sábado, 7 de novembro de 2015

TRINDADE:  PAGÃ  OU  CRISTÃ?



O tema da Divindade é algo que devemos abordar com absoluta reverência e solenidade. E é com esse espírito que sugiro aos prezados amigos, e irmãos e irmãs na fé, a lerem, em espírito de oração, os seguintes textos bíblicos:

Mateus 12:31-32: "Portanto, Eu vos digo: Todo o pecado e blasfémia se perdoará aos homens; mas a blasfémia contra o Espírito Santo não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoada; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro."
João 14
João 15:26-27: "Mas, quando vier o Consolador, que Eu da parte do Pai vos hei-de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, Ele testificará de Mim. E vós também testificareis, pois estivestes Comigo desde o princípio."

João 16:7-16: Todavia, digo-vos a verdade, que vos convém que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei. E, quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em Mim; da justiça, porque vou para Meu Pai, e não Me vereis mais; e do juízo, porque o príncipe deste mundo está julgado.
Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, Ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há-de vir. Ele Me glorificará, porque há-de receber do que é Meu, e vo-lo há-de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é Meu; por isso vos disse que há-de receber do que é Meu e vo-lo há-de anunciar. Um pouco, e não Me vereis; e, outra vez um pouco, e ver-Me-eis; porquanto vou para o Pai."

Em João 10:30 lemos que Jesus diz o seguinte: "Eu e o Pai somos um". Este texto aqui tem a ver, como outros textos, com uma unidade unida.

Mateus 28:19: "Portanto, ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Sobre este texto Ellen G. White comentou o seguinte: "O Pai, o Filho e o Espírito Santo, os três santos dignitários do Céu, declararam que fortalecerão os homens a vencer os poderes das trevas. Todas as facilidades do Céu estão garantidas àqueles que, por meio dos seus votos baptismais, entraram num concerto com Deus." (Manuscrito 92, 1901; citado em SDABC, vol. 5, pág. 1110). Reparemos que Jesus, ao prometer estar com os discípulos até à consumação dos séculos, envolve, nesse estar, também o Pai e o Espírito Santo. Portanto, podemos ter confiança em vencer os poderes das trevas com a ajuda divina do Trio celestial.

Face a estes textos e outros nas Sagradas Escrituras e nos escritos de Ellen G. White
chego, pessoalmente, à conclusão de como devo entender Deus.

Assim:

DEUS:  Pai,  Filho,  Espírito Santo.

A Palavra Trindade Nunca Aparece Na Bíblia. Mas O Conceito Que Lhe Dá Origem Está Lá Claramente Explícito.

Quando Jesus ordenou, nas Suas palavras finais, que os Seus discípulos fossem por todo o mundo a pregar o evangelho, disse-lhes: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo." (Mateus 28:19). Quem poderá afirmar, com absoluta honestidade, veracidade e certeza, que Jesus nunca proferiu estas palavras? Há quem afirme que elas foram acrescentadas, séculos mais tarde, ao evangelho para servir de base à 'doutrina pagã' da Trindade. Mas com que autoridade o podem afirmar? Autoridade divina ou humana? Em nenhum dos escritos, divinamente inspirados, encontramos tal afirmação ou qualquer indício que tal tivesse acontecido ou viesse a acontecer. Por outro lado, também ouvimos que não podemos elaborar doutrina num único versículo da Bíblia. Mas é bom recordarmos que o Senhor Jesus Cristo, quando foi confrontado por Satanás no deserto, não utilizou mais do que um versículo para cada tentação que o tentador Lhe apresentou. E foi o suficiente para rebater o embusteiro, que se apresentou como um anjo de luz. Por muito eloquentes e deslumbrantes que nos possam parecer as afirmações de certos indivíduos sobre a negação da Trindade, devemos enfrentar toda e qualquer afirmação com um "Está Escrito" (Lucas 4, Mateus 4). Não é necessário que apresentemos vários ou muitos versículos, basta um bem escolhido como fez o Senhor.

Os Pioneiros Adventistas e a Trindade
É verdade que alguns dos pioneiros Adventistas não acreditavam na Trindade. Achavam-na uma doutrina pagã, e um ou outro até a classificou de 'aberrante'. E isto porquê? Porque a maioria deles provinha de igrejas evangélicas que eram unitarianas. Depois do grande desapontamento de 1844, a maioria dos crentes que aguardara a vinda de Jesus, desapontados por tal não ter acontecido, voltaram para as suas igrejas anteriores. E alguns nunca mais professaram qualquer tipo de fé.
No entanto, um reduzido número de crentes, acreditou que a profecia das 2300 tardes e manhãs ter-se-ia cumprido. Como tal buscaram, com zelo e afinco, dia e noite, estudar as Sagradas Escrituras para se certificarem onde teriam errado na interpretação da mesma. Durante dois anos, 1845 a 1847, reuniram-se regularmente para esse estudo. Foi mediante esse estudo que os Adventistas lançaram as bases sólidas das doutrinas bíblicas, que hoje professam, assim como compreenderam o que ocorrera em 1844 e a razão do desapontamento.
Entre esse grupo encontrava-se o Pastor Tiago White e a jovem Ellen Gould Harmon. Enquanto estudavam e debatiam passagens das Escrituras sobre as quais nenhum dos presentes tinha uma compreensão idêntica, a jovem Ellen, ao recordar esses estudos, afirma que se sentia terrivelmente desconfortável por não conseguir acompanhar o raciocínio dos irmãos no decorrer das discussões. Afirma mesmo que a sua mente estava como que trancada, bloqueada. Quando os ânimos ficavam mais exaltados, o Pastor Tiago White, de índole pacífica, propunha que se ajoelhassem e buscassem o Senhor a fim de chegarem a uma compreensão unânime. Então todos oravam com esse objectivo. Quando chegava a vez da jovem Ellen orar, normalmente, ela era tomada em visão e descrevia o que o Senhor lhe revelava acerca do assunto em discussão. Os presentes ficavam encantados com a explicação simples e clara e interrogavam-se sobre a razão de não terem compreendido as coisas dessa maneira antes.


Escritos Adulterados
Há quem afirme, categoricamente, que os escritos de Ellen G. White foram 'abusivamente adulterados', antes de terem sido publicados. A este respeito gostaria de descrever, a seguir, o testemunho pessoal de Milian Lauritz Andreasen (1876-1962), autor de vários livros, entre os quais "O Ritual do Santuário", conhecido de muitos Adventistas do Sétimo Dia portugueses. Tendo sido ordenado ao ministério em 1902, decidiu, logo que lhe foi possível, ir visitar pessoalmente Ellen G. White, na sua casa em Elmshaven, Califórnia. Foi muito bem recebido e aí ficou vários dias, tendo-lhe sido facultado verificar, abertamente, tudo o que se passava durante o dia de trabalho tanto dela como dos seus assistentes. Eis o que ele concluiu:
"Aprendi, para minha grande surpresa, que a senhora White escrevia com a sua própria mão tudo o que era publicado sob a sua assinatura. Tendo escrito um texto, passava-o para os seus copistas o dactilografarem. Depois disso ter sido feito, o manuscrito era-lhe devolvido para correcção. Ao ver esse processo, dia após dia, fiquei com a certeza de que nenhumas correcções eram feitas, a não ser sob a sua direcção, e que aquilo que aparecia nos periódicos ou livros sob a sua assinatura, era o seu próprio trabalho exactamente como tinha vindo da sua pena, com as correcções que ela própria tinha feito, ou as que faziam com a sua aprovação.
Para mim isto era um assunto vital, pois tinha sido informado que os seus copistas mudavam, alteravam, omitiam, ou acrescentavam àquilo que ela tinha escrito, de modo que o que aparecia impresso era muito diferente do seu manuscrito original. A minha experiência convenceu-me que esta afirmação era pura fabricação." - A Faith to Live By, págs. 300-301.


Concílio Celestial Sobre a Redenção
"A Divindade moveu-Se de compaixão pela raça, e o Pai, o Filho e o Espírito Santo deram-Se a Si mesmos ao estabelecerem o plano da redenção. A fim de levarem a cabo plenamente esse plano, foi decidido que Cristo, o unigénito Filho de Deus, Se desse a Si mesmo em oferta pelo pecado." Conselhos Sobre Saúde, pág. 222.

Fórmula Baptismal
"O preconceito dos judeus irrompeu porque os discípulos de Jesus não usavam as palavras exactas de João no rito do baptismo. João baptizava para o arrependimento, mas os discípulos de Jesus, sob profissão de fé, baptizavam em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Os ensinos de João estavam em perfeita harmonia com os de Jesus, não obstante os seus discípulos ficarem ciumentos por recearem que a sua influência estivesse a diminuir. Surgiu uma disputa entre eles e os discípulos de Jesus a respeito das palavras apropriadas a serem usadas no baptismo e finalmente quanto ao direito sequer de eles baptizarem." - The Spirit of Prophecy, vol. 2, pág. 136.

Os Três Grandes Dignitários
"Em nome de quem é que fostes baptizados? Descestes às águas em nome dos três grandes Dignitários no Céu – o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo fostes sepultados com Cristo no baptismo; e fostes erguidos da água para viver em novidade de vida. Deveis possuir uma nova vida. Deveis viver para Deus; não tendes que viver para vós mesmos, e manter-vos sob a vossa própria supervisão com receio de que alguém vos toque ou magoe." (Sermons and Talks, vol. 1, pág. 363).
"Os que foram baptizados podem pedir a ajuda dos três grandes Dignitários do Céu para os ajudar a não cair e a revelar, por Seu intermédio, um carácter segundo a semelhança divina. É isto que alegamos ser – seguidores de Jesus. Precisamos de ser moldados e modelados segundo o padrão divino. Se perdestes a vossa semelhança com Cristo, meus irmãos e irmãs, nunca podereis, jamais, entrar em comunhão com Deus outra vez a menos que vos reconvertais, e sejais rebaptizados.
Deveis arrepender-vos e rebaptizar-vos para poderdes experimentar o amor, a comunhão e a harmonia com Cristo. Então tereis discernimento espiritual que vos habilitará a ver as coisas de Cima, onde Cristo está sentado à mão direita de Deus. Há coisas celestiais suficientes para contemplar, para encher cada coração e mente, cada congregação que está na Terra, com regozijo, louvor e acção de graças a Deus." (Sermons and Talks, vol. 1, pág. 366).


Os Três Seres Mais Santos
"É aqui que entra o trabalho do Espírito Santo, depois do vosso baptismo. Fostes baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Fostes erguidos da água para viver daí em diante em novidade de vida – para viver uma nova vida. Nascestes para Deus, e permaneceis sob a sanção e o poder dos três Seres mais santos no Céu, que são capazes de vos guardar de tropeçar e cair. Precisais de revelar que estais mortos para o pecado; a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
Escondida 'com Cristo em Deus' – maravilhosa transformação. Esta é uma promessa muito preciosa. Quando me sinto oprimida e mal sei como relacionar-me com o trabalho que Deus me deu a fazer, invoco simplesmente os três grandes Dignitários, e digo: 'Vós sabeis que eu não consigo realizar este trabalho nas minhas próprias forças. Vós precisais de trabalhar em mim, por mim e através de mim, santificando a minha língua, santificando o meu espírito, santificando as minhas palavras, e trazendo-me a uma posição em que o meu espírito seja susceptível às impressões do Espírito Santo sobre a minha mente e carácter. E esta é a oração que cada um de nós pode fazer.'" (Idem, pág. 367-368).


Sinal de Entrada no Reino Espiritual
"Fazendo do baptismo o sinal de entrada para o Seu reino espiritual, Cristo o estabeleceu como condição positiva à qual devem atender os que desejam ser reconhecidos como estando sob a jurisdição do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Antes que o homem possa obter abrigo na igreja, deve receber a impressão do nome divino – ‘O Senhor Justiça Nossa.’ (Jeremias 23:6).
Significa o baptismo soleníssima renúncia do mundo. Os que ao iniciar a carreira cristã são baptizados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, declaram publicamente que renunciaram o serviço de Satanás, e se tornaram membros da família real, filhos do celeste Rei." - Evangelismo, pág. 307.


Toda a Plenitude da Divindade nas Três Pessoas Vivas da Trindade
"O Pai é toda a plenitude da Divindade corporalmente, e invisível aos olhos mortais. O Filho é toda a plenitude da Divindade manifestada. A palavra de Deus declara que Ele é 'a expressa imagem de Sua pessoa.'
O Consolador, que Cristo prometeu enviar depois de ascender ao Céu, é o Espírito em toda a plenitude da Divindade, tornando manifesto o poder da graça divina a todos quantos recebem e crêem em Cristo como Salvador pessoal.
Há três pessoas vivas pertencentes à Trindade celeste; em nome destes três grandes poderes – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – os que recebem a Cristo por fé são baptizados e estes poderes cooperarão com os súbditos obedientes do Céu nos seus esforços para viver a nova vida em Cristo." - Evangelismo, pág. 615.


Terceira Pessoa da Trindade
"O príncipe da potestade do mal só pode ser mantido em sujeição pelo poder de Deus na terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo.
Cumpre-nos cooperar com os três poderes mais altos no Céu – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – e esses poderes operarão por meio de nós, fazendo-nos coobreiros de Deus." - Evangelismo, pág. 617.
"Ele determinou dar o Seu representante, a terceira pessoa da Trindade." - Bible Echo, 27-2-1899.


Poderes Tríplices
"Quando os homens seguem as suas próprias teorias humanas revestidas de suaves e fascinantes representações, preparam uma armadilha para apanhar as pessoas. Em lugar de dedicar as vossas faculdades a formar teorias, Cristo deu-vos uma obra a fazer. A Sua comissão é: 'Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.' (Mateus 28:19).
Antes que os discípulos alcancem o limiar, deve haver a impressão do nome sagrado, baptizando os crentes no nome do poder tríplice do mundo celestial. A mente humana é impressionada nessa cerimónia, o início da vida cristã. Significa muito. A obra da salvação não é uma questão de pouca monta, mas tão vasta que as mais elevadas autoridades são submetidas pela fé expressa do instrumento humano.
O Pai, o Filho, e o Espírito Santo, a eterna Divindade, estão envolvidos na acção requerida para assegurar ao instrumento humano que todo o Céu está em união para contribuir no exercício das faculdades humanas em alcançar e reforçar a plenitude dos poderes tríplices e em unir-se na grande obra designada, ligando os poderes celestiais com o humano para que o homem se torne, mediante eficiência celeste, participante da natureza divina e coobreiro de Cristo." (Manuscrito 45, 14 de Maio de 1904; citado em Olhando para o Alto, pág. 142, Meditações Matinais de 1983).


O Baptismo de Jesus
Quando o Senhor Jesus se dirigiu a João Baptista e lhe pediu para O baptizar, João objectou por sentir que era ele quem necessitava de ser baptizado por Jesus e não o contrário. O Senhor respondeu-lhe: "Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu. E, sendo Jesus baptizado, saiu logo da água e eis que se Lhe abriram os céus e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre Ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo." (Mateus 3:15-17).
Na resposta de Jesus vemos que o Senhor utilizou o pronome pessoal plural 'nos', o que denota mais do que uma pessoa envolvida nessa cerimónia. E, de facto, assim foi: Jesus, o Filho que recebeu o baptismo; o Espírito Santo que desceu sobre Jesus em forma de pomba; e o Pai que fez ouvir a Sua voz.


A Bênção Apostólica
O apóstolo Paulo encerra a sua segunda epístola aos coríntios, desta maneira: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo, seja com vós todos! Ámen." (II Coríntios 13:13).
Uma vez mais encontramos aqui as três pessoas da Divindade, as quais operam sempre em perfeita harmonia e unidade.


Três Que Testificam
"Este é Aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que testificam no Céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, a água e o sangue; e estes três concordam num." (I João 5:7-8).

Encontramos neste texto o testemunho do apóstolo João, que conviveu intimamente com Jesus, durante o Seu ministério terrestre, bem como testemunhou a descida do Espírito Santo sobre os discípulos no dia de Pentecostes. Quando o apóstolo diz que três são os que testificam no Céu, ele define-os bem: o Pai, a Palavra (isto é, o Filho) e o Espírito Santo, e que são um, ou uma unidade. Quando o apóstolo fala de três os que testificam na terra: o Espírito, refere-se ao Espírito Santo; a água, ao baptismo de Jesus na água quando o Pai Se fez presente e testificou d’Ele, como Seu Filho amado; o sangue, refere-se ao sacrifício de Jesus no Calvário, que consumou o plano da redenção decidido no Céu antes de o Senhor vir à Terra. O sacrifício de Jesus na cruz de nada teria valido se não fosse a obra do Espírito Santo nos corações humanos para os levar ao arrependimento. Em resumo, posso afirmar que o Espírito Santo testifica do baptismo de Jesus, que deu início ao Seu ministério na terra, e também da Sua morte, que assinalou a consumação desse ministério na terra.


CONCLUSÃO

A concluir volto a perguntar: É a Trindade pagã ou bíblica? Perante tudo o que acabo de apresentar, o qual foi objecto de sério, honesto e acurado estudo, só me resta afirmar, categoricamente, que é bíblica, sim, sem dúvida alguma. Os escritos inspirados, da Bíblia e de Ellen White, confirmam-no e eu não posso fazer de outro modo.

Ainda uma citação final de Ellen G. White, ao comentar a rebelião de Datã, Coré e Abirão, que encontramos em Números 16:1-50: "Rebelião e apostasia encontram-se no próprio ar que respiramos. Seremos afectados por ela a menos que apoiemos, pela fé, as nossas almas impotentes sobre Cristo. Se os homens são tão facilmente desviados, como permanecerão eles quando Satanás personificar a Cristo, e operar milagres? Quem ficará inabalável perante as suas falsificações? Professando ser Cristo, quando é apenas Satanás a pretender ser a pessoa de Cristo, e aparentemente operando as obras de Cristo?... Que impedirá ao povo de Deus de dar a sua lealdade a falsos Cristos? 'Não vades após eles'". ... Os enganos aumentarão, e nós devemos chamar a rebelião pelo seu próprio nome. Devemos estar vestidos com toda a armadura. Meus irmãos não estais a enfrentar unicamente homens, mas principados e potestades. Não estamos a lutar contra a carne e o sangue." Carta 1, 1897; citada no Comentário Bíblico Adventista, vol. 1, pág. 1114.

Efésios 6:10-18: "No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes. Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça. E calçados os pés na preparação do evangelho da paz, tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai, também, o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus; orando, em todo o tempo, com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica, por todos os santos."

A concluir ela ainda diz o seguinte: "Cristo veio ao nosso mundo não para ajudar Satanás a operar rebelião, mas para abater a rebelião. Sempre que homens comecem a acalentar rebelião, eles operarão secretamente e na escuridão, pois não vêm como Cristo disse para fazer quando temos alguma coisa contra alguém, mas levarão o seu rol de falsidades, inimizades, ruins suspeitas e satânicas representações, como fez Satanás com os anjos, seus companheiros, que estavam sob a sua liderança, e ganhar a simpatia deles mediante falsas representações." - Carta 156, 1897; citada no Comentário Bíblico Adventista, vol. 1, pág. 1115.

Texto de Manuel Nobre Cordeiro, Licenciado em Teologia, de 1965 a 1969, em Helderberg College,
na África do Sul, Província do Cabo - uma extensão da Universidade Adventista de Andrews,
Estados Unidos da América (ver links 3I). É Pastor da Igreja Adventista do 7º Dia em Portugal
e o Responsável durante muitos anos pelo Departamento do Espírito de Profecia/Ellen White.
Foi também, durante 20 anos, juntamente com o Pr Ernesto Ferreira (antigo Presidente da UPASD),
Professor de várias disciplinas do Curso de Doutrinas no CAOD - Colégio Adventista de Oliveira do Douro.

(Posso dizer que fui um ano a esse Curso durante as minhas férias. Foi uma experiência maravilhosa, onde tive o privilégio de conhecer melhor a Deus, passar momentos de grande intimidade com Ele. Mas também bons e agradáveis relacionamentos com os nossos professores, e aprender mais matérias de grande interesse. Momentos saudáveis e alegres com os nossos irmãos na fé e amigos. Profundas emoções inesquecíveis (como aquela Santa Ceia em que nos sentíamos como se Jesus fosse o nosso Pastor oficiante!) e muito, muito mais... Foi lá que uma noite, nessa comunhão e inspiração com Deus, senti o profundo desejo de escrever uma carta especial, umas palavras espirituais, para alguém muito, muito, amado - um filho muito querido. Pois ainda hoje acho que ela lhe possa, de algum modo, ter dado um estímulo para ser o que é agora, e nos faz muito felizes - Pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Realmente com Deus nada há a perder! Sempre, sempre, só a ganhar! E.E.)


AINDA SOBRE A TRINDADE
(Texto adaptado de uma carta pessoal)

1º - É verdade que havia uma trindade pagã. E que raciocínio podemos fazer a partir daí? Por haver uma trindade pagã devemos pôr em causa tudo acerca da Trindade bíblica?! É verdade que no Egipto havia Ísis, casada com Osíris e com um filho chamado Horo, os quais formam uma das trindades egípcias. São várias as trindades existentes em outros sistemas de culto pagão. E é aqui que começam muitos dos problemas de raciocínio em cristãos ao pensarem que a Trindade bíblica tem a mesma origem que as pagãs, e que por isso é uma doutrina falsa, vestida de 'verdade'. Este é o raciocínio mais comum de se fazer e que serve de base aos anti-Trindade cristã. Mas deveríamos antes ver e aceitar que existe uma Trindade verdadeira, a bíblica, e uma trindade falsa, a pagã.
E porque é que isto acontece? Porque Satanás sempre tentou realizar uma contrafação face à verdade, ou seja, fazer com que a mentira seja tão próxima da verdade que engane o maior número possível de pessoas.

Vejamos o que o paganismo nos mostra:

a) Ao maior deus indu, segundo a lenda, foi profetizado que iria ter um nascimento a partir de uma virgem. E assim aconteceu, segundo eles dizem... E por isso muitos ateus têm atirado à cara dos cristãos palavras dizendo que "é tudo o mesmo". Há um vídeo na net, colocado pelos ateus, que põe em descrédito Cristo à conta da doutrina indu... É forte este raciocínio tanto mais que este deus é quase contemporâneo de Jesus. Mas por causa disso vão os cristãos deixar de acreditar na virgindade de Maria?

b) Os egípcios não sacrificavam animais aos ídolos. Isso para eles até seria uma abominação. Mas os israelitas sacrificavam a Deus os seus cordeiros e outros animais limpos (Levíticos 11).* E os cananeus também sacrificavam aos seus ídolos... Se vivêssemos naquele tempo talvez então ouvíssemos muitos egípcios dizerem que a religião israelita e a cananeia "era tudo a mesma coisa"... E vamos nós, cristãos, achar que era tudo a mesma coisa?! Lembremo-nos que os cananeus até sacrificavam crianças!!! E Deus até tinha pedido a Abraão para dar o seu filho Isaac em sacrifício... E mais: também esta história de Abraão era conhecida na altura!... Assim, qualquer pessoa poderia fazer um raciocínio de 'associação rápida por semelhança' e dizer que "era tudo a mesma coisa!"... Contudo seria um raciocínio falso, como claramente compreendemos.

c) Caim ofereceu os frutos da terra a Deus e Abel um dos seus cordeiros. A oferta de Abel era aceitável, a outra não. Uma era a verdadeira, a outra a falsa, no entanto, em ambos os casos havia uma oferta, um altar, e um ofertante. Pergunta lógica: o problema estava no conceito da oferta, ou na natureza da oferta? A resposta é fácil!... O mesmo se passa com a Trindade. O problema não está no conceito, mas sim na distinção da trindade falsa da Trindade verdadeira.

d) Todos os cristãos sabem qual é a origem da 'santidade' do domingo...** Os testemunhas, que propagam não guardar dia nenhum, dizem várias vezes que os adventistas, que guardam o sábado (como apresenta a Bíblia), são iguais aos católicos e evangélicos, porque têm também um dia de guarda... Será que somos a mesma coisa?... Este raciocínio é tão bem utilizado por Satanás que no início da igreja primitiva foi uma das razões para a igreja cristã da época, na sua maioria, rejeitar o sábado bíblico por estar tão associado aos judeus, um povo maioritariamente obstinado e rebelde à mensagem cristã. Mas será que era a mesma coisa? Não! Só que isso levou também muitos cristãos da época dos pioneiros adventistas a ter aversão à Trindade por estar muito associada à igreja católica. Pergunto: Havia nesta associação da doutrina da Trindade algo errado no seu conceito? Tem isto alguma coisa a ver com politeísmo? Não! Mas foi fácil fazer entre os pioneiros este 'raciocínio associativo'... Graças a Deus que a profetisa Ellen White, pelas revelações que Deus lhe deu, esclareceu bem este assunto para levar a Igreja a um conhecimento correto das escrituras e termos uma melhor ideia de como é a Divindade.

e) Também muitos testemunhas não acreditam no Dízimo e associam a Igreja Adventista a uma forma de comportamento censurável que se pratica, sim, em muitas igrejas evangélicas... E faz este fato de nós, adventistas, uns falsificadores também? Ainda que muita desonestidade se pratique noutras igrejas e na nossa igreja possa haver falhas nesta área, fazem estes fatos ser o Dízimo uma falsidade? Não! Lembremo-nos de Judas Iscariotes que, mesmo ao lado de Jesus, furtava do saco das ofertas e não foi isto que fez Jesus desistir da Sua igreja... Infelizmente, 'raciocínios associativos' são fáceis de se fazer... Cuidado!

f) Muitas pessoas, nomeadamente adventistas, têm ouvido Walter Veith falar sobre paganismo. Um dos fatos que este apresentou como um dos maiores símbolos pagãos é o que começou com Hathor, deusa do amor, egípcia, que tinha na sua cabeça uns chifres a envolver um sol na sua base. Segundo o referido autor, este símbolo, migrou para a igreja católica e posteriormente para o islamismo, tanto é assim que na igreja católica temos já uma lua na base de um sol, na mesma forma dos chifres de Hathor, e no islamismo temos o quarto crescente, que é uma lua a envolver uma estrela.

Tudo isto é um raciocínio válido, e é verdadeiro... Mas se se ler em Apocalipse, capítulo 12, há uma virgem, símbolo da Verdadeira Igreja, vestida de sol e com a lua a seus pés... Notemos bem: uma mulher vestida de sol, com a lua a seus pés que em muitos desenhos esquemáticos parece que a envolve. Vamos nós agora, cristãos adventistas, ficar assustados, e fazer o mesmo raciocínio, dizendo também que "tudo é a mesma coisa"? Não, certamente que não!
Sol e lua no paganismo têm um simbolismo bem diferente do da Bíblia, ainda que estes dois corpos celestes estejam próximos um do outro em ambos os simbolismos, pagão e cristão... Rejeitar o texto bíblico, profético, inspirado por Deus, de Apocalipse 12, por ser semelhante a algo pagão, é rejeitar uma verdade que Deus nos quer ensinar de forma ilustrada, e fazer ou permitir o que Satanás quer, que é seguir a sua estratégia de contrafação, pôr a mentira próxima da verdade, e levar muitos a pensar que a contrafação surgiu primeiro e a verdade é uma cópia maliciosa e enganadora da contrafação, quando foi exactamente o contrário! Primeiro surgiu o Verdadeiro Dilúvio, o Verdadeiro Sacrifício, o Verdadeiro Messias e a Verdadeira Trindade, e só depois as histórias inventadas, com algo de verdade, mas enganosas e enganadoras.

Rejeitar uma verdade por ser muito semelhante ao erro, foi assim uma das estratégias mais conseguidas por Satanás, a tal ponto que o resultado é, infelizmente, o que estamos a ver...

g) O dilúvio é o exemplo máximo de se poder cair nesta estratégia de Satanás de enganar as pessoas, inventando um sistema falso e pagão em tudo parecido com a verdade. Os ateus dizem: o dilúvio é uma alegoria porque já as civilizações antigas do médio oriente contavam uma história de uma grande inundação naquela região que matou todos os seres vivos e de um homem que construiu um barco para se salvar... Vamos nós acreditar que o dilúvio não existiu por estar associado com lendas antigas? Claro que não!
Mas se houver alguma dúvida, ela logo desaparece quando se lê e percebe que, não só as civilizações do médio oriente, mas as civilizações antigas de todo o mundo contam à sua maneira esta história. Há até um livro que refere que é muito estranho uma história sobre uma enorme inundação estar presente em todas as civilizações antigas, de todo o mundo!!! Civilizações essas tão diferentes e distantes entre si como as africanas, americanas, europeias e asiáticas...
Mas aquele que for sincero na sua busca pela verdade, faz-se luz em sua cabeça: a história do dilúvio existe em cada civilização antiga do mundo porque todos aqueles povos antigos ouviram contar a mesma história! Há na net um vídeo que até mostra como na antiga escrita chinesa um "barco grande" se escrevia como "um barco com oito pessoas lá dentro"... Não é interessante?...
Infelizmente, e estranhamente... os católicos vão dizendo que o dilúvio não existiu porque tem origem em lendas pagãs antigas do médio oriente... E do mesmo modo... os testemunhas dizem que a Trindade não existe porque tem origem em sistemas pagãos antigos... Será verdade uma e outra coisa? Claro que não! Primeiro surgiu o Dilúvio verdadeiro e depois vieram histórias derivadas do mesmo que adquiriram caraterísticas diferentes consoante as diversas culturas e civilizações.

Primeiro temos a Trindade Verdadeira e depois surgiram muitas trindades em todos os sistemas pagãos...

E já alguém pensou porque é que está tão presente o número 3 (3 pessoas) no paganismo? Por isso mesmo!!! Ouviram uma história comum, verdadeira, e mais antiga a todos eles, e derivaram depois em outras histórias inventadas para cada sistema pagão diferente...Mas se pensarmos bem, a existência de trindades em sistemas pagãos é mais um argumento a favor da Verdadeira Trindade, porque prova como é real esta estratégia de Satanás em copiar a Verdade! Mas infelizmente... para enganar as pessoas com a mentira...
Portanto, o facto de existir trindades em sistemas pagãos antigos tem o mesmo paralelo. Porque Satanás quis arranjar uma contrafação semelhante à verdadeira Trindade, arranjou, assim, as falsas. Obviamente!

2º- Dizer-se que Mateus 28:19 ("Portanto, ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo") não se encontra no original bíblico... É um argumento sem valor! Por várias razões... Mas mesmo que o retirássemos da Bíblia, encontraríamos muitos outros versículos bíblicos em que a Trindade aparece junta, principalmente nas cartas de Paulo.
Mas admira muito... o fato de alguns que se dizem cristãos, não fazerem agora um 'raciocínio por semelhança' também com este argumento... Estranho!
Repare-se que toda a religião não correta tem a tendência para alterar a Bíblia... Os testemunhas têm para eles uma tradução à parte; os mórmons têm um evangelho próprio; os católicos introduziram os apócrifos e dizem que grande parte da Bíblia é uma alegoria; e os evangélicos tiveram que dizer que o Velho Testamento não tem mais valor... Impressionante!
Não admira assim que os que negam a Trindade bíblica tivessem que ir também buscar algo sobre o que está na Bíblia, ou alguma coisa semelhante... Será que não se pode ver algumas 'semelhanças' neste tipo de raciocínio, mas só ver para duvidar entre as trindades?!... Pensemos bem!

Também já ficou demonstrado que Ellen White escreveu sobre a Trindade. Então agora, o raciocínio mudou (com alguma ironia...). Já não tinha sido alguém que alterou os seus escritos depois da sua morte, mas que ela tinha ficado 'tonta' depois de idosa e de ter estado na Austrália onde fazia muito sol... E começou então a escrever sobre a Trindade... Pode alguém acreditar na seriedade destes argumentos?!...

3º - Outra ideia estranha é dizer-se que o Espírito Santo é o próprio Deus porque na Bíblia quando se fala que o espírito de Maria estava alegre, quer dizer que era a própria Maria alegre, que não há um espírito à parte de Maria... Ora para fazermos uma doutrina devemos ler toda a Bíblia e perceber a palavra 'espírito' dentro de cada contexto. Quando se fala que o espírito de Maria estava alegre, neste caso, sim, era a própria Maria, não há nada aqui que nos leve a acreditar numa 'entidade' à parte da pessoa.
Mas quando a Bíblia fala que João Baptista veio no Espírito de Elias quer dizer que era o próprio Elias? Claro que não!!!
Façamos uma pergunta: Se nós, acreditando no Espírito Santo como uma pessoa à parte do Pai, estamos a acreditar em algo do tipo 'espírita'... (conceito falso) por pensarmos nas pessoas com um 'espírito' à parte de si próprias, não estarão os anti-Trindade também a acreditar em algo semelhante, como uma 'reencarnação' (outro conceito falso), por acreditarem que, se João Baptista veio no espírito de Elias, então seria ele mesmo, o próprio Elias?!...
É claro que Maria era a própria Maria. E João tinha o Espírito Santo com ele do mesmo modo que Elias o teve. A palavra 'Espírito' na Bíblia não tem o mesmo significado sempre, conclui-se facilmente.
E vamos agora dizer (com que autoridade?!) que este versículo de João Baptista vir no Espírito de Elias foi acrescentado para apoiar uma interpretação pessoal?... "Nada acrescentes às suas palavras, para que Ele não te repreenda e tu sejas achado mentiroso". Provérbios 30:6. Outros textos falam em retirar ou alterar. Ninguém pode modificar o mínimo da Santa Palavra de Deus - a Bíblia!


Texto de Daniel Cordeiro, jovem simpático e bem talentoso!, licenciado em Enfermagem, e que trabalha em Ortopedia num Hospital do nosso país. Fez também Gestão e Administração Pública na Escola Superior de Gestão e Administração de Santarém, e actualmente está a fazer outra licenciatura em Administração de Saúde Pública na Faculdade da Universidade Nova de Lisboa. Muito interessado e estudioso de temas espirituais, gosta de conviver e conversar com pessoas de várias religiões sobre assuntos teológicos.

* Pode estudar/aprofundar este assunto lendo http://www.adventistas-historicos.com/arquivos/r_santuario.PDF
** Pode estudar/aprofundar este assunto vendo o vídeo em Links 1R - A Verdade sobre o Dia do Senhor




CRISTO É DIVINO
E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a Sua glória, a glória do Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. S. João 1:14.

Como foi que a Divindade Se tornou humana, de carne e sangue, para que pudesse vir viver entre nós como um ser humano e, no entanto, mostrar-nos a glória do Pai? É um milagre tão imenso que tenho dificuldade em pensar sobre o assunto. Mas aqui está o que eu sei com certeza. Sem dúvida nenhuma, Ele é divino, porque:

* só Deus podia subjugar e enternecer o meu coração duro, teimoso, cheio de orgulho e egoísmo;
* só Deus podia quebrar as cadeias da minha escravidão do pecado;
* só Deus podia levantar-me da confusão dos meus pecados e dar-me clareza;
* só Deus podia continuar a atrair-me com amor, embora eu lute para me distanciar d'Ele;
* só Deus podia suavizar as minhas lutas com a certeza de aceitação e amor;
* só Deus podia dizer: "Os teus pecados estão perdoados, tem ânimo e entra no Meu gozo";
* só Deus podia transformar a minha grande dor e profunda tristeza em riso;
* só Deus podia entrar no meu coração desolado e trazer-me alegria indescritível;
* só Deus podia cumprir todas as promessas que fez;
* só Deus podia satisfazer a profunda fome da minha alma com o banquete da Sua graça;
* só Deus podia ser um mestre tão bom e gentil para com este servo agradecido;
* só Deus podia ser um bom amigo, um irmão e um companheiro constante para mim;
* só Deus podia ser um marido amoroso do meu solitário coração - nenhum cônjuge poderia ser tão fiel;
* só Deus podia ser um amoroso e terno Salvador para este miserável pecador;
* só Deus podia confortar com suavidade este coração de luto;
* só Deus podia rodear a minha pobreza opressora com a Sua extravagante riqueza;
* só Deus podia curar a minha doença febril com saúde vibrante;
* só Deus podia iluminar a escuridão opressiva com a Sua brilhante luz;
* só Deus podia entrar no caos da minha vida e dar-lhe ordem e beleza;
* só Deus podia estar livre de retribuição e cólera em face da minha perpétua desobediência;
* só Deus podia ser tão cheio de graça durante toda a minha vida em que rejeitei o Seu amor;
* Só Deus Podia Ser Responsável Pela Magnificência Criada no Universo.

Glória a Deus nas alturas. Grandes coisas Ele tem feito!
Professor Doutor David A. Steen in O Deus das Maravilhas, Meditações Matinais, 08.08.2014.

(Gostará de ler mais em Meditação para a Saúde, links 1R, 07.11.2015)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015


NOVA  OPORTUNIDADE







(clique nas imagens para as aumentar)

domingo, 4 de outubro de 2015


Cão Muito Inteligente! E Tem Razão...


Os Irmãos Montgolfier

"Um carneiro, um galo e um pato foram os primeiros seres vivos a elevar-se nos ares por meio de uma máquina construída pelo homem. Isto passou-se no céu de Versailles, a 19 de Setembro de 1783, a bordo de um aeróstato que os irmãos Montgolfier tinham construído para vencer a atracção terrestre, o qual media 24 metros de diâmetro. Esta excepcional experiência teve lugar na presença do rei Luís XVI, sua família e corte.
Faz-nos sorrir pensar que um carneiro, um galo e um pato, encerrados num cesto se elevaram no céu. Mas nos nossos dias, não se fizeram dezenas de experiências com macacos, ratos e cães, antes de fazer subir um ser humano num foguetão?
Depois de se verificar o sucesso do voo com animais, um homem ousou tentar a aventura e deixar o solo a bordo da... 'máquina terrível'. A 15 de Outubro de 1783, o francês Jean Pilâtre de Rozier elevou-se nos ares a bordo dum balão 'cativo', quer dizer, preso à terra por um cabo. Foi o primeiro homem a voar.
A 21 de Novembro do mesmo ano repetiu-se a experiência. Desta vez, um segundo passageiro, o marquês D'Arlandes subiu a bordo de um 'montgolfiére'. Eles levaram uma pequena reserva de combustível (palha e lã) com a qual puderam alimentar a fogueira, o que lhes permitiu estar no ar durante 25 minutos, efectuando assim um voo de 8 km por cima de Paris. Tinha nascido a navegação aérea!"

Adaptado de Tout L'Univers, n.º 3, de 8-11-61.

PESSOAS  QUE  NÃO  SÃO  HOMENS... SÃO  ANJOS!!!


UNS  ARRISCAM  A  VIDA  POR  ANIMAIS...
Outros... - M/A/T/A/M/ Pessoas!!!  Pode-se Compreender Isto?!...


SÓ Deus PODE dar a Vida e tirá-la.  Ele CHORA quando alguém faz isso!  E Ele pedirá CONTAS um dia... EE


A CABRINHA BRANCA

Conta-se a história de um homem que morava num belo vale cercado por lindos campos de verdes pastos, banhados por um caudaloso e manso rio de águas cristalinas.
Para cada lugar em que se voltasse os olhos, era vista uma exuberante paisagem, digna de ser cartão-postal: árvores altivas que erguiam-se pela encosta de uma colina; uma alta cachoeira a refletir em cada gota d’água os raios do sol; passarinhos dos mais variados tamanhos, cantando os mais melodiosos sons e flores exóticas, das mais diversas cores, com os mais inusitados perfumes. Tudo era extremamente belo.
Porém, o que chamava mais a atenção dos espectadores, não era a cachoeira de beleza ímpar; nem os passarinhos com os seus melodiosos cantos; nem mesmo as flores de rara beleza mas sim uma grande montanha que se erguia altiva e imponente. Aquela montanha era o alvo dos mais diversos olhares devido à sua forma exuberante, coberta de pinheiros e outras árvores frondosas, que, juntas, formavam um cenário inesquecível.
Mas era quando o sol começava a declinar, ficando de um vermelho rubro, que a montanha era realmente bela. O sol ia se pondo atrás da montanha, tingindo o céu, as nuvens e as árvores de um rosa vívido e fulgurante, formando um espetáculo tão belo, que a pessoa mais hábil com as palavras seria incapaz de descrever.

E era em meio a esta beleza toda que ficava o vale, onde se erguiam três humildes construções: Uma simplória casa, um humilde galpão e uma estaca. O homem que morava naquela casa chamava-se Séguin. Seu Séguin, como a maioria das pessoas de bom coração, gostava de criar animais. O animal que ele mais apreciava criar era as cabras.
Como todos sabem, as cabras são diferentes das ovelhas, pois são vivas e saltitantes, e devoram tudo quanto acham: folhas, raízes e ramos. São brincalhonas e fiéis amigas de seu pastor. Talvez seja este o grande motivo que levava o seu Séguin a criar cabras. O certo era que o seu Séguin as amava e estava disposto a dar a vida por elas. E ele as criava amarradas à estaca, que se erguia no meio do vale.
Porém, o seu Séguin não era feliz criando cabras. A imponente montanha as atraía tal como o imã atrai o ferro. Nem mesmo o medo dos lobos ferozes que haviam na montanha, e nem os constantes afagos de seu Séguin faziam com que as cabras se contentassem com os verdes pastos do vale. Todas elas acabavam sempre da mesma forma: um belo dia, arrebentavam a corda que as prendiam à estaca e fugiam saltitantes para a montanha, onde eram comidas por lobos.
Mas... o seu Séguin decidiu ainda comprar uma cabra, disposto a cuidar dela como de nenhuma outra, pois já era a sétima...

A cabra que o seu Séguin comprara era muito bonita. Ela tinha os olhos bem pretinhos e umas barbichas espichadas. Ela tinha reluzentes cascos pretos, chifres muito grandes e bem compridos e um pelo todo branquinho, que parecia-se com a neve, devido à sua brancura. Seu nome era Branquinha. O seu Séguin amarrou-a por um pé à estaca, na parte mais bela do campo. Soltou muita corda, e sempre vinha ver se a sua cabra branquinha estava bem. Ele chegou até a pensar que Branquinha nunca iria querer fugir. Mas se enganou!


A sua cabra logo se aborreceu de viver presa a uma estaca. A montanha a atraía com as suas cores e formas, prometendo liberdade, que era o que ela tanto queria.
A cabrinha olhava a montanha e dizia:
- Como deve ser bom lá em cima! Que prazer poder saltar por entre aquelas árvores sem esta maldita corda me prendendo. Pastar amarrado é bom para burros... As cabras precisam de amplidão. Da amplidão que só uma montanha oferece!

Seus olhinhos brilhavam quando olhava para a montanha, imaginando-se saltar entre as colinas e árvores. E assim, ela foi se entristecendo. Dava pena vê-la contemplando a montanha e berrando tristemente: mé, mé, mé...
Um dia, ela reuniu coragem e disse para o seu Séguin, lá na sua língua, o seguinte:
- Seu Séguin, deixe-me ir para a montanha.
- Ah, mas era só o que me faltava, disse o homem.
Depois, sentando-se na grama, ao lado da cabrinha, o homem disse:
- Mas como, Branquinha, você quer me deixar?
E Branquinha respondeu:
- Sim, seu Séguin. Não é nada pessoal, mas eu quero ir para a montanha.
- Mas, Branquinha, replicou ele, aqui tem lhe faltado pasto, amor e carinho?
- Não, seu Séguin. Não é isso.
- Mas então, o que você quer?
- Eu quero ir para a montanha. Lá eu serei mais feliz.
- Mas Branquinha, você não sabe que tem lobos ferozes que vivem lá?
- Mas eu vou lhes dar marradas, seu Séguin, e os afastar!
- Os lobos vão rir das suas marradas. Já me comeram outras cabras com os chifres maiores do que os seus... Lembra-se da Esmeralda? Ela era uma forte cabra e má como um bode. Lutou toda a noite com um lobo e o lobo a comeu pela manhã!
- Pobre Esmeralda! Mas me deixe ir para a montanha, seu Séguin!


Seu Séguin pensou consigo: Esta será mais uma que os lobos vão comer. Não! Eu vou salvá-la, mesmo que ela não queira.
E, seu Séguin levou a cabra para o curral, fechando bem a porta, para ela não fugir. Ele deu até duas voltas na chave para a cabra não escapar. Infelizmente, ele se esqueceu de uma janela que estava aberta, e que Branquinha transpassou num pulo. Quando ela se viu livre, saiu saltitando em direção à montanha. Quando lá chegou, foi uma grande admiração. Nem mesmo os velhos pinheiros tinham visto uma coisa tão bonita! Receberam-na como a uma pequena rainha.
Os castanheiros abaixaram-se até ao chão para a acariciarem com a ponta de seus ramos. As samambaias se abriam à sua passagem e as flores abriam-se o mais que podiam para perfumarem o ar que a cabrinha iria respirar. Enfim, toda a floresta festejava a sua chegada à montanha.
A cabrinha branca espojava-se de pernas para o ar, embrulhada pelas folhas caídas. E, de repente, levantava-se de um salto sobre as quatro patas e disparava a correr, aparecendo algumas vezes no pico de um monte, outras no fundo de um barranco, ora lá em cima, ora lá em baixo, por toda a parte. Podia-se dizer que haviam dez cabras do seu Séguin na montanha, de tanto que Branquinha corria.

É que Branquinha não tinha medo de nada. Com apenas um salto ela transpunha as grandes torrentes de água que salpicavam uma poeira húmida de espuma. E então, toda a pingar, ia estender-se numa pedra plana a secar-se ao sol.
Uma vez, ela avistou, lá embaixo, a casa do seu Séguin. E quem quiser saber o que ela disse, rindo, é só perguntar às árvores tagarelas.
Enfim, foi um dia feliz para Branquinha. Lá embaixo, ela podia ver os campos mergulhados na neblina.
Repentinamente, o vento refrescou, e tudo tingiu-se de rosa. Era a tarde que declinava e a noite que chegava.
Da cozinha do seu Séguin, só se via o telhado de onde se via um fio de fumaça saindo. Branquinha ouviu os berros de um rebanho que era recolhido e sentiu uma tristeza muito grande. Um gavião que retornava para um ninho próximo, tocou-lhe com as suas asas. Ela estremeceu. Uivos de lobos começaram a ser ouvidos. Só então ela realmente pensou nos lobos.

Lá embaixo, o seu Séguin a chamava piedosamente. Branquinha sentiu desejos de voltar, mas lembrou-se da estaca, da corda e resolveu ficar. Mas um barulho numa moita próxima, fez Branquinha tremer de medo. Quando viu duas orelhas curtas, muito retas, seguidas de dois olhos brilhantes, como se deles saíssem fogo, ela só teve uma certeza: era o lobo.
Enorme e imóvel, sentado sobre as duas patas traseiras, olhava para a cabrinha branca. Era o lobo e tinha a certeza de que a iria comer e não se apressava, pois já sabia que era outra cabrinha do seu Séguin, e como todas as outras, esta também seria sua.
Branquinha sentiu que estava perdida. Ela só se lembrava da história da velha Esmeralda que havia lutado com o lobo a noite toda para ser comida ao amanhecer. Ela sabia que ao amanhecer, o seu Senhor viria procurá-la. Ela só tinha que aguentar até lá.
Então, o lobo avançou e os chifrezinhos de Branquinha entraram em ação. E como Branquinha era valente! Como ela se batia com coragem! Mais de dez vezes ela forçou o lobo a recuar, e assim foi a noite toda.
De tempos em tempos, ela via as estrelas dançarem no céu claro, e pensava: "Contanto que eu resista até ao romper da alva, o seu Séguin vem me ajudar. Ele vem me resgatar!"

As estrelas começaram a sumir-se uma a uma. Depois uma luz pálida brilhou no horizonte. Ouviu-se ao longe o cantar do galo.
- Enfim, disse ela, já não posso mais! Acabaram-se as minhas forças.
Dizendo isso, deitou-se no chão com a sua bela pelica branca manchada de sangue. E o lobo, vendo que ela havia desistido de lutar, lançou-se sobre ela, mas uma pedra atirada em sua cabeça, fê-lo recuar e dar um grito de dor. Quando ia avançar novamente sobre a sua presa, o seu Séguin surgiu por detrás de uma moita de capim, bem perto dele e lhe deu uma paulada no meio da cabeça, que fez com que fugisse imediatamente.
O encontro do seu Séguin com a sua cabra branca, foi algo maravilhoso. Ele a tomou em seus braços, dizendo carinhosamente:
- Cabrinha marota! Não me quis ouvir? Felizmente, o seu dono é um bom dono de cabras e passa toda a noite a vigiá-las contra o lobo.
Dizendo estas poucas palavras, levou Branquinha para casa e tratou de suas feridas. Branquinha nunca mais quis fugir do seu pastor. Ela o amou muito.
Seu Séguin comprou muitas cabrinhas que não quiseram mais fugir, pois a todas que mostravam este desejo, Branquinha lhes mostrava as suas feridas e dizia como o lobo era terrível.
E assim viveu o seu Séguin feliz com as suas cabrinhas.

MORAL DA HISTÓRIA: Esta história relata a relação que muitos têm com o seu Pastor. Elas querem fugir da estaca (igreja) para a montanha (o mundo) e tudo o que ela oferece. Muitas vezes, não têm tempo e são comidas por lobos (pecados) vorazes. Mas quando ouvem a história de quem já foi, e viu como a montanha realmente é, sossegam no seu canto. (Autor Desconhecido)






Por causa de Satanás ter pecado no Céu, e depois de expulso ter introduzido o pecado aqui na Terra, alguns animais tornaram-se muito maus. Mas quando Jesus VIER AQUI DE NOVO, e restabelecer tudo à sua forma original, o pecado terminará PARA SEMPRE e TODOS os animais serão de novo bons como eram de início quando foram criados - é a Bíblia que o diz! EE

quarta-feira, 2 de setembro de 2015



A PRESENÇA e o SIGNIFICADO do HUMOR na BÍBLIA

Tem-se por vezes difundido a ideia errada, acerca da relação entre Deus, a fé e o humor. A verdade é que existe entre os três um laço indissolúvel e benéfico para a experiência pessoal e para a forma como podemos compreender Deus.
Na verdade, a vivência cristã nunca poderá estar conotada à tristeza, mas sim à alegria e à felicidade. Porque Cristo nos libertou do poder do pecado e nos dá a possibilidade de experimentarmos uma transformação na nossa vida, por si só já é motivo de alegria. Apesar das dificuldades do início do Cristianismo, os primeiros cristãos eram pessoas alegres (Actos 2:46; 5:41; 16:23-25), pois a "alegria é o cunho particular do cristão"1. Devido à importância da alegria, um certo autor cristão chega até a dizer: "Haverá algum critério para avaliar a maturidade, a autenticidade, a saúde da fé? Sim, o espírito de alegria e regozijo que envolve a experiência religiosa"2.
Desta alegria, faz também parte o humor, como componente da vida e experiência de todo aquele que crê em Deus.

Definindo o Humor

A nossa palavra humor, vem do latim humor, que significa, "água" ou "humidade" e faz referência a toda a substância líquida ou semi-líquida contida num corpo organizado e principalmente nos organismos3.
A palavra foi também usada para ilustrar os quatro humores cardinais que eram o sanguíneo, o fleumático, o colérico e o melancólico. As misturas variadas destes humores, determinavam nas pessoas os seus temperamentos, as qualidades mentais e físicas e as disposições. A pessoa ideal era a que tinha uma mistura proporcional dos quatro. Atribui-se a Hipócrates (460 a 370 D.C.) a menção destes humores"4. Hoje falamos de hormonas e outras substâncias bioquímicas em vez de humores.
A palavra humor, veio também a exprimir tudo o que podia caracterizar uma atitude interior, uma forma de conceber a existência. Trata-se num certo sentido dum controle dum reflexo humano face a tudo o que nos possa acontecer"5.
Neste sentido podemos definir o humor como a capacidade de se elevar para lá das circunstâncias e sorrir. Deste ponto de vista, o humor está intimamente ligado à mensagem da Bíblia.
Já o Apóstolo João tinha definido a fé como um triunfo sobre as circunstâncias da vida "pois todo o que é nascido de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé" (1 João 5:4).
O humor é por isso uma espécie de antecipação da grande esperança cristã: a reposição da verdade, da justiça; a eliminação completa do mal e do sofrimento; o desaparecer das circunstâncias limitativas da felicidade; a reposição da perfeita alegria de viver, numa relação renovada e equilibrada entre Deus, nós e o meio que nos rodeia - que sucederá após a segunda vinda de Cristo (Apocalipse 21:4; 22:1-6).
Por outro lado, como veremos, o humor bíblico, ajuda-nos a colocar as coisas no seu devido lugar, permite-nos fazer a distinção entre o que é provisório e o que é eterno. Ele pode expressar-se por diferentes formas: ironia, sarcasmo, imitação, brincadeira, paradoxo...
Vejamos então alguns episódios de humor na Bíblia.

Relatos Humorísticos no Velho Testamento

Várias passagens do Velho Testamento dão conta do humor de Deus,
até mesmo para com os Seus inimigos

(Salmos 2:1-4; 37:12-13; 59:8; Provérbios 8:30)



A- Um dos relatos em que o humor está presente é o episódio da Torre de Babel relatado em Génesis 11:1-9.
Existe aqui um humor irónico. A humanidade procurava então "fazer-se" e atingir os céus, para ver Deus. Mas eis que é Deus que desce para ver o que fazem os seres humanos, e ver o produto insignificante da sua realização... Ora este ser humano que está prestes a ultrapassar a sua fronteira entre o céu e a terra, acaba por ser espalhado pela face da terra. De um intento que era quase unânime, resulta uma discórdia pela multiplicidade da linguagem.
O humor, está aqui na contradição entre o que se pretende e o que se obtém. O Homem que quer ser como Deus, elevar-se até Deus, não consegue afinal de contas resolver os seus próprios diferendos linguísticos e acaba por cumprir aquilo que era plano de Deus: povoar a Terra. A soberania e direcção de Deus sobre o Universo sai assim realçada mesmo apesar das tentativas de destronarem Deus.

B- Em 1 Reis capítulo 18, temos outro episódio humorístico na confrontação entre a idolatria e o culto ao verdadeiro Deus. Elias usa o humor com recurso à ironia e à sátira para realçar a insensatez que é procurar apoio em deuses que mais não são que invenção humana. (pequeno filme no final)

C- Pessoalmente o relato mais humorístico da Bíblia, para mim, é o do livro de Jonas. Alphonse Maillot, pastor Protestante, disse que este livro "é a autêntica interpelação que o Deus autêntico dirige a cada um de nós"6. Neste livro se retratam alguns aspectos dum profeta de Deus, Jonas. Uma pessoa depressiva, taciturna, egoísta, a quem Deus quer fazer compreender a importância da salvação do ser humano (não importando a sua raça, religião ou comportamento social).
Jonas começa por fugir de Deus e da missão que Ele lhe confere: anunciar a destruição de Nínive. Surge uma tempestade e Jonas que queria passar despercebido é obrigado a dizer quem é, que mensagem tem, e porque acontece tal tempestade (devido à sua fuga). Engraçado, enquanto Jonas é lançado ao mar (por sugestão sua), já não consegue ver que com a sua mensagem fez com que esta tripulação adorasse a Deus (Jonas 1:16)
Outros detalhes trazem o humor à história de Jonas e de Nínive. Por exemplo, as intervenções dos animais para fazerem Jonas refletir. Primeiro é um grande peixe que o engole e que lhe permite fazer uma oração na qual Jonas reconhece que do Senhor vem a salvação (Jonas 2:9). Depois é um pequeno verme que faz secar a árvore em que o teimoso Jonas esperava ver descer o fogo do céu para consumir Nínive e os seus habitantes (Jonas 4:7) e que leva ao grande diálogo do livro onde Deus, duma forma humorística, faz comparações entre o desgosto de Jonas por uma árvore que lhe dava sombra, e o amor de Deus pelos habitantes de Nínive (Jonas 4).
Em segundo lugar é o efeito da graça de Deus. Os Ninivitas acolhem a mensagem de Jonas e arrependem-se confiando na misericórdia e graça de Deus, e vivem. Jonas deseja morrer porque essa graça poupou a vida dos Ninivitas (Jonas 3:10-4:3). Através do humor, Deus dirige-se a Jonas e leva-o a compreender a Sua pedagogia. Deus não tem prazer na destruição, mas na salvação (Ezequiel 18:32) e leva Jonas a olhar para lá do seu pequeno mundo, para uma realidade mais abrangente que são as necessidades reais daqueles que o rodeiam.

      

O Humor no Novo Testamento

O Evangelho é a boa nova da Salvação de Deus e como tal Jesus e a Sua mensagem são sinónimos da alegria. Podemos até dizer que "Cristo chegou a um mundo enfastiado e vazio e penetrou nele pela porta esquecida da alegria"7. Na verdade a mensagem de Jesus transmite alegria (Lucas 2:10; 6:21), e como as crianças e as pessoas em geral se sentiam bem na Sua presença, devemos concluir que Ele era alguém simpático, alegre, humorado. É natural pois que o humor encontre também eco nas Suas palavras. Mateus 7:3 transmite-nos uma ponta do humor de Jesus: "Porque reparas no cisco que está no olho do teu irmão, mas não percebes a trave que está no teu"?
Nesta afirmação, Jesus caricatura aqui a tendência humana de minimizarmos os nossos defeitos e de maximizarmos os dos outros. Usando o absurdo, Cristo chama-nos a uma tomada de consciência dos nossos erros, que podem ser até maiores que os erros alheios. As faltas dos outros não podem esconder as nossas, nem nos impedirem de ver o quanto precisamos de progredir na nossa esfera pessoal.
Mateus 23:23-24 é outro exemplo do humor de Jesus. Aqui Jesus coloca em evidência o zelo extremoso dos fariseus para certos aspectos que eles consideravam essenciais (donde a expressão coar um mosquito), mas que no fim de contas desprezavam o mais importante da revelação de Deus: a lei, a justiça, a misericórdia e a fé. A figura de engolir o camelo, sugere o quanto estes contemporâneos de Jesus estavam longe do ideal de Deus para a humanidade. Pode-se ser muito exigente em certos aspectos que no fundo são insignificantes, e ignorar completamente o que é essencial na experiência religiosa.

       

(A jumenta de Balaão fala - Números 22)    (David e o gigante Golias - I Samuel 17)

CONCLUSÃO

Há muitas outras passagens da Bíblia em que o humor está presente, mas que por motivo de espaço não podemos incluir aqui. Mesmo este estudo é apenas uma pequena contribuição para algo que ressalta da mensagem bíblica. Deus dirige-se a cada um de nós de muitas maneiras e o humor é uma delas. Recorrendo a esta forma de expressão podemos compreender que se Deus ri e usa o humor, então Ele é alguém acessível. Através do humor, no entanto Deus continua a mostrar-nos como Ele deseja que sejamos conscientes dos nossos erros, da nossa condição de criaturas, das nossas tentativas frustradas de O substituirmos na nossa vida. Mas diz-nos também que não há mal que não tenha solução, e que se desejarmos, Ele pode transformar a nossa vida.
O humor ajuda-nos a viver acima das situações, porque como cristãos sabemos em última análise que Deus dirige todas as coisas e que tudo Ele fará para nosso bem (Romanos 8:28). Finalmente o sentido de humor é já uma antecipação daquilo que Deus realizará no final dos tempos: a restauração de todas as coisas, a erradicação do mal e a instauração do bem e da felicidade em todo o Universo.

Anotações:
1 Cf. Atilano Alaíz, Cristãos Adultos, Lisboa: Edições S. Paulo, 1994, pág. 75; 2 Id., pág. 71; 3 Cf. Dictionnaire Encyclopédique Quillet,: Éditions Quillet, 1990, pág. 3361; 4 Cf. The New Encyclopaedia Brittanica 1992, vol. 6, pág. 145. Ver também Tim la Haye, Temperamentos Transformados, S. Paulo: Editor Mundo Cristão, 1998, pág. 7; 5 Cf. Roland Fisher; "L'Humour dans la Bible", in Servir, nº 3, 1995, pág. 52; 6 Cf. Alphonse Maillot, Jonas, Paris: Delachaux et Niestlé, 1977, pág.21; 7 Cf. José Luíz Martin Descalzo, Vida e Mistério de Jesus de Nazaré, Cucujães: Editorial Missões, 1994, vol. II pág. 490.

Artur Machado, mestre em Teologia, é o Secretário da UPASD (União Portuguesa dos Adventistas do 7º Dia) em Portugal. Texto da Revista Sinais dos Tempos, 1º Trimestre, 2002.


Um Pequeno Presente de um Grande Coração
(O Humorzinho Tão Amoroso de um Querido Menino! EE)

     Fui trabalhar nas Ilhas Andaman, na Índia, como estudante missionário. Não sabia quem me buscaria no porto, onde moraria, ou o que iria fazer. Mesmo assim, segui em frente, sabendo que o Senhor tomaria as providências necessárias.
     No navio, conheci um senhor que, além de ser adventista, também era o cozinheiro-chefe do navio. Ele me convidou a ir para sua casa e, de bom grado, aceitei. Sua família, constituída de sete pessoas, concordou alegremente que eu morasse com eles.
     Eles tinham apenas um filho, de sete anos de idade, ao qual chamavam carinhosamente de "Sunny." Esse menino era meu guia na pequena cidade; ele me mostrou o caminho para as lojas, restaurante e residências dos membros da igreja.
     Por seis semanas, estive ocupado dirigindo a Escola Cristã de Férias e os cultos da igreja, pois não havia pastor naquela congregação. O tempo passou rapidamente e logo chegou a hora de voltar para o Spicer Memorial College, em Pune, Índia, para continuar meus estudos.
     O fato de ficarmos juntos por mais de um mês, ensinando novas canções, contando histórias e ajudando-os a apresentar encenações baseadas na Bíblia para a Escola Sabatina e para os cultos, criou um elo muito forte entre nós.
     O momento de fazer a última refeição no lar da querida família que tanto me ajudou, chegou muito rápido. Sunny sentou-se ao meu lado à mesa, enquanto a mãe servia. Geralmente, ele reclamava da comida para sua mãe, uma mulher muito paciente. Ela não se importava, pois ele era seu único filho. Nessa refeição, entretanto, ele sentou-se ao meu lado, comeu sozinho o que a mãe lhe serviu e sem reclamar uma só vez. Após a refeição, reunimo-nos para orar e o pai da família disse:
     - Isso é para você - entregando-me uma nota de 50 rúpias (cerca de um dólar americano).
     Ao lhe perguntar por que estava fazendo isso, ele me disse alegremente o que havia acontecido antes da refeição, enquanto eu arrumava a mala para ir embora.
     Sunny foi até seu pai e perguntou: "Pai, o que o senhor me dá se eu comer toda minha comida sozinho, sem reclamar para minha mãe?" O pai, feliz com seu filho, disse: "Escolha o que você quiser." Sunny pediu 50 rúpias. O trato foi feito e ele comeu tudo. O pai estava impressionado com o menino e, quando lhe ia dar o dinheiro, Sunny disse: "Por favor, dê ao meu professor da Escola Cristã de Férias." O valor era pequeno, mas para mim, muito sagrado.

Enquanto viajava sozinho, lembrei-me de outro Filho que foi até Seu Pai e perguntou: "O que o Senhor me dará se Eu tomar esse cálice?" E o Pai pediu gentilmente ao Filho para escolher. O Filho escolheu assumir a minha e a sua pena de morte. Ele disse ao Pai: "Por favor, dê vida eterna àquele professor da Escola Cristã de Férias e a todos os que crerem em Mim."

Jesin Israel Kollabathula é estudante de pós-graduação no Instituto Internacional Adventista de Estudos Avançados (AIIAS), em Silang, Cavite, Filipinas. Texto apresentado na Revista Adventist World Janeiro 2009.


Pode ler na Bíblia sobre a história verdadeira deste filme, de 1 Reis 16:29 até ao fim do capítulo 19. E depois, o final com o seu sucessor Eliseu, em 2 Reis 2. Impressionante a subida de Elias para o Céu num carro de fogo, onde já está a viver com Deus e com todas as maravilhas que lá existem!
A Bíblia, o Livro de Deus, fala de mais 2 homens que também já vivem no Céu: Enoque e Moisés. "As únicas pessoas mencionadas nas Escrituras como tendo sido arrebatadas ao Céu em vida (não por ocasião da morte como ensinam alguns) foram Enoque (Génesis 5:24; Hebreus 11:5), Moisés (Deuteronómio 34:6 e Judas 9 – antes de ir para o céu, Moisés foi ressuscitado) e Elias (2 Reis 2:9-12)." Leandro Quadros - Na Mira da Verdade, Links 1R.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015


BIOGRAFIAS BÍBLICAS / A BÍBLIA COMO AGENTE EDUCADOR

"Os quais pela fé venceram reinos,
praticaram a justiça,
da fraqueza tiraram forças.
"

         Para fins educativos, nenhuma parte da Bíblia é de maior valor do que as suas biografias. Estas diferem de todas as outras, visto serem absolutamente fiéis. É impossível a qualquer espírito finito interpretar corretamente, em tudo, os feitos de outrem. Ninguém, a não ser Aquele que lê o coração, que pode divisar a fonte secreta dos intuitos e das ações, poderá com verdade absoluta delinear o caráter, ou dar uma descrição fiel de uma vida humana. Unicamente na Palavra de Deus se encontra tal esboço biográfico.
         Nenhuma verdade a Bíblia ensina mais claramente do que aquela segundo a qual o que fazemos é o resultado do que somos. Em grande parte, as experiências da vida são o fruto de nossos próprios pensamentos e ações.
         "A maldição sem causa não virá" (Provérbios 26:2).
         "Dizei aos justos que bem lhes irá. ... Ai do ímpio! mal lhe irá: porque a recompensa de Suas mãos se lhe dará." (Isaías 3:10, 11).
         "Ouve tu, ó Terra! Eis que Eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto de seus pensamentos." (Jeremias 6:19)
         Terrível é esta verdade, e profundamente deve ela ser gravada em nosso espírito. Cada ação se reflete sobre aquele que a pratica. Jamais um ser humano pode deixar de reconhecer, nos males que lhe infelicitam a vida, os frutos daquilo que ele próprio semeou.

Contudo, Mesmo Assim, Não Nos Achamos Sem Esperança.

Para adquirir o direito de primogenitura que já lhe pertencia pela promessa de Deus, Jacó recorreu à fraude, e colheu os frutos do ódio de seu irmão. Durante vinte anos de exílio foi ele próprio lesado e defraudado, e finalmente forçado a procurar segurança na fuga; e colheu uma segunda messe, visto que as falhas de seu próprio caráter foram vistas a reproduzir-se em seus filhos, sendo que tudo isto nada mais era senão um fidelíssimo quadro das retribuições da vida humana.
Deus, porém, diz: "Não quero estar para sempre a acusar, nem ficar eternamente irado porque, de contrário, destruiria o sopro de vida de todos quantos criei. A maldade de Israel fez com que Eu Me irritasse; na Minha irritação castiguei-o e não o queria mais ver. Ele afastou-se para seguir o seu caminho preferido. Conheço bem os seus caminhos; mas hei de curá-lo, guiá-lo e reconfortá-lo. Aos que estão em luto porei nos seus lábios este cântico: 'Paz! Paz, para os de longe e para os de perto!'" (Isaías 57:16-19.)
Jacó, em sua angústia, não desesperou. Havia-se arrependido e se esforçara por expiar a falta cometida para com seu irmão. E ao ser pela ira de Esaú ameaçado de morte, procurou o auxílio de Deus. "Lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou e lhe suplicou." "E abençoou-o ali." (Oseias 12:4; Génesis 32:29). Na força de Seu poder o que fora perdoado levantou-se, não mais como o suplantador, mas como príncipe diante de Deus. Não ganhara simplesmente o livramento de seu irmão ofendido, mas o seu próprio. Quebrara-se o poder do mal em sua própria natureza; havia-se-lhe transformado o caráter.
Ao crepúsculo houve luz. Jacó, revendo a história de sua vida, reconheceu o poder mantenedor de Deus - Aquele "Deus que me sustentou desde que eu nasci até este dia; o Anjo que me livrou de todo o mal." (Génesis 48:15, 16)
A mesma experiência se repete na história dos filhos de Jacó: o pecado operando a retribuição, e o arrependimento produzindo fruto de justiça para a vida.

Deus não anula as Suas leis. Ele não age contrariamente às mesmas. Não desfaz a obra do pecado, mas Ele transforma. Mediante Sua graça a maldição resulta em bênçãos.

Dos filhos de Jacó, Levi foi um dos mais cruéis e vingativos, um dos mais culpados no traiçoeiro assassínio dos siquemitas. As características de Levi, refletindo-se nos seus descendentes, acarretaram-lhes o decreto de Deus: "Eu os dividirei em Jacó, e os espalharei em Israel." (Génesis 49:7). O arrependimento, porém, operou a reforma; e pela sua fidelidade para com Deus no meio da apostasia de outras tribos, a maldição se transformara num sinal da mais alta honra.
"O Senhor separou a tribo de Levi, para levar a arca do concerto do Senhor, para estar diante do Senhor, para O servir, e para abençoar em Seu nome." "Meu concerto com ele foi de vida e de paz, e lhas dei (as bênçãos) para que Me temesse, e Me temeu. ... Andou Comigo em paz e em retidão, e apartou a muitos da iniquidade." (Deuteronómio 10:8; Malaquias 2:5, 6)
Os que foram designados para ministros do santuário, os levitas, não receberam herança em terras; habitavam juntos em cidades separadas para o seu uso, e recebiam o seu sustento dos dízimos, donativos e ofertas dedicados ao serviço de Deus. Eram os ensinadores da povo, hóspedes em todas as suas festividades, e em toda a parte honrados como os servos e representantes de Deus. À nação toda fora dada esta ordem: "Guarda-te, que não desampares ao levita todos os teus dias na terra." "Levi com seus irmãos não têm parte na herança: o Senhor é a sua herança." (Deuteronómio 12:19; 10:9).

À CONQUISTA, PELA FÉ

A verdade de que a homem "é tal quais são os seus pensamentos" (Provérbios 23:7, Trad. Bras.), encontra outra ilustração na experiência de Israel. Nas fronteiras de Canaã, os espias, ao voltarem de pesquisar o país, apresentaram o seu relatório. A beleza e fertilidade da terra foram perdidas de vista pelos receios das dificuldades que obstavam à sua ocupação. As cidades muradas até ao céu, os gigantes guerreiros, os carros de ferro, faziam desfalecer-se-lhes a fé. Não tomando a Deus em conta, a multidão ecoou a decisão dos espias descrentes: "Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós." (Números 13:31). Suas palavras mostraram-se verdadeiras. Não eram capazes de avançar, e despenderam a vida no deserto.
Entretanto, dois dentre os doze que examinaram a terra, raciocinavam de modo diverso. "Certamente prevaleceremos contra ela!" (Números 13:30) - insistiam eles, considerando a promessa de Deus superior a gigantes, cidades muradas e carros de ferro. Para eles a Sua palavra era verdadeira. Posto que participassem com seus irmãos da peregrinação de quarenta anos, Calebe e Josué entraram na terra da promessa. Tão animoso de coração como quando com as hostes do Senhor saíra do Egito, Calebe pediu e recebeu como seu quinhão a fortaleza dos gigantes. Na força divina expulsou os cananeus. Os vinhedos e olivais onde haviam pisado os seus pés, tornaram-se sua possessão. Ao passo que os covardes e rebeldes pereceram no deserto, os homens de fé comeram das uvas de Escol.

Verdade alguma apresenta a Bíblia em mais clara luz do que haver perigo em nos desviarmos do que é reto uma única vez que seja, perigo este tanto para o que faz o mal como para todos os que são atingidos pela influência do mesmo. O exemplo tem uma força maravilhosa; e quando posto do lado das más tendências da nossa natureza, torna-se quase irresistível.
O mais forte baluarte do vício no nosso mundo não é a vida iníqua do pecador declarado ou do degradado proscrito; é a vida que parece virtuosa, honrada e nobre, mas em que se alimenta um pecado ou se acaricia um vício. Para a alma que se acha lutando secretamente contra alguma enorme tentação, tremendo nas bordas mesmo do precipício, tal exemplo é um dos mais poderosos incentivos ao pecado. Aquele que, dotado de altas concepções da vida, verdade e honra, transgride, não obstante, voluntariamente um preceito da santa lei de Deus, perverte seus nobres dons, tornando-os chamarizes ao pecado. Génio, talento, simpatia, mesmo ações generosas e benévolas, podem assim tornar-se engodos de Satanás para levar almas ao precipício da ruína.
Aí está porque Deus deu tantos exemplos, apresentando os resultados de mesmo um só ato errado. Desde a triste história daquele único pecado que trouxe ao mundo a morte e nossas desgraças todas, juntamente com a perda do Éden, até o relato que há daquele que por trinta moedas de prata vendeu o Senhor da glória, a biografia bíblica está repleta destes exemplos, ali colocados como faróis de advertência nos atalhos que desviam do caminho da vida.
Há também advertência em notarmos os resultados que se seguiram quando, mesmo uma única vez, alguém cedeu à fraqueza e erro humano - o fruto de abandonar a fé.
Em virtude de uma falha de sua fé, Elias interrompeu a obra da sua vida. Pesado fora o encargo que havia enfrentado em prol de Israel; fiéis tinham sido suas admoestações contra a idolatria nacional; e profunda foi sua solicitude quando durante três anos e meio de fome vigiara e observara à espera de algum indício de arrependimento. Ele sozinho permaneceu do lado de Deus no monte Carmelo. Pelo poder da fé, a idolatria foi derribada, e abençoada chuva testificou dos aguaceiros de bênçãos que aguardavam o momento de serem derramados sobre Israel. Então em seu cansaço e fraqueza Elias fugiu de diante das ameaças de Jezabel, e sozinho no deserto pediu a morte. Falhara sua fé. A obra que tinha começado, não deveria ele terminar. Deus lhe ordenou ungir outro para ser profeta em seu lugar.
Mas Deus havia notado o sincero serviço do Seu servo. Elias não devia perecer em desânimo e na solidão do deserto. Não lhe caberia descer ao túmulo, mas ascender com os anjos de Deus para a presença da Sua glória.
Estes registos biográficos declaram o que todo o ser humano um dia compreenderá, a saber: que o pecado só poderá acarretar vergonha e perdas; que a incredulidade significa fracasso; mas que a misericórdia de Deus atinge as maiores profundezas, e que a fé ergue a alma penitente para participar da adoção de filhos de Deus.

A DISCIPLINA DO SOFRIMENTO


Todos os que neste mundo prestam verdadeiro serviço a Deus e ao homem, recebem um preparo prévio na escola das aflições. Quanto mais pesado for o encargo e mais elevado o serviço, maior será a prova e mais severa a disciplina. Estudai as experiências de José e Moisés, de Daniel e Davi. Comparai o princípio da história de Davi com a de Salomão, e considerai os resultados.

Davi, em sua juventude esteve intimamente ligado a Saul, e sua permanência na corte e ligação com a casa do rei deram-lhe profundo conhecimento dos cuidados, tristezas e perplexidades ocultas pelo esplendor e pompa da realeza. Viu de quão pouca valia é a glória humana para trazer paz à alma. E foi com alívio e satisfação que da corte real voltou aos apriscos e rebanhos.

Quando, compelido pelos zelos de Saul era um fugitivo no deserto, Davi, privado do apoio humano, amparou-se mais pesadamente em Deus. A incerteza e desassossego da vida no deserto e seus incessantes perigos, a necessidade de fugas frequentes, o caráter dos homens que a ele se reuniam: "todo o homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espírito desgostoso" (I Samuel 22:2) - tudo isto tornava muito necessária uma severa disciplina própria. Estas experiências despertaram e desenvolveram capacidade para lidar com os homens, simpatia para com os oprimidos e ódio à injustiça. Durante anos de expectativa e perigo, Davi aprendeu a encontrar em Deus conforto, apoio e vida. Aprendeu que unicamente pelo poder de Deus ele poderia subir ao trono; unicamente pela Sua sabedoria poderia governar sabiamente.
Foi mediante o preparo na escola das agruras e tristezas que Davi se habilitou a declarar que "governava o seu povo com justiça e retidão" (II Samuel 8:15) não obstante mais tarde seu grande pecado lhe deslustrasse o feito.

A disciplina da experiência inicial de Davi faltava a Salomão. Pelas circunstâncias, pelo caráter e pela vida parecia mais favorecido do que todos. Nobre na juventude, nobre na varonilidade, amado por seu Deus, Salomão iniciou um reinado que dava altas promessas de prosperidade e honra. Nações maravilhavam-se do saber e conhecimentos do homem a quem Deus havia dado sabedoria. Mas o orgulho da prosperidade trouxera a separação de Deus. Da alegria da comunhão divina, Salomão desviou-se para encontrar satisfação nos prazeres dos sentidos. Diz ele desta experiência:
"Fiz para mim obras magníficas: edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas. Fiz para mim hortas e jardins. ... Adquiri servos e servas. ... Amontoei também para mim prata e ouro, e jóias de reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, e de instrumentos de música de toda a sorte. E engrandeci-me, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém. ... E tudo quanto desejaram meus olhos não lho neguei, nem privei meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho. ... E olhei eu para todas as obras que fizeram minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do Sol. Então passei à contemplação da sabedoria, e dos desvarios, e da doidice; porque, que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram.
"Aborreci esta vida. ... Também eu aborreci todo o meu trabalho, em que trabalhei debaixo do Sol" (Eclesiastes 2:4-12, 17 e 18).
Por sua própria amarga experiência, Salomão aprendeu como é vazia uma vida que busca nas coisas terrenas seu mais elevado bem. Erigiu altares aos deuses gentílicos, unicamente para aprender quão vã é sua promessa de descanso para a alma.
Em seus anos posteriores, tornando-se cansado e sedento nas rotas cisternas da Terra, Salomão voltou a beber da fonte da vida. A história de seus anos desperdiçados, com suas lições de advertência, ele, pelo Espírito de inspiração, registou para as gerações posteriores. E assim, conquanto a semente que semeara fosse colhida por seu povo em uma messe de males, a obra realizada na vida de Salomão não foi inteiramente perdida. Para ele, finalmente, a disciplina do sofrimento cumpriu sua obra.
E com semelhante alvorecer da vida, quão glorioso poderia ter sido o dia da mesma, se houvesse Salomão em sua mocidade aprendido a lição que o sofrimento ensinara na vida de outros!

A PROVAÇÃO DE JÓ

Para os que amam a Deus, que "são chamados por Seu decreto" (Romanos 8:8), a biografia bíblica tem uma lição ainda mais elevada do préstimo da tristeza.
"Vós sois as Minhas testemunhas, diz o Senhor; Eu sou Deus." (Isaías 43:12) - testemunhas de que Ele é bom, e de que a Sua bondade é suprema. "Somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens." (I Coríntios 4:9).
A abnegação, que é o princípio do reino de Deus, é o princípio que Satanás odeia; ele nega até a existência do mesmo. Desde o início do grande conflito tem-se ele esforçado por provar que os princípios pelos quais Deus age são egoístas, e da mesma maneira ele considera a todos os que servem a Deus. A obra de Cristo e a de todos os que adotam o Seu nome, tem por fim refutar esta pretensão de Satanás.
Foi para dar com Sua própria vida um exemplo de abnegação, que Jesus veio em forma de humanidade. Todos os que aceitam este princípio devem ser coobreiros Seus e demonstrar na vida prática esse princípio. Escolher o que é reto porque é reto, estar pela verdade ainda que isto importe no sofrimento e sacrifício - "esta é a herança dos servos do Senhor, e a Sua justiça que vem de Mim, diz o Senhor." (Isaías 54:17).

Muito cedo na história deste mundo, apresenta-se-nos o relato da vida de alguém, sobre o qual se desencadeou essa guerra de Satanás.
A respeito de Jó, o patriarca de Uz, o testemunho dAquele que pesquisa os corações, foi: "Ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, e desviando-se do mal."

Contra este homem Satanás apresentou uma insolente acusação: "Teme Jó a Deus debalde? Porventura não o cercaste Tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? ... Estende a Tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem." ... "Toca-lhe nos ossos e na carne, e verás se não blasfema de Ti na Tua face!"
O Senhor disse a Satanás: "Tudo quanto tem está na tua mão." "Eis que ele está na tua mão, poupa, porém, a sua vida."
Permitido isto, Satanás destruiu tudo quanto Jó possuía: manadas, rebanhos, servos e servas, filhos e filhas; e ele "feriu a Jó duma chaga maligna, desde a planta do pé até o alto da cabeça." (Jó 1:8-12; 2:5-7).
Ainda outro elemento de amargura lhe foi acrescentado na taça. Seus amigos, não vendo naquela adversidade senão a retribuição do pecado, oprimiam-no com acusações de delitos o espírito ferido e sobrecarregado.
Aparentemente abandonado do Céu e da Terra, não obstante conservando firme sua fé em Deus e a consciência de sua integridade, exclamava, angustiado e perplexo:

"A minha alma tem tédio da minha vida. Oxalá me escondesses na sepultura,
E me ocultasses até que Tua ira se desviasse; e me pusesses um limite, e Te lembrasses de mim!" (Jó 10:1; 14:13)
"Eis que clamo: Violência! mas não sou ouvido; Grito: Socorro! mas não há justiça. ...
Da minha honra me despojou; e tirou-me a coroa da minha cabeça. ...
Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. ...
Os que eu amava se tornaram contra mim. ...
Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou."
"Ah se eu soubesse que O poderia achar! Então me chegaria a Seu tribunal. ...
Eis que se me adianto, ali não está; se torno para trás, não O percebo.
Se opera à mão esquerda, não O vejo; encobre-Se à mão direita, e não O diviso.
Mas Ele sabe o meu caminho; prove-me, e sairei como o ouro."

"Ainda que Ele me mate, nEle esperarei."
"Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre a terra,
E depois de consumida minha pele, ainda em minha carne verei a Deus.
Vê-Lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros, O verão."

(Jó 19:7-21; 23:3-10; 23:15; 19:27)

Foi feito a Jó de acordo com sua fé.
"Prove-me," disse ele, "e sairei como o ouro." (Jó 23:10).
Assim foi. Por sua paciente persistência reividicou seu próprio caráter, e bem assim o dAquele de Quem ele era representante. E "o Senhor virou o cativeiro de Jó, ... e o Senhor acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía. ... E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro." (Jó 42:10-12).


No relatório daqueles que mediante a abnegação entraram na comunhão dos sofrimentos de Cristo, acham-se os nomes de Jónatas e de João Batista, aquele no Velho Testamento e este no Novo.

Jónatas - por nascimento herdeiro do trono e não obstante ciente de que fora posto de lado pelo decreto divino; o mais amável e fiel amigo de seu rival Davi, cuja vida ele escudava com perigo da sua própria; firme ao lado do pai através dos tenebrosos dias de seu poder em declínio, e a seu lado tombando, ele mesmo, finalmente - acha-se o seu nome guardado como tesouro nos Céus, e na Terra permanece como um testemunho da existência e do poder do amor abnegado.

João Batista abalou a nação, por ocasião de seu aparecimento, na qualidade de arauto do Messias. De uma para outra parte seus passos eram seguidos por vastas multidões constituídas de pessoas de todas as classes e condições. Mas quando chegou Aquele de Quem ele dera testemunho, tudo se mudou. As multidões acompanharam a Jesus, e a obra de João parecia encerrar-se rapidamente. Contudo não houve vacilação na sua fé. "É necessário," disse ele, "que Ele cresça e que eu diminua." (S. João 3:30).
Passou-se o tempo, e o reino que João confiantemente esperara não se estabeleceu. No calabouço de Herodes, separado do ar vivificante e da liberdade do deserto, ele aguardava e vigiava. Não houve exibição e armas, nem despedaçamento de portas de prisões; mas a cura de enfermos, a pregação do evangelho, o erguimento das almas humanas testificavam da missão de Cristo.
Sozinho no calabouço, vendo onde ia terminar o seu caminho e o de seu Mestre, João aceitara este encargo - a comunhão com Cristo no sacrifício. Mensageiros celestiais assistiram-no até ao túmulo. Os seres do universo, caídos ou não, testemunharam a reivindicação do serviço abnegado, feita por ele.
Em todas as gerações que se têm passado desde então, almas sofredoras têm sido amparadas pelo testemunho da vida de João. Na masmorra, no patíbulo, nas chamas, homens e mulheres, no decorrer dos séculos de trevas, têm sido fortalecidos pela memória daquele de quem Cristo declarou: "Entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista." (S. Mateus 11:11).


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"E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté (imagem com ele e a juíza israelita Débora - E.E.), ... e de Samuel, e dos profetas: os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.

"As mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e os outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra.

"E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa: provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados." (Hebreus 11:32-40)

Ellen G. White in Educação, Casa Publicadora Brasileira, 1977.


"AOS PAIS, PROFESSORES E ESTUDANTES, todos alunos na escola preparatória da Terra, é dedicado este livro. Oxalá os ajude a conseguir os maiores benefícios, desenvolvimento e gozo da vida no serviço aqui, e assim a habilitação para aquele serviço mais amplo, o 'curso superior', aberto a todo ser humano na escola do além." E.W.

"Para que nossos filhos sejam como plantas, bem desenvolvidos na sua mocidade; para que as nossas filhas sejam como pedras de esquina lavradas, como colunas de uma palácio." E.W.

"Refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória." II Coríntios 3:18.

"Respeitar o Senhor é a verdadeira sabedoria; conhecer o Deus santo é ter entendimento." Provérbios 9:10 (T.I.P.C.).