sexta-feira, 2 de novembro de 2012



1. O que é a morte?
A morte é o oposto da vida. Vejamos o que é a vida para que possamos compreender o que é a morte.
       - "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida: e o homem foi feito alma vivente" (Génesis 2:7, ver Job 33:4).
Vida é o que acontece quando Deus combina um corpo e a Sua sobrenatural centelha da vida. "Se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó" (Salmo 104:29). Morte é o que acontece quando a centelha da vida se apaga, ou é removida do corpo.

2. Para onde vão os mortos, e o que fazem aí?

       - "Aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará a sua casa" (Job 7:9 e 10).
       - "Finalmente é levado à sepultura, e vigia no túmulo" (Job 21:32).
       - "Se eu olhar a sepultura como a minha casa" (Job 17:13).
       - "Sai-lhes o espírito e eles tornam-se em sua terra: naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos" (Salmo 146:4).
       - "Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem, tão-pouco, eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Até o seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do Sol" (Eclesiastes 9:5 e 6).
       - "Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque, na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma" (Eclesiastes 9:10).
       - "Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio" (Salmo 115:17).
       - "Porque não pode louvar-Te a sepultura, nem a morte glorificar-Te: nem esperarão em Tua verdade os que descem à cova" (Isaías 38:18).
       - "Porque na morte não há lembrança de Ti; no sepulcro, quem Te louvará?" (Salmo 6:5).
       - "Seja-me lícito dizer-vos livremente, acerca do patriarca David, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está, até hoje, a sua sepultura. Porque, David não subiu aos céus" (Atos 2:29, 34).
A Bíblia diz que aqueles que morrem descem à sepultura. Não podem regressar às suas casas. Não "pensam, amam, odeiam, invejam, trabalham ou têm esperança". Nem podem louvar, glorificar ou lembrar o Senhor. Na realidade, na Bíblia, o termo descritivo mais comum para a morte é sono.
       - "Disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme ... Mas Jesus dizia isto da sua morte; ... Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto" (João 11:1-13).
Jesus, que tem a chave da sepultura e da morte, chama, à morte, sono. A Bíblia chama, muitas vezes, sono à morte. O termo sono, referindo-se à morte, é um símbolo de esperança, porque o sono não é permanente. Todos os que dormem na sepultura estão destinados a acordar.
       - "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno" (Daniel 12:2).
       - "Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação" (João 5:28 e 29).
       - David disse: "Quanto a mim, contemplarei a Tua face na justiça; satisfazer-me-ei da Tua semelhança quando acordar" (Salmo 17:15).
       - Job disse: "Oxalá me escondesse na sepultura, ... Todos os dias de meu combate esperaria, até que viesse a minha mudança. Chamar-me-ias, e eu Te responderia" (Job 14:13-15).

3. Mas a Bíblia não ensina que a alma é imortal e que só o corpo morre?

Mortal quer dizer "sujeito à morte", e imortal quer dizer "não sujeito à morte".
       - "A alma que pecar, essa morrerá" (Ezequiel 18:20).
       - "Rei dos reis e Senhor dos senhores, Aquele que tem, Ele só, a imortalidade" (I Timóteo 6:15 e 16).
A Bíblia diz que as almas morrem, o homem está sujeito à morte e só Deus tem a imortalidade. A doutrina da imortalidade da alma é desconhecida em toda a Bíblia.

4. Quando é que os justos receberão a imortalidade?

       - "Todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. ...isto que é mortal se revista da imortalidade" (I Coríntios 15:51-53).
       - "Porque o mesmo Senhor descerá do Céu, com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (I Tessalonicenses 4:16 e 17).
       - "Porque, assim como todos morrem em Adão, assim, também, todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na Sua vinda" (I Coríntios 15:22 e 23).
As Escrituras são claras ao afirmar que o homem não é inerentemente imortal, mas que os justos receberão corpos imortais gloriosos quando Cristo regressar.

5. A nossa crença sobre o que acontece aos mortos é, realmente, importante?

Aquilo em que acreditamos sobre o que acontece aos mortos é de importância vital para os vivos, pelas seguintes razões:
       - a) O facto de que os mortos estão a dormir nas suas sepulturas oferece um supremo conforto aos vivos. Quer os nossos entes queridos morram na condição de salvos ou condenados, não estão a sofrer dor ou a entristecer-se com os desapontamentos e provações dos vivos. Todos os que morreram em Jesus estão a ser guardados em segurança, até à hora gloriosa da sua ressurreição, quando Jesus vier. Portanto, a experiência consciente seguinte será ver e ouvir o seu Redentor com todos os Seus santos anjos a vir buscá-los para o Seu reino. Ele acordá-los-á para receberem os seus corpos imortais moldados como o Seu próprio corpo glorioso (Ver Filipenses 3:20 e 21; I Coríntios 15:50-57). Depois, todos os que amaram Deus, quer estejam vivos ou tenham morrido, serão reunidos para entrar juntos no reino do Céu como uma família glorificada (Ver Hebreus 11:35-40; I Tessalonicenses 4:15-17).
       - b) A crença na imortalidade natural da alma é um ataque ao evangelho de Jesus Cristo. A imortalidade é um dom sobrenatural do sacrifício redentor de Cristo para os pecadores. Se a minha alma já é imortal, então não preciso de Cristo para me salvar da morte, e Cristo morreu em vão (Ver Romanos 3:23; 6:23).
       - c) Se, na morte, todos vão imediatamente para a sua recompensa, Cristo não necessita de voltar para ressuscitar ninguém.
       - d) É uma questão em quem se acredita. Deus diz: "Certamente morrerás" (Génesis 2:17). Satanás diz: "Certamente não morrerás" (Génesis 3:4). Em quem vai acreditar e a quem vai seguir?
       - e) Uma compreensão correta do estado do homem na morte é a nossa defesa mais segura contra o espiritismo, o engano de Satanás.

6. Quando arde o fogo do inferno?

No fim do mundo.
       - "Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo" (Mateus 13:36-42, 49).
       - "E reservar os injustos, para serem castigados" (II Pedro 2:9).
Note bem: o castigo vem no fim do julgamento, não após a morte como é popularmente ensinado.
       - "Porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação" (João 5:28 e 29).
Estão retidos na sepultura para o castigo até à volta de Cristo e do Seu reino no fim do milénio.
       - "Mas os outros mortos não reviveram até que os anos se acabaram. ... e foram julgados, cada um, segundo as suas obras. E a morte e o inferno (do grego hades) foram lançados no lago de fogo" (Apocalipse 20:5, 13 e 14).

7. Onde arde o fogo do inferno?

Nesta Terra.
       - "E subiram sobre a largura da Terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu, e os devorou" (Apocalipse 20:9).
       - "Eis que o justo é punido na Terra; quanto mais o ímpio e o pecador!" (Provérbios 11:31).
       - "Mas os céus e a Terra que agora existem, ... se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. ...Mas o dia do Senhor virá como ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a Terra e as obras que nela há se queimarão" (II Pedro 3:7, 10).
Um dia, o fogo do inferno queimará toda a superfície da Terra e destruirá todo o traço de pecado e pecadores.

8. Durante quanto tempo arderá o fogo do inferno?

Até os ímpios serem consumidos. Sete razões pelas quais o inferno não arderá eternamente:
       - a) O inferno arderá na superfície da Terra, depois a Terra será recriada como o lar dos salvos (Ver Apocalipse 20:9; II Pedro 3:12 e 13).
       - b) Deus é justo e bom; castiga os pecadores perdidos na proporção das suas obras (Ver Deuteronómio 32:4; Lucas 12:47 e 48; Apocalipse 22:12).
       - c) O homem não é imortal (Ver Génesis 3:22, 24; Ezequiel 18:20).
       - d) Deus é amor. Você e eu não torturaríamos os nossos filhos para sempre, não importando quão desobedientes tenham sido. Será que somos mais amorosos do que Deus? (Ver Jeremias 31:3; Isaías 55:9).
       - e) Deus diz que o salário do pecado é a morte, não a tortura eterna (Ver Romanos 6:23; Ezequiel 16:4).
       - f) Deus planeia erradicar o pecado, não imortalizá-lo (Ver I Coríntios 15:26; Apocalipse 20:14).
       - g) Deus planeia destruir os ímpios e di-lo muitas vezes na Bíblia (Salmo 21:9; 37:10; 9:5 e 6).

9. O que é o inferno?

Na Bíblia, a palavra inferno é usada 54 vezes e só em 12 dos casos se refere a um local a arder.
No Velho Testamento:
       - a) A palavra "seol" é usada 31 vezes e significa sepultura, um local de sepultamento.
No Novo Testamento:
       - b) A palavra "tártaro" é usada 1 vez e refere-se a um local de "escuridão e encarceramento" para o diabo.
       - c) A palavra "hades" é usada 10 vezes e é equivalente a "seol".
       - d) A palavra "geena" é usada 12 vezes e refere-se a um local de depósito de lixo fora de Jerusalém, onde o fogo era mantido aceso para destruir os refugos; o fogo destruía os cadáveres que as larvas não consumiam. O uso da palavra "geena" (a lixeira da cidade) como fogo do inferno, indica claramente que o fogo do inferno é para destruir e erradicar o refugo do pecado no Universo, não para o perpetuar por toda a eternidade. A promessa de Deus é que a destruição chegará a um fim perpétuo (Salmo 9:6).

As Escrituras descrevem claramente o lugar dos mortos. A palavra usada para esse fim no Velho Testamento é "seol", e a palavra correspondente no Novo Testamento é "hades". Elas denotam, como prova o seu uso, um lugar de silêncio, segredo, sono, descanso, escuridão, corrupção e larvas. São nomes para os sítios dos mortos, tanto justos como injustos. Os justos mortos estão ali; pois na ressurreição elevarão o grito vitorioso: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno (do grego hades), a tua vitória?" (I Coríntios 15:55). E os ímpios mortos estão também ali, pois na ressurreição para a condenação é dito que a morte e o inferno (do grego hades) os entregam {Apocalipse 20:13). Que o hades do Novo Testamento é o seol do Velho Testamento, é evidente no Salmo 16, comparado com Atos 12:2.
Portanto, Salmo 16:10 diz: "Pois não deixarás a minha alma no inferno" (Hebraico seol); e o Novo Testamento faz uma citação direta desta passagem e, para seol, usa a palavra hades (Atos 2:27).
Seal e hades (a sepultura) é qualquer local físico onde os mortos são enterrados (Ezequiel 32:18-32).

Texto e Imagens da Revista Trimestral Sinais dos Tempos, 3º Trimestre 2012, Publicadora SerVir.
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NISTO CREMOS


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

PORNOGRAFIA E AFINS...
O Crente em Deus Não Tolera Isso!


É ISSO QUE O POVO QUER?!


"Muitos jornais e revistas, bem como filmes cinematográficos se têm aperfeiçoado na maneira de fazer a promoção do sexo, mas uma promoção maliciosa em que o deboche ocupa um lugar saliente."
"Pressionados pela concorrência, também os fabricantes em desespero buscam, dia a dia, novos métodos de forçar a venda. E nessa louca corrida usam e abusam do sexo."
"Vivemos num ambiente saturado com a exibição de mulheres semi-nuas e poses provocantes. ... Estamos completamente cercados pela maré enchente do sexo, que está inundando todos os compartimentos da nossa cultura, todas as partes da nossa vida social", diz o Professor Sorokin do Centro de Investigação da Universidade Harvard.
Assim é realmente. O sexo está sendo associado a tudo na moderna sociedade: frigoríficos, roupas, camas, bicicletas, perfumes, instrumentos musicais, filmes, carros, cigarros, cremes de barbear, desodorizantes, etc. E a lista está longe de acabar!
Notícias informam que no ano passado, em Paris, Londres, Estocolmo e Roma, mais de 12 mil anúncios eróticos diferentes apareceram, os quais incluíam desde canetas até sumo de tomate.
"Uma nova sociedade, uma sociedade mais permissiva está-se formando. O seu esboço está definido mais marcadamente nas artes - no aumento da nudez e exibição nos filmes de hoje, nas canções populares, na arte erótica e nos espectáculos de TV, nas modas mais livres e nos anúncios mais ousados. E, atrás desta expansiva permissividade nas artes, está uma sociedade em transição, uma sociedade que perdeu o seu consenso sobre assuntos cruciais como o sexo pre-marital... o casamento... e a educação sexual... " (Newsweek, 18 de Novembro de 1967).

A história do erotismo é muito velha. Parece ter começado com um poeta chinês - Li Po - há muitos séculos. Surgiram depois os clássicos na Arábia (Livro das Mil e Uma Noites), Grécia e Roma. Durante a Idade Média houve violenta repressão mas tudo inutilmente: a infiltração erótica conseguiu escapar à fogueira e ser trazida a lume pela Renascença.
Em 1857 surge na Inglaterra a lei intitulada Obscene Publications Act. Ela autorizava os juízes ingleses a efectuar 'batidas' nas livrarias e destruir livros considerados pornográficos. As repressões, contudo, não conseguiram de modo algum erradicar a baixa literatura.
Com a obra My Secret Life (Minha Vida Secreta - 1880), de Spencer Ashbee, em 11 volumes, editada por Leonard Smith, estava preparado o caminho para a avalancha erótica do século XX. Autores de fama aderem à onda. No começo do século, para burlar a vigilância da censura, truques diversos foram adoptados. Entre eles, usava-se publicar num país livros numa língua que esse país desconhecesse.
Hoje, através de livrarias e vendedores há uma circulação espantosa de tais publicações. Calcula-se que só na América do Norte, nas bancas de jornais, a venda anual de revistas de sexo atinge 15 milhões de exemplares! Pesquisas recentes indicam que de cada 100 fotografias publicadas pela imprensa europeia no início do ano passado, 67 eram nitidamente eróticas!

Erotismo Literário Disseminado

No Brasil uma rápida olhadela nas livrarias e bancas de jornais informam perfeitamente a respeito do nosso 'progresso' no assunto. E das garras da literatura erótica quase ninguém escapa. Quando a juventude mais esclarecida não adquire a baixa literatura em qualquer banca, é obrigada a entrar em contacto com ela através de algum autor moderno famoso pelo 'belo estilo' e 'rico vocabulário', pela força de exigências escolares. E, à cata de algumas presumíveis pepitas literárias, a juventude vai sujando as mãos, o corpo e o coração na ganga impura da literatura degradante. E há uns punhados de livros desse teor.
O cenário é sempre o mesmo: intrigas amorosas, triângulos, prostituição, etc, quase sempre acabando bem para os implicados. Sob o pretexto de levantar questões de ordem social, os autores vão projectando o quadro do seu sujo mundo interior.
Deixando a linguagem velada e insinuante de ontem e a subtilidade do enredo, o erotismo às claras passou a ser chocante, agressivo, quase contundente, arrastando à luz do dia cenas de alcova em linguagem crua e palavrões retumbantes.
Ninguém sabe como isso tudo acabará. A verdade é que a semente do mal está sendo lançada cada dia e os frutos já estão sendo colhidos em abundância.

O Sexo nos Meios de Comunicação

Os demais meios de comunicação têm também explorado o sexo. Há jornais que se especializam em dar destaque às aberrações sexuais com manchetes ilustradas de primeira página. Outros fazem da malícia a sua 'virtude' capital, onde debocham quase sempre da instituição da família.
Quanto aos produtos cinematográficos, um despacho da Associated Press de 1 de Junho de 1968 informa: "Os produtores norte-americanos de filmes parecem prontos a um outro passo significativo na direcção de maior franqueza no trato com o sexo, linguagem obscena e outros assuntos antes considerados tabus na tela. ... Desde a revisão de 1966 (do código do cinema) grandes mudanças têm sido evidenciadas no tratamento do sexo, nudez e linguagem no filme. ... As cenas de alcova tornam-se mais e mais divulgadas."
Na imprensa italiana, o filme "Vou Para o Inferno", de um tal Franco Montemurro, mereceu a seguinte descrição: "Atmosfera entre homicídios, depravação, sangue. Um filme que termina tragicamente mesmo para aqueles que não o praticam." Sem desejar, talvez, a propaganda disse uma grande verdade: "Um filme que termina tragicamente mesmo para aqueles que não o praticam." Ninguém sabe quantos sádicos, pervertidos e anormais começaram a tragédia da sua vida na poltrona de um cinema vendo tais filmes, literalmente indo a caminho do inferno!


Mas afinal, porquê todo esse incontrolável apelo ao sexo?

"Hollywood responde às acusações de que se está tornando cada vez mais obsessionada", dizendo que "os filmes que tratam do homossexualismo, nudez e linguagem grosseira ... produzem dinheiro, porque é o que o povo quer." (Parede, 22 de Setembro de 1968).
Os teatros não oferecem menos com os seus espectáculos de nudez e convites insinuantes.

Outro importante veículo de comunicação, que qualquer deslize na manipulação torna aguda faca de dois gumes, é a televisão. É mais perigosa ainda porque atinge directamente o núcleo familiar, levando para o lar, o teatro, o cinema, a música, a publicidade, os 'shows' semanais frequentemente sensualizantes. Aqui uma vez mais o dinheiro associa-se à exploração do sexo. É um círculo vicioso: o público quer sexo, os patrocinadores querem o público e a televisão necessita dos patrocinadores.
O sexo é um negócio rendoso. Ninguém, quer perdê-lo. Não obstante, essa atitude reflecte uma profunda crise na sociedade. O New York Times de 4 de Abril de 1968 deixa claro esse facto quando, referindo-se aos dramas apresentados no vídeo, que tratam de ilegitimidade, adultério e relações premaritais, declara: "Abertamente discutem homossexualidade, amor livre ... e os problemas dos travestis ... A TV caminha em direcção da permissividade ... é um reflexo da inversão dos valores morais ... Se a TV é mais permissiva, é porque os ouvintes - na verdade a sociedade inteira - o está sendo."

Sexo e Interesse Comercial

Pressionados pela concorrência, também os fabricantes em desespero buscam, dia a dia, novos métodos de forçar a venda. E nessa louca corrida usam e abusam do sexo. E realmente o sexo vende.
Conta-se que em 1960, no metro parisiense, entre as estações de Étoile e Louvre, foi pendurado o famoso cartaz La Jeune Fille et La Rose mostrando uma linda jovem inteiramente despida abraçando uma flor vermelha. O produto anunciado aumentou a sua venda em 75% em poucos dias!
No Brasil, revistas de grande tiragem, pelo trabalho incessante dos seus técnicos de publicidade, conseguiam envolver quase tudo num excitante apelo à líbido; cartazes, em locais de ângulo visual obrigatório, enxameavam pelos muros, no alto de edifícios, no interior de transportes colectivos, à beira das ruas e avenidas. Não contentes ainda com o desnudar mulheres, os publicistas começaram a expor às vezes os jovens em situacões equívocas, numa iniciação subtil ao homossexualismo. Em tempo muito oportuno vimos a atitude firme por parte das autoridades responsáveis tomando decisões enérgicas visando coibir os abusos que ameaçavam o nosso futuro.

O Simbolismo do Sexo

Aldous Huxley explica o fenómeno da publicidade nas seguintes palavras: "Basta encontrar determinado anseio comum, alguma ansiedade inconsciente e difundida, depois encontrar uma forma de relacionar esse desejo ao produto que se tem que vender. Então, construir uma espécie de ponte de símbolos sobre a qual o cliente possa passar, de facto, ao sonho compensatório e daí à ilusão de que, adquirindo o produto, fará o sonho tornar-se verdadeiro..."
Partindo dessa afirmação, quando o homem, pressionado pela propaganda erótica, adquire algo, ele simbólica e inconscientemente realiza algum sonho escuro que se aninha no seu coração.
Mas isto é apenas uma explicação psicológica da venda. A verdade é que à força de repetidas sugestões que lhes entram por todos os sentidos, o homem, e principalmente a juventude, vai lentamente elaborando os seus conceitos nos moldes sugeridos, numa verdadeira lavagem cerebral.
Por aí é fácil prever que multidão de desajustados a publicidade sinistramente ajuda a preparar!

Edmund Caussin Jr., quando a sua filha de 16 anos, Mary, foi raptada e morta, desabafou: "Não culpo tanto o homem como a sociedade que produz tais homens. É uma sociedade que permite revistas de sexo nas nossas bancas para os nossos filhos. Uma sociedade que mede as estrelas de Hollywood pelo tamanho dos seus bustos; uma sociedade em que as histórias indecentes e linguagem profana são comuns. Essas coisas tornam pervertidos sexuais aqueles que têm a menor tendência para a anormalidade. Eles são encorajados por tudo que os cerca. Enquanto a sociedade não mudar os seus princípios morais fundamentais e não reafirmar a sua fé em Deus, teremos pervertidos sexuais."
O leitor há-de concordar que isto é válido tanto para a América do Norte como para o Brasil.

Falsas Bases Para o Realismo

Artistas e intelectuais advogam maior liberdade de expressão no terreno moral, na literatura, televisão, cinema e teatro sob a alegação de estarem praticando o realismo. A revista Christianity Today de 3 de Fevereiro de 1967, no artigo For the Seke of Art - De acordo com o estado da Arte - assinado por Addison H. Leitch, dá uma resposta adequada quando afirma que a roseira em frente da casa é tão real quanto o recipiente do lixo nos fundos. Contudo, o bom gosto fala fortemente que o recipiente do lixo deve ser mantido atrás da casa com uma tampa em cima! E ninguém poderá ser chamado de 'quadrado' ou retrógrado por causa disso.
Todos concordam em que há certas coisas cuja prática é não só correcta como necessária no curso normal de um dia, porém a portas fechadas! São coisas absolutamente reais, praticadas normalmente. Isto, porém, não é nenhum argumento para a sua apresentação pública. Além disso, o argumento de que determinadas coisas são práticas naturais nos lares não é válido. O emprego do palavrão, por exemplo. Dizer que este retrata uma situação comum no seio da família brasileira é generalizar erradamente. Há muitos lares que ainda mantêm - graças a Deus! - padrões elevados de conduta e que dispensam essas 'contribuições' grosseiras que, não raro, são compensaçoes doentias de talentos medíocres.

Alguns há, mais audazes, que chegam a citar incidentes bíblicos (!) de cru realismo, para defender a pornografia das suas produções. A fragilidade de tal argumento é notória. Onde é que na Bíblia Sagrada, há o relato de qualquer acto imoral não punido? Onde?
Um estudo cuidadoso revela que, ao contrário das licenciosas obras de tais autores, as passagens mais francas da Bíblia, bem como toda a acção humana e divina nela descrita, são clara advertência aos homens das gerações vindouras e visam o seu superior bem-estar. Têm esses escritores modernos o mesmo objetivo? Se não, por que exibir esse paralelismo? Além disso, a Bíblia nunca usa a linguagem franca e abusiva de tais autores. É singela, natural, não excita o sensualismo nem promove sensacionalismo doentio.


"É Isso que o Povo Quer!"

Os que têm vantagens na exploração abusiva do sexo defendem-se argumentando que dão ao povo o que o povo quer. "Estamos satisfazendo as exigências do público consumidor," dizem, testemunhando com altos facturamentos.
A história responde que o 'pão e circo' do povo romano acabou em enfraquecimento e queda. Precisamos ainda desse sórdido adubo para aumentar a triste colheita de esfacelamento de lares, delinquência, toxicómanos, pervertidos e sifilíticos? Será isso que desejam as nossas famílias brasileiras?
O leitor sabe a resposta.

Ivo Santos Cardoso in Revista MOCIDADE, Casa Publicadora Brasileira (CPB).

Este artigo foi escrito há alguns anos. Imagine o que o autor escreveria hoje! E não só para o povo brasileiro, claro. Mas Deus não muda!!! As Suas Leis são ETERNAS e nisso está a nossa segurança. Que conforto! (EE)


EX-ATRIZ PORNOGRÁFICA DÁ RECADO SÉRIO AOS HOMENS


       Jennifer Case deixou a indústria do sexo três anos atrás pela graça de Deus, diz ela, e a mensagem dela para os homens é muito clara: "Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela." Numa entrevista para "The Porn Effect" (O Efeito Porno), Case testifica de sua própria experiência acerca dos malefícios que a indústria pornográfica provoca nas mulheres envolvidas. Ela diz que ficou traumatizada, oprimida e abusada, e ficou viciada em drogas e precisava do dinheiro da pornografia para continuar tendo condições de comprá-las. Fisicamente ela tinha de lidar com doenças sexualmente transmissíveis: "Tive tantas infecções diferentes o tempo inteiro! Deixei Hollywood porque fiquei muito doente de clamídia. Meu abdomen doía tanto que tive de voltar para casa", disse ela.
       A indústria pornográfica é alimentada pelos seus consumidores – eles e seu dinheiro impulsionam o destrutivo negócio – e daí dá para se atribuir os danos feitos a essas mulheres aos consumidores bem como produtores. Contudo, a ex-atriz porno não guarda amargura contra os homens pela vida passada dela. Ela possui um discernimento profundo da natureza viciadora da pornografia e diz que compreende que só com a ajuda de Deus os homens conseguem sair do vício, assim como foi com a ajuda de Deus que ela deixou essa indústria.
       "Homens, Deus ama vocês! Eu amo vocês também e sempre orarei por todos vocês, para que as cadeias sejam quebradas", diz ela. "Você é escravo da pornografia tanto quanto qualquer atriz porno. Se você está vendo pornografia ou está viciado em pornografia, você está tentando encher um vazio dentro de você que só Deus pode preencher. Toda vez que você olha pornografia, você está aumentando o vazio, e você destruirá sua vida."
       Ela diz que a pornografia é "maligna" e "é uma droga, veneno e mentira". "Se você pensa que poderá guardá-la no escuro, Deus a tirará para fora, para a luz, para deter você e curar você."
       Num apelo muito franco, Case concluiu a entrevista dizendo: "Essas mulheres são preciosas e merecem ser amadas exatamente como vocês merecem. Há uma pessoa real do outro lado das imagens que você está vendo, e você está destruindo a vida dela e a vida dos filhos dela. Em toda a pornografia existe a filha de alguém. E se fosse a sua filhinha? Você pode realmente estar ajudando na morte de alguém! Atores e atrizes pornos morrem o tempo todo de aids, overdoses de drogas, suicídios, etc. Por favor, parem de olhar pornografia." (Traduzido do artigo original em inglês por Julio Severo).

Note: Apelo sincero e sério o dessa mulher. Como qualquer vício, o da pornografia geralmente começa com o descuido e a curiosidade e vai se aprofundando, até que a pessoa se dá conta de estar escravizada pelo hábito destrutivo. O alcoólico deve ficar longe do álcool. O drogado deve passar longe das drogas. E o viciado em pornografia também deve tomar medidas preventivas. Se o problema é a internet, deve-se acessá-la sempre acompanhado de outras pessoas, limitar o tempo de navegação, ser muito focado e específico no uso (evitando navegar a esmo por aí) e colocar filtros no computador. Crianças pequenas devem ser especialmente monitoradas para não entrar inadvertidamente nesse mundo corrompido da pornografia. Finalmente, e mais importante: como disse Jennifer, só com a ajuda de Deus se pode conseguir a libertação do vício. Portanto, se você vive esse drama, intensifique sua comunhão com Deus por meio da oração sincera, do estudo devocional diário da Bíblia, das boas companhias e da frequência regular à igreja. Quando Jesus controla nossa mente, os pensamentos e desejos se tornam puros e corretos. (MB)

Texto extraído do blog Criacionismo, do Teólogo, Jornalista e Editor da CPB, Michelson Borges, de 14.01.2012.
Pode ler também sobre este tema em:
http://www.criacionismo.com.br/2012/08/pornografia-e-sadomasoquismonovaonda.html

LÁ NO VALE


«Deus Não Pode Dar a Vida Eterna a Pessoas Que Ainda Não Atingiram a Maturidade de Carácter.
Seria Arriscar Novamente os Céus a Uma Segunda Queda»
Leo Ranzolin

(Pode ler mais em Meditação para a Saúde, 17.10.12, 1R)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PAIS, PROFESSORES E ALUNOS


A ESCOLA DA ADVERSIDADE
(...) Meu avô nasceu nos primeiros anos do século XIX, quando os imperadores Manchu ainda reinavam na China. Depois que ele passou nos exames do governo para receber o alto grau de letras, foi nomeado governador da importante província de Kuang-tung, ao sul. Assim, deixou a esposa, seis filhos e uma filha em Hangchou e fez a longa viagem para o sul, a fim de assumir o mandato.
Mal havia chegado, apanhou grave enfermidade e morreu. Quando minha avó recebeu a notícia ficou aturdida. Permaneceu sentada, imóvel como uma estátua, por vários dias. Em vão, seus filhos procuravam movê-la, fazê-la falar, comer, dormir. Ela não se mexia, ficava apenas olhando para a frente.
Agora, sem qualquer meio de sustento, teria que criar seis filhos e uma filha. Ela, que estava a costumada a todo o conforto, precisaria trabalhar dia e noite. Precisaria despedir os empregados, vender a casa e toda a sua roupa fina. Sua família aprenderia a comer sopa de arroz e repolho.

Mas ela resolveu que, viesse o que viesse, todos os seus filhos seriam homens de letras, como era a tradição da família.

Meu pai era o segundo filho. Muitas vezes ele nos contou da pobreza de seus tempos de menino.
- Como pensam vocês que eu me eduquei? - Perguntava a meus irmãos, quando eles se queixavam de algum trabalho difícil.
- Nem tínhamos professor ou os livros de que precisávamos. Eu tinha de andar, com o vento tocando redemoinhos de neve em volta, por vários quilómetros, para tomar emprestado um livro, e ainda com a promessa de devolvê-lo em dia marcado. Então, nós, os rapazes, depois de um dia de trabalho árduo, nos sentávamos ao redor da mesa e copiávamos do livro emprestado. No centro, um pequena taça de óleo, com um pavio que boiava, dava uma luz fraca. Quando ficávamos com fome, comíamos um punhado de arroz frio da cesta de cozer arroz. Nos meses de inverno, nossas mãos ficavam tão frias que quase não podíamos segurar a caneta. Vocês não sabem o que é dureza!

Mas a família conseguiu sobreviver. Os rapazes, em grande parte, se educaram por si mesmos: os mais velhos ensinavam aos menores. Quando ficaram homens, se prepararam para fazer os exames de letras, que davam oportunidade para cargos nas cortes, como tinham feito o pai e o avô. À filha, naturalmente, não deixaram estudar. Era apenas uma menina, e tinha que aprender a fazer o serviço de casa.
Meu pai e seu irmão mais velho passaram nos exames de primeiro grau, em Hang-Tcheú e, mais tarde, foram a Nanquim, para os de segundo grau. No dia marcado, os irmãos apareceram na Casa de Exames. Estavam ambos trajados de vestes longas de algodão azul e casacos curtos, pretos. Traziam os cabelos em longas tranças, bem cuidadas, e usavam pequenos bonés. Cada um levava uma cesta contendo frutas, penas, tinta e uma tigela e pauzinhos.

À entrada, havia toldos de cores vivas. No portão, dois auxiliares deram uma busca enérgica nos rapazes, para ver se traziam algum livro ou papel escondidos. Entraram num pátio, onde se movimentavam muitos estudantes e auxiliares. Uma alta torre dominava as longas fileiras de cubículos de exames, que se estendiam para os quatro lados. Cada fileira tinha uns cem lugares, que davam para um estreito corredor, e os alunos ficavam expostos ao tempo, desse lado.
Os dois irmãos estavam muito nervosos, e ficaram juntos para infundir coragem um ao outro. Foram-lhes dados cubículos separadas, onde puseram suas cestas. Esses cubículos eram do tamanho de uma cabina telefónica, contendo uma estreita tábua como assento, um nicho na parede, para uma lamparina, um prego para pendurar a cesta, e mais uma tábua para servir de mesa.

Os examinadores chamaram logo todos para o pátio, fizeram a chamada e deram, a cada estudante, um rolo de papel. Esse rolo era o único papel que cada qual receberia; portanto, cada um guardou o seu, cuidadosamente, no bolso da túnica. Quase ao anoitecer, os examinadores foram ao portão da rua e o fecharam e lacraram com grande cerimónia. Isso era o sinal de que os exames iriam começar. Durante três dias e três noites, ninguém poderia entrar ou sair por motivo algum.

Lá em cima, na torre, surgiu um examinador, que fez soar um gongo para chamar os estudantes ao pátio. Olharam para cima e viram o examinador agitar uma bandeira. Declarou ele, em alta voz: "Ó vós, espíritos dos mortos! Contemplai a estes estudantes aqui congregados! Se algum vos tem ofendido por palavra ou ação, puni o ofensor e vingai a injustiça". Os estudantes, já nervosos, e que criam em espíritos maus, tremiam de medo, alguns quase desmaiando. O gongo soou mais uma vez, e os estudantes se retiraram, cada um para o seu cubículo.
Um auxiliar, levando uma lanterna acesa, com o tema da prova escrito aos lados, passou vagarosamente por cada corredor, dando aos estudantes tempo para verem claramente o tema do exame. Durante os três dias e três noites, os estudantes não podiam deitar-se para dormir, nem conversar com outra pessoa. Um auxiliar fazia a ronda pelos corredores, para que não se pudesse copiar.

À hora das refeições, ao soar do gongo, cada qual levava a sua tijela e pauzinhos para o pátio, onde havia um grande caldeirão de sopa de arroz bem quente. O estudante servia-se de quanto quisesse, comia avidamente e voltava ao seu cubículo. A luta para preparar-se, a preocupação e a concentração prolongada eram tão grandes que acontecia morrerem alguns estudantes sob a penosa prova, sendo os seus corpos retirados por uma portinhola secreta no muro.

Terminado o exame, cada qual assinava o seu nome na margem designada, dobrava a folha de papel, selava-a e entregava o trabalho ao examinador. Então, quando se abria o portão, todos saíam cansados demais para conversar, e só procuravam um lugar para deitar-se e dormir algumas horas. Os exames eram estritamente imparciais. Os assuntos sempre requeriam um conhecimento extenso das ciências políticas. A junta de examinadores lia cada exame e o julgava por seus méritos, antes de desvendar a assinatura do autor. Nomeavam-se aqueles que tinham as notas mais altas. Esse sistema funcionou na China, desde o ano 600 A.D.

Certo dia, um mensageiro entregou à minha avó uma carta oficial, na qual se dizia que meu pai havia passado nos exames. Minha avó não tinha dinheiro para pagar ao mensageiro, que trouxera as boas novas. Portanto, ela levou um casaco a um vizinho e o depositou, como garantia de um empréstimo. Ela e meu pai ficaram muito satisfeitos, mas meu tio ficou tão decepcionado que foi para o quarto e chorou. Logo, porém, chegou outro mensageiro com uma carta, que dizia haver passado também meu tio. Outro casaco foi levado ao vizinho sendo emprestado o dinheiro para pagar ao segundo mensageiro, e a família se assentou para festejar a grande ocasião, com menos agasalhos, mas muito orgulho.
Cada membro da família, a seu tempo, recebeu um cargo político importante. Meu tio mais velho tornou-se vice-governador da província de Ho-Pe indo morar em Tientsin. Meu pai veio a ser vice-governador de Kiang-Su, indo morar em Nanquim. Depois, tornou-se governador e ocupou muitos outros cargos importantes. Meu terceiro tio veio a ser alto funcionário (Taotai) em Pequim; o quarto, prefeito de Paotinfu; o quinto, prefeito de Yangcheú; e o sexto, prefeito de Siangyang, em Hu-Pe. Quanto à menininha desprezada, casou-se com um alto funcionário, assessor do Imperador. Assim, a adversidade trouxe as suas recompensas!

Muitos anos depois, meu pai tornou-se chefe da Casa de Exames, em Nanquim. Vestia ele seu traje de gala, seu chapéu com plumas de pavão e um botão vermelho no topo (que eram as insígnias de um alto funcionário), e partia no seu palanquim verde, transportado por oito homens. Cavaleiros aparatados o precediam e seguiam.
Meu pai sempre teve profundo carinho para com os pobres, e muito fazia em favor deles. Uma noite, durante os exames, decidiu ver pessoalmente o que se passava lá em baixo. Despiu as vestes oficiais, vestiu as roupas de um servente, e desceu as escadas. No escuro do pátio, ouviu alguém soluçando. Achou um estudante todo encolhido num degrau, chorando como se estivesse com o coração partido.
- Que foi? Quem é você? - perguntou meu pai.
- Meu nome é Hung, e sou de Wusih. Minha mãe é viúva e tão pobre que não podia mandar-me para aqui. Mas, alguns amigos emprestaram-me o dinheiro. Porém, meu exame caiu na fossa! Não tenho mais papel. Não posso voltar e dizer à minha mãe que perdi esta oportunidade. Ela morreria de desgosto. Só me resta matar-me.
Meu pai condoeu-se:
- Tenho um rolo de papel de que não preciso, disse ele. Irei buscá-lo, e você poderá escrever seu exame novamente. Espere aqui.
Quando meu pai voltou, o moço olhou-o de frente, reconheceu ser ele o Examinador Chefe, e fez-lhe uma reverência.
- Meu senhor - exclamou ele - lembrar-me-ei do senhor com gratidão por toda a minha vida. Salvou-me a mim e à minha mãe. (...)

Texto extraído do livro A Rainha do Quarto Escuro de Christiana Tsai, Editora Fiel Lda, São Paulo, Brasil, 1980.

HUMILDADE:  VIRTUDE DE MESTRE

       Figura indispensável na sociedade, o professor terá muito mais sucesso a longo prazo se ensinar com humildade. Mas isso nem sempre acontece.
       Faz pouco tempo, um senhor estendeu-me a mão e perguntou se eu era Pastor. "Sou Professor", respondi. Então de maneira delicada ele disse: "É sacerdote do mesmo jeito."
       O Novo Dicionário Aurélio define o termo "sacerdote", no sentido figurado, como "aquele que exerce profissão muito honrosa ou cumpre missão elevada".
       De certa maneira, o professor desempenha um papel assim. Ele é, também, uma pessoa "marcada", pois nele se concentra constante atenção. Suas atitudes, acções e opiniões são observadas pela sociedade que reclama a sua confiança. Portanto, o que ele faz em público e até em particular têm reflexo social. Há, nesse caso, alguma semelhança entre o sacerdote e o professor. Os dois são amplamente observados e criticados, porque deles se exige comportamento digno de exemplo.

       Estamos no Ano Internacional do Professor Adventista, e nada melhor do que refletir sobre uma das principais qualidades dos mestres, a humildade. É claro que aqui não há pretensão alguma em ditar o comportamento do professor. Longe disso. Nosso objetivo é despertar o interesse por essa virtude, a qual consideramos indispensável e urgentemente necessária.

       Vivemos num contexto deprimente no que diz respeito à educação mundial. A figura do professor anda desvalorizada e, devagar, vai-se apagando na sociedade. Quais seriam as causas relevantes de tal situação? Possivelmente, uns tantos movimentos de classe, reivindicando direitos trabalhistas e económicos. É lamentável, mas as questões salariais têm invadido as aulas. A reivindicação por melhores salários pode até ser justa, mas efectuada no lugar errado. Questões dessa natureza, levadas para as salas de aulas, acabam transformando a acção educativa numa paixão financeira que gera intranquilidade entre os alunos e insegurança quanto ao seu futuro. A falta de professores bem preparados, que ensinem e vivam a real educação, também pode ser outra causa da degradação do ensino nos nossos dias. Ou quem sabe o descrédito esteja sendo causado pelas tentativas de se vender ideologias político-partidárias camufladas nas matérias. Ou, simplesmente, o professor não mais é valorizado pelo facto de a profissão proporcionar pouco destaque social hoje em dia. Ou talvez...

       Bem, sejam quais forem as causas, o importante é ter consciência de que ainda temos um papel a desempenhar na formação de uma sociedade melhor e mais justa. E de que, para isso, precisamos muito da virtude da humildade.


       Lembro-me de uma história, contada por um escritor anónimo, sobre a atitude de dois professores. Ambos ensinavam na mesma escola, mas dentro de parâmetros opostos. Um, jactancioso, gritava e não parava um momento sequer de gesticular, e ameaçar os alunos indisciplinados. O outro falava de maneira calma, com voz mansa e serena. Qual obteve melhores resultados? Obviamente, o segundo. O seu jeito tranquilo e amigo transmitia paz e segurança aos educandos.

       Analisando as características comportamentais de um professor desse segundo tipo - o ideal -, Adelaide Lisboa de Oliveira chama-o de 'sugestivo' (inspirador, motivador). E eu não hesitaria em acrescentar que ele é sugestivo porque é humilde.
       Um professor assim é capaz de amar, e de ser amado por todos. Motivado por um alto ideal, o de se realizar através do sucesso dos seus alunos, ele não teme que o alcancem e o superem; o progresso dos seus discípulos constitui a sua felicidade. Fazendo do seu magistério um bem à causa da humanidade, oferece à apreciação dos alunos a sabedoria, a beleza, a bondade, a alegria e a humildade.

       George Herbert Betts fala da felicidade de um humilde professor que teve Grover Cleveland como aluno. Conta ele: "Um dia, Cleveland chegou à escola sem o seu compêndio, e o professor emprestou-lhe o seu. Mais tarde, Grover Cleveland tornou-se Presidente dos Estados Unidos. Certa ocasião, numa recepção pública o professor era uma das pessoas que esperavam para cumprimentar o Presidente.
       - Reconhece este livro, e lembra-se de mim?
       Chamando o professor pelo nome, Cleveland apertou-lhe a mão e segurou-a enquanto a multidão esperava. Tomando então o velho livro, autografou-o para o professor, lembrando os bons tempos da escola."

O Professor Humilde

       Além de ser um humilde professor, o mestre de Cleveland era também um professor humilde, com certeza. E, seguramente, Jesus aprova um comportamento assim. "Felizes os humildes, pois receberão o que Deus tem prometido", disse Ele aos Seus discípulos (A Bíblia na Linguagem de Hoje, Mateus 5:5).

       Mas o que é ser um professor humilde? É reconhecer que nunca somos totalmente sábios, que sempre temos algo a aprender com os outros. É não reter a sabedoria para si, mas oferecê-la aos alunos. Humildade é descer do pedestal e curar as feridas da ignorância dos educandos, acendendo a candeia da verdade, do optimismo, da ternura. Para isso, o professor precisa perdoar as injustiças e ter um viver perene e equilibrado; deve vestir o 'guarda-pó' branco surrado pelo tempo e orar diariamente: "Senhor, faze com que neste dia de aulas eu possa aprender 'alguma coisa de tudo e tudo sobre alguma coisa', pois sou um aluno permanente. Faze, Senhor, que eu 'estude como se fosse viver eternamente e viva como se fosse morrer amanhã'".


       Como construtor de caracteres e do pensamento humano, o professor tem a grande tarefa de apresentar aos alunos e ao mundo a luz da sabedoria divina. Isso porque, como alguém escreveu, o propósito da educação é mostrar Deus revelado; o objetivo imediato da educação é qualificar o homem para revelar a Deus; o objectivo último da educação é o reino de Deus porvir; e o centro da educação cristã é Cristo, que é a Auto-Revelação Pessoal de Deus.

       Quando sentimos que não somos nada para realizar esse propósito, a melhor coisa a fazer-se é recorrer ao ensino de John Falvel: "Quando Deus pretende encher uma alma, Ele primeiro a esvazia. Quando Deus deseja enriquecer uma alma, Ele primeiro a empobrece." Aí está: uma das formas práticas de se viver a religião, e de capacitar-se para o magistério, pode ser exactamente a humildade.

       Preocupada com a questão dos professores adventistas já na sua época, Ellen White disse: "Tenho ardente desejo de que aprendais cada dia do Grande Mestre. Se vos chegardes primeiro a Deus, e depois aos vossos discípulos, podereis realizar um trabalho deveras precioso. Se fordes diligentes e humildes, Deus vos dará dia a dia o conhecimento e a aptidão para ensinar." - Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, pág. 227.
O Olhar de Jesus

       De facto, o relacionamento com Deus é muito importante para o professor, porque isso vai fazer com que ele se relacione da forma mais correcta com os alunos. E o ser humano torna-se alguma coisa (ou não) dependendo da maneira como o educador se dirige ao aluno!
       Jesus Cristo sabia disso. No Seu julgamento, ensinou a Pedro a maior lição da sua vida, apenas com um olhar. "Se o olhar de Jesus, lançado sobre ele, tivesse expressado condenação em lugar de piedade; se ao predizer o pecado tivesse Ele deixado de falar em esperança, quão densas não teriam sido as trevas que cobririam a Pedro", comenta Ellen White, no livro Educação, pág. 90. No entanto, Jesus soube olhar para Pedro. O carácter do discípulo foi construído com o olhar da humildade divina.

       No primeiro século depois de Cristo, o latino Séneca, pensando na forma como os professores ensinavam, deixou a sua filosofia escrita: "Que tolice aprender o supérfluo quando o tempo nos é avarentamente medido! Não se deve aprender coisa alguma exclusivamente para a escola, mas para a vida, a fim de que os alunos não tenham de lançar ao vento nenhuma de suas aquisições ao sair da escola."
       Isso é ensinar com humildade, também. Quando se ensina com humildade, pouca coisa ou nada se deita fora - mesmo porque o exemplo faz o nosso ensino dar frutos.

Companheiro de trabalho: Se você é professor e espera que no futuro façam uma estátua em sua homenagem para ser colocada em praça pública, então que essa estátua se quebre antes de ser construída.
O maior mestre que passou pelo mundo, Jesus Cristo, viveu e ensinou a humildade. E por ser humilde, pregaram-n’O numa cruz. Porém, as Suas lições têm perdurado através dos séculos, transformando caracteres. Lembremo-nos disso.
Gideon Carvalho De Benedicto, Professor no Novo IAE, Brasil, Pós-graduado em Economia de Empresas e com Mestrado em Contabilidade, in Revista Adventista Brasileira, Agosto de 1989.

"A verdadeira educação significa mais do que avançar em certo curso de estudos. É muito mais do que a preparação para a vida presente. Visa o ser todo, e todo o período da existência possível ao homem. É o desenvolvimento harmónico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais. Prepara o estudante para a satisfação do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro." Ellen White in Educação, pág. 13.


domingo, 12 de agosto de 2012

"NO MEIO ESTÁ A VIRTUDE"...
UMA ANÁLISE. A MELHOR SOLUÇÃO.



MÉTODO, PRECISÃO E DISCIPLINA

Porto, fins dos anos 50. O Senhor Antunes era guarda-livros numa importante firma de import/export na Rua dos Clérigos.
Formado pela Escola Comercial Oliveira Martins, era homem de uma só palavra.
Método, precisão e disciplina sempre foram as bases que nortearam todo o seu comportamento. No decorrer dos anos foi granjeando admiração e simpatia na baixa comercial do velho burgo.
Em casa, os horários eram cumpridos à risca. Sua extremosa esposa, Dona Filomena, excelente dona de casa, mantinha uma ordem discreta e serena, capaz de criar um ambiente onde dava gosto viver.
O andar que habitavam, alugado, situava-se na Rua de Cedofeita, velha artéria de penetração, suficientemente longe e suficientemente perto do centro (como costumava dizer o Senhor Antunes). Sem luxos, tinha já no entanto aqueles electrodomésticos recém-aparecidos, entre os quais a televisão, que não deixavam, por vezes, de provocar certos comentários invejosos dos vizinhos com menos posses mas não menos ambições.
À noite, logo após o Telejornal das nove e meia, seguido com atenção e respeito - as palavras do venerando Chefe de Estado e os actos dos Ministros transmitiam aquela sensação de estabilidade e progresso tão desejados a uma noite sem insónias. António, 14 anos, filho do casal, despedia-se dos pais e dirigia-se para o seu quarto. ("Menino com educação esmerada e obediente!", comentava a televizinha daquela noite, perante o orgulho disfarçado de Dona Filomena.)

Mas, nessa noite, o inesperado acontece e a calma rotineira é alterada. O telefone toca. Era o Senhor Afonso Menezes Barbosa, patrão do Senhor Antunes. A sua voz transmitia exaltação. Não é que, ao passar ao princípio da noite pelo escritório, o Senhor Menezes Barbosa deparara com uma importante carta esquecida pelo João, o paquete da firma? Quando este saiu para os correios da Praça da Batalha, não incluíra esta carta no maço a despachar.
Sentindo-se responsável por tão grave esquecimento, o Senhor Antunes logo se prontificou a reparar o acto, comprometendo-se a usar os meios necessários para que a missiva chegasse no dia seguinte ao seu destino. Se o telefone transmitisse imagem, o Senhor Menezes Barbosa veria o seu leal empregado a empalidecer quando lhe disse a quem a carta era dirigida: ao agente da firma em Lisboa.
Logo se recompondo, o Senhor Antunes retorquiu: "Esteja o Senhor Barbosa tranquilo. Amanhã de manhã o meu filho irá no primeiro comboio entregar a carta em mão."

A excitação reinou pela primeira vez em anos naquela casa. O António nunca viajara sozinho. As recomendações foram mais do que muitas: "Chegado à estação de S. Bento compras um bilhete de segunda classe para Lisboa/Rossio. Pede do lado direito para não apanhares sol. Ao chegares a Lisboa, o escritório do agente encontra-se ainda encerrado para almoço; tens um café mesmo em frente da estação. Sentas-te, encomendas um bife e uma imperial. Ao terminares o almoço, está praticamente na hora de abertura. Atravessas a Praça do Rossio, passas pela Praça da Figueira, entras na Rua dos Fanqueiros e diriges-te ao nº 14 - 2º andar. Apresentas os meus cumprimentos ao Senhor Martins Ferreira, (etc., etc., etc.)." Toda esta catadupa de informações, e outra tanta que se torna fastidioso relatar em pormenor, foi cuidadosamente retida por este filho, habituado a uma obediência cega e respeitosa às palavras do seu progenitor.

Às 7:45 horas em ponto lá se encontrava o António em S. Bento a comprar uma segunda para Lisboa/Rossio, do lado da sombra para que o sol não lhe fizesse mal à cabeça. A viagem decorre com normalidade. Apeado no Rossio, atravessa a rua, senta-se no café e encomenda um bife e uma imperial. O empregado, delicado e solícito, informa: "Só temos cerveja em garrafa."
Serenamente, António levanta-se, sai do café, pergunta ao primeiro transeunte onde fica a estação dos correios mais próxima. Após informado dirige os seus passos para os Restauradores, entra na Estação dos Correios, pede um boletim de telegrama e redige com caligrafia segura e cuidada, como tão bem lhe é ensinado na Escola Comercial Oliveira Martins, onde é brilhante aluno:
"Pai - só servem cerveja em garrafa. Que devo fazer?" - João Miguel Cunha

(Repare: muito rigor e firmeza, mas não deixava de recomendar bebida alcoólica ao filho!... E. E.)


O TITANIC DO OCIDENTE

Nos anos 70, quando Ana Salazar lançou a sua linha de roupa preta para senhora, achei que iria ser um tremendo fiasco.
Quem é que, num país do Sul, quereria andar todo vestido de preto? Na altura eu acabara de concluir o curso de Arquitectura na Escola de Belas-Artes, ia com frequência a Paris, fascinava-me com os impressionistas – Renoir, Van Gogh, Cézanne, Monet, Modigliani, Gauguin – e não podia perceber como é que se renegava a cor no vestuário feminino. Não era mais bonito ver as mulheres, sobretudo as jovens, vestidas com roupa alegre de cores garridas do que enfiadas em trajes de luto?
Ontem, 40 anos depois do aparecimento de Ana Salazar, passava eu por uma loja de roupa, olhei distraidamente para dentro e o que vi? Manequins vestidos integralmente de negro. E numa loja de homem que havia em frente, o que dominava a montra? Fatos pretos.
Muito perto da sede deste jornal existe uma loja ‘gótica’. Assim, pelas redondezas, circulam constantemente jovens vestidos de negro – que além disso usam em geral piercings e tatuagens, e têm esotéricos cortes de cabelo, a imitar os índios apaches ou os cabeças-rapadas. Os piercings podem ser na língua, nos lábios, nas orelhas, no umbigo ou até no sexo. Os rapazes e raparigas assim ataviados parecem caricaturas saídas de tribos primitivas.

A nossa civilização atingiu uma tal sofisticação que começou a ser difícil avançar mais – e, aí, entrou-se no retrocesso ou no caminho do absurdo. Há quem compre roupa rota nas lojas de roupa nova. Roupa rota que custa mais caro do que a nova. Cansámo-nos do luxo – e o luxo máximo tornou-se a ‘negação do luxo’. Mas uma negação que tem de ser notória: os jovens não compram jeans usados, compram jeans novos a imitar os usados mas percebendo-se que são novos.
O vestuário negro e desengraçado é um dos sinais anunciadores da crise que atinge o Ocidente.
Rejeita-se a cor, que reflecte vitalidade e alegria. As únicas ‘cores’ que se aceitam não são cores: são o preto, o cinzento e o branco. As cores desapareceram. E na decoração sucede a mesma coisa: entra-se numa casa e é tudo branco. Ou é tudo preto e cinzento. O uso das cores vivas passou a ser ‘piroso’. Ao que chegámos!
Falo da cor porque é uma realidade muito visível de uma mudança inexorável que está em curso: a decadência da nossa civilização. Uma civilização que teve uma ascensão, um apogeu e entrou em declínio.

Um declínio que é patente em todas as áreas: a desagregação da família, a deterioração da autoridade, o aumento da indisciplina, os desvios sexuais, o crescimento do consumo de drogas, a proliferação de gangues suburbanos, a perda de valores e referências positivas, o abaixamento cultural, etc.

Comecemos por aqui, pela cultura. Já não falo da ‘cultura’ difundida pelas televisões – e que tem os seus exemplos mais acabados em programas tipo Big Brother ou Casa dos Segredos. São protótipos abjectos, que puxam a sociedade para baixo.
Mas a própria cultura ‘respeitada’ (ou mesmo venerada) pelos críticos atinge mínimos inconcebíveis. Depois da grande pintura clássica renascentista como conceber um quadro todo negro? E se ainda fosse só um… Mas em todos os museus de arte contemporânea se veem exemplares desses.
E, ao lado de uma escultura de Leonardo da Vinci ou mesmo de Rodin, o que dizer da ‘instalação’ de Cabrita Reis à porta dos Jerónimos constituída por pneus velhos pendurados numa armação de ferro?
E como classificar um filme sem imagens, como o de João César Monteiro, ao lado de uma obra de Orson Welles ou Visconti?
E alguém se ocupou a comparar uma sinfonia de Beethoven com os novos batuques que nos massacram os ouvidos na rádio?

Mas, repito: nada disto são casos isolados – são todos sintomas do mesmo mal e todos concorrem no mesmo sentido. Todos fazem parte do mesmo puzzle, que tem um nome: decadência.
O quadro de valores e de referências em que nos movemos mudou radicalmente.
A família, por exemplo, deixou de ser uma instituição a preservar. A percentagem de divórcios já iguala a de casamentos. Só que isto, aplaudido por alguns, é um drama tremendo para a esmagadora maioria.

A família é o primeiro veículo de integração de um indivíduo na sociedade. E o primeiro apoio de que um indivíduo dispõe em situações adversas, quer ao nível material quer no plano afectivo. A família é uma rede – que ampara o indivíduo quando cai, como ampara o trapezista quando falha o trapézio. A destruição da família entrega as pessoas a si próprias, ainda por cima num ambiente muito competitivo como é a selva urbana em que se tornaram as grandes cidades – e daí as depressões, as exclusões, os suicídios, que aumentam regularmente.

A família também é essencial para o crescimento equilibrado das crianças. É a família que lhes oferece um ambiente estável e lhes transmite segurança. Uma sociedade de famílias desestruturadas começa a produzir crianças problemáticas.
A legalização dos casamentos gay, com a aceitação explícita de casais estéreis, foi mais um sinal do esvaziamento da ideia de ‘família’ nos tempos que correm.
E os problemas das famílias prolongam-se nas escolas, sendo responsáveis por fenómenos como a indisciplina nos estabelecimentos de ensino, que se tornou uma praga. Assistimos a alunos a agredirem professores em plena sala de aula – o que não devia sequer poder passar pela cabeça dos alunos, quanto mais poder acontecer.

E a seguir vêm as drogas, o consumo crescente de drogas, com o seu rosário de problemas. Drogas que têm como objectivo explícito a alienação, a fuga à realidade, a marginalização do quotidiano. E depois temos as inscrições nas paredes, os gangues suburbanos, o aumento da criminalidade.
E assistimos ainda ao aumento dos desvios sexuais: multiplicam-se os travestis, os transexuais, as trocas de casais (o swing), para já não falar da pedofilia.
(...)
Todos os sinais aqui apontados, repito, são peças de um mesmo puzzle e são típicos das sociedades em crise. E não adianta fechar os olhos nem vale a pena lutar contra o inelutável.

Os economistas, os financeiros, os políticos esmifram-se a procurar ‘saídas para a crise’. Mas a crise não tem saída porque a questão não é económica e financeira: a crise económica e financeira em que estamos mergulhados é apenas um dos sintomas do descalabro geral.

Já percebemos que temos de nos habituar a viver com menos. Mas o grande problema não é esse. Antes fosse...
O grande drama é que o mundo onde cada um de nós julgava que iria viver sempre, entrou numa decomposição acelerada. O barco onde navegámos durante séculos chegou ao fim do prazo de validade e está a afundar-se.

E isso vê-se em tudo. Basta abrir os olhos. Vê-se no afundamento cultural – com a desqualificação da pintura, da escultura, da literatura e da música. Vê-se na desvalorização do casamento e na desagregação da família. Vê-se na deterioração da autoridade e da disciplina, particularmente nas escolas. Vê-se nos desvios sexuais, na proliferação das drogas, na perda de valores e de referências positivas.
(...)
José António Saraiva, Director do Semanário O SOL, 7 /11/ 2011
http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=33046&opiniao=Pol%EDtica%20a%20S%E9rio

Se Não Quer Afundar-se,
leia o precioso livro
O Grande Conflito
(numa edição maior ou menor)
nos Links 1R:

A GRANDE ESPERANÇA

"ABRIR OS OLHOS"

Fui grandemente abençoada por ter nascido numa família cristã, com pais amorosos que se preocuparam em investir nos três filhos. As prioridades deles a nosso respeito não incluíam roupas extravagantes nem alimento requintado. Em vez disso, eles nos ensinaram fé em Deus, promoveram boa formação do caráter e nos proporcionaram educação formal.
Lembro-me da minha mãe orando a Deus em voz alta em favor dos filhos. No culto diário, ela nos ensinava princípios cristãos. A minha lembrança infantil mais feliz é a de todos nós, sentados sobre a grande cama dos nossos pais, cantando, recitando versículos bíblicos de memória e ouvindo a mamã contar histórias de Jesus.
Quando tive a minha própria família, segui o exemplo dela. Anos mais tarde, fiquei muito satisfeita quando a minha filha me contou que as suas melhores lembranças da infância eram a hora do culto diário e os joguinhos de que participávamos sobre o tapete da sala.

Quando éramos adolescentes, mamã usava uma ilustração particular para nos ensinar a "abrir os olhos", como costumava dizer:
Para enganar os jovens de Deus, dizia ela, o inimigo cobre os pecados com um manto atraente, lustroso. Ele diz aos adolescentes que eles podem experimentar uma vez só, para ver como se sentem. Ele sugere que, afinal de contas, ninguém vai ver, ou mesmo saber a respeito. Quando os jovens se permitem ser iludidos por essa sedução e encantamento, o inimigo puxa e afasta o manto. Ele dá risadas ao ver o amargo desapontamento que eles têm consigo mesmos, e a sua grande aflição por terem caído na armadilha. Pior ainda, eles começam a pensar que Deus não lhes perdoará nem os aceitará de volta.

Para evitar cair na abominável cilada do inimigo, devemos fixar os olhos em Jesus.
Devemos constantemente pedir-Lhe que feche as janelas do nosso coração para o mal e as abra amplamente na direcção do Céu.

As sábias palavras e orações da minha mãe proporcionaram sólida orientação para a minha vida. Dou graças a Deus por ter dado aos meus pais a sabedoria de reconhecer as verdadeiras prioridades na vida e de agir com base nelas. A minha oração é que Deus nos conserve sempre fiéis à Sua Palavra. - Vasti S. Viana

VOLTA  PARA  CASA,  MEU  FILHO

Um certo homem tinha dois filhos. o mais novo pediu ao pai: "Pai, dá-me a parte da herança que me pertence." E o pai repartiu os bens pelos dois filhos. Poucos dias depois, o mais novo vendeu o que era dele e partiu para uma terra muito distante, onde gastou todo o dinheiro numa vida desregrada. Quando já não tinha dinheiro, e como houve muita fome naquela região, começou a ter necessidade. Foi pedir trabalho a um homem da região e ele mandou-o para os seus campos guardar porcos. Desejava encher o estômago mesmo com as bolotas. Foi então que ele caiu em si e pensou: "Tantos trabalhadores do meu pai têm quanta comida querem, e eu estou para aqui a morrer de fome! Vou mas é ter com o meu pai e digo-lhe: "Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já nem mereço ser teu filho, mas aceita-me como um dos teus trabalhadores." Levantou-se e voltou para o pai. Mas ainda ele vinha longe de casa e já o pai o tinha visto. Cheio de ternura, correu para ele, apertou-o nos braços e cobriu-o de beijos. Lucas 15:11-20

FILHOS ou ESCRAVOS?

"Um certo homem tinha dois filhos..." Lucas 15:11

Estava muito calor naquele sábado de tarde, enquanto subíamos a encosta do cemitério. Os meus irmãos e eu avançávamos em silêncio para visitar o túmulo do nosso pai. A última vez que o vira, ele estava muito doente, mas não havia lágrimas nos seus olhos como das outras despedidas. O brilho da esperança iluminava o seu velho rosto marcado pela dor e pelos anos. Alguma coisa dentro de mim dizia, naquele dia, que estava a ver o meu pai pela última vez neste mundo; mesmo assim, voltei para casa. Um mês depois, um envelope branco e preto, trouxe-me a notícia fatal: "O pai morreu".
"É ali" - a voz do meu irmão tirou-me dos meus pensamentos. Levantei os olhos e vi o pequeno túmulo branco. Uma estranha mistura de sentimentos tomou conta do meu ser. Tristeza? Saudade? Esperança? Talvez tudo junto. Talvez apenas a saudade alimentando a esperança. Quem sabe se a esperança apagando a tristeza e suavizando a saudade.
Fechei os olhos, como querendo arrancar lembranças da escuridão. Tentei dizer algo, mas achei que seria inútil. Para quê? Ele não me ouviria. Os seus restos estavam ali insensíveis, inertes, aguardando o dia glorioso da ressurreição. Engoli as minhas palavras, lembranças e saudades. Deixei apenas aflorar no olhar a esperança do reencontro com aquele homem simples que se foi gastando como uma vela para ver os seus filhos realizados na vida.

O Senhor Jesus contou um dia uma parábola usando esta figura eloquente do relacionamento pai-filho, para exprimir o tipo de relacionamento que quer ter com o ser humano. "Um homem tinha dois filhos", disse. Aqui está descrito o segredo de uma vida vitoriosa e feliz. Cristianismo não é apenas relacionamento com uma doutrina ou com uma igreja. Cristianismo é, acima de tudo, relacionamento com a pessoa de Jesus.
Sabes qual é a tragédia da religião? Nós, seres humanos, substituímos a vida interior por exterioridades. Estamos mais preocupados com as coisas que se veem, com as formalidades, com a parte externa da religião. Vivemos a vida tentando ser bons. Lutamos uma vez e outra e nunca conseguimos. Então ficamos frustrados e pensamos que o cristianismo não resulta. "Não é para mim" - dizemos, e abandonamos tudo. Porquê? Porque medimos o cristianismo pelas coisas boas que fazemos ou pelas coisas erradas que não fazemos.
Deus, porém, mede o cristianismo pelo tipo de relacionamento que temos com Ele. Para Deus, cristianismo é sinónimo de relacionamento. A boa conduta será sempre uma consequência natural do relacionamento com Cristo.
Na parábola do filho pródigo, o Senhor Jesus está a tentar dizer-nos que Deus nos olha como filhos e não apenas como 'criaturas que têm o dever de obedecer'. Ele não olha para nós apenas como computadores sem alma, sem coração, sem vida, fabricados com o dever de fazer tudo bem. O apóstolo João exclama: "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ... de sermos chamados filhos de Deus" (I João 3:1). Deus mesmo diz: "Quando Israel era menino, Eu o amei; e do Egipto chamei o Meu filho" (Oseias 11:1). Encontramos aqui o sentido íntimo do relacionamento que envolve o cristianismo. Nós amamo-l'O porque Ele é nosso Pai. Obedecemos-Lhe porque O amamos, servimo-Lo com prazer devido aos laços íntimos que nos prendem. Isto revitaliza o cristianismo. Ver em Jesus não apenas o meu Salvador, mas também o meu Pai e meu Amigo, ajuda-me a viver uma vida espiritual abundante e feliz, livra-me do legalismo, do farisaísmo e da pseudo-ortodoxia.
Aqueles cuja religião se baseia no amor não sucumbem às asperezas da vida. Só quando o amor diminui é que as regras começam a amontoar-se. Quando se ama alguém, não é preciso servi-lo por meio de regras. Naturalmente necessitamos de leis e normas, para darem expressão pormenorizada aos princípios mas o amor conduz-nos naturalmente àquilo que é correcto. O homem que ama não obedece às normas porque são obrigatórias. A sua obediência é consequência do seu amor.
Nessa relação Pai-filho, o que Deus mais quer é ter-nos perto do Seu coração. O trágico do pecado não é o facto de que quebramos uma norma escrita. É o facto de que nos afastamos de Deus e, em lugar de O amar começamos a ter medo d'Ele; em lugar de O procurar, fugimos d'Ele e escondemo-nos; e Deus, nosso Pai amoroso, não pode suportar isso, porque nos ama e quer ter-nos nos Seus braços de volta.

"Um pai tinha dois filhos" - quantas mensagens em tão poucas palavras! Deus está a dizer que para Ele não existe diferença entre os Seus filhos. Ele pode ser Pai de dois, de dois mil ou de um milhão de filhos e a sua capacidade de amar não tem fronteiras. Durante todo este tempo, em que por algum motivo da vida andaste longe, pensas que o coração d'Ele não sangrou? Ele sabe onde estiveste. Ele sempre soube. Ele conhece as tuas angústias, as tuas tristezas e revoltas. E ama-te dessa maneira. No meio da multidão, tu és único. Não estiveste lá. O teu lugar esteve sempre vazio porque para Deus ninguém te substitui.
Quando o meu pai fez 80 anos, os meus irmãos prepararam-lhe uma linda festa de aniversário. Estava tudo pronto. Luzes, cores, alegria, música e também o bolo que em ocasiões como estas não pode faltar. Lá em casa a mesa é grande, somos nove irmãos e, com as noras, genros e netos a família cresceu. Todos temos o seu lugar designado na mesa, mas, naquela noite eu estava no estrangeiro e o meu lugar na mesa estava vazio. Quinze dias depois, recebi uma carta do meu pai. Ele dizia: "Filho, a festa estava linda, mas faltavas tu. Os teus irmãos tentavam alegrar-me, mas a saudade apertava o coração. Sofria ao ver aquele lugar vazio". Compreendes o que Deus está a querer dizer? A festa lá nos Céus poderá ser muito bonita, mas, sem ti, a alegria não será completa. O teu lugar estará sempre vazio.
Se alguma vez tiveste a ideia de que não és muito importante, tira-a e liberta-te desse pensamento, por favor. Se alguma vez alguém te deu a entender que não fazes falta, esquece e perdoa-lhe. Levanta os olhos e vê o teu Pai com o coração aberto à tua espera. Não vejas n'Ele apenas um juiz severo, pronto a condenar; tenta vê-Lo como o Pai disposto a restaurar. ...

"Um certo homem tinha dois filhos." Filhos! É isto que tu e eu somos para Deus. Nós não merecemos, mas Ele fez de nós Seus filhos. Nós não somos dignos, mas Ele compraz-Se em chamar-nos filhos. Ele não tem vergonha de comunicar ao Universo inteiro que eu sou Seu filho e Ele ama-me, apesar do que eu possa ser. Eu não compreendo isso, mas agradeço-Te, ó Deus!"
(...)

A LOUCA CORRIDA QUE NÃO ACABA NUNCA

"Poucos dias depois, o mais novo vendeu o que era dele e partiu para uma terra muito distante, onde gastou todo o dinheiro numa vida desregrada." Lucas 15:13

Em 1979, cheguei a uma grande cidade e, depois da pregação, um irmão convidou-me para almoçar em sua casa. Durante o almoço, o irmão falou entusiasmado do seu único filho, um rapaz louro de dezasseis anos e olhos azuis. A conversa girou em torno dos planos que tinha para o filho.
"Ele vai estudar medicina" - disse - "e, quando se formar, vou vender a quinta e construir uma clínica para ele." Quanta alegria, quanta esperança e expectativa! Era maravilhoso ver aquele entusiasmo.
Um ano depois, voltei àquela cidade e, uma noite, logo após a pregação, aquele mesmo pai procurou-me desesperado.
- Pastor, o senhor precisa de ir a minha casa e ajudar o meu filho - disse aflito.
Fomos lá e, desta vez, o quadro era completamente diferente. O rapaz parecia um gato selvagem. Tinha o rosto cheio de espinhas e os olhos avermelhados. Um tique nervoso à altura dos olhos tornava o seu aspecto mais deprimente. Ficou apavorado quando me viu. Seria impossível reconhecê-lo se o pai não afirmasse que era o mesmo rapazinho loiro de olhos azuis que eu tinha conhecido há um ano atrás. Onde estava a pureza do olhar? Onde estava aquele rosto sereno de sorriso agradável?
Um ano! Apenas um ano! Em tão pouco tempo, as drogas tinham deformado completamente aquela jovem vida.
"Poucos dias depois". Isto revela a rapidez com que o pecado estraga as coisas em que toca. O ser humano começa a brincar 'inocentemente' com o pecado e, pouco tempo depois, está atado da cabeça aos pés.

Primeiro é um cigarro, só por curiosidade. Depois, mais um para 'experimentar realmente o sabor' e, pouco tempo depois, o vício toma conta por completo do indivíduo.
Primeiro é um simples olhar, depois um aperto prolongado de mãos com uma mulher que não é a esposa e, pouco tempo depois, o homem deita tudo pela janela e até abandona a família, os amigos e a igreja.
Tudo começa com uma 'bebida social', apenas pela circunstância, para agradar aos amigos e, pouco tempo depois, está caído na sargeta tendo perdido até o respeito próprio.
Os namorados começam com uma carícia leve, aparentemente inocente. Que mal há nisso? Pouco tempo depois, estão prisioneiros dos seus instintos e com um complexo de culpa que os atormenta horrivelmente.

Recebo centenas de cartas de jovens que brincaram com o pecado. Apenas por curiosidade, para não dar 'uma de antiquado' e, pouco tempo depois, descobriram-se atados de pés e mãos; sentiram-se como Pedro no alto mar, com a água até ao pescoço, impotentes e submetidos por completo ao poder do inimigo.
"Estou a escrever esta carta para dizer que fui membro da igreja durante 8 anos, mas afastei-me e não consigo voltar. Tenho vontade de voltar, mas tenho vergonha. Estou viciado na bebida e noutras coisas. Porquê, Pastor, por que razão é tão difícil voltar? Tenho vergonha de todos. Vivo fugindo dos irmãos. Estou perdido. Ajude-me, por favor!"
O clamor angustiante desta carta, lembra a atitude do filho que "poucos dias depois" partiu para um país distante. Perto do pai, não teria condições de viver como queria. Mesmo que o pai não dissesse nada, o seu olhar carinhoso seria uma permanente repreensão ao estilo de vida que ele pretendia viver. Aqui está uma grande verdade em relação ao pecado. É impossível pecar na presença do Pai. É difícil errar na presença dos seres que amamos. É preciso fugir, esconder-se, partir para um país distante. O que o pecador mais deseja é ficar longe do pai, longe dos conhecidos, longe da igreja. Essa é a única maneira de viver sem restrições e então, perigosamente, começa a triste corrida que pode não ter fim.

O ser humano tenta esquecer tudo o que tem a ver com Deus. "Não me fale de Deus, nem dos irmãos, nem da igreja. Quero apagar tudo isso da minha vida. Risquei esse capítulo." Mas, Deus continua a falar, a chamar, a suplicar. É difícil não sentir a Sua voz convidativa. Cada pormenor da vida: o canto do passarinho, o desabrochar de uma flor, o despontar do dia, o crepúsculo, um acidente, uma doença, enfim, através de um detalhe qualquer, Deus parece estar a dizer: "Filho, onde estás, Eu amo-te, volta aos Meus braços de amor." (...)

O REGRESSO

"Levantou-se e voltou para o pai. Mas ainda ele vinha longe de casa e já o pai o tinha visto. Cheio de ternura, correu para ele, apertou-o nos braços e cobriu-o de beijos." Lucas 15:20.

"Tenho vergonha"; "fui longe demais"; "já é muito tarde". São expressões que tenho ouvido muitas vezes de pessoas que sentem a voz de Deus a chamar ao coração, mas que por algum motivo ficam paralisadas onde estão. Decidiram voltar, responderam ao apelo, reconheceram a sua triste situação, mas não têm forças para iniciar a caminhada de volta.
Se soubessem a dimensão do amor do Pai, sem dúvida não hesitariam. Eu imagino que desde o momento em que o filho partiu, o pai ficou no terraço da casa, olhando para o caminho e dizendo para si: "Ele voltará, eu sei que ele vai voltar um dia! Não sei quando, nem como, mas sei que um dia ele aparecerá ao fundo do caminho. Vou esperar por ele de braços abertos. Não posso perder a esperança. Continuarei a acreditar nele, embora toda a gente mostre desconfiança, e embora ele próprio pense que já não existe solução para o seu caso."
E a história diz que o filho "levantou-se e voltou". Não ficou parado no 'vou decidir e ir'. Não ficou apenas na decisão. Ele voltou. Como? Tal como estava: sujo, cheio de piolhos, com os cabelos e as unhas grandes, a cheirar a porco e a vestir trapos de imundície. Aqui há algo que precisamos de entender. Muitos ficam no vale da indecisão e do desespero, apenas porque não compreendem o sentido desta parábola.
Se o filho pródigo tivesse tomado banho, cortado o cabelo e as unhas e colocado uma boa água de colónia antes de voltar, então a igreja teria que mudar a sua doutrina da justificação, que é pela fé, e da santificação, que também é pela fé.
Meu amigo, tens que voltar ao Pai tal como estás, com o teu cigarro, com as drogas, com os complexos, traumas e marcas que o pecado possa ter imprimido na tua vida. Não tentes, por favor, resolver os teus problemas sozinho; não penses: "Largarei primeiro o cigarro antes de voltar". Não, por favor, volta com o teu cigarro. Não raciocines: "Abandonarei as três mulheres que tenho ilicitamente para que o Pai possa aceitar-me". Não, não é assim que funcionam as coisas no reino de Deus. Ele diz: "Filho, vem a Mim como estás, seminu, cheirando a porcos, imundo; vem! trazendo-Me os teus farrapos, os teus vícios, os teus traumas." E, oh! Amor maravilhoso que a parábola descreve! O pai não tem nojo do filho malcheiroso! O pai abraça-o e beija-o.

Compreendeste? Como poderia o Pai ter nojo de ti, se tu és para Ele a coisa mais linda neste mundo? Achas que Ele vai rejeitar-te, como às vezes os homens rejeitam? Pensas que, pelo facto de na tua vida serem visíveis as marcas do pecado, o Pai te virará o rosto e te condenará? Não, mil vezes não! Ele, com certeza, te abraçará, te beijará; tira-te as roupas imundas, dá-te banho, corta os teus cabelos e unhas; porque a salvação é d'Ele. É Ele que justifica e é também Ele que santifica. É Ele que perdoa e é também Ele que dá poder para uma vida de vitória e obediência.

Conheço muitas pessoas que ficam perdidas na vida, tentando inutilmente resolver os seus problemas. "Eu voltarei, pastor", dizem, "mas primeiro tenho que resolver os meus problemas." "Eu voltarei, pastor", dizem, "mas primeiro tenho que resolver a minha vida." E eu digo-te em nome de Jesus que, se pensas que para voltar precisas antes de corrigir os teus erros, certamente nunca voltarás. Tudo o que conseguirás é acumular uma colecção de fracassos e promessas não cumpridas. Isto acrescentará cada vez mais ao teu coração o senso de culpabilidade e impotência que irão apagando lentamente a voz de Deus.
Eu sei que neste momento estás a sentir a voz do Pai chamando: "Filho, está na hora de voltares". E pergunto-me: porque chegaste onde chegaste? O que foi que te afastou de Cristo e da Sua igreja? Lembras-te? Foi a discussão com um irmão? Foi o mau testemunho de alguém? E agora, responde: Valeu a pena ter saído? Claro que não! Andaste todo esse tempo solitário e triste. Cada vez que chegava o pôr do sol de sexta-feira, uma estranha sensação de dor tomava conta do teu coração. Às vezes, quando paras em frente de uma igreja, o teu coração bate aceleradamente. Não, nunca foste feliz lá fora. A maior prova disso é que chegaste até este ponto do livro. Podes estar a perguntar: "Como é que este homem me conhece?" E a verdade é que eu não te conheço, embora muitas vezes tenha orado pelo teu regresso, mesmo sem te conhecer.

Um dia, nos minutos da minha vida devocional, senti a voz de Deus falar ao meu coração: "Alejandro, escreve o que estás a pensar, porque tenho centenas de filhos maravilhosos a chorar lá fora. Estão tristes, vazios, procurando algo que, no fundo do ser, sabem perfeitamente que sou Eu. Escreve para eles, porque este livrinho será o instrumento que usarei para os trazer de volta. Nos Meus braços não sentirão mais frio, ao Meu lado não experimentarão mais fome; preciso que eles voltem enquanto não chega a noite, enquanto ainda conseguem ouvir a Minha voz chamando-os."
É por isso, meu amigo, que estou a escrever estas linhas, e é por isso que agora vou pedir que te ajoelhes onde estás, ou simplesmente que feches os olhos, ou então que apenas fales só para ti, dizendo: "Pai, chega!, eu já me magoei demais na vida. Estou ferido, cansado de pecar, cansado de viver, de sofrer, de procurar; por favor, Pai, estou aqui de volta aos Teus braços, sem promessas, porque já prometi tantas vezes e nunca cumpri; simplesmente - estou aqui! Podes limpar-me? Podes restaurar-me? Podes fazer por mim o que sempre fui incapaz de fazer por mim mesmo?

E AGORA?

Uma das últimas armas que o inimigo usa para manter as pessoas cativas no seu território é a montanha de dificuldades que ele coloca no caminho de volta. Vejamos.

A primeira dificuldade podes ser tu mesmo. Sempre contrariaste os teus queridos que esperavam que voltasses. E agora, como fica? Vais dar o braço a torcer? Eles venceram e tu perdeste? E, no primeiro dia que apareceres de volta na igreja, não irá toda a gente olhar para ti com curiosidade? Com certeza que vais encontrar-te com pessoas que de alguma forma um dia te magoaram; como é que vais reagir?
E a vida? Não estão todos à espera que, a partir de então, vivas uma vida exemplar? E se não conseguires? E se a decisão que acabas de tomar der em nada?
Eu sei, meu querido amigo, que todas essas inquietudes estão a passar pela tua cabeça, mas quero dizer-te uma coisa: Se as pessoas que um dia decidiram seguir a Jesus olhassem para o futuro e quisessem ver o caminho limpo de pedras e espinhos, ninguém, mas ninguém mesmo, seguiria Jesus. Esse era o meu grande erro quando jovem. Concentrava toda a minha atenção nas dificuldades da vida espiritual. Vivia ansioso por causa dos meus erros. A minha expectativa concentrava-se toda na minha conduta; e isso só me causava desespero e frustração. Mas um dia, concentrei toda a minha atenção em Jesus, e as coisas mudaram.
Às vezes, à noite, deitado na minha cama, vejo-O sorrindo para mim, como se eu fosse uma criança que está a aprender a andar, e Ele, lá na frente, vai-me animando: "Vai, filho! Vais conseguir! Mais uma vez! Isso!"
Ah! meu amigo, não sei que palavras usar para te convencer de que este é o segredo de uma vida vitoriosa. Nunca olhes para trás, nem para os lados. Olha para a frente! Se olhares para trás, só verás o passado tentando massacrar-te com o martelo da culpa. Se olhares para os lados, ouvirás muitas vozes: condenação, vingança, ventos contrários, escuridão e ondas gigantescas, tentando afundar a tua pequena embarcação. Então, por tudo o que mais queiras, olha para a frente. No meio da noite escura e do vento gelado, está Aquele que é poderoso para salvar e, em nome d'Ele, sai do barco das incertezas e caminha sobre as águas da indiferença deste mundo. Faz o impossível, quebra as leis da Natureza. Vai em frente com os olhos fixos no Autor e Consumador da fé: o teu amigo JESUS.

Um grande abraço. Espero ver-te quando Jesus voltar.
Alejandro Bullón - (Ver Links 1R)

ABRAÇO DE PAI



DEUS CHOROU, DEUS SORRIU


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