domingo, 1 de abril de 2012

POR DETRÁS DOS "FICHEIROS SECRETOS"


Uma tatuagem falante ordena ao seu dono que mate. Um evangelista que cura pela fé, usa os seus poderes para propósitos escuros. Assassinatos em série são relacionados com uma menina que é a reencarnação de um polícia que foi assassinado no preciso momento em que ela era concebida.

Estes são alguns dos fenómenos paranormais investigados por dois agentes do FBI na multi-premiada série televisiva The X-Files. Mulder (David Duchovny) viu a sua irmã ser sequestrada por extraterrestres e acredita verdadeiramente no paranormal. A Dra Dana Scully (Gillian Anderson) continua uma pessoa céptica que só põe a sua fé na ciência e na razão. Os slogans da série são "A Verdade Está Além", "Não Confies em Ninguém" e "Eu Quero Crer".
A página da internet "X-Files" convida os seus visitantes a analisar os temas X-Files - parapsicologia, OVNI's, voodoo, o oculto, DNA estranhos, vilões clonados e geneticamente controlados, cultos de aldeia, conspirações governamentais. Outras páginas só atraem fãs que queiram ter uma conversa de 'entretém' sobre estrelas.

Ninguém podia predizer a popularidade da série (ou será que podia?). Claro que existe o apelo do mistério e do sexo, mas as histórias são assustadoras, grosseiras até. Assim, porque é que a série é um sucesso tão grande? Parece haver por aí uma fome do sobrenatural. E não só entre os alienados, como os 3% da população dos Estados Unidos que acreditam terem sido raptados por extraterrestres.

Os estudos mostram que 90% dos ingleses acreditam nalgum aspecto do paranormal. 88% dos jovens britânicos já se envolveram numa ou mais práticas ocultistas, e 42% disseram ter ficado fascinados pelo s-o-b-r-e-n-a-t-u-r-a-l. Nos Estados Unidos, mais de 1/3 da população acredita que a astrologia tem uma base científica, e 40% dos adultos americanos crê que entraram em contacto com alguém que já morreu.

ENFEITIÇADO

Os media estão a trazer, gradualmente, o oculto para primeiro plano. Nos anos 60, séries televisivas como I Dream of Jeannie (Sonho com a Jeannie) e Bewitched (Enfeitiçado) abriram as portas, embora pareçam moderadas, atractivas e até românticas, quando comparadas com Os Ficheiros Secretos. O filme da Disney, O Rei Leão, embora dirigido às crianças, inclui uma parte em que o Simba contacta com o espírito do seu pai. E o filme Ghost - O Espírito do Amor, atraiu largas audiências e fez com que muitos quisessem acreditar no contacto com os espíritos. Uma porta-voz do cinema disse que havia pessoas que tinham perdido entes queridos, que voltavam a ver o filme duas e três vezes. Ele mostrava o espiritismo e o cristianismo como sendo totalmente compatíveis. O oculto está, ainda, a lançar-se novamente no mercado, mudando a sua imagem e o seu vocabulário. As bruxas e os bruxos foram reinventados para se tornarem pessoas normais, chamadas parapsicólogos, e nas revistas encontram-se muitos anúncios de parapsicólogos e videntes. As pessoas também compram revistas que trazem 'entrevistas' sobre encontros reais com o inexplicável.
Qual é o fascínio? Rachel Storm escreveu no jornal The Independent, "Muitos atribuem esse interesse crescente às necessidades espirituais desta época materialista e obcecada pelo poder; em vez de se virarem para uma religião com uma imagem fraca, aqueles que têm fome espiritual voltam-se para o oculto, que promete poder e emoção".

Mike Morris, da Aliança Evangélica, concorda: "Penso que temos um grande vácuo espiritual. A igreja perdeu, em grande parte, o seu papel de oferecer orientação espiritual. O materialismo tomou posse, e muitas pessoas sentem-se insatisfeitas. Por isso, na sua procura de respostas espirituais para as suas vidas e experiência espiritual, a igreja é vista como ultrapassada, antiquada e irrelevante.
Outras formas de experiência espiritual são investigadas e o oculto, com toda a excitação que lhe é peculiar, atrai as pessoas num interesse enorme pelo lado escuro."

E há, realmente, um lado escuro. Nalguns estados dos Estados Unidos, a polícia foi treinada para combater o crime do oculto. Eles notam que os amadores jovens começam normalmente com a parte mais branda do ocultismo, mas podem avançar para o sacrifício de animais e para o passo doentio seguinte - o assassínio.

Sean Sellers matou um vendedor, depois matou a tiro a sua mãe e o seu padrasto, enquanto dormiam. É a pessoa mais jovem sentenciada à morte em Oklahoma.
Ele explica: "Há uma atracção muito grande pelo poder, pelo satanismo, curiosidade e, mais importante ainda, por um lugar a que pertencer quando se não pertence a mais lado nenhum."

Na Inglaterra, Paul Bostock, de 19 anos, foi considerado culpado de duplo assassínio. Perto do corpo da sua primeira vítima deixou o círculo da magia negra. Em Tribunal falou sobre o seu fascínio pelo horror, pelo oculto e pela 'magia negra', e disse ainda que era 'adorador do diabo'.
Os amadores não deixam de ser afectados. Os psiquiatras descrevem depressões, alucinações e perda do controlo. Um especialista encontrava muitas vezes os seus doentes indiferentes, sentindo-se infelizes, ansiosos e desanimados sem saberem porquê. Por fim, conseguiu descobrir que os sintomas estavam ligados com o envolvimento com o oculto (espiritismo, tarot ou magia negra).
Outros amadores têm problemas com a morte e a auto-mutilação. Os casos extremos sofrem desvios da personalidade similares aos que são produzidos pela esquizofrenia.

A ACTIVIDADE DO OCULTO EMBORA FASCINANTE PARA MUITAS PESSOAS, TEM GRANDES RISCOS:

É  Dar  a  Satanás  uma  Porta  Aberta  para  Destruir  a  Nossa  Vida  e  as  Vidas  Daqueles  que  Nos  Rodeiam.
Afaste-se  Disso  e  Encontre  Paz  e  Aventura  nos  Caminhos  de  Deus.

O QUE É QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O OCULTO?

1 - Satanás Trabalha Para Nos Confundir e Destruir

A Bíblia avisa-nos sobre os enganos de Satanás. Em II Tessalonicenses 2 lemos: "o rebelde aparecerá com a força de Satanás e dará mostras de grande poder por meio de falsos milagres e prodígios. Utilizará todas as artimanhas do mal para enganar os que se perdem." (versículos 9 e 10).
Satanás quer destruir-ir-nos nesta Terra e para a eternidade. É interessante ver que quando a Bíblia fala de bruxaria, usa a palavra grega pharmakeia (donde vem a palavra farmacologia - o estudo das drogas), mostrando que as religiões pagãs misturavam as drogas e o oculto (ver Gálatas 5:20; Apocalipse 9:21; 21:8).

2 - Muitos dos Enganos de Satanás Envolvem os Mortos

Satanás tenta que as pessoas acreditem que quando alguém morre, o seu espírito continua vivo. Mas a Bíblia diz-nos: "É certo que os vivos sabem que hão-de morrer. Mas os mortos não sabem nada." (Eclesiastes 9:5).
Se os mortos não sabem anda, então ninguém os pode contactar. Por isso, com quem é que os médiuns contactam? A Bíblia diz que é com os espíritos maus. Avisa-nos contra espíritos de demónios fazendo milagres (Apocalipse 16:14) e contra Satanás a fazer milagres falsos, sinais e prodígios.
O especialista sobre o oculto, Kurt Koch, concorda que os únicos espíritos que aparecem nas sessões espíritas são os espíritos maus que querem enganar as pessoas ao fingirem ser os espíritos dos mortos.
Um astrólogo tornou-se cristão. Ele parou de praticar a sua arte quando leu o aviso bíblico: "Que ninguém ofereça o seu filho ou filha em sacrifício aos deuses, queimando-os no fogo; que ninguém pratique encantamentos, ou a adivinhação, ou a magia ou a superstição; que ninguém pratique feitiçarias, ou consulte os espíritos, ou procure visões ou consulte os mortos. Todos os que praticam essas coisas tornam-se abomináveis para o Senhor." (Deuteronómio 18:10-12).
Dê atenção a este texto: "Quando vos disserem: 'Consultem os espíritos dos mortos e os adivinhos que murmuram e segredam; não recorrerá um povo ao seu Deus? A favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos? À Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva." (Isaías 8:19, 20).

3 - Jesus é Mais Poderoso do que Satanás

Koch conta o caso de uma rapariga que foi convidada por uns amigos para ir a uma sessão espírita. Ao princípio ela gostou e continuou a ir, mas depois sofreu de uma depressão tão profunda que teve de ser internada num hospital psiquiátrico.
Ela deixou de ir a sessões espíritas, e o capelão ajudou-a a confiar que Jesus tinha poder sobre os espíritos do mal. Desde essa altura, ela recuperou totalmente.
Muitos outros relatórios (tanto de cristãos como de não cristãos) dizem que as pessoas possuídas por espíritos maus encontram alívio e cura depois de uma oração usando o nome de Jesus.
Jesus passou muito tempo a curar pessoas possessas e a falar sobre a maneira de evitar esse mal. Ensinou que os contactos (mesmo ocasionais) com o oculto devem ser substituídos, na mente das pessoas, pelo Espírito Santo (ver Lucas 11:20).



QUAL É O PERIGO?

(ATENÇÃO  A  ESTAS  FORMAS  'INOCENTES'
 DAS  PESSOAS  SE  ENVOLVEREM  COM  O  OCULTO)




ASTROLOGIA - Esta actividade popular é o primeiro passo dado no sentido de entregar o poder de decisão.

CARTAS DE TAROT - É suposto que as cartas sejam guiadas por um espírito - outra frente de espiritismo!

TÁBUAS OUIJA (muitas vezes mostradas nos anúncios do X-Files). O espírito do copo escreve mensagens dos espíritos, muitas vezes com resultados perigosos.

CANAIS, MÉDIUNS, VIDENTES, LEITURA DA MÃO.

DROGAS - Elas são muitas vezes associadas ao contacto com os espíritos. Os animistas, ocultistas e pagãos usam drogas que expandem a mente nos seus rituais. Os shamans usam alucinogénios a que chamam 'botânicos' para os ajudar a entrar no mundo dos espíritos.

MÚSICA - Pearl Jam tem uma tábua Ouija desenhada num dos seus CD's. Muitas bandas tecno incitam à droga, ao estado hipnótico, à prática do ocultismo. Algumas bandas de Heavy Metal são satanistas!

("Torne-se colaborador do mais acessado site de rock do Brasil! Quer ficar famoso no meio rock e heavy metal sem ter que fazer um pacto com o demónio?" - frase encontrada ocasionalmente num site - E. E.)

IDEIAS NEW AGE (NOVA ERA) - Algumas das práticas perigosas incluem meditação transcendental, levitação, telepatia e cura espiritual.

JOGOS COM PERSONAGEM - Há jogos de computador que podem ser verdadeiros manuais de bruxaria ou satanismo, especialmente nos níveis mais elevados. Um relatório de um Tribunal Criminal dos Estados Unidos diz que eles incitam o jogador a fantasiar sobre demoniologia, bruxaria, voodoo, assassinatos, violações, blasfémias, suicídios, loucura, sexo pervertido, prostituição, adoração de Satanás, canibalismo, sadismo, profanação, e muitas outras coisas.

VÍDEOS E TV - Quando o pequeno James Bulger, de 2 anos de idade, foi raptado, torturado, pintado com tinta azul e deixado na linha de caminho de ferro, o mundo ficou aturdido com o facto dos assassinos serem dois rapazes de 7 e 10 anos de idade. Depois o pai de um dos rapazes admitiu que os deixava ver filmes de terror na televisão, incluindo o filme Child Play 3, um vídeo com um rapto parecido.
O juiz disse: "Não me compete julgar a educação que eles tiveram, mas suspeito que os filmes violentos podem, em parte, explicar alguma coisa."

Os filmes e as séries de TV têm um impacto poderoso sobre aqueles que os vêem e abrem a porta ao trabalho de Satanás. Mesmo os X-Files podem ser um motor de arranque para o interesse de algumas pessoas pelo oculto.

ESCOLA - Muitas pessoas que foram atraídas dizem que o seu interesse começou quando tiveram de fazer uma investigação para um trabalho escolar sobre o oculto.

Grenville Kent, Teólogo, Pastor e Produtor Cinematográfico em Sydney, Austrália, 1998

(O artigo já não é recente mas o passar do tempo só reforçou a sua razão de ser - E. E.)

DE JOELHOS
De joelhos estou, mais uma vez de joelhos, Senhor,
Neste Teu santuário de paz, venho aqui Te pedir, mais uma vez
Me ajuda, Senhor, me ajuda a vencer todo mal,
Esse mal que me afasta de Ti e que me faz passar tantas noites sem dormir,
Me devolve o sono, Senhor, me concede a paz, Tua paz,
Me concede a paz.

Quantas vezes eu quis ouvir Tua voz, mas não pude, Senhor,
Eu estava ocupado demais, quantas vezes lembrei do Teu amor e chorei, Senhor,
Pois nas garras do mal eu senti, quão distante eu estava de Ti,
Quanto eu precisava sentir o Teu calor, sei que podes curar-me, Senhor,
Me concede a paz, Tua paz,
Me concede a paz.


Rafaela Pinheiro - Relaxante Cântico em Links 5M

segunda-feira, 19 de março de 2012

PAIS MARAVILHOSOS



JORGE MÜLLER

O HOMEM QUE OUSOU CONFIAR NAS PROMESSAS DE DEUS


(Capítulo 10)

Era impossível dizer, olhando por trás dos gorros das mulheres e dos colarinhos engomados dos homens, como a sua congregação da Capela Gideão tinha recebido a notícia de Jorge naquele dia 9 de Dezembro de 1835.
Mas ali, na parte de trás da capela, perto da porta, ele sabia que tinha somente de pronunciar a bênção, e que antes mesmo do seu 'ámen' deixar de ecoar contra as austeras paredes e os gorros e os colarinhos, ele já não se perguntaria como tinham reagido à notícia de que ele acrescentaria trinta órfãos de Bristol à sua responsabilidade.
" ... e agora, em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Ámen."

A esposa do padeiro foi a primeira a aproximar-se. Ele já esperava que ela o fizesse.
- Sr. Müller, orfanatos são coisas de invenção recente e positivamente insalubres.
- A minha mulher está certa. - disse o padeiro com a sua boca rechonchuda como um sonho assimétrico. - Casa de caridade é coisa boa para rapazes da rua.
Jorge procurava cumprimentar as pessoas, apertando-lhes a mão, como se estivessem fazendo observações superficiais sobre o tempo.
- Vocês são muito jovens para se colocarem contra o que já foi experimentado e deu resultado.
A mulher seguinte veio para ele com o seu dedo ameaçador:
- Trinta anos de idade e fingindo que conhece muito!
O dono da mercearia, o funcionário, o guarda da loja, passaram ao largo, dizendo:
- Vivíamos muito bem aqui em Bristol antes de o senhor morar aqui.
- Parece-me um plano despropositado. Mergulhar nele sem meditação, isso é o que o senhor está a fazer.

Aquilo era injusto. Jorge tinha pensado muito a esse respeito, tinha orado sobre o problema por várias semanas. Ele não tinha convocado esta reunião especial para anunciar os seus planos enquanto não estivesse seguro do que Deus desejava.
Isolando-se no seu escritório, longe de Mary, da pequena Lídia e dos ruídos caseiros de cozinhar, vestir e brincar, dias e dias tinha ele repetido a mesma oração ousada:
"Deus, preciso de mil libras para dar início ao trabalho. Preciso de encontrar uma casa de tamanho suficiente para uma família com trinta filhos. Preciso, pelo menos, de três ou quatro pessoas que me auxiliem, pessoas cristãs que gostem de crianças e saibam ensinar-lhes ou cozinhar para elas, ou dirigi-las. E as crianças necessitarão de roupas, camas em que dormir e pratos onde comer. Creio que tu podes fazer isto, e deixarei tudo em Tuas mãos. Ámen."
Diariamente, depois de ter orado, ele perguntava a si próprio se não estava sendo ousado demais. Estava ele pedindo demais desta vez?
Então um dia ele abriu a Bíblia e, como amiúde fazia quando estava com um problema complicado para resolver, ou solitário, ou à espera de que Deus lhe falasse, ele leu um salmo. Começou com o salmo 79, leu o 80 também, e começou a ler o seguinte.

"Abre bem a tua boca, e ta encherei" leu no versículo 10 e quase deu uma gargalhada. Estava ali a resposta! Ele tinha aberto bem a boca, abriu-a o bastante para pedir a Deus, sem rodeios, sem cerimónias, uma lista de necessidades tangíveis. E Deus não o censurou por isso. Estava ali, nos Salmos, e ele cria de todo o coração que Deus lhe estava a falar. "Abre bem a tua boca, e ta encherei." Era uma promessa! Agora ele estava pronto para concretizar os seus sonhos baseado nela.

A congregação ainda estava passando pelo corredor, alguns mais junto à parede e saindo pela porta sem falar. Um gorro saltitava diante dele, e ele estendeu a mão para agarrar uma mão quente, amiga.
- Deus o ama, pastor Müller - disse uma voz macia como manteiga. - Por que o senhor não levanta uma colecta?
Abre bem a tua boca, e ta encherei!

- Nada de colecta, irmã. Essa foi a minha combinação com Deus. Não pedirei nada aos homens.
- Não importa. Aqui está a minha pequena contribuição. Não é muito. Apenas dez xelins. Mas é um começo.
- Deus a abençoe, irmã. - O gorro fez uma mesura de reverência.
- Pastor Müller, estou em boa forma física, posso costurar e ...
Uma mulher de ombros erectos apresentou-se diante dele:
- Sei que não pareço elegante, mas posso imaginar bolinhos gostosos e dou-me muito bem com crianças. Há lugar para mim, pastor Müller?

Abre bem a tua boca, e ta encherei.

- Se há lugar? Ora eu... Deus a abençoe.
- Eu não receberia pagamento algum. - Os ombros pareciam ficar mais erectos e mais largos. - Apenas trazer comigo minha pequena pensão e confiar no bom Deus para o restante.
Só havia uma resposta a dar-lhes: "Abre bem a tua boca, e ta encherei."

O homem seguinte na fila parecia perplexo, mas Jorge estendeu-lhe a mão, e, radiante, cumprimentou o seguinte.
Mas uma coisa obscurecia a brilhante maravilha de tudo aquilo. Era Mary. Ela mostrava-se indecisa. Duvidava, era pessimista. Ela também estava zangada:
- Não deite esse envelope no chão limpo da minha cozinha - disse asperamente a Jorge na manhã seguinte à reunião pública. Mas, lendo a carta, dificilmente ele ouvia.
- Isto é importante, Mary. Importante! Apenas anunciei ontem e já...
- As suas crianças sem lar já desejam mudar-se para o novo lar? - gritou ela da despensa, numa fúria de vibrar de pratos. Ele a ignorou. - É uma carta de um marido e esposa, um casal cristão...
- Quem?!
- Ninguém que conhecemos. Vem do interior. Mas ouça: e começou a ler, elevando a voz de modo que fosse ouvida na porta da despensa.
"Propomo-nos para o serviço da projectada Casa de Órfãos, se o senhor nos julgar qualificados para tanto."
A fúria dos pratos diminuiu, depois elevou-se.
- Oh!
- E isso não é tudo. "Também abrimos mão da mobília que o Senhor nos deu. Para uso do seu Lar!" - Mary apareceu na porta da despensa, com as mãos na farinha.
- Toda a mobília deles!
" ... e fazer isso sem receber nenhum salário, crendo que se for da vontade do Senhor empregar-nos, Ele suprirá todas as nossas necessidades."
- Mas eles nem mesmo conhecem você, Jorge!
- Conhecemos o mesmo Cristo. Isso basta.
- Dois ajudantes já. Isso é um sinal. Num dia! - Ela veio e postou-se junto ao fogão, repetindo: "Num dia!"
- Três ajudantes e uma casa cheia de móveis.
- E dez xelins.
- Tão cedo! Você não pediu a ninguém, ou pediu, Jorge?
- A ninguém - disse ele solenemente.
- Deve... Há somente uma coisa em que pensar. Deus deseja que se faça desse modo.

Ele desejava beijá-la, mas em vez disso, disse-lhe:
- Claro que sim! Creia comigo, Mary.
Ela tocou com os dedos a frigideira no fogão.
Por fim, disse:
- Acho que posso.
- Graças a Deus!
- Sim, demos graças a Deus. Aqui mesmo na cozinha.
Ela fechou os olhos, apoiando-se no fogão.
"Deus amado, toma a nossa pequena fé e fá-la forte. Dá-nos aquilo de que necessitamos. Dinheiro, roupas e utensílios de cozinha e... tantas coisas. É o que Te pedimos. Tu podes. Ámen."
Estavam agora eles ali, sorrindo um para o outro.
Jorge sentia-se subitamente grato por ter-se casado com esta inglesa sensível, quando ouviram bater com força na porta dos fundos.

Era um homem que ele nunca tinha visto. Somente a ponta de um nariz vermelho, por causa do vento, e dois olhos lacrimosos apareciam sobre uma pilha de pacotes nos braços.
- É para os seus órfãos - disse uma voz rouca por detrás da pilha.
Os pacotes foram colocados no chão, e o homem retirou-se numa disparada pela rua antes mesmo que Jorge pudesse dizer-lhe uma palavra. Mary estava na porta, atrás dele.
- Bem, abra-os!
Baixando-se ambos no chão da cozinha, romperam facilmente a corda desgastada e rasgaram o papel que envolvia os pacotes. Dentro havia meia dúzia de pacotes cheios de protuberâncias, embrulhadas em papel sujo e amarrotado.
- Pratos de jantar! - exclamou Mary.
- Vinte e oito pratos! Suficientes para...
- Vinte e oito jantares para vinte e oito pessoas.
- E há três grandes travessas de servir.
- Três bacias para lavar. - Mary agarrou o pacote seguinte.
- Um jarro!
Jorge ia puxando os pacotes.
- Canecas. Três saleiros.
- Um ralador. - Mary colocou-o triunfantemente no chão. - E quatro facas.
- E cinco garfos. - Jorge agitou-os no ar. Ali no chão da cozinha, em frente do fogão, os pratos, as travessas, as canecas e os saleiros estavam no velho papel de embrulho.

Sem saberem absolutamente de onde, um estranho tinha trazido à porta deles o que o orfanato iria necessitar. Como é que esse homem, com a voz guinchada, sabia que eles tinham orado naquela manhã pedindo utensílios de cozinha? Jorge estava seguro de que nunca saberia realmente, mas também estava seguro de que ambos, Mary e ele, tinham uma resposta muito boa.
O mês que se seguiu convenceu-o de uma vez por todas.
Naquela mesma semana um empresário de Bristol deu-lhe 50 libras destinadas ao orfanato.
- Cinquenta libras! - exclamou Mary. - Quando nos casámos vivemos um ano com cinquenta libras.

Oraram pedindo roupas para trinta crianças.
Alguém fez um donativo de 20 metros de tecido resistente.

Oraram pedindo mais auxiliares. Uma governanta apresentou-se como voluntária.

Uma semana depois, um negociante de Bristol, que tinha demonstrado considerável irritação com a pregação de Jorge, doou 100 libras para o orfanato.

No final de Janeiro Jorge entrou na cozinha, tomou a torta de carne das mãos de Mary, colocou-a sobre a mesa, e agarrando a esposa pela cintura rodopiou com ela.
- Consegui-a! - disse. - Consegui-a!
- A casa?
- Sim! A casa. Uma monstruosidade da rua Wilson. Uma antiga monstruosidade situada ali, apenas ansiando por ter trinta crianças mudando-se imediatamente para lá e deslizando pelos corrimões e gritando do sótão até à despensa nos fundos, e também escrevendo nas paredes. É uma arca de Noé, mas é tão confortável! Você tem de gostar dela.
- Que tal a cozinha? - perguntou Mary com o seu senso prático.
- Grande. O fogão parece bom. E o forno também. Espere até você ver o forno.
- E é realmente sua?
- Toda minha. E toda pronta para nos mudarmos no dia 1º de Fevereiro. Mary, conseguimos o nosso orfanato! Conseguimos tudo de que necessitamos.
- Excepto as crianças.

Ali estavam ambos, olhando radiantes um para o outro.
- Como é bom o nosso Deus, não é, Mary?
- Ele é bom. Agora, dê-me de volta a minha torta de carne e vamos comê-la.

Do lado de fora, a casa de tijolos da rua Wilson alinhava-se directamente com o passeio, não parecendo diferente das casas vizinhas. As suas seis janelas trabalhadas, de frente para a rua, eram exactamente espaçadas como as janelas da casa vizinha e as da casa ao lado. A rua toda assemelhava-se a uma fila de crianças em uniforme escolar não muito brilhantes. Os degraus, que nada mais eram do que a via para se ir da calçada à porta, decoravam a casa, e degraus idênticos levavam a todas as casas, como num desfile pela rua Wilson. Mas quando abriu a porta da casa nº 6 da rua Wilson, na manhã do 1º de Fevereiro, ele sabia que ela era diferente.
Daquele dia em diante não haveria outra casa como aquela na rua, nem em Bristol, nem em parte alguma de Inglaterra.

Dois dias depois, Jorge assentou-se a uma pequena mesa na sala da frente. As portas da rua Wilson nº 6 estavam agora oficialmente abertas. Qualquer pessoa podia entrar e solicitar abrigo para uma criança sem lar. Era o dia 3 de Fevereiro, anunciado como o dia da inauguração, e, enquanto Jorge dispunha os papéis e os livros para o registo das contas, esperava ver a sala tão apinhada de candidatos que teria de pedir a alguns que esperassem na cozinha. Ele desejava que isso não fosse necessário, porque a cozinha ainda não estava pintada de novo.

Durante meia hora ele esteve ali sentado em devaneios acerca da pintura da cozinha e de um novo arranjo nos móveis dos dormitórios. Depois dirigiu-se à porta da frente e deu uma espreitadela pelo postigo. Uma porta aberta daria um ar mais amistoso, mas era Fevereiro fazia frio. Hesitou, e então voltou para a mesa. Durante uma hora concentrou-se na escritura dos livros, e aí começou a sentir-se inquieto.

Junto à janela ele observava a rua Wilson para cima e para baixo. Uma velha encarangada vinha a arrastar-se. Ela examinou bem a casa com ar de curiosidade. Ele quis bater na janela para indicar que havia alguém ali, mas a mulher já tinha ido.
Quando ela fez parar um homem bem vestido que vinha pela rua, Jorge percebeu que se tratava de uma mendiga. O homem passou directo.
Agora ele estava com fome. Era quase meio-dia. Na cozinha não havia nada que comer. Ele estava emocionado demais para lembrar-se de alimento... Sem objectivo, pegou a pena e começou a somar colunas de números. Era tudo silêncio, excepto pelo estalar das velhas vigas no frio e pelo arranhar da sua pena.
Foi até à janela de novo. Lá fora, as casas cinzentas enfileiravam-se pela rua cinzenta, à semelhança de muitas crianças que se esqueciam de lavar o rosto. Uns poucos flocos de neve batiam contra a janela, e as pessoas que tinham estado na rua foram-se todas embora.
Então ele teve de admitir a terrível verdade.
Ninguém vinha. Nem as autoridades locais. Nem tias e tios agradecidos. Nem crianças tristonhas, tremendo de frio. Ninguém, absolutamente ninguém. Ninguém vinha.

Parecia-lhe ouvir a mulher do padeiro e as suas amigas a dizer-lhe: "Não lhe dissemos? Isso não prova as nossas advertências? Bristol ainda não está preparada para um orfanato moderno."
Ele observou os corrimões na sala da frente.
"Não sei. Simplesmente, não sei", disse em voz audível. Mas ninguém abriu a porta da frente para dar-lhe resposta.

(Capítulo 11)
...

Dentro de um mês havia 42 solicitações no arquivo. E na Primavera, em Maio de 1836, o orfanato da rua Wilson nº 6 foi oficialmente aberto. As crianças, as cozinheiras e a governanta mudaram-se para lá. Agora Jorge e Mary tinham sob a sua responsabilidade 43 crianças contando com a filha, Lídia, de 4 anos. E logo tomaram conhecimento de tantas criancinhas que necessitavam desesperadamente de um lar, que Jorge alugou a 2ª casa na rua Wilson.
No fim do ano ele abriu o 2º orfanato. E depois de nove meses alugou a 3ª casa na mesma rua, e antes que tivesse tempo para dar uma mão de tinta nas salas, ou limpar as janelas, já mais 30 meninos órfãos das favelas de Bristol estavam escorregando pelos corrimões.

Decorreu um ano e meio. Jorge cumpriu a palavra: nunca falou sobre dinheiro em público. Recusou-se a pedir donativos a quem quer que fosse. Mas o povo de Bristol contribuía com regularidade e generosidade para os 3 lares. Havia mais do que o suficiente para pagar as contas de alimentação, salários do pessoal, roupa e livros escolares.


Mas dois anos depois de inaugurado o 1º lar, no dia 18 de Agosto de 1838, Jorge viu-se forçado a registar no seu diário: "Não tenho em mãos uma moedinha sequer para os órfãos! Dentro de um dia ou dois vou precisar de muitas libras!" ...
Naquele dia ele pleiteou com Deus: "Deus, o Lar das Crianças precisa de 10 libras hoje. Já lhes dei tudo o que há na tesouraria, mas eram apenas 5 libras. Elas precisam de mais 5 libras, e precisam delas hoje. Deus, confio em Ti para de qualquer modo suprir essa quantia."
A mulher que entrou agitada em sua casa na rua Paulo, um pouco mais tarde, usava um vestido de seda que farfalhava sob o manto, e Jorge aspirou o perfume quando ela se sentou no seu gabinete. Ela enfiou na bolsa uma pequena mão enluvada, suspirando em tom de confidência:
- Assim, quando Deus me disse que não usasse mais essas jóias vistosas, irmão Müller, Ele me disse algo mais, também. Que me livrasse delas!
Um punhadinho de moedas retiniu sobre a escrivaninha.
E dar o dinheiro a alguém. Pensei nos órfãos. Eu tencionava vendê-las, mas isso poderia demorar algumas semanas, por isso achei que deveria vir aqui hoje com o dinheiro que elas valem.
Os olhos dele separavam as moedas enquanto a mulher falava.
- Realmente, receio que essas jóias vistosas não valham muito. As moedas não significam grande coisa.
- Cinco libras - interrompeu Jorge.
- Cinco libras e uns xelins. Deus não lhe dá muito por meu intermédio, mas...
- Não muito. O suficiente!
- Apenas cinco libras.
- Mais do que cinco libras. Ele dá a resposta exacta à oração. Exacta até à última libra!
...

Jorge Müller - Faith Coxe Bailey - Editora VIDA, 1988, tradução de Hagar A. Caruso

LOUVOR A DEUS

Como são grandes as riquezas de Deus!
Como são profundos o Seu conhecimento
e a Sua sabedoria!

Quem pode explicar as Suas decisões?
Quem pode entender os Seus planos?

Como dizem as Escrituras Sagradas:
"Quem pode conhecer a mente do Senhor?
Quem é capaz de Lhe dar conselhos?

Quem já deu alguma coisa a Deus
para receber d'Ele algum pagamento?"

Pois todas as coisas foram criadas por Ele,
e tudo existe por meio d'Ele e para Ele.

Glória a Deus para sempre! Ámen.


Romanos 11:33-36


Leia mais em - MEDITAÇÃO PARA A SAÚDE - 19.03.2012 - Links 1R

quinta-feira, 8 de março de 2012

APENAS UMA PEQUENA MULHER


OS MILHÕES DE CHINESES  (Início do 1º Capítulo)

A maior ambição da minha vida era trabalhar no palco. Embora tivesse pouquíssima formação eu sabia falar e gostava muito de representar.
Cresci num lar cristão e frequentei a igreja e a escola dominical quando criança, mas, ao ir ficando mais velha, tornei-me impaciente com tudo o que dissesse respeito à religião.
Naquela época, a maioria das moças das classes trabalhadoras empregavam-se como 'domésticas', por haver poucas oportunidades de outro tipo de trabalho para elas. Assim, tornei-me uma empregada, mas, de noite, fazia um curso de artes dramáticas pois estava decidida a economizar e, por bem ou por mal, chegar até à 'ribalta'.

Certa noite, porém, por motivo que jamais consegui explicar, fui a uma reunião religiosa. Ali, pela primeira vez, percebi que Deus tinha direito à minha vida, e aceitei a Jesus Cristo como Salvador. Tornei-me membro da Campanha Vida Jovem, e, numa revista dessa entidade, li um artigo sobre a China que me impressionou tremendamente. Saber que milhões de chineses nunca tinham ouvido falar de Jesus Cristo foi para mim uma descoberta assombrosa, e achei que certamente tínhamos a obrigação de fazer algo a esse respeito.
Primeiro, fui procurar os meus amigos cristãos e falar com eles sobre o assunto, mas ninguém pareceu demonstrar muito interesse. Depois tentei falar com o meu irmão. Tinha a certeza de que, se eu o ajudasse, ele iria para a China com prazer!
- Eu não! - disse ele, sem hesitar. - Isso é serviço para solteironas. Por que não vai você?
Serviço para solteironas, essa é boa! pensei com raiva. Mas a estocada tinha atingido o lugar certo. Por que deveria tentar empurrar outras pessoas para a China? Por que não ir eu mesma?

Comecei a pesquisar como poderia preparar-me para ir para um país a milhares de quilómetros de distância, do qual quase nada sabia, a não ser que precisava de gente que falasse do amor de Deus. Disseram-me que eu devia apresentar-me a uma certa sociedade missionária, e acabei frequentando a Escola dessa sociedade por três meses.
No fim desse período, a comissão chegou à conclusão de que as minhas qualificações eram muito escassas, a minha instrução muito limitada. A língua chinesa, segundo eles, seria difícil demais para eu aprender.
Saí da entrevista em silêncio, todos os meus planos em ruínas. Revendo agora aquela cena, não posso culpá-los. Sei, melhor do que ninguém, quão idiota devo ter parecido. O ter aprendido não só a falar, mas também a ler e a escrever o chinês como uma pessoa nativa, em anos posteriores, é para mim um dos grandes milagres de Deus.
...
O Sr. Xan (14º capítulo)

Após deixar o mosteiro, não tive outro recurso a não ser voltar. O Dr. Huang disse que a viagem levava 5 dias. Já fazia 17 que partíramos, e ele tinha esposa e filhos em casa. Eu não podia continuar sozinha por bandas tão inóspitas e desabitadas. Assim, voltámos a Tsin Tsui, dando testemunho a todos os que encontrávamos pela estrada. De Tsin Tsui, fui a Fenghsien para contar aos estudantes a forma maravilhosa mediante a qual Deus tinha respondido às suas orações.

Algum tempo depois, vi-me obrigada a ir a uma certa cidade totalmente desconhecida. Tudo o que eu possuía era um vestido esfarrapado que me tinham dado, e sentia-me absolutamente desapontada e perplexa. Por que Deus me enviara a esta cidade estranha, sem dinheiro algum? Era uma cidade enorme, cheia de estudantes. O que havia ali para mim?
Fui recebida por um médico chinês e sua esposa. Eles trataram-me com muita bondade. Um dia, sentada numa poltrona da casa deles, percebi que dois homens atrás de mim falavam de um certo lugar na cidade onde havia gente que jamais ouvira falar de Jesus Cristo. Esquecendo-me completamente das boas maneiras, interrompi-os abruptamente:

- Senhores, por certo estão enganados. Há igrejas por toda a cidade; há reuniões por toda a parte; há centenas de cristãos.
- Senhora, deve ser de fora, não?
- Faz dois dias que cheguei.
- Estávamos a falar da cadeia.
- Existe uma cadeia aqui?
- Ora, temos aqui a segunda maior prisão da China e ninguém jamais a visitou para falar àqueles pobres desgraçados de Jesus Cristo.

Conversei mais um pouco com eles, mas não fiquei particularmente perturbada. Afinal de contas, o trabalho das prisões nada tinha a ver comigo. Eu sempre pregara nos vilarejos e cidadezinhas - esse era o meu trabalho.
Mas não consegui ficar em paz. Deus me dizia, de forma muito clara, que, gostasse ou não, eu era responsável por aqueles presos. Cristo morrera pela alma de cada um deles, e eu viera à China para proclamar esse evangelho aonde quer que Deus me conduzisse.

No final da semana, tive uma entrevista com o governador. A sua maneira foi extremamente bem-educada, mas a sua atitude tão condescendente deixou-me muito nervosa.
- Em que posso servi-la, senhora? - perguntou, olhando friamente para mim.
- O senhor permitiria que eu fosse à prisão para falar de Jesus Cristo aos prisioneiros?
- A senhora deseja entrar na prisão?
- Sim.
- E o que pretende fazer se eu lhe permitir falar aos homens?
- Pretendo mudar a prisão!
- Senhora, já vai para 5 anos que sou governador, e não consegui a mínima mudança.
- Mas eu tenho a Jesus Cristo. É Ele quem pode produzir a mudança.

Deram-me um passe e fui escoltada até ao grande pátio interior. Os guardas fizeram entrar fileiras e mais fileiras de homens sujos, degradados, cujos rostos reflectiam crueldade. Uns gritavam, outros riam e outros ainda gracejavam.
Eu era tão baixa que precisei de subir num pequeno monte de terra. Falei-lhes, contei-lhes histórias. Dia após dia eu me colocava em pé perante os presos, com o coração batendo violentamente, mas a consciência da necessidade terrível e desesperada daqueles homens incitava-me a prosseguir.

Orava por eles durante horas, noite após noite. Frequentemente, quando devia estar a dormir, saía pelas encostas das montanhas acompanhada de um cristão leproso. Andávamos e orávamos, não tendo coragem de parar porque ele era 'impuro' de corpo, mas tão verdadeiramente puro de coração.
Além de ir à prisão, eu visitava o leprosário, e acredito que foram as orações dos leprosos crentes que me deram forças naquelas primeiras terríveis semanas.
Afinal, um prisioneiro converteu-se, depois outro, até que cinco vinham tomar os seus lugares ao meu lado e testemunhar da mudança que Deus tinha operado nas suas vidas. Essas conversões foram algo maravilhoso, mas a prisão certamente não tinha sido mudada, e milhares ainda zombavam da Palavra de Deus.


Certo dia, eu terminara de falar e ia sair magoada, cansada e desesperada. Queria ver-me longe daquele incrível mau cheiro de humanidade imunda, quando o portão se abriu e quatro homens foram arrastados para dentro. Estavam acorrentados uns aos outros e foram atirados com violência para o chão. Os guardas, com as armas em punho, se colocaram em cima deles.
O meu primeiro pensamento foi: Saia daqui o mais rápido que puder.
Apressava-me para a saída quando ouvi alguém dizer: "Gladys Aylward, morri por eles tanto quanto por você."
Fui até junto a um dos guardas e perguntei: "Posso falar com esses homens?"
Brusca e rudemente, ele recusou o meu pedido.
Andei devagar em volta do pátio, orando, e pedi novamente.
Desta vez, a resposta foi um palavrão, e um grito:
"Ponham essa peste de mulher lá fora!" O guarda do portão levou-me para fora.

Alguns dias mais tarde fiquei a saber que os quatro presos eram assassinos. Três já estavam mortos; apenas um, o Sr. Xan, ainda vivia. O Sr. Xan era jovem, de boa aparência, não arrogante, mas percebia nele um quê de pura maldade. Ele olhou para mim de uma forma horrivelmente ofensiva, e disse coisas que não posso repetir. Senti intensa repulsa, mas orei por ele e levei os meus amigos a orar também. Um certo dia, tentando falar com ele, o Sr Xan soltou uma praga, e, voltando-se, cuspiu-me no rosto. Cheguei quase a odiá-lo.

Passaram-se os meses, e eu consegui a ajuda de outras pessoas. Alguns prisioneiros se converteram e tínhamos um grupo de quarenta, preparando-se para o baptismo. Mas, ainda assim, a bênção não tinha varrido a prisão mudando-a de forma visível.
Do leprosário, porém, subiam orações incessantes.

Um certo dia, ao terminar de falar, os homens dispuseram-se em filas para voltar às celas. Tinham sempre de ir em marcha acelerada, e não podiam falar enquanto se moviam.
Em pé, fiquei a vê-los passar com o meu coração sentindo compaixão deles. A essa altura, já conhecia a maioria deles. Sabia por que estavam na cadeia e, embora não tivesse permissão para falar, eu podia sorrir e acenar com a cabeça.
No fim da fila, vi o homem que eu tanto detestava, o Sr. Xan, o homem que parecia ter o coração mais duro do que os próprios muros da prisão.

Com muita clareza, disse-me uma voz:
- Fale com aquele homem!
- Oh, não - repliquei. - Ele detesta-me! Chegou a cuspir em mim. Além disso, a lei declara que não devo falar com ele enquanto a fila está em movimento.
- Mesmo assim, você precisa de falar com ele.

O que fazer? Comecei a suar frio. Ele estava quase a chegar aonde eu me encontrava. Na minha agitação, inclinei-me para a frente e encostei a mão no ombro dele, enquanto dizia apressadamente:
"Oh, Sr. Xan, o senhor deve ser muito infeliz!"
Que coisa mais tola para dizer, pensei imediatamente.
Com uma horrível maldição, ele se livrou da minha mão.
- O que é que a senhora tem que ver com isso?
- É porque eu sou tão feliz!
- É claro que é. A porta não se abre para si todas as vezes que deseja sair?
- Ah, não é por isso, não. É porque Jesus Cristo morreu por mim.

O Sr. Xan continuou a marcha. Caindo em mim, percebi o terrível deslize que cometera. Um dos princípios chineses mais importantes é que mulher alguma jamais deve tocar num homem em público.
Deixei a prisão deprimida e envergonhada. Diante daqueles homens, eu tinha-me maculado. E com um homem como ele!

O Sr. Xan seguiu a fila e sentou-se numa pedra num pátio interior com a cabeça entre as mãos. Alguns momentos mais tarde, Dhu Cor, o primeiro preso convertido, viu-o ali sentado.
- Está a sentir-se mal? - perguntou, olhando-o atentamente.
- Você viu o que ela fez?
- O quê?
- Ela tocou-me!
- Não. É mentira!
- Não é mentira. Ela pôs a mão no meu ombro.
- Não posso acreditar.
Um outro preso, que estivera a ouvir, entrou na conversa:
- O que ele está a dizer é verdade. Ela realmente tocou nele.
- Ela me tocou como se gostasse de mim! - disse o Sr. Xan ofegante.
- Talvez ela realmente o ame - respondeu Dhu Cor.
- O quê, uma mulher pura como ela amar-me, um assassino, que a amaldiçoou e cuspiu nela?!
- Sim, creio que ela pode amar você porque acredita que Deus o ama, não importa o que tenha feito.

O Sr. Xan converteu-se, não como resultado de um grande sermão, mas por que, muitos anos atrás em Londres, Deus tomou uma moça e pediu-lhe que lhe dedicasse as mãos, os pés - o corpo inteiro - para serem usados no Seu trabalho. E, naquele dia, Deus tocou o Sr. Xan através daquele pobre instrumento humano.

A conversão do Sr. Xan deu início a um verdadeiro reavivamento naquela prisão. Os homens passavam horas ouvindo a Palavra de Deus; passavam horas de joelhos; e foram precisos três dias para baptizar a todos.
Testemunhos, especialmente o do Sr. Xan, apareceram no boletim da prisão. Não se passou muito tempo para eu começar a receber convites de outras prisões.
O próprio governador, convencido pela transformação dos criminosos mais endurecidos, converteu-se e proclamou em termos bem claros que o que ele fora incapaz da fazer em cinco anos, o poder do glorioso evangelho da salvação conseguiu em um.


Extractos do livro Apenas Uma Pequena Mulher, biografia de Gladys Aylward, Editora Vida, adaptado para o cinema sob o título - A Pousada da Sexta Felicidade - "Um filme baseado na história verdadeira de Gladys Aylward, cuja paixão irredutível por fazer o bem a levou a percorrer o mundo... Drama baseado na verdadeira história de Gladys Aylward, mulher que dedicou a sua vida a fazer o bem pelos outros.

A inglesa Gladys (Ingrid Bergman) tinha o sonho de se tornar missionária. Trabalhava como empregada quando viajou para a China e abriu uma pensão. Levou algum tempo até vencer a hostilidade dos habitantes locais, chegando a ganhar o amor de um coronel (Curt Jurgens) e a converter um poderoso mandarim (Robert Donat) ao cristianismo. O seu grande feito acontece quando, durante a invasão japonesa da China, ela consegue levar uma centena de crianças sem lar para um local seguro atravessando território dominado pelo inimigo.
Adaptado do best-seller The Small Woman, de Alan Burgess, foi indicado para o Óscar de melhor realizador.
(A minha opinião é que o livro é melhor do que o filme... E.E.)


Envolva-se nesta vibrante música - VOU TESTEMUNHAR DO AMOR - Links 5M

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PORQUÊ O SOFRIMENTO?



Há não muito tempo, uma jovem estudante numa grande universidade, foi encontrada morta sob uma árvore no prado da escola. Ao seu lado, estava uma garrafa e o livro E Tudo O Vento Levou. Dentro do livro havia uma nota que dizia:
"Sinto ter tido de fazê-lo, mas não posso mais enfrentar a vida. Quando cheguei à universidade tinha fé em Deus e era feliz. Mas a universidade roubou-me a fé, e não mais posso enfrentar a vida com as suas perguntas não respondidas, suas perplexidades e incertezas. Quando me acharem, notifiquem aos meus pais e digam-lhes que sinto ter-lhes causado ainda esta dor. Que me enterrem no cemitério debaixo dos pinheiros, cuja graça e beleza tantas vezes admirei, mas nunca pude alcançar."

O suicídio desta jovem reflecte o desespero de milhares de corações que enfrentam as perplexidades da vida sem a luz da fé. Entre essas perplexidades, nenhuma é maior do que a dura realidade do sofrimento e da morte, que lançam um véu de desolação sobre a existência humana.

A realidade do sofrimento, apesar de tudo o que se tem dito, constitui o mais sério problema com que a religião se defronta. Que o digam aqueles que experimentaram a angústia de perder um ente querido num acidente, ou vítima de uma doença inelutável. E nada torna o sofrimento tão confrangedor como a ausência de esperança, a bendita esperança de que os laços afectivos rompidos pela morte serão refeitos um dia pelo Doador da Vida.


A ORIGEM DO SOFRIMENTO


A religião cristã retém o seu perene atractivo porque elucida, como nenhuma outra, a razão de ser do sofrimento.

Para a realidade universal do sofrimento e da morte, a explicação bíblica é - o escândalo do pecado. Não tivesse o pecado quebrado a harmonia do Universo, não haveria sofrimento. Em apoio desta afirmação, poderiam ser citados inúmeros textos bíblicos. Traduzindo o seu ensino em linguagem moderna, poder-se-ia qualificar o pecado como a quebra unilateral das relações entre o homem e o seu Criador. Movido pelo orgulho, ou pela dúvida, ou por ambos, o homem insurgiu-se contra as leis do seu ser. Nenhuma razão ou causa pode ser aduzida para essa rebelião. Se causa houvesse, o pecado estaria justificado.

O pecado originou-se:
não em alguma deficiência da graça divina,
mas na escolha deliberada do próprio homem.

Ao dizê-lo tocamos - no mistério do livre arbítrio,
da incompreensível capacidade do homem tomar iniciativa,
agir como uma personalidade independente.
É esta faculdade de pensar e decidir, que confere ao homem
a sua dignidade como um ser criado à "imagem de Deus."


O facto de o homem dotado de livre arbítrio ter usado a sua liberdade ruinosamente, desafia qualquer explicação. A Bíblia alivia a tensão deste mistério, sem de todo removê-la, atribuindo a origem do pecado a um ser dotado de faculdades mais elevadas do que o próprio homem, a saber, um anjo que se deixou cegar pelo deslumbramento da sua própria perfeição. A origem do pecado assume, deste modo, proporções titânicas, mas não infinitas. Um anjo, embora notável em sabedoria e poder, é uma criatura, e, portanto, finito. O livro do Génesis descreve a queda do homem como o resultado de uma tentação satânica. Se o homem entreteve dúvidas e escolheu um curso de acção contrário à vontade divina fê-lo não por iniciativa inteiramente sua, mas, por assim dizer, sob provocação. Nem por isto foi ele isento de responsabilidade, nem das consequências funestas do pecado. Era possível ao homem não ter pecado. Logo, se pecou voluntariamente, não pode reclamar isenção das consequências de uma decisão sua, porque na linguagem do apóstolo Paulo, não lhe sobreveio tentação "que não fosse humana."1 Por outras palavras, não havia compulsão irresistível na tentação.

Esta é, em suma, a origem do pecado, segundo as Escrituras. Compreender a gravidade do pecado é dar o passo mais importante na compreensão do problema do sofrimento. Longe de ser a violação de uma lei arbitrária, que podia ser abolida por um fiat (faça-se) divino, o pecado é uma quebra das condições sob as quais o homem poderia gozar a vida abundante que o Criador lhe destinara. A vontade de Deus é essencialmente benéfica, e obedecer-Lhe, é colocar-se em posição de desfrutar vida, saúde, plenitude, enfim, as bênçãos que uma Providência bondosa reservou para o homem. Logo, dizer que o pecado é a causa do sofrimento, é enunciar a simples verdade de que o pecador, rompendo com Deus, violou a condição básica de uma existência feliz.


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A - Tendo dito isto, porém, apressamo-nos a acrescentar que a fé cristã não nos assegura uma explicação fácil de cada caso de sofrimento individual. Não podemos, como queriam os amigos de Jó, explicar todo o sofrimento em termos de pecado cometido pela vítima. Esta formulação simplista exigiria que a intensidade dos padecimentos de Jó fosse equacionada com a enormidade do seu pecado. Jó protestava a sua inocência, mas para os seus amigos não havia outra explicação para os seus padecimentos senão os seus próprios pecados.

A verdade é que muitas vezes o nosso sofrimento é o resultado directo da violação das leis divinas que regem a existência. Deste ponto de vista é que o apóstolo Paulo escreveu certa vez: "Deus não Se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear isso também ceifará."2 Se quebrarmos as leis da saúde, ficaremos presos às consequências sob a forma de uma ou outra doença. O fumador inveterado não se pode queixar perante o tribunal divino, se o cancro do pulmão lhe abreviar os seus dias, nem o bebedor assíduo, se os rins lhe falharem. Muitas das mazelas que atormentam o homem, são sem dúvida, o fruto de maus hábitos de estilo de vida ou, pior ainda, da transgressão deliberada das leis morais. Não pode o homem reclamar imunidade se se lançar de uma ponte, em desafio à lei da gravidade; tãopouco se infringir displicentemente os preceitos morais gravados sobre a sua consciência. Nos exemplos acima, o sofrimento é o salário que o pecado paga, quer o transgressor queira aceitá-lo ou não.


B - Válida em grande número de exemplos, a explicação acima deixa a descoberto muitos casos de sofrimento. Não explica necessariamente o sofrimento que experimentamos quando a dor atinge um filho, um parente ou um amigo. Laços de simpatia nos ligam de algum modo a todo o ser humano. Nenhuma tragédia ocorre que não nos atinja em certa medida. É o sentimento de solidariedade humana. Como nosso Pai, que nos ama a todos, nem mesmo Deus contempla impassível o sofrimento. Nenhuma lágrima é derramada que não afecte o coração divino. Jesus chorou junto da sepultura de Lázaro. Chorou também ao contemplar do alto do Olivete a cidade de Jerusalém imersa na sua indiferença para com o seu destino eterno. Referindo-se ao sofrimento de Deus por Israel, declarou o profeta Isaías: "Em toda a angústia deles foi Ele angustiado."3
No mesmo diapasão se expressa Abbé Gratry: Cristo "sofreu desde o início em todos os que sofreram. Ele sofreu fome com todos as famintos. Foi imolado com todos os que ofereceram a sua vida. Ele é o Cordeiro morto desde a fundação do mundo."4
Nem mesmo no Céu haverá perfeita alegria, enquanto não for enxuta "dos olhos toda a lágrima", enquanto não raiar o dia em que não haverá mais "luto, nem pranto, nem dor."
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C - Chorar por solidariedade com o sofrimento alheio é partilhar com o Céu a dor desencadeada pela tragédia do pecado. Mas a própria solidariedade universal no sofrimento é o penhor da sua erradicação final por um Deus de amor.

Nos inescrutáveis desígnios de Deus, o sofrimento é transfigurado num instrumento de redenção. Desta verdade sublime, a cruz é a perene lembrança. Aprouve a Deus transformar a cruz, que era um símbolo de dor e ignomínia, num símbolo de triunfo sobre o pecado e a morte. O escândalo da cruz, o escândalo de que o inocente pudesse sofrer sem causa aparente, foi, com a morte do Filho de Deus, para sempre abolido. Podemos hoje compreender, como não era possível antes do Gólgota, que o inocente, pelo seu sofrimento, pudesse contribuir para a redenção dos culpados.
Se, num sentido, só a eternidade há-de revelar que nenhum inocente sofreu em vão, noutro sentido, a força desta verdade, mesmo hoje, é impressa sobre a nossa consciência. No campo da pesquisa médica, muitos aceitaram o sofrimento e mesmo a morte, para que outros pudessem viver. Quando Osvaldo Cruz verificou na sua própria carne o efeito da picada do mosquito portador da febre amarela, deu um admirável exemplo de sacrifício próprio para o bem da humanidade. De igual modo, muitos dos pioneiros da radiologia expuseram-se a doses fatais de raios X no intuito de trazer cura aos seus semelhantes. Os anais da medicina estão repletos de exemplos de abnegação, esta abnegação que se sacrifica pelo bem de outros. Igualmente, nos livros do Céu estão registados os nomes daqueles que padeceram como mártires no serviço de Cristo.
Não, nem todo o sofrimento encontra a sua explicação nas faltas do próprio indivíduo. Há o que podemos chamar a solidariedade no sofrimento, e há o sofrimento que redime, como o de Cristo sobre a cruz.


D - Falemos ainda do sofrimento que disciplina.
A vida é como uma escola. Mas diferentemente de muitas escolas modernas é uma escola onde reina a disciplina. Deus actua como nosso Mestre. Com uma diferença, porém: enquanto outros mestres, por vezes, aplicam disciplina movidos pela ira ou impaciência, Deus disciplina-nos com amor. Lemos esta tocante passagem na carta enviada à igreja de Laodicéia: "Eu repreendo e disciplino a todos quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te."6 É ridículo, pois, interpretar todo o sofrimento como castigo. Pode muito bem ser evidência de que Deus nos esteja disciplinando para proveito nosso, "a fim de sermos participantes da Sua santidade."7

Discorrendo sobre o papel da disciplina na vida cristã, o autor da carta aos Hebreus afirma: "O Senhor corrige a quem ama, e acoita a todo o filho a quem recebe ... pois, que filho há a quem o pai não corrija?"8 À luz desta passagem, o sofrimento pode ser visto como o buril com que o nosso Pai celeste remove as arestas do nosso carácter e restaura a Sua imagem na nossa alma. Bendito o sofrimento que é experimentado num espírito de submissão à acção disciplinadora de Deus!
Outra ilustração que as Escrituras usam para elucidar a razão do sofrimento é a da poda. Árvores frutíferas são podadas regularmente com o fim de produzirem a sua plena capacidade. Nas mãos de um perito, a poda visa não destruir, mas corrigir defeitos e aumentar a produtividade. Com singeleza, Cristo ilustra esta sublime verdade: "Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em Mim, não der fruto, Ele o corta; e todo o que der fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda."9 É justamente o ramo produtivo que é limpo de brotos inúteis que poderiam dissipar a sua vitalidade. Corre todo o discípulo o perigo de pensar que não há maiores alturas a galgar na senda da virtude, nem mais vícios a vencer. Satisfazendo-se com o presente, age na vida espiritual como o rebento que rouba a seiva de um galho frutífero. O sofrimento é, em muitos casos, a maneira divina de estimular o nosso crescimento espiritual. A ausência de crescimento prenuncia a morte.


E - Há ocasiões em que o sofrimento é melhor interpretado como um convite de Deus para nos chegarmos a Ele. Professamos crer em Deus; pretendemos amá-Lo, mas imperceptivelmente estamo-nos enamorando das glórias e vaidades deste mundo. Sem que o percebamos, talvez, o nosso coração esteja dividido, entre o nosso apego ansioso ao presente e o nosso amor a Deus. É o caso do moço rico que correu até ao Mestre para perguntar: "Que farei para herdar a vida eterna?" A sua sinceridade foi posta à prova, quando Jesus lhe disse: "Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no Céu; então vem e segue-Me." O evangelista Marcos apresenta significativamente: "Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades."10

Um casal abastado orgulhava-se da sua filha única e da sua bela casa, mas o pai e a mãe eram egoístas, vivendo apenas para os prazeres desta vida, de todo indiferentes às misérias do mundo em derredor. Inesperadamente, a tragédia invadiu-lhes o lar, sendo a filha do seu coração levada pela morte. Desolados, os pais recusavam o conforto de amigos. Fizeram uma viagem à Suiça, e buscaram consolo na solidão de um chalé, na montanha. Sentados na varanda, um dia, viram um pastor a tentar guiar o seu rebanho através de um riacho, mas as ovelhas teimosas recusavam-se a obedecer. Finalmente, o pastor tomou um cordeiro no colo e levou-o para o outro lado da corrente. Sem demora, a ovelha-mãe seguiu-o e, logo, todo o rebanho. De súbito, o pai desolado exclamou: "Ó, minha querida, o Pastor levou a nossa cordeirinha para que nós O seguíssemos." Sim, o sofrimento bem pode ser um convite do nosso Pai celeste para que o sigamos mais de perto.


Seria presunção nossa ir além das sugestões acima, para elucidar o porquê do sofrimento. O suficiente, porém, foi dito para nos convencer de que, nas circunstâncias actuais de um mundo em revolta contra a ordem moral do Universo, o sofrimento não só é inevitável, como também salutar. Enquanto perdurar a tragédia do pecado, o sofrimento continuará sendo uma experiência universal, lembrando ao homem que algo está profundamente errado na sua relação para com Deus. Assim como a dor é um sintoma de uma desordem na vida física, o sofrimento é um sintoma de uma desordem na vida moral. Abolir o sofrimento sem extinguir o pecado seria tão funesto como abolir a dor física sem corrigir a doença, da qual ela é uma manifestação. Há quem busque nos barbitúricos um escape para o sofrimento moral que os atormenta. Com isto, tão-somente agravam a desordem na sua vida psíquica. Quão mais acertado seria procurar compreender a razão do sofrimento à luz dos ensinamentos de Cristo! Para muitos o sofrimento foi a porta que os levou a uma comunhão mais perfeita com Deus.
É instrutivo lembrar que Jesus gastou mais tempo aliviando o sofrimento humano do que esclarecendo os Seus ouvintes sobre a razão de ser do sofrimento. Há nisto certamente uma lição preciosa. Foge-nos a capacidade de esgotar mistério tão profundo. É, porém, nosso privilégio associarmo-nos com os Céus na tarefa ingente de aliviar o sofrimento ao nosso redor. Minorando a dor alheia descobriremos agradecidos que a nossa cruz se torna menos pesada. Reflectindo morbidamente sobre os nossos males reais ou imaginários, vê-los-emos ampliarem-se como num microscópio. Focalizando, ao contrário, a nossa atenção sobre o sofrimento do nosso próximo, movidos pelo desejo de ajudá-lo, verificaremos surpresos a nossa dor desvanecer-se.


Duas objecções precisam de ser respondidas antes de concluirmos este capítulo:

A primeira é: Se todos sofrem, que vantagem tem o que serve a Deus sobre aquele que não O serve?
A esta objecção respondemos que uma vez que o sofrimento não é necessariamente castigo por pecado individual, mas pode ter uma finalidade disciplinar, ou pode mesmo ser um instrumento de redenção de terceiros, então o espectáculo do justo sofredor deixa de ser um tropeço. Há um provérbio chinês que reza: "Não se faz escultura em pau podre." Se continuamos na oficina do sofrimento, é porque o grande Artista vê em nós material precioso e digno da eternidade. O sofrimento pode bem ser evidência de que Deus ainda esteja esculpindo o Seu carácter na nossa alma.
Há, porém, outro aspecto desta questão. Quem serve a Deus, sofre com esperança; aquele que não O serve, sofre em desespero. A esperança faz toda a diferença neste mundo. Ela doura a nuvem do sofrimento com a luz da eternidade. Pela esperança, o indivíduo ancora-se ao próprio trono do Universo.

A segunda objecção é a seguinte: Se Deus é um Deus de amor como os cristãos afirmam, por que permite ainda o sofrimento numa escala tão colossal? Não poderia o Omnipotente exercer a Sua vontade benévola e extinguir o sofrimento da face da Terra? Em resposta, diríamos que isto é precisamente o que as Escrituras afirmam que Ele fará um dia, quando "lhes enxugará dos olhos toda a lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram."11
Não foi com Deus que o sofrimento se originou. Este, originou-se com criaturas que se insurgiram contra a vontade divina e violaram as condições básicas de uma vida harmoniosa e feliz. O sofrimento cessará quando a Terra for reintegrada na harmonia universal, quando o homem voltar, como o filho pródigo, ao lar paterno. Persistentemente, o convite tem sido enviado ao filho rebelde: "Deixe o ímpio o seu caminho ... converta-se ao Senhor, que Se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar."12 Todas as coisas são possíveis a Deus, excepto obrigar o pecador a aceitar o perdão, a reconciliar-se com o seu Criador. Neste conflito moral, Deus jamais privará o homem da liberdade de escolha. O reinado do pecado não poderá terminar por um decreto divino, sob pena de reduzir as criaturas humanas a meros autómatos. Mas uma coisa Deus fará: limitará o tempo em que o drama do pecado se desenrolará no teatro deste mundo. Quando esta hora predeterminada no conselho divino soar, então, e só então, esta Terra será purificada de todo o vestígio do pecado e do sofrimento. Até essa hora aprazada, o sofrimento continuará a lembrar o homem da dolorosa realidade do pecado, cujo fruto é invariavelmente amargo.


Um antigo rei saxónico marchou com o seu exército para esmagar uma rebelião numa distante província do seu reino. Derrotados os rebeldes e restaurada a ordem, o rei colocou uma enorme vela no portão do seu castelo. Acendendo a vela, mandou o seu arauto anunciar que todos os que se submetessem e fizessem o juramento de lealdade enquanto a vela ardia, seriam perdoados. O rei ofereceu-lhes clemência, mas o oferecimento limitava-se à duração da vela. De igual modo, a clemência divina é ainda oferecida ao pecador, mas não indefinidamente. Mais cedo ou mais tarde soará para cada qual a hora que fixará de modo irrevogável o seu destino final.

1. Coríntios 10:13.
2. Gálatas 6:7.
3. Isaías 63:9.
4. La Morale et la Loi de l'Histoire, pags. 165, 166.
5. Apocalipse 21:4.
6. Apocalipse 3:19.
7. Hebreus 12:10.
8. Hebreus 12:6, 7.
9. S. João 15:1, 2.
10. S. Marcos 10:22.
11. Apocalipse 21:4.
12. Isaías 55:7.


Júlio Schwantes in O Despontar De Uma Nova Era, Casa Publicadora Brasileira, 1984.
"O Dr. Schwantes era bacharel em Física e Química, mestre em Teologia e doutor em Antropologia Vétero-Testamentária pela Johns Hopkins University. Escreveu vários livros, entre eles Colunas do Caráter, O Despontar de Uma Nova Era e o devocional Mais Perto de Deus." Prof. David Ben Schwantes in Criacionismo - http://www.criacionismo.com.br/2008/06/o-mestre-schwantes-descansa.html

sábado, 11 de fevereiro de 2012

CANCRO - ATÉ QUANDO?




Quem é que, nos dias actuais, não pensa logo nalguma doença grave quando sente algo estranho no seu organismo? O número de casos de cancro tem aumentado em todos os lugares. Somente no Brasil, estima-se que deverão morrer de cancro, este ano, cerca de 30000 pessoas.

O organismo humano é composto por milhões e milhões de células que se juntam formando órgãos e tecidos, os quais exercem funções específicas para o bem estar geral do organismo. Cada célula age como se tivesse inteligência própria e um comando próprio. Elas conhecem-se, sabem as suas funções e o lugar exacto que ocupam dentro do corpo.

Você nunca verá uma célula dos rins passeando pelo cérebro, nem uma célula do fígado dando uma 'voltinha' pelo pulmão. Além disso, cada célula normal submete-se à orientação geral, liderada pelas células do sistema nervoso.

O sistema nervoso é semelhante ao maestro de uma orquestra com incontáveis músicos, todos tocando no mesmo compasso e dentro de todas as notas previamente determinadas.

Isto acontece com a célula normal.

Olhando mais de perto uma célula, encontraremos uma parte muito importante no seu interior, denominada núcleo. Esse núcleo é a capital da célula, onde são tomadas as decisões que afectam a sua vida.

Tudo o que a célula necessita ou produz é indicado pelo núcleo, pelo programa codificado nesse núcleo. O núcleo contém os genes que formam os cromossomas. Cada gene é responsável por uma característica da célula. Os genes são formados por moléculas de DNA. Tudo o que esses DNA produzem para a célula está em harmonia com os interesses do organismo. O resultado disso será um corpo saudável em boas condições.

Assim não acontece com as células cancerosas. Individualistas, egoístas, resolvem seguir os seus próprios caminhos. Não estão interessadas no todo. Pensam somente em si. Não são organizadas, crescem sem limites, invadem outros tecidos e órgãos, e se deixadas livremente, acabarão destruindo todo o sistema.

Como pode isso acontecer?

Há varias maneiras. Vírus, substâncias químicas, radiações, podem alterar o DNA das células normais, alterando o seu programa normal. Há uma multiplicação exagerada dessas células e o seu tamanho cresce muito mais rápido, e com isso vão ocupando espaço dentro do órgão ou tecido onde se originaram, formando nódulos ou tumores após muitos anos de crescimento lento e quase imperceptível ao organismo. Logicamente ele não aceita essa situação e procura por todos os meios lutar contra as células revoltadas e independentes e se possível destruí-las.




Para isso põe em acção todo o seu sistema defensivo - O Sistema Imunológico. Milhões de células, na corrente sanguínea e fora dela, têm a função específica de matar permanentemente qualquer célula cancerosa. O organismo reconhece essas intrusas como inimigas e passa a travar uma batalha mortal. Ou o tumor com as suas células cancerosas são aniquiladas ou todo o corpo será destruído pelo cancro!

Como é que o organismo consegue combater e eventualmente liquidar células cancerosas?

Normalmente possuímos um conceito firmado de que o organismo não tem muita força para se opor à invasão das células cancerosas. De cada vez que se detecta um cancro no organismo, o ânimo fica abatido, pois, segundo a ideia corrente, pouco tempo de vida restará. Na realidade o que acontece no interior do corpo é algo bem diferente. Em condições normais, e entre os milhares de células, poucas se desviam da sua normalidade tornando-se células independentes capazes de se multiplicarem sem controlo. Se forem deixadas à mercê da sorte, certamente aumentarão em número ficando cada vez mais poderosas na oposição à lei geral que rege todo o organismo.

O sistema imunológico, que vasculha todos os recantos do corpo em busca de anormalidade, imediatamente descobre a célula desobediente, e passa a cercá-la com as células brancas chamadas linfócitos T. Essas células são capazes de produzir um veneno mortal para as celulas cancerosas ameaçadoras, que serão aniquiladas e eliminadas. Esse trabalho é feito, permanentemente e silenciosamente. Sem que saibamos somos protegidos por esse admirável exército sempre pronto para atacar qualquer coisa que ameace a integridade dos tecidos e órgãos.

Um facto importante diante desse modo de funcionamento do sistema inumológico é que, se alguém contrair um tumor ou cancro, terá que admitir, e efectivamente assim acontece, estar diante de um sistema de defesa deficiente, incapaz de manter o corpo a salvo dos invasores.

Essa é uma posição bem diferente do fatalismo como é visto o cancro pela maioria das pessoas. Esse facto coloca o doente frente a frente com a doença, com a sua responsabilidade. Não é tanto a força do invasor o culpado pela doença, mas sim a fraqueza do defensor. Em geral, porém, prefere-se fugir à responsabilidade. A culpa não é reconhecida. Procura-se sempre um bode expiatório, alguma coisa fora do controlo...
Mas era precisamente aí que estaria a força! Aceitando responsabilidades pessoais, existem condições para procurar soluções. Por outro lado, sempre que for negada a participação no desenvolvimento de um tumor ou de qualquer outra doença, as soluções se mostrarão inadequadas.

Como pode o sistema imunológico ficar fraco? São várias as razões, mas há duas principais:

a)- excesso de actividade
b)- sistema mal assessorado


Em todas as vias de entrada do corpo estão estacionadas incontáveis células e sistemas para rigoroso controlo de tudo o que possa entrar no organismo. No intestino, toda a alimentação é passada em revista quanto à qualidade. Alimentos impróprios e mesmo digestão imprópria, embora de alimentos bons, accionam as defesas naturais, sempre prontas e alerta para impedir que elementos estranhos atinjam a corrente sanguínea, ou então inutilizá-los e eliminá-los prontamente.

Em média você come cerca de 3 vezes, no mínimo, por dia e isso desde o lº dia do seu nascimento. Desde o início da vida começa o controlo ininterrupto pelo sistema imunológico. Esse exercício acompanha-o ao longo dos anos. Ao longo desse período, em muitíssimas ocasiões, as defesas tiveram muito trabalho! Poucas pessoas têm tido a sorte de poupar o seu corpo de agressões que tão frequentemente acontecem. Como você se agrediu a si mesmo?! Bem, a lista pode ser grande:

Por exemplo: - Você comeu mais de 3 vezes ao dia? Nesse caso o alimento não teve tempo para ser digerido. Isso provoca uma espécie de fermentação intestinal devido à presença de bactérias intestinais, e o alimento, que era saudável, estraga-se no próprio intestino, transformando-se em substâncias prejudiciais.

É verdade que nada, ou pouco, foi sentido na ocasião. O sistema imunológico saiu-se bem e formou substâncias, neutralizadas e eliminadas. Noutra ocasião, você comeu rapidamente e sob certa tensão. Isso paralisou a digestão por um período prolongado dando outra vez oportunidade aos alimentos para se decomporem no tubo digestivo. Novamente se formaram toxinas e uma vez mais o sistema imunológico executou o seu trabalho eficientemente e tudo foi colocado em ordem.

Silenciosamente e sem alarde você foi incontáveis vezes libertado pelo seu vigilante organismo!

Outra coisa que você não sabia, mas que deu muito trabalho aos linfócitos T, foram as gorduras que tão 'generosamente' foram acrescentadas no processo de preparar os alimentos. A medicina moderna descobriu, nos nossas dias, o que a Bíblia já advertia há mais de 3000 anos atrás: "Toda a gordura é Minha" diz o Senhor.

Ela não devia ser comida. Quantos sistemas de defesa já foram inutilizados ao longo dos séculos por não considerarem esse conselho milenar! Olhe ao redor e veja quanta gordura entra no seu cardápio: carnes gordas; manteiga e margarina; óleos de todas as marcas; fritos: batatas fritas, ovo estrelado e omoletes; carne e peixe frito; óleo para preparar molhos; arroz frito com feijão; bolos, bolachas, etc. E assim os linfócitos e outras células têm um trabalho incessante dia e noite!!!

Você diz: "Não vejo problema! Afinal, se existe sistema de defesa é para ser usado e exercitado!" Até certo ponto é verdade. Mas o limite de funcionamento do sistema de defesa também está dentro de um programa natural de vida. Quando é exigido mais do que se pode fornecer, esgota-se a capacidade. A vigilância do sistema de defesa declina e tóxicos invadem e permanecem no corpo alterando células e órgãos. A doença se instala.

Que doença? Qualquer doença! Muitíssimas estão relacionadas com esse sistema de defesa, inclusive as malignas como o cancro nas suas várias apresentações.

As regras acima são importantes para a prevenção das doenças malignas. Mas o que, porém, mais interessa a uma pessoa que já está com a terrível doença? Simples! Livrar-se dela e o mais rápido possível.

Mas o caminho de volta é doloroso e demorado. A prevenção deve ser o objectivo permanente da nossa vida. O descuido, ou o desconhecimento, porém, fez a sua obra e o cancro é uma realidade para muitos, hoje. Contudo, o doente de cancro pode ter o seu caminho de retorno. Esse doente muito pode fazer pela recuperação da sua saúde. Se o organismo sofreu pelo uso do cigarro, liberte-o, abandonando o tóxico!
A carga demasiada de alimentos impróprios exerceu a sua influência? Cuide o doente das forças restantes, dando aos órgãos digestivos oportunidade de recuperar o seu vigor perdido e assessorar o organismo na tarefa da cura.

Os linfócitos T têm poder para matar células cancerosas através das linfoquinas que produzem. Em certos casos de cancro, a causa foi o enfraquecimento das (células) linfócitos T. A capacidade defensiva do sistema imunológico pode ser recuperada! Sempre que se avisa o doente da dura realidade da sua doença, este fica abatido pois sabe da incurabilidade do mal. Mas a depressão e a angústia, em seguida, enfraquecem mais o sistema defensivo, e a doença avança. São consultados os números estatísticos. "Poucos escapam", segundo os dados médicos.

O Senhor, porém, tem métodos e caminhos diferentes. A Bíblia afirma: "Eu sou o Senhor que te sara". Só Ele sabe como fortalecer as defesas e devolver a saúde. O doente deve ser encorajado a depositar a sua confiança no Médico dos médicos. A confiança é essencial para mudar o estado do corpo que caminhava em direcção à destruição.




REGRAS PARA A PREVENÇÃO DE CANCRO

- Evite alimentos que são uma carga para os seus órgãos e sistema de protecção:
carnes em geral, gorduras e queijos.

- Fortaleça o organismo com alimentos saudáveis e portadores de nutrientes
essenciais ao sistema de defesa:
legumes, frutas, verduras, cereais integrais e nozes (proteínas vegetais).

- Coma somente 3 vezes ao dia. Coma à noite uma refeição muito leve,
e várias horas antes da hora de dormir.

- Repouse adequadamente. Permanecer horas da noite acordado
diminui a capacidade defensiva do corpo e a sua vigilância pode ser vencida.

- Exercite-se frequentemente. A circulação activa-se com o exercício
e ajuda a eliminar substâncias indesejáveis ao organismo.
Os rins trabalham mais e o sangue é purificado com eficiência.

- Mantenha paz de espírito. O stress mental produz quantidade de adrenalina
prejudicial aos linfócitos T, que os enfraquece.
A paz de espírito é o resultado da confiança no Senhor.
Somente quem faz de Deus o seu braço forte,
repousará das tensões da vida moderna.


Dr. Sang Lee, médico especialista em Imunologia, Alergologia e Medicina Interna in Liberte-se.

(Complete com NEW START, o que é? em Meditação para a Saúde, 11.02.2012).

Interiorize o cântico Antes Você Precisa Crer em Links 5M - mas lembre-se que terá também de obedecer às leis que regem o organismo humano criado por Deus.