quarta-feira, 14 de novembro de 2012

UMA HISTÓRIA MAL CONTADA... A ESCOLHA É SUA!


A VERDADE ACERCA DO ÁLCOOL

Se tem evitado o álcool por motivos de saúde, estudos recentes sobre o álcool podem tê-lo confundido. Alguns dizem que o álcool, em vez de ser prejudicial, em certas circunstâncias até é benéfico. Contudo, há factos sobre esses estudos e sobre o álcool que deve ficar a conhecer antes de se decidir.

Há 52 milhões de americanos com colesterol elevado.1 Isto coloca-os em alto risco de doença cardíaca, que é a principal causa de morte na América. Quando os cientistas estudaram a relação entre o estilo de vida e a doença cardíaca, encontraram o que lhes pareceu ser uma ligação entre o baixo risco de doença cardíaca e o consumo de álcool a um nível que consideravam moderado.2 Alguns profissionais da saúde resolveram então aconselhar o consumo moderado de álcool a pessoas abstémias com problemas cardíacos.3

O consumo de álcool pode parecer atraente àqueles que procuram uma solução rápida e fácil para os seus problemas de saúde. Mas será a escolha mais segura e eficaz para os doentes cardíacos e suas famílias?
Há literalmente milhares de estudos sobre o álcool e os seus efeitos nefastos. Há relativamente poucos que se debruçam sobre os seus supostos benefícios, e muitos deles são estudos retrospectivos.
Os estudos retrospectivos examinam a história do estilo de vida e saúde de indivíduos para tentarem saber quais os estilos de vida e hábitos que são mais, ou menos, saudáveis. Os seus resultados podem ser, por vezes, enganosos.
Por exemplo, há alguns anos os cientistas descobriram que havia muito menos pessoas de idade canhotas do que deveria haver, comparadas com a proporção de jovens americanos canhotos. Parecia que o facto de ser canhoto punha as pessoas em risco de morrerem jovens! Mais tarde os cientistas aperceberam-se do facto de que o uso da mão esquerda era fortemente desaconselhado nas escolas quando essas pessoas eram crianças. Só muito poucos dos canhotos daquela altura é que não aprenderam a usar a mão direita.
Como é que os estudos retrospectivos sobre o álcool podem ser enganosos?

- Alguns estudos que examinaram os supostos benefícios do vinho não levaram em conta que eram as colorações naturais vermelhas e roxas, chamadas flavonóides, encontradas na pele das uvas que protegiam contra a doença cardíaca. Os flavonóides encontram-se no sumo das uvas vermelhas e roxas e nas passas de uva. Qualquer destes produtos, e não apenas o vinho (mas só o vinho tinto os contém) ajudam a proteger contra a doença cardíaca.

- Outros estudos4 parecem mostrar que os que bebem moderadamente têm um risco de morte por doença cardíaca mais baixo do que os não-bebedores.
Contudo, estes estudos não levam em conta o facto de que muitos não-bebedores foram, anteriormente, pessoas que abusavam do álcool e que danificaram a sua saúde antes de deixarem de o ser.

- Alguns indivíduos começaram a beber devido a relatórios sobre os efeitos protectores do álcool sobre o coração. Mas os não-bebedores que começam a beber correm o risco de se tornarem dependentes do álcool e o seu risco de morte por outras causas eleva-se.

Quão grandes são esses riscos?

Para as mulheres, beber até menos do que um copo por dia aumenta o risco de contraírem cancro da mama.5 Isto foi descoberto recentemente num grande estudo envolvendo 300 000 mulheres, que foi publicado no prestigioso Journal of the American medical Association (Jornal da Associação Médica Americana).
Consumir duas bebidas por dia aumenta o risco de cancro da mama em 25%.5 Quanto maior for o consumo de álcool, maior o risco de contrair cancro da mama, que se eleva a 40% quando ingeridos quatro copos diários.5,6
As mulheres que ingerem 2 ou mais bebidas por dia também correm o risco de morte 19% mais elevado do que as que não bebem.7 Os homens que bebem cerca de 4 copos por dia correm um risco mais alto de morrerem de cancro e de outras causas do que os que não bebem álcool.8 Consumir mais álcool do que isso, aumenta ainda mais o risco de uma morte prematura. Um os principais perigos do consumo de álcool é o aumento do risco de cancro. O consumo de álcool aumenta o risco de cancro da mama,5 da próstata9 e do cólon.10 Para as mulheres, a quantidade de álcool que aumenta a taxa de cancro é ainda mais baixa do que as quantidades recomendadas aos seus pacientes por alguns profissionais de saúde.5 Para os homens, as quantidades que aumentam as taxas de cancro são apenas levemente mais altas do que as que lhes são recomendadas.
9

Depois do cancro do pulmão, o cancro da próstata está em segundo lugar como causa de morte por cancro no homem. O álcool também aumenta o risco de cancro do cólon, que é a terceira causa principal de morte por cancro.10 Mesmo quando não mata, desfigura e afecta a qualidade de vida. Os tratamentos incluem a remoção de parte do cólon e o uso, temporário ou permanente, de um saco para recolher as fezes.

O álcool é a principal causa de cancros da boca, pescoço e garganta,11 que são dolorosos e desfigurantes. Limitam o que o paciente pode comer e alteram o sabor da comida. Ver um doente com cancro da garganta pode causar muita impressão. Como a laringe pode ter de ser removida, podem não ter possibilidades de falar sem a ajuda de um aparelho. A comida não tem sabor e a radiação pode tornar a sua boca e garganta muito sensíveis. E estes são os casos que são considerados bem sucedidos.


Outro dos grandes riscos é tornar-se dependente do álcool.
Quatro a cinco por cento dos adultos americanos são dependentes do álcool. Dez a catorze por cento de todos os que bebem são dependentes.12

E se os médicos recomendassem que todos os não-bebedores com risco de doenças cardíacas e sem uma história de abuso do álcool (cerca de 25 milhões de pessoas) começassem a beber? O que aconteceria?

Se estes vinte e cinco milhões de americanos começassem a beber:

- Três milhões poderiam tornar-se dependentes do álcool. Correriam um risco de morte mais elevado, quer de cancro quer de acidentes, do que se nunca tivessem bebido.
- Muitos outros beberiam o suficiente para aumentar o risco de morte mesmo sem se tornarem dependentes do álcool.


O álcool não mata apenas quem bebe. É a causa de 38% de todos os acidentes de viação da Califórnia.
13 Se todos os não-bebedores em risco de doenças cardíacas começassem a beber, os acidentes fatais causados por condutores embriagados aumentariam cerca de 50%. Isso poderia significar mais 19% de mortes devido a acidentes de viação, muitas delas de vítimas não-bebedoras e até de crianças.
Menos de metade de uma só bebida causa problemas de condução.14,15 Se os não-bebedores em risco de doenças cardíacas começassem a beber, o número de prisões de condutores intoxicados poderia aumentar aos milhares anualmente.
15

(Tenha a coragem de ver este vídeo da foto à esquerda - http://www.youtube.com/watch?v=S0YF_FqjKn8&feature=related-jaqueline)

Outra espécie de acidentes aumentaria também. Num estudo recente feito no Novo México, o consumo de álcool foi a causa principal de acidentes de trabalho.16

Se muitos não-bebedores começassem a beber, haveria muito mais assassinatos relacionados com o álcool.17 Também aumentariam as tentativas de suicídio e o risco de auto-mutilação.18 Bem como o risco de nos tornarmos vítimas de homicídios.17 As famílias com um membro álcool-dependente têm um risco mais elevado de mulheres espancadas e crianças vítimas de abuso sexual.19,20 O álcool é, ainda, uma das principais causas de divórcio.

Se o álcool fosse um medicamento para o coração, sabendo-se das suas possibilidades aditivas e capacidade de causar cancro, seria ele o tratamento mais seguro e eficaz, ou haveria outras alternativas? Claro que sim! De acordo com a American College of Cardiology (Faculdade Americana de Cardiologia), uma alimentação vegetariana, que baixa o colesterol, diminui o risco de episódios coronários fatais em cerca de 80%, ou seja, 30% mais do que beber moderadamente! (Veja no Arquivo em Leituras para a Vida, 16.10.11).21


E as dietas vegetarianas não acarretam os perigos do álcool. Na realidade, estão associadas a um risco de cancro mais baixo.22 Dean Ornish provou que os doentes estão dispostos a seguir uma dieta vegetariana se ela for saborosa e fácil de confeccionar. O seu programa incluiu um acompanhamento dos pacientes e seus cônjuges com alimentação vegetariana, por um preço estabelecido.23 Estudos feitos por Gary Fraser, da Universidade de Loma Linda, provaram que o consumo regular de oleaginosas (nozes, amêndoas, avelãs, etc.) podem fazer baixar o risco de ataque cardíaco para cerca de um terço.24 Praticamente todos os doentes podem consumir oleaginosas ou manteiga de oleaginosas.



Também o consumo de bebidas alcoólicas, bem como a hepatite B e C, são as principais causas de cirrose do fígado nos Estados Unidos e outros países ocidentais.25 Até mesmo o baixo consumo de álcool tem como resultado um aumento de casos de cirrose que vai de 50% a duas vezes e meia.26 Vários estudos sugerem que o álcool também tem um papel no desenvolvimento de cancro do fígado.
27


Definitivamente, há métodos mais eficientes do que o consumo de álcool, para evitar a doença coronária.
Contudo, para o cristão, a razão mais importante para evitar o álcool é a forma como ele afecta a nossa capacidade de ponderar e compreender as coisas espirituais. Como disse o sábio, "O vinho torna o homem arrogante; as bebidas fortes incitam-no ao distúrbio; quem a isso se entrega nunca será sábio." (Provérbios 20:1).



REFERÊNCIAS:
1. Sempos CT, Cleeman JL, et al. "Prevalence of high blood cholesterol among U.S. adults" (Predomínio de colesterol elevado entre os adultos dos E.U.). JAMA 1993; 269:3009-3014.
2. Mertens JR, Moos RH, et al. "Alcohol consumption, life context, and coping predict mortality among late middle-aged drinkers and former drinkers" (O consumo de álcool, estilo de vida e enfrentar a predição de mortalidade entre os bebedores de meia-idade e indivíduos que foram bebedores). Alcohol Clinical Experience Research 1996; 20:313-319.
3. Pearson TA and Fuster V. "Executive Summary, Bethesda Conference" (Resumo Executivo, Conferência de Bethesda). J. Amer Col Cardiol 1996; 27:957-1047.
4. Steiberg D, Pearson Ta and Kuller LH. "Alcohol and atherosclerosis" (Álcool e aterosclerose). Annals of Internal Medicine 1991; 114:967-976.
5. Smith-Warner SA, Spiegelman D, et al. "Alcohol and breast cancer in women: a pooled analysis of cohort studies" (Álcool e cancro da mama na mulher: uma análise conjunta de um grupo de estudos). JAMA 1998; Fev. 18; 279:535-540.
6. Schatzkin A e Longnecker MP. "Alcohol and Breast Cancer" (Álcool e Cancro da Mama). Cancer 1994; 74 (3 Supl.):1101-1110.
7. Fuchs CS, Stampfer MJ, et. al. "Alcohol consumption and mortality among women" (Consumo de álcool e a mortalidade entre as mulheres). New Eng J Med 1995; 332:1245-1250.
8. Poikolainen K. "Alcohol and mortality, a review" (Álcool e mortalidade, um estudo retrospectivo). J Clin Epid 1995; 48:455-465.
9. Hayes RB, Brown LM, et. al. "Alcohol use and prostate cancer risk in U.S. blacks and whites" (O consumo de álcool e o risco do cancro da próstata em americanos negros e brancos). Amer. J. epid 1996; 143:692-697.
10. Boutron MC, Faivre J, et. al. "Tobacco, alcohol, and colorectal tumors: a multistep process" (Tabaco, álcool e tumores colorectais: um processo em vários níveis) Amer. J. epid 1995; 141:18-1046.
11. Tobias JS. "Cancer of the head and neck" (Cancro da cabeça e pescoço). Brit Med J 1994; 38:961-966.
12. Caetano R and Tam TW. "Prevanlence and correlates of DSM-IV and ICD-1 alcohol dependence" (Predomínio e correlativos de dependência alcoólica DSM-IV e ICD-I). Alcohol 1995; 3:177-186.
13. 1996 "California Driver Handbook" (O Manual do Condutor da Califórnia), California Department of Motor Vehicles 1996; pp 76-77.
14. Madden C and Cole TB. "Emergency intervention to break the cycle of drunken driving and recurrent injury" (Intervenção de emergência para quebrar o ciclo de condução embriagada e danos recorrentes). Ann Emer Med 1995; 26:177-179.
15. "Drivers with repeat conviction or arrests for driving while impaired – United States" (Condutores com frequentes condenações ou detenções por conduzirem em más condições – Estados Unidos) MMWR 1994; 43:759-761.
16. Fullerton J, Olson L. et. al. "Occupational injury mortality in New Mexico" (Mortalidade por acidentes de trabalho no Novo México). Ann Emer Med 1995; 26:447-454.
17. Loftus IA and Dada MA. "A retrospective analysis of alcohol in medicolegal postmortems over a period of five years" (Uma análise retrospectiva do álcool em postmortems medicolegais durante um período de cinco anos). American Journal of Forensic Medical Pathology 1992; 13:248-252.
18. Kingma J. "Alcohol consumption in trauma patients with injuries due to suicide attempts and automutilation" (O consumo de álcool em doentes traumáticos com ferimentos devidos a tentativas de suicídio e automutilação) Psych Rep 1994; 14:82-86, 88-93.
19. Martin Sl, English KT, et. al. "Violence and substance abuse among North Carolina pregnant women" (Violência e abuso de drogas entre as mulheres grávidas da Carolina do Norte). Amer J Pub H 1996; 86-991-998.
20. Windle M, Windle RC. et. al. "Physical and mental abuse and associated mental disorders among alcoholic inpatients" (Abuso físico e mental e distúrbios mentais entre os doentes internos alcoólicos). Amer J Psych, 1995; 152:1322-1328.
21. Bethesda Conference (Conferência de Bethesda). J. Amer Col Cardiol 1996; 27:957-1047.
22. Thorogood M, Mann J, et. al. "Risk of death from cancer and ischaemic heart disease in meat and non-meat eaters" (Risco de morte por cancro e doença cardíaca isquémica entre consumidores e não consumidores de carne). Brit. Med J 1994; Jun 25; 308:1667-70.
23. Ornish D, Brown SE, et. al. "Can lifestyle changes reverse coronary heart disease?" The Lifestyle Heart Trial ('Poderá o estilo de vida inverter a doença coronária?' A Experiência do Estilo de Vida) Lancet 1990; 336:129-133.
24. Fraser GE, Lindsted KD, et. al. "The effect of risk factor values on lifetime risk of and age at first coronary event." (O efeito dos valores do factor de risco sobre o risco do estilo de vida e a idade em que sofreu o primeiro episódio cardíaco) The Adventist Health Study. Amer J. Epid 1995; 142:746-58.
25. Corrao G, Torchio P, et. al. "Exploring the combined action of lifetime alcohol intake and chronic hepatotropic virus infections on the risk of symptomatic liver cirrhosis" (Explorando as acções combinadas do consumo de álcool durante a vida e a infecção crónica pelo vírus hepatotrópico sobre o risco de cirrose simpatomática do fígado) Collaborative Groups for the Study of Liver Diseases in Italy. Eur J Epi 1998 Jul; 14:447-56.
26. Corrao G, Bagnardi V, et. al. "Meta-analysis of alcohol intake in relation to risk of liver cirrhosis" (Meta-análise do consumo de álcool em relação com o risco de cirrose do fígado). Alcohol 1998, Jul-Ago; 33:381-392.
27. Yoshihara H, Noda K and Kamada T. "Interrelationship between alcohol intake, hepatitis C, liver cirrhosis, and hepatocellular carcinoma" (Interrelação entre o consumo de álcool, a hepatite C, a cirrose do fígado e o carcinoma hepatocelular). Recent Dev Alcohol 1998; 14:457-69.


Laura Pinyan, Nutricionista e Professora de Saúde Pública in Saúde e Lar, Dossier Álcool, Novembro de 2000

'BOAS NOTAS' EM RESSACAS

Quando eu tinha 7 anos de idade, eu e a minha prima mais nova, Ashley, começámos a ter aulas de iniciação de natação. No exame final, tínhamos de saltar de uma prancha de salto olímpica para a piscina lá em baixo.
A Ashley deu uma olhadela para a prancha de salto e declarou que não ia saltar, o que significava que também não passaria para a classe seguinte. Eu, pelo meu lado, estava dividida. Tinha medo, mas queria muito passar para o nível seguinte.
Pensei comigo mesma que, quando estivesse na borda da prancha, poderia sempre mudar de ideias. Assim, sem pensar mais, dei por mim a subir a escada. Lá em cima, no entanto, todos começaram a aclamar-me. Senti que a única coisa a fazer era saltar. E saltei, e foi um dos mais assustadores e inibidores momentos da minha ainda curta vida. Para piorar as coisas, nem sequer passei para o nível seguinte, porque, nessa altura, o Verão tinha chegado ao fim. Se eu tivesse tomado a decisão desde o princípio, não teria saltado.
Conto esta experiência porque ela me ensinou uma lição preciosa sobre os benefícios das escolhas prévias. Com a prevalência do uso de bebidas alcoólicas entre os estudantes universitários, as escolhas prévias a favor da sobriedade são mais necessárias agora do que nunca.
Beber é visto como um ritual de passagem, e a melhor altura para fazer uma decisão de beber ou não, não é quando as pessoas te estão a aplaudir e a aclamar. A realidade é que, hoje em dia, se bebe, e muito, nos meios universitários. E isso inclui, infelizmente, instituições religiosas.*

Na faculdade, conheci uma moça que se gabava de se embebedar aos fins-de-semana e de ter boas notas durante a semana. Mas quanto mais a conhecia, mais lutas a via travar, em consequência das suas pobres escolhas para o seu estilo de vida. O seu relacionamento com os homens era deprimente para a sua reputação, e ela pensava que Deus já não se importava com ela.
Bem no fundo do meu ser, eu sempre soube que havia uma batalha pelo controlo da minha mente. Deus criou-me com a capacidade de escolher entre o bem e o mal, e com a liberdade para exercer esse poder. Nunca quis comprometer isso, deixando que o álcool transtornasse o meu cérebro ainda em desenvolvimento.

Estudos feitos mostram que embora o cérebro tenha atingido o seu tamanho normal por volta dos 5 anos de idade, as suas células e conexões não estão plenamente desenvolvidas senão por volta dos 25 anos. O álcool danifica gravemente o cérebro em desenvolvimento.
Agora que a faculdade acabou para mim, sinto-me feliz por ter tomado a decisão de nunca beber. Não preciso de álcool para passar um bom bocado, e sinto liberdade por ter uma mente e uma consciência claras.
"E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, aceitável e perfeita vontade de Deus." Romanos 12:2.

Lahai Allen, estudante universitária
*Contrariando a informação que a autora dá, conheço uma instituição universitária religiosa - Southern Adventist University (Links 3I), localizada no estado do Tennessee, EUA, que ao longo dos seus mais de 100 anos de existência, e devido à sua filosofia totalmente abstémia (característica da Igreja Adventista do 7º Dia) criou um padrão tão elevado que levou as autoridades civis daquela cidadezinha a proibirem o comércio de bebidas alcoólicas em todo o seu espaço. Isso foi confirmado em votação pela população geral (adventistas e não adventistas) com o intuito de não facilitarem o acesso ao álcool à população jovem, quer da universidade, quer à restante população. Conheço este facto pessoalmente porque o meu marido, meus filhos e também os meus netos estudaram lá. Impressionante! (E.E.)


CIRCULAR DE UM TABERNEIRO PROS SEUS FREGUESES

Desejando eu ganhar a vida com pouco trabalho e prescindir da antiga lei que ordena 'obter o pão com o suor do próprio rosto', decidi fazer fortuna à custa alheia.

Com este fim, estabeleci-me no arrabalde Tragacopos, à esquina das ruas Ruína e Perdição, justamente entre a prisão e o cemitério e em frente do hospício de alienados.

Ninguém me chame inútil! Sou um honrado industrial! Fabrico para todo o país: arruinados, ébrios, assassinos e loucos, para que os filantropos tenham com que se ocupar e façam por eles o que possam.

Autorizado pelas leis do país, aumento o número de acidentes, de doenças, de desastres, de brigas, atentados de toda a espécie e de homicídios.

Sob palavra de honra, garanto que minhas bebidas, encurtando a vida de uns, diminuindo os haveres de todos, tornam impossível a paz do lar e do coraçao.

Sim, meus senhores, asseguro-o! Os meus licores convertem em monstro a quem antes era bom pai e esposo; de mães ternas e carinhosas, fazem mães que abandonam os filhos, e sem modéstia nem pudor.

Afirmo que minhas bebidas produzem efeito rápido. Em menos de 2 horas, encarrego-me de preparar os maridos a voltarem para casa transformados em feras capazes de quebrar todos os móveis, bater nas mulheres e pôr os filhos na rua. As bebidas que vendo são garantidas, infalíveis! Em poucos anos (às vezes bastam meses) actuam sobre o cérebro, coração e senso moral de um bom operário, a tal ponto que o fazem perder completamente o amor ao trabalho e a confiança dos patrões; indispôr-se com os companheiros; ficar sem emprego e sem honra; inteiramente reduzidos à vagabundagem.

Minhas bebidas são especiais para produzir toda a espécie de febres, tuberculose e paralisia. Agravam toda a doença do corpo e da alma. Aumentam em proporçao infinita as misérias do consumidor e da sua família, enquanto os encargos do país se agravam cada vez mais. Não respeitam profissão ou título, capacidade, cor ou sexo.

Minha profissão ocupa o primeiro plano entre as demais. Dou trabalho aos médicos, aos farmacêuticos, à polícia, aos juízes, aos carcereiros. Ponho em movimento as engrenagens de todas as casas de socorro, dos hospitais, das casas de correcção e dos asilos para incuráveis. Mais que nenhum outro, ofereço-lhes clientes e vítimas. Se alguém duvida das minhas asserções, consulte as estatísticas. Elas confirmarão quanto afirmo.

Desejais provar minhas bebidas? Vinde à minha loja, a qualquer hora. Estou inteiramente às vossas ordens. Se quiserdes certificar-vos dos efeitos que lhes atribuo, visitai os hospícios, destinados aos viciados e tolos. Depois visitai as prisões e os hospitais de alienados.

ARMAZÉM TOMA E BEBE - Rua da Ruína, Esquina da Perdição


Autor Desconhecido





Será que Podemos Culpar o 'Destino' Pelas Nossas Más Escolhas?...

UM MUNDO SEM BEBIDAS ALCOÓLICAS SERIA UM PARAÍSO!!!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012



1. O que é a morte?
A morte é o oposto da vida. Vejamos o que é a vida para que possamos compreender o que é a morte.
       - "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida: e o homem foi feito alma vivente" (Génesis 2:7, ver Job 33:4).
Vida é o que acontece quando Deus combina um corpo e a Sua sobrenatural centelha da vida. "Se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó" (Salmo 104:29). Morte é o que acontece quando a centelha da vida se apaga, ou é removida do corpo.

2. Para onde vão os mortos, e o que fazem aí?

       - "Aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará a sua casa" (Job 7:9 e 10).
       - "Finalmente é levado à sepultura, e vigia no túmulo" (Job 21:32).
       - "Se eu olhar a sepultura como a minha casa" (Job 17:13).
       - "Sai-lhes o espírito e eles tornam-se em sua terra: naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos" (Salmo 146:4).
       - "Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem, tão-pouco, eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Até o seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do Sol" (Eclesiastes 9:5 e 6).
       - "Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque, na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma" (Eclesiastes 9:10).
       - "Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio" (Salmo 115:17).
       - "Porque não pode louvar-Te a sepultura, nem a morte glorificar-Te: nem esperarão em Tua verdade os que descem à cova" (Isaías 38:18).
       - "Porque na morte não há lembrança de Ti; no sepulcro, quem Te louvará?" (Salmo 6:5).
       - "Seja-me lícito dizer-vos livremente, acerca do patriarca David, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está, até hoje, a sua sepultura. Porque, David não subiu aos céus" (Atos 2:29, 34).
A Bíblia diz que aqueles que morrem descem à sepultura. Não podem regressar às suas casas. Não "pensam, amam, odeiam, invejam, trabalham ou têm esperança". Nem podem louvar, glorificar ou lembrar o Senhor. Na realidade, na Bíblia, o termo descritivo mais comum para a morte é sono.
       - "Disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme ... Mas Jesus dizia isto da sua morte; ... Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto" (João 11:1-13).
Jesus, que tem a chave da sepultura e da morte, chama, à morte, sono. A Bíblia chama, muitas vezes, sono à morte. O termo sono, referindo-se à morte, é um símbolo de esperança, porque o sono não é permanente. Todos os que dormem na sepultura estão destinados a acordar.
       - "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno" (Daniel 12:2).
       - "Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação" (João 5:28 e 29).
       - David disse: "Quanto a mim, contemplarei a Tua face na justiça; satisfazer-me-ei da Tua semelhança quando acordar" (Salmo 17:15).
       - Job disse: "Oxalá me escondesse na sepultura, ... Todos os dias de meu combate esperaria, até que viesse a minha mudança. Chamar-me-ias, e eu Te responderia" (Job 14:13-15).

3. Mas a Bíblia não ensina que a alma é imortal e que só o corpo morre?

Mortal quer dizer "sujeito à morte", e imortal quer dizer "não sujeito à morte".
       - "A alma que pecar, essa morrerá" (Ezequiel 18:20).
       - "Rei dos reis e Senhor dos senhores, Aquele que tem, Ele só, a imortalidade" (I Timóteo 6:15 e 16).
A Bíblia diz que as almas morrem, o homem está sujeito à morte e só Deus tem a imortalidade. A doutrina da imortalidade da alma é desconhecida em toda a Bíblia.

4. Quando é que os justos receberão a imortalidade?

       - "Todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. ...isto que é mortal se revista da imortalidade" (I Coríntios 15:51-53).
       - "Porque o mesmo Senhor descerá do Céu, com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (I Tessalonicenses 4:16 e 17).
       - "Porque, assim como todos morrem em Adão, assim, também, todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na Sua vinda" (I Coríntios 15:22 e 23).
As Escrituras são claras ao afirmar que o homem não é inerentemente imortal, mas que os justos receberão corpos imortais gloriosos quando Cristo regressar.

5. A nossa crença sobre o que acontece aos mortos é, realmente, importante?

Aquilo em que acreditamos sobre o que acontece aos mortos é de importância vital para os vivos, pelas seguintes razões:
       - a) O facto de que os mortos estão a dormir nas suas sepulturas oferece um supremo conforto aos vivos. Quer os nossos entes queridos morram na condição de salvos ou condenados, não estão a sofrer dor ou a entristecer-se com os desapontamentos e provações dos vivos. Todos os que morreram em Jesus estão a ser guardados em segurança, até à hora gloriosa da sua ressurreição, quando Jesus vier. Portanto, a experiência consciente seguinte será ver e ouvir o seu Redentor com todos os Seus santos anjos a vir buscá-los para o Seu reino. Ele acordá-los-á para receberem os seus corpos imortais moldados como o Seu próprio corpo glorioso (Ver Filipenses 3:20 e 21; I Coríntios 15:50-57). Depois, todos os que amaram Deus, quer estejam vivos ou tenham morrido, serão reunidos para entrar juntos no reino do Céu como uma família glorificada (Ver Hebreus 11:35-40; I Tessalonicenses 4:15-17).
       - b) A crença na imortalidade natural da alma é um ataque ao evangelho de Jesus Cristo. A imortalidade é um dom sobrenatural do sacrifício redentor de Cristo para os pecadores. Se a minha alma já é imortal, então não preciso de Cristo para me salvar da morte, e Cristo morreu em vão (Ver Romanos 3:23; 6:23).
       - c) Se, na morte, todos vão imediatamente para a sua recompensa, Cristo não necessita de voltar para ressuscitar ninguém.
       - d) É uma questão em quem se acredita. Deus diz: "Certamente morrerás" (Génesis 2:17). Satanás diz: "Certamente não morrerás" (Génesis 3:4). Em quem vai acreditar e a quem vai seguir?
       - e) Uma compreensão correta do estado do homem na morte é a nossa defesa mais segura contra o espiritismo, o engano de Satanás.

6. Quando arde o fogo do inferno?

No fim do mundo.
       - "Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo" (Mateus 13:36-42, 49).
       - "E reservar os injustos, para serem castigados" (II Pedro 2:9).
Note bem: o castigo vem no fim do julgamento, não após a morte como é popularmente ensinado.
       - "Porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação" (João 5:28 e 29).
Estão retidos na sepultura para o castigo até à volta de Cristo e do Seu reino no fim do milénio.
       - "Mas os outros mortos não reviveram até que os anos se acabaram. ... e foram julgados, cada um, segundo as suas obras. E a morte e o inferno (do grego hades) foram lançados no lago de fogo" (Apocalipse 20:5, 13 e 14).

7. Onde arde o fogo do inferno?

Nesta Terra.
       - "E subiram sobre a largura da Terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu, e os devorou" (Apocalipse 20:9).
       - "Eis que o justo é punido na Terra; quanto mais o ímpio e o pecador!" (Provérbios 11:31).
       - "Mas os céus e a Terra que agora existem, ... se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. ...Mas o dia do Senhor virá como ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a Terra e as obras que nela há se queimarão" (II Pedro 3:7, 10).
Um dia, o fogo do inferno queimará toda a superfície da Terra e destruirá todo o traço de pecado e pecadores.

8. Durante quanto tempo arderá o fogo do inferno?

Até os ímpios serem consumidos. Sete razões pelas quais o inferno não arderá eternamente:
       - a) O inferno arderá na superfície da Terra, depois a Terra será recriada como o lar dos salvos (Ver Apocalipse 20:9; II Pedro 3:12 e 13).
       - b) Deus é justo e bom; castiga os pecadores perdidos na proporção das suas obras (Ver Deuteronómio 32:4; Lucas 12:47 e 48; Apocalipse 22:12).
       - c) O homem não é imortal (Ver Génesis 3:22, 24; Ezequiel 18:20).
       - d) Deus é amor. Você e eu não torturaríamos os nossos filhos para sempre, não importando quão desobedientes tenham sido. Será que somos mais amorosos do que Deus? (Ver Jeremias 31:3; Isaías 55:9).
       - e) Deus diz que o salário do pecado é a morte, não a tortura eterna (Ver Romanos 6:23; Ezequiel 16:4).
       - f) Deus planeia erradicar o pecado, não imortalizá-lo (Ver I Coríntios 15:26; Apocalipse 20:14).
       - g) Deus planeia destruir os ímpios e di-lo muitas vezes na Bíblia (Salmo 21:9; 37:10; 9:5 e 6).

9. O que é o inferno?

Na Bíblia, a palavra inferno é usada 54 vezes e só em 12 dos casos se refere a um local a arder.
No Velho Testamento:
       - a) A palavra "seol" é usada 31 vezes e significa sepultura, um local de sepultamento.
No Novo Testamento:
       - b) A palavra "tártaro" é usada 1 vez e refere-se a um local de "escuridão e encarceramento" para o diabo.
       - c) A palavra "hades" é usada 10 vezes e é equivalente a "seol".
       - d) A palavra "geena" é usada 12 vezes e refere-se a um local de depósito de lixo fora de Jerusalém, onde o fogo era mantido aceso para destruir os refugos; o fogo destruía os cadáveres que as larvas não consumiam. O uso da palavra "geena" (a lixeira da cidade) como fogo do inferno, indica claramente que o fogo do inferno é para destruir e erradicar o refugo do pecado no Universo, não para o perpetuar por toda a eternidade. A promessa de Deus é que a destruição chegará a um fim perpétuo (Salmo 9:6).

As Escrituras descrevem claramente o lugar dos mortos. A palavra usada para esse fim no Velho Testamento é "seol", e a palavra correspondente no Novo Testamento é "hades". Elas denotam, como prova o seu uso, um lugar de silêncio, segredo, sono, descanso, escuridão, corrupção e larvas. São nomes para os sítios dos mortos, tanto justos como injustos. Os justos mortos estão ali; pois na ressurreição elevarão o grito vitorioso: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno (do grego hades), a tua vitória?" (I Coríntios 15:55). E os ímpios mortos estão também ali, pois na ressurreição para a condenação é dito que a morte e o inferno (do grego hades) os entregam {Apocalipse 20:13). Que o hades do Novo Testamento é o seol do Velho Testamento, é evidente no Salmo 16, comparado com Atos 12:2.
Portanto, Salmo 16:10 diz: "Pois não deixarás a minha alma no inferno" (Hebraico seol); e o Novo Testamento faz uma citação direta desta passagem e, para seol, usa a palavra hades (Atos 2:27).
Seal e hades (a sepultura) é qualquer local físico onde os mortos são enterrados (Ezequiel 32:18-32).

Texto e Imagens da Revista Trimestral Sinais dos Tempos, 3º Trimestre 2012, Publicadora SerVir.
Revista sempre com matérias de grande interesse e profundidade!
(Faça a sua assinatura ou compre avulso, se desejar)



NISTO CREMOS


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

PORNOGRAFIA E AFINS...
O Crente em Deus Não Tolera Isso!


É ISSO QUE O POVO QUER?!


"Muitos jornais e revistas, bem como filmes cinematográficos se têm aperfeiçoado na maneira de fazer a promoção do sexo, mas uma promoção maliciosa em que o deboche ocupa um lugar saliente."
"Pressionados pela concorrência, também os fabricantes em desespero buscam, dia a dia, novos métodos de forçar a venda. E nessa louca corrida usam e abusam do sexo."
"Vivemos num ambiente saturado com a exibição de mulheres semi-nuas e poses provocantes. ... Estamos completamente cercados pela maré enchente do sexo, que está inundando todos os compartimentos da nossa cultura, todas as partes da nossa vida social", diz o Professor Sorokin do Centro de Investigação da Universidade Harvard.
Assim é realmente. O sexo está sendo associado a tudo na moderna sociedade: frigoríficos, roupas, camas, bicicletas, perfumes, instrumentos musicais, filmes, carros, cigarros, cremes de barbear, desodorizantes, etc. E a lista está longe de acabar!
Notícias informam que no ano passado, em Paris, Londres, Estocolmo e Roma, mais de 12 mil anúncios eróticos diferentes apareceram, os quais incluíam desde canetas até sumo de tomate.
"Uma nova sociedade, uma sociedade mais permissiva está-se formando. O seu esboço está definido mais marcadamente nas artes - no aumento da nudez e exibição nos filmes de hoje, nas canções populares, na arte erótica e nos espectáculos de TV, nas modas mais livres e nos anúncios mais ousados. E, atrás desta expansiva permissividade nas artes, está uma sociedade em transição, uma sociedade que perdeu o seu consenso sobre assuntos cruciais como o sexo pre-marital... o casamento... e a educação sexual... " (Newsweek, 18 de Novembro de 1967).

A história do erotismo é muito velha. Parece ter começado com um poeta chinês - Li Po - há muitos séculos. Surgiram depois os clássicos na Arábia (Livro das Mil e Uma Noites), Grécia e Roma. Durante a Idade Média houve violenta repressão mas tudo inutilmente: a infiltração erótica conseguiu escapar à fogueira e ser trazida a lume pela Renascença.
Em 1857 surge na Inglaterra a lei intitulada Obscene Publications Act. Ela autorizava os juízes ingleses a efectuar 'batidas' nas livrarias e destruir livros considerados pornográficos. As repressões, contudo, não conseguiram de modo algum erradicar a baixa literatura.
Com a obra My Secret Life (Minha Vida Secreta - 1880), de Spencer Ashbee, em 11 volumes, editada por Leonard Smith, estava preparado o caminho para a avalancha erótica do século XX. Autores de fama aderem à onda. No começo do século, para burlar a vigilância da censura, truques diversos foram adoptados. Entre eles, usava-se publicar num país livros numa língua que esse país desconhecesse.
Hoje, através de livrarias e vendedores há uma circulação espantosa de tais publicações. Calcula-se que só na América do Norte, nas bancas de jornais, a venda anual de revistas de sexo atinge 15 milhões de exemplares! Pesquisas recentes indicam que de cada 100 fotografias publicadas pela imprensa europeia no início do ano passado, 67 eram nitidamente eróticas!

Erotismo Literário Disseminado

No Brasil uma rápida olhadela nas livrarias e bancas de jornais informam perfeitamente a respeito do nosso 'progresso' no assunto. E das garras da literatura erótica quase ninguém escapa. Quando a juventude mais esclarecida não adquire a baixa literatura em qualquer banca, é obrigada a entrar em contacto com ela através de algum autor moderno famoso pelo 'belo estilo' e 'rico vocabulário', pela força de exigências escolares. E, à cata de algumas presumíveis pepitas literárias, a juventude vai sujando as mãos, o corpo e o coração na ganga impura da literatura degradante. E há uns punhados de livros desse teor.
O cenário é sempre o mesmo: intrigas amorosas, triângulos, prostituição, etc, quase sempre acabando bem para os implicados. Sob o pretexto de levantar questões de ordem social, os autores vão projectando o quadro do seu sujo mundo interior.
Deixando a linguagem velada e insinuante de ontem e a subtilidade do enredo, o erotismo às claras passou a ser chocante, agressivo, quase contundente, arrastando à luz do dia cenas de alcova em linguagem crua e palavrões retumbantes.
Ninguém sabe como isso tudo acabará. A verdade é que a semente do mal está sendo lançada cada dia e os frutos já estão sendo colhidos em abundância.

O Sexo nos Meios de Comunicação

Os demais meios de comunicação têm também explorado o sexo. Há jornais que se especializam em dar destaque às aberrações sexuais com manchetes ilustradas de primeira página. Outros fazem da malícia a sua 'virtude' capital, onde debocham quase sempre da instituição da família.
Quanto aos produtos cinematográficos, um despacho da Associated Press de 1 de Junho de 1968 informa: "Os produtores norte-americanos de filmes parecem prontos a um outro passo significativo na direcção de maior franqueza no trato com o sexo, linguagem obscena e outros assuntos antes considerados tabus na tela. ... Desde a revisão de 1966 (do código do cinema) grandes mudanças têm sido evidenciadas no tratamento do sexo, nudez e linguagem no filme. ... As cenas de alcova tornam-se mais e mais divulgadas."
Na imprensa italiana, o filme "Vou Para o Inferno", de um tal Franco Montemurro, mereceu a seguinte descrição: "Atmosfera entre homicídios, depravação, sangue. Um filme que termina tragicamente mesmo para aqueles que não o praticam." Sem desejar, talvez, a propaganda disse uma grande verdade: "Um filme que termina tragicamente mesmo para aqueles que não o praticam." Ninguém sabe quantos sádicos, pervertidos e anormais começaram a tragédia da sua vida na poltrona de um cinema vendo tais filmes, literalmente indo a caminho do inferno!


Mas afinal, porquê todo esse incontrolável apelo ao sexo?

"Hollywood responde às acusações de que se está tornando cada vez mais obsessionada", dizendo que "os filmes que tratam do homossexualismo, nudez e linguagem grosseira ... produzem dinheiro, porque é o que o povo quer." (Parede, 22 de Setembro de 1968).
Os teatros não oferecem menos com os seus espectáculos de nudez e convites insinuantes.

Outro importante veículo de comunicação, que qualquer deslize na manipulação torna aguda faca de dois gumes, é a televisão. É mais perigosa ainda porque atinge directamente o núcleo familiar, levando para o lar, o teatro, o cinema, a música, a publicidade, os 'shows' semanais frequentemente sensualizantes. Aqui uma vez mais o dinheiro associa-se à exploração do sexo. É um círculo vicioso: o público quer sexo, os patrocinadores querem o público e a televisão necessita dos patrocinadores.
O sexo é um negócio rendoso. Ninguém, quer perdê-lo. Não obstante, essa atitude reflecte uma profunda crise na sociedade. O New York Times de 4 de Abril de 1968 deixa claro esse facto quando, referindo-se aos dramas apresentados no vídeo, que tratam de ilegitimidade, adultério e relações premaritais, declara: "Abertamente discutem homossexualidade, amor livre ... e os problemas dos travestis ... A TV caminha em direcção da permissividade ... é um reflexo da inversão dos valores morais ... Se a TV é mais permissiva, é porque os ouvintes - na verdade a sociedade inteira - o está sendo."

Sexo e Interesse Comercial

Pressionados pela concorrência, também os fabricantes em desespero buscam, dia a dia, novos métodos de forçar a venda. E nessa louca corrida usam e abusam do sexo. E realmente o sexo vende.
Conta-se que em 1960, no metro parisiense, entre as estações de Étoile e Louvre, foi pendurado o famoso cartaz La Jeune Fille et La Rose mostrando uma linda jovem inteiramente despida abraçando uma flor vermelha. O produto anunciado aumentou a sua venda em 75% em poucos dias!
No Brasil, revistas de grande tiragem, pelo trabalho incessante dos seus técnicos de publicidade, conseguiam envolver quase tudo num excitante apelo à líbido; cartazes, em locais de ângulo visual obrigatório, enxameavam pelos muros, no alto de edifícios, no interior de transportes colectivos, à beira das ruas e avenidas. Não contentes ainda com o desnudar mulheres, os publicistas começaram a expor às vezes os jovens em situacões equívocas, numa iniciação subtil ao homossexualismo. Em tempo muito oportuno vimos a atitude firme por parte das autoridades responsáveis tomando decisões enérgicas visando coibir os abusos que ameaçavam o nosso futuro.

O Simbolismo do Sexo

Aldous Huxley explica o fenómeno da publicidade nas seguintes palavras: "Basta encontrar determinado anseio comum, alguma ansiedade inconsciente e difundida, depois encontrar uma forma de relacionar esse desejo ao produto que se tem que vender. Então, construir uma espécie de ponte de símbolos sobre a qual o cliente possa passar, de facto, ao sonho compensatório e daí à ilusão de que, adquirindo o produto, fará o sonho tornar-se verdadeiro..."
Partindo dessa afirmação, quando o homem, pressionado pela propaganda erótica, adquire algo, ele simbólica e inconscientemente realiza algum sonho escuro que se aninha no seu coração.
Mas isto é apenas uma explicação psicológica da venda. A verdade é que à força de repetidas sugestões que lhes entram por todos os sentidos, o homem, e principalmente a juventude, vai lentamente elaborando os seus conceitos nos moldes sugeridos, numa verdadeira lavagem cerebral.
Por aí é fácil prever que multidão de desajustados a publicidade sinistramente ajuda a preparar!

Edmund Caussin Jr., quando a sua filha de 16 anos, Mary, foi raptada e morta, desabafou: "Não culpo tanto o homem como a sociedade que produz tais homens. É uma sociedade que permite revistas de sexo nas nossas bancas para os nossos filhos. Uma sociedade que mede as estrelas de Hollywood pelo tamanho dos seus bustos; uma sociedade em que as histórias indecentes e linguagem profana são comuns. Essas coisas tornam pervertidos sexuais aqueles que têm a menor tendência para a anormalidade. Eles são encorajados por tudo que os cerca. Enquanto a sociedade não mudar os seus princípios morais fundamentais e não reafirmar a sua fé em Deus, teremos pervertidos sexuais."
O leitor há-de concordar que isto é válido tanto para a América do Norte como para o Brasil.

Falsas Bases Para o Realismo

Artistas e intelectuais advogam maior liberdade de expressão no terreno moral, na literatura, televisão, cinema e teatro sob a alegação de estarem praticando o realismo. A revista Christianity Today de 3 de Fevereiro de 1967, no artigo For the Seke of Art - De acordo com o estado da Arte - assinado por Addison H. Leitch, dá uma resposta adequada quando afirma que a roseira em frente da casa é tão real quanto o recipiente do lixo nos fundos. Contudo, o bom gosto fala fortemente que o recipiente do lixo deve ser mantido atrás da casa com uma tampa em cima! E ninguém poderá ser chamado de 'quadrado' ou retrógrado por causa disso.
Todos concordam em que há certas coisas cuja prática é não só correcta como necessária no curso normal de um dia, porém a portas fechadas! São coisas absolutamente reais, praticadas normalmente. Isto, porém, não é nenhum argumento para a sua apresentação pública. Além disso, o argumento de que determinadas coisas são práticas naturais nos lares não é válido. O emprego do palavrão, por exemplo. Dizer que este retrata uma situação comum no seio da família brasileira é generalizar erradamente. Há muitos lares que ainda mantêm - graças a Deus! - padrões elevados de conduta e que dispensam essas 'contribuições' grosseiras que, não raro, são compensaçoes doentias de talentos medíocres.

Alguns há, mais audazes, que chegam a citar incidentes bíblicos (!) de cru realismo, para defender a pornografia das suas produções. A fragilidade de tal argumento é notória. Onde é que na Bíblia Sagrada, há o relato de qualquer acto imoral não punido? Onde?
Um estudo cuidadoso revela que, ao contrário das licenciosas obras de tais autores, as passagens mais francas da Bíblia, bem como toda a acção humana e divina nela descrita, são clara advertência aos homens das gerações vindouras e visam o seu superior bem-estar. Têm esses escritores modernos o mesmo objetivo? Se não, por que exibir esse paralelismo? Além disso, a Bíblia nunca usa a linguagem franca e abusiva de tais autores. É singela, natural, não excita o sensualismo nem promove sensacionalismo doentio.


"É Isso que o Povo Quer!"

Os que têm vantagens na exploração abusiva do sexo defendem-se argumentando que dão ao povo o que o povo quer. "Estamos satisfazendo as exigências do público consumidor," dizem, testemunhando com altos facturamentos.
A história responde que o 'pão e circo' do povo romano acabou em enfraquecimento e queda. Precisamos ainda desse sórdido adubo para aumentar a triste colheita de esfacelamento de lares, delinquência, toxicómanos, pervertidos e sifilíticos? Será isso que desejam as nossas famílias brasileiras?
O leitor sabe a resposta.

Ivo Santos Cardoso in Revista MOCIDADE, Casa Publicadora Brasileira (CPB).

Este artigo foi escrito há alguns anos. Imagine o que o autor escreveria hoje! E não só para o povo brasileiro, claro. Mas Deus não muda!!! As Suas Leis são ETERNAS e nisso está a nossa segurança. Que conforto! (EE)


EX-ATRIZ PORNOGRÁFICA DÁ RECADO SÉRIO AOS HOMENS


       Jennifer Case deixou a indústria do sexo três anos atrás pela graça de Deus, diz ela, e a mensagem dela para os homens é muito clara: "Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela." Numa entrevista para "The Porn Effect" (O Efeito Porno), Case testifica de sua própria experiência acerca dos malefícios que a indústria pornográfica provoca nas mulheres envolvidas. Ela diz que ficou traumatizada, oprimida e abusada, e ficou viciada em drogas e precisava do dinheiro da pornografia para continuar tendo condições de comprá-las. Fisicamente ela tinha de lidar com doenças sexualmente transmissíveis: "Tive tantas infecções diferentes o tempo inteiro! Deixei Hollywood porque fiquei muito doente de clamídia. Meu abdomen doía tanto que tive de voltar para casa", disse ela.
       A indústria pornográfica é alimentada pelos seus consumidores – eles e seu dinheiro impulsionam o destrutivo negócio – e daí dá para se atribuir os danos feitos a essas mulheres aos consumidores bem como produtores. Contudo, a ex-atriz porno não guarda amargura contra os homens pela vida passada dela. Ela possui um discernimento profundo da natureza viciadora da pornografia e diz que compreende que só com a ajuda de Deus os homens conseguem sair do vício, assim como foi com a ajuda de Deus que ela deixou essa indústria.
       "Homens, Deus ama vocês! Eu amo vocês também e sempre orarei por todos vocês, para que as cadeias sejam quebradas", diz ela. "Você é escravo da pornografia tanto quanto qualquer atriz porno. Se você está vendo pornografia ou está viciado em pornografia, você está tentando encher um vazio dentro de você que só Deus pode preencher. Toda vez que você olha pornografia, você está aumentando o vazio, e você destruirá sua vida."
       Ela diz que a pornografia é "maligna" e "é uma droga, veneno e mentira". "Se você pensa que poderá guardá-la no escuro, Deus a tirará para fora, para a luz, para deter você e curar você."
       Num apelo muito franco, Case concluiu a entrevista dizendo: "Essas mulheres são preciosas e merecem ser amadas exatamente como vocês merecem. Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela. Em toda a pornografia existe a filha de alguém. E se fosse a sua filhinha? Você pode realmente estar ajudando na morte de alguém! Atores e atrizes pornos morrem o tempo todo de aids, overdoses de drogas, suicídios, etc. Por favor, parem de olhar pornografia." (Traduzido do artigo original em inglês por Julio Severo).

Note: Apelo sincero e sério o dessa mulher. Como qualquer vício, o da pornografia geralmente começa com o descuido e a curiosidade e vai se aprofundando, até que a pessoa se dá conta de estar escravizada pelo hábito destrutivo. O alcoólico deve ficar longe do álcool. O drogado deve passar longe das drogas. E o viciado em pornografia também deve tomar medidas preventivas. Se o problema é a internet, deve-se acessá-la sempre acompanhado de outras pessoas, limitar o tempo de navegação, ser muito focado e específico no uso (evitando navegar a esmo por aí) e colocar filtros no computador. Crianças pequenas devem ser especialmente monitoradas para não entrar inadvertidamente nesse mundo corrompido da pornografia. Finalmente, e mais importante: como disse Jennifer, só com a ajuda de Deus se pode conseguir a libertação do vício. Portanto, se você vive esse drama, intensifique sua comunhão com Deus por meio da oração sincera, do estudo devocional diário da Bíblia, das boas companhias e da frequência regular à igreja. Quando Jesus controla nossa mente, os pensamentos e desejos se tornam puros e corretos. (MB)

Texto extraído do blog Criacionismo, do Teólogo, Jornalista e Editor da CPB, Michelson Borges, de 14.01.2012.
Pode ler também sobre este tema em:
http://www.criacionismo.com.br/2012/08/pornografia-e-sadomasoquismonovaonda.html

LÁ NO VALE


«Deus Não Pode Dar a Vida Eterna a Pessoas Que Ainda Não Atingiram a Maturidade de Carácter.
Seria Arriscar Novamente os Céus a Uma Segunda Queda»
Leo Ranzolin

(Pode ler mais em Meditação para a Saúde, 17.10.12, 1R)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PAIS, PROFESSORES E ALUNOS


A ESCOLA DA ADVERSIDADE
(...) Meu avô nasceu nos primeiros anos do século XIX, quando os imperadores Manchu ainda reinavam na China. Depois que ele passou nos exames do governo para receber o alto grau de letras, foi nomeado governador da importante província de Kuang-tung, ao sul. Assim, deixou a esposa, seis filhos e uma filha em Hangchou e fez a longa viagem para o sul, a fim de assumir o mandato.
Mal havia chegado, apanhou grave enfermidade e morreu. Quando minha avó recebeu a notícia ficou aturdida. Permaneceu sentada, imóvel como uma estátua, por vários dias. Em vão, seus filhos procuravam movê-la, fazê-la falar, comer, dormir. Ela não se mexia, ficava apenas olhando para a frente.
Agora, sem qualquer meio de sustento, teria que criar seis filhos e uma filha. Ela, que estava a costumada a todo o conforto, precisaria trabalhar dia e noite. Precisaria despedir os empregados, vender a casa e toda a sua roupa fina. Sua família aprenderia a comer sopa de arroz e repolho.

Mas ela resolveu que, viesse o que viesse, todos os seus filhos seriam homens de letras, como era a tradição da família.

Meu pai era o segundo filho. Muitas vezes ele nos contou da pobreza de seus tempos de menino.
- Como pensam vocês que eu me eduquei? - Perguntava a meus irmãos, quando eles se queixavam de algum trabalho difícil.
- Nem tínhamos professor ou os livros de que precisávamos. Eu tinha de andar, com o vento tocando redemoinhos de neve em volta, por vários quilómetros, para tomar emprestado um livro, e ainda com a promessa de devolvê-lo em dia marcado. Então, nós, os rapazes, depois de um dia de trabalho árduo, nos sentávamos ao redor da mesa e copiávamos do livro emprestado. No centro, um pequena taça de óleo, com um pavio que boiava, dava uma luz fraca. Quando ficávamos com fome, comíamos um punhado de arroz frio da cesta de cozer arroz. Nos meses de inverno, nossas mãos ficavam tão frias que quase não podíamos segurar a caneta. Vocês não sabem o que é dureza!

Mas a família conseguiu sobreviver. Os rapazes, em grande parte, se educaram por si mesmos: os mais velhos ensinavam aos menores. Quando ficaram homens, se prepararam para fazer os exames de letras, que davam oportunidade para cargos nas cortes, como tinham feito o pai e o avô. À filha, naturalmente, não deixaram estudar. Era apenas uma menina, e tinha que aprender a fazer o serviço de casa.
Meu pai e seu irmão mais velho passaram nos exames de primeiro grau, em Hang-Tcheú e, mais tarde, foram a Nanquim, para os de segundo grau. No dia marcado, os irmãos apareceram na Casa de Exames. Estavam ambos trajados de vestes longas de algodão azul e casacos curtos, pretos. Traziam os cabelos em longas tranças, bem cuidadas, e usavam pequenos bonés. Cada um levava uma cesta contendo frutas, penas, tinta e uma tigela e pauzinhos.

À entrada, havia toldos de cores vivas. No portão, dois auxiliares deram uma busca enérgica nos rapazes, para ver se traziam algum livro ou papel escondidos. Entraram num pátio, onde se movimentavam muitos estudantes e auxiliares. Uma alta torre dominava as longas fileiras de cubículos de exames, que se estendiam para os quatro lados. Cada fileira tinha uns cem lugares, que davam para um estreito corredor, e os alunos ficavam expostos ao tempo, desse lado.
Os dois irmãos estavam muito nervosos, e ficaram juntos para infundir coragem um ao outro. Foram-lhes dados cubículos separadas, onde puseram suas cestas. Esses cubículos eram do tamanho de uma cabina telefónica, contendo uma estreita tábua como assento, um nicho na parede, para uma lamparina, um prego para pendurar a cesta, e mais uma tábua para servir de mesa.

Os examinadores chamaram logo todos para o pátio, fizeram a chamada e deram, a cada estudante, um rolo de papel. Esse rolo era o único papel que cada qual receberia; portanto, cada um guardou o seu, cuidadosamente, no bolso da túnica. Quase ao anoitecer, os examinadores foram ao portão da rua e o fecharam e lacraram com grande cerimónia. Isso era o sinal de que os exames iriam começar. Durante três dias e três noites, ninguém poderia entrar ou sair por motivo algum.

Lá em cima, na torre, surgiu um examinador, que fez soar um gongo para chamar os estudantes ao pátio. Olharam para cima e viram o examinador agitar uma bandeira. Declarou ele, em alta voz: "Ó vós, espíritos dos mortos! Contemplai a estes estudantes aqui congregados! Se algum vos tem ofendido por palavra ou ação, puni o ofensor e vingai a injustiça". Os estudantes, já nervosos, e que criam em espíritos maus, tremiam de medo, alguns quase desmaiando. O gongo soou mais uma vez, e os estudantes se retiraram, cada um para o seu cubículo.
Um auxiliar, levando uma lanterna acesa, com o tema da prova escrito aos lados, passou vagarosamente por cada corredor, dando aos estudantes tempo para verem claramente o tema do exame. Durante os três dias e três noites, os estudantes não podiam deitar-se para dormir, nem conversar com outra pessoa. Um auxiliar fazia a ronda pelos corredores, para que não se pudesse copiar.

À hora das refeições, ao soar do gongo, cada qual levava a sua tijela e pauzinhos para o pátio, onde havia um grande caldeirão de sopa de arroz bem quente. O estudante servia-se de quanto quisesse, comia avidamente e voltava ao seu cubículo. A luta para preparar-se, a preocupação e a concentração prolongada eram tão grandes que acontecia morrerem alguns estudantes sob a penosa prova, sendo os seus corpos retirados por uma portinhola secreta no muro.

Terminado o exame, cada qual assinava o seu nome na margem designada, dobrava a folha de papel, selava-a e entregava o trabalho ao examinador. Então, quando se abria o portão, todos saíam cansados demais para conversar, e só procuravam um lugar para deitar-se e dormir algumas horas. Os exames eram estritamente imparciais. Os assuntos sempre requeriam um conhecimento extenso das ciências políticas. A junta de examinadores lia cada exame e o julgava por seus méritos, antes de desvendar a assinatura do autor. Nomeavam-se aqueles que tinham as notas mais altas. Esse sistema funcionou na China, desde o ano 600 A.D.

Certo dia, um mensageiro entregou à minha avó uma carta oficial, na qual se dizia que meu pai havia passado nos exames. Minha avó não tinha dinheiro para pagar ao mensageiro, que trouxera as boas novas. Portanto, ela levou um casaco a um vizinho e o depositou, como garantia de um empréstimo. Ela e meu pai ficaram muito satisfeitos, mas meu tio ficou tão decepcionado que foi para o quarto e chorou. Logo, porém, chegou outro mensageiro com uma carta, que dizia haver passado também meu tio. Outro casaco foi levado ao vizinho sendo emprestado o dinheiro para pagar ao segundo mensageiro, e a família se assentou para festejar a grande ocasião, com menos agasalhos, mas muito orgulho.
Cada membro da família, a seu tempo, recebeu um cargo político importante. Meu tio mais velho tornou-se vice-governador da província de Ho-Pe indo morar em Tientsin. Meu pai veio a ser vice-governador de Kiang-Su, indo morar em Nanquim. Depois, tornou-se governador e ocupou muitos outros cargos importantes. Meu terceiro tio veio a ser alto funcionário (Taotai) em Pequim; o quarto, prefeito de Paotinfu; o quinto, prefeito de Yangcheú; e o sexto, prefeito de Siangyang, em Hu-Pe. Quanto à menininha desprezada, casou-se com um alto funcionário, assessor do Imperador. Assim, a adversidade trouxe as suas recompensas!

Muitos anos depois, meu pai tornou-se chefe da Casa de Exames, em Nanquim. Vestia ele seu traje de gala, seu chapéu com plumas de pavão e um botão vermelho no topo (que eram as insígnias de um alto funcionário), e partia no seu palanquim verde, transportado por oito homens. Cavaleiros aparatados o precediam e seguiam.
Meu pai sempre teve profundo carinho para com os pobres, e muito fazia em favor deles. Uma noite, durante os exames, decidiu ver pessoalmente o que se passava lá em baixo. Despiu as vestes oficiais, vestiu as roupas de um servente, e desceu as escadas. No escuro do pátio, ouviu alguém soluçando. Achou um estudante todo encolhido num degrau, chorando como se estivesse com o coração partido.
- Que foi? Quem é você? - perguntou meu pai.
- Meu nome é Hung, e sou de Wusih. Minha mãe é viúva e tão pobre que não podia mandar-me para aqui. Mas, alguns amigos emprestaram-me o dinheiro. Porém, meu exame caiu na fossa! Não tenho mais papel. Não posso voltar e dizer à minha mãe que perdi esta oportunidade. Ela morreria de desgosto. Só me resta matar-me.
Meu pai condoeu-se:
- Tenho um rolo de papel de que não preciso, disse ele. Irei buscá-lo, e você poderá escrever seu exame novamente. Espere aqui.
Quando meu pai voltou, o moço olhou-o de frente, reconheceu ser ele o Examinador Chefe, e fez-lhe uma reverência.
- Meu senhor - exclamou ele - lembrar-me-ei do senhor com gratidão por toda a minha vida. Salvou-me a mim e à minha mãe. (...)

Texto extraído do livro A Rainha do Quarto Escuro de Christiana Tsai, Editora Fiel Lda, São Paulo, Brasil, 1980.

HUMILDADE:  VIRTUDE DE MESTRE

       Figura indispensável na sociedade, o professor terá muito mais sucesso a longo prazo se ensinar com humildade. Mas isso nem sempre acontece.
       Faz pouco tempo, um senhor estendeu-me a mão e perguntou se eu era Pastor. "Sou Professor", respondi. Então de maneira delicada ele disse: "É sacerdote do mesmo jeito."
       O Novo Dicionário Aurélio define o termo "sacerdote", no sentido figurado, como "aquele que exerce profissão muito honrosa ou cumpre missão elevada".
       De certa maneira, o professor desempenha um papel assim. Ele é, também, uma pessoa "marcada", pois nele se concentra constante atenção. Suas atitudes, acções e opiniões são observadas pela sociedade que reclama a sua confiança. Portanto, o que ele faz em público e até em particular têm reflexo social. Há, nesse caso, alguma semelhança entre o sacerdote e o professor. Os dois são amplamente observados e criticados, porque deles se exige comportamento digno de exemplo.

       Estamos no Ano Internacional do Professor Adventista, e nada melhor do que refletir sobre uma das principais qualidades dos mestres, a humildade. É claro que aqui não há pretensão alguma em ditar o comportamento do professor. Longe disso. Nosso objetivo é despertar o interesse por essa virtude, a qual consideramos indispensável e urgentemente necessária.

       Vivemos num contexto deprimente no que diz respeito à educação mundial. A figura do professor anda desvalorizada e, devagar, vai-se apagando na sociedade. Quais seriam as causas relevantes de tal situação? Possivelmente, uns tantos movimentos de classe, reivindicando direitos trabalhistas e económicos. É lamentável, mas as questões salariais têm invadido as aulas. A reivindicação por melhores salários pode até ser justa, mas efectuada no lugar errado. Questões dessa natureza, levadas para as salas de aulas, acabam transformando a acção educativa numa paixão financeira que gera intranquilidade entre os alunos e insegurança quanto ao seu futuro. A falta de professores bem preparados, que ensinem e vivam a real educação, também pode ser outra causa da degradação do ensino nos nossos dias. Ou quem sabe o descrédito esteja sendo causado pelas tentativas de se vender ideologias político-partidárias camufladas nas matérias. Ou, simplesmente, o professor não mais é valorizado pelo facto de a profissão proporcionar pouco destaque social hoje em dia. Ou talvez...

       Bem, sejam quais forem as causas, o importante é ter consciência de que ainda temos um papel a desempenhar na formação de uma sociedade melhor e mais justa. E de que, para isso, precisamos muito da virtude da humildade.


       Lembro-me de uma história, contada por um escritor anónimo, sobre a atitude de dois professores. Ambos ensinavam na mesma escola, mas dentro de parâmetros opostos. Um, jactancioso, gritava e não parava um momento sequer de gesticular, e ameaçar os alunos indisciplinados. O outro falava de maneira calma, com voz mansa e serena. Qual obteve melhores resultados? Obviamente, o segundo. O seu jeito tranquilo e amigo transmitia paz e segurança aos educandos.

       Analisando as características comportamentais de um professor desse segundo tipo - o ideal -, Adelaide Lisboa de Oliveira chama-o de 'sugestivo' (inspirador, motivador). E eu não hesitaria em acrescentar que ele é sugestivo porque é humilde.
       Um professor assim é capaz de amar, e de ser amado por todos. Motivado por um alto ideal, o de se realizar através do sucesso dos seus alunos, ele não teme que o alcancem e o superem; o progresso dos seus discípulos constitui a sua felicidade. Fazendo do seu magistério um bem à causa da humanidade, oferece à apreciação dos alunos a sabedoria, a beleza, a bondade, a alegria e a humildade.

       George Herbert Betts fala da felicidade de um humilde professor que teve Grover Cleveland como aluno. Conta ele: "Um dia, Cleveland chegou à escola sem o seu compêndio, e o professor emprestou-lhe o seu. Mais tarde, Grover Cleveland tornou-se Presidente dos Estados Unidos. Certa ocasião, numa recepção pública o professor era uma das pessoas que esperavam para cumprimentar o Presidente.
       - Reconhece este livro, e lembra-se de mim?
       Chamando o professor pelo nome, Cleveland apertou-lhe a mão e segurou-a enquanto a multidão esperava. Tomando então o velho livro, autografou-o para o professor, lembrando os bons tempos da escola."

O Professor Humilde

       Além de ser um humilde professor, o mestre de Cleveland era também um professor humilde, com certeza. E, seguramente, Jesus aprova um comportamento assim. "Felizes os humildes, pois receberão o que Deus tem prometido", disse Ele aos Seus discípulos (A Bíblia na Linguagem de Hoje, Mateus 5:5).

       Mas o que é ser um professor humilde? É reconhecer que nunca somos totalmente sábios, que sempre temos algo a aprender com os outros. É não reter a sabedoria para si, mas oferecê-la aos alunos. Humildade é descer do pedestal e curar as feridas da ignorância dos educandos, acendendo a candeia da verdade, do optimismo, da ternura. Para isso, o professor precisa perdoar as injustiças e ter um viver perene e equilibrado; deve vestir o 'guarda-pó' branco surrado pelo tempo e orar diariamente: "Senhor, faze com que neste dia de aulas eu possa aprender 'alguma coisa de tudo e tudo sobre alguma coisa', pois sou um aluno permanente. Faze, Senhor, que eu 'estude como se fosse viver eternamente e viva como se fosse morrer amanhã'".


       Como construtor de caracteres e do pensamento humano, o professor tem a grande tarefa de apresentar aos alunos e ao mundo a luz da sabedoria divina. Isso porque, como alguém escreveu, o propósito da educação é mostrar Deus revelado; o objetivo imediato da educação é qualificar o homem para revelar a Deus; o objectivo último da educação é o reino de Deus porvir; e o centro da educação cristã é Cristo, que é a Auto-Revelação Pessoal de Deus.

       Quando sentimos que não somos nada para realizar esse propósito, a melhor coisa a fazer-se é recorrer ao ensino de John Falvel: "Quando Deus pretende encher uma alma, Ele primeiro a esvazia. Quando Deus deseja enriquecer uma alma, Ele primeiro a empobrece." Aí está: uma das formas práticas de se viver a religião, e de capacitar-se para o magistério, pode ser exactamente a humildade.

       Preocupada com a questão dos professores adventistas já na sua época, Ellen White disse: "Tenho ardente desejo de que aprendais cada dia do Grande Mestre. Se vos chegardes primeiro a Deus, e depois aos vossos discípulos, podereis realizar um trabalho deveras precioso. Se fordes diligentes e humildes, Deus vos dará dia a dia o conhecimento e a aptidão para ensinar." - Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, pág. 227.
O Olhar de Jesus

       De facto, o relacionamento com Deus é muito importante para o professor, porque isso vai fazer com que ele se relacione da forma mais correcta com os alunos. E o ser humano torna-se alguma coisa (ou não) dependendo da maneira como o educador se dirige ao aluno!
       Jesus Cristo sabia disso. No Seu julgamento, ensinou a Pedro a maior lição da sua vida, apenas com um olhar. "Se o olhar de Jesus, lançado sobre ele, tivesse expressado condenação em lugar de piedade; se ao predizer o pecado tivesse Ele deixado de falar em esperança, quão densas não teriam sido as trevas que cobririam a Pedro", comenta Ellen White, no livro Educação, pág. 90. No entanto, Jesus soube olhar para Pedro. O carácter do discípulo foi construído com o olhar da humildade divina.

       No primeiro século depois de Cristo, o latino Séneca, pensando na forma como os professores ensinavam, deixou a sua filosofia escrita: "Que tolice aprender o supérfluo quando o tempo nos é avarentamente medido! Não se deve aprender coisa alguma exclusivamente para a escola, mas para a vida, a fim de que os alunos não tenham de lançar ao vento nenhuma de suas aquisições ao sair da escola."
       Isso é ensinar com humildade, também. Quando se ensina com humildade, pouca coisa ou nada se deita fora - mesmo porque o exemplo faz o nosso ensino dar frutos.

Companheiro de trabalho: Se você é professor e espera que no futuro façam uma estátua em sua homenagem para ser colocada em praça pública, então que essa estátua se quebre antes de ser construída.
O maior mestre que passou pelo mundo, Jesus Cristo, viveu e ensinou a humildade. E por ser humilde, pregaram-n’O numa cruz. Porém, as Suas lições têm perdurado através dos séculos, transformando caracteres. Lembremo-nos disso.
Gideon Carvalho De Benedicto, Professor no Novo IAE, Brasil, Pós-graduado em Economia de Empresas e com Mestrado em Contabilidade, in Revista Adventista Brasileira, Agosto de 1989.

"A verdadeira educação significa mais do que avançar em certo curso de estudos. É muito mais do que a preparação para a vida presente. Visa o ser todo, e todo o período da existência possível ao homem. É o desenvolvimento harmónico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais. Prepara o estudante para a satisfação do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro." Ellen White in Educação, pág. 13.