações da realidade.
A versão racista da verdade ignora ou rejeita assim a asserção bíblica de que todos os seres humanos, criados à imagem de Deus, têm a capacidade de compreender, ter empatia, apreciar e comunicar entre si, a despeito do contexto racial. Ao rejeitar a revelação bíblica, o racista busca na sociologia, antropologia, história e ciência, a maneira de explicar e encarar os problemas raciais. O racismo pode às vezes consultar a Bíblia, mas somente para encontrar apoio para as suas posições.7
- Criação. A doutrina bíblica da Criação estabelece a unidade e igualdade biológica da raça humana. A declaração de S. Paulo de que Deus "de um só fez a geração dos homens" (Atos 17:26) enfatiza a singularidade de Deus e a singularidade da humanidade. A pressuposição racista da inferioridade de algumas raças não somente nega esse princípio bíblico, como afronta o caráter de Deus, ao sugerir que Ele é responsável pelos supostos defeitos em algumas das espécies humanas.
Além disso, uma teologia racista implica que algumas pessoas não fazem parte da família humana a quem Deus confiou o domínio sobre a ordem criada (Génesis 1:26), e que tais podem ser subjugados e explorados por uma raça superior. T. F. Torrence argumenta corretamente que o "racismo é uma invasão da própria ordem da Criação", e funciona em "oposição direta ao propósito divino da graça, sobre o qual toda a criação depende".8
- A Natureza dos Seres Humanos. O ensino bíblico de que os seres humanos são criados à imagem de Deus implica que, como agentes morais livres, eles fazem escolhas das quais terão que prestar contas a Deus e a eles mesmos na comunidade.
O racismo rejeita a doutrina bíblica da humanidade e apela para o determinismo genético ou biológico a fim de sustentar as suas reivindicações racistas. Quando o racismo ensina, por exemplo, que algumas raças são, por natureza, fisicamente fracas, intelectualmente limitadas ou moralmente inferiores, tal determinismo limita o potencial e a atuação humana, negando a responsabilidade humana perante Deus - algo básico na mundivisão bíblica (ver Atos 17:31; Apocalipse 14:6).


- O Pecado e a Depravação Humana. A Bíblia ensina que todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus" (Romanos 3:23; 5:12; I Coríntios 15:22). O pecado original e a consequente degradação e morte que vierem a todos os seres humanos são resultados do pecado de Adão (Romanos 5:12-21). Mas o argumento racista de uma raça superior/inferior não vê problemas, tais como a Queda e o Pecado. O argumento racista é de uma hierarquia em depravação: quanto maior a suposta inferioridade da raça, maior a depravação.
Mesmo que a teologia racista admita que a raça superior também caiu, ela reinterpreta a natureza da Queda. O racismo vê nas chamadas raças inferiores uma dupla queda: a primeira por causa da queda de Adão, e a segunda, uma queda "racial" particular. Consequentemente, para o racista, a mistura racial resulta na perda da pureza da raça. Assim é que Hitler no seu Mein Kampf sustentou a tese de que a raça superior experimenta uma queda cada vez que ela permite que o seu sangue se misture com o da raça inferior.
Como poderá tal crença ser compatível com a reivindicação bíblica de que a raça humana, na sua totalidade, tem uma origem e um problema comum?
- O Grande Conflito. A Bíblia apresenta um conflito cósmico entre Cristo e Satanás (Efésios 6:10 e seguintes). O assunto central desse conflito é o caráter amoroso de Deus e a Sua atuação e exigência da ordem criada. Como religião, o racismo também reconhece a existência de um conflito entre forças superiores, mas os seus participantes estão divididos em linhas raciais: Deus e os Seus anjos são forjados à imagem da raça superior, enquanto que Satanás e os seus anjos formam a essência da raça inferior. Esse dualismo ajuda o racismo a criar a dicotomia "nós-contra-vós".
Essa plataforma cósmica também ajuda o racismo a falar de um golfo intransponível entre raças.9 A única maneira de se obter harmonia racial é fazer com que cada raça descubra o seu lugar na sociedade. Para evitar conflitos, os dois mundos devem ser mantidos à parte, separados e segregados.10
Mas a visão bíblica do Grande Conflito antecipa uma reunião final de toda a família de Deus com "uma única palpitação de harmonioso júbilo ... por toda a vasta criação". 11 Quando o evangelho de Jesus exige a prática da unidade na Terra, como pode o racismo com o seu ódio e segregação ser compatível com o cristianismo?
- Redenção. O racismo contradiz a doutrina cristã da redenção. A expiação substitutiva em favor do pecado realizada na cruz, redime todos os seres humanos que escolhem aceitar a Jesus, sem tomar em consideração qualquer diferença entre eles (João 3:16; Romanos 1:16; Gálatas 3:26-28). A cruz também assegura uma consumação escatológica da redenção na Nova Terra (João 14:1-13; I Tessalonicenses 4:14-17; II Pedro 3; Apocalipse 21). Na teologia racista, todavia, os seres humanos (a raça superior) procuram efetuar a sua própria redenção: "A essência da redenção é a renovação racial, o reavivamento da raça superior através de técnicas de purificação."12 Através de técnicas tais como eugenia, esterilização, guerra, limpeza étnica, etc., a escatologia racista almeja proteger os genes superiores contra a debilitação da raça inferior. Isso implica que a raça superior deve procriar enquanto a inferior deve ser eliminada.13
- Ética. A ética cristã opõe-se totalmente à ética racista. A primeira baseia-se na "santidade da vida humana", brotada da doutrina da Criação. A Bíblia apresenta os Dez Mandamentos como a mais explícita norma de conduta humana, e Jesus como o exemplo supremo para a humanidade.
O racismo, todavia, eleva a doutrina da "qualidade-da-vida-humana", que sugere ser a personificação do ser humano determinada pelas suas caraterísticas biológicas, tendo algumas pessoas apenas um valor relativo. Segundo a ética da "qualidade-da-vida-humana",14 alguns seres humanos não são realmente "pessoas" e consequentemente, podem ser exploradas. Assim é que em 1857, no infame caso do Dred Scott, o juiz Roger Taney da corte suprema dos Estados Unidos pôde argumentar: "'Sendo que os pretos são de uma ordem inferior, o preto deve ser legalmente e justamente reduzido à escravidão para o seu próprio benefício.' Ele foi comprado, vendido e tratado como um artigo ordinário de mercadoria e tráfico, desde que certo lucro pudesse ser obtido através disto".15
- Filosofia da História. A Bíblia vê a história como se desenrolando sob a soberania de Deus. Deus trouxe a criação à existência para que se tornasse a "arena da história"; Ele criou o tempo para medir o "movimento da história"; e formou os seres humanos para serem uma "entidade habitando a história".16
Segundo a religião racista, todavia, a raça superior é o centro da história humana. O racista crê que somente "uma raça (a raça superior) trouxe progresso à história humana, e ela é a única que pode assegurar o progresso futuro".17 Assim o racista não somente ignora, diminui e distorce a história das outras raças, mas também recusa ouvi-las ou delas aprender. Afinal, existe apenas uma história: a história da raça superior tal como ela a interpreta.18
Embora não se possa culpar o racismo pela falha humana em reconhecer a contribuição e os potenciais de outros povos, é intrigante constatar como o racismo, de maneira subtil, influenciou a procrastinação da igreja em conceder a todos os cristãos igual oportunidade na sua vida e missão.


O RACISMO E OS ADVENTISTAS: O DESAFIO

Os Adventistas do Sétimo Dia têm uma oportunidade única de lidar com o assunto do racismo tanto na igreja como na sociedade. Consideremos três vantagens que temos.

. Ser o Remanescente. Quando nos identificamos como o remanescente, reivindicamos ser o povo de Deus do tempo do fim, que guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus (Apocalipse 14:12). Tal reivindicação deve levar-nos a reconhecer, tanto na proclamação como na prática, que o direito de pertencer ao povo remanescente não depende do nascimento natural, mas espiritual (João 3:3-21); não do sangue étnico mas do sangue redentor de Cristo (Hebreus 9: 14-15); não de uma raça superior mas da raça santa (I Pedro 2:9).

. Ter uma Missão Global. Com a nossa fé, a nossa missão e a nossa estrutura empenhada em criar uma família escatológica global, devemos combater tudo o que crie separação entre um povo e outro. O racismo prejudica o corpo de Cristo e destrói a sua missão global. Fomos chamados para louvar e proclamar Aquele que com o Seu sangue resgatou "para Deus homens de toda a tribo e língua, e povo e nação" (Apocalipse 5:9; 14:6).

. Adotando um Nome. O nosso nome exige uma rejeição do racismo e uma demonstração de harmonia.19 Quando reivindicamos o sábado do sétimo dia, afirmamos também ser Deus o Criador e Pai de toda a raça humana, e, consequentemente, sustentamos a ideia de que todos os povos são irmãos. Reivindicar o componente "adventista" no nosso nome, implica vislumbrar um 'tempo' e 'lugar' em que pessoas "de toda a nação, tribo, povo e língua" viverão juntas em perfeita paz. Que tal grupo humano, proveniente de cada nacionalidade, raça e língua possa realmente existir, será uma maravilha a ser contemplada. Entretanto, a igreja deve ser "um tipo de modelo preliminar, numa escala reduzida e imperfeita, daquilo que será o estado final da humanidade no desígnio de Deus".20


Notas e Referências:
1. Stephen Jay Gould, "The Geometer of Race", Discover (November 1994): 65-69.br> 2. Ruth Benedict, Race: Science and Politics (New York: Viking Press, 1959), pág. 98.
3. Para uma discussão construtiva sobre a natureza, caraterísticas e tipos de religião, veja Elizabeth K. Nottingham, Religion and Society (New York: Random House, 1954), págs. 1-11.
4. Uma discussão detalhada pode ser encontrada no meu artigo "Saved by Grace and Living by Race: The Religion Called Racism", Journal of the Adventist Theological Society 5:2 (Autumn 1994): 37-78.
5. Alan Burhs, Colour Prejudice (London: George Allen and Unwin Ltd., 1948), pág. 23; citado em T. B. Maston, The Bible and Race (Nashville, Tenn.: Broadman Press, 1959), pág. 64.
6. Ver Stephen T. Asma, "The New Social Darwinism: Deserving Your Destitution", The Humanist 53 (September-October 1993) 5:12.
7. Ver Matson, págs. 105-117; Cain Hope Felder, "Race, Racism and the Biblical Narratives", em Stony the Road We Trod, Cain Hope Felder, ed. (Minneapolis: Fortress Press, 1991), págs. 127-145.
8. T. F. Torrance, Calvin's Doctrine of Man (London: Lutherworth Press, 1949), pág. 24.
9. Lewis C. Copeland, "The Negro as a Contrast Conception", em Edgar T. Thompson, ed., Race Relations and the Race Problem (New York: Greenwood Press, 1968), pág. 168.
10. Ver George D. Kelsey, Racism and Christian Understanding of Man (New York: Scribner's, 1965), pág. 98.
11. Ellen G. White, O Grande Conflito (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1988), pág. 678.
12. Kelsey, pág. 162.
13. Ver Jacques Barzun, Race: A Study in Superstition (New York: Harper & Row, 1965), págs. 47-48.
14. Ver Joseph Fletcher, Humanhood: Essays in Biomedical Ethics (Buffalo, NY: Prometheus, 1979), págs. 12-18.
15. Dred Scott v. Standord, 60 U.S. 393 em 404. Ver também Curt Young, The Least of These (Chicago, III.: Moody Press, 1984), págs. 1-20.
16. Ver Gerhard Maier, Biblical Hermeneutics, Robert W. Yarbrough, trad. (Wheaton, III.: Crossway, 1994), pág. 23.
17. Benedict, pág. 98.
18. Ver Robert Hughes, Culture of Complaint: The Fraying of America (New York: Oxford University Press, 1993), págs. 102-147.
19. Ver Sakae Kubo, The God of Relationships (Hagerstown, Md.: Review and Herald Publ. Assn., 1993), págs. 33-49. Este 1ivro foi revisado em Diálogo 6:2 (1994), pág. 30.
20. C. H. Dodd, Christ and the New Humanity(Philadelphia: Fortress, 1965), pág. 2.

NÓS  PODEMOS  E  DEVEMOS  PROMOVER  A  HARMONIA  RACIAL

                 

"As mesmas influências que separavam os homens de Cristo ... acham-se hoje em dia em operação. O espírito que ergueu a parede separatória entre judeus e gentios, está ainda em atividade. O orgulho e o preconceito têm construído fortes muros de separação entre as diferentes classes de homens." *

1 - Reconhecer Preconceitos Racistas. Como Pedro (Atos 10), a harmonia racial e a cura não podem começar a existir a menos que tomemos este primeiro passo. Afirma David A. Rausch: "A atitude mais perigosa que possamos tomar é a de pensar que não temos preconceitos. O perigo seguinte é de crer que tal preconceito não será capaz de tornar-nos frios e indiferentes e de que ele não possa prejudicar a nossa sociedade nem afetar a nossa vida espiritual." **
2 - Confessar o Pecado do Racismo. A afirmação de Pedro - "Reconheço por verdade que Deus não faz aceção de pessoas" (Atos 10:34) - é um ato de confissão. Necessitamos de confessar os nossos pecados raciais, cometidos por atos ou por omissão: preconceitos, paternalismo, discriminação, ódio, intolerância, avareza, omissão em falar ou tomar posição e outros atos que traem uma posição racista. Tanto o culpado como a vítima do racismo encontrarão na confissão um caminho para o perdão e a harmonia.
3. Procurar Soluções Bíblicas. O racismo não tem as suas raízes na condição económica ou política, mas no orgulho. Trata-se de um problema do coração que pode ser resolvido somente através do novo nascimento. Reconciliação - e não uma integração forçada - é a chave. A integração como uma tentativa política pode tornar o racismo ilegal, e neste sentido será útil em reduzir os efeitos do racismo. Todavia, uma solução duradoura só poderá ser encontrada na reconciliação através do poder transformador de Cristo (II Coríntios 5:16-21).
4 - Desenvolver Relacionamentos Inter-Raciais. A perceção de Pedro de que Deus não faz aceção de pessoas começou com uma oração e movimentou-se em direção do relacionamento (Atos 10:23-29, 48). Pedro arriscou sua vida, sua carreira e sua posição a fim de estabelecer esse relacionamento entre ele (um judeu) e Cornélio (um gentio). Quando se estabelecem relacionamentos positivos e intencionais em lares, vizinhanças, escolas e igrejas, etc., consegue-se uma melhor harmonia racial.
5 - Tomar Posição. Seja sensível a toda a forma de injustiça em qualquer forma e lugar onde ela se manifesta. A responsabilidade para tal jaz primeiramente sobre aqueles que estão em posição privilegiada, tal como João, que quisera que fogo do céu consumisse a aldeia samaritana, embora mais tarde tenha ido para Samaria numa missão de amor (Lucas 9:52-54; Atos 8:14-25).

Tomar posição inclui ir uma segunda milha equipando e habilitando os não-privilegiados para alcançarem o seu potencial máximo.

Notas e Referências:
* - Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1990), pág. 403.
** - David A. Rausch, Legacy of Hatred: Why Christians Must Not Forget the Holocaust (Grand Rapids, Mich.: Baker Books, 1991), pág. 1.
Nascido em Ghana, Samuel Koranteng-Pipim é um candidato doutoral na área de Teologia Sistemática no Seminário Teológico da Universidade Andrews, em Berrien Springs, Michigan, Estados Unidos. Revista Diálogo Universitário 7:1 - 1995


COMO AGRADECER

Como agradecer a Jesus o que fez por mim? Sem eu merecer
vem provar o Seu amor sem fim.
As vozes de um milhão de anjos não poderiam expressar
a gratidão que vibra em meu ser, pois tudo devo a Ti.

A Deus seja a glória, a Deus seja a glória,
A Deus seja a glória, pelo que fez por mim!
Com Seu sangue lavou-me, Seu poder transformou-me,
A Deus seja a glória pelo que fez por mim!

Quero entregar, Senhor, a minha vida em Tuas mãos
E quero dar meu louvor pela Tua eterna Salvação.
Com Seu sangue lavou-me, Seu poder transformou-me,
A Deus seja a glória pelo que fez por mim!


Por Wintley Phipps - (letra da versão portuguesa, Hinário Adventista nº 249)



"E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a Nação, e Tribo, e Língua, e Povo." Apocalipse 14:6.

O texto de hoje mostra o cuidado e o interesse de Deus pelas pessoas de todas as nações, por cada grupo linguístico, cada tipo étnico e por cada linhagem familiar. Não interessa quanto eles se oponham a Ele, não interessa quão perverso pareça o seu comportamento, Jesus morreu por eles (Apocalipse 5:9; II Coríntios 5:14). Ele avalia-os nos termos do custo infinito da cruz. Deus mostra uma falta de preconceito que nos espanta. O multiculturalismo não é apenas uma moda politicamente correta - é fundamental na atitude de Deus para com as pessoas em todas as suas infinitas variedades. Ao não revelar parcialidade, Ele interessa-Se por todos os povos.

Eu cresci em Nova Iorque e acho que isso me deu uma vantagem na apreciação da grande variedade de Deus. A escola secundária que frequentei era 1/3 branca, 1/3 negra e 1/3 hispânica. Os meus melhores amigos eram hispânicos. A certa altura, fui capitão de uma equipa de basquetebol negra e não tive consciência disso até que alguém o mencionou a meio da época. O preconceito, pensava eu, era um problema distante na minha vida.
Comecei a faculdade mesmo na altura em que o movimento Black Power (Poder Negro) teve início e também testemunhei a primeira Black History Week (Semana da História Negra). Depois do assassinato de Martin Luther King, ouvi toda a raiva dirigida a mim que eu não pensava merecer, dado o meu comportamento anterior na escola secundária. Porque é que estas pessoas estão zangadas? Perguntava-me eu. Estamos na América. Todos temos direitos iguais e oportunidades iguais.

Então conheci o Greg. Enérgica, mas pacientemente, deu-me a conhecer o mundo dos Afro-Americanos. Ajudou-me a ver o mundo através dos seus olhos, contando-me como era ser olhado com suspeita onde quer que se fosse. Ser mandado parar, regularmente, pela polícia, simplesmente por ser negro e estar a conduzir um bom carro. Ser ignorado nas lojas de roupas, enquanto outros recebiam muita atenção. Não ser promovido no trabalho por algumas posições serem apenas "para as pessoas certas". E até não ser bem recebido em algumas igrejas simplesmente pela cor da pele ou por outras diferenças.

Apercebi-me de que o mundo não era tão simples como aquele que eu pensava conhecer. E, no processo, também acabei por compreender que eu estava a ver, não apenas através dos olhos do Greg, mas também através dos olhos de Deus. Aquele que decidiu criar seres humanos em toda a sua variedade, mora dentro de pessoas de todas as nações, tribos e línguas. Ele é Jesus, que morreu por todos. O modo como eles se sentem e como vivem, interessa-Lhe.

Senhor, abre os meus olhos para a dor que existe na vida dos outros. Ajuda-me a olhar para além das diferenças e a ver a alma por quem Jesus morreu. Capacita-me a permanecer corajosamente contra a injustiça onde quer que a encontre.

Jon Paulien in Apocalipse, O Evangelho de Patmos, 3 de Setembro de 2013.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

PREPARANDO-SE  PARA  O  FUTURO



            Conta-se a história de um barbeiro cristão que aproveitava todas as oportunidades para falar sobre o fim do mundo e o estabelecimento de uma nova era. Certo dia, ele estava a fazer a barba de um homem desconhecido. Cônscio da sua responsabilidade em anunciar o reino vindouro, perguntou ao freguês:
            - O Senhor está preparado para morrer?
            O homem, sentindo a afiadíssima navalha a deslizar-lhe pelo pescoço, não entendeu a pergunta, e levantou-se de um salto, com a intenção de correr.
            - Não tenha medo, amigo. Sou cristão, e estou-me a referir à necessidade de estarmos preparados para o Maior Acontecimento da História.
            - Desculpe-me – respondeu o homem – eu não tinha entendido. Andei a fazer disparates por aí, e a todo o instante acho que alguém está à minha procura para um acerto de contas!
            Milhares de pessoas vivem à espera de um acerto de contas no contexto das atividades terrenas, mas não possuem a mais ténue esperança de uma vida melhor, além desta existência passageira. Comem, dormem, trabalham, divertem-se e, à semelhança de um bando de bois gordos, marcham lentamente para o matadouro.
Há várias maneiras de pensar a respeito do futuro. Não sei o que você pensa, mas as suas ideias devem estar enquadradas numa das seguintes perspetivas:

A. Uma parcela da humanidade admite que a morte marca o fim de tudo. "Morreu, acabou; nada mais", afirmam. Tais pessoas vivem só para o presente. Não alimentam nenhuma esperança. Mas disse o renomado teólogo Emil Brunner: "O que o oxigénio é para os pulmões, é a esperança para dar significado à vida humana. Eliminemos o oxigénio e se produzirá a morte por asfixia. Eliminemos a esperança, e a humanidade se verá angustiada, sufocada."
Não foi sem razão que a enfermeira de um ateu moribundo disse, após a morte deste: "Não quero mais assistir ao fim de um doente ateu; é terrível." Os últimos momentos dos que não têm esperança, são escuros e vazios. Voltaire disse: "Abaixo o pano, pois a comédia acabou."
B. Uma grande maioria da humanidade pensa que a morte não é o fim; morre o corpo, mas o espírito continua para sempre. Este conceito está profundamente arraigado na mente de milhões de seres humanos. Será que as Santas Escrituras, a Palavra de Deus, apresentam uma base segura para esse tipo de esperança?
C. Um outro grupo crê que a morte traz o fim de tudo, mas deste modo: Morre o corpo, o espírito volta para Deus, mas de forma impessoal, e o indivíduo deixa de existir em todos os aspetos. Nem aqui nem em qualquer outro lugar, ele tem consciência do mundo. As pessoas que sustentam essa convicção, baseiam-se nas Escrituras Sagradas, e creem que a morte é um 'sono', como disse Cristo a respeito de Lázaro, irmão de Maria e Marta. Creem também que, após esse estado de inconsciência, haverá a ressurreição no final da história deste mundo, com a volta de Jesus à Terra. Nessa ocasião, os justos serão chamados à vida pelo poder divino, e irão morar com o Senhor Deus para sempre. Milhares têm morrido com esta esperança.

Ao escrever estas palavras, lembro-me de uma visita que fiz, dias atrás a uma senhora de 88 anos de idade, a qual agonizava num leito de hospital. A sua respiração estava ofegante, difícil. O seu rosto pálido mostrava a agonia por que ela estava passando. Houve um momento em que, impressionado com aquela cena, senti um aperto na garganta. Uma coisa, porém, atenuou-me o estado psicológico, ao ouvir um dos filhos daquela mulher afirmar com muita convicção: "A minha mãe está preparada para a vida eterna. Ela abandonou os vícios faz muitos anos, e sempre alimentou a esperança de um mundo melhor, onde não haverá lágrimas, nem dor, nem morte."
Pergunto-lhe a si, agora: Qual é a sua esperança quanto ao futuro? Vai levando a vida 'numa boa', sem saber o que vai acontecer?...

PROMESSAS HUMANAS

A maioria das pessoas admitem que o 'mundo vai de mal a pior'. Há no ar uma expectativa de que algo muito solene está para acontecer. Por outro lado, há os que aspiram a uma nova era de paz e felicidade neste mundo, em decorrência do uso adequado da ciência. Chegará o dia – alguns arriscam – em que o homem vai dizer: "Chega de guerra; chega de preconceito; chega de ganância: Vamos nos entender..." E, como por encanto, tudo vai mudar: a Terra será um paraíso.
Existem futurólogos que anunciam cidades plásticas, cidades flutuantes, alimentos sintéticos; os oceanos vão abrir as suas despensas e alimentar a humanidade. A tecnologia salvará o homem, dizem. Os desertos se tornarão férteis, pois revolucionários meios de irrigação e adaptação do solo estarão em desenvolvimento.
Mas pergunto: Tem o homem um coração manso e bom para saber repartir? Tem ele espírito de sacrifício para pôr de lado a filosofia consumista que tanto discrimina os menos favorecidos?
Creio, com certeza, que os adeptos dessa futurologia fantasiosa ficarão 'a ver navios', como aquele indivíduo cuja história é narrada magistralmente pelo renomado escritor Enoch de Oliveira: 1
"Havia um homem que diariamente chegava na frente de certo prédio em Nova Iorque, e, segurando as grades de ferro com uma expressão de esperança e alegria, olhava para o relógio da torre, enquanto soavam as doze badaladas. Aí permanecia durante dez, vinte ou trinta minutos. Então a luz da esperança e gozo se apagava gradualmente do seu rosto, e ele se retirava. Os anos transcorreram e ele se tornou velho, mas todos os dias se dirigia àquele mesmo lugar, na mesma hora, para depois se retirar desanimado, arrastando os seus pés já cansados.
"Ele vivia a tragédia de uma promessa não cumprida! Havia sido um próspero homem de negócios. Enfrentou, porém, momentos de graves dificuldades. Um amigo prometeu que haveria de se encontrar com ele em frente desse relógio, trazendo-lhe os recursos financeiros que o livrariam da ruína económica. Mas o amigo não cumpriu a promessa. O desapontamento e a angústia foram para ele demasiado grandes, levando-o a perder a razão. Tendo a mente transtornada, vinha todos os dias para o lugar combinado e, após ouvir as badaladas anunciando o meio-dia, buscava em vão o 'amigo' infiel."
Não lhe parece que as promessas humanas são como aquele 'amigo' que prometeu 'quebrar o galho' para ajudar o homem que havia naufragado financeiramente?
Acompanhe-me, por uns momentos, numa incursão pelo mundo atual:
Panorama político: Os países da Cortina de Ferro estão, pouco a pouco, buscando a liberdade. Estão cansados das 'tiranias totalitárias'. Nas últimas décadas muitas colónias tornaram-se independentes. Mas as guerras isoladas estão aí para comprovar a irreversível desavença entre as nações. A Segunda Guerra Mundial não erradicou as guerras. De acordo com Margaret Thatcher, desde a última guerra mundial já ocorreram mais de "140 conflitos desenvolvidos com armas convencionais, nos quais cerca de 10 milhões de pessoas morreram." 2 O fato é que o capitalismo selvagem e o socialismo sem Deus não se entendem e nem vão se entender. Não se deve alimentar esperança em face de algumas aberturas que estão por aí. Trata-se de reações políticas dentro de um copo transbordante.
Panorama social: Movimentos sindicais; lutas por melhores salários (na verdade, as classes dominantes estão sugando o trabalhador!); crimes; insegurança; desigualdades; discriminação; lares desfeitos; enfraquecimento da família; aumento do uso de drogas; etc.
Panorama religioso: Negação da fé; hipocrisia entre líderes; exploração da fé; distanciamento das verdades bíblicas; síntese religiosa; tendência à união entre o Estado e a Religião (o que só pode comprometer a liberdade de culto e o uso individual da consciência).
E o mundo físico? Inundações, secas, destruição dos recursos naturais, poluição generalizada, desrespeito para com o meio ambiente, desorganização do clima. Enfim, a Natureza está devolvendo o coice que recebeu do homem ganancioso, ávido de maiores lucros.

Você crê nas possibilidades humanas, em face desse quadro?
Quero fazer-lhe uma confissão: Estou pessimista com relação às possibilidades da ciência humana. Admito o progresso, aceito-o, mas creio, por outro lado, que o homem não tem humildade e abnegação suficientes para administrar o progresso. O tiro vai sair pela culatra. Mesmo assim, acho que os cristãos devem lutar para minimizar os problemas do mundo. Enquanto aguardam um mundo melhor, como resultado da intervenção divina, devem colaborar no sentido de suavizar o sofrimento.


COMO SERÁ O AMANHÃ

Entre as promessas desta era tecnológica e as das Escrituras Sagradas, prefiro ficar na companhia d’Aquele que jamais Se comportou como político em palanque. O que Deus promete, Ele cumpre.
No momento em que escrevo estas palavras, estamos aguardando a posse do presidente eleito. Nem ainda assumiu o governo, os jornais e revistas já anunciam que muitas das suas promessas de campanha estão sendo arquivadas. Os cidadãos, à semelhança de torcedores cujo time perdeu, estão enrolando as suas bandeiras e voltando, cabisbaixos, para casa.
Há uma bandeira, porém, que não será enrolada: a bandeira ensanguentada do Príncipe Emanuel. Jesus desfraldou uma bandeira manchada com o Seu próprio sangue. Essa bandeira é a garantia da Redenção de todos os que creem nas promessas divinas. E a mais sublime promessa que há nas Escrituras Sagradas é esta: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando Eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que onde Eu estou, estejais vós também." S. João 14:1-3.
Esta bandeira não será enrolada. A promessa é clara e verdadeira, pois o Seu autor é o Salvador da humanidade. Quer algo melhor?
"Voltarei".

Quanta gente, neste mundo, promete voltar e não volta! Mas a Palavra de Deus não falha. Eis algumas afirmações bíblicas sobre o Rei vindouro:
"Eis que vem com as nuvens, e todo o olho O verá, até quantos O traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele. Certamente. Amém." Apocalipse 1:7.
"Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem. ... E Ele enviará os Seus anjos, com grande clamor de trombeta, os quais reunirão os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus." S. Mateus 24:30 e 31.
"Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória." S. Lucas 21:27.

AVISOS E SINAIS

Quando um político vai tomar posse, expede convites especiais. A data é marcada com antecedência, e a expectativa dos convidados cresce à medida que a cerimónia de posse se aproxima. Afinal, é importante estar perto de alguém investido de poder e influência.
O grande dia da volta de Cristo à Terra não foi mencionado por Ele. Para evitar uma série de inconveniências, Ele preferiu apenas dar sinais da Sua proximidade. Disse que haveria sinais no mundo físico, no mundo político e no mundo religioso. Jesus é, na verdade, um grande Amigo. Ele avisa e previne. Não quer que ninguém esteja 'por fora' dos acontecimentos.
Os primeiros sinais indicadores da proximidade da volta de Jesus ocorreram mais de 1.700 ano após a Ascensão de Cristo. Daí para a frente, outros mais ocorreram, e hoje estamos testemunhando os últimos.

A. Sinais no mundo natural.
Os primeiros sinais foram assim preditos por Jesus: "Haverá sinais no Sol, na Lua, e nas estrelas" (S. Lucas 21:25).
Adicionalmente, João viu um grande terramoto que ocorreria antes dos sinais no céu (Apocalipse 6:21). Esses sinais assinalariam o fim de um período de perseguição religiosa, exatamente 1.260 anos. (Para maiores esclarecimentos, ver a obra O Grande Conflito, editada pela Casa Publicadora Brasileira; capítulo intitulado "A Esperança que Infunde Alegria".) 3
O maior de todos os terramotos conhecidos, ocorreu a 1 de novembro de 1755, o terremoto de Lisboa, cujos efeitos foram sentidos na Europa, África e América, cobrindo uma área de mais de 46 milhões de quilómetros quadrados. A capital portuguesa foi o centro de destruição: milhares de mortes. O impacto sobre o pensamento da época foi muito grande, e muitas pessoas sentiram-se estimuladas a estudar as Profecias Bíblicas.

Um quarto de século depois, houve o escurecimento do Sol e da Lua. Cristo disse que esse sinal ocorreria logo após os 1.260 anos de perseguição papal. O dia 19 de maio de 1780 testemunhou uma considerável escuridão na parte norte do continente norte-americano. (Ver o Grande Conflito, de Ellen G. White, págs. 306-308.)
Timothy Dwight, presidente da Universidade de Yale, afirmou: "O dia 19 de maio de 1780 foi memorável. Candeeiros foram acesos em muitas casas; os pássaros silenciaram e desapareceram, e as galinhas retiraram-se para os poleiros. ... A opinião geral prevalecente era de que o dia do juízo havia chegado." - Citado em Connecticut Historical Collections, compilação de John W. Barber, 2ª edição, pág. 404. 4
Na noite que se seguiu, a Lua tinha a aparência como de sangue. (Apocalipse 6:12.)

O mais notável espetáculo de estrelas cadentes de que há registo, ocorreu a 13 de novembro de 1833. O fenómeno foi observado do Canáda até ao México, e do meio do Atlântico até ao Pacífico, o que levou muitos cristãos a verem nesse sinal o cumprimento da profecia bíblica. - O Grande Conflito, págs. 333 e 334.
Jesus predisse esses sinais a fim de alertar os cristãos. "Ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima" (S. Lucas 21:28).

B. Sinais no mundo religioso.
Haveria um grande despertamento religioso antes do Segundo Advento de Cristo: "Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a Terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu e a Terra, e o mar, e as fontes das águas" (Apocalipse 14:6 e 7). Jesus afirmou que um dos sinais do fim seria o término da pregação do evangelho: "Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim." (S. Mateus 24:14.)

Ao mesmo tempo, haveria um declínio religioso. Paulo disse que "nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis; pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretando, o poder" (II Timóteo 3:1-5). Como dissemos na segunda parte deste livro: o egoísmo tem ditado a filosofia consumista do nosso tempo.
Haverá também um declínio da liberdade religiosa, e um grande poder religioso - resultante da união do catolicismo, protestantismo e espiritismo - vai tentar dominar as consciências.
O nível espiritual cairá assustadoramente. Os crimes aumentarão. A revolução sexual, já em andamento, chegará às raias da ousadia diabólica. A Sida é um sintoma desse quadro melancólico.

C. Sinais no mundo político.
"Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino..." (S. Lucas 21:10 e ll). As guerras e rumores de guerras estão aí para comprovar. Ameaças, revoluções, golpes - tudo mostra o clima beligerante deste século mau.

COMO SERÁ

Como você pode ver, os sinais foram preditos com clareza meridiana. Eles não revelam o dia da volta de Jesus, mas anunciam a sua proximidade. Uma coisa importante em relação a esse acontecimento, será a maneira como ocorrerá. Não será um evento espiritual, secreto, como alguns pensam. Será algo visível, literal. Note o que o apóstolo João escreveu: "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho O verá, até quantos o traspassaram..." (Apocalipse 1:7).
O Filho do homem será visto por todos os que estiverem vivos naquela ocasião. Virá como subiu - de forma corpórea: "Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi elevado ao Céu, assim virá do modo como O vistes subir" (Atos 1:11). O Ser que havia deixado os discípulos era de carne e osso, e não uma entidade meramente espiritual. (Ver S. Lucas 24:36-43). "Todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória" (S. Mateus 24:30). Será também um retorno audível: "Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos Céus" (I Tessalonicenses 4:16). Além disso, será um retorno glorioso: Jesus virá com poder e "na glória do Seu Pai, com os Seus anjos" (S. Mateus 16:27).

ACONTECIMENTOS INTERLIGADOS

Por ocasião da volta de Jesus, os justos serão ressuscitados. Naquele momento, "os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro" (I Tessalonicenses 4:16). Os justos que estiverem vivos serão "transformados num abrir e fechar de olhos" (I Coríntios 15:51 e 52). Por outro lado, os ímpios que estiverem vivos, serão destruídos pelo poder da presença gloriosa de Cristo. E até clamarão às rochas para que os protejam (Apocalipse 6:16 e 17).
Tanto os justos ressuscitados como os que serão transformados, subirão ao Céu para reinar com Cristo mil anos. Apocalipse 20:6 diz: "Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com Ele os mil anos."
Durante os mil anos, a Terra estará completamente desolada. (Ver Jeremias 4:23-25.) Os ímpios estarão nas sepulturas, em virtude de haverem rejeitado o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. E Satanás? Onde estará ele com os seus anjos maus? "Ele (Cristo) segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o, e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações, até se completarem os mil anos. Depois disso, é necessário que ele seja solto por pouco tempo" (Apocalipse 20:2 e 3).
O diabo e os anjos maus não terão a quem tentar durante os mil anos de confinamento, pois os pecadores não arrependidos estarão dormindo no pó da terra, aguardando a segunda ressurreição, para receberem a punição final e definitiva. Após os mil anos, haverá a segunda ressurreição. "Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos", João contemplou em visão (Apocalipse 20:5).
"Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da Terra... a fim de reuni-los para a peleja. O número deles é como a areia do mar. Marcharam então pela superfície da Terra e sitiaram O acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu" (Apocalipse 20:7-9).
O arquiinimigo da humanidade tentará mais uma vez desarticular os planos divinos, mas será destruído com os seus súditos. Ao descer a Nova Jerusalém com os justos, que nela, no Céu, terão morado durante mil anos, Satanás convocará os ímpios de todas as épocas (eles, então, terão sido ressuscitados pelo poder de Deus), para pelejar contra a Cidade Santa. Nesse tempo, todos os impenitentes serão destruídos. Deus não tem prazer na morte de pessoas, mas deverá cumprir a Sua palavra em relação àqueles que tiverem rejeitado o Seu convite: "Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei..." (S. Mateus 11:28.)

ESTÁ VOCÊ PREPARADO?

O plano de Deus para você e para mim é que estejamos preparados no dia da volta de Jesus à Terra. O Seu desejo é de nos levar para o Céu, para reinarmos com Ele mil anos,e depois trazer-nos para a Terra, que será renovada para a habitação dos salvos, para sempre. Note como será a Nova Terra:
"Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira Terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, que descia do Céu, da parte de Deus, ataviada como a noiva adornada para o seu esposo... E lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E Aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras." Apocalipse 21:1, 2, 4 e 5.


Desde a infância, o meu pai assumiu um ar de religiosidade. Por volta dos vinte anos, porém, a sua religião era só 'para inglês ver'. Ia à igreja, mas tudo lhe parecia distante e sem significado. Aliás, ele seguia o ritmo da maioria. Em meio a essas circunstâncias, começou a ler alguns livros, que expunham as profecias bíblicas e, acima de tudo, o plano da salvação em Cristo. Ele ficou impressionado com o fato de que, até então, estivera completamente equivocado em matéria de religião. A sua mente foi sendo aberta pouco a pouco, e a influência do Espírito Santo passou a agir na sua vida. Deixou os vícios. Procurou ter uma mente pura e equilibrada. O seu relacionamento com as pessoas começou a mudar. A vida passou a ter um sentido mais amplo.
O meu pai morava numa fazenda. Eu era recém-nascido. Como resultado da transformação que se operou na sua vida, ele mudou-se para a cidade. Dali em diante, trabalhou incansavelmente em favor de todos com quem entrou em contato. Milhares de pessoas ouviram dos seus lábios palavras de ânimo e conforto. Nos últimos anos de trabalho, antes de se reformar, comandou uma lancha assistencial nos rios do arquipélago Marajoara, perto da foz do rio Amazonas. Centenas e centenas de pessoas foram ajudadas por ele e pela equipe com a qual trabalhava.
Quando se reformou, mudou-se para outro Estado. A última viagem a bordo da lancha - a viagem de despedida - foi triste e dolorosa para ele. Não lhe foi fácil dizer adeus às populações ribeirinhas! Lágrimas, abraços e palavras de saudade!
Mesmo reformado, ainda se preocupava com o bem-estar das pessoas sofredoras. Muitas vezes viajou pelo Pantanal mato-grossense, a fim de minorar as dores espirituais do povo. Até que, um dia, vítima de enfarte, foi levado para um hospital. Informado da situação delicada em que meu pai se encontrava, fui imediatamente vê-lo. Quando a noite chegou, ele estava agonizante. Muitas pessoas já o tinham visitado, inclusive um índio paraguaio, a quem ele havia orientado espiritualmente. O índio fora ao hospital para agradecer os benefícios recebidos e dizer o último adeus ao amigo e conselheiro.
Uns vinte minutos antes do desenlace, recapitulei a vida daquele batalhador pela causa do bem. Não tinha ajuntado dinheiro na vida; nem mesmo pôde comprar uma casa. Gastou-se pelos outros, mas agora a sua riqueza era dupla: o apoio de inúmeros amigos e a certeza da salvação em Cristo. Ele podia, à semelhança do apóstolo Paulo, dizer: "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a Sua vinda." II Timóteo 4:7 e 8.
Quando ele fechou os olhos, estava sereno. A sua fisionomia retratava, em meio ao silêncio que dominava o ambiente, a esperança do cristão. Derramei algumas lágrimas. A saudade já estava invadindo o meu ser, mas procurei fixar os olhos da fé no cumprimento da promessa da ressurreição dos justos.
Ele foi-se por algum tempo, mas a esperança ficou comigo. A vida de José - este era o seu nome - não fora marcada por grandes acontecimentos. Pessoa simples e humilde, o que o distinguiu fora a sua entrega sem reservas ao poder transformador do Evangelho. Na contemplação de Cristo, os seus velhos hábitos foram substituídos por uma nova disposição espiritual. O seu grande anseio era estar preparado para O Maior Acontecimento do Futuro: O Regresso Glorioso de Cristo à Terra.
José morreu alimentando a suprema esperança. E tenho a certeza de que, quando o Filho de Deus aparecer nas nuvens, ele será ressuscitado para nunca mais provar a morte.
Após a ressurreição dos justos, haverá um mundo sem escravos, sem vícios, sem preconceitos, sem egoísmo e sem morte. Eis como Ellen White descreve o mundo do amanhã:
"O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a criação. ... Desde o minúsculo átomo até ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor." - O Grande Conflito, pág. 684.
Quando esse novo mundo chegar, você alcançará liberdade absoluta. Mas é necessário que, aqui e agora, você experimente a liberdade possível. Ela está ao seu alcance. ... A liberdade de amanhã deve começar hoje.

Bibliografia:
1. Enoch de Oliveira, Bom Dia, Senhor!, pág. 299 (Casa Publicadora Brasileira: Tatuí, SP), 1989.
2. Ernest W. Lefever e Stephen Hung, The Apocalypse Premise, pág. 394 (Washington, D. C.: Ethics and Public Policy Center), 1982.
3. Ellen G. White, O Grande Conflito (Casa Publicadora Brasileira: Tatuí, SP), 1988.
4. Timothy Dwight, Connecticut Historical Collections, CT: Durrie e Peck e J. W. Barber), 1836.

Rubens S. Lessa, Pastor e Editor da Casa Publicadora Brasileira, in Livre Para Viver, 1991, adaptado.
Pode ler nos links 1R o livro referido - O Grande Conflito - em A GRANDE ESPERANÇA.



(Leia mais em Meditação para a Saúde, Links 1R, 21.06.2013)