terça-feira, 26 de julho de 2016

MENSAGENS PARA O DIA DOS AVÓS


A CONTA CORRENTE DOS TALENTOS

     A primeira conta corrente que eu gostaria de examinar com você é uma conta enorme chamada "TALENTOS". E antes que você passe adiante pensando: "Esta conta corrente não é para mim porque não tenho nenhum talento", deixe-me falar-lhe de uma experiência que tive há alguns meses. Eu cantava e falava para as Mulheres Evangélicas da Capela de uma base do Exército em Okinawa.
     No começo do meu programa, eu disse, depois de cantar, que falaria sobre os talentos. Percebi que algumas, talvez muitas, das mulheres ao ouvirem a palavra "talento" pensariam: Bem, isso me deixa de fora - não tenho nenhum talento!
     Eu contava com o Senhor para que realmente falasse por meu intermédio uma vez que muitas mulheres têm o problema de uma baixa avaliação do seu valor próprio.
     Uma das primeiras mulheres que me procuraram depois da reunião foi uma bela senhora cujos olhos brilhavam e reluziam cheios de lágrimas.
     - Sabe de uma coisa, Joyce, - começou ela, - quando você disse que ia falar sobre talentos hoje, quase me levantei para sair, pois, se há uma coisa que não tenho, é isso. Mas, mesmo assim, fiquei. Estou contente por ter ficado, pois enquanto você falava, Deus foi apontando um talento após outro em minha vida. Eu não tinha ideia de que existiam. Fiquei profundamente comovida e convencida. Pedi ao Senhor que me perdoasse por não tê-los reconhecido, e estou saindo desta reunião sentindo-me útil e sabendo que sou necessária. Estou ansiosa para atingir alguns alvos na vida.

     Ela não foi a única mulher que viera à reunião sentindo-se incapaz e sem talentos. Muitas mulheres creem honestamente que não têm nenhum talento dado por Deus e, o que é pior, nenhum conceito de valor próprio.
     Um pastor me disse recentemente que 50% das mulheres que o procuram para aconselhamento fazem-no por causa dos seus sentimentos de inutilidade, ausência de talentos e nenhum propósito verdadeiro na vida.
     A mulher que falou comigo em Okinawa caíra na armadilha comum de definir como talento apenas a habilidade de tocar piano, cantar ou pintar quadros, quando, na realidade, o talento é uma habilidade natural, dada por Deus, de fazer alguma coisa, qualquer coisa, bem feita.
Talvez você pergunte: "Ótimo, quais são as 'algumas coisas que eu faço bem' em minha vida?"

Eis aqui uma lista de exemplos:
1. O talento de ser alegre - particularmente quando nada vai bem, quando você passou o dia todo na cidade e todos foram grosseiros com você.
2. O talento de ser hospitaleira - de abrir a sua casa e receber anjos (ou adolescentes), mesmo quando o seu sofá está todo puído, a sala de visitas precisando de pintura, ou você tenha começado a pagar as prestações de um macio carpete branco.
3. O talento de saber como fazer o seu marido sentir-se o homem mais simpático, mais sábio e mais inteligente da cidade, mesmo quando você, mais do que qualquer outra pessoa viva, conhece todas as suas fraquezas e defeitos.
4. O talento de falar com amor e tato. Conheço uma mulher que, quando quer, consegue passar-lhe uma reprimenda com tanto tato que você só percebe três semanas depois. Isso é verdadeiro talento!
5. O talento de começar um curso de pintura a óleo, de costura ou vendas e terminá-lo. Isso exige o talento da autodisciplina!
6. O talento de forrar seus próprios móveis, de acrescentar botões diferentes a um vestido comprado feito, ou de pegar um molde e fazer roupinhas de nenê para o projeto missionário, ainda que o fazer uma costura reta nunca tenha sido o seu ponto forte.
7. O talento de chegar na hora. É um talento raro hoje em dia.
8. O talento de transmitir amor sem palavras - através de um olhar, uma palmadinha no braço, um sorriso, ou simplesmente tendo a paciência de olhar o desenho de uma criança.
9. O talento de descobrir o que "agrada" a cada membro de sua família e fazê-lo regularmente. Em nossa família, Rick é louco por um café bem reforçado pela manhã. Laurie gosta de sopa de cebolas e Dick acha que eu deveria andar com ele em nossa motocicleta, por isso faço tais coisas regularmente. É lindo agradar àqueles que amamos.
10. O talento de ouvir quando alguém fala. Um surpreendente número de pessoas nunca ouviu falar neste talento, mas quando descobrimos um amigo que o tenha, você nunca enjoa dele! Você fica pasma e o seu amor por ele aumenta.
11. O talento de ver os seus filhos jogarem os livros escolares, pedindo a Deus a sabedoria de lhes dizer sabiamente: "Oi, como foi a aula de hoje?"
12. O talento de fazer molho sem grumos como a minha sogra sabe fazer.

     Estes são doze talentos que me saltaram à mente enquanto eu escrevia. Mas há muito, muito mais. Você já descobriu algum em sua própria pessoa? Se não descobriu, faça sua própria lista. Os talentos não têm fim. Vamos retroceder um pouco ao primeiro talento - o talento de ser alegre.
     É fácil ser alegre e bondosa para com pessoas agradáveis e de fácil convívio, mas se Deus lhe deu este talento, você se diverte muito simplesmente fazendo compras, indo ao banco e cumprindo outras tarefas desse género. As oportunidades de sermos joviais são infinitas!
     A grande vantagem deste talento é o testemunho poderoso que ele proporciona.
     Há três anos que estou ativamente ocupada em apresentar Cristo a duas moças da caixa de um loja, três garotos de entrega do supermercado e três ou quatro caixas no banco. Oro por eles regularmente e anseio que entreguem suas almas a Deus - ainda que alguns deles nem tenham ideia de que os seus nomes se encontram na minha lista de orações diárias. Sempre que me encontro com eles dou testemunho, sorrio e ouço atenciosamente (nem sempre nesta ordem) e Deus tem produzido alguns milagres especiais em algumas vidas. É verdade que, num caso, Deus usou o meu primeiro livro, mas, além disso, meus talentos de cantar e tocar piano não foram usados. Para dizer a verdade, nenhuma vez, nestes três últimos anos de compras e idas ao banco, entrei empurrando o meu piano e dizendo: "Tenho algo para vocês! Vou usar o talento de tocar piano que Deus me deu para lhes dar um testemunho." Também não subi no balcão a fim de cantar alguns números e usar os meus talentos! Na verdade, alguns daqueles que inspirei e alcancei este ano, nunca me ouviram cantar e é bem provável que nunca fiquem sabendo desses talentos.
     Os talentos que eles viram são de natureza bem diferente.
     Esses outros talentos começam a agir quando me aproximo da caixa do supermercado e surpreendo a moça perguntando-lhe: "Oi, como vai?" Ela é paga para ser educada - eu não!
     Um dia, no banco, depois que eu disse: "Oi, como vai?" a caixa largou o lápis, sacudiu a cabeça e disse:
     - Joyce, você é demais! Você não é como os outros cristãos que eu conheço.
     Eu não sabia exatamente como entender as palavras dela, por isso perguntei:
     - O que você quer dizer?
     - Você irradia (ela tropeçava nas palavras porque estava em território desconhecido), ah, amor cristão. Se eu não soubesse que você é religiosa, jamais teria adivinhado que é cristã. Você é alegre, bondosa, tem senso de humor.
     - Você quer dizer que os outros cristãos não são assim? - perguntei.
     - Não quando vêm ao banco - retrucou.
     Que comentário triste sobre companheiros cristãos!

     

     O talento de ser alegre, sorridente e agradável, mesmo quando está chovendo canivetes de problemas, foi o talento de Paulo e Silas - particularmente quando eles cantaram na prisão! Foi uma habilidade dada por Deus que os fez cantar apesar de tudo.
     É bem possível que, se o seu talento é a jovialidade ou qualquer outro da minha lista, você nunca fique famosa! Talvez ninguém escreva um livro sobre a sua vida, nem canções lhe sejam cantadas ou dedicadas, mas o Deus que tudo vê e tudo sabe, mantém registos perfeitos. Ele não classifica a sua habilidade de cozinhar esplendidamente, de assar uma torta de damasco, de puxar o saldo do talão de cheques, de medicar um joelho esfolado, de criar, ensinar e educar crianças, de ser uma bibliotecária, secretária ou balconista, como não sendo talentos.
     Pelo contrário, através de Paulo temos estas palavras: "Nunca posso deixar de agradecer a Deus todos os dons magníficos que Ele lhes concedeu, agora que vocês são de Cristo: Ele enriqueceu-lhes a vida inteira... Agora vocês desfrutam de toda a graça e todas as bênçãos; pertence-lhes todo o dom espiritual e todo o poder para executar a vontade Dele durante este período de espera pela volta de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Coríntios l:5, 7, O Novo Testamento Vivo).

     Temos a inclinação de ficar desanimadas com o nosso preconceito sobre quais são os talentos realmente importantes e, na confusão, perdemos o plano de Deus para a nossa vida.
     Há pouco tempo alguém perguntou ao nosso filho Rick:
     - Como é que você se sente tendo uma mãe tão bonita e talentosa?
     Ele respondeu muito naturalmente:
     - É ótimo, mas você deveria experimentar o frango com bolinhos que ela faz.
     Realmente apreciei a resposta dele, em parte porque o "talento" de fazer frango com bolinhos veio depois de muita prática, mas principalmente porque fiquei sabendo que, em sua mente, o talento de cozinhar era tão importante quanto cantar, se não maior.
     Talvez você simplesmente não consiga imaginar que fazer frango com bolinhos seja um talento. Contudo, acho que é preciso muito talento para ser esposa e mãe hoje em dia. Se não é talento, por que em alguns países, 50% dos casamentos estão terminando em divórcio? Se não é preciso talento para assar uma torta gostosa, por que são tantos os lares e restaurantes que servem tortas de qualidade tão inferior - quando servem? Se não é preciso talento para criar filhos, por que a delinquência juvenil está aumentando? Se não é preciso talento para ser professor de *Escola Dominical, por que o superintendente vive implorando por mais obreiros o tempo todo?

     Sim, eu estou simplificando demais, mas você captou a mensagem, não captou? É preciso talento até mesmo para fazer bem as tarefas mais simples.
     Pense em sua própria vida um pouquinho. Não há alguma coisa especial que você faz e que certamente poderia ser chamada de talento?
     Depois de me ouvir dizer isto um dia destes, uma amiga sacudiu a cabeça afirmativamente e disse:
     - Vou dizer-lhe uma coisa. A mãe que simplesmente ouve a filha estudando suas lições de piano e consegue manter a sua sanidade mental e o seu senso de humor, está demonstrando um enorme talento dado por Deus.

     Lembro-me também de outra mulher que me disse:
     - Oh! naturalmente você sabe quais os talentos que Deus deu a você, mas Ele nunca me disse quais são os meus e estou com cinquenta e um anos de idade, portanto é um pouquinho tarde para tentar descobrir.
     - A senhora é casada? - perguntei.
     - Sim - respondeu.
     - Tem filhos?
     - Sim, oito. - Ela o disse totalmente desinteressada.
     Pedi-lhe que falasse sobre eles.
     - São todos filhos maravilhosos - disse. Alguns já estão casados. Alguns são médicos, outros são pastores e um é missionário.
     Era incrível. Ali estava ela, dizendo: "Coitada de mim, não tenho nenhum talento", quando produzira oito seres humanos fabulosos e dignos, que estavam vivendo dentro do plano de Deus! Por isso, não pude conter-me e fui dizendo:
     - Não me diga que isso não é talento?! Ou será que os seus filhos simplesmente cresceram como mato que não precisa de água nem cultivo? A senhora não os alimentou nem os vestiu física, mental e espiritualmente? A senhora não lhes deu surras? Não os elogiou, não lhes deu amor e o benefício da sabedoria de Deus? Não pagou lições de canto, piano e clarinete? Isso não é ser "mãe profissional" exatamente como eu sou "profissional de música" porque canto e toco? Quem se atreve a dizer que para isso não é preciso talento?
     Peço a Deus que você deixe que Ele lhe abra os olhos para os talentos singulares que Ele lhe deu, para o benefício do mundo no qual você vive. Talvez você não seja rica nos meus talentos, mas eu também não sou rica nos seus. Todos os talentos vêm de Deus. É o que você faz com eles que realmente conta.


     

     Você se lembra do garoto que deu a Jesus o seu lanche de cinco pães e dois peixes? Mal dava para alimentá-lo e mais a um amigo, quanto mais os milhares de pessoas que estavam lá naquele dia! Mas ele deu o que tinha. Daquele momento em diante - o momento da entrega do que ele tinha - Jesus fez o restante!
     Não fique sentada no conforto da rotina dizendo que você não tem talentos; antes, peça a Deus que use o que você já tem, que a torne vitalmente consciente das habilidades especiais que Ele queira desenvolver.
     Agora, vamos imaginar que, nestes últimos momentos Deus lhe revelou verdadeiramente algumas áreas de sua vida em que você tem habilidades especiais. Como você vai enfrentar isso? Vai ficar convencida ou exageradamente humilde? Qual será a sua atitude?

     A chave que realmente abre a Conta Corrente dos Talentos encontra-se nas Bem-Aventuranças.
     Eu nunca havia examinado as Bem-Aventuranças, relacionando-as comigo mesma, até que li um maravilhoso artigo chamado "As Bem-Aventuranças para as Mulheres", escrito por minha amiga Colleen Evans. Cantei e falei na Primeira Igreja Presbiteriana de La Jolla, na Califórnia, onde o marido dela era pastor. Junto a cada prato havia um exemplar das suas "Bem-Aventuranças". Elas me deram um vislumbre da conta corrente repleta de habilidades, por isso comecei a estudar seriamente aquelas palavras notáveis de Jesus.
     A bem-aventurança que me dominou o coração no que se refere aos talentos foi aquela que fala da humildade. A tradução de Phillips diz: "Como são felizes os que têm espírito humilde." Nenhuma outra palavra está tão desgastada nos círculos cristãos e tão mal empregada como a palavra "humilde". Os sermões sobre ela vão de um extremo ao outro. Um pregador destaca que somos todos como "vermes" e totalmente indignos. O próximo nos diz que somos poderosos, que "podemos todas as coisas". Cansei-me de ficar imaginando como encontrar o equilíbrio da humildade, por isso comecei a buscar versículos bíblicos que me indicassem qual a orientação que Deus nos deu.
     Infelizmente, a palavra "humilde" em geral está ligada com os talentos. É quase como dizer que a humildade não constitui um de seus problemas, uma vez que você não tem talento. Mas todos nós precisamos de humildade em nossa vida; ela age como lentes que colocam as coisas no seu devido foco. Como Colleen Evans diz: "Feliz é a mulher que sabe que sem Deus ela não é nada! Mas com Deus ela tem grande potencial e forças!"

     Você não precisa de ter complexo de inferioridade. Saiba que Deus pagou um preço fantástico por você, embora não lhe devesse nada, para se dizer a verdade! Ele poderia deixá-la abandonada tropeçando por aí, atravessando com dificuldades um problema depois do outro, vivendo um dia horrível após o outro, mas Deus, por causa do Seu grande e obstinado amor; escolheu importar-se com você - resgatando-a e entregando-Se a você. E Ele também deu talentos a cada uma de nós!
     Sei perfeitamente que Deus me deu a capacidade de cantar; e sei igualmente que não tenho nenhum talento para arrumar o meu próprio cabelo. Também sei que posso preparar repolho recheado à húngara (Tolto Kaposzta) de maneira perfeita e que sei tocar três acordes no violão, embora o quarto não saia dos meus dedos por mais que eu pratique. O que estou querendo dizer? Exatamente isto: Conheço minhas habilidades e sei das minhas limitações. No momento em que confundo ou distorço estes fatos, a humildade sai pela janela.
     Na primeira vez em que cantei um solo numa grande igreja da Costa Oeste, tinha treze anos de idade. Realizei, como minha mãe sucintamente resumiu, "um bom trabalho" e, depois do culto, três senhoras aproximaram-se de mim. Uma disse: "Querida" (ali estava a minha primeira dica - eu sabia o que ia receber). Elas não disseram nada sobre o meu hino ou minha apresentação. Simplesmente disseram o seguinte: "Vamos pedir a Deus que a mantenha humilde."
     Este é o elogio mais dúbio do mundo. Numa simples sentença, eleva você às alturas e, ao mesmo tempo, atira-a ao chão. Aquelas senhoras colocaram-me em posição de quase precisar de pedir desculpas pelo meu talento. Daquele dia em diante, quando as pessoas me agradeciam após eu ter cantado, eu dizia: "Oh! não sei cantar; realmente tenho muito ainda que aprender, etc., etc.", esperando que elas me achassem humilde.
     Só depois que me tornei cristã é que pude honestamente enfrentar o facto de que Deus me deu uma voz e que algumas pessoas, após ouvi-la, ouviam o Senhor falando. Quando elas me elogiavam, eu podia dizer com sinceridade: "Obrigada, o Senhor é maravilhoso, não é? Sem Ele não sou nada, é verdade, mas eu não sou sem Ele. Eu sou com Ele.
     Paulo ajudou tremendamente na minha atitude quando disse: "Procurai... considerar sem exageros as possibilidades que tendes" (Romanos 12:3, Phillips).
     Eis aí, um versículo com dois mil anos de idade e acertando bem no alvo. Sem exagero! Muito poucas mulheres têm a capacidade de considerar sem exageros os seus talentos ou a vida em geral. Esse mesmo versículo na Edição Revista e Atualizada diz que cada um deve pensar de si mesmo "com moderação", nunca se subestimando ou superestimando.

     

     O oposto da humildade é a presunção! Conheço diversos músicos que são presunçosos e extremamente temperamentais por causa disto. Mas a presunção deles é do tipo óbvio. Eu gostaria de escrever sobre o tipo de presunção subtil que habita em certas mulheres (e homens também) hoje em dia. São as mulheres que estão sempre dominando o marido, os filhos e todo o cenário.
     Jantamos uma vez com uma dessas mulheres. Ela nos disse a que restaurante ir, onde estacionar e onde aguardar o maitre. Seu marido ficou de lado quietinho, tomando muito cuidado com o que dizia e fazia, tentando não atrapalhá-la. Ela fez o pedido para cada um de nós e, depois da refeição, disse-nos quando sair. Ela tinha mais de oitenta anos de idade e fazia tudo isto com elegância, mas isto não disfarçava o fato de que ela achava que sabia todas as coisas que havia para saber ali naquele lugar. Ela derrubava as ideias, os pensamentos e as opiniões de todos os outros. Cabia-lhe, simplesmente, dizer a última palavra. Exagerara tanto os seus talentos e capacidades que a sua presunção se desenvolvera em tirania e a ausência de humildade a tornava extremamente sem atração.
     Que desperdício, pensei. Era uma mulher interessante e tinha oitenta anos de experiências que poderia partilhar conosco; mas estava tão ocupada chamando a atenção e fazendo as pessoas saltar diante de suas ordens que realmente nunca chegamos a conhecê-la.

Precisamos do delicioso equilíbrio das palavras de Paulo para "considerar sem exagero as nossas possibilidades". Precisamos ser sensatos e honestos quando procuramos usar os nossos talentos.
     Quando escrevia este capítulo eu me encontrava no Acampamento Cristão de Hume Lake, nas belas montanhas acima de Fresno, na Califórnia. Uma tarde falei num chá para a Sociedade Auxiliadora de Senhoras de Hume Lake. Afastei-me das minhas costumeiras anotações e perguntei se podia falar-lhes sobre um pedaço do novo livro que estava escrevendo (este). Participei-lhes meus pensamentos sobre a humildade e convidei-as a dar ideias.
Mais tarde, uma talentosa amiga, Bobby Romis, disse que gostaria de partilhar um pensamento comigo.
     Bobby abriu o Antigo Testamento na conhecida passagem de Provérbios 31 sobre "A mulher virtuosa". Quando chegou ao versículo dezoito, ela disse:
     - Enquanto você falava sobre humildade e talento, lembrei-me deste versículo: "Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca."
     Então Bobby levantou os olhos da leitura e disse:
     - Que mulher! Ela viu sua mercadoria e sabia - sem desculpas ou vanglórias - que era coisa boa.
     O equilíbrio de considerar sem exagero é o que obviamente encontramos aqui. Então Bobby continuou:
     - Por outras palavras, ela poderia ser a moça para a presidência da Feira Anual de Hume Lake. Ela saberia como fazê-lo e criaria comissões envolvendo as melhores mulheres que pudesse encontrar, trabalharia até tarde da noite para que a Feira fosse um sucesso ("... a sua lâmpada não se apaga de noite...") e, terminada a Feira, ela saberia que "o seu ganho é bom" e iria para casa pegar na roca!
     - Olhe para ela. Vai para casa depois de ser a presidente genial e esforçada da feira de fiação de lã. Ela não se sente insultada pela mudança de posição, nada de autopiedade; e como o fiar da lã não exige nenhum esforço mental, ela provavelmente aproveita o tempo para orar pelo marido, pelos filhos e pelos negócios. Que mulher! Ela sabe que os seus talentos são bons, permanece firme para aproveitá-los e é belamente capaz de ficar em casa fiando lá no dia seguinte.
     Bobby concluiu dizendo:
     - Sinto que Deus estabeleceu um padrão para nós nestes dois versículos: honestamente tomar conhecimento de nossos talentos fora do lar; esforçar-se para que sejam aproveitados; e, então, sem nenhum problema de ajustamento, assumir a rotina do dia. Precisamos de momentos de solidão, sim, quando costuramos, passamos roupa, lavamos a louça, aproveitando esses momentos para renovação de nossas forças e para orar pelos membros queridos de nossa família.

     Quando Bobby terminou suas considerações sobre este padrão de equilíbrio, pensei no incontável número de vezes em que eu dei concertos, falei a centenas de mulheres, ou aconselhei mulheres e adolescentes e, então, tive de voltar para casa, para o meu silencioso quarto de costuras, para passar roupa e orar sobre ela. (Erma Bombeck, minha humorista favorita, diz que é sobre a tábua de passar roupa que ela consegue suas melhores ideias para escrever). Quando passo o colarinho da camisa de Dick sempre oro pelos músculos daquele pescoço cansado por causa da tensão. A manga que abriga o braço com o qual escreve recebe mais oração e a parte da frente que cobre o seu coração recebe amor e orações. Conheço o lugar exato nas costas da camisa que escondem uma vértebra tensa, por isso oro especialmente por esse lugarzinho. A seguir vem a camisa do Rick e, então, um vestido de Laurie, e por todos eles eu oro. Quem pode dizer que o concerto precisou de mais talento do que o passar roupas? Eu não!
     Todo este capítulo sobre o talento pode ser resumido num excitante versículo: "Deus deu a cada um de vocês algumas capacidades especiais; estejam certos de as estarem utilizando para se ajudarem mutuamente, transmitindo aos outros as muitas espécies de bênçãos de Deus" (1 Pedro 4:10, O Novo Testamento Vivo).

     Se dizemos que não temos habilidades especiais, chamamos Deus de mentiroso. Se a nossa motivação de sermos usados não é ajudar uns aos outros, então não seremos "vasos apropriados" para o uso divino. Se pensamos que o talento se resume em cantar e tocar piano, estamos roubando aos outros "as muitas espécies de bênçãos de Deus".

     Nossa vida neste mundo do século vinte não tem de ser uma existência sem graça, sem valor, do tipo "Zero", mas a porta de uma vida real, criativa, permanecerá fechada se as dobradiças não forem untadas com uma avaliação "sem exagero das nossas possibilidades".
     Pare imediatamente com a velha e cansativa rotina do "coitadinha de mim, não tenho talentos" e comece a examinar atentamente as suas habilidades especiais.
Embora não seja preciso muito esforço para convencê-la de que os seus talentos musicais não são grande coisa, talvez você se descubra na cozinha examinando suas especialidades culinárias. Você sabe quanto talento é necessário para se fazer um molho sem pelotas?
     Lembra-se da senhora em Okinawa? Ela pediu ao Senhor que Se inclinasse sobre ela e tocasse em sua visão para que ela pudesse perceber claramente 5 seus talentos. Ela não saiu imediatamente para comprar um piano a fim de tocar e cantar; simplesmente foi para casa, sentindo com renovada alegria sua própria diqnidade e valor e conhecendo os seus próprios talentos. Era uma bela mulher antes do culto naquele dia, mas positivamente saiu mais ereta e mais radiante depois da reunião.
     Você pode receber a mesma alegria e radiância, o mesmo sentimento de valor próprio que ela recebeu se tão somente você deixar que Deus abra os seus olhos para as suas próprias habilidades especiais.

Joyce Landorf (imagem inicial) no seu livro A Mulher Mais Rica da Cidade, Editora Vida.

(As 12 imagens giríssimas são da net. Não tenho o talento da culinária e para estas maravilhas, muito menos... Mas sou muiiito feliz na mesma! Só preciso de ter Deus no coração, e senti-Lo na vida dos que amo. EE)



QUE FORÇA EXTRAORDINÁRIA! GRANDES AVÓS!!!

Em Tudo Dai Graças
"Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." I Tessalonicenses 5:18.


Nossos vizinhos de 80 anos de idade estão passando por uma sequência de infortúnios.
- Em setembro, seu neto de 20 anos de idade, um rapaz inteligente cursando o último ano da faculdade, morreu num acidente de trânsito. "Deus é tão bom!", disseram eles entre lágrimas. "Não sabemos porque aconteceu essa tragédia, mas somos gratos porque Tim morreu instantaneamente. Não sofreu nem ficou com graves problemas de saúde para o resto da vida. Tim amava ao Senhor - mas quem sabe o que poderia acontecer no futuro?"
- Três meses depois, nossos vizinhos voltavam de um passeio e encontraram a rua bloqueada por carros de polícia, uma ambulância, camiões de bombeiros e serviços de emergência. Uma jovem estudante havia perdido o controle de seu veículo e batera contra a casa daquele casal idoso, causando extensos danos. "Alguém se machucou?" foi a primeira pergunta dos velhinhos. Quando os informaram que ninguém saíra ferido, suspiraram aliviados. "A casa está no seguro e os danos podem ser reparados. Graças a Deus porque ninguém se machucou e porque não estávamos em casa quando tudo aconteceu. Um de nós os dois com certeza estaria lá dentro, no lugar onde a parede desmoronou."
- Seis semanas mais tarde, a vizinha caiu e fraturou um braço. Sofreu muito e seu braço ainda está engessado. Ela dispensou nossos lamentos, dizendo: "Ainda bem que não foi meu braço direito!"
- No dia seguinte, quando nossos vizinhos iam visitar uma filha, o carro deles emperrou por falta de lubrificação. Ficaram dez dias sem transporte enquanto o veículo estava na oficina a arranjar. Quando receberam a conta no valor de 3000 dólares, admitiram para nós, chocados: "O concerto custou bem mais do que esperávamos. Mas graças a Deus, temos o dinheiro para pagá-lo."
Sim, meus vizinhos cumprem literalmente a ordem de Paulo: "Em tudo dai graças." Não restrinjamos nossos agradecimentos às bênçãos recebidas. Procuremos descobrir razões de expressar gratidão em todas as experiências, boas ou más. "Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo." Efésios 5:20.

Goldie Down in Meditação da Mulher (Devocional de mulheres, escrito por mulheres) Do Fundo do Coração, 17 de novembro de 1999, compilação de Rose Otis, Casa Publicadora Brasileira. A autora do texto "é escritora e mora na Austrália com seu esposo pastor. Foram missionários na Índia por 20 anos. Ela faz trabalho voluntário no Hospital da sua cidade e dá aulas de redação criativa para jovens, à noite. Goldie já publicou mais de 20 livros, inclusive um livro de texto de redação usado em escolas públicas."

VEJA  A  TERNURA  DESTES  QUERIDOS  POLÍCIAS... QUE  BONITO!



*E a propósito da Escola Dominical, o Dr Rodrigo Silva, Professor Universitário de Arqueologia
e Teologia vai ensinar-nos muito. Preste Atenção!



(Pode Ver e Ler Muito Mais no Seu Excelente Blog EVIDÊNCIAS em 1R)

sábado, 4 de junho de 2016

TEXTOS  DE  AJUDA  PARA  VENCER  AS  TENTAÇÕES


CONHECE-TE  A  TI  MESMO

Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis, quanto a vós mesmos, (ou não vos conheceis a vós mesmos) que Jesus Cristo está em vós?"
II Coríntios 13:5.

Na famosa escola filosófica de Tarso, a sua cidade natal, Paulo recebeu a cultura greco-latina que se revela em diversas passagens das suas epístolas e no seu discurso no Areópago de Atenas. Deste modo, Deus esteve a prepará-lo para que, após a sua conversão, viesse a ser um instrumento para levar o Evangelho ao vasto mundo grego e latino do Império Romano: "Não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a Sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles, todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo" (I Coríntios 15:9 e 10).
Nesta importante passagem, tema da devoção desta manhã, Paulo utiliza três verbos que têm um significado paralelo e se referem ao autoexame ou introspeção, tendo como referência o próprio Cristo: examinar, provar e conhecer-se a si mesmo. Dos três verbos, o último evoca o famoso aforismo socrático "Conhece-te a ti mesmo". Sócrates interrogava, ao mesmo tempo que ensinava, a conhecida "ironia socrática" que faz o seu interlocutor descobrir o que este julgava ignorar, permitindo-lhe assim avançar no caminho da verdade. Ele dizia: "Só sei que nada sei." O princípio da verdadeira sabedoria consiste no reconhecimento da própria ignorância, mas, ao mesmo tempo, em refletir sobre o próprio eu para se conhecer a si mesmo. Sócrates convida o homem a procurar dentro de si a fonte da verdade.

O apóstolo tem em conta este princípio, no entanto complementa-o e aperfeiçoa-o com o princípio cristão da conversão, a morte do eu: "Cada dia"(I Coríntios 15:31), "Se alguém está em Cristo, nova criatura é" (II Coríntios 5:17); e acrescentando que o exame de consciência não é um mero juízo subjetivo, nós mesmos não somos a regra da nossa situação, nem o critério da verdade. A consciência pessoal não é suficiente, pois não é sempre fiável. O critério, o modelo, o exemplo a seguir é Cristo: "Mas, todos nós, com cara descoberta, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor" (II Coríntios 3:18).
Peça a Deus sabedoria para que, conhecendo as suas falhas e caminhando lado a lado com Ele, possa hoje seguir os Seus passos.

Carlos Puyol Buil, nas suas espetaculares Meditações Matinais de 2016, esta a 22 de maio (merece a pena comprar umas... se ainda houver... Mas pode tentar: Publicadora SerVir).


QUANDO TUDO PARECE PERDIDO
PODE-SE COMEÇAR DE NOVO
            

      Sandra Zeiter, além de professora, é uma produtora de programas de televisão que desfruta de grande popularidade e apreço em seu país, Porto Rico. Há algum tempo, numa revista, apareceu uma interessante reportagem acerca da inspiradora vida dessa valente mulher.
      Em certa ocasião, Sandra sofreu grave acidente, em resultado do qual o seu corpo ficou paralisado da cintura para baixo. Naquele momento tudo parecia perdido para aquela dinâmica jovem tão cheia de entusiasmo e de amor pela vida. Que sucederia agora com os grandes planos que ela havia sonhado para suas actividades na televisão? Que tristeza enorme ter de abandonar a bela obra que com os seus programas estava levando a cabo, em benefício da infância do seu país! Mas Sandra não se deu por vencida.
      Algum tempo depois, quando já havia saído do hospital, chegava aos estúdios de televisão sentada na sua cadeira de rodas para colocar-se novamente ante as câmaras, com o seu sorriso de sempre e com um brilho de fé e valor, patente em seus olhos. Quando talvez num momento tudo lhe parecia perdido, essa valente mulher deciciu começar de novo. Os novos começos amiúde são difíceis e até dolorosos, mas imensamente gratos ao espírito. Para alguns, às vezes torna-se impossível começar de novo. Não possuem a força de vontade necessária, e se a possuem, carecem de outros recursos indispensáveis.

      Analogamente e falando em termos espirituais, na vida de todo o indivíduo amiúde ocorrem também incidentes que o incapacitam para manter a paz da alma, e a esperança nas promessas divinas, de que o ser humano tanto necessita. Estes são os acidentes causados pela tragédia do pecado. Quando o homem se afunda profundamente no pecado, chega a pensar que não pode sair dessa situação e começar uma vida nova, de bem, de pureza e de agrado a Deus. Não obstante, ao sentir-se em condição tão desvalida, se assim o reconhece, deveria saber que imediatamente se coloca à sua disposição A FONTE DE PODER MAIOR QUE EXISTE. Algo que pode limpar a sua vida e permitir-lhe começar de novo por um caminho de santos ideais rumo à meta da perfeição, que é a única que concederá à sua vida paz, felicidade e salvação eterna. Enfim, a única vida digna de ser vivida!

      Nos dias de Cristo vivia em Jerusalém um homem que havia ganhado muito prestígio e fama na sociedade em que actuava, mas que, não podendo com isso satisfazer os anelos de sua alma, quis saber como ganhar o céu, o reino de Deus. Então, certa noite buscou o mestre Jesus no silêncio do Seu retiro e fez-Lhe a grande consulta.
      Jesus respondeu-lhe com impressionante simplicidade: "Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (S. João 3:3). Quis dizer-lhe que ele tinha de ser transformado noutra personalidade espiritual. Tinha que experimentar, enfim, uma mudança total, não parcial.
      Nicodemos não podia entender de imediato como tal transformação se tornaria possível. Nós tão-pouco poderíamos compreender através de uma análise racional o significado de tão importante processo, se Cristo mesmo não o houvesse explicado, como fez naquela ocasião. O novo nascimento, ou a obra de transformação, disse Jesus, é algo a ser realizado pelo Espírito Santo operando na alma humana. Não é o fruto dos nossos próprios esforços, ou decisões de rectificação. Tão-pouco é o simples melhoramento da vida actual, mas a absoluta substituição da nossa natureza carnal por uma natureza espiritual. Notemos como São Paulo se refere a esse glorioso processo do novo nascimento ou conversão: "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (II Coríntios 5:17).
      As Sagradas Escrituras, portanto, ensinam que na pessoa convertida são operadas dramáticas mudanças em todos os aspectos. Recebe um novo espírito (Salmo 51:10), um novo coração (Ezequiel 36:26) e uma nova mente (Romanos 12:2). Seus interesses não são já basicamente terreais. Antecipa um futuro de glória no qual lhe é prometida uma vida de perfeita felicidade numa terra nova (Apocalipse 21:1).

      O poder transformador de Deus não se esgotou ainda nem se esgotará jamais. Milhares de homens e mulheres em todas as partes do mundo experimentam constantemente a glória do novo nascimento em Cristo Jesus. Há alguns anos o mundo assombrou-se ao ler acerca dos terríveis crimes cometidos por um grupo de jovens entregues às drogas e dirigidos por um líder de influência carismática chamado Charles Manson, a quem, em certa ocasião, um dos seus próprios seguidores descreveu como um indivíduo possuído pelo diabo.
      Entre os seguidores desse homem havia um jovem chamado Charles Watson, que, segundo ordens de Manson e sob a influência das drogas, havia cometido uma série de crimes. Em certa ocasião, ao ir matar um homem, este lhe perguntou quem ele era, e Watson respondeu: "Eu sou um diabo e venho realizar a sua obra". Tanta era a maldade que havia no coração desse homem, que não se considerava a si próprio nem sequer um ser humano.
      Como resultado das suas frequentes actividades criminosas, finalmente Watson foi encarcerado e condenado à morte. Contudo, mais tarde essa sentença de morte foi-lhe comutada, mas continuou cumprindo a sua pena no cárcere.

      Um dia, enquanto descansava em sua cela, sentiu que se apoderava dele um intenso e inexplicável desejo de receber algo de que sua vida necessitava. Descobriu que havia em sua alma um enorme vazio para encher. Com lágrimas nos olhos implorou ajuda a algo ou a alguém, e o céu lhe respondeu. Desde aquele momento, Charles Watson começou a experimentar uma profunda mudança em sua vida, e sentiu a plenitude duma paz que nunca antes havia sentido. Sua transformação foi absoluta. Um novo homem nasceu nele, e morreu dentro dele o empedernido criminoso de antes. O Espírito Santo havia operado o mistério da conversão naquele homem de incrível maldade.

      Conquanto tivesse de permanecer no cárcere, já não se considerava mais um homem privado da liberdade. Nas declarações que fez certa ocasião a um jornalista que o entrevistou, pode-se apreciar o sentimento de um homem verdadeiramente livre: "Uma vez estive escravizado a Charles Manson, mas agora sou um escravo de Cristo Jesus. Como Seu escravo, sou realmente um homem liberto. Nem sequer as paredes deste cárcere conseguem aprisionar-me porque Cristo me tornou livre."
Quando tudo lhe parecia perdido, aquele homem pôde começar de novo. Começou uma nova vida que nunca poderia ter começado com as suas próprias forças. Ao ver a sua impotência e debilidade, recorreu a Deus, e o Espírito Santo realizou nele o milagre de um novo nascimento. Experimentou em sua vida a realidade do processo que Cristo indicou a Nicodemos na noite da grande consulta, quando lhe disse, em resposta a todas as suas inquietudes espirituais e seus anseios do céu: "Necessário te é nascer de novo".

      O novo nascimento é a maior obra que pode ser realizada no ser humano. Mas esta tarefa não compete ao laboratório científico, nem à sala de aula. Não é tão pouco o resultado imperfeito da influência de fortes correntes moralizadoras. Não é o fruto da vitória da vontade humana. É unicamente a consequência feliz da obra de um poderoso agente externo que vem silenciosamente a nossas almas: o poder incomparável do Espírito Santo de Deus.
      O novo nascimento concede ao homem algo assim como uma segunda oportunidade para começar de novo e não repetir erros do passado; essa segunda oportunidade, que em momentos de angústia tantos têm desejado neste mundo e que nunca receberam por ignorar onde encontrá-la, ou não saber quem a oferece.

Amigo leitor, quem a oferece - e é o único que pode concedê-la - está a todo o momento muito perto, com Sua mão estendida. É Cristo, que está no limiar da porta do seu coração fazendo-lhe um amoroso convite: "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele, e ele Comigo." (Apocalipse 3:20). Se Lhe abrir a porta, mediante o Espírito Santo, Cristo entrará no seu interior e se produzirão no seu ser os gloriosos frutos do novo nascimento, o começo de uma nova vida que o conduzirá, por uma senda de paz e bem, neste mundo, à fruição da felicidade perfeita na eternidade do Céu prometido.

Raul Vilanova in Revista Sinais dos Tempos, nº 7, 1982, Publicadora Atlântico, S.A.R.L., Sacavém, Portugal.




A HORA TRANQUILA
"Minha Vida Mudou Muito"

Muitos crentes têm feito a experiência de passar uma hora com Deus, logo ao acordar. Tome nota deste testemunho!


Era o meu aniversário naquela manhã de Fevereiro, e eu sentia-me arrasada quando apanhei a pasta e saí para tomar a minha refeição matinal em companhia de alguém com quem tinha negócios. De um modo geral, a vida fora generosa para comigo. A minha agenciazinha de publicidade prosperava. O marido e filhos iam bem. Mas apesar disso, parecia estar faltando alguma coisa... algo que nem nome tinha. Sentia apenas um ligeiro vazio íntimo.
No restaurante, sentei-me com Don Campbell, homem de seus 60 anos. Ele era um próspero consultor de marketing, dotado de extraordinária empatia com as pessoas. O seu jeito calmo e sereno sempre me tinha impressionado.
Enquanto comíamos, discutimos um esquema de publicidade, e depois, já com os negócios resolvidos, referi-me ao meu aniversário, confessando-lhe também a minha permanente sensação de vazio.
- Quer preencher esse vácuo? - indagou Don.
- Claro!
- Pois comece o seu dia com uma hora de oração.
- Eu não tenho tempo para isso! - respondi, ofegante.

Foi exactamente o que eu disse há 20 anos. Era presidente de uma agência em Chicago e corria por toda a parte só para sobreviver. Acreditava que deveria orar todos os dias, mas não encontrava tempo para isso. Tinha a impressão degradante de estar perdendo o controlo da minha vida. Um amigo disse-me então que eu interpretava as coisas às avessas:
"Você está querendo encaixar Deus na sua vida", disse ele. "Cinco minutos aqui, dez minutos acolá. O que você precisa é adaptar a sua vida em torno de Deus, e isso faz-se assumindo um compromisso. Uma hora por dia.
"Isto é uma obrigação. O objectivo é tomar um espaço de tempo que represente alguma coisa para si... e depois oferecer esse período a Deus."
Os olhos de Don brilhavam. "Achei aquilo estranho. Para arranjar uma hora a mais e dedicá-la a Deus, eu teria de me levantar uma hora antes. Dormiria menos e prejudicaria a minha saúde."* O brilho do seu olhar transformou-se num largo sorriso. "Mas o facto é que há 20 anos que eu não adoeço!", afirmou ele. Vinte anos!
Saí do restaurante mentalmente confusa. Uma hora de orações! Absurdo! Mas apesar disso, não conseguia tirar da cabeça aquela ideia de Don.
Sem dizer nada aos nossos três filhos nem a Bill, meu marido, acertei o despertador para as 5:00h. Moramos no centro-oeste, onde, àquela hora, no mês de Fevereiro, faz muito frio e ainda é escuro. Com esforço, levantei-me.
A casa, escura e melancólica, envolveu-me. Fui na ponta dos pés até à sala, sem dar atenção a Burt, o nosso cão, e instalei-me no sofá. Era esquisito ficar a sós com Deus. Sem rituais de igreja. Só eu... e Ele. Durante uma hora.
Olhei para o meu relógio, e murmurei: "Muito bem, meu Deus, aqui estou eu... e agora?"
Gostaria de poder relatar que Deus me respondeu de imediato. Mas só houve silêncio. Vi os primeiros toques do sol nascente; tentei orar, mas, em vez de fazê-lo, pensei no meu filho Andy, e na briga que tivéramos na véspera. Lembrei-me de um cliente cuja firma atravessava uma fase difícil. Ocorreram-me coisas irrelevantes.
Aos poucos, os meus pensamentos errantes desaceleraram-se. A minha respiração também se acalmou, até que senti uma quietude dentro de mim.
Comecei a perceber pequenos ruídos - o zumbido do frigorífico, a cauda de Burt batendo no soalho, um galho de árvore congelado roçando numa janela. Senti então a presença aconchegante do amor. Não sei como descrevê-lo de outra forma. O ar e o próprio lugar onde estava sentada pareceram mudar, da mesma forma que se modifica o ambiente da casa quando chega uma pessoa amada.
Eu estivera sentada 50 minutos, mas só então comecei de facto a orar. Descobri que não o fazia com as minhas palavras habituais, nem com a minha lista de pedidos.
Toda a minha vida me tinha dito que Deus me amava. Naquela manhã de Fevereiro, senti esse amor! E a imensidão do sentimento era tão irresistível que permaneci em silêncio, agradecendo-Lhe durante quase 15 minutos. Depois, o despertador voltou a tocar, e Burt deu um latido. Durante todo esse dia, senti-me acalentada pela lembrança do amor de Deus.
Na manhã seguinte, a casa pareceu-me ainda mais escura e fria do que antes. Apesar disso, tremendo, levantei-me. Mais um dia, pensei.
No dia seguinte, outro dia a mais. Passaram seis anos assim.

Durante este tempo tem havido muitas crises: problemas com um dos nossos adolescentes, turbulências conjugais, um grande prejuízo financeiro. No meio de todas elas, tenho encontrado tranquilidade de espírito naquela hora que passo com Deus, que me dá tempo para colocar as coisas em perspectiva, para encontrá-l'O em todas as circunstâncias. E uma vez que O encontro, parece não existir problema que não possa ser resolvido.
Há manhãs em que me sinto logo dominada pelo milagre e pela glória de Deus; há outras em que não sinto coisa alguma. É nesses momentos que me lembro de mais uma coisa que Don Campbell me disse: "Haverá ocasiões em que o seu espírito simplesmente se recusará a entrar no santuário de Deus. Ainda assim, você está presente, e Deus dá valor à luta que você enfrentou para ficar ali. O que importa é o comprometimento."
Graças a esse compromisso, a minha vida é melhor. Começar o dia com uma hora de oração veio preencher aquele espaço vazio da minha vida.


Bárbara Bartocci é uma empresária adventista norte-americana. Texto de uma Revista Adventista de Portugal (folha solta, antiga, já sem data). *Naturalmente que terá de conseguir deitar-se mais cedo... EE.

SE  TIVÉSSEIS  APENAS  MAIS  UM  DIA  PARA  VIVER

Que faríeis se tivésseis apenas mais um dia para viver?
Esta pergunta foi feita a grupos de jovens na Alemanha Federal durante períodos de instrução religiosa em 12 escolas diferentes. Um total de 530 jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos deram as suas respostas. As respostas foram publicadas num livro, Se Eu Tivesse Apenas Mais Um Dia Para Viver, publicado em Stuttgart, Alemanha Federal, e editado por Guenther Klempnauer, professor de religião de 41 anos de idade.

1. Um rapaz de 16 anos disse: "Eu destruir-me-ia com uma granada de mão em público, em protesto contra a classe média e a burocracia."
2. Uma rapariga de 16 anos disse: "Eu não gostaria de morrer sem ter uma vez experimentado o amor."
3. Um rapaz de 20 anos respondeu: "Eu gozaria a vida até ao máximo."
4. Disse uma jovem de 18 anos: "Eu gostaria de passar o meu último serão na igreja, a sós com Deus, e agradecer-Lhe pela minha vida plena e feliz."
5. Um número surpreendente, 110, disseram que tomariam drogas e se entregariam a desenfreada sexualidade.
6. Disse um jovem hedonista de 18 anos: "Eu beberia até ficar ébrio e roubaria um carro. Em seguida levantaria do banco todo o meu dinheiro e viajaria até Hamburgo. Ali iria aos lugares de má reputação e escolheria as mais formosas raparigas e mulheres."
7. Vinte e oito estudantes disseram que não esperariam pela morte mas se suicidariam.
8. Um total de 111 alunos poriam as suas casas em ordem na véspera da morte.


Apenas 107 estudantes admitiram ter medo, tendo alguns afirmado que sentiam pânico só de pensar na morte.

A Resposta do Cristão

Como responderia, ou deveria responder, um cristão se lhe fosse feita a pergunta?
A Bíblia dá-nos o exemplo de um homem que cada dia enfrentava a morte - Paulo. Disse ele: "Cada dia morro" (I Coríntios 15:31). Este versículo é com frequência aplicado num sentido espiritual como referindo-se a uma morte diária para o pecado e para o eu.
Mas primariamente o autor está dizendo que cada dia se encontra em perigo de perder a sua vida, ou, pelo menos, cada dia leva a sua parte de sofrimento no trabalho para Cristo, o que em qualquer altura o podia levar à sua morte.
O contexto torna isto claro. No versículo precedente ele faz a pergunta: "Por que estamos nós a toda a hora em perigo?" No versículo seguinte ele fala de luta "contra as bestas" em Éfeso.
Todo o capítulo é um argumento em favor da ressurreição.
Com isto pode ser comparado o que Paulo disse aos cristãos romanos (citando Salmos): "Por amor de Ti somos entregues à morte todo o dia;
fomos reputados como ovelhas para o matadouro" (Romanos 8:36).

Assim, no caso de Paulo, a pergunta do que faria ele se soubesse que tinha apenas um dia para viver foi respondida pela sua vida diária. Ele já estava vivendo como se cada dia fosse o seu último. O seu lema era: "Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho" (Filipenses 1:21). A causa de Deus vinha primeiro; o conforto e a segurança pessoal eram secundários.

O cristão deve sempre viver como se cada dia fosse o seu último, empregando uma boa parte dele em oração, para que possa agir de acordo com a vontade divina. Essa era a maneira como Enoque andou com Deus.
Para a maior parte dos jovens entrevistados, o saber que estavam no seu último dia significaria provavelmente uma drástica mudança em sua actividade. Para o cristão, o saber isso pouca mudança traria. Estando sob o controle de Cristo, simplesmente diria no seu último dia: "Senhor, que desejas que eu faça hoje?" E então faria o que Cristo desejasse, como tinha estado fazendo ao longo da sua vida.

Donaldo F. Campos in Revista Sinais dos Tempos, nº 7, 1982, Publicadora Atlântico, S.A.R.L., Sacavém, Portugal.

domingo, 15 de maio de 2016

ENCONTRO NO SOPÉ DA MONTANHA



       O pobre pai tinha recorrido a todos os médicos e curandeiros do país. Entre uns e outros acabara por perder todo o seu dinheiro juntamente com as esperanças. Tudo o que um pai é capaz de fazer pelo filho doente - o seu único filho - já o tinha feito.
       Havia experimentado todos os remédios, medicamentos, beberragens, poções, tratamentos, dietas e exorcismos1 que lhe tinham aconselhado. Mas o filho não melhorava.
       A vida ficara-lhe suspensa, por assim dizer, naquele dia em que o pequeno começara a retorcer-se e a espumar, a ranger os dentes e a ficar rígido.2 Desde então, a ameaça de morte voltava, diariamente, a atormentá-lo em cada ataque.
       No princípio tinha-se agarrado, com uma fé que nem ele mesmo compreendia, a qualquer fio de esperança, qualquer sugestão.
       - Conheci alguém que me contou que, em tal lugar, um menino tinha um problema parecido e...
       O pai do Surdo-mudo, como lhe chamavam na aldeia - na verdade ninguém sabia o que tinha a criança e os diagnósticos iam desde lunático até endemoninhado3 - tinha experimentado tudo.
       Como não podia resignar-se à sua impotência nem à impotência dos outros, parecia-lhe que, enquanto procurasse e experimentasse, adiava a chegada da última crise.
       Nem sequer as suas orações pareciam servir. Nenhum alívio surgia de parte nenhuma. Os seus familiares procuravam convencê-lo de que não havia outra alternativa senão renunciar.
       - Que lhe hás de fazer? Não há remédio. Tens de ter coragem. É o seu destino.
       Ele, no entanto, continuava a revoltar-se diante da ideia de aceitar aquela realidade insuportável. Tinha decidido não descansar até ao fim. Como entretanto não lhe restava mais nada para perder, devia continuar a experimentar. Se havia uma solução tinha de encontrá-la. E se não...
       Não. A vida não podia ser tão cruel - tinha ele gritado a Deus repetidas vezes -. Tinha de haver uma saída, alguém, nalgum lugar, que pudesse fazer alguma coisa pelo seu filho.
       Os amigos compadeciam-se dele, mas não podiam resolver o seu problema. Para eles a vida continuava, mas para ele não, porque aquilo não era vida. Tinha de continuar a lutar sozinho, pelo seu filho, perante a impotência dos homens e o silêncio de Deus.
       Foi assim que, pelo sim pelo não, tinha ido até ao pé daquela montanha, procurar um tal Jesus de quem se comentavam coisas incríveis.
       Mas Jesus não estava, e os discípulos que o atenderam não puderam fazer nada por ele.4
       Quando finalmente Jesus chegou, o pai do Surdo-mudo estava tão desiludido que nem lhe pediu que curasse o filho. Expôs-lhe - como tantas vezes fizera a tantos outros - os sintomas da doença, limitando-se a acrescentar:
       - Senhor, se puderes fazer alguma coisa, tem compaixão e ajuda-nos.
       Não deixa de ser uma dolorosa ironia que Jesus tivesse encontrado os discípulos a discutir com os escribas, tão ocupados a dialogar como incapazes de ajudar. Os seus profundos discursos - como os nossos - sobre o problema do mal, a morte dos inocentes e o sofrimento das crianças, apenas conseguem tornar mais patente a dificuldade humana para lutar contra as injustiças do mundo, ou simplesmente para limitá-las.
       Jesus estremece diante daquele insuportável espectáculo: Uma criança que se contorce de dor, um pai no limite da resistência, e um grupo de religiosos a discutir teoricamente a situação. Baixando-se para proteger com os braços o corpo convulso do pequeno, diz, dirigindo-se ao pai:
       - Se podes crer, tudo é possível para aquele que crê.5
       Uma tremenda frase, que o atormentado pai não sabe se há-de interpretar como um estímulo à esperança - "Não te preocupes, basta que creias" -, ou como a mais desmoralizadora das respostas - "Se não crês, não esperes nada" -.
       O homem sente-se tão abatido, tão desesperado, que não sabe como reagir. Para acabar com aquele inferno, bastaria crer? Para salvar o seu filho, tinha alguma importância a sua fé de pai? Impulsionado pela dor, grita:
       - Creio!
       Mas não sabe o que diz. Algumas palavras já perderam para ele o sentido. Esqueceu o que significa crer. E, demasiado sincero para pretender enganar Jesus, corrige a sua resposta:
       - Senhor, queria crer mas não posso. Não tenho fé. Ajuda-me a crer.6
       Esta confissão emociona pela sua franqueza. "Vem em auxílio da minha incredulidade" ou, segundo outras versões, "da minha pouca fé", significa. "Desejaria crer, mas há alguma coisa em mim que me obriga a duvidar. Por um lado, penso: Deus pode tudo. Por outro, digo: Não pode ser. Mas Tu, por favor, faz como se eu cresse. Ajuda-me apesar de eu não ter a certeza de que me vais ajudar..."
       Quantas vezes, como a este homem, nos terá acontecido também não ver claramente os limites da nossa fé, não estar seguros se cremos ou não? Quantos de nós não terão alguma vez pedido, como o pai do Surdo-mudo: Senhor, ajuda-me a crer?
       No entanto, esta última confissão de impotência, em que o homem reconhece a sua absoluta incapacidade, inclusivamente para esperar; esse último gesto de se remeter inteiramente a Deus, é, para Ele, a fé necessária para que tudo seja possível, incluindo o milagre.
       Na realidade, não se dar por vencido diante do problema do sofrimento, continuar à procura de uma solução contra o mal quando não se encontra nada, lutar até ao limite das forças, só por amor, não será isso crer? Não fora já a fé que levara o pai do Surdo-mudo até ao pé daquela montanha ao encontro de Jesus? Será que a fé humana é sempre imperfeita e que Deus não nos pede mais do que o desejo sincero de crer?
       Que é, realmente, a fé?
       Damos a esta palavra um sentido eminentemente religioso, mas nas línguas bíblicas não existe uma palavra específica para a fé religiosa. A palavra traduzida por "fé" designa a confiança depositada numa pessoa, porque a consideramos digna dela. O dicionário define a fé como crença, convicção e certeza."7 O Evangelho usa-a no sentido de "posse antecipada daquilo que se espera, prova de realidades que não se vêem". Ou, segundo outras versões, como "a confiança de receber o que esperamos, o convencimento de que algo que não vemos é verdade".8 Mais confiança do que crença, mais intuição do que convicção, mais adesão do que certeza. Possivelmente "adesão" seria a palavra.9
       Porque adesão implica compromisso e entrega, sem que se exija compreensão total. É possível confiar em alguém sem o compreender completamente. Podemos tomar o partido de Deus sem entendermos o Seu silêncio.
       Assim se compreende que Jesus pronuncie a frase: "Tudo é possível ao que crê"10 talvez aplicada também a Si mesmo. Embora o milagre seja um privilégio divino, Jesus convida o pai do doente a confiar em Deus como Ele mesmo confia. Porque essa confiança - ou seja, a fé - torna possível o impossível.
       O pai do Surdo-mudo podia confiar em Jesus, porque intuía que estava incondicionalmente a seu lado. Essa fé que sabe sem demonstrações, que se apega sem ver, esse "instinto de Deus" era o que ele precisava. Não especialmente para que o seu filho sarasse, mas também para ser capaz de lutar, suportar e transcender a realidade da sua própria vida, inclusivamente - e de um modo particular - se o filho não se curasse.
       A indignação de Jesus contra aquela "geração incrédula"11 dirige-se mais aos discípulos do que ao pai do doente. Não por terem fracassado na cura do menino, mas por havê-la tentado por si mesmos. A sua falta de experiência real com Deus - ou seja, a sua falta de fé -, levara-os a agir como se a sua proximidade "profissional" de Jesus pudesse por si mesma conferir-lhes algum poder que os transformasse nos Seus executivos oficiais ou nos agentes - por vezes secretos - do Seu poder.
       Apesar de tudo, Deus decide fazer um milagre e imediatamente o Surdo-mudo é curado. Isso porém só acontece quando aquele pai está disposto a aceitar a vontade divina, seja qual for, sem exigir nada.
       Quando os discípulos perguntaram por que não tinham podido realizar a cura, Jesus responde-lhes que só é possível vencer certos problemas com "oração e jejum",12 isto é, dependendo totalmente de Deus.

       Daí que a experiência do sofrimento seja tão difícil de suportar para quem conte unicamente com as suas próprias forças. Só aquele que crê pode encarar o sofrimento de frente, sem fechar os olhos, sem procurar escondê-lo, sem se resignar e sem se revoltar contra a aparente inibição divina. Porque sabe que Deus está connosco e nos ama ao ponto de ter vindo ao encontro da nossa dor fazendo-se homem.
       A fé verdadeira está longe de ser uma atitude mental reconfortante. É um acto de confiança absoluta em que Deus está ao nosso lado. Porque um homem, em cujo rosto reconhecemos Deus, compartilhou a nossa miséria e a superou para sempre com uma dose de amor maior que todo o nosso ódio. Como profeta da felicidade e garante da Vida, os Seus milagres não são mais do que o penhor da veracidade das Suas promessas e do Seu triunfo final.
       Por isso, o crente pode entrever a vida, o bem e o seu triunfo definitivo sobre o sofrimento e a morte. Sabe que diante do mal toda a explicação humana é irrisória, e que aqui e agora apenas se impõem a resistência, a fraternidade e a esperança. Para o crente, crer, embora não resolva o problema do mal, é já uma maneira de o superar enquanto aguarda a sua solução definitiva.
       Nesta perspectiva, o contrário de crer não é duvidar, mas repelir. Por isso a falta mais grave, a que Jesus denuncia mais energicamente, é a indiferença ou o desprezo.13 A rejeição de Deus - "o pecado contra o Espírito Santo"14 - que costuma levar ao endeusamento da própria pessoa, e ao desprezo dos outros, que pode levar a qualquer crime. Quase poderíamos dizer que a falta de respeito é a essência do mal. Que é um terramoto, por exemplo, comparado com a tortura?

       Entre as múltiplas interrogações que levanta o tema da fé, a primeira a esclarecer talvez seja por que razão uns crêem e outros não.
       Há quem diga que não consegue crer porque a fé é um dom que Deus só dá a alguns, mas esta é uma falsa maneira de pôr o problema.
       O facto de a fé ser um dom divino não justifica a incredulidade de ninguém. Também a vida é um dom. A ideia de que Deus reparte a fé arbitrariamente é alheia à Bíblia. Esta diz claramente que Deus "não tem favoritismos" 15 e fala da "medida da fé que Deus repartiu a cada um."16 A medida pode variar, como varia a capacidade pulmonar ou o alcance da mente, mas todos temos a possibilidade de conhecer Deus.
       Crer não é ganhar uma viagem num super-sorteio cósmico, em que o afortunado só precisa de ter a sorte de estar na lista.
Uma vez conseguida a entrada (o baptismo), basta-lhe acomodar-se no seu lugar e descolar em direcção ao céu. A experiência espiritual mostra-nos que crer não consiste em embarcar numa viagem definitiva, sem esforço e sem retorno. O Evangelho nunca descreve a fé em termos de privilégio, mas em termos de 'relação'. Crer em Deus é viver em relação com Ele.
       Como todas as relações, a fé tem um início - Deus sempre nos sai ao encontro - e progressivamente se vai definindo face aos acontecimentos da vida, diante dos obstáculos imprevistos e dos encontros decisivos. Mais do que um cruzeiro de luxo, parece-se com as viagens dos descobridores ou dos exploradores.17
Uma aventura difícil, comprometida e apaixonante. Tendo de encontrar por si mesmos os meios para avançar, perdendo às vezes o rumo e arriscando-se sempre no empenhamento. Esperando e perdendo a esperança para, por fim, quando tudo parecia pressagiar a derrota, encontrar uma recompensa inesperada.
       A aventura da fé é uma luta constante contra os limites da condição humana, mas com a certeza de que a vitória está segura. Nesta empresa Deus não me garante livrar-me de nenhum perigo, mas proporcionar-me a força para vencê-los.

       Crer é confiar no único Ser capaz de me salvar de mim mesmo e de dar sentido e futuro à minha vida. Dizer que sim a Alguém que me aceita, sem ter em conta o meu passado; que me acompanha, transformando o meu presente; e que me guia, inspirando o meu futuro.
       Crer, como viver um grande amor, é uma aventura cheia de riscos e imprevistos; mas também de enormes satisfações. Crer, como amar, é comprometer-me no mais profundo do meu ser e decidir compartilhar a vida com Alguém. Unir-me a ele sem reservas. Saber que ele me ama e amá-lo.
       A fé, como uma adesão, não se encontra por sorte como uma moeda, não se perde como uma carteira, não se pode guardar a prazo fixo como um capital no banco. Como relação, é algo que vive, que muda, que pode crescer e desenvolver-se, ou enfraquecer e morrer.
       Como acontece no plano da amizade e do amor humano, se a relação com Deus se limita às ocasiões de encontro obrigatório, a visitas oficiais ou de cortesia, a fé acaba por morrer, à medida que se vai perdendo a intimidade.
       Às vezes leva muitos anos a estabelecer uma relação sólida, mas basta um momento de impaciência para a deitar a perder. Talvez por isso, no mundo em que vivemos, em que ninguém tem tempo para o outro e falta tanto a paciência, haja cada vez menos crentes. Embora proliferem as fés sucedâneas, o mundo pós-cristão está a perder a fé. E a um ritmo tal, que o próprio Jesus Cristo perguntou a Si mesmo se, quando regressasse, restaria alguma fé na terra.18
       Lamentavelmente, uma parte da responsabilidade desta situação recai sobre alguns dos que se chamam cristãos.
       Um universitário escrevia-me: "Como se pode aceitar, dentro da mesma igreja, o bispo X, que apoia a guerrilha em certo país da América Latina, e o bispo Y, que condena? Um apoia a classe dominadora, e o outro morreu para libertar os operários dessa opressão. Como se pode compreender que o grande proprietário capitalista e o operário a quem este explora se despeçam em paz, depois de assistir juntos aos mesmos serviços religiosos, uns para continuar a explorar, e os outros a ser explorados, e assim todas as semanas? Permita-me que lhe diga que tudo isto me faz perder a fé. Abandonar a igreja é para mim a única saída honesta."
       É doloroso pensar que alguém possa romper com a igreja, abandonar a religião ou perder a fé por fidelidade à sua consciência, diante do escândalo de alguns impropriamente chamados cristãos.

       É lamentável, mas muito humano, que os crentes guardem o tesouro da sua fé em recipientes tão toscos que desvirtuem o valor do seu conteúdo.19 Mas é ainda mais doloroso que aqueles que procuram Deus abandonem o seu empreendimento repelidos por falsos representantes Seus.
       1 - Nas suas cartas a Timóteo, Paulo dá como primeira razão desta crise de fé a deformação dos ensinamentos divinos: "Nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demónios."20 Só a descoberta da revelação divina pode resolver a confusão provocada pela proliferação de crenças estranhas.
       2 - A segunda razão tem que ver com os argumentos da "falsamente chamada ciência, a qual, professando-a alguns, se desviaram da fé".21 Há teorias que apresentam certas argumentações materialistas como as únicas válidas para explicar os enigmas da origem e do sentido da vida. Com elas se induz a pensar que a noção de Deus corresponde a um estado pré-lógico da evolução do pensamento, hoje superado pelas pessoas suficientemente cultas. Um estudo imparcial sobre a diferença entre hipótese e facto provado, situaria a questão sobre uma base mais científica, e abriria as portas à possibilidade de outras explicações.
       3 - A terceira razão do abandono da fé, segundo Paulo, é a secularização de uma sociedade materializada: "Os que querem ser ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e trespassaram a si mesmos com muitas dores."22 De um modo muito realista, Paulo alerta-nos para os perigos de dar uma obsessiva prioridade aos bens materiais. O homem não pode viver só de pão.23 Fechar-se para a dimensão espiritual da vida é uma autêntica mutilação.
       Poderíamos assinalar muitos mais factores que tendem a afastar da fé, mas não encontraríamos nenhum que fosse independente de nós mesmos e, portanto, suficiente para justificar a nossa ruptura com Deus.

       Felizmente, a fé pode-se descobrir e cultivar da maneira mais simples. Quando Deus vem ao nosso encontro, abrirmo-nos à Sua influência, ainda que seja para dizer apenas "ajuda-me a crer", já é um acto de fé. Mesmo que não experimentemos nenhuma vivência especial, cada convite interior a procurar o sentido da vida, cada vez que experimentamos a nostalgia do ideal, ou o desejo de fazer algum bem a alguém, estamos a ouvir o apelo da fé.
       Quando fomentamos a nossa relação com Deus e a exercemos com os nossos semelhantes - porque é nos outros que encontramos Deus - a nossa fé aumenta e a nossa vida enriquece. Então até as dificuldades de cada dia nos ajudam a unir-nos mais a Ele. Porque, ainda que nem sempre afaste de nós a tempestade, está sempre disposto a ajudar aquele que luta contra ela. E, se nem sempre protege o barco, pode sempre proteger o marinheiro.
       Por isso, no fim do relato, Jesus diz aos Seus discípulos:
       - Se tivésseis fé como um grão de mostarda, poderíeis deslocar montanhas.24
       Com estas palavras, recorda-lhes o essencial da sua relação com Deus: que, mesmo começando muito timidamente, se mantenha viva. Porque se, com o convívio, a deixarmos criar raízes ela se irá transformando, como na parábola, numa árvore capaz de fragmentar, com a sua força, as nossas montanhas de problemas.
       Não existe uma fórmula mágica para crer, nem para resolver os conflitos, conseguir o carinho de alguém ou educar os filhos. O que existe é a possibilidade de querermos, acima de tudo, não nos separar de quem amamos.
       Se a nossa relação com Deus for prioritária; se, como o pai do Surdo-mudo, Lhe levarmos os problemas que nos pesam sobre os ombros, podemos ter a certeza de que nos ajudará a resolvê-los ou a conviver com eles. E assim a nossa fé não deixará de crescer. O que, nos tempos que correm, não deixa de ser um milagre!




REFERÊNCIAS:
1. Conhecem-se inúmeras práticas aplicadas a este tipo de males. Flávio Josefo relata um dos exorcismos mais clássicos: "Aproximou do nariz do endemoninhado um anel com o emblema de uma das raízes prescritas por Salomão para unções; e logo que o homem caiu no chão, exconjurou o demónio para que o deixasse definitivamente, em nome de Salomão, recitando a oração que ele havia composto." (Ant. 8:45,49). Para as febres terçãs (associadas a possessão), prescreve-se: "Tomar sete espinhos e sete palmas, sete lascas de sete vigas, sete cavilhas de sete pontes, sete pitadas de cinza de sete fornos, sete pedaços de lama de sete soleiras, sete flocos de lã de sete ovelhas, sete raminhos de cominho e sete pelos da cauda de um gato velho e amarrar tudo ao pescoço com uma corda nova" (Sha 67a).
2. Ver o pormenor dos sintomas em Marcos 9:14-29; Mateus 17:14-23 e Lucas 9:37-45.
3. O texto paralelo de Mateus 17:15 diz "lunático" e o de Lucas 9:38, 39, 42 fala de "endemoninhado".
4. Mateus 17:15-16. Jesus desce então o monte da transfiguração (Mateus 17:1-15; Marcos 9:2-17; Lucas 9:28-38).
5. Marcos 9:23.
6. Marcos 9:24.
7. José Pedro Machado, Grande Dicionário da Língua Portuguesa, Vol. 5, pág. 119.
8. Hebreus 11:1.
9. A versão de André Chouraqui (La Bible, Paris: Desclée de Brouwer, 1985) substitui sistematicamente o termo "fé" por "adesão" e o verbo "crer" por "aderir".
10. Marcos 9:19, 23.
11. Marcos 9:19.
12. Marcos 9:28, 29.
13. Marcos 9:42; Lucas 17:1-4.
14. A esta rejeição chama Jesus "o pecado contra o Espírito Santo". Mateus 12:22-37.
15. Romanos 2:11.
16. Romanos 12:3.
17. Mateus 17:20.
18. Lucas 18:8. A questão da incredulidade é muito complexa e os seus factores são múltiplos. É lamentável constatar que, por vezes, alguns daqueles que se dizem cristãos, como aqui os discípulos, em vez de favorecer a fé, parecem estar do lado dos obstáculos.
19. II Coríntios 4:7; Mateus 9:17.
20. I Timóteo 4:1.
21. I Timóteo 6:20, 21.
22. I Timóteo 6:9, 10.
23. Mateus 4:4.
24. Mateus 17:20.
Texto da contracapa do livro acima:
"Existe sempre um primeiro encontro. E chegará também, o momento do último. Alguns determinarão mesmo uma mudança no rumo da nossa vida. Mas um só, poderá torná-la plena e perdurável. Poderá deleitar-se, agora, aprendendo com os ENCONTROS de alguns homens e mulheres que tiveram o encontro decisivo, que todos nós, pessoalmente, podemos e devemos experimentar."

Doutor Roberto Badenas in Encontros, Publicadora Atlântico, S.A., 1992.

(Ver mais sobre o Autor em Meditação para a Saúde, Links 1R. Tem lá também uma oferta para si e para os seus familiares e amigos, se assim o desejar.)

domingo, 1 de maio de 2016

Pequenas Reflexões no Dia do Trabalhador


"O TRABALHO LIBERTA"

Felizes as pessoas que têm misericórdia dos outros, pois Deus terá misericórdia delas.
Mateus 5:7

Imagem do Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase "Arbeit macht frei" ('O trabalho liberta') in Wikipédia.

Assombrosamente desumano. Palavras não bastam para explicar a viagem de hoje. Uma solitária ferrovia entra dentro dos portões de uma estação. Um letreiro de ferro, em alemão, anuncia: "O trabalho liberta". Ali chegariam passageiros desinformados sobre a verdadeira razão daquela parada. Não se tratava de um destino qualquer, mas do fim cruel de suas próprias vidas.
Auschwitz. Este foi o nome perverso do acampamento mais macabro que a mente humana construiu. Materializando a face do mal, na Segunda Guerra Mundial, os nazistas levantaram enormes campos de concentração com um objetivo: exterminar judeus e dissidentes do sistema. Dentre esses campos de extermínio, Auschwitz foi o pior.
Calcula-se que lá foram mortos mais de um milhão de inocentes. Ao chegarem dentro de vagões, milhares de adultos, idosos e crianças passavam por uma triagem. Alguns eram selecionados para os horríveis experimentos de Mengele, o médico da morte. A grande maioria era conduzida aos porões das câmaras de gás. Enganadas, quase duas mil pessoas de cada vez eram asfixiadas pelo gás mortal após as portas de ferro serem lacradas. O que elas inicialmente pensavam que fosse um "banho higienizador" era veneno mortal. Impensável. Os pouquíssimos sobreviventes de tamanho suplício não conseguiram descrever o cheiro dos fornos que consumiam os cadáveres. Segundo alguns relatos, o odor da morte era sentido a quilómetros. Famílias inteiras foram dizimadas. Tudo isso por causa da loucura de um homem que enlouqueceu uma nação.
Quando perdeu a guerra, Hitler se matou antes de ser julgado. Mas deixou um dos piores legados da história da humanidade. Tudo isso por causa de suas terríveis escolhas.

Isso nos serve de alerta sobre o que o ser humano é capaz de fazer quando se afasta de Deus. Por isso, seja diferente. Viva com Jesus a ponto de sentir a dor diante da ideia de fazer mal a alguém. Não prejudique os sonhos de ninguém, muito menos use as pessoas como trampolim para os seus próprios interesses. A eternidade o recompensará.

Meditação Juvenil, Casa Publicadora Brasileira, 12.03.2013.

DEUS NÃO ESTÁ MORTO

A questão crucial não é se Deus está vivo ou se está morto. O ponto é: você está vivo ou morto?


Mais de 130 anos se passaram desde que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche escreveu em A Gaia Ciência, um de seus livros mais lidos, que "Deus está morto. Deus permanece morto. E nós o matamos". Ao longo desse período, surgiram diversas reações à ideia da "morte" de Deus, desde frases estampadas em camisetes, como a que apresenta na frente "Deus está morto, assinado Nietzsche" e atrás "Nietzsche está morto, assinado Deus", até decalques para carros, a exemplo da afirmação do conhecido pregador Billy Graham: "Deus não está morto. Falei com Ele esta manhã".
Recentemente, o filme Deus Não Está Morto, lançado no Brasil em agosto de 2014, revisitou a ideia do filósofo alemão, embora sua crítica não estivesse diretamente ligada a ela. A inspiração para o filme veio de relatos e casos legais de diversos jovens cristãos universitários perseguidos por causa de sua fé. Ao refletir sobre as questões propostas pelo enredo, fiquei pensando que talvez aquilo que alguns estão chamando de ateísmo cristão seja mais preocupante do que o "decreto" da morte de Deus. Enquanto ateus dizem que Deus não existe e agnósticos admitem a possibilidade de Sua existência, os chamados ateus cristãos vivem como se Ele não existisse.
Essas questões me fizeram lembrar duas histórias bíblicas, ambas ocorridas após a ressurreição de Jesus. A primeira é contada com mais detalhes por Lucas (24:13-35; ver Marcos 16:12, 13) e trata sobre os dois discípulos na estrada de Emaús. A segunda é relatada por João (20:11-18), que narra o encontro de Maria Madalena com o "estranho" jardineiro (v. 15). O que existe em comum nos dois relatos é algo que me deixa perplexo: de algum modo, os três personagens dessas histórias estavam se relacionando com um Deus vivo como se Ele estivesse morto!
Isso leva meu pensamento para outra direção. A questão crucial não é se Deus está vivo ou se está morto. Absolutamente, não. A Bíblia nem sequer chega a tocar nesse assunto. Ao contrário, a primeira afirmação bíblica pressupõe a existência de Deus: "no princípio, criou Deus os céus e a terra" (Génesis 1:1). E só existe uma explicação para que Deus estivesse presente no princípio: Ele é anterior ao princípio. Mais do que isso, Ele é a causa de todas as coisas. O ponto é: Você Está Vivo ou Morto? A situação de Maria Madalena e dos dois discípulos era a mesma: embora Jesus tivesse ressurgido dentre os mortos, Ele ainda não havia ressurgido no coração deles. E esta é uma questão de vida ou morte.
Finalmente, esses três personagens se depararam com a realidade de um Deus vivo, e que alegria indizível explodiu de dentro para fora, como água a jorrar de uma fonte inesgotável. "Verdadeiramente, ressurgiu o Senhor!" (Lucas 24:34), disseram eles; "Vi o Senhor!" (João 20:18), assegurou ela. Neste novo ano, que a realidade de um Deus vivo faça toda a diferença. De modo mais específico, que a afirmação cristã de que Ele está vivo não seja fruto meramente de nossas palavras, mas que se reflita nas nossas ações.

Adenilton Tavares de Aguiar, mestre em Ciências da Religião, é professor de Grego e Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Bahia, 30 de dezembro de 2014.


DEUS NÃO DORME!

Ele, o seu protetor, está sempre alerta e não deixará que você caia. O protetor do povo de Israel nunca dorme, nem cochila. Salmo 121:3, 4


A revista americana Review and Herald publicou uma história que aconteceu na época da Segunda Guerra Mundial e que toca o nosso coração. Era uma noite fria de inverno. Uma senhora americana e o filho pequeno dormiam em casa, numa pequena vila de França. De repente, ouviram alguém bater forte à porta. A mãe ficou surpresa ao ver uma patrulha de soldados. Sem dar nenhum motivo, o oficial mandou que ela se vestisse e saísse da casa. Ela explicou que não podia sair naquele frio tão forte porque o filho pequeno estava com pneumonia. Disse também que não havia cometido nenhum crime e que não havia razão para terem que sair daquele jeito. Mas não houve acordo. Ela e a criança saíram, subiram num camião e seguiram em direção às montanhas. Finalmente pararam e os soldados deram ordens àquela mulher para que descesse do camião com seu filho, que gemia de dor e tossia muito. Andaram até chegar perto de um casebre, e novas ordens foram dadas. Agora os soldados diziam que eles deveriam se encostar na parede daquela construção. Soldados se alinharam com fuzis nas mãos, prontos para atirar assim que o comandante desejasse. Imaginando o que iria acontecer, a mulher gritou para aquele homem. "O senhor não tem filhos? O senhor não tem piedade de nós? Eu não fiz nada de mal para vocês, mas estou pronta para morrer. Só que vocês não devem matar esta inocente criança!" Com o coração duro, o homem respondeu que sim, tinha filhos, mas não estava preocupado com o que ela dizia.
Exatamente naquele momento, o pequeno menino olhou para o céu e disse: "Mamã, olhe para as lindas estrelas! Deus ainda não foi dormir. Ele está olhando para nós!" Ao ouvir essas palavras de fé daquela criança, o oficial ficou imóvel. Alguns instantes se passaram e ele então mandou que os soldados baixassem os fuzis e se dirigissem para o camião. Olhando para a mulher, disse que ela e o filho estavam livres. Os dois se abraçaram e seguiram para casa.
Nós podemos ficar várias horas sem dormir. Mas, em algum momento, o sono vem e não podemos resistir. Mas Deus nunca dorme. Comece seu dia com a certeza de que Ele está sempre cuidando de você.

Meditação Matinal, C. P. B., 14.7.2014.

NÃO TE PREOCUPARÁS
O mandamento que ordena a Santificação do Sétimo Dia da Semana (Sábado) é mencionado apenas duas vezes no texto sagrado (Êxodo 20:8-11 e Deuteronómio 5:12-15). Apesar disso, nós o observamos e exaltamos, porque se trata de uma benéfica recomendação divina, à qual, lamentavelmente, poucos têm dado ouvidos.
Sem dúvida, continuaríamos tendo razão ao agir desse modo, ainda que essa instrução tivesse sido expressa uma única vez por nosso Deus. Não é necessário que Ele repita diversas vezes uma ordem para que a consideremos importante!

No entanto, há um mandamento tão benéfico quanto o 4º, e que é mencionado diversas vezes nas Escrituras, mas não tem sido observado e exaltado por muitos de nós. É verdade que ele não faz parte, implicitamente, do Decálogo (Lei dos 10 Mandamentos); porém, esse facto não é suficiente para justificar a nossa desatenção para com ele. Refiro-me à instrução divina encontrada, por exemplo, em: Salmo 37:5; Salmo 55:22; e Filipenses 4:6 e 7:

- "Entrega o teu caminho ao Senhor, confia n'Ele, e o mais Ele fará."
- "Confia os teus cuidados ao Senhor, e Ele te susterá: jamais permitirá que o justo seja abalado."
- "Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e mentes em Cristo Jesus."

Já alguma vez tinham pensado que esses versículos são também mandamentos de Deus? (E mandamentos com promessa!) Provavelmente não. Embora saibamos que os escritores bíblicos foram "motivados pelo Espírito Santo" (II Pedro 1:21), é-nos difícil aceitar o que eles disseram como ordem divina, porque sempre nos lembramos de que eles foram seres humanos semelhantes a nós. Isso é um erro. Todavia, neste caso, temos registadas palavras do próprio Filho de Deus acerca do mesmo assunto. Encontramo-las em Mateus 6:25-34. Ao examiná-las, notamos que Jesus ordena que confiemos em Deus, e proíbe a ansiedade ou preocupação, mostrando a sua desnecessidade, inutilidade e pecaminosidade.


1. A Preocupação é Desnecessária Porque Deus Cuida de Todas as Suas Criaturas, Especialmente os Seres Humanos.

Jesus disse: "Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as vestes?
"Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam nos celeiros; contudo vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?
"E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros?"
A nota tónica da mensagem de Jesus era esta: "Confiem em Deus." Diversas vezes, disse Ele aos que O ouviam:

- "Confiem em Deus. Ele é bondoso. Se vocês que são maus gostam de ver vossos filhos felizes e querem o melhor para eles, quanto mais o Pai Celeste? Ele, que cuida dos passarinhos, não iria cuidar de vocês?
- "Confiem em Deus. Ele Se preocupa com vocês. Sabe até o número de fios de cabelos que têm na cabeça! E conhece todas as vossas necessidades. Sabe o que precisam, antes mesmo que Lhe peçam.
- "Confiem em Deus. Ele é capaz de fazer qualquer coisa. Mesmo as que parecem impossíveis. O impossível não existe para Deus. Tudo é possível para Ele. Vocês não precisam de se preocupar."

E Jesus reforçou a Sua mensagem com factos. Os Seus milagres - os enfermos que sarou; os cegos, os surdos, mudos e aleijados que curou; os leprosos que purificou; os endemoninhados que libertou; os mortos que ressuscitou; os pecadores que recuperou; os pães e peixes que multiplicou; a tempestade que acalmou... - testificam de que Deus Se interessa pelos seres humanos, conhece as suas necessidades e é poderoso para solucionar os seus problemas. Portanto, não precisamos de nos preocupar.


2. A Preocupação, Além de Desnecessária, é Inútil, Porque Não Produz Nenhum Benefício.

A preocupação não prolonga a nossa existência sobre a Terra. Jesus disse: "Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?"
Preocupar-se é, na verdade, perder tempo. Se um problema tem solução, porque nos preocupamos com ele? Se não tem, de que adianta nos martirizarmos por causa dele?
O pior é que muitos se martirizam por problemas que existem apenas na sua imaginação. Isso é perda de tempo ainda maior!
Precisamos de confiar em Deus, entregar-Lhe o nosso caminho... "e o mais Ele fará"! É inútil preocuparmo-nos. Devemos deixar que Jesus dirija a nossa vida e encontre as soluções para os nossos problemas.
O salmista escreveu: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos Seus amados Ele o dá enquanto dormem." Salmo 127:1 e 2.


3. Além de Desnecessária e Inútil, a Preocupação é Pecaminosa, Porque Constitui uma Afronta a Deus.

Quando nos preocupamos, acusamos a Deus de falsidade. A nossa preocupação revela falta de confiança n'Ele, descrédito na Sua palavra. E "aquele que não dá crédito a Deus, O faz mentiroso", diz a Bíblia (I João 5:10). Por isso, a preocupação é realmente uma afronta a Deus.

- Se está em dificuldades financeiras e pediu a Deus que o ajudasse - como Deus espera e quer que faça - mas continua a afligir-se por causa desse problema, está agindo como se Deus fosse mentiroso! A Palavra de Deus diz: "Pedi, e dar-se-vos-á... tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis." Mateus 7:7 e 21:22. Mas com a sua preocupação, está dizendo: "Eu não acredito. Isso não é verdade."
- Frequentemente, permitimos que isso aconteça. A Palavra de Deus diz: "Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus." Romanos 8:28. Mas nós dizemos, pelas nossas preocupações: "Isso não é verdade. Eu não acredito. Deus é mentiroso."
- A Palavra de Deus diz que Ele, "segundo a Sua riqueza em glória, há-de suprir em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades". Filipenses 4:19. Mas, nós dizemos, pelas nossas preocupações: "Isto não é verdade. Eu não acredito. Deus é mentiroso."
- A Palavra de Deus diz: "Ele tem cuidado de vós." I Pedro 5:7. Mas, nós dizemos, pelas nossas preocupações: "Isso não é verdade. Eu não acredito. Deus é mentiroso."
- E o próprio Deus diz-nos, de maneira direta, na sua Palavra: "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei." Hebreus 13:5. Mas, nós Lhe dizemos, por nossas preocupações: "Isso não é verdade. Eu não acredito. O Senhor está mentindo."

Quanta insolência a nossa! "Se for insulto chamar a um homem mentiroso, quão infinitamente mais indesculpável é acusar o Deus soberano." (John E. Haggai.) Era também por esta razão que Jesus repreendia a censurava os "homens de pouca fé": a preocupação, a ansiedade, o temor e o medo constituem afrontas a Deus. Devemos evitar essas atitudes, confiando os nossos cuidados ao Senhor... E Ele nos susterá! Preocupar-se é pecado.


4. E Mais: Além de Desnecessária, Inútil e Pecaminosa, a Preocupação é Prejudicial ao Nosso Bem-Estar Físico e Mental.

A primeira reclamação de quase 80% das pessoas que procuram os consultórios médicos é: "Doutor, não consigo dormir." Porquê? Preocupação?

"Setenta por cento de todos os pacientes que procuram médicos poderiam curar-se a si mesmos se tão-somente pudessem livrar-se dos seus temores e preocupações", disse um preeminente médico norte-americano.

O Dr. Edward Podolskv, no seu livro Páre de se Preocupar e Fique Melhor, fala de correlação entre a preocupação e os problemas cardíacos, a tensão arterial alta, algumas formas de asma, reumatismo, úlceras, resfriado, mau funcionamento da tiroide, artrite, enxaquecas, cegueira e muitas perturbações estomacais.

Outros estudiosos afirmam que a preocupação também causa palpitações, dores na nuca, indigestão, náusea, constipação, diarreia, tontura, fadiga inexplicável, insónia, alergias e até paralisia temporária. E há também íntima ligação entre a preocupação e as doenças mentais.

Esta deve ser a principal razão porque Jesus ordena que confiemos em Deus e proíbe a preocupação ou ansiedade: Ele Quer Que Vivamos Saudáveis e Felizes. Não andemos, pois, ansiosos por coisa alguma; apresentemos as nossas dificuldades a Deus através da oração. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o nosso organismo e a nossa mente.


Conclusão: A  Nossa  Única  Preocupação  Deve  Ser,  Cada  Dia,  Dar  Prioridade  às  Coisas  Celestiais.

Jesus também disse: "Não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram estas coisas; pois vosso Pai Celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o Seu reino e a sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta a cada dia o seu próprio mal."

O nosso comportamento deve ser semelhante ao de André Rossi, autor do livro Agora Sou Livre. Quando lhe foi perguntado quais eram os seus planos para o futuro, disse, numa entrevista publicada na revista Decisão do mês de Novembro de 1986: "Não sei. Levo a sério aquele conselho de Cristo: 'Não vos preocupeis com o dia de amanhã.' Prefiro não me preocupar com o futuro, porque realmente não sei nem se estarei vivo amanhã. Talvez pareça que sou pessimista, mas não é isso. Sou realista. Agora, se eu estiver vivo, meus planos são estar servindo ao Senhor de alguma maneira."


Ermelindo Robson L. Ramos, Editor-associado da Revista Adventista Brasileira e da Revista Decisão, CPB, janeiro de 1988.



A MULHER QUE AMAVA O DINHEIRO

Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé.
1 Timóteo 6:10

Exceto por Sua ênfase no reino de Deus, Jesus falou mais sobre dinheiro do que sobre qualquer outro assunto. Considerando o caráter espiritual de Sua missão, isso parece surpreendente. Nos lábios de Cristo, contudo, o dinheiro não é tratado como um mero meio de troca, neutro, como na ideologia capitalista. Jesus atribui ao dinheiro personalidade, tratando-o pelo nome próprio aramaico, Mamon, o deus da riqueza, um poder controlador. Para Jesus, o dinheiro é um deus rival do Deus verdadeiro.

Em 1916, Hetty Green morreu como uma pessoa qualquer que enfrenta agruras financeiras. Sempre fora extremamente atenta à economia doméstica. Seus gastos com roupas e comida eram muito restritos. Viúva, quando seu filho de 14 anos contraiu uma infecção na perna, ela o levou em primeiro lugar para tentar atendimento numa clínica gratuita para a população carente.
Posteriormente, o rapaz teve a perna amputada. Mas a Sra. Green, por estranho que pareça, possuía imensa fortuna em dinheiro e ações. De fato, ela era uma especialista em investimentos. Ao morrer, a Sra. Green estava entre as 40 pessoas mais ricas dos Estados Unidos, possuindo 200 milhões de dólares. Em termos atuais, sua fortuna seria de 17 bilhões. Entre os livros escritos sobre ela, um deles tem o seguinte título: Hetty Green - A Mulher que Amava o Dinheiro.

O dinheiro pode escravizar as pessoas. Pode congelar o coração e paralisar as mãos. Por dinheiro, as pessoas mentem, roubam, se vendem, matam, traem e se corrompem. Pela ganância ao dinheiro, as pessoas se tornam completamente desfiguradas e nunca satisfeitas em juntá-lo.
Seu relacionamento com as finanças, em grande medida, revela quem você realmente é. Mostra em que você confia. O dinheiro age como um deus. Para as pessoas, em geral, o sucesso financeiro é visto como o fim de todos os problemas. Assim, ao dinheiro é atribuído o poder de Deus. Mas, segundo Jesus, o dinheiro é um falso mestre. Por isso, Ele nos alerta de que é impossível servir a dois senhores. Não há como agradar a Deus e a Mamon (Mateus 6:24).

Olhe ao redor hoje. Há alguém a quem você pode ministrar os recursos que Deus lhe confiou? Quando Jesus nos recomendou servir aos pobres, não foi apenas por eles, mas por nós mesmos, para nos proteger da avareza. Lembre-se, a generosidade no uso do dinheiro demonstra que aquilo que possuímos não nos possui.

Meditação Diária, C.P.B., 8 de julho 2014.

JESUS  CHAMA  ZAQUEU

"Jesus entrou em Jericó e atravessava a cidade. Havia lá um homem rico chamado Zaqueu, chefe de cobradores de impostos. Queria ver quem era Jesus, mas como era muito baixo não conseguia, por causa da multidão. Correu então adiante do povo, subiu a uma figueira brava e ficou à espera que Jesus por ali passasse para O ver. Quando Jesus lá chegou, olhou para cima e disse-lhe: 'Zaqueu, desce depressa, porque hoje preciso de ficar em tua casa.' Ele desceu imediatamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, começaram todos a criticar e a dizer que Jesus tinha ido para casa de um homem de má fama. Então Zaqueu pôs-se de pé e falou assim: 'Escuta-me, Senhor! Vou dar aos pobres metade de todos os meus bens e às pessoas a quem prejudiquei vou dar-lhes quatro vezes mais.' Jesus então declarou: 'Hoje entrou a salvação nesta casa, pois este homem também é descendente de Abraão. Na verdade, o Filho do Homem veio buscar e salvar os que estavam perdidos.'" Lucas 19:1-10.

(Em face do panorama atual em que roubar parece ser a regra e quanto maior a quantidade, parece que maior a 'valorização social' e a 'categoria pessoal'... - e ainda dizendo-se cristãos... o cúmulo! - pergunto-me como pode essa gente, viver com as suas consciências felizes e em tranquilidade! E sem vergonha?!
Uma coisa temos a certeza: Deus vê tudo, por mais secreto que seja, e mais tarde ou mais cedo terão que Lhe prestar contas. A Bíblia é bem clara, não nos deixa dúvidas! Zaqueu é um exemplo lindo, extraordinário, de quem preferiu viver com a sua consciência feliz e em paz. E poder assim um dia desfrutar da vida eterna! "Melhor é o pouco com justiça, do que a abundância de bens com injustiça." Provérbios 16:8. EE)



DE ONDE VENS, GEAZI?

"Então ele entrou, e pôs-se diante do seu senhor. E disse-lhe Eliseu: Donde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte. Porém ele lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou de sobre o seu carro, a encontrar-te? Era isto ocasião para tomares prata, e para tomares vestidos, e olivais, e vinhas, e ovelhas, e bois, e servos, e servas?" II Reis 5:25 e 26

Nesta história há mensagens magníficas, que contrastam com o gesto egoísta de Geazi. Em primeiro lugar, a generosidade da jovenzita israelita que servia na casa do general sírio Naamã. Ela tinha sido arrancada de casa dos seus pais e servia precisamente na casa de um general do exército invasor, leproso. Mas a criança sentiu pena do seu amo e sugeriu à senhora que o seu marido procurasse o profeta de Israel, o qual poderia curá-lo da lepra. A criada hebreia teve compaixão de Naamã (e coragem!!! EE) e esqueceu-se de que era uma simples escrava.
Naamã seguiu o conselho da menina, levou muitos presentes para uns e outros, e cartas de apresentação para o rei de Israel, mas, em Samaria, encontrou um monarca cheio de medo, que acreditou que os visitantes procuravam um pretexto contra ele. Em seguida, quando foi visitar o profeta, Eliseu nem sequer saiu para o receber, simplesmente mandou um mensageiro que lhe disse: "Vai, lava-te sete vezes no Jordão e ficarás purificado." Como? Acaso o profeta não o ia receber? Porquê lavar-se no rio Jordão? Não havia rios mais limpos em Damasco? Dececionado e aborrecido, Naamã decidiu ir-se embora, mas os seus criados aconselharam-no a seguir as instruções do profeta, e ele, com uma fé que venceu todas as deceções sofridas, obedeceu e ficou limpo da lepra! E não apenas da horrível enfermidade, mas também da 'lepra' do pecado, porque ali mesmo se converteu em adorador do Deus verdadeiro. A Geazi aconteceu o contrário, a avareza levou que fosse contagiado com a lepra de Naamã.
Apesar de o general ter insistido com Eliseu para que aceitasse uma recompensa pelos seus bons serviços, este recusou. O testemunho da sua conversão e o facto de lhe ter devolvido a saúde bastaram-lhe, e despediram-se. Mas o calculista Geazi não entendeu a recusa aparentemente absurda do seu mestre. Porquê recusar o donativo de um coração agradecido? Urdiu então uma artimanha e foi procurar Naamã, o qual lhe entregou o dobro do que ele pedia.

O profeta, porém, estava em casa à espera do seu criado com uma pergunta aterradora:
"Donde vens, Geazi?" Não podemos ocultar nada do olhar escrutinador de Deus.
A atitude do servo do profeta não ficou impune,
porque o Senhor detesta todo e qualquer tipo de corrupção.


AFASTE-SE  DE  QUALQUER  TIPO  DE  FRAUDE.  NÃO  VALE  A  PENA.


Pastor Carlos Puyol Buil in - Mas há um Deus no Céu - 10.05.2016, P. SerVir.

(Ainda hoje estão bem impressas na minha mente as palavras do meu querido e saudoso pai quando dizia às suas filhas, à Gaby e a mim, que ai de nós se aparecêssemos em casa com qualquer coisita, por mais pequena e sem valor que fosse, mas que não nos pertencesse. Ele era a Honestidade em pessoa! Lembro-me tão bem, por exemplo, de pelo menos duas vezes em que fiquei tão envergonhadita quando levei o pagamento do Colégio adiantado, trazendo-o de novo para casa; e outra vez que o levei repetido. E se eles faziam um grande esforço para nos terem a estudar num Colégio privado, porque éramos as 'filhas da velhice' - 12 anos a desejarem ter filhos - e o Liceu ficava um pouco longe da nossa casa... Que grandes pais! Que bons exemplos! E que felizes nós éramos, e mais agora orgulhosas nos sentimos por termos tido uns pais tão honestos! EE)