domingo, 15 de maio de 2011

RETRATOS DA FAMÍLIA DE JESUS


UM NAZARENO

"E chegou e habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno." Mateus 2:23

       "Lá no alto dos montes da Galileia, a Norte de Samaria e a vários dias de viagem a Norte de Jerusalém, fica a pequena vila montanhosa de Nazaré. ... Nazaré era tão pequena que nem se acha entre as 200 cidades mencionadas pelo historiador Josefo. ... Mesmo entre os galileus, Nazaré tinha a reputação de ser perversa. Natanael apenas deu voz à opinião geral sobre os nazarenos quando perguntou: "Pode alguma coisa boa sair de Nazaré?" Foi para esta zona que Jesus e os Seus pais foram viver depois de saírem do Egipto. ...

       "O local mais sagrado deste mundo teria sido grandemente honrado pela presença do Redentor do mundo durante um ano apenas. Os palácios dos reis teriam sido exaltados por receberem Cristo como hóspede. Mas o Redentor do mundo passou de lado as cortes reais e fez o Seu lar numa humilde vila da montanha, durante 30 anos, conferindo, assim, distinção à desprezada Nazaré."

       "Pouco sabemos da infância de Cristo. Rodeado pela Natureza e educado pela Sua mãe, passou os Seus primeiros anos continuamente exposto a tentações. Tinha que estar constantemente em guarda para Se manter puro e sem mácula entre tanto pecado e perversidade. "Cristo não escolheu por Si mesmo este lugar. O mesmo foi escolhido pelo Seu Pai celeste - um lugar onde o Seu carácter seria experimentado e provado de vários modos. Os primeiros anos de Cristo foram sujeitos a rigorosas provas, durezas e conflitos, para que desenvolvesse o carácter perfeito que O torna um perfeito exemplo para as crianças, os jovens e os adultos."

A LUZ DO SEMBLANTE DO SEU PAI

"E o Menino crescia, e Se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele." Lucas 2:40

       "Jesus tornou-Se conhecido como 'o filho do carpinteiro' (Mateus 13:55). "Quando trabalhava no banco de carpinteiro, fazia tanto a obra de Deus, como quando fazia milagres em favor da multidão." O Seu trabalho era tão perfeito como o Seu carácter. ...
Dedicava-Se a cada tarefa com alegria e diligentemente. Muitas vezes, a Sua família ouvia o som de um salmo ou de um cântico do lugar onde Ele trabalhava. "Ele trabalhava no ofício de carpinteiro com o Seu pai José, e todo o artigo que fazia, era bem feito."

       "No tempo de Cristo, a vila ou cidade que não providenciasse instrução religiosa para a juventude era considerada sob a maldição de Deus. Todavia, o ensino era formal. "Jesus não recebeu a Sua instrução na sinagoga. O trabalho útil, o estudo da Natureza, o aprofundar das Escrituras, e as experiências da vida do dia-a-dia numa cidade pequena, serviam como livros de estudo de Deus, desenvolvendo a Sua mente activa e penetrante. Ele apresentava uma sabedoria e atenção que ultrapassavam os Seus contemporâneos.
       Os escribas e anciãos pensavam que poderiam facilmente influenciar, com as suas interpretações, uma criança tão gentil e humilde. No entanto, quanto mais tentavam moldá-l'O, mais se consciencializavam de que a Sua compreensão era superior à deles. "Não podendo convencê-l'O, procuraram José e Maria, e expuseram-lhes a Sua atitude de insubmisão. Por isso Ele foi repreendido e censurado." Ocasionalmente Maria, pedia-Lhe que Se sujeitasse aos ensinos deles, mas nada O conseguia desviar dos princípios, e, por causa disso, os rabis tornaram a Sua vida muito amarga. "Mesmo na Sua juventude teve que aprender a dura lição do silêncio e da paciência no sofrimento."

       A vida de Cristo foi assinalada pelo respeito e amor para com a Sua mãe." Ele amava os seus irmãos, mas eles desprezavam-n'O; e não eram só eles. "Não faltou quem procurasse lançar sobre Ele desprezo por causa do Seu nascimento e mesmo na infância teve de enfrentar olhares desdenhosos e maliciosas murmurações. Se Ele tivesse respondido com uma palavra ou um olhar impaciente, se tivesse cedido aos irmãos num só acto errado teria fracassado em ser um exemplo perfeito." O facto de não Se juntar a eles em planos proibidos fez com que os Seus amigos O apelidassem de limitado e puritano. Mas Ele suportou cada insulto com paciência. Embora evitasse a controvérsia, o Seu excelente exemplo era uma censura constante para aqueles que, à Sua volta, escolhiam o caminho do pecado. "O desenvolvimento do carácter perfeito de Jesus desde a infância à idade adulta, sem pecado, é, talvez, o facto mais espantoso da Sua vida inteira. Confunde a imaginação."

SEGUNDO O COSTUME

       O 12º ano marcava, para um rapaz judeu, o fim da infância. Aos 13 anos, os jovens Hebreus tornavam-se pessoalmente responsáveis por observar os mandamentos. No tempo de Cristo, todos os homens de Israel deviam ir perante o Senhor em Jerusalém na altura das festas anuais da Páscoa. ...
       "Todas as cerimónias da festa eram símbolos da obra de Cristo. A libertação de Israel do Egipto era uma lição objectiva da redenção, que a Páscoa se destinava a conservar na memória. O cordeiro imolado, o pão asmo, o molho dos primeiros frutos, representavam o Salvador. Para a maioria das pessoas, no tempo de Cristo, a observância desta festa degenerara em mera formalidade. Mas qual era o seu significado para o Filho de Deus?!..."

OS NEGÓCIOS DO MEU PAI

       José e Maria completaram os dias, como lhes era pedido na Páscoa, e iniciaram o seu regresso a casa. Nenhum deles tinha a menor razão para duvidar que Jesus estivesse no grupo que se encontrava a caminho de casa. ...

       Dia após dia, enquanto os sacerdotes faziam os serviços da Páscoa, Jesus viu como o seu significado se aplicava a Si, e o mistério da Sua missão tornou-se claro. Compreendendo que era o Filho de Deus, deixou-se ficar no Templo para obter uma compreensão mais profunda da Sua missão e para comungar com Deus em silêncio.
       Durante esse período de meditação, foi atraído para um dos átrios cobertos da estrutura do Templo. Aqui, os rabis sentavam os seus pupilos no chão enquanto os ensinavam pelas Escrituras. Fazendo perguntas e respondendo às suas questões, levavam a discussões sobre a passagem escolhida. Jesus juntou-Se a eles e ouviu com atenção. Fez-lhes perguntas pertinentes, desejando conhecer a sua interpretação das profecias que anunciavam o advento do Messias. Em breve ficou evidente para os homens mais velhos que Ele era um estudante dotado. As Suas respostas criteriosas às perguntas que Lhe faziam, espantavam-nos. A Sua compreensão das Escrituras era vasta, a profundidade do seu entendimento era extensa. Explicava as Escrituras de maneira renovada e compreensiva. Viram n'Ele, imediatamente, um grande professor em Israel. Cada um desejava ser o Seu tutor, moldar a Sua mente.

       Quando a caravana parou para descansar, Maria e José deram, finalmente, pela falta do seu Filho. Recordando-se da tentativa de Herodes para O matar, o medo apertou-lhes o coração. Como puderam ser tão negligentes? Rapidamente, voltaram pelo mesmo caminho até Jerusalém. No dia seguinte, ouviram uma voz familiar, e, quando O encontraram na escola rabínica, a Sua mãe ralhou-Lhe por lhe ter causado preocupação. A Sua resposta mostrou que, pela primeira vez, tinha compreendido o Seu relacionamento especial com Deus. "'Porque é que Me procuráveis? Não sabeis que Me convém tratar dos negócios de Meu Pai?' E, como parecessem não compreender as Suas palavras, apontou para cima. Havia no Seu rosto uma luz que os levou a meditar. A divindade irradiou através da humanidade." Ele não merecia ser censurado, pois não os tinha deixado; eles é que tinham partido sem Ele.

       No Templo, Maria tomou consciência de que Jesus tinha em mente o Seu relacionamento com o Seu Pai celestial, não com José. "Maria ponderava aquelas palavras no seu coração; no entanto, ao mesmo tempo que acreditava que o seu Filho havia de ser o Salvador de Israel, não compreendia a Sua missão." ... Tal como Jesus tinha estado perdido para ela durante 3 dias, iria, novamente, estar perdido para ela quando fosse oferecido pelos pecados do mundo.

       "Jesus é o nosso exemplo. Muitos há que se detêm com interesse sobre o período do Seu ministério público, enquanto passam por alto os ensinos dos Seus primeiros anos. É, porém, na vida doméstica que Ele é o modelo de todas as crianças e jovens."

UM SALVADOR PESSOAL

       Quando Jesus era criança, em Nazaré, os Seus irmãos tinham tentado intimidá-l'O e controlá-l'O. Quando chegavam as provações, Ele aceitava as contrariedades com serenidade. A Sua dignidade enfurecia os Seus irmãos. "Jesus amava os Seus irmãos e tratava-os com inexaurível amabilidade; mas eles tinham ciúmes d'Ele e manifestavam para com Ele a mais decidida incredulidade e desdém. Não conseguiam entender o Seu procedimento." Uma vez mais eles pensaram que sabiam o que era melhor para o Seu Irmãozinho e procuraram controlá-l'O. Jesus tinha acabado de curar o homem possuído do demónio, cego e mudo. "E, falando Ele ainda à multidão, eis que estavam fora a Sua mãe e os Seus irmãos, pretendendo falar-Lhe." ( Mateus 12:46).

       Os discípulos talvez tenham levado o recado a Jesus, mas Ele já sabia qual era a missão da Sua família. Voltando-Se para o mensageiro, respondeu: "Quem é a Minha mãe? E quem são os Meus irmãos?" (verso 48). Estendendo a mão, apontou para os Seus discípulos. "Eis aqui a Minha mãe e os Meus irmãos; porque, qualquer que fizer a vontade do Meu Pai, que está nos Céus, este é o Meu irmão, e irmã e mãe." (verso 49, 50). Jesus amava a Sua família, mas era claro que eles não tinham o direito de interferir no Seu ministério nem de O controlar. Tal como fizera no Templo em Jerusalém quando era apenas um rapaz, Jesus voltou a afirmar que tinha de cuidar dos negócios do Seu Pai.

       Quem aceitar Deus como seu Pai é um membro da família de Deus (Efésios 3:14, 15). "Os laços que unem os cristãos ao seu Pai Celestial e entre si são mais fortes e verdadeiros até mesmo do que os laços consanguíneos, e mais duradouros."

"NÃO É ESTE O CARPINTEIRO?

"E não podia ali fazer obras maravilhosas; somente curou uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. E estava admirado da incredulidade deles!" Marcos 6:5, 6

       Enquanto os galileus corriam para Jesus, os Seus próprios vizinhos recusavam-se a acreditar. Seguiam as notícias sobre o Filho da sua terra com interesse, mas duvidavam que Ele fosse, realmente, o Messias. "Depois de ter sido aí rejeitado, a fama das Suas pregações e milagres encheram a Terra. Ninguém podia agora negar que possuía poder sobrenatural. O povo de Nazaré sabia que Ele andava a fazer o bem, e a curar todos os oprimidos de Satanás."
       Agora, na Primavera de 30 d. C., perto do fim do Seu ministério na Galileia, Jesus pôs-Se a caminho pela familiar estrada de montanha para Nazaré. Chegou antes do Sábado, e no dia de Sábado foi à sinagoga e levantou-Se para ensinar. À medida que as Suas palavras caíam nos seus ouvidos, o Espírito Santo tocou os nazarenos, mas parecia demasiado incrível que o seu vizinho fosse o Filho de Deus. "De onde Lhe vêem estas coisas? E que sabedoria é esta que Lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por Suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simeão? E não estão aqui connosco as Suas irmãs? E escandalizavam-se n'Ele (Marcos 6:2, 3).

       Como José já tinha falecido, as pessoas referiam-se a Jesus como 'o Filho de Maria'. Como Se sentiria ela com respeito ao seu Filho? Nesta altura, os Seus irmãos e irmãs não acreditavam que Ele fosse o Messias (João 7:5). Aqueles que cresceram com Ele e testemunharam o Seu carácter e actos de compaixão não se sentiam atraídos para Ele, porque a Sua vida exemplar apresentava a deles numa luz desfavorável.
       O orgulho dos líderes judeus não permitia que aceitassem Jesus porque "amavam os melhores lugares na sinagoga. Amavam as saudações nas praças e ficavam satisfeitos por ouvirem os seus títulos nos lábios de homens. À medida que decaía a verdadeira piedade, tornavam-se mais zelosos das suas tradições e cerimónias." A Sua pureza de carácter expunha a falsa piedade e pretensão deles. Enquanto existisse uma tal descrença, Jesus não podia fazer nada. Ele deixou Nazaré e aqueles que estavam cegos pelo desejo de ver um Messias que preenchesse as suas próprias concepções, para nunca mais regressar.

David Metzler in Jesus ...Para Mim (com citações de Ellen White)
O autor é Oficial do Corpo de Dentistas da Marinha Norte-Americana


«Uma bela ilustração das relações de Cristo para com o Seu povo, encontra-se nas leis dadas a Israel. Quando, em virtude da pobreza, um hebreu se via forçado a abrir mão do seu património, e a vender-se como escravo, o dever de resgatá-lo a ele e à sua herança, recaía no parente mais chegado (Levítico 25:25). Assim a obra de nos redimir a nós e à nossa herança, perdida por causa do pecado, recaiu sobre Aquele que nos é 'parente chegado'. Foi para nos resgatar que Ele Se tornou nosso parente. Mais chegado que o pai, mãe, irmão, amigo ou noivo é o Senhor nosso Salvador. "Não temas", diz Ele, "porque Eu te remi: chamei-te pelo teu nome, tu és Meu". Isaías 43:1.    ...

«Cristo ama os seres celestiais, que Lhe circundam o trono; mas quem explicará o grande amor com que nos tem amado? Não o podemos compreender, mas podemos sabê-lo real em nossa própria vida. E se mantemos para com Ele relações de parentesco, com que ternura devemos olhar os que são irmãos e irmãs de nosso Senhor! Não devemos estar prontos a reconhecer as responsabilidades do nosso divino parentesco? Adoptados na família de Deus, não devemos honrar o nosso Pai e os nossos parentes?"»
O Desejado de Todas as Nações

domingo, 1 de maio de 2011

A FÉ DE UMA MÃE



(Esta história verdadeira contada por A. A. Allen já emocionou e inspirou dezenas de milhares de pessoas)


Logo nos princípios do meu ministério fui Pastor de uma pequena igreja na zona montanhosa do norte do Estado de Idaho. Eu e a minha esposa obedecemos ao chamado porque Deus disse: «Ide!»

Nós sabiamos que as pessoas dali eram muito pobres, mas elas davam fielmente o seu dízimo. Semana após semana o montante das ofertas era de menos de ½ dólar. Tínhamos um quintal onde cultivávamos vegetais, frutos e grãos, dos quais depois fazíamos conservas. Isto ajudava às nossas provisões. Deus abençoou o nosso trabalho e deu-nos muitas almas dentre o povo das montanhas. A nossa encantadora igrejinha incluía quatro quartos nas traseiras para moradia do Pastor. Fomos nós que a construímos com as nossas próprias mãos com madeira dos pinheiros e abetos da floresta local que nos circundava.

Deus supria as nossas necessidades dia a dia, mas depressa surgiu uma nova necessidade que não podia ser satisfeita com ofertas de produtos alimentares. Em breve iria nascer outro bebé. Não tínhamos nenhumas roupinhas usadas disponíveis porque, à medida que as necessidades iam surgindo, dávamos tudo o que pertencera aos nossos outros filhos. Não tínhamos dinheiro sequer para comprar um frasco de desinfectante ou um metro de flanela para costurar algumas camisinhas e fraldas. Nem sequer planeámos chamar um médico por causa do custo que representaria.

Démos início à nossa primeira campanha de reavivamento na nova igreja. Trabalhámos e orámos intensamente para a tornar um sucesso. Orámos especialmente por um homem, um ébrio e conhecido céptico da comunidade.
Finalmente o domingo amanheceu. Nevara durante a noite e soprava pelo vale um vento de inverno. Bem cedinho acendi o fogo na lareira da igreja para que, à hora da reunião, o ambiente estivesse quente e acolhedor. Cheguei à igreja quinze minutos mais cedo e encontrei lá um rapazinho esfarrapado.


Levantava, junto ao fogo, primeiro um pezinho, depois o outro. Os seus pés estavam apenas cobertos por uns sapatos de lona completamente gastos nos dedos. Os seus pequeninos dedos vermelhos tinham apanhado neve e frio durante toda a caminhada que fizera até à igreja. Reconheci que era o filho mais novo do ébrio. Chamei a minha esposa e disse-lhe:
- Leva esta criança a nossa casa, aquece-lhe os pés e seca os seus sapatos.
Dentro de alguns minutos ele voltou para a igreja sem sapatos mas usando um par de meias quentes e secas do meu filho mais velho e sentou-se à frente.
Eu sabia que ele teria que voltar a calçar os sapatos de lona para regressar a casa através da neve.

Naquela manhã havia duas pessoas sentadas entre a congregação que podiam facilmente providenciar uns sapatos para aquela criança. Uma, era o proprietário de uma serração, a outra, era uma senhora muito rica que possuía, pelo vale fora, muitos hectares de árvores para madeira bem como pequenas quintas de árvores de fruto. Eu pensava que certamente Deus falaria a um ou a outro acerca do par de sapatos.

Por fim, a reunião terminou. O dono da serração cumprimentou alegremente os amigos, reuniu a sua família e partiu para casa. Olhei em redor em busca da senhora rica. Ela partiu no seu bonito carro novo sem oferecer uma boleia à criança, embora esta morasse entre a sua casa e a igreja.

Olhei de novo para a criança. A minha esposa trouxera os sapatos de lona rasgados, agora já quentinhos e secos e preparava-se para lhos calçar nos pés. De repente, olhou para os pés do nosso filho mais velho. Os seus bons sapatos de couro servir-lhe-iam perfeitamente. Nesse momento compreendi o que ela poderia fazer. No mesmo instante o meu coração gritou: Nós não podemos fazer isso! Nós nem sequer temos dinheiro para comprar roupinhas para o futuro bebé! Não podemos comprar um novo par de sapatos para o Jimmie!
Mas também sabia que não podíamos permitir que aquele rapazinho regressasse a casa caminhando através da neve sem sapatos!
A minha esposa conversou com o Jimmie:
- Os teus sapatos servir-lhe-iam mesmo bem! Tira-os, querido!
- E o que é que eu vou calçar, mamã? – perguntou ele.
- Tu não precisas tanto deles como o menino - disse ela. - Além disso, Jesus disse: «Dai e ser-vos-á dado». Jesus dar-te-á outros.
- Então está bem. – disse Jimmie enquanto se sentava e desapertava os seus pequenos sapatos brancos.

Eu saí apressadamente da igreja! No meu íntimo gritava: Porque é que Deus não pediu ao dono da serração para fazer isto?

Porque é que Ele não pediu à proprietária das terras? De certeza que, em toda a congregação, não havia ninguém em piores condições do que eu para ajudar!
Contudo, eu sabia que Deus o tinha pedido e senti-me feliz por a minha esposa e o meu filho não se terem recusado a obedecer.

Na manhã seguinte, quando fui à caixa do correio, encontrei lá dentro uma carta da mãe da minha esposa. Quando abrimos a carta, encontrámos lá uma nota de 20 dólares. «Para aqueles pequenos extras que não podeis comprar nesta altura» dizia ela. Isto foi para nós uma completa surpresa pois quando lhe escrevíamos nunca fazíamos a menor referência ao nosso salário nem às coisas que nos faziam falta.

Quando começámos a servir ao Senhor tínhamos decidido levar a Ele as nossas necessidades e não a amigos e familiares. Aquele dinheiro era mais do que suficiente para comprar tudo o que precisávamos! Como nos alegrámos em conjunto!

- Será que vai chegar para uns sapatos novos? - perguntou o Jimmie.
- Claro que sim! – respondeu a minha esposa.
Repentinamente a sua expressão mudou. Eu sabia que ela estava a ouvir a mesma voz da consciência que já me falara.
- Vamos dar metade deste dinheiro ao irmão Smith. - disse eu.

Eu sabia que a oferta para o nosso evangelista fora muito pequena e que ele tinha que sustentar a esposa e precisava de dinheiro para comprar gasolina a fim de se dirigir para a reunião seguinte.
- Vamos dar-lhe tudo! – respondeu a minha esposa. – Ele vai precisar do dinheiro. Eu sabia que Deus queria que eu o fizesse, por isso, apressei-me para o quarto do evangelista e ofereci-lhe metade do dinheiro. Como ele conhecia as nossas necessidades recusou aceitá-lo.

Por um instante quase me senti feliz, mas depois concluí que Deus me dissera para lhe dar todo o dinheiro, portanto, não servia meia obediência.
Eu exclamei:
- Oh, irmão! Fique com todo o dinheiro! Por favor! Deus disse-me para lho dar todo!
- Bom, então – respondeu ele – se Deus lhe disse para o dar eu aceito-o.
Depois começou a louvar a Deus por ter satisfeito mais uma necessidade na sua vida.

Embora a satisfação da nossa necessidade parecesse mais afastada do que nunca, os nossos corações sentiam a paz que vem da obediência.
Na manhã seguinte chegou outra carta à nossa caixa do correio com uma caligrafia desconhecida vinda de uma cidade que também não conhecíamos.
Dentro dela encontrei um cheque, o maior cheque que já alguma vez vira, tendo nele o meu nome escrito. 50 dólares! Um bilhete dizia: «Esta noite não consegui dormir. Deus falou-me ao coração dizendo-me que o senhor precisaria deste dinheiro, que me levantasse imediatamente e o enviasse para si de maneira a recebê-lo no correio da manhã. Eu achei que podia esperar até de manhã, mas Deus disse: - Não!»

Como nós louvámos a Deus! Ele transformara os pequenos sapatos numa nota de 20 dólares. Depois transformara os 20 dólares em 50!

Mas a história ainda não acabou:

No domingo seguinte à noite, o ébrio (o pai do rapazinho que ficara com os sapatos do Jimmie) veio à igreja juntamente com um seu 'companheiro' e vários membros de ambas as famílias. Depois de termos acabado de orar o homem segurou firmemente a minha mão e disse:
- Irmão Allen, nunca achei que os pregadores servissem para grande coisa nem nunca tive muito tempo para a religião. Inclusivamente, já menti a seu respeito e tentei prejudicá-lo de todas as maneiras possíveis. Mas, quando vi que o amor de Deus conseguiu levá-lo a tirar os sapatos dos pés do seu próprio filho e a calçá-los nos pés do meu, não consegui aguentar mais tempo e tive que vir.

Deus usou a oferta de sacrifício e a fé obediente da minha esposa para suprir a nossa necessidade, a necessidade do evangelista e para trazer muitas almas à salvação.

Publicado em «Shepherdess Newsletter», Maio 1989,
Associação de N. York Via Shepherdess Internacional



quinta-feira, 21 de abril de 2011

TERIA CORAGEM DE NÃO O AMAR?


- Pai, porque devo amar Jesus? - perguntou certo dia um dos meus filhos.
Tentando encontrar uma resposta que satisfizesse a curiosidade do miúdo, olhei bem nos olhos dele e indaguei:

- Gostas do papá?
- Claro que sim, respondeu.
- Mas, já pensaste por que razão é que gostas do papá?
Os seus olhinhos movimentaram-se de um lado para o outro com uma rapidez extraordinária, e com um sorriso iluminando-lhe o rosto, disse:
- Porque tu gostas de mim.

Entendeste, meu amigo? O amor tem o estranho poder de cativar. O amor gera amor. Ninguém resiste ao magnetismo do amor e uma das grandes verdades bíblicas é que Cristo nos amou de tal modo que o mínimo que podemos fazer é amá-l'O também.

Mas, porque é que o ser humano não consegue amar a Deus? Sabes o que acontece? Às vezes é porque não entendemos o que Ele fez por nós. Dizemos constantemente que Ele morreu na cruz para nos salvar, mas temo que não entendamos plenamente o que isso significa. Temos ouvido tantas vezes essa frase desde quando éramos crianças que é possível que nos tenhamos familiarizado com ela ao ponto de perdermos o seu verdadeiro significado.

Anos atrás, no colégio onde estudei, fui testemunha de uma bonita história de amor. Um dos rapazes mais feios do seminário casou-se com uma das moças mais lindas. Ela chegara naquele ano. Os rapazes mais galãs, mais bonitos, espertos e comunicativos foram desfilando um a um tentando conquistá-la, sem sucesso.
Um dia um colega procurou-me e disse:
- Estou com problemas.
- O que foi?
- Estou apaixonado.
- Parabéns! Isso é fabuloso, não é um problema.
- Espera um minuto - disse ele - estou a falar daquela miúda.
Cortei o sorriso e murmurei:
- Bom, aí sim é que é um problema. Sabes, os rapazes mais sedutores e bonitos do colégio não conseguiram nada. Achas que ela vai olhar para ti?
- Eu sei - disse o rapaz, triste - eu sei disso, mas o que posso fazer se eu a amo?

Os meses foram passando e o amor foi crescendo em silêncio no coração do rapaz.
A meio do ano, de repente, correram boatos de que ela abandonaria a escola porque não conseguia pagar as mensalidades.
O nosso amigo apresentou-se ao gerente do colégio e ofereceu-se para pagar as contas da moça com o que ele tinha ganho a vender livros. Para ele, isto significava naturalmente a perda de um ano de estudos.
O gerente tentou dissuadi-lo da ideia. Mas não conseguiu. "O dinheiro é meu e eu quero pagar as contas dela. E por favor, não gostaria que ela soubesse quem pagou."
Assim ele abandonou o colégio naquele ano para vender mais livros e continuar a estudar no ano seguinte.
Alguns meses depois recebi uma carta dele muito comovente! "Dizes que não vale a pena o sacrifício que estou a fazer, que ela nunca olhará para mim, o que não sabes é que eu a amo e não posso permitir que ela perca um ano de estudos. Eu amo-a. Não importa se ela nunca vai olhar para mim. Eu estou feliz por fazer isto por ela."

No ano seguinte ele voltou ao colégio. O seu amor estava maduro. Tinha a certeza do que sentia e um dia arranjou coragem e falou com ela. Abriu o coração e declarou os seus sentimentos.
Foi um momento muito triste. Ela não só recusou a proposta como o tratou mal. Alguém procurou então a jovem e disse-lhe: "Olha, tens o direito de dizer não, mas podias ter sido mais delicada com ele. Não precisavas de o magoar. É verdade que ele é um rapaz simples, sem qualquer atributo físico, inexpressivo, mas ele ama-te de tal modo que o ano passado perdeu esse ano de estudos para tu não abandonares o colégio, e tudo isso sem querer que soubesses, sem esperar nada, apenas porque te ama."
A moça ficou chocada. Chorou. Perguntou ao gerente se era verdade e, ao confirmar tudo, sentiu-se ferida e humilhada.

Meses depois o rapaz anunciou: "Estou a namorar com ela."
Toda a gente começou a pensar: "É por pena", "por compaixão". Mas um dia ela disse uma coisa muito bonita.br> "Quando descobri o que ele tinha feito por mim senti-me magoada, chateada, ofendida. Mas à medida que o tempo passou, comecei a pensar com mais calma e perguntei a mim mesma: 'Será que neste mundo poderei encontrar um rapaz que me ame tanto a ponto de sacrificar, em silêncio, um ano dos seus estudos sem esperar nada, mesmo sem querer que eu soubesse do sacrifício que ele estava a fazer?' Então cheguei a uma conclusão:

Como teria coragem de não amar alguém que me ama tanto?
"

No dia em que nós compreendermos o que realmente aconteceu naquela tarde na cruz do Calvário, sem dúvida, também faremos a mesma pergunta.

Mas o que foi que aconteceu lá?

Voltemos os nossos olhos para o Jardim do Éden. Ao criar o ser humano, Deus deu-lhe uma ordem: "De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Génesis 2:16, 17). Nesta ordem estava envolvido o princípio de retribuição.
Por outras palavras, a obediência merece vida e a desobediência merece morte. O homem pecou. Todos nós pecamos e como consequência a nossa recompensa devia ser a morte. Tínhamos que morrer. "O salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23), mas acontece que o ser humano não quer morrer. Ele pede perdão. "Pai, perdoa-me" - ele clama. Sabes o que ele está a querer dizer? "Pai, eu pequei, mereço morrer, mas por favor, não quero morrer.

Esta súplica do homem cria um conflito para Deus porque Ele é Deus e a Sua palavra não muda. Se o homem pecou, tem que morrer, mas Ele ama o ser humano, não pode permitir que o homem morra. O que fazer? Se existiu pecado tem que existir morte, "sem derramamento de sangue, não há remissão" (Hebreus 9:22).
O homem não quer morrer, então alguém tem que morrer. Alguém tem que pagar o preço do pecado no lugar do ser humano. É aí que aparece a figura majestosa do Filho. Ele diz: "Pai, o homem merece a morte porque pecou, mas antes de cumprir a sentença quero ir à Terra como homem e viver como ele; quero assumir a sua natureza, experimentar os seus conflitos, as suas tristezas, as suas alegrias e tentações." Foi por isso que Cristo veio a este mundo, como uma criança.

Ele não parecia homem. Ele era um homem de verdade. Como tu e como eu. Teve as mesmas lutas que tens, sentiu-Se às vezes sozinho e incompreendido como tu. Experimentou as tuas tentações e é por isso, e não simplesmente porque é Deus, que Ele está mais pronto a amar-te e a compreender-te do que a julgar-te e a condenar-te.

O Senhor Jesus viveu neste mundo 33 anos. A Bíblia diz que "foi tentado em tudo, mas não pecou" (Hebreus 4:15). Ora, se Ele viveu neste mundo como homem, e como homem foi tentado e não pecou, pelo princípio de retribuição - Ele merece a vida.
Agora vamos imaginar um diálogo entre Cristo e o Pai. "Pai - disse Cristo depois de ter vivido neste mundo - Eu vivi na Terra, como um ser humano e fui tentado em tudo mas não pequei. Como ser humano ganhei o direito à vida. O homem, pelo contrário, pecou e merece a morte. Agora, Pai, o princípio de retribuição não impede que haja uma troca. Sendo assim, a morte que o homem merece, quero morrê-la Eu e a vida que Eu mereço, porque não pequei, quero oferecê-la ao homem."

Foi isso o que aconteceu lá na cruz do Calvário. Uma troca de amor. Alguém morreu em nosso lugar. Alguém morreu para nos salvar.

Uns dias antes da morte de Cristo a polícia de Jerusalém prendeu um marginal chamado Barrabás. O delinquente foi julgado e condenado à pena de morte. Devia ser cravado numa cruz. Esta era uma morte cruel. Ninguém morre por causa de feridas nas mãos e nos pés. A morte na cruz é lenta e cruel. O sangue vai-se acabando gota a gota. Às vezes o marginal ficava cravado vários dias, o sol de dia e o frio à noite; a fome, a sede e a perda paulatina de sangue iam acabando pouco a pouco com a sua vida. Depois do julgamento e da condenação as autoridades chamaram um carpinteiro para preparar a cruz de Barrabás. Ali estava o delinquente e ali estava a sua cruz. Preparada especialmente para ele, com as suas medidas e com o seu nome.
Mas naquele dia os judeus prenderam Jesus. Ele também foi julgado e condenado. A história conta que um homem chamado Pilatos, tentando defendê-l'O, apresentou Cristo e Barrabás perante o povo, e disse:
- Em datas como esta temos o costume de soltar um prisioneiro. A quem quereis que eu solte desta vez, Cristo ou Barrabás?
E o povo enlouquecido gritou:
- Solta Barrabás! Crucifica Cristo!
Acho que se alguém entendeu alguma vez na plenitude do sentido a expressão: 'Cristo morreu em meu lugar', foi Barrabás. Ele não podia acreditar. Talvez beliscasse a sua pele para saber se realmente estava acordado. Ele, o marginal, o homem mau, estava livre. E aquele Jesus, sereno e simples, que só viveu a semear amor, devolvendo saúde aos doentes e vida aos mortos, estava ali para morrer no seu lugar. Eu imagino o que Barrabás pensou: "Eu nunca terei palavras para agradecer a Cristo por ter aparecido. Se Ele não tivesse vindo, eu estaria condenado irremediavelmente."


Já não havia tempo para chamar o carpinteiro e preparar uma cruz para Cristo. Além do mais, havia ali uma cruz vaga, embora com as medidas de outro, com o nome de outro, preparada para outro.

E naquela tarde, meu jovem, quando Cristo ascendeu ao monte do Calvário carregando uma pesada cruz - eu gostaria que entendesses bem isto - naquela tarde triste, Jesus carregava uma cruz alheia, porque para Ele nunca ninguém preparou uma cruz. Sabes porquê? Simplesmente porque Ele não merecia uma cruz. Era eu que merecia morrer, mas Ele amou-me tanto que decidiu morrer no meu lugar e oferecer-me o direito à vida, que como homem Ele tinha conquistado.

Finalmente os homens chegaram ao topo da montanha. Deitaram a cruz no chão e com enormes pregos atravessaram-Lhe as mãos e os pés. A cruz foi levantada e com o peso do corpo as Suas carnes rasgaram-se. Um soldado tinha-Lhe colocado na fronte uma coroa de espinhos. O sangue escorria lentamente pelo rosto. Um outro soldado feriu-Lhe o lado com uma lança. Ali estava o Deus-homem morrendo por amor. O sol ocultou o seu rosto para não ver a miséria dos homens; o céu chorou uma torrente de chuva. Até as aves dos céus e os animais dos campos corriam de um lado para o outro perscrutando na sua irracionalidade que alguma coisa estranha estava a acontecer.

Só o homem, a mais bela e inteligente das criaturas, parecia ignorar que naquele instante o seu destino eterno estava em jogo.

Horas depois, quando os judeus voltaram para casa, lá naquela montanha solitária, no meio de dois ladrões, pendia agonizante o maravilhoso Jesus, entregando a Sua vida pela humanidade.


Alguma vez te detiveste a pensar no significado daquele acto de amor? Não foi um suicida louco que morreu na cruz. Não foi um revolucionário social que pagou pela sua ousadia. Era um Deus feito homem e como homem tinha medo de morrer. Possuía o instinto de conservação. Ele tinha tanto medo de morrer que na noite anterior, no Getsêmani, disse ao Seu Pai:
- Pai, eu tenho medo de morrer. Se tivesses outro meio de salvar o mundo, se passasses esta provação de Mim, Eu ficaria muito grato.
E eu tenho a certeza de que Deus disse:
- Ainda estás a tempo de voltar atrás, Meu Filho.

A vida toda da humanidade estava nas Suas mãos. Ele tinha medo de morrer, mas o Seu amor era maior do que o medo, maior do que a vida. Como abandonar o homem no mundo de desespero e de morte? É isso que talvez eu nunca consiga entender. Porque é que Ele me amou tanto? Compreendes o significado da tua vida? És a coisa mais importante que Cristo tem! Ele ama-te de tal modo que mesmo tendo medo da morte, a aceitou para te ver feliz. Não apenas para te ver membro de uma igreja, mas para te ver realizado e feliz.

Voltemos agora ao raciocínio inicial. O homem pecou e merece morrer.
Mas ele vai a Deus e diz:
- Pai, perdoa-me. - Por outras palavras: - Eu não quero morrer!
- Filho, Eu não posso mudar o princípio. O salário do pecado é a morte. Não há outra saída - diz Deus.
- Pai, perdoa-me, por favor, perdoa-me - clama o homem em desespero.

O Pastor H. M. S. Richards conta uma pequena história de quando era pequeno. Ele diz que gostava de pular a cerca e colher as maçãs do vizinho. Um dia a mãe chamou-o e, mostrando-lhe uma vara verde, disse:
- Estás a ver esta vara?
- Sim, mãe.
Os dias passaram. As maçãs estavam cada dia mais vermelhas e o menino não conseguiu resistir à tentação. Pulou a cerca e comeu maçãs até ficar satisfeito. O que ele não esperava era que ao voltar para casa a mãe estivesse à sua espera com a vara verde na mão. Tremeu. Sabia o que iria acontecer. Quase sem pensar suplicou:
- Mãe, perdoa-me.
- Não, filho - disse a mãe - eu disse uma coisa e terei que cumpri-la.
- Mãe, por favor, eu prometo que nunca mais tornarei a fazer isso.
- Não posso, filho, terás que receber o castigo.
- Por favor, mãe, por favor - continuou a suplicar com os olhos lacrimejantes.
Que mãe pode ficar insensível vendo o filho amado a suplicar perdão?
Ela tomou entre as suas mãos as mãos do filho e perguntou:
- Não queres receber o castigo?
- Não, mãe.
- Então, só existe uma saída, meu filho.
- Qual é?
A mãe estendeu a vara para ele e disse: "Segura a vara, meu filho. Em lugar de eu te castigar com esta vara, vais tu castigar-me a mim. O castigo tem que se cumprir, porque a falta existiu. Não queres receber o castigo, mas eu amo-te tanto que estou disposta e receber o castigo por ti."

"Até àquele momento eu tinha chorado com os olhos - contou Richards - agora eu comecei a chorar com o coração. Como teria coragem de bater na minha mãe por um erro que eu tinha cometido?"


Compreendeste a mensagem?

É isso que acontece entre Deus e nós quando, depois de pecar, suplicamos perdão. Ele olha com amor para nós e diz:
- Filho, pecaste e mereces a morte, mas tu não queres morrer. Então, só tens uma saíde, Meu filho.
- Qual é? - perguntamos ansiosos.
- Em lugar de morreres pelo pecado que cometeste, estou disposto a sofrer a consequência do teu erro - responde com a Sua voz suave.


Richards não teve coragem para castigar a sua mãe por um erro que ele tinha cometido. Mas nós tivemos coragem para crucificar o Senhor Jesus na cruz do Calvário. Continuamos a crucificá-l'O cada dia com as nossas atitudes. E Ele não diz nada. Como cordeiro é levado ao matadouro e como ovelha muda perante os seus tosquiadores, não abre a boca, não reclama, não exige direitos, não pensa em justiça. Apenas morre, morre lentamente consumido pelas chamas de um amor misterioso, incompreensível, infinito.

Não, eu não terei palavras para agradecer o que Ele fez por mim. Eu nunca poderei entender a plenitude do Seu amor por mim. Mas ao levantar os olhos para a montanha solitária e ao ver pendurado na cruz um Deus de amor, o meu coração enternece-se e exclamo como a jovem do colégio:

"COMO TERIA CORAGEM DE NÃO AMAR ALGUÉM QUE ME AMA TANTO?"



Alejandro Bullón  in  Conhecer Jesus é Tudo
(veja nos links)


quinta-feira, 7 de abril de 2011

MOISÉS E A MEDICINA PREVENTIVA



Escritores médicos têm chegado à conclusão de que o Código Moisaico, que contém o documento sanitário básico do Velho Testamento, apresenta sãos princípios científicos de saúde. Percival Wood, no seu livro intitulado Moisés, Fundador da Medicina Preventiva, declara: «Os seus (de Moisés) princípios fundamentais eram tão sãos, as suas leis tão claras, a sua atenção aos pormenores tão perfeita e o seu espírito tão intrépido, como se vivesse nos nossos dias.»
No começo do seu código, Moisés registou esta promessa: «E (Deus) lhes disse: Se escutarem com atenção aquilo que eu, o Senhor, vosso Deus, vos ordeno; se fizerem o que me agrada, obedecendo aos meus mandamentos e cumprindo as minhas leis, não vos enviarei nenhuma das pragas com que castiguei os egípcios, porque eu sou o Senhor, aquele que cura os vossos males.» (Êxodo 15:26).

ASPECTOS BÁSICOS DO CÓDIGO SANITÁRIO MOISAICO

O código sanitário moisaico pode ser dividido em 12 partes.
Examinemos cada uma delas.

SANIDADE AMBIENTAL - Exemplos de sanidade ambiental incluem instrução explícita acerca da deposição de excretos humanos (Deuteronómio 23:12, 13) e inspecção habitacional (Levítico 14:34-57). A inspecção das casas dos Israelitas excedia tudo o que fazemos hoje. O cobrir os excretos humanos prevenia em grande medida várias doenças egípcias, tais como a pólio, a tuberculose, a esquistossomíase e outras doenças contagiosas.

PREVENÇÃO DE DOENÇAS - Um exemplo da abordagem adoptada para prevenir doenças aparece na proibição da tatuagem, que se originou no Egipto para honrar os mortos. «Não façam cortes nem tatuagens na vossa pele em lembrança dum defunto. Eu sou o Senhor!» (Levítico 19:28). Os Egípcios antigos sofriam de hepatite e de tétano, que podiam ter a sua origem na prática da tatuagem.

CONTÁGIO - O isolamento de vítimas de várias doenças contagiosas, de distúrbios da pele e de lepra, no código sanitário moisaico (Levítico 13:1-46) proporcionou uma base para o desenvolvimento das quarentenas durante a Idade Média. Não conheço nenhum outro documento antigo sanitário ou médico que faça a mínima referência ao isolamento de portadores de doenças contagiosas.


CULTIVO DA TERRA - Outra medida com implicações sanitárias tinha que ver com o cultivo da terra. Segundo o código moisaico, a terra devia ser deixada a descansar cada sétimo ano (ver Levítico 25). A razão para este preceito só muito vagamente podia ser compreendida pelos antigos israelitas, dado que nenhum outro povo contemporâneo tinha regulamentos semelhantes. Hoje, com o advento da moderna tecnologia científica, compreendemos a necessidade de que a terra repouse a fim de que o solo possa restaurar-se.

DOENÇA - Moisés referiu-se a algumas doenças endémicas sofridas pelos Hebreus no deserto, fornecendo tanto uma descrição das doenças como os respectivos diagnósticos (Levítico 13:1-46). Historiadores médicos identificaram sete diferentes condições mórbidas sob a designação geral de lepra.

COMPORTAMENTO SOCIAL E MORALIDADE - A lei moral declara: «Não cometas adultério.» (Êxodo 20:14).
A violação deste preceito era estritamente punida. «Se um homem comete adultério com a mulher de outro, tanto ele como ela devem ser condenados à morte.» (Levítico 20:10).
Embora estas punições nos pareçam hoje severas, eram necessárias para proteger os filhos de Israel. Os egípcios, que livremente praticavam a prostituição, a concubinagem e a poligamia, sofriam comummente de cegueira na sua descendência devido a infecção gonorreica.

Que Deus desejava proteger o Seu povo das mesmas consequências pode ver-se nesta descrição clássica da gonorreia e do seu resultado: «O Senhor há-de fazer-te sofrer tumores, como os do Egipto, úlceras, sarna e tinha, e não conseguirás curar-te. Há-de mandar-te loucura, cegueira e demência; andarás às apalpadelas e às escuras em pleno dia, como um cego, sem conseguires encontrar o caminho e serás oprimido e explorado durante toda a vida, sem que ninguém te vá libertar.» (Deuteronómio 28:27-29).

HIGIENE PESSOAL - As palavras kabas («lavar») e rachats («banhar») são usadas 63 vezes no código sanitário moisaico, indicando a importância que a higiene desempenhava na profilaxia de doenças entre o povo hebraico. Os Hebreus eram instruídos a lavar o seu vestuário e os seus corpos depois de terminado o período de quarentena (Levítico 14:8, 9). Moisés especificou até a água corrente de preferência a um banho em água estagnada (Levítico 15:13).

EXERCÍCIO - Para exercício a Bíblia recomenda o trabalho produtivo. «Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra» (Êxodo 20:9) está em contraste com a ênfase dada pelos Gregos aos desportos competitivos. Hoje, mais do que nunca, reconhecemos os benefícios da actividade física.

REPOUSO - «Mas o sétimo dia é o dia de descanso, consagrado ao Senhor, teu Deus. Nesse dia, não farás trabalho nenhum, nem tu nem os teus filhos nem os teus servos nem os teus animais nem o estrangeiro que viver na tua terra. Porque, durante os seis dias, o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles, mas descansou no sétimo dia. Por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e declarou que aquele dia era sagrado.» (Êxodo 20:10, 11). Assim a ideia de um dia de repouso veio da Bíblia até nós.




Alguém disse que «o Sábado do sétimo dia é a maior contribuição do Judaísmo para o bem-estar humano.» Henry A. Sigerist, que ensinou História da Medicina nas Universidades de Yale, Harvard e Johns Hopkins, observou:

«A instituição de um dia semanal de repouso foi extraordinariamente importante como medida de higiene física e mental, pois estabelece um ritmo elementar definido para a vida do homem, providenciando um dia de repouso e de recriação depois de cada seis dias de trabalho. E a regularidade, o ritmo, é um facto essencial de saúde.» Inglis acrescenta: «O mandamento de que a todos deve ser dado ter um dia de repouso por semana pode também ser considerado uma valiosa inovação terapêutica.»
Se a saúde é a combinação perfeita dos aspectos físico, mental e espiritual da natureza do homem, então o Sábado torna-se a perfeita medida sanitária, pois impede o esgotamento físico, a depressão mental e a atrofia espiritual.

NARCÓTICOS - O código sanitário moisaico aconselhava contra o uso de bebidas alcoólicas (Levítico 10: 8, 9; Números 6:3) e de ervas venenosas (Deuteronómio 29:18). Deve fazer-se uma distinção entre tirosh e yayin. Ao passo que tirosh indica o puro sumo de uva (mas é traduzido por «vinho» nas versões correntes), yayin indica bebida intoxicante (e também é traduzido por «vinho»).
A palavra fel (rosh) é usada em vez de papoila, da qual os antigos extraíam o ópio. Pensa-se que a palavra traduzida por absinto (laanah) corresponde a cicuta.

VESTUÁRIO - A descoberta de fungos e de alforra no vestuário requeria que este fosse lavado. Se isso o não purificasse, devia ser destruído pelo fogo (Levítico 13:47-59).

DIETA - Dado o facto de que a dieta do código sanitário moisaico era de carácter preventivo, a maior parte da instrução aparece sob a forma de proibições. Entre estas encontram-se a gordura e o sangue (Levítico 3:17; 7:22-24, 26), a carne despedaçada no campo (Êxodo 22:31), animais que morreram sem ninguém os matar (Deuteronómio 14:21), carne impropriamente cozinhada (Êxodo 23:19).
Os animais do campo devem ter as unhas fendidas e ruminar o alimento. Esta designação elimina todos os animais que se alimentam de detritos, os carnívoros, e os roedores pestíferos. Só podiam ser comidos animais aquáticos que tivessem escamas e barbatanas, o que em geral eliminava os que viviam em águas inquinadas e certas variedades venenosas. Embora nenhuma regra abarcasse todas as aves, são apresentadas listas de espécies proibidas.

O código sanitário moisaico continua a maravilhar os historiadores da Medicina e os da Saúde Pública na medida em que tão compreensivo e tão completo se manifesta. É um código excelente com princípios ainda hoje válidos.

Ruben A. Hubbard

Revista Sinais dos Tempos
Publicadora SerVir, S.A.

O Dr. Ruben A. Hubbard é professor assistente na Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda, Califórnia, E.U.A.

Nota - Citações bíblicas extraídas da Bíblia Sagrada, A Boa Nova em Português Corrente, tradução interconfessional do hebraico, do aramaico e do grego em português corrente. Edição da Sociedade Bíblica de Portugal, 1993.

Os Tradutores:
António Augusto Tavares, António Pinto Ribeiro Júnior, João Soares Carvalho, Joaquim Carreira das Neves, José Augusto Ramos e Teófilo Ferreira.


A IMPORTÂNCIA DO SÁBADO COMO DIA DE REPOUSO

PORQUÊ?        PARA QUÊ?




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sábado, 19 de março de 2011

O PAI


Tinha 7 anos e era muito orgulhoso - o que quer que isso signifique. Os cabelos cresciam-lhe espetados para a frente, como topete de pônei, e quando ele estava cansado, um dos olhos desviava-se um nadinha - menos porém do que há um ano. Sentia-se melhor agora que a casa não lhe dava mais aquela sensação de presença envolvente da situação horrível.

Passara o tempo em que tinha de subir para o quarto, sentindo a opressão de um ambiente que o magoava. Já não era assim, e não ficava mais estendido na cama, de noite, a ouvir um som que não era de facto um som, mas uma espécie de angústia, a respeito da qual não sabia sequer pedir uma explicação. Em casa, agora, estava bem. Na rua é que se sentia mal. Os garotos tinham começado onde o horror da casa acabara.

Sentara-se na saliência do rodapé da fachada e ficava a ver os táxis que passavam, um após outro, interminavelmente, amontoando-se quando o sinal fechava, e continuando a rodar quando aparecia a luz verde.

Quando o Alvin dobrava a esquina, a dois quarteirões de distância, podia pressenti-lo, e um calafrio lhe arrepiava a pele. O Alvin não lhe dizia nada. Nenhum dos garotos dizia coisa alguma; mas aquilo estava nos seus olhos, no olhar com que o olhavam, olhar que o mortificava com uma pungente sensação de vergonha culposa. A princípio fugira e evitava a companhia dos outros; mas nem sempre era possível fugir e, além do mais, sentia-se muito só. Talvez o primeiro não tivesse sido o Alvin. Talvez tivesse sido o Max ou o Georgie ou qualquer outro. Todos tinham começado mais ou menos ao mesmo tempo.

Estava ele naquele dia, sentado como de costume na saliência do rodapé da fachada a ver os táxis e a meninada, os velocípedes e os carrinhos de bebés, as amas e os garotos maiores a atirar bolas de ténis uns aos outros, de um lado para o outro lado da rua, por cima do trânsito. De súbito, um deles - o Alvin ou qualquer outro, não importa qual - gritou:

"Onde está o teu pai?"

O que devia ter respondido era: "Está a viajar." Mas não o fez. A pergunta atingiu-o como um soco na boca do estômago. Pelo menos foi assim que a sentiu. Sabia que aquilo era pura crueldade. Os garotos não queriam perguntar; queriam era dizer aquilo para o humilhar e ferir. Esta era a intenção.

Era verdade, sim, que o seu pai estivera fora de casa, viajando, centenas de vezes - mas não desta vez, sabia disso, e subitamente compreendeu que todos eles também sabiam. Não respondeu à pergunta.

Três garotos repetiram-na então com uma cantilena em uníssono:

"Onde está o teu pai? Onde está o teu pai? Onde está o teu pai?"


Apanhado de surpresa, mentiu: "O meu pai está em casa".

Desta vez foi mesmo o Alvin quem falou: "Ah, é? Então por que é que ninguém o vê?"

Após ter dito isso todo o seu ser se contraiu tenso. Tinha que sustentar o dito. Não podia recuar. Chegou a imaginar que o que dissera podia ser verdade. Sentiu impulsos de entrar em casa para averiguar - talvez ele estivesse na cave, na lavandaria ou atrás daquele monte de mato, no fundo do quintal.

Um dos meninos mais crescidos interrompeu, por um instante, o gesto de lançar a bola de ténis ao outro lado da rua e disse:

"Está maluco. Eles estão divorciados."

Aquela era a palavra! - a palavra contundente que todos murmuravam, que ninguém ousava pronunciar abertamente. Não podia nem perguntar o que significava, porque ela fazia parte de tragédia e ninguém, jamais, falava dela. Uma palavra acima do alcance da sua compreensão, sem sentido, louca - mas carregada de insulto.

Foi então como se se ouvisse a si mesmo perguntar repetidamente: "O meu pai está em casa?" E como se se visse arremetendo em ataques furiosos e rápidos, esmurrando ora um ora outro garoto, ao passo que todos eles riam e evitavam os golpes. Viu-se a si mesmo agarrando a Mary Finley e dando-lhe um pontapé na canela. Viu tudo isso como costumava ver as coisas quando estava para adormecer; coisas como o gigantesco gato cinzento que viajava no tecto elevado do combóio. Mas deve ter havido zanga, de facto, porque o seu pai saiu de casa, e a mãe levou-o para o quarto e leu coisas para ele ouvir, embora ele não conseguisse entender o que ela lia.

Depois desse incidente, porém, alguma coisa deve ter acontecido porque ninguém mais pronunciou a palavra, que estava entretanto sempre presente nos olhos de todos. Teria sido melhor que a gritassem na cara dele para que tivesse oportunidade de reagir. Mas não podia dar-se por achado porque os outros não a mencionavam, nem mesmo o Alvin.

Não podia dizer: "Está em casa, sim, a trabalhar." Não podia dizer: "Era mentira. Está fora, de viagem." E a coisa horrível continua ali, estagnada, apodrecendo dentro dele. Quando só, podia esquecê-la; mas não quando os garotos olhavam para ele, nem quando desviavam o olhar.

Por algum tempo, chegou a pensar em consultar Tony, o jornaleiro; mas foi deixando para depois e não pôde mais fazê-lo: A coisa horrível tinha afundado e fora-se aninhar no lugar em que as sombrias coisas secretas se encontram - todas as coisas vergonhosas como: 'porque foi que a cortina se incendiou?' Ou: 'que paradeiro levou o abre-latas novo?' Havia um montão de coisas assim, nas profundezas sombrias do esconderijo vergonhoso.

Naquele dia, sentou-se na saliência do rodapé da fachada e pôs-se a bater no chão com os saltos, daquele modo que estraga os sapatos, coisa que não se deve fazer. Ficou-se a olhar para os táxis que passavam. À esquerda, viu Tony sair de dentro da sua pequena loja e arrumar os jornais da tarde na banca exterior de madeira. Duas moças dobravam a esquina e entraram na loja do Tony.

Sabia que o Alvin se estava a aproximar. Vira-o dobrar a esquina a dois quarteirões - um quarteirão e meio, agora. Pensou em levantar-se devagarinho - bem devagarinho; em dar um soco na cara do Alvin. Tacteou o punho da mão direita com os dedos da esquerda.



De repente, uma sensação esquisita - uma sensação estranha e explosiva, no peito. Algo apenas pressentido tinha causado isso. Olhou rápido para a direita - e era verdade! O pai tinha dobrado a esquina e caminhava apressado para ele, a baloiçar, como era seu hábito.

A sensação sufocante paralisou-o. Susteve a respiração. Parou de bater no chão com os saltos. O queixo caiu-lhe sobre o peito e ele ficou sentado, imóvel. Fechou os olhos.

Ouvia os passos do pai na calçada. Pararam em frente dele. Sabia que o pai se sentara ao seu lado, na saliência do rodapé.

Ouviu-o dizer: "Olá!"

Respondeu: "Olá!" bem baixinho, sempre de olhos fechados.

E, subitamente,
gritou:

"Ele está aqui! Vocês querem vê-lo?"



dddd




John Steinbeck - Prémio Nobel da Literatura em 1962
in
Desafio Jovem

O Desafio Jovem é uma instituição que tem desenvolvido uma acção extremamente meritória
no tratamento e apoio de jovens toxicodependentes.

(Veja nos links)

terça-feira, 8 de março de 2011

DIÁRIO DE UMA PROSTITUTA



03/01
Gostaria que todos me apreciassem pelo que sou de facto. Mas sinto que a maioria das pessoas só se interessa pela minha beleza. Se ao menos eu tivesse uma amiga, alguém a quem pudesse confiar os meus segredos...

11/01
Os prostíbulos são os lugares mais solitários do mundo. Ali, nada é humano; cada um age como se estivesse diante de um objeto. Havia algumas mulheres que fingiam que tudo aquilo era bom, mas agiam desta forma para não ficarem loucas. Quando se está afundado no lodo, parece que não existe nada além, fora o lodaçal. Nenhuma prostituta sabe sair. É pior que a escravidão; é como estar morta em vida. A maioria se esconde atrás do sorriso e uma maquiagem berrante. Oh Deus! Como eu desejaria sair disto! Sinto que a vida é um abismo escuro e tétrico. Um despenhadeiro onde os dois extremos são o nascimento e a morte.

07/02
Sinto nojo quando me tocam. Alguns querem se achar sedutores, atuando como se eu fosse a mulher mais linda do mundo. Desgraçados! A única coisa que lhes interessa é tomar o meu corpo e usar-me. Tocam a minha carne, mas não tocam a minha alma! Nesta hora, escondo-me no fundo da minha mente e corro atrás de sonhos e lembranças. Vêem, tocam-me e vão embora. Ninguém pergunta quem eu sou. Hoje é mais um dia em que eu gostaria de estar morta.

22/03
Minha vida é um suicídio lento, tortuoso, fatalmente certeiro que vai me minando por dentro, tirando a minha vontade de viver, de enfrentar a vida. Às vezes, sinto que tenho 100 anos. Olho-me no espelho e vejo minhas carnes enrugadas, pálidas. Sinto que em mim habitam duas pessoas.

08/04
Nem todos os clientes querem ter relações sexuais. Alguns querem apenas um carinho, e pagam para que eu os escute. Que terrível! Seria preferível estar morto. Pagar para ser ouvido!

09/04
A maldita noite se aproxima. Com ela, um desejo de crueldade. A escuridão esconde as mais terríveis paixões. Durante o dia, sinto-me muitas vezes livre, mas quando a noite se aproxima, ouço o som da morte e do desprezo. Alguém tomará posse do meu corpo. Minha boca se encherá de veneno e meu corpo se renderá ao ritmo da loucura. Maldita noite! Deveria ser sempre dia...

15/06
Poderá Deus me perdoar algum dia? Sinto que levo em minhas costas uma grande pedra atada que não me abandona. Se ao menos eu pudesse dormir em paz.

17/06
Quando eu era menina, minha mãe me contava histórias. Ela falava sobre um homem respeitado que viveu por essas terras durante muitos anos e que um Deus diferente o guiava por todos os lugares. Esse Deus não exigia sacrifícios humanos, nem nada disso. Ele se conformava com um cordeiro oferecido num altar de pedras. Nada além disso.


18/06
Lá está novamente o velhinho na praça contando aquelas histórias. Muitas crianças sentam-se ao redor dele para ouvir os contos. Hoje ele falou a respeito de um tal Abraão, que era filho de Deus, do Criador. Cheguei perto para ouvi-lo. Ouvi falar de Moisés, de Enoque e Noé. Achei interessante.


27/08
Hoje senti a brisa fresca da liberdade batendo no meu rosto. Recebi dois hebreus em minha casa. Escondi-os é claro, para que não fossem apanhados. Eles foram a resposta aos meus clamores! Foram os primeiros homens que entraram em minha casa sem segundas intenções. Eles me falaram para colocar um pano vermelho em minha janela e prontamente obedeci. Percebi que o Deus deles estava me ajudando. Senti-me saindo do lodo. Depois de anos, o sol brilhou na meia noite da minha vida.

01/12
O Deus dos hebreus salvou a minha vida. Jericó ficou em ruínas, mas eu e a minha casa fomos preservadas. Ofereci a Ele um cordeiro. Devo a Ele a minha vida. Acho que isso é fé!

04/04
Pela primeira vez em minha vida senti meu coração pulsar de facto. Conheci um homem e não apenas isso: um príncipe! O nome dele é Salmom. Acho que estou apaixonada. E o melhor, ele também! Estou amando de verdade. Parece um sonho! Nunca um príncipe se apaixonou por uma ex-prostituta. Adeus ilusões! Como é lindo conhecer o amor. Ele quer se casar comigo. Estou tão insegura, mas tão feliz!

30/01
Hoje o dia foi intenso. Senti uma dor terrível. Nosso bebé não pára de chutar. Após anos de casamento, nunca senti tão fortes emoções! Acho que está quase para nascer. Pelo jeito, deve ser menino. Se for, queremos o nome 'Boaz'! Bonito, não? O que acha diário? Significa 'Nele está a minha força'.

Você deve conhecer o resto da história. Boaz, filho de Raabe, casou-se com Rute, que foram os pais de Obed, avô de David. Que maravilha! A graça de Deus alcançou uma prostituta e arrancou-a do lodo para fazer parte da linhagem real, linhagem do próprio Messias! (Mateus 1).


Essa Graça Ilimitada Está Disponível Para Nós Hoje.

Milton Andrade




RAABE - Uma Salvadora Perspicaz

Não há dúvidas que Raabe era uma mulher inteligente. Demonstrou um conhecimento impressionante da história recente de Israel e daquilo que Deus estava a fazer pelos israelitas ao aproximarem-se dos seus pais. Na verdade, parecia ter mais consciência da intervenção divina em favor de Israel do que os próprios israelitas (Observe a semelhança das suas palavras em Josué 2:9-11 com Josué 1:2, 11, 13). Além disso, fez um acordo de protecção com os espias, escondendo-os, e foi mais astuta do que os homens do seu povo que foram procurá-los.

Raabe também demonstrou iniciativa ao conseguir a salvação de toda a sua família. Era uma mulher de grande coragem, pois ajudar os israelitas era uma traição passível da pena de morte não apenas para ela, mas para todos os seus familiares. Uma vez tomada a decisão, não havia como voltar atrás.

Por fim, Raabe possuía discernimento espiritual, reconhecendo a disparidade entre o Deus de Israel e os outros deuses a quem ela e o seu povo serviam. O Deus de Israel era supremo - não compartilhava com ninguém a Sua soberania sobre os céus e a terra, como supostamente faziam os deuses pagãos (Josué 2:11).
A confissão de fé inicial de Raabe é vista no uso do nome Javé. Sem nenhuma corroboração ou informação do seu meio ou dos israelitas, ela empregou o nome de Deus segundo a Sua alianca, o nome proferido de Moisés quando os israelitas saíram do Egipto (Êxodo 3:14). Em seguida, mais uma vez sem nenhum incentivo de outros, agiu em função do seu compromisso com Deus e escondeu os espias. Esse tipo de fé incomum no meio do povo de Deus no Antigo Testamento é ainda mais extraordinário numa prostituta gentia.

Raabe é um exemplo de como tomar decisões certas e manter-se firme, mesmo quando isso significa opor-se aos seus semelhantes. Não é de admirar que Deus tenha honrado a fé e coragem dessa mulher colocando-a na linhagem do Messias. Boaz, um dos homens mais bondosos e justos do Antigo Testamento, era um dos seus filhos.

Deus honrou a fé e a coragem de Raabe ao colocá-la na linhagem, não apenas do grande rei David, mas também de Jesus, o Rei dos reis.

A Bíblia da Mulher - SBB

BONDADE DE DEUS

Ó Deus, tu és o meu Deus! Sem cessar Te procuro!
A minha alma está sedenta de Ti;
todo o meu ser Te deseja,
como a terra árida, exausta e sem água.
Quero ver-Te no Teu santuário
e contemplar o Teu poder e a Tua glória,
porque o Teu amor é mais precioso do que a vida!
Com os meus lábios Te louvarei
e toda a minha vida Te bendirei;
a Ti levantarei as mãos em oração.
A minha alma ficará satisfeita
como se tivesse comido uma deliciosa refeição.
Os meus lábios Te louvarão alegremente.

Quando estou deitado lembro-me de Ti;
se fico acordado, penso muito em Ti,
porque Tu és o meu auxílio.
Cantarei feliz debaixo das Tuas asas!
A minha alma está unida a Ti,
e a Tua mão mantém-me seguro.
Os que procuram a minha ruína
cairão nas profundezas do abismo.
Eles morrerão à espada
e serão pasto dos animais selvagens!
Mas o rei alegrar-se-á em Deus;
cantarão louvores os que juram por Ele,
mas os mentirosos serão calados.
Salmo 63

David após o seu reencontro
com Deus

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

SEXO
UmA
EnCRuZilhAdA



PROBLEMA TORTURANTE

Apresento-vos o Carlos.
O Carlos é um adolescente, tem boa aparência e gosta de garotas. Não de uma garota especial, embora esteja particularmente interessado em Míriam neste momento. Mas de garotas em geral. Ele aprecia o jeito delas quando se reúnem.

Então qual é o problema?
Carlos está confuso. Ele é cristão e imagina que Deus seja contra o sexo. Mas o problema de Carlos é muito maior! Metade do tempo Carlos sente-se como um leão enjaulado. As suas glândulas bradam por uma coisa e a imagem que ele tem de Deus pede-lhe outra. Carlos fica então preso no meio. O que se supõe que ele deva fazer?

Na nossa sociedade, onde as mais grosseiras formas de exploração do sexo são ocorrências comuns, cada um de nós é bombardeado quase constantemente com estímulos sexuais. Se é preciso vender lâminas de barbear ou passagens aéreas, o sexo é o centro da comunicação; um pouco do corpo encontra-se em todos os anúncios. O jovem encontra o sexo não somente disponível, mas quase obrigatório nalgumas subculturas.
Naturalmente, nem todos os jovens são promíscuos. Nem todos os casados são adúlteros. Contudo, vivemos num meio altamente carregado de sexo. As pessoas estão praticando-o mais, falando dele e referindo-se a ele mais livre e levianamente.

É correcto um cristão agir assim? Deveria andar o dia inteiro com um saco a cobrir-lhe a cabeça e rolhas nos ouvidos? Tem o cristão as mesmas tentações dos outros? Podemos dizer que o envolvimento com alguma igreja amortece o desejo? Quem está enganando a quem?

Os cristãos são afectados pelas pressões do sexo tanto quanto qualquer outro. Não há escape. Vivemos no seio de uma revolução sexual. Temos de encarar o facto. Neste meio estão Carlos e Míriam. Eles vão com um grupo à praia, brincam nadando em trajes que mostram grande parte da anatomia. Têm algum contacto físico. E então a sociedade cristã espera que eles voltem para casa castamente desestimudados? Falemos francamente: eles encontram-se profundamente estimulados! E enfrentam problemas reais.

E agora?
O sexo é poderoso! O desejo inflamado é de difícil anulação ou controlo. Carlos e Míriam precisam de ajuda pois soltaram as rédeas da 'natureza' e agora podem encontrar-se muito facilmente numa situação que realmente não podem controlar. E isto acontece repetidamente.
Se tu é um Carlos ou uma Míriam ou parente deles, conhece a realidade do 'coração partido' que pode suceder quando caímos na armadilha do sexo. Uma vida inteira pode ser arruinada, ou diversas vidas podem ser gravemente atingidas por um erro na conduta sexual. Devemos saber como tratar com esta espécie de problema.

Encaremos isto como a realidade: O sexo não pode ser deixado de lado. Temos então que enfrentar o tipo de mundo onde vivemos e as espécies de tentações que encontramos.

Como Deus encara o sexo? Parte da nossa confusão e dificuldade surge da compreensão errada que temos do que a Bíblia realmente diz a respeito da actividade sexual.

DEUS É CONTRA O SEXO?

Deus não poderia ser contra o sexo, pois foi Ele que o planeou. Correcto? Foi ideia Sua! Assim, é natural que Ele conheça muito mais a respeito do sexo do que tu ou eu. O sexo é um dom de Deus. Um presente que Ele oferece à humanidade.

A Bíblia diz que Deus fez o Homem e o chamou "Adão". Deus colocou Adão num belo jardim com toda a espécie de animais e plantas. Adão deveria cuidar de tudo. E as coisas corriam muito bem, mas Deus sabia que não era bom para Adão ficar a andar sozinho pelo jardim.
"Não é bom para este Meu filho estar sozinho", disse Deus (Génesis 2:18). Então Ele deu-Se ao trabalho de lhe fazer uma companheira. Pôs Adão a dormir e extraíu do seu lado algum material - uma costela. E desta costela formou a Mulher.

Facilmente tu notas que os dois eram diferentes. Sim, Deus quis fazê-los assim! Ele gosta de variedade. Repara que a beleza encontra-se em diversas formas.

Frequentemente imaginamos como deve ter sido aquele primeiro encontro de Adão e Eva: Adão acorda, abre os olhos e vê aquela criatura maravilhosa diante dele. Ele diz: "Hummmm, o que será isto? Claro que não é um animal! Mas ainda não vi coisa nenhuma parecida no jardim! Contudo, não parece má. Realmente..."

E desde aquela altura os homens têm estado a observar as diferenças existentes entre eles e as mulheres. E apreciado muito! E as mulheres também não se têm queixado demasiadamente.
Este encontro é algo que parece acontecer espontaneamente. Ninguém precisa de vir ter com um rapaz e dizer: "Hei, a partir de agora tu podes começar a gostar das garotas." Não, isto ocorre naturalmente. Isto acontece porque Deus nos fez assim!

Mas alguns parecem ter a ideia de que embora Deus tenha criado o sexo, Ele está um tanto perturbado a esse respeito. Ele pode até desejar ver esse assunto à distância! Estão errados. Antes, pelo contrário, Deus disse: "Sede fecundos, multiplicai-vos" (Génesis 1:22). Não há necessidade de ficarmos envergonhados. Deus não está temeroso, perturbado ou envergonhado de forma alguma. Por que é que nós estaríamos? Deus está por detrás disto. O sexo foi um boa ideia, em primeiro lugar, e Deus não deu demonstração de estar arrependido.

Contudo, os seres humanos são estranhos! Parece que gostam de complicar as coisas! É muito importante lembrarmo-nos de que nós não somos apenas corpos, organismos físicos com necessidades biológicas. E que o sexo não é simplesmente um acto biológico qualquer, como a digestão dos alimentos, por exemplo. O sexo é um aspecto altamente complexo da bela unidade que forma um ser humano! É algo muito delicado, muito especial.

Mas a moderna sexualidade tem-no separado fortemente dos outros elementos do ser humano. Desse modo o sexo tem-se vindo a tornar apenas um 'acto', mais do que parte de um profundo relacionamento. É mais uma 'execução' do que uma experiência partilhada que torna dois indivíduos realmente num só.

Deus fez o homem como uma unidade, com capacidades emocionais, intelectuais e espirituais, juntamente com a física. Quando tentamos negar ou destruir alguns aspectos do nosso ser a fim de satisfazer a outros, estamos a desumanizar-nos. O homem (ou a mulher) que vive ao nivel físico em detrimento do nível mental e espiritual não chega a ser um homem completo.

A intenção de Deus foi a de um relacionamento a vários níveis. Fisicamente o sexo é importante, mas é só uma parte do total. Uma definição moderna da palavra 'amor' mostra-nos o quão longe temos ido, infelizmente, nessa direcção. Na nossa moderna sociedade quando duas pessoas falam em 'fazer amor', muito frequentemente apenas querem dizer que foram para a cama juntos. Estão dizendo que, juntos, partilharam de um acto biológico. O que acontece com dois animais. Quão pobre é essa definição de 'amor'!

O verdadeiro amor implica a união de duas vidas, não de dois corpos. Pessoas que se amam de verdade desfrutam de genuína amizade e não simplesmente utilizam órgãos um do outro para satisfação dos seus sentidos. O verdadeiro amor, é o amor de relacionamento em vários níveis, que envolve o prazer de estarem juntos. Sorrirem juntos, partilharem coisas, fazerem coisas, tornarem-se ambos um só. Isto envolve muito mais do que sexo! Interesse mútuo, mútuo conforto e encorajamento! Altruísmo! Deus deseja-nos como pessoas completas, não como corpos satisfeitos! Ele oferece-nos muito mais do que comummente 'pagamos' pelos nossos relacionamentos. Frequentemente nos vendemos barato demais! Pensa nisto!

Agora imagina que compras um carro. Tu pegas no carro e encontras um manual de funcionamento no porta-luvas. Naquele pequeno livro o fabricante diz como tu deves utilizá-lo. Ele sabe que tipo de tratamento o carro necessita para oferecer maiores vantagens. Ele diz-te como cuidares dele para que rode melhor e por mais tempo. Se tu queres obter o máximo do teu carro, então deves seguir as suas sugestões, pois ele conhece melhor o carro. Foi ele que o fez!

Da mesma maneira, Deus criou-nos. E como foi Ele que nos fez, Ele sabe o que nos faz funcionar melhor. O 'manual do fabricante' é a Bíblia. Naquele Livro, Deus estabeleceu as directrizes para o uso do corpo e da personalidade humanos. Se violarmos as directrizes, sofreremos várias disfunções.

A crescente desumanidade e a ausência de sensibilidade no nosso mundo evidenciam um colapso enorme na maquinaria humana. Encaremos isto! Temos estado a violar o manual há tanto tempo que o mundo tem mesmo que ter problemas! Tu não podes abusar do sexo e deixar de arruinar a pessoa humana e a sociedade!

A Bíblia fala-nos do príncipe Amnom, que se enamorou da princesa Tamar (II Samuel 13). Ele desejava tanto ter relações sexuais com ela que não conseguia comer nem dormir. Amnom possuía um desequilíbrio sexual, sinal certo de uma disfunção no mecanismo humano. Seja como for, o príncipe planejou, arquitectou, fez promessas, insistiu, até que ela finalmente concordou em ir ao quarto dele. Mas quando o seu desejo sexual foi satisfeito, o 'amor' do príncipe Amnom transformou-se em ódio. Ele expulsou Tamar e bateu com a porta. Disse-lhe que jamais o procurasse. A culpa e a vergonha produziram sérios transtornos. Sempre produziram. E produzirão!

Esta é uma história típica da alienação e frustração, produzidas pela aproximação superficial, biológica, no relacionamento homem-mulher no nosso mundo. Algo que Deus designou que fosse belo, nós o tornamos feio. O sexo, uma das mais belas e excitantes dádivas de Deus ao Homem, tem sido pervertido pelos seres humanos separados de Deus. O sexo, satisfeito fora das especificações identificadas no 'manual do fabricante', a Bíblia, tem-se tornado feio e doente.

A Bíblia reserva as relações sexuais para o Casamento. O sexo não é um brinquedo para crianças. Nem um jogo de sala para experiências de adultos. Poucas coisas são mais explosivas ou ocasionam mais cicatrizes à sensibilidade humana do que o sexo leviano. Deus é claro: se tu não és casado, espera até o casamento! (Êxodo 20:14).
Lembra-te, é o Fabricante que te está a dizer como manter a máquina em bom funcionamento. Ele sabe o que diz! Se tu violares as Suas instruções, pagarás pela desobediência com profundos danos pessoais, a ti próprio e aos outros.


Uma pesquisa recente informou que 88% das pessoas casadas entrevistadas disseram que não voltariam a ter relações sexuais antes do casamento, caso pudessem recomeçar a sua vida. E a maioria acredita que essa prática produziu efeitos negativos sobre o seu cônjuge. Deus sabe o que faz!
Se tu desejas destruir um relacionamento de profundo significado com um moço ou uma moça, envolve-te em comprometedoras carícias antes do casamento. Culpa e vergonha criarão um muro de separação ao teu redor. Mesmo depois do casamento, permanecerá uma contínua diminuição do respeito de um pelo outro. Remontando-se às origens, chega-se à intimidade que teve lugar, indevidamente, no começo. Todo o teu casamento pode perder o brilho porque tu escolheste andar pelos teus próprios caminhos a andar pelos caminhos de Deus.

Bem, voltemos ao Carlos e à Míriam. Eles são cristãos. Sabem o que a Bíblia ensina a respeito do sexo fora do casamento. E eles realmente desejam ser obedientes. Sabem que não devem manter intimidades físicas, ou permitir-se situações altamente estimuladoras que não possam controlar.
O que supões que devam fazer? Eles já se sentem atraídos. O mundo ao redor inunda-os com estímulos. Quando estão juntos, Carlos dificilmente fica sem pôr as mãos em Míriam, ou tirar os olhos dela. E Míriam também não quer de forma alguma que ele seja diferente!

Deste modo, eles enfrentam um grande problema, um problema humano - a Tentação!
Eles sentem uma intensa pressão! Eles precisam de saber exactamente o que está a acontecer, porquê e como acontece. E depois, fazer alguma coisa. Eles sabem que precisam de ajuda.

COMO LIDAR COM A TENTAÇÃO

Encaremos o facto: Tu não tens tentação a menos que seja algo que realmente desejes fazer. O desejo sexual é uma parte da dádiva de Deus incluída na formação do organismo humano. Não é errado teres desejo de satisfação sexual. Foi Deus quem o colocou em ti. Mas Deus não te empurra para situações de estímulos insuportáveis!
Deus delineou meios próprios de satisfazer os desejos de um homem se unir a uma mulher. Contudo, Satanás tenta-nos à satisfação sexual antes de estarmos preparados ou de termos alcançado a situação ideal para a incumbência.

Muito obviamente, as mulheres exercem atracção sobre os homens. Olhar para uma garota de boa aparência não é pecado. Deus não nos pede para sermos cegos. Recebemos de Deus o sentido de apreciação do belo, embora ele não se destine a despertar a sensualidade. Quando tu estás a andar numa rua e uma moça especialmente atraente passa, e tu olhas, isso não é pecado. Pode ser uma tentação. Porém, quando tu páras, te voltas e começas a imaginar coisas, então começas a pecar.

Jesus disse: "Vocês sabem o que foi dito: 'Não cometas adultério.' Mas Eu digo-vos: Quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la, já adulterou em seu coração." S. Mateus 5:27 e 28, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
Deus não está interessado somente e fundamentalmente no exterior. Ele está mais interessado no que existe dentro de ti!

O facto de não teres experimentado ainda relações sexuais com uma moça não significa que estejas sem culpa! A oportunidade pode ainda não ter chegado; pode a moça não estar no momento a desejar. Pode ser que tu estejas com muito medo da pressão social ou das consequências. Pode ser que tu estejas com medo de Deus. Tu podes não ter levado as tuas fantasias à acção, mas talvez já tenhas cometido adultério 'em teu coração'. Mas lembra-te: Deus lê o coração! Tu não pode esconder-te d'Ele.

Pecar é ceder ao pecado. Jesus foi tentado em todos os pontos - inclusive no aspecto sexual - como nós, mas 'sem pecado' (Hebreus 4:15). Porém, quando acariciamos a tentação na nossa mente, ou quando a praticamos na nossa vida, então pecamos.

Facto nº 1: Quando alguém se torna cristão não se liberta da tentação. Alguns pensam que sim. Pensam que por pertencerem a uma igreja estão livres de desejos sensuais. E quando descobrem que isso não é assim, começam a duvidar da realidade da sua fé. Contudo, Deus jamais prometeu livrar-nos da tentação. Nem ao Seu próprio Filho Ele excluiu. Ele prometeu, sim, que não seríamos vencidos pela tentação se ficássemos sob a Sua direcção (I Coríntios 10:13).

Facto nº 2: Quanto mais unido tu estiveres a Cristo, maior será o teu senso de tentação. Isto pode parecer contradição, mas é verdade. É que quanto mais nos unimos a Cristo, mais claramente vemos as nossas tendências para o mal, desse modo nos tornamos mais sensíveis ao que realmente está a acontecer no nosso coração. Vemos mais claramente as motivações mescladas, as insinuações subtis, os flertes casuais. À medida que Deus abranda a nossa dureza, vemos quão distantes do Seu belo plano para a nossa vida tendemos a vagar.

Facto nº 3: Quanto mais unidos estamos a Cristo, mais somos capazes de reivindicar reservas do Seu poder pelo qual é ganha a vitória. Aqui está o ponto-chave. Se, à medida que o nosso relacionamento com Jesus aumenta, a única coisa que acontece é ver-mo-nos mais claramente, então podemos nos encontrar vencidos pelo desespero. No entanto, juntamente com uma compreensão mais ampla surge também uma profunda consciência do amor de Deus, do Seu desejo de conceder mais do que pedimos, e do Seu plano para nos manter seguros através das tentações. Dessa maneira, enquanto as nossas tentações se tornam mais evidentes, a nossa capacidade de reclamar vitória torna-se também mais segura e pode ser posta em acção mais rapidamente.

Facto nº 4: A forma de abordagem das tentações sexuais é a mesma de qualquer outra tentação. Parece que aprendemos a classificar as 'tentações sexuais' separadamente das outras tentações.

Tentamos dividir os pecados em duas categorias:

1 - Pecados sujos - os praticados com o sexo
2 - Pecados limpos - todos os demais

Com Deus é diferente. Pecado, é pecado à Sua vista. O orgulho e o egoísmo podem ser mais desagradáveis diante de Deus do que os 'pecados da carne'. E por vezes, aqueles pecados profundamente enraizados são os mais imunes à Sua compreensão. Deus não considera pecado algum levianamente. Isto porque todos os pecados envolvem o mesmo problema - violam o nosso relacionamento com Ele e com o nosso próximo. Em Isaías 59:2 lemos: "Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus." O pecado ergue um muro de separação entre ti e Deus. Tu cortas o teu contacto. E se cortas o teu contacto com Deus, ficas separado da verdadeira Fonte de toda a vida.

Em relação às distinções que fazemos quanto aos pecados, os pecados de ordem sexual prendem-nos de um modo especial. Somos inclinados a vê-los como pecados muito piores, pecados menos facilmente perdoáveis por Deus. Desta maneira abordamos os nossos pensamentos impuros com uma atitude muito perigosa. Ficamos impedidos e temerosos de levá-los a Deus, o que é um erro.
No entanto precisamos de admitir abertamente que todos temos tentações na área sexual. Estas tentações devem ser tratadas como todas as outras. Devemos enfrentá-las destemida e abertamente. Devemos levá-las a Deus. Somente assim podem ser riscadas da sua condição especial.
Frequentemente um homem ou uma mulher que caiu em pecado que envolve violação sexual são tratados mais severamnte pelos seus amigos e familiares do que os que mostram aberto rancor ou ambição.

Isto não quer dizer que devamos deixar de nos horrorizar com uma conduta sexual errada. Mas muitos dentre nós, actualmente, já perderam a capacidade de ficar moralmente chocados com a perversidade da nossa sociedade em todas as áreas. Precisamos centralizar a nossa atenção no facto de que todos os pecados prejudicam o relacionamento vital entre o seu humano e Deus. Se considerarmos os pecados sexuais como 'GRANDES PECADOS' e todos os outros como 'pecadinhos', estamos a fazer confusão.
Semelhantemente, se dividimos os nossos amigos em 'pecadores comuns' e 'pecadores do sexo', podemos estar a afastar de muitos deles os meios de suporte pelos quais Deus pode estar a querer usar-nos como canais do Seu perdão e cura. Pecado é pecado, e necessita de confissão e perdão. E somente quando o entendermos como a violação de um relacionamento, descobriremos a dinâmica da vitória sobre ele.

E AGORA, O QUE FAZER?

"Cada vez que saio com uma garota parece que acabamos sempre fazendo algo que sei que não devemos. Mas eu desejo ter um relacionamento mais profundo do que o que tenho! Só que pareço impedir isso o tempo todo. Creio que para mim não há esperança!"

A frustração deste rapaz de 18 anos coloca agora a pergunta mais importante: "Como lidas com a tentação?" É óptimo identificar o problema e traçar o seu esboço. Mas o que fazes depois com ele? Como alcanças a vitória sobre os desejos pecaminosos? Ranges os dentes? Amarras os pés?...

Nada disso. Essas acções estão baseadas apenas na força humana e não na força divina. São técnicas defensivas. Ainda que funcionassem, a 'vitória' somente daria a oportunidade ao orgulho humano.

O que precisas é de ir à raiz do problema - à tua natureza humana que é pecaminosa e egoísta. Quando acreditas que a aplicação de uma grande força de vontade te pode capacitar a resistir à tentação, tu jamais experimentarás a genuína vitória de que Deus fala! Assim, primeiro, reconhece a tua própria fraqueza. Compreende que na tua própria força não terás possibilidades!

Em S. Tiago 4:7 lemos uma prescrição que reúne a única técnica efectiva em lidar com a tentação:

"Portanto, obedeçam a Deus", diz ele. "Enfrentem o diabo, e ele fugirá de vocês." - A Bíblia na Linguagem de Hoje. Observa as duas palavras-chaves e a sua sequência: 'obedecer' e 'enfrentar'.

Enfrentar o diabo é o caminho da vitória. Mas tu não podes enfrentá-lo sem antes obedeceres a Deus! Aqui está a chave! Tu deves submeter a tua vontade a Deus. Tu deves conquistar a vitória em Deus antes de avançares.

No entanto, exactamente neste ponto, muitos de nós falhamos continuadamente. Porquê?
Porque não queremos errar; ferir alguém; não queremos ceder o controle total da nossa vida a ninguém, nem mesmo a Deus; queremos resistir sem submissão; queremos ser heróis; não desejamos passar o crédito a outrem; etc.

Suponhamos que sentiste um mau cheiro no teu quarto. Queres eliminá-lo e trazes uma ventoinha. Coloca-la no chão, ligas o interruptor e desejas que ela funcione! Mas nada acontece. Porquê? Porque não a ligaste à tomada. Não adiantará desejares, mesmo com toda a sinceridade, que as pás da ventoinha girem. Se não ligares o fio à tomada, nada acontecerá! Podes sentar-te no chão e até girares as pás com a mão. Podes esmurrar a parede. Mas nada conseguirás. O que tens de fazer? Ligá-la à corrente eléctrica! Do mesmo modo, tu deves ligar-te a Deus.

Assim, submeter-se a Deus significa descobrir duas coisas:

1º - Não podemos cuidar da nossa própria vida.

2º - Não necessitamos de o fazer.

Deus quer fazer isso por nós! Ele deseja fazer por ti o que tu nunca poderás fazer. Ele quer mudar cada desejo que produz pecado. Ele quer mudar o teu coração (Ezequiel 11:19). Submeter-se a Deus significa levar-Lhe a tentação e deixá-la com Ele.

Significa orar assim: "Ajuda-me, Senhor! Estou aqui sentado com esta moça e ela está muito perto. Tu sabes a espécie de pensamentos que estão na minha cabeça. Não tenho forças para vencê-los ou para manter-me fora da acção deles. Mas tu podes! Por essa razão entrego esta situação em Tuas mãos. Sou Teu filho e peço-Te para expulsares os meus maus desejos."

Feito isto, contudo, tu tens de tomar uma importante decisão. Compreende que não poderás ser vitorioso nesta espécie de submissão de que temos estado a falar, nos momentos extremos da tentação! A não ser que já estejas envolvido num contínuo processo de crescimento com Deus. Pedidos de auxílio de emergência são mais efectivos quando tens uma boa ligação, quando manténs um sólido relacionamento com Deus. E cada dia tu deves ceder-Lhe novo território da tua vida.

Para resistires ao inimigo, então, deves voluntariamente deixar toda a situação especial nas mãos de Deus. Apela para as reservas de força que Deus tem para te dar. Quando vier a tentação para fazeres ou pensares algo contrário à Sua vontade, resiste ao inimigo enfrentando-o. Como? Com uma vida submissa a Deus! Como filho de Deus, tu não estás mais sob o domínio do pecado (Romanos 6:14).

Tu não precisas de temer, não precisas de te render! Jesus já ganhou a vitória em teu lugar. Precisas apenas de a reclamar. Estás escudado na Sua vitória! Deus prometeu que se tu te submeteres a Ele, e resistires com base nessa submissão, Ele expulsará o mal! O mal fugirá de ti. Esta é uma promessa que deves reclamar! ...

Confia então plenamente. Nesta manhã entrega a tua vida aos cuidados de Deus. Deixa todos os teus desejos e esperanças nas Suas mãos, pronto para aceitares o que quer que Ele decida. Então, antes do encontro com a garota tu reforçaste o teu relacionamento com Ele. Disseste: "Meu Deus, eu gosto dela. Mas eu sei que Tu me darás tudo na vida, e mais do que eu poderia pedir. Assim, confio em Ti. Se ela é a pessoa indicada, Tu ligarás os nossos corações em amor. Se não, eu não a quero de forma alguma. Assim, não forçarei este relacionamento. Confio-te tudo, Senhor."

Por teres submetido o caso a Deus, tu não estás mais sob irressistível pressão. Se, antes, às vezes sentias necessidade de ir um pouco mais além do que desejasses no contacto a fim de manter o interesse, agora tu sabes que não precisas mais disso. Agora Deus vai cuidar do teu caso! Assim tu podes resistir! Porque antes de tudo, tu pertences a Deus! Ele está cuidando de ti.

Sendo obediente e tendo-te submetido, Deus pode operar com o Seu poder. Uma vez que te relacionas com Deus de um modo activo e significativo, tu estás sempre na Sua presença. Não estás mais fraco e só, não estás mais lutando em desigualdade e jamais fracassarás. Dizes no teu coração: "Escolhi não pecar", e tomas uma atitude confiante, pois a tua confiança está em Deus e não em ti mesmo. ...

PARA ONDE IR?

Mesmo depois de termos aprendido como lidar com certas tentações particulares, precisamos ainda de aprender algumas coisas a respeito da dinâmica do crescimento cristão.

Perguntas: "Não haverá ocasiões em que as tentações deixarão de exercer influência?" "Nunca estarei a salvo de todo o lixo da minha vida?" "Nunca serão puros os meus pensamentos e desejos?" "Chegará o tempo em que poderei amar uma pessoa com calor e afeição sem duplicidade das minhas motivações?"

Se tens este tipo de sentimentos, podes estar certo de que Deus já está a trabalhar em ti para te tornar uma nova pessoa. Tais pensamentos só podem ser despertados pelo Espírito Santo.

O cerne de tudo o que podemos dizer a respeito do crescimento cristão é este: Deus está na direcção da tua vida! Estando aos cuidados de Deus, tu podes deixar que Ele tome conta de cada situação. ... Jesus disse (S. João 3:8) que o trabalho do Espírito Santo é como o vento. Não podes vê-lo agindo. Mas podes sentir os seus resultados: o movimento das folhas e das nuvens a passar. Da mesma forma, tu não podes ver a acção do Espírito Santo no teu coração, abrandando-o e tornando-o dócil e obediente. Mas Deus está em acção, mudando-te. ...

Aprende também como te ergueres quando tropeçares e caires! Um dos mais desastrosos resultados dos pecados do sexo é a sensação de desencorajamento que experimentamos depois de termos caído. Fomos 'imorais'! E Satanás quer que fiquemos na valeta com sentimentos de desalento!

Não há pecado por mais terrível que seja que Deus não possa perdoar. Contudo, se não pedirmos, Ele não nos perdoará. "Se confessarmos os nossso pecados", diz a Bíblia, "Ele (Deus) é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça" (I S. João 1:9).

Isto inclui todos os tipos de pecado, não interessa quão perversos sejam. Lembra-te: para Deus todos os pecados são perversos. Se caíres, não fiques por terra, sentindo autocomiseração ou autocondenando-te. Admite o teu erro: "Eu caí, é verdade. Mas prossigo. O que aconteceu foi que eu quis dirigir a minha própria vida. Sei agora que sempre que isso acontece só posso esperar fracasso. E dessa maneira colocarei tudo nas mãos de Deus a fim de que Ele possa agir até que eu esteja inteiramente liberto."

Quando esta atitude se tornar uma resposta espontânea no nosso coração, estaremos no caminho certo para prosseguir de vitória em vitória. A promessa de Deus para os problemas da escravidão sexual, é igualmente para a escravidão de todos os outros pecados, e é clara: "Se pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (S. João 8:36).


Adaptado de  Sexo - Uma Encruzilhada, de Dan Day.
Casa Publicadora Brasileira.



S.O.S. - Ajudemos os Jovens!!!