domingo, 4 de outubro de 2015


Cão Muito Inteligente! E Tem Razão...


Os Irmãos Montgolfier

"Um carneiro, um galo e um pato foram os primeiros seres vivos a elevar-se nos ares por meio de uma máquina construída pelo homem. Isto passou-se no céu de Versailles, a 19 de Setembro de 1783, a bordo de um aeróstato que os irmãos Montgolfier tinham construído para vencer a atracção terrestre, o qual media 24 metros de diâmetro. Esta excepcional experiência teve lugar na presença do rei Luís XVI, sua família e corte.
Faz-nos sorrir pensar que um carneiro, um galo e um pato, encerrados num cesto se elevaram no céu. Mas nos nossos dias, não se fizeram dezenas de experiências com macacos, ratos e cães, antes de fazer subir um ser humano num foguetão?
Depois de se verificar o sucesso do voo com animais, um homem ousou tentar a aventura e deixar o solo a bordo da... 'máquina terrível'. A 15 de Outubro de 1783, o francês Jean Pilâtre de Rozier elevou-se nos ares a bordo dum balão 'cativo', quer dizer, preso à terra por um cabo. Foi o primeiro homem a voar.
A 21 de Novembro do mesmo ano repetiu-se a experiência. Desta vez, um segundo passageiro, o marquês D'Arlandes subiu a bordo de um 'montgolfiére'. Eles levaram uma pequena reserva de combustível (palha e lã) com a qual puderam alimentar a fogueira, o que lhes permitiu estar no ar durante 25 minutos, efectuando assim um voo de 8 km por cima de Paris. Tinha nascido a navegação aérea!"

Adaptado de Tout L'Univers, n.º 3, de 8-11-61.

PESSOAS  QUE  NÃO  SÃO  HOMENS... SÃO  ANJOS!!!


UNS  ARRISCAM  A  VIDA  POR  ANIMAIS...
Outros... - M/A/T/A/M/ Pessoas!!!  Pode-se Compreender Isto?!...


SÓ Deus PODE dar a Vida e tirá-la.  Ele CHORA quando alguém faz isso!  E Ele pedirá CONTAS um dia... EE


A CABRINHA BRANCA

Conta-se a história de um homem que morava num belo vale cercado por lindos campos de verdes pastos, banhados por um caudaloso e manso rio de águas cristalinas.
Para cada lugar em que se voltasse os olhos, era vista uma exuberante paisagem, digna de ser cartão-postal: árvores altivas que erguiam-se pela encosta de uma colina; uma alta cachoeira a refletir em cada gota d’água os raios do sol; passarinhos dos mais variados tamanhos, cantando os mais melodiosos sons e flores exóticas, das mais diversas cores, com os mais inusitados perfumes. Tudo era extremamente belo.
Porém, o que chamava mais a atenção dos espectadores, não era a cachoeira de beleza ímpar; nem os passarinhos com os seus melodiosos cantos; nem mesmo as flores de rara beleza mas sim uma grande montanha que se erguia altiva e imponente. Aquela montanha era o alvo dos mais diversos olhares devido à sua forma exuberante, coberta de pinheiros e outras árvores frondosas, que, juntas, formavam um cenário inesquecível.
Mas era quando o sol começava a declinar, ficando de um vermelho rubro, que a montanha era realmente bela. O sol ia se pondo atrás da montanha, tingindo o céu, as nuvens e as árvores de um rosa vívido e fulgurante, formando um espetáculo tão belo, que a pessoa mais hábil com as palavras seria incapaz de descrever.

E era em meio a esta beleza toda que ficava o vale, onde se erguiam três humildes construções: Uma simplória casa, um humilde galpão e uma estaca. O homem que morava naquela casa chamava-se Séguin. Seu Séguin, como a maioria das pessoas de bom coração, gostava de criar animais. O animal que ele mais apreciava criar era as cabras.
Como todos sabem, as cabras são diferentes das ovelhas, pois são vivas e saltitantes, e devoram tudo quanto acham: folhas, raízes e ramos. São brincalhonas e fiéis amigas de seu pastor. Talvez seja este o grande motivo que levava o seu Séguin a criar cabras. O certo era que o seu Séguin as amava e estava disposto a dar a vida por elas. E ele as criava amarradas à estaca, que se erguia no meio do vale.
Porém, o seu Séguin não era feliz criando cabras. A imponente montanha as atraía tal como o imã atrai o ferro. Nem mesmo o medo dos lobos ferozes que haviam na montanha, e nem os constantes afagos de seu Séguin faziam com que as cabras se contentassem com os verdes pastos do vale. Todas elas acabavam sempre da mesma forma: um belo dia, arrebentavam a corda que as prendiam à estaca e fugiam saltitantes para a montanha, onde eram comidas por lobos.
Mas... o seu Séguin decidiu ainda comprar uma cabra, disposto a cuidar dela como de nenhuma outra, pois já era a sétima...

A cabra que o seu Séguin comprara era muito bonita. Ela tinha os olhos bem pretinhos e umas barbichas espichadas. Ela tinha reluzentes cascos pretos, chifres muito grandes e bem compridos e um pelo todo branquinho, que parecia-se com a neve, devido à sua brancura. Seu nome era Branquinha. O seu Séguin amarrou-a por um pé à estaca, na parte mais bela do campo. Soltou muita corda, e sempre vinha ver se a sua cabra branquinha estava bem. Ele chegou até a pensar que Branquinha nunca iria querer fugir. Mas se enganou!


A sua cabra logo se aborreceu de viver presa a uma estaca. A montanha a atraía com as suas cores e formas, prometendo liberdade, que era o que ela tanto queria.
A cabrinha olhava a montanha e dizia:
- Como deve ser bom lá em cima! Que prazer poder saltar por entre aquelas árvores sem esta maldita corda me prendendo. Pastar amarrado é bom para burros... As cabras precisam de amplidão. Da amplidão que só uma montanha oferece!

Seus olhinhos brilhavam quando olhava para a montanha, imaginando-se saltar entre as colinas e árvores. E assim, ela foi se entristecendo. Dava pena vê-la contemplando a montanha e berrando tristemente: mé, mé, mé...
Um dia, ela reuniu coragem e disse para o seu Séguin, lá na sua língua, o seguinte:
- Seu Séguin, deixe-me ir para a montanha.
- Ah, mas era só o que me faltava, disse o homem.
Depois, sentando-se na grama, ao lado da cabrinha, o homem disse:
- Mas como, Branquinha, você quer me deixar?
E Branquinha respondeu:
- Sim, seu Séguin. Não é nada pessoal, mas eu quero ir para a montanha.
- Mas, Branquinha, replicou ele, aqui tem lhe faltado pasto, amor e carinho?
- Não, seu Séguin. Não é isso.
- Mas então, o que você quer?
- Eu quero ir para a montanha. Lá eu serei mais feliz.
- Mas Branquinha, você não sabe que tem lobos ferozes que vivem lá?
- Mas eu vou lhes dar marradas, seu Séguin, e os afastar!
- Os lobos vão rir das suas marradas. Já me comeram outras cabras com os chifres maiores do que os seus... Lembra-se da Esmeralda? Ela era uma forte cabra e má como um bode. Lutou toda a noite com um lobo e o lobo a comeu pela manhã!
- Pobre Esmeralda! Mas me deixe ir para a montanha, seu Séguin!


Seu Séguin pensou consigo: Esta será mais uma que os lobos vão comer. Não! Eu vou salvá-la, mesmo que ela não queira.
E, seu Séguin levou a cabra para o curral, fechando bem a porta, para ela não fugir. Ele deu até duas voltas na chave para a cabra não escapar. Infelizmente, ele se esqueceu de uma janela que estava aberta, e que Branquinha transpassou num pulo. Quando ela se viu livre, saiu saltitando em direção à montanha. Quando lá chegou, foi uma grande admiração. Nem mesmo os velhos pinheiros tinham visto uma coisa tão bonita! Receberam-na como a uma pequena rainha.
Os castanheiros abaixaram-se até ao chão para a acariciarem com a ponta de seus ramos. As samambaias se abriam à sua passagem e as flores abriam-se o mais que podiam para perfumarem o ar que a cabrinha iria respirar. Enfim, toda a floresta festejava a sua chegada à montanha.
A cabrinha branca espojava-se de pernas para o ar, embrulhada pelas folhas caídas. E, de repente, levantava-se de um salto sobre as quatro patas e disparava a correr, aparecendo algumas vezes no pico de um monte, outras no fundo de um barranco, ora lá em cima, ora lá em baixo, por toda a parte. Podia-se dizer que haviam dez cabras do seu Séguin na montanha, de tanto que Branquinha corria.

É que Branquinha não tinha medo de nada. Com apenas um salto ela transpunha as grandes torrentes de água que salpicavam uma poeira húmida de espuma. E então, toda a pingar, ia estender-se numa pedra plana a secar-se ao sol.
Uma vez, ela avistou, lá embaixo, a casa do seu Séguin. E quem quiser saber o que ela disse, rindo, é só perguntar às árvores tagarelas.
Enfim, foi um dia feliz para Branquinha. Lá embaixo, ela podia ver os campos mergulhados na neblina.
Repentinamente, o vento refrescou, e tudo tingiu-se de rosa. Era a tarde que declinava e a noite que chegava.
Da cozinha do seu Séguin, só se via o telhado de onde se via um fio de fumaça saindo. Branquinha ouviu os berros de um rebanho que era recolhido e sentiu uma tristeza muito grande. Um gavião que retornava para um ninho próximo, tocou-lhe com as suas asas. Ela estremeceu. Uivos de lobos começaram a ser ouvidos. Só então ela realmente pensou nos lobos.

Lá embaixo, o seu Séguin a chamava piedosamente. Branquinha sentiu desejos de voltar, mas lembrou-se da estaca, da corda e resolveu ficar. Mas um barulho numa moita próxima, fez Branquinha tremer de medo. Quando viu duas orelhas curtas, muito retas, seguidas de dois olhos brilhantes, como se deles saíssem fogo, ela só teve uma certeza: era o lobo.
Enorme e imóvel, sentado sobre as duas patas traseiras, olhava para a cabrinha branca. Era o lobo e tinha a certeza de que a iria comer e não se apressava, pois já sabia que era outra cabrinha do seu Séguin, e como todas as outras, esta também seria sua.
Branquinha sentiu que estava perdida. Ela só se lembrava da história da velha Esmeralda que havia lutado com o lobo a noite toda para ser comida ao amanhecer. Ela sabia que ao amanhecer, o seu Senhor viria procurá-la. Ela só tinha que aguentar até lá.
Então, o lobo avançou e os chifrezinhos de Branquinha entraram em ação. E como Branquinha era valente! Como ela se batia com coragem! Mais de dez vezes ela forçou o lobo a recuar, e assim foi a noite toda.
De tempos em tempos, ela via as estrelas dançarem no céu claro, e pensava: "Contanto que eu resista até ao romper da alva, o seu Séguin vem me ajudar. Ele vem me resgatar!"

As estrelas começaram a sumir-se uma a uma. Depois uma luz pálida brilhou no horizonte. Ouviu-se ao longe o cantar do galo.
- Enfim, disse ela, já não posso mais! Acabaram-se as minhas forças.
Dizendo isso, deitou-se no chão com a sua bela pelica branca manchada de sangue. E o lobo, vendo que ela havia desistido de lutar, lançou-se sobre ela, mas uma pedra atirada em sua cabeça, fê-lo recuar e dar um grito de dor. Quando ia avançar novamente sobre a sua presa, o seu Séguin surgiu por detrás de uma moita de capim, bem perto dele e lhe deu uma paulada no meio da cabeça, que fez com que fugisse imediatamente.
O encontro do seu Séguin com a sua cabra branca, foi algo maravilhoso. Ele a tomou em seus braços, dizendo carinhosamente:
- Cabrinha marota! Não me quis ouvir? Felizmente, o seu dono é um bom dono de cabras e passa toda a noite a vigiá-las contra o lobo.
Dizendo estas poucas palavras, levou Branquinha para casa e tratou de suas feridas. Branquinha nunca mais quis fugir do seu pastor. Ela o amou muito.
Seu Séguin comprou muitas cabrinhas que não quiseram mais fugir, pois a todas que mostravam este desejo, Branquinha lhes mostrava as suas feridas e dizia como o lobo era terrível.
E assim viveu o seu Séguin feliz com as suas cabrinhas.

MORAL DA HISTÓRIA: Esta história relata a relação que muitos têm com o seu Pastor. Elas querem fugir da estaca (igreja) para a montanha (o mundo) e tudo o que ela oferece. Muitas vezes, não têm tempo e são comidas por lobos (pecados) vorazes. Mas quando ouvem a história de quem já foi, e viu como a montanha realmente é, sossegam no seu canto. (Autor Desconhecido)






Por causa de Satanás ter pecado no Céu, e depois de expulso ter introduzido o pecado aqui na Terra, alguns animais tornaram-se muito maus. Mas quando Jesus VIER AQUI DE NOVO, e restabelecer tudo à sua forma original, o pecado terminará PARA SEMPRE e TODOS os animais serão de novo bons como eram de início quando foram criados - é a Bíblia que o diz! EE

quarta-feira, 2 de setembro de 2015



A PRESENÇA e o SIGNIFICADO do HUMOR na BÍBLIA

Tem-se por vezes difundido a ideia errada, acerca da relação entre Deus, a fé e o humor. A verdade é que existe entre os três um laço indissolúvel e benéfico para a experiência pessoal e para a forma como podemos compreender Deus.
Na verdade, a vivência cristã nunca poderá estar conotada à tristeza, mas sim à alegria e à felicidade. Porque Cristo nos libertou do poder do pecado e nos dá a possibilidade de experimentarmos uma transformação na nossa vida, por si só já é motivo de alegria. Apesar das dificuldades do início do Cristianismo, os primeiros cristãos eram pessoas alegres (Actos 2:46; 5:41; 16:23-25), pois a "alegria é o cunho particular do cristão"1. Devido à importância da alegria, um certo autor cristão chega até a dizer: "Haverá algum critério para avaliar a maturidade, a autenticidade, a saúde da fé? Sim, o espírito de alegria e regozijo que envolve a experiência religiosa"2.
Desta alegria, faz também parte o humor, como componente da vida e experiência de todo aquele que crê em Deus.

Definindo o Humor

A nossa palavra humor, vem do latim humor, que significa, "água" ou "humidade" e faz referência a toda a substância líquida ou semi-líquida contida num corpo organizado e principalmente nos organismos3.
A palavra foi também usada para ilustrar os quatro humores cardinais que eram o sanguíneo, o fleumático, o colérico e o melancólico. As misturas variadas destes humores, determinavam nas pessoas os seus temperamentos, as qualidades mentais e físicas e as disposições. A pessoa ideal era a que tinha uma mistura proporcional dos quatro. Atribui-se a Hipócrates (460 a 370 D.C.) a menção destes humores"4. Hoje falamos de hormonas e outras substâncias bioquímicas em vez de humores.
A palavra humor, veio também a exprimir tudo o que podia caracterizar uma atitude interior, uma forma de conceber a existência. Trata-se num certo sentido dum controle dum reflexo humano face a tudo o que nos possa acontecer"5.
Neste sentido podemos definir o humor como a capacidade de se elevar para lá das circunstâncias e sorrir. Deste ponto de vista, o humor está intimamente ligado à mensagem da Bíblia.
Já o Apóstolo João tinha definido a fé como um triunfo sobre as circunstâncias da vida "pois todo o que é nascido de Deus vence o mundo. Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé" (1 João 5:4).
O humor é por isso uma espécie de antecipação da grande esperança cristã: a reposição da verdade, da justiça; a eliminação completa do mal e do sofrimento; o desaparecer das circunstâncias limitativas da felicidade; a reposição da perfeita alegria de viver, numa relação renovada e equilibrada entre Deus, nós e o meio que nos rodeia - que sucederá após a segunda vinda de Cristo (Apocalipse 21:4; 22:1-6).
Por outro lado, como veremos, o humor bíblico, ajuda-nos a colocar as coisas no seu devido lugar, permite-nos fazer a distinção entre o que é provisório e o que é eterno. Ele pode expressar-se por diferentes formas: ironia, sarcasmo, imitação, brincadeira, paradoxo...
Vejamos então alguns episódios de humor na Bíblia.

Relatos Humorísticos no Velho Testamento

Várias passagens do Velho Testamento dão conta do humor de Deus,
até mesmo para com os Seus inimigos

(Salmos 2:1-4; 37:12-13; 59:8; Provérbios 8:30)



A- Um dos relatos em que o humor está presente é o episódio da Torre de Babel relatado em Génesis 11:1-9.
Existe aqui um humor irónico. A humanidade procurava então "fazer-se" e atingir os céus, para ver Deus. Mas eis que é Deus que desce para ver o que fazem os seres humanos, e ver o produto insignificante da sua realização... Ora este ser humano que está prestes a ultrapassar a sua fronteira entre o céu e a terra, acaba por ser espalhado pela face da terra. De um intento que era quase unânime, resulta uma discórdia pela multiplicidade da linguagem.
O humor, está aqui na contradição entre o que se pretende e o que se obtém. O Homem que quer ser como Deus, elevar-se até Deus, não consegue afinal de contas resolver os seus próprios diferendos linguísticos e acaba por cumprir aquilo que era plano de Deus: povoar a Terra. A soberania e direcção de Deus sobre o Universo sai assim realçada mesmo apesar das tentativas de destronarem Deus.

B- Em 1 Reis capítulo 18, temos outro episódio humorístico na confrontação entre a idolatria e o culto ao verdadeiro Deus. Elias usa o humor com recurso à ironia e à sátira para realçar a insensatez que é procurar apoio em deuses que mais não são que invenção humana. (pequeno filme no final)

C- Pessoalmente o relato mais humorístico da Bíblia, para mim, é o do livro de Jonas. Alphonse Maillot, pastor Protestante, disse que este livro "é a autêntica interpelação que o Deus autêntico dirige a cada um de nós"6. Neste livro se retratam alguns aspectos dum profeta de Deus, Jonas. Uma pessoa depressiva, taciturna, egoísta, a quem Deus quer fazer compreender a importância da salvação do ser humano (não importando a sua raça, religião ou comportamento social).
Jonas começa por fugir de Deus e da missão que Ele lhe confere: anunciar a destruição de Nínive. Surge uma tempestade e Jonas que queria passar despercebido é obrigado a dizer quem é, que mensagem tem, e porque acontece tal tempestade (devido à sua fuga). Engraçado, enquanto Jonas é lançado ao mar (por sugestão sua), já não consegue ver que com a sua mensagem fez com que esta tripulação adorasse a Deus (Jonas 1:16)
Outros detalhes trazem o humor à história de Jonas e de Nínive. Por exemplo, as intervenções dos animais para fazerem Jonas refletir. Primeiro é um grande peixe que o engole e que lhe permite fazer uma oração na qual Jonas reconhece que do Senhor vem a salvação (Jonas 2:9). Depois é um pequeno verme que faz secar a árvore em que o teimoso Jonas esperava ver descer o fogo do céu para consumir Nínive e os seus habitantes (Jonas 4:7) e que leva ao grande diálogo do livro onde Deus, duma forma humorística, faz comparações entre o desgosto de Jonas por uma árvore que lhe dava sombra, e o amor de Deus pelos habitantes de Nínive (Jonas 4).
Em segundo lugar é o efeito da graça de Deus. Os Ninivitas acolhem a mensagem de Jonas e arrependem-se confiando na misericórdia e graça de Deus, e vivem. Jonas deseja morrer porque essa graça poupou a vida dos Ninivitas (Jonas 3:10-4:3). Através do humor, Deus dirige-se a Jonas e leva-o a compreender a Sua pedagogia. Deus não tem prazer na destruição, mas na salvação (Ezequiel 18:32) e leva Jonas a olhar para lá do seu pequeno mundo, para uma realidade mais abrangente que são as necessidades reais daqueles que o rodeiam.

      

O Humor no Novo Testamento

O Evangelho é a boa nova da Salvação de Deus e como tal Jesus e a Sua mensagem são sinónimos da alegria. Podemos até dizer que "Cristo chegou a um mundo enfastiado e vazio e penetrou nele pela porta esquecida da alegria"7. Na verdade a mensagem de Jesus transmite alegria (Lucas 2:10; 6:21), e como as crianças e as pessoas em geral se sentiam bem na Sua presença, devemos concluir que Ele era alguém simpático, alegre, humorado. É natural pois que o humor encontre também eco nas Suas palavras. Mateus 7:3 transmite-nos uma ponta do humor de Jesus: "Porque reparas no cisco que está no olho do teu irmão, mas não percebes a trave que está no teu"?
Nesta afirmação, Jesus caricatura aqui a tendência humana de minimizarmos os nossos defeitos e de maximizarmos os dos outros. Usando o absurdo, Cristo chama-nos a uma tomada de consciência dos nossos erros, que podem ser até maiores que os erros alheios. As faltas dos outros não podem esconder as nossas, nem nos impedirem de ver o quanto precisamos de progredir na nossa esfera pessoal.
Mateus 23:23-24 é outro exemplo do humor de Jesus. Aqui Jesus coloca em evidência o zelo extremoso dos fariseus para certos aspectos que eles consideravam essenciais (donde a expressão coar um mosquito), mas que no fim de contas desprezavam o mais importante da revelação de Deus: a lei, a justiça, a misericórdia e a fé. A figura de engolir o camelo, sugere o quanto estes contemporâneos de Jesus estavam longe do ideal de Deus para a humanidade. Pode-se ser muito exigente em certos aspectos que no fundo são insignificantes, e ignorar completamente o que é essencial na experiência religiosa.

       

(A jumenta de Balaão fala - Números 22)    (David e o gigante Golias - I Samuel 17)

CONCLUSÃO

Há muitas outras passagens da Bíblia em que o humor está presente, mas que por motivo de espaço não podemos incluir aqui. Mesmo este estudo é apenas uma pequena contribuição para algo que ressalta da mensagem bíblica. Deus dirige-se a cada um de nós de muitas maneiras e o humor é uma delas. Recorrendo a esta forma de expressão podemos compreender que se Deus ri e usa o humor, então Ele é alguém acessível. Através do humor, no entanto Deus continua a mostrar-nos como Ele deseja que sejamos conscientes dos nossos erros, da nossa condição de criaturas, das nossas tentativas frustradas de O substituirmos na nossa vida. Mas diz-nos também que não há mal que não tenha solução, e que se desejarmos, Ele pode transformar a nossa vida.
O humor ajuda-nos a viver acima das situações, porque como cristãos sabemos em última análise que Deus dirige todas as coisas e que tudo Ele fará para nosso bem (Romanos 8:28). Finalmente o sentido de humor é já uma antecipação daquilo que Deus realizará no final dos tempos: a restauração de todas as coisas, a erradicação do mal e a instauração do bem e da felicidade em todo o Universo.

Anotações:
1 Cf. Atilano Alaíz, Cristãos Adultos, Lisboa: Edições S. Paulo, 1994, pág. 75; 2 Id., pág. 71; 3 Cf. Dictionnaire Encyclopédique Quillet,: Éditions Quillet, 1990, pág. 3361; 4 Cf. The New Encyclopaedia Brittanica 1992, vol. 6, pág. 145. Ver também Tim la Haye, Temperamentos Transformados, S. Paulo: Editor Mundo Cristão, 1998, pág. 7; 5 Cf. Roland Fisher; "L'Humour dans la Bible", in Servir, nº 3, 1995, pág. 52; 6 Cf. Alphonse Maillot, Jonas, Paris: Delachaux et Niestlé, 1977, pág.21; 7 Cf. José Luíz Martin Descalzo, Vida e Mistério de Jesus de Nazaré, Cucujães: Editorial Missões, 1994, vol. II pág. 490.

Artur Machado, mestre em Teologia, é o Secretário da UPASD (União Portuguesa dos Adventistas do 7º Dia) em Portugal. Texto da Revista Sinais dos Tempos, 1º Trimestre, 2002.


Um Pequeno Presente de um Grande Coração
(O Humorzinho Tão Amoroso de um Querido Menino! EE)

     Fui trabalhar nas Ilhas Andaman, na Índia, como estudante missionário. Não sabia quem me buscaria no porto, onde moraria, ou o que iria fazer. Mesmo assim, segui em frente, sabendo que o Senhor tomaria as providências necessárias.
     No navio, conheci um senhor que, além de ser adventista, também era o cozinheiro-chefe do navio. Ele me convidou a ir para sua casa e, de bom grado, aceitei. Sua família, constituída de sete pessoas, concordou alegremente que eu morasse com eles.
     Eles tinham apenas um filho, de sete anos de idade, ao qual chamavam carinhosamente de "Sunny." Esse menino era meu guia na pequena cidade; ele me mostrou o caminho para as lojas, restaurante e residências dos membros da igreja.
     Por seis semanas, estive ocupado dirigindo a Escola Cristã de Férias e os cultos da igreja, pois não havia pastor naquela congregação. O tempo passou rapidamente e logo chegou a hora de voltar para o Spicer Memorial College, em Pune, Índia, para continuar meus estudos.
     O fato de ficarmos juntos por mais de um mês, ensinando novas canções, contando histórias e ajudando-os a apresentar encenações baseadas na Bíblia para a Escola Sabatina e para os cultos, criou um elo muito forte entre nós.
     O momento de fazer a última refeição no lar da querida família que tanto me ajudou, chegou muito rápido. Sunny sentou-se ao meu lado à mesa, enquanto a mãe servia. Geralmente, ele reclamava da comida para sua mãe, uma mulher muito paciente. Ela não se importava, pois ele era seu único filho. Nessa refeição, entretanto, ele sentou-se ao meu lado, comeu sozinho o que a mãe lhe serviu e sem reclamar uma só vez. Após a refeição, reunimo-nos para orar e o pai da família disse:
     - Isso é para você - entregando-me uma nota de 50 rúpias (cerca de um dólar americano).
     Ao lhe perguntar por que estava fazendo isso, ele me disse alegremente o que havia acontecido antes da refeição, enquanto eu arrumava a mala para ir embora.
     Sunny foi até seu pai e perguntou: "Pai, o que o senhor me dá se eu comer toda minha comida sozinho, sem reclamar para minha mãe?" O pai, feliz com seu filho, disse: "Escolha o que você quiser." Sunny pediu 50 rúpias. O trato foi feito e ele comeu tudo. O pai estava impressionado com o menino e, quando lhe ia dar o dinheiro, Sunny disse: "Por favor, dê ao meu professor da Escola Cristã de Férias." O valor era pequeno, mas para mim, muito sagrado.

Enquanto viajava sozinho, lembrei-me de outro Filho que foi até Seu Pai e perguntou: "O que o Senhor me dará se Eu tomar esse cálice?" E o Pai pediu gentilmente ao Filho para escolher. O Filho escolheu assumir a minha e a sua pena de morte. Ele disse ao Pai: "Por favor, dê vida eterna àquele professor da Escola Cristã de Férias e a todos os que crerem em Mim."

Jesin Israel Kollabathula é estudante de pós-graduação no Instituto Internacional Adventista de Estudos Avançados (AIIAS), em Silang, Cavite, Filipinas. Texto apresentado na Revista Adventist World Janeiro 2009.


Pode ler na Bíblia sobre a história verdadeira deste filme, de 1 Reis 16:29 até ao fim do capítulo 19. E depois, o final com o seu sucessor Eliseu, em 2 Reis 2. Impressionante a subida de Elias para o Céu num carro de fogo, onde já está a viver com Deus e com todas as maravilhas que lá existem!
A Bíblia, o Livro de Deus, fala de mais 2 homens que também já vivem no Céu: Enoque e Moisés. "As únicas pessoas mencionadas nas Escrituras como tendo sido arrebatadas ao Céu em vida (não por ocasião da morte como ensinam alguns) foram Enoque (Génesis 5:24; Hebreus 11:5), Moisés (Deuteronómio 34:6 e Judas 9 – antes de ir para o céu, Moisés foi ressuscitado) e Elias (2 Reis 2:9-12)." Leandro Quadros - Na Mira da Verdade, Links 1R.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015


BIOGRAFIAS BÍBLICAS / A BÍBLIA COMO AGENTE EDUCADOR

"Os quais pela fé venceram reinos,
praticaram a justiça,
da fraqueza tiraram forças.
"

         Para fins educativos, nenhuma parte da Bíblia é de maior valor do que as suas biografias. Estas diferem de todas as outras, visto serem absolutamente fiéis. É impossível a qualquer espírito finito interpretar corretamente, em tudo, os feitos de outrem. Ninguém, a não ser Aquele que lê o coração, que pode divisar a fonte secreta dos intuitos e das ações, poderá com verdade absoluta delinear o caráter, ou dar uma descrição fiel de uma vida humana. Unicamente na Palavra de Deus se encontra tal esboço biográfico.
         Nenhuma verdade a Bíblia ensina mais claramente do que aquela segundo a qual o que fazemos é o resultado do que somos. Em grande parte, as experiências da vida são o fruto de nossos próprios pensamentos e ações.
         "A maldição sem causa não virá" (Provérbios 26:2).
         "Dizei aos justos que bem lhes irá. ... Ai do ímpio! mal lhe irá: porque a recompensa de Suas mãos se lhe dará." (Isaías 3:10, 11).
         "Ouve tu, ó Terra! Eis que Eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto de seus pensamentos." (Jeremias 6:19)
         Terrível é esta verdade, e profundamente deve ela ser gravada em nosso espírito. Cada ação se reflete sobre aquele que a pratica. Jamais um ser humano pode deixar de reconhecer, nos males que lhe infelicitam a vida, os frutos daquilo que ele próprio semeou.

Contudo, Mesmo Assim, Não Nos Achamos Sem Esperança.

Para adquirir o direito de primogenitura que já lhe pertencia pela promessa de Deus, Jacó recorreu à fraude, e colheu os frutos do ódio de seu irmão. Durante vinte anos de exílio foi ele próprio lesado e defraudado, e finalmente forçado a procurar segurança na fuga; e colheu uma segunda messe, visto que as falhas de seu próprio caráter foram vistas a reproduzir-se em seus filhos, sendo que tudo isto nada mais era senão um fidelíssimo quadro das retribuições da vida humana.
Deus, porém, diz: "Não quero estar para sempre a acusar, nem ficar eternamente irado porque, de contrário, destruiria o sopro de vida de todos quantos criei. A maldade de Israel fez com que Eu Me irritasse; na Minha irritação castiguei-o e não o queria mais ver. Ele afastou-se para seguir o seu caminho preferido. Conheço bem os seus caminhos; mas hei de curá-lo, guiá-lo e reconfortá-lo. Aos que estão em luto porei nos seus lábios este cântico: 'Paz! Paz, para os de longe e para os de perto!'" (Isaías 57:16-19.)
Jacó, em sua angústia, não desesperou. Havia-se arrependido e se esforçara por expiar a falta cometida para com seu irmão. E ao ser pela ira de Esaú ameaçado de morte, procurou o auxílio de Deus. "Lutou com o anjo, e prevaleceu; chorou e lhe suplicou." "E abençoou-o ali." (Oseias 12:4; Génesis 32:29). Na força de Seu poder o que fora perdoado levantou-se, não mais como o suplantador, mas como príncipe diante de Deus. Não ganhara simplesmente o livramento de seu irmão ofendido, mas o seu próprio. Quebrara-se o poder do mal em sua própria natureza; havia-se-lhe transformado o caráter.
Ao crepúsculo houve luz. Jacó, revendo a história de sua vida, reconheceu o poder mantenedor de Deus - Aquele "Deus que me sustentou desde que eu nasci até este dia; o Anjo que me livrou de todo o mal." (Génesis 48:15, 16)
A mesma experiência se repete na história dos filhos de Jacó: o pecado operando a retribuição, e o arrependimento produzindo fruto de justiça para a vida.

Deus não anula as Suas leis. Ele não age contrariamente às mesmas. Não desfaz a obra do pecado, mas Ele transforma. Mediante Sua graça a maldição resulta em bênçãos.

Dos filhos de Jacó, Levi foi um dos mais cruéis e vingativos, um dos mais culpados no traiçoeiro assassínio dos siquemitas. As características de Levi, refletindo-se nos seus descendentes, acarretaram-lhes o decreto de Deus: "Eu os dividirei em Jacó, e os espalharei em Israel." (Génesis 49:7). O arrependimento, porém, operou a reforma; e pela sua fidelidade para com Deus no meio da apostasia de outras tribos, a maldição se transformara num sinal da mais alta honra.
"O Senhor separou a tribo de Levi, para levar a arca do concerto do Senhor, para estar diante do Senhor, para O servir, e para abençoar em Seu nome." "Meu concerto com ele foi de vida e de paz, e lhas dei (as bênçãos) para que Me temesse, e Me temeu. ... Andou Comigo em paz e em retidão, e apartou a muitos da iniquidade." (Deuteronómio 10:8; Malaquias 2:5, 6)
Os que foram designados para ministros do santuário, os levitas, não receberam herança em terras; habitavam juntos em cidades separadas para o seu uso, e recebiam o seu sustento dos dízimos, donativos e ofertas dedicados ao serviço de Deus. Eram os ensinadores da povo, hóspedes em todas as suas festividades, e em toda a parte honrados como os servos e representantes de Deus. À nação toda fora dada esta ordem: "Guarda-te, que não desampares ao levita todos os teus dias na terra." "Levi com seus irmãos não têm parte na herança: o Senhor é a sua herança." (Deuteronómio 12:19; 10:9).

À CONQUISTA, PELA FÉ

A verdade de que a homem "é tal quais são os seus pensamentos" (Provérbios 23:7, Trad. Bras.), encontra outra ilustração na experiência de Israel. Nas fronteiras de Canaã, os espias, ao voltarem de pesquisar o país, apresentaram o seu relatório. A beleza e fertilidade da terra foram perdidas de vista pelos receios das dificuldades que obstavam à sua ocupação. As cidades muradas até ao céu, os gigantes guerreiros, os carros de ferro, faziam desfalecer-se-lhes a fé. Não tomando a Deus em conta, a multidão ecoou a decisão dos espias descrentes: "Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós." (Números 13:31). Suas palavras mostraram-se verdadeiras. Não eram capazes de avançar, e despenderam a vida no deserto.
Entretanto, dois dentre os doze que examinaram a terra, raciocinavam de modo diverso. "Certamente prevaleceremos contra ela!" (Números 13:30) - insistiam eles, considerando a promessa de Deus superior a gigantes, cidades muradas e carros de ferro. Para eles a Sua palavra era verdadeira. Posto que participassem com seus irmãos da peregrinação de quarenta anos, Calebe e Josué entraram na terra da promessa. Tão animoso de coração como quando com as hostes do Senhor saíra do Egito, Calebe pediu e recebeu como seu quinhão a fortaleza dos gigantes. Na força divina expulsou os cananeus. Os vinhedos e olivais onde haviam pisado os seus pés, tornaram-se sua possessão. Ao passo que os covardes e rebeldes pereceram no deserto, os homens de fé comeram das uvas de Escol.

Verdade alguma apresenta a Bíblia em mais clara luz do que haver perigo em nos desviarmos do que é reto uma única vez que seja, perigo este tanto para o que faz o mal como para todos os que são atingidos pela influência do mesmo. O exemplo tem uma força maravilhosa; e quando posto do lado das más tendências da nossa natureza, torna-se quase irresistível.
O mais forte baluarte do vício no nosso mundo não é a vida iníqua do pecador declarado ou do degradado proscrito; é a vida que parece virtuosa, honrada e nobre, mas em que se alimenta um pecado ou se acaricia um vício. Para a alma que se acha lutando secretamente contra alguma enorme tentação, tremendo nas bordas mesmo do precipício, tal exemplo é um dos mais poderosos incentivos ao pecado. Aquele que, dotado de altas concepções da vida, verdade e honra, transgride, não obstante, voluntariamente um preceito da santa lei de Deus, perverte seus nobres dons, tornando-os chamarizes ao pecado. Génio, talento, simpatia, mesmo ações generosas e benévolas, podem assim tornar-se engodos de Satanás para levar almas ao precipício da ruína.
Aí está porque Deus deu tantos exemplos, apresentando os resultados de mesmo um só ato errado. Desde a triste história daquele único pecado que trouxe ao mundo a morte e nossas desgraças todas, juntamente com a perda do Éden, até o relato que há daquele que por trinta moedas de prata vendeu o Senhor da glória, a biografia bíblica está repleta destes exemplos, ali colocados como faróis de advertência nos atalhos que desviam do caminho da vida.
Há também advertência em notarmos os resultados que se seguiram quando, mesmo uma única vez, alguém cedeu à fraqueza e erro humano - o fruto de abandonar a fé.
Em virtude de uma falha de sua fé, Elias interrompeu a obra da sua vida. Pesado fora o encargo que havia enfrentado em prol de Israel; fiéis tinham sido suas admoestações contra a idolatria nacional; e profunda foi sua solicitude quando durante três anos e meio de fome vigiara e observara à espera de algum indício de arrependimento. Ele sozinho permaneceu do lado de Deus no monte Carmelo. Pelo poder da fé, a idolatria foi derribada, e abençoada chuva testificou dos aguaceiros de bênçãos que aguardavam o momento de serem derramados sobre Israel. Então em seu cansaço e fraqueza Elias fugiu de diante das ameaças de Jezabel, e sozinho no deserto pediu a morte. Falhara sua fé. A obra que tinha começado, não deveria ele terminar. Deus lhe ordenou ungir outro para ser profeta em seu lugar.
Mas Deus havia notado o sincero serviço do Seu servo. Elias não devia perecer em desânimo e na solidão do deserto. Não lhe caberia descer ao túmulo, mas ascender com os anjos de Deus para a presença da Sua glória.
Estes registos biográficos declaram o que todo o ser humano um dia compreenderá, a saber: que o pecado só poderá acarretar vergonha e perdas; que a incredulidade significa fracasso; mas que a misericórdia de Deus atinge as maiores profundezas, e que a fé ergue a alma penitente para participar da adoção de filhos de Deus.

A DISCIPLINA DO SOFRIMENTO


Todos os que neste mundo prestam verdadeiro serviço a Deus e ao homem, recebem um preparo prévio na escola das aflições. Quanto mais pesado for o encargo e mais elevado o serviço, maior será a prova e mais severa a disciplina. Estudai as experiências de José e Moisés, de Daniel e Davi. Comparai o princípio da história de Davi com a de Salomão, e considerai os resultados.

Davi, em sua juventude esteve intimamente ligado a Saul, e sua permanência na corte e ligação com a casa do rei deram-lhe profundo conhecimento dos cuidados, tristezas e perplexidades ocultas pelo esplendor e pompa da realeza. Viu de quão pouca valia é a glória humana para trazer paz à alma. E foi com alívio e satisfação que da corte real voltou aos apriscos e rebanhos.

Quando, compelido pelos zelos de Saul era um fugitivo no deserto, Davi, privado do apoio humano, amparou-se mais pesadamente em Deus. A incerteza e desassossego da vida no deserto e seus incessantes perigos, a necessidade de fugas frequentes, o caráter dos homens que a ele se reuniam: "todo o homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espírito desgostoso" (I Samuel 22:2) - tudo isto tornava muito necessária uma severa disciplina própria. Estas experiências despertaram e desenvolveram capacidade para lidar com os homens, simpatia para com os oprimidos e ódio à injustiça. Durante anos de expectativa e perigo, Davi aprendeu a encontrar em Deus conforto, apoio e vida. Aprendeu que unicamente pelo poder de Deus ele poderia subir ao trono; unicamente pela Sua sabedoria poderia governar sabiamente.
Foi mediante o preparo na escola das agruras e tristezas que Davi se habilitou a declarar que "governava o seu povo com justiça e retidão" (II Samuel 8:15) não obstante mais tarde seu grande pecado lhe deslustrasse o feito.

A disciplina da experiência inicial de Davi faltava a Salomão. Pelas circunstâncias, pelo caráter e pela vida parecia mais favorecido do que todos. Nobre na juventude, nobre na varonilidade, amado por seu Deus, Salomão iniciou um reinado que dava altas promessas de prosperidade e honra. Nações maravilhavam-se do saber e conhecimentos do homem a quem Deus havia dado sabedoria. Mas o orgulho da prosperidade trouxera a separação de Deus. Da alegria da comunhão divina, Salomão desviou-se para encontrar satisfação nos prazeres dos sentidos. Diz ele desta experiência:
"Fiz para mim obras magníficas: edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas. Fiz para mim hortas e jardins. ... Adquiri servos e servas. ... Amontoei também para mim prata e ouro, e jóias de reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, e de instrumentos de música de toda a sorte. E engrandeci-me, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém. ... E tudo quanto desejaram meus olhos não lho neguei, nem privei meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho. ... E olhei eu para todas as obras que fizeram minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do Sol. Então passei à contemplação da sabedoria, e dos desvarios, e da doidice; porque, que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram.
"Aborreci esta vida. ... Também eu aborreci todo o meu trabalho, em que trabalhei debaixo do Sol" (Eclesiastes 2:4-12, 17 e 18).
Por sua própria amarga experiência, Salomão aprendeu como é vazia uma vida que busca nas coisas terrenas seu mais elevado bem. Erigiu altares aos deuses gentílicos, unicamente para aprender quão vã é sua promessa de descanso para a alma.
Em seus anos posteriores, tornando-se cansado e sedento nas rotas cisternas da Terra, Salomão voltou a beber da fonte da vida. A história de seus anos desperdiçados, com suas lições de advertência, ele, pelo Espírito de inspiração, registou para as gerações posteriores. E assim, conquanto a semente que semeara fosse colhida por seu povo em uma messe de males, a obra realizada na vida de Salomão não foi inteiramente perdida. Para ele, finalmente, a disciplina do sofrimento cumpriu sua obra.
E com semelhante alvorecer da vida, quão glorioso poderia ter sido o dia da mesma, se houvesse Salomão em sua mocidade aprendido a lição que o sofrimento ensinara na vida de outros!

A PROVAÇÃO DE JÓ

Para os que amam a Deus, que "são chamados por Seu decreto" (Romanos 8:8), a biografia bíblica tem uma lição ainda mais elevada do préstimo da tristeza.
"Vós sois as Minhas testemunhas, diz o Senhor; Eu sou Deus." (Isaías 43:12) - testemunhas de que Ele é bom, e de que a Sua bondade é suprema. "Somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens." (I Coríntios 4:9).
A abnegação, que é o princípio do reino de Deus, é o princípio que Satanás odeia; ele nega até a existência do mesmo. Desde o início do grande conflito tem-se ele esforçado por provar que os princípios pelos quais Deus age são egoístas, e da mesma maneira ele considera a todos os que servem a Deus. A obra de Cristo e a de todos os que adotam o Seu nome, tem por fim refutar esta pretensão de Satanás.
Foi para dar com Sua própria vida um exemplo de abnegação, que Jesus veio em forma de humanidade. Todos os que aceitam este princípio devem ser coobreiros Seus e demonstrar na vida prática esse princípio. Escolher o que é reto porque é reto, estar pela verdade ainda que isto importe no sofrimento e sacrifício - "esta é a herança dos servos do Senhor, e a Sua justiça que vem de Mim, diz o Senhor." (Isaías 54:17).

Muito cedo na história deste mundo, apresenta-se-nos o relato da vida de alguém, sobre o qual se desencadeou essa guerra de Satanás.
A respeito de Jó, o patriarca de Uz, o testemunho dAquele que pesquisa os corações, foi: "Ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, e desviando-se do mal."

Contra este homem Satanás apresentou uma insolente acusação: "Teme Jó a Deus debalde? Porventura não o cercaste Tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? ... Estende a Tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem." ... "Toca-lhe nos ossos e na carne, e verás se não blasfema de Ti na Tua face!"
O Senhor disse a Satanás: "Tudo quanto tem está na tua mão." "Eis que ele está na tua mão, poupa, porém, a sua vida."
Permitido isto, Satanás destruiu tudo quanto Jó possuía: manadas, rebanhos, servos e servas, filhos e filhas; e ele "feriu a Jó duma chaga maligna, desde a planta do pé até o alto da cabeça." (Jó 1:8-12; 2:5-7).
Ainda outro elemento de amargura lhe foi acrescentado na taça. Seus amigos, não vendo naquela adversidade senão a retribuição do pecado, oprimiam-no com acusações de delitos o espírito ferido e sobrecarregado.
Aparentemente abandonado do Céu e da Terra, não obstante conservando firme sua fé em Deus e a consciência de sua integridade, exclamava, angustiado e perplexo:

"A minha alma tem tédio da minha vida. Oxalá me escondesses na sepultura,
E me ocultasses até que Tua ira se desviasse; e me pusesses um limite, e Te lembrasses de mim!" (Jó 10:1; 14:13)
"Eis que clamo: Violência! mas não sou ouvido; Grito: Socorro! mas não há justiça. ...
Da minha honra me despojou; e tirou-me a coroa da minha cabeça. ...
Os meus parentes me deixaram, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. ...
Os que eu amava se tornaram contra mim. ...
Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou."
"Ah se eu soubesse que O poderia achar! Então me chegaria a Seu tribunal. ...
Eis que se me adianto, ali não está; se torno para trás, não O percebo.
Se opera à mão esquerda, não O vejo; encobre-Se à mão direita, e não O diviso.
Mas Ele sabe o meu caminho; prove-me, e sairei como o ouro."

"Ainda que Ele me mate, nEle esperarei."
"Eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre a terra,
E depois de consumida minha pele, ainda em minha carne verei a Deus.
Vê-Lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros, O verão."

(Jó 19:7-21; 23:3-10; 23:15; 19:27)

Foi feito a Jó de acordo com sua fé.
"Prove-me," disse ele, "e sairei como o ouro." (Jó 23:10).
Assim foi. Por sua paciente persistência reividicou seu próprio caráter, e bem assim o dAquele de Quem ele era representante. E "o Senhor virou o cativeiro de Jó, ... e o Senhor acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía. ... E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro." (Jó 42:10-12).


No relatório daqueles que mediante a abnegação entraram na comunhão dos sofrimentos de Cristo, acham-se os nomes de Jónatas e de João Batista, aquele no Velho Testamento e este no Novo.

Jónatas - por nascimento herdeiro do trono e não obstante ciente de que fora posto de lado pelo decreto divino; o mais amável e fiel amigo de seu rival Davi, cuja vida ele escudava com perigo da sua própria; firme ao lado do pai através dos tenebrosos dias de seu poder em declínio, e a seu lado tombando, ele mesmo, finalmente - acha-se o seu nome guardado como tesouro nos Céus, e na Terra permanece como um testemunho da existência e do poder do amor abnegado.

João Batista abalou a nação, por ocasião de seu aparecimento, na qualidade de arauto do Messias. De uma para outra parte seus passos eram seguidos por vastas multidões constituídas de pessoas de todas as classes e condições. Mas quando chegou Aquele de Quem ele dera testemunho, tudo se mudou. As multidões acompanharam a Jesus, e a obra de João parecia encerrar-se rapidamente. Contudo não houve vacilação na sua fé. "É necessário," disse ele, "que Ele cresça e que eu diminua." (S. João 3:30).
Passou-se o tempo, e o reino que João confiantemente esperara não se estabeleceu. No calabouço de Herodes, separado do ar vivificante e da liberdade do deserto, ele aguardava e vigiava. Não houve exibição e armas, nem despedaçamento de portas de prisões; mas a cura de enfermos, a pregação do evangelho, o erguimento das almas humanas testificavam da missão de Cristo.
Sozinho no calabouço, vendo onde ia terminar o seu caminho e o de seu Mestre, João aceitara este encargo - a comunhão com Cristo no sacrifício. Mensageiros celestiais assistiram-no até ao túmulo. Os seres do universo, caídos ou não, testemunharam a reivindicação do serviço abnegado, feita por ele.
Em todas as gerações que se têm passado desde então, almas sofredoras têm sido amparadas pelo testemunho da vida de João. Na masmorra, no patíbulo, nas chamas, homens e mulheres, no decorrer dos séculos de trevas, têm sido fortalecidos pela memória daquele de quem Cristo declarou: "Entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista." (S. Mateus 11:11).


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"E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté (imagem com ele e a juíza israelita Débora - E.E.), ... e de Samuel, e dos profetas: os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.

"As mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e os outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra.

"E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa: provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados." (Hebreus 11:32-40)

Ellen G. White in Educação, Casa Publicadora Brasileira, 1977.


"AOS PAIS, PROFESSORES E ESTUDANTES, todos alunos na escola preparatória da Terra, é dedicado este livro. Oxalá os ajude a conseguir os maiores benefícios, desenvolvimento e gozo da vida no serviço aqui, e assim a habilitação para aquele serviço mais amplo, o 'curso superior', aberto a todo ser humano na escola do além." E.W.

"Para que nossos filhos sejam como plantas, bem desenvolvidos na sua mocidade; para que as nossas filhas sejam como pedras de esquina lavradas, como colunas de uma palácio." E.W.

"Refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória." II Coríntios 3:18.

"Respeitar o Senhor é a verdadeira sabedoria; conhecer o Deus santo é ter entendimento." Provérbios 9:10 (T.I.P.C.).


terça-feira, 14 de julho de 2015

DIA  DA  LIBERDADE  DE  PENSAMENTO


"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é Verdadeiro, tudo o que é Honesto, tudo o que é Justo,
tudo o que é Puro, tudo o que é Amável, tudo o que é De Boa Fama, se há alguma Virtude,
e se há algum Louvor, NISSO PENSAI."
Filipenses 4:8

"Sem fugir à realidade, potencializando o respeito pelos outros e preservando em tudo a verdade,
todos deveremos assumir o exercício da liberdade de pensamento."
Daniel Esteves

O CENTRO FAZ A DIFERENÇA

O tema do Grande Conflito, com o triunfo final de Deus, oferece-nos uma perspectiva universal da vida. (Links 1R)

         Quando Copérnico publicou em 1543 De Revolutionibus Orbium Coelestium (Sobre as Revoluções das Esferas Celestes), mal reconheceu que o mundo não mais seria o mesmo. O cientista mostrou que a Terra não era o centro estacionário do Universo; pelo contrário, ela e os outros planetas giram em volta do Sol. As opiniões desse católico polonês fiel sacudiram o fundamento de um velho dogma científico e religioso.
         Mesmo antes de Copérnico, houve pessoas que postularam que a Terra de fato girava em volta do Sol, mas a astronomia, influenciada por Aristóteles e Ptolomeu, operava sobre a premissa de que a Terra estava parada e que as mudanças nas posições das estrelas e planetas resultavam apenas do seu movimento, não do da Terra. Influenciada pela opinião grega, a teologia cristã logo a adotou.
         Por exemplo, considere a Divina Comédia, de Dante. O escritor coloca a Terra no centro do Universo e o inferno no centro da Terra. Dante permite sua imaginaçao viajar até às profundezas do inferno e depois subir através das várias esferas do céu até finalmente contemplar o trono de Deus na esfera mais elevada. A igreja medieval basicamente assumiu essa visão do Universo e fê-la parte do dogma cristão.
         Segundo a teologia medieval, o céu fica em cima, o inferno em baixo e no meio fica a Terra. Mudar qualquer destes da sua posição destruiria, muitos pensavam, a essência da concepção cristã que colocava a Terra no centro do Universo.

         Embora Copérnico dedicasse sua obra ao "Santíssimo Senhor Papa Paulo III",* a igreja por volta de 1616 baniu todos os livros, incluindo o de Copérnico, que advogavam que a Terra girava. Em 1633 a igreja proibiu que os católicos cressem ou ensinassem que a Terra girava. Somente depois de 1822 Roma permitiu a impressão de livros que ensinavam que a Terra girava ao redor do Sol!
         Os protestantes não estavam em posição muito melhor. Lutero chamou a Copérnico "um astrólogo arrogante", porque afinal, Lutero dizia, a Bíblia claramente ensina que "Josué mandou o Sol parar e não a Terra". Melanchton, citando Eclesiastes, trovejou que "a Terra permanece para sempre" e que "o Sol também se levanta, e o Sol desce, e se apressa para o lugar de onde se levantou", e atacou Copérnico. Calvino, citando o Salmo 93:1 "Firmou o mundo que não vacila", perguntou: "Quem porá a autoridade de Copérnico acima da do Espírito Santo?"

         Hoje, ninguém, católico ou protestante, crê que a Terra seja estacionária, ou que ela seja o centro do Universo. Contudo, às vezes penso que temos a tendência de construir nossa teologia de modo que parece manter a Terra no centro do Universo, se não fisicamente, mas teológica e espiritualmente.
Teologia com o Enfoque Correto

         Os adventistas do sétimo dia têm algo singular a oferecer ao mundo cristão: a nossa perspectiva bíblica, a nossa compreensão da grande controvérsia entre Cristo e Satanás. O que o tema do Grande Conflito mostra é que as questões referentes ao pecado, rebelião e à lei de Deus vão além da Terra, da humanidade e mesmo da nossa redenção.
         Assim, o tema inclui o Universo todo, uma perspectiva que deve ser mantida em mente a fim de se obter uma compreensão melhor das grandes verdades que a Bíblia advoga.
         Por exemplo, vejamos: há dois mil anos Cristo exclamou na cruz: "Está consumado!" Jesus venceu a Satanás no Calvário. Pagou o preço da nossa redenção. Porque, então, estamos ainda aqui depois de Jesus ganhar a batalha decisiva na cruz?

         Pois, se tudo que importasse fosse a nossa salvação, se toda a questão envolvida nessa experiência triste do pecado fosse livrar-nos do pecado, então este longo período de tempo, quase dois milénios depois da cruz, não faria sentido. Porque prolongar essa experiência miserável com o pecado, se Cristo obteve a nossa redenção na cruz?!
         Leia o que escreveu Ellen White, inspirada, ao falar da morte de Jesus: "Satanás não foi então destruído. Os anjos não perceberam, nem mesmo aí, tudo quanto se achava envolvido no grande conflito. Os princípios em jogo deviam ser mais plenamente revelados. E por amor ao homem, devia continuar a existência de Satanás. O homem, bem como os anjos, deviam ver o contraste entre o Príncipe da Luz e o príncipe das trevas."1
         Não vê você que a nossa salvação, embora central em todo o tema do Grande Conflito, não é o único fator envolvido? A questão do bem e do mal, no contexto do Universo, precisa ser plenamente resolvida, ou como Ellen White disse: "plenamente revelada", não somente para nós, mas também para os anjos.
         Questões referentes ao caráter de Deus, à justiça do Seu governo, à equidade das Suas leis, são questões cruciais que atingem outros, além de nós. Embora a batalha em si mesma, na sua maior parte agora, esteja sendo travada na Terra, as suas repercussões estendem-se pelo cosmos. A perspectiva cósmica é muito importante para ser minimizada, e é este alcance universal que devia dominar a nossa mente, em vez de uma perspectiva que centraliza tudo na nossa salvação.

Jó: Um Caso Típico

         Considere o livro de Jó. Começa com uma situação idílica e serena na Terra, enquanto há um conflito entre Cristo e Satanás no Céu. É lá que o livro de Jó localiza o conflito. Não sobre a Terra.
         Posteriormente o conflito transfere-se para a Terra. O Livro de Jó, creio, é um microcosmos de todo o cenário do Grande Conflito, que mostra que o pecado é um problema universal com repercussões além do nosso pequeno planeta.
         Pense nisto. Onde começou o pecado? Na Terra? Naturalmente que não. Olhe além da Terra e você verá que o pecado começou no Céu, com a rebelião de Satanás e dos anjos contra o governo de Deus. Embora disputada aqui, depois da guerra no Céu e a expulsão de Satanás e dos seus anjos, o problema não é limitado à Terra.
         Essa perspectiva cósmica pode nos ajudar a compreender melhor verdades como o ministério sacerdotal de Cristo no santuário celeste e o julgamento. O santuário é um modo como Deus nos ajuda a compreender essas questões. Do mesmo modo que o santuário terrestre ajuda a revelar o plano da salvação para nós, o santuário celeste ajuda a revelar o plano da salvação ao resto do Universo. É para isto que a cena do julgamento de Daniel 7 parece apontar. As hostes inumeráveis do Céu observam o julgamento em sessão. Bastaria isto para nos mostrar que as questões envolvidas no plano da salvação vão além de nós!

Deus, Nosso Centro

         Copérnico disse que a Terra não é o centro do Universo. Ele desafiou a humanidade a olhar para cima e contemplar a majestade do sistema cósmico no qual a nossa Terra é apenas uma pequena parte. Mudando de paradigma: um estudo pessoal aprofundado das Profecias Bíblicas mostrará a todos que, por mais importante que sejamos, as grandes questões do Universo convergem para o Grande Conflito entre Deus e Satanás, entre o bem e o mal.
         Assim, mais depressa do que pensamos, as palavras do profeta vão se cumprir: "O grande conflito terminou. Pecado e pecadores não mais existem. O Universo inteiro está purificado. Uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação. DAquele que tudo criou emanam vida, luz e alegria por todos os domínios do espaço infinito. Desde o minúsculo átomo até ao maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, declaram que Deus é amor."2
         
A  Questão  Agora  É:  Olharemos  Para  Além  De  Nós  Mesmos  E  Faremos  De  Deus
O  Centro  Do  Nosso  Pensamento,  Da  Nossa  Vida  E  A  Nossa  Esperança?

Robert S. Folkenberg foi Presidente da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, com sede em Silver Spring, Maryland, E.U.A., in Revista Diálogo Universitário 9:1, 1997.
Notas e Referências:
1. Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, págs. 731 e 732.
2. Ellen G. White, O Grande Conflito, pág. 684.

* (Não podemos chamar de Santíssimo a nenhum ser humano pois só Deus é imortal, nunca pecou, nunca falhou, e tem todo o poder:  1"Aquele que possui, Ele só, a imortalidade, e habita na Luz inacessível, a Quem nenhum dos homens tem visto nem pode ver." I Timóteo 6:16;  2"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." Romanos 3:23;  3"Deus não é homem, para que minta, nem filho do homem, para que Se arrependa; porventura diria Ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?" Números 23:19;  4"Jesus, olhando para eles, lhes disse: Para os homens isto é impossível, mas para Deus tudo é possível." Mateus 19:26.
Quando Jesus voltar, sim, então poderemos vir a ser imortais e não mais pecadores. Mas nunca, nenhum ser humano, Santíssimo! Este termo pertence, por direito, só à Divindade. Ser santo é o que Deus espera, já agora, de cada pessoa, mas Santíssimo é um atributo exclusivamente Seu. E graças a Ele por isso, porque aí está a Nossa Esperança! A Nossa Confiança! E a Nossa Paz! E.E.)
Pode ler sobre Santificação em Leituras para a Vida, 24.10.2014, Links 1R.



CURVATURA  DO  TEMPO  NO  MURO  DAS  LAMENTAÇÕES
         
Há dois anos levei o meu filho a Israel, tendo eu pregado em Jerusalém e, no Sábado seguinte, em Tel Aviv. Foi impecável: um Judeu a pregar em Jerusalém e, ainda por cima, no Sábado do sétimo dia. Não é uma imagem que, quando estava a crescer, associasse a mim mesmo.
Entre reuniões, ficámos parados, uma manhã, diante do Muro Oeste do Monte do Templo. Fomos com Elhanan ben Abraham, um Judeu crente em Jesus que, 33 anos antes, me tinha batizado no Rio Jordão, na Galileia. Enquanto ali estávamos à sombra do antigo muro, um Judeu ortodoxo aproximou-se e perguntou se éramos Judeus. Quando respondemos que sim, ele perguntou se queríamos "atar um tefillin". Concordámos em fazê-lo. Atar um tefillin é um ritual em que se enrola, com fios, uma caixa negra no braço e outra na testa. Está baseado em Deuteronómio 6:8: "Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por testeira entre os teus olhos." Em cada caixa estão porções da Torah, excertos de Êxodo e de Deuteronómio. Após as caixas estarem colocadas no lugar apropriado, recitam-se algumas bênçãos em Hebraico, incluindo uma que se pode traduzir assim: "Bendito és Tu, Senhor nosso Deus, que nos santificaste com os Teus Mandamentos e nos ordenaste que usássemos tefillin."

Após termos acabado, Elhanan e eu começámos a testemunhar da nossa fé. Perguntámos-lhe acerca do Messias, e fizemo-lo saber que acreditávamos que o Mosiach ("Messias" em Yiddish) já tinha vindo e que Ele é Jesus de Nazaré. Lembro-me de o Judeu ter erguido a palma da sua mão e depois tê-la projetado em direção ao chão, como se lançando a ideia por terra. Alguns homens, que também eram Judeus ortodoxos, aproximaram-se de nós e começámos uma discussão e tanto. Esta tornou-se intensa, mas nunca descontrolada, e acabámos por vir embora.
Apenas mais tarde, a partir da perspetiva variada que a passagem do tempo dá a qualquer evento, é que me apercebi do caráter incrível do que acontecera: Ali estávamos nós, Judeus, 2000 anos após a Cruz, na área do Templo de Jerusalém, e discutindo sobre o facto de Jesus ser o Messias!
Ora, ora!
Pense em toda a História que já se desenrolou desde os dias em que Estêvão, ou Paulo, ou Pedro ou qualquer outro dos primeiros crentes em Jesus estiveram nesta área, a mais ou menos 50 metros quadrados de onde nós estávamos, e fazendo o mesmo que nós! Nações e impérios vieram e passaram, substituídos por outras nações e impérios, que também vieram e passaram. Grupos étnicos inteiros surgiram e desapareceram. Novos continentes foram "descobertos" e novas religiões foram lançadas, enquanto religiões antigas se evaporavam. Quando Pedro e João falavam acerca de Jesus na mesma área em que nós o fizemos, o mundo ainda tinha que esperar 1500 anos por Copérnico, 1600 anos pelo Princípio de Newton e mais de 1900 anos pelo iPhone.


Embora fosse mínima a diferença do espaço entre o lugar onde estávamos a falar com outros Judeus sobre Jesus e o lugar onde Pedro, Tiago e João o tinham feito, talvez mensurável em metros, a diferença no tempo era tão vasta, as mudanças no mundo tão monumentais, que seria como se estivéssemos em Planetas diferentes, e não à distância do lançamento de uma pedra.
No entanto, apesar do desenrolar de séculos que se transformaram num milénio e, mesmo, em quase dois milénios, ali estávamos nós, Judeus, nos terrenos do Templo, testemunhando e argumentando com outros Judeus acerca de Jesus de Nazaré. É como se todos aqueles longos anos nunca tivessem acontecido. Uma curvatura do Tempo no Muro das Lamentações.
A mensagem do primeiro anjo diz o seguinte: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o Evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a Terra, e a toda a nação e tribo e língua e povo" (Apoc. 14:6). É o Evangelho eterno, a esperança da vida eterna, "o qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos" (Tito 1:2). O núcleo do Evangelho é a intemporalidade. Assim, quer seja pregado nas montanhas da Patagónia ou proclamado no ar pela Rádio Mundial Adventista ou, mesmo, debatido entre Judeus à sombra do Muro das Lamentações, no ano 50 d.C., ou no ano 2011 d.C., a verdade do Evangelho permanece a mesma, e fomos chamados, como outros antes de nós, para a proclamarmos!"

Clifford Goldstein, Editor do Manual da Escola Sabatina, in Revista Adventista, Agosto 2013. Pode conhecer mais sobre o autor em Leituras para a Vida, 19.01.2014.




REVELAÇÃO DE DEUS

A natureza, criação de Deus, revela o seu Criador: "Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem linguagem, sem fala, ouvem-se as suas vozes" (Salmo 19:1-4). Maravilhado, o salmista exclama: "Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem mortal, para que te lembres dele, e o filho do homem, para que o visites?" (Salmo 8:3, 4).
Mas a maior e mais perfeita revelação de Deus é Jesus Cristo, que veio a este mundo para O revelar. "Eu e o Pai somos um", disse.
"Quem me vê a mim vê o Pai" (S. João 10:30; 14:9).
Contudo, pode acontecer não conseguirmos vislumbrar, na criação, a glória e majestade do Deus Criador, ou não sermos capazes de ver o Seu poder redentor nas nossas vidas. Então, há uma outra revelação de Deus, Verbo Eterno Criador e Redentor, a Sua Palavra, à disposição de todo o homem: a Sagrada Escritura.

   

Os cristãos sempre consideraram que Deus falou e continua a falar aos homens através da história e da literatura bíblicas, porque, como diz o apóstolo Pedro, as Escrituras não foram produzidas pela vontade de homem algum, "mas os homens santos de Deus falaram, inspirados pelo Espírito Santo" (II S. Pedro 1:21). Deus preservou a Sua Palavra, para que nela nós pudéssemos achar o caminho de volta a Deus, através de Jesus.
De facto, Jesus é o centro das Escrituras e o seu estudo leva-nos, certamente, aos pés do Salvador. O próprio Jesus disse: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de Mim testificam (S. João 5:39).
Do Génesis ao Apocalipse, dos profetas aos apóstolos, as Escrituras dão testemunho de Jesus. Ele é o Criador, por Quem "todas as coisas foram feitas" (S. João 1:3); o Redentor prometido, ainda no Éden, aos nossos primeiros pais (Génesis 3:15), que "veio salvar o que se tinha perdido" (S. Mateus 18:11); "Aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas" (S. João 1:45); e é o Rei vindouro que no livro da Revelação declara: "Certamente cedo venho" (Apocalipse 22:20).

Pouco depois da morte de Jesus, dois dos Seus discípulos dirigiam-se à aldeia de Emaús e iam comentando esse doloroso acontecimento. O Divino Ressuscitado aproximou-Se deles, mas não O conheceram, e perguntou-lhes qual a razão da sua tristeza. Relatando-Lhe os factos ocorridos em Jerusalém, um deles teve este desabafo: "E nós esperávamos que fosse Ele o que remisse Israel."
De que modo Se revelou Jesus àqueles homens? "Começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que d'Ele se achava em todas as Escrituras" (S. Lucas 24:2-27). Essa explicação transformou a sua tristeza em alegria, mudou o seu desespero em fé e esperança. E diziam: "Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? (Vers. 32). Pelas Escrituras chegaram ao (re)conhecimento de Jesus.
Hoje, quando queremos dar cumprimento ao mandato evangelístico que Jesus nos confiou, as Sagradas Escrituras são também "a palavra da fé, que pregamos" (Romanos 10:8), que pode fazer os homens "sábios para a salvação" (II Timóteo 3:15), levando-os a Cristo.


Filipe, notável evangelista dos tempos apostólicos, a quem "as multidões unanimemente prestavam atenção"
e "se baptizavam tanto homens como mulheres" (Actos 8:6, 12), usou as Escrituras com grande êxito.
Quando o Espírito Santo o enviou ao caminho deserto de Jerusalém a Gaza, e ele se encontrou com um viajante solitário,
alto funcionário e administrador de Candace, rainha da Etiópia,
reparou que este ia lendo o profeta Isaías (Isaías 54:7-8).
Filipe perguntou-lhe:
- Entendes o que estás a ler?
- Como é que eu posso entender, se ninguém me explicar?
E convidou Filipe a subir e a sentar-se com ele no carro. Então, Filipe, "começando nesta escritura, lhe anunciou a Jesus".
A certa altura, chegaram "ao pé de alguma água", e o viajante perguntou:
- Eis aqui água! Há alguma coisa que impeça que eu seja baptizado?
Filipe respondeu:
- Se tu crês de todo o coração, não há nada que impeça.
Disse então o oficial etíope:
- Eu creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.
"E mandando parar o carro, entraram os dois na água e Filipe baptizou-o" (Actos 8:26-40).


Neste número de Sinais dos Tempos, gostaríamos de convidar o Leitor, ou Leitora, a fazer também um percurso:
a descobrir e encontrar na Palavra de Deus,
essa outra Palavra, o Verbo Divino, Jesus Cristo, Autor e Centro da Escritura Sagrada.

Prouvera a Deus que chegasse à mesma conclusão que este oficial etíope:
Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus!

Linda Meditação de Maria Rosa Baptista, publicada no Editorial da Revista Sinais dos Tempos, nº 51, 1994. Licenciada em Letras pela Universidade de Lisboa, para além de Professora, a Dra Mª Rosa foi durante muitos anos a excelente Secretária da União Portuguesa dos Adventistas do 7ª Dia, em Lisboa, Portugal.