terça-feira, 15 de maio de 2012

Aprendendo Com Os Problemas dos Outros... PARA TER UMA FAMÍLIA MAIS FELIZ

À beira dos 50 anos, ela olha para o passado, recorda o casamento depois de breve namoro, e só tem motivos para sofrimento e lágrimas.
Aparentemente, sob todos os aspectos, eles, marido e mulher, são muito diferentes.
Em nada combinam: a começar pela imagem que ele tradicionalmente possui da mulher: 'um objecto ao serviço do seu exclusivo capricho'. Ciúmes, correspondência violada, grosseria, discussão, ameaças, desrespeito. Um inferno. Na vizinhança ninguém percebe. Na igreja que frequentam ninguém sabe.
Qual a solução do Dr. Belisário Marques para
Esposa Desesperada?

Dr Belisário

Preciso desesperadamente de falar com alguém e há pouco estava a ler a revista Mocidade quando pensei em lhe escrever. São coisas que não se falam com ninguém, ou pelo menos eu não sinto coragem de falar, mas quem sabe com alguém que é estranho e está longe, seja mais fácil. Peço licença para tratá-lo por 'você', por ser também mais fácil, e peço licença para derramar as minhas palavras assim como são, o joio e o trigo, esperando encontrar em você um amigo com capacidade para passar tudo numa peneira, deitar fora o que não presta e esquecer. Mas que tenha um coração bastante grande e caridoso para me ajudar na medida do possível.

É muito difícil para mim expressar-me. Tenho 48 anos, meu marido 52, um menino de 12 anos e 3 filhas adultas, já fora de casa. E uma netinha.
Parece que não falta nada para sermos felizes, mas assim não acontece. É quase um inferno a vida em casa. Você entende que a gente vai ficando com o sistema nervoso confuso, esgotado, e já não sabe o que é certo ou errado, parece que a consciência fica doente, sem discernimento. Gira, gira e chega ao mesmo ponto. É assim que eu estou, e isto é horrível.

Enjoei-me completamente do meu marido. Há umas 3 semanas que passei a dormir separada. Ele chama-me de diabo e tudo o mais. Creio que a solução mais certa seria se eu morresse, mas isso pertence a Deus decidir. A alegria de viver para mim acabou quando me casei, mas a gente vai lutando.
Tenho tentado de tudo, e ao pensar em escrever a você, comecei a voltar pelo caminho percorrido. Não pense que sinto que seja uma questão de idade, menopausa. Pode estar concorrendo mas essa não é a causa. Desde moça que nunca fui muito ardente, ou muito forte, mas creio que sou mais ou menos normal, se bem que educada nos moldes daquele tempo onde o recato estava presente.
Para o meu marido, o sexo sempre foi a coisa principal na vida. Ele sempre dizia que se um dia deixasse de ser homem, se mataria pois isto é a única coisa que faz um homem feliz.
Eu já entendo de uma maneira diferente: é um ângulo da vida, como os outros; nem todos funcionam mas podem ser substituídos ou preenchidos por tantas coisas! Acho que o sexo deve ser algo maravilhoso para viver a dois, compartilhado, resultado de uma compreensão, comunicação ou sei lá o quê, mesmo uma atracção, como também entendo que o homem possa ter uma natureza mais forte, mais necessidade, etc.

Bem, mas voltando atrás, chego ao dia do nosso casamento. Você me permite e me perdoa as expressões que vou usar ... ele disse-me que não tinha a certeza se eu era virgem... Fiquei triste porque nem sequer tivera outro namorado nem contacto de espécie alguma. Quando chegámos a casa ele me disse: "Olha, agora você é casada e eu sou suficiente na sua vida. Não gosto e não quero saber de amizades, visitas ou parentes." Quando saímos para os primeiros passeios ele voltou amuado e não falou por quinze dias. Depois fiquei a saber que eu "tinha olhado para o cobrador do autocarro". E isso aconteceu durante toda a vida, ciúmes dos cunhados, de todo o mundo... do namorado da filha nem se fala, ele "tinha a certeza"... Foi vexame contínuo. Mas sempre achei que casamento é para toda a vida e fui suportando. Sem amigos, solidão e tristeza.

Mas devia ter-lhe falado, antes, nas qualidades. Ele é trabalhador, ajudava a cuidar das crianças à noite e nas doenças. Nós nos conhecemos em S. Paulo e nos correspondemos. Não houve conhecimento bastante, creio que isso foi uma coisa negativa...
Nunca fomos amigos. Nunca conseguimos conversar, os nossos mundos são tão diferentes! Ele só fala em sexo. Sempre lhe supliquei para não me repetir as piadas sujas, imundícies que os homens praticam com mulheres. Explicava-lhe que isto me prejudicava muito. É como se a mulher fosse um objecto de diversão para o homem e não um ser humano com dignidade. Isto foi-me fazendo criar nojo dele e até de mim mesma como mulher. Aliás a conversa dele sempre foi rebaixando a Mulher. Muitas noites chorei com vontade de conversar com alguém coisas comuns da vida, ser uma pessoa e não um objecto.

Tudo foi piorando e cheguei a um ponto em que o meu corpo tem calafrios e não suporto nem o cheiro dele, mas até agora nunca deixei de servi-lo apesar de tudo. Só que agora já não dá mais. Se tiver de perder o Céu, que é a única coisa porque tenho lutado durante a vida toda, perderei!...

Tenho muita tristeza e pena dele. O seu mundo ruiu. Agora que se aposentou, fica em casa vendo novelas, confere os modelos desportivos da Lotus, e queria gozar a vida. Tudo o mais acabou. Nunca conseguimos dialogar. Ultimamente temos algumas discussões aos gritos onde ele me diz: Mulher é (...), perdoe-me a expressão. Tenho os meus direitos e necessidades, minha natureza, etc.
Agora pergunto-lhe: seria justo da parte de Deus que a mulher viva oprimida feita capacho para o homem?! Não tenho muita instrução, mas penso que ele é 'machista' - sempre diz que a mulher precisa de ser ignorante para o homem dominá-la. Puxa, o que sou afinal?!
Nestes últimos anos tenho lido muito e mantido correspondência. Isso me ajudou bastante, mas agora ele abre-a, viola a minha correspondência. Se leio bons livros diz que quero virar santa; se visito um doente diz que faço caridade aos outros e não a ele. E os ataques à minha moral continuam.
Agora sou avó, é uma coisa maravilhosa, mas exijo-lhe um pouco mais de respeito. Chega de calúnias e ciúmes idiotas. Creio que a desconfiança é uma peste incurável. A pessoa autocrata destrói os outros e a si mesma.

Dr. Belisário, não imagina o meu desespero: detestar o homem que eu amo e respeito como pai dos meus filhos. Que fazer? A nossa casa já era triste, com ele sempre de mau humor, acusando todo o mundo ou se fazendo de vítima, agora então... Mas separar-me seria horrível! Quase ninguém nota nada - na igreja e na vizinhança é tudo normal e ele é simpático. Às vezes bate no ombro das pessoas, sorri, e depois diz-me em casa: "Não quero saber desse fulano aqui porque é um chato".

E aqui está a minha confusão: estarei perdida para o meu Deus? Obrigou Deus a mulher a servir o homem por toda a vida, sob pena de perder o Céu?! Onde na Bíblia diz isso?! Ele diz que a minha religião é falsa, e algumas vezes quando leio na Bíblia sobre ter misericórdia, perdoar sempre, etc, fico perplexa. Como ser humano, como filha de Deus, desejo-lhe todo o bem, procuro fazer tudo o que me é possível, mas o meu corpo quer paz, aliás, corpo e mente agem juntos. Creio que o meu mal seja mais psicológico. Procurei tratar-me com médicos de confiança mas nada adiantou.

Ele escreveu a um Conselheiro de Famílias e depois esfregou-me a resposta no nariz, onde dizia que a esposa não se pode negar de maneira alguma, etc, etc. Será que Deus tem mandado certas pessoas darem conselhos quanto à vida íntima dos outros?!

Sabe, quando uma mulher aparentemente normal se suicida e ninguém sabe porquê, eu fico imaginando que sei...

Nesta vida existem coisas e situações quase insolúveis, e creio que dar conselhos específicos é uma grande responsabilidade. É por esse motivo que recorri a você para este desabafo. Você ajuda a clarear as coisas para que as soluções apareçam, e creio que é um dom precioso, e deve mesmo ser repartido, porque é raro e há muita falta pelo mundo de um ouvido para ouvir e uma palavra amiga.
Se eu tivesse bases, gostaria de estudar e ser mais útil aos outros. Mesmo assim sempre procurei ajudar as pessoas com mensagens, pensamentos - sempre de longe porque de perto não dá. Eu fui criada num lar onde a hospitalidade e a franqueza, o amor e a amizade eram a nota tónica. É tão gostoso amar, dar e receber sem interesse. Os meus velhinhos estão lá na sua casa - de longe vêm pessoas vê-los e amá-los e são tão felizes!

Mas que faço na vida, se precisar de me sustentar? Tenho entregue a Deus as nossas vidas e a sua solução. Tenho medo que ele se mate, se não conseguir uma mulher. Aliás há anos que ele anda atrás delas mas sempre no lugar errado. Procura mulheres casadas e até amigas, mas elas fazem que não entendem... Ele não se preocupa que as pessoas percam o Céu, contanto que o corpo dele seja satisfeito!
Por favor, se você conseguir ler tudo isto, eu agradeço-lhe o sacrifício. Se me puder ajudar será bom, mas não me recomende conversar com guias espirituais que não quero. Já não se fazem mais lideres espirituais como antigamente.

Ah! Se puder, na sua coluna da revista Mocidade, algum dia esclarecer aos moços que Mulher não é sinónimo de sexo, eu creio que seria útil...
Esposa Desesperada

             Prezada Senhora

Pensei muito na sua carta. Fiquei na dúvida se a publicaria ou não... Cheguei à conclusão que sim.
Não vou dizer muito. A carta fala por si mesma. Creio que ela revela muitas lições, indica as muitas preocupações que se devem ter ao escolher um companheiro para toda a vida. Levanta uma série de tópicos importantes na vida do ser humano. É o testemunho de uma vida e um grito de desespero.
Gostaria, entretanto, de dizer algumas palavras:

Pertencer a uma organização religiosa, qualquer que ela seja, não é indício de religiosidade. O ser humano, enquanto estiver neste mundo é falível, fraco, limitado e cheio de imperfeições. E cabe a cada um de nós procurar viver da melhor maneira possível sem fazer os outros sofrerem. Agora quando o erro, desejos, vontades dos outros violam, violentam, ultrajam o nosso próprio ser, precisamos de fazer algo.

Outra coisa: morrer não é solução para coisa alguma. Nem morrer em certas guerras resolve os problemas. Tirar a vida, resolve menos ainda. Creio piamente que todos temos uma vocação, um chamado, uma missão para cumprir enquanto velejamos pelo mar da vida. E nenhuma outra pessoa pode cumpri-la em nosso lugar. Por isso valorizo muito a vida. Creio na vida! Amo a vida, apesar de saber que a qualquer momento ela poderá escapar-me das mãos.

Um ponto que me despertou a atenção foi a falta de informação do seu marido por ocasião do casamento. A insensibilidade com que a tratou, como lidou com a situação. Infelizmente é uma atitude muito comum ainda hoje.
Por falar em sexo, não creio que pessoa alguma seja obrigada a praticar sexo sem vontade. Aliás quanto eu entenda é considerado crime de estupramento. Não creio em sexo para provar nada. Não creio em sexo para satisfazer um, contra a vontade do outro. Sexo é o resultado de um bom relacionamento, um bom entrosamento. É o coroamento de um relacionamento gostoso. Aliás, de acordo com a Bíblia, ele está associado ao companheirismo entre o homem e a mulher, instituído no Céu. Sexo à força, por obrigação, eu não conheço nem creio ser o tipo desejado e recomendado por Deus.

Agora, há um lado difícil. À medida que a gente vai entrando nos anos, certas características vão ficando mais definidas. Quando se chega à menopausa e à reforma, surge uma crise muito grande na vida. Talvez fosse bom esperar que passe essa crise. É uma fase muito difícil para os dois. Não creio que isto conforte você, mas alguns casais que conseguem transpor esta crise depois se aceitam melhor e acabam tendo um fim de vida mais tranquilo. Mas para isso acontecer precisam de discutir, brigar - sem se agredir fisicamente - conversar muito. Fazer uma verdadeira limpeza por dentro de todas as mágoas acumuladas através das primaveras e outonos da vida. Enquanto há raiva, há esperança, porque em geral temos raiva de quem amamos. O pior é a indiferença, a apatia e a passividade sentimental.

Disse para você que ia deixar a sua carta falar sozinha e aqui estou, com a cabeça cheia de coisas para escrever. Não vou fazê-lo. Vou deixar muitas das suas perguntas no ar. Talvez porque para algumas eu também não tenha resposta e é justamente aí que está o valor delas. Deixar que cada um pense!
Coragem! Sucesso na sua vida. A resposta virá... sempre há uma porta para ser aberta. É só continuar.

Dr. Belisário Marques, Psicólogo  -  Revista  Mocidade,  Casa Publicadora Brasileira

"O amor não é o resultado de uma satisfação sexual adequada; pelo contrário, a felicidade sexual é o resultado do amor."
Erich Fromm

domingo, 6 de maio de 2012

SACRIFÍCIOS das MÃES

- de Sangue e do Coração -


A LONGA JORNADA

Enquanto me dirigia para Cheng Tsuen, resolvi que eu mesma levaria as crianças para Xensi. Era impossível mantê-las na área de combate por mais tempo, e por essa altura já se podia perceber que alguma coisa devia ter acontecido ao Sr. Lu.
Demorou muito para eu ficar a saber que ele tinha conseguido passar a salvo com o grupo de crianças, e estava a voltar quando foi preso e levado para ser julgado por um tribunal militar. Como o seu dialeto era de Tsincheng, que estava ocupada pelo inimigo, as autoridades recusaram-se a crer na história dele, e prenderam-no sob a suspeita de ser um espião japonês.

Os meus amigos tentaram dissuadir-me da viagem.
- Estamos a muitos quilómetros de Siã, e a senhora não tem comida nem dinheiro para transportar 100 crianças. Pode ser que consiga atravessar se for sozinha, mas não com esse bando de pequeninos - disseram.
- O Senhor cuidará de nós - repliquei. - Creio que estas crianças precisam de ir para Xensi, e não há mais ninguém que possa levá-las. Digam para os maiorzinhos que aprontem os menores, e digam que vamos dar um longo e lindo passeio.
- Mas para que lado a senhora irá? Os japoneses controlam todas as estradas!
- Então precisaremos de atravessar as montanhas e descer até ao rio Amarelo.
- Cruzar as montanhas com todas estas crianças? A senhora deve estar louca!
- Elas não estão a salvo aqui. Qualquer dia destes podem ser bombardeadas e morrer. Há perigo para elas por toda a parte, até que cheguem à região livre da China.

Procurei o prefeito e pedi cereais para a viagem. Depois de muito argumentar, ele disse:
- Dar-lhe-ei o suficiente para chegar à próxima cidade, Ai-weh-deh, e mandarei dois homens para carregar o alimento para a senhora. Admiro a sua coragem, mas é uma loucura.

Saímos bem cedinho na manhã seguinte - cem crianças, cujas idades iam desde menos de três anos até dezasseis.
No começo, algumas delas, excitadas, iam correndo à frente, outras caminhavam sem pressa, e ainda outras precipitavam-se a esmo. Mas à medida que vencíamos a distância, acalmaram-se e contentaram-se em seguir a estrada. As maiores ajudavam as menores, muitas veres carregando-as às costas.
Os dois homens viajaram connosco aquele primeiro dia, e, no dia seguinte, recrutei dois na próxima vila. Os habitantes das cidades e vilarejos ajudavam-nos se podiam, mas a comida andava escassa.

Em muitos lugares não havia estrada, apenas uma trilha de mulas, e a caminhada era morro acima. Dormíamos à beira da estrada ou nos templos. Certa vez pernoitámos num acampamento militar, mas geralmente dormíamos onde nos encontrávamos, a céu aberto. Não possuíamos cobertores, e, para manter-nos aquecidos durante a noite, apertávamo-nos uns contra aos outros. Pedíamos comida pelo caminho, mas muitas vezes o nosso jantar era uma sopa rala. À medida que os dias passavam, as crianças foram ficando irritadiças, dando sinais de exaustão, e muitas lágrimas eram vertidas.
- Ai-weh-deh, os meus pés estão a doer! Os meus sapatos estão furados! Ai-weh-deh, a minha barriga está doendo. Não consigo mais andar.
As crianças mais velhas estavam cansadas demais para carregar as menores, e as nossas marchas foram ficando cada vez mais curtas.

Eu fazia tudo o que podia para desviar a sua atenção das dores e sofrimentos, e fazê-las continuar a penosa caminhada. Cantávamos todos os hinos e corinhos que conhecíamos. Às vezes, eu começava a dizer um texto como: "Louva ao Senhor, ó minha alma", e as crianças respondiam: "E tudo o que há em mim, louve o Seu santo nome" ou então eu dizia: "Jesus Cristo veio a este mundo" e elas gritavam: "para salvar os pecadores". Um nó formava-se na minha garganta, e lágrimas subiam-me aos olhos ao ouvi-las cantar: "Conta as Muitas Bênçãos" quando, no momento, tinham tão poucas bênçãos para contar.

Por doze longos e exaustivos dias, e doze noites enregelantes, continuámos a nossa luta. Quanto distava ainda o rio Amarelo? Quantos dias ainda teríamos de caminhar? Quantas montanhas precisaríamos ainda de atravessar? Eram essas as primeiras perguntas que fazíamos ao chegar a alguma vila.

Afinal, escalámos a última cordilheira, e diante dos nossos olhos descortinou-se brilhando ao sol, qual fita dourada a nos acenar, o rio Amarelo!
- Olhem, lá está Yuen Chu! - gritaram as crianças mais velhas para as menores. - Quando chegarmos lá, teremos o que comer e poderemos remar e nadar.
Mas a pequena cidade de Yuen Chu, localizada nas margens do rio, estava deserta. As casas, vazias. Não havia alimento algum, e as crianças, desapontadas, choraram amargamente.
Finalmente, encontrei alguns soldados.
- Podem dar-nos um pouco de comida? - implorei.
- Quantos são?
- Cem crianças.
- É impossível dar de comer a tanta gente.
Somente temos rações para três dias, e só para nós. Daremos um pouco a vocês, mas de que valerá isso para cem?
- Será que existe alguma comida na cidade?
- Nem um bocadinho! A cidade foi evacuada. Os japoneses estão para chegar. O nosso exército bateu em retirada para o outro lado do rio, e não deixou nada para o inimigo.
Fizemos uma sopa rala e tomámo-la à beira da estrada, e a seguir levei o meu grupo desanimado, desapontado, exausto, até ao rio, perto da balsa (ferry boat).
- Se ficarmos aqui, tomaremos o primeiro barco amanhã cedo - disse, com tanto entusiasmo quanto pude conseguir. Banhámos os pés cansados e deitámo-nos na margem do rio para dormir.

As crianças acordaram muito antes do dia raiar. - Estamos com tanta fome, Ai-weh-deh. Não há comida para nós? - perguntavam.
- Logo estaremos do outro lado do rio, e há muita comida lá. Não vai demorar muito para os barcos chegarem.
Esperámos, forçando os olhos para ver na outra margem. Mas, muito tempo depois do dia clarear, não víamos nem sinal de movimento no outro lado. Percebi, então, que os barcos tinham parado de funcionar, mas nada disse às crianças, embora as mais velhinhas também logo o percebessem.

Finalmente, chamei seis dos meninos mais velhos.
- Voltaremos à cidade para ver se conseguimos encontrar alguma coisa. Os outros precisam de ficar aqui, caso a balsa chegue.
Caminhámos até à sede do acampamento militar, onde perguntei ao capitão:
- Algum barco vai atravessar o rio hoje?
- O rio está fechado. Não vai haver barco nenhum, porque estão todos do outro lado.
- Mas, e a balsa?
- Ela também está fechada. Não há nada que possamos fazer. Os japoneses estão para chegar a qualquer momento.
Caí de joelhos diante deles e implorei que dessem comida para as minhas crianças, mas nada fizeram. Fui a outro posto militar e pedi uma vez mais. O pessoal ali mal podia acreditar que o que lhes dizia era verdade.
- De onde a senhora está vindo?
- Caminhámos de Yangcheng pelas montanhas. Foi uma viagem terrível.
- Dar-lhes-emos um pouco de comida, mas só temos o bastante para as crianças menores. Não podemos alimentar a todos, de forma alguma.

Eu estava quase desesperada. A noite toda preocupava-me e orava, orava e preocupava-me. Minhas forças chegavam ao fim.
Se pelo menos não estivesse sobrecarregada com todas essas crianças, pensei com amargura. Ninguém mais se importou com elas. Porque tive que me meter a mim e a elas nesta situação?
Então, uma voz falou: "Morri por essas crianças e amei a cada uma delas. Dei-lhas para que, por amor de Mim, tomasse conta delas."
Assim, as horas foram passando até o raiar do dia. Uma menina de treze anos, chamada Sualan, veio e ficou parada ao meu lado.
-Ai-weh-deh, a senhora se lembra que quando Deus chamou a Moisés, ele fez o povo de Israel atravessar o mar Vermelho a seco, e todos eles chegaram a salvo do outro lado?
Sacudi a cabeça, assentindo. Sualan sorriu docemente para mim, ao perguntar:
- A senhora acredita nessa história?
- É claro que acredito! - repliquei prontamente.
- Jamais ensinaria a vocês alguma coisa em que não acreditasse.
- Então, por que nós não atravessamos? - perguntou ela com simplicidade.
Essa pergunta me sacudiu.
- Mas eu não sou Moisés - falei, com voz entrecortada.
- É claro que não, mas o Senhor ainda é Deus!
Foi como se tivesse recebido um golpe físico. Todos esses anos em que estivera a pregar, acreditara realmente que Moisés tinha feito o povo de Israel atravessar o mar Vermelho? Acreditara que as águas se tinham afastado e erguido quais muros dos dois lados enquanto eles passavam a pé enxuto? Eu apostara a minha vida no grandioso poder de Deus. Por que duvidava agora?
Voltei-me para Sualan.
- Vamos atravessar - disse-lhe.
E realmente acreditava que sim. Sualan chamou algumas das crianças mais velhas para se reunirem connosco e ajoelhámo-nos em oração. Sualan orou com simplicidade: "Estamos aqui, Senhor, apenas à espera que o Senhor abra o rio Amarelo para nós."
Curvei-me em silêncio, mas no meu coração dizia: "Ó Deus, este é o meu fim. Nada mais posso fazer. Cheguei ao fim. Nada sou. És somente tu, Senhor, agora. Ó Deus, não nos desampares. Salva-nos, prova que és poderoso".

Alguns dos meninos menores vieram a correr.
- Levantem-se, levantem-se! - gritaram. - Há um homem grande aqui!
Ao me levantar, eu tremia da cabeça aos pés. Um oficial chinês estava a observar-me.
- A senhora é a responsável por estas crianças? - perguntou.
- Sim.
- Quantas são?
- 100.
- O que estão a fazer aqui?
- Esperando para atravessar o rio.
- Mas, quem é a senhora?
- Sou Ai-weh-deh, da missão de Yangcheng.
- A senhora está louca? Não sabe que estamos esperando um ataque japonês a qualquer momento? Não sabe que aviões japoneses estão patrulhando o tempo todo? Se virem estas crianças, vão passar fogo nelas. E por falar nisso, quem são estas crianças?
- Somos refugiados tentando chegar a Sian.
- Refugiados! Então por que não atravessaram o rio há muito tempo atrás?
- Não conseguimos barco.
- A senhora não esperava que deixássemos barcos para os japoneses, ou esperava?! Mas vou fazer um sinal pedindo um agora.
Ele deu um assobio longo e grave, como o de um pássaro marinho: "Uu-Uu-Uu" e ergueu o braço.
- O barco virá imediatamente. Há um vilarejo do outro lado onde a senhora pode conseguir alimento.
- Oh, muito obrigada.
- Está cuidando sozinha de todas estas crianças?
- Sim.
- Mas a senhora é estrangeira, não é?
- Sim.
- Escolheu uma estranha ocupação.
Mal ele acabara de falar e as crianças gritaram excitadas que o barco estava a vir. O barco precisou de fazer diversas viagens.
As pessoas da cidade levaram as crianças para as suas casas e deram-lhes de comer até não conseguirem mais. Então, as crianças contaram a viagem terrível que tinham feito através das montanhas.
- Todos nós, os maiores, ajudávamos a carregar os pequeninos - gabavam-se. - E Ai-weh-deh estava sempre carregando um ou dois dos doentes. E quando chegámos ao rio, esperámos, e esperámos por um barco. Orámos para que o rio se abrisse para que pudéssemos atravessar como o povo de Israel atravessou o mar Vermelho, mas Deus sabia que estávamos tão cansados de andar que Ele mandou um barco, e assim foi muito melhor.
Depois de descansarmos alguns dias, partimos outra vez mais, em direcção a Mienchin, onde tomaríamos um comboio que nos levaria a Siã, que ainda estava longe.
As crianças nunca tinham visto um comboio. Ao primeiro sopro da locomotiva e ao silvar do apito, soou um forte grito de terror, e as crianças desapareceram. Tiveram de ser retiradas de debaixo de carroças, de dentro de barris, de atrás de portas. Com dificuldade, foram persuadidas a embarcar.
Em Xanchow o comboio parou. Um carregador gritou:
- Desçam todos, desçam todos. Este comboio não vai continuar, precisam de descer.
- Mas há trilhos à nossa frente; posso vê-los - argumentei.
- Escute, dona - disse ele com impaciência.
- Esses trilhos passam perto do rio. Os japoneses estão do outro lado, e nas partes estreitas do rio. Eles atiram. Compreende?
- Mas, o que podemos fazer?
- Daqui por diante, só andando. Vê aquelas montanhas? A senhora atravessa-as e desce. Então pode tomar o comboio novamente.
- Mas aquelas montanhas têm mais de mil metros de altura, e levamos bebés connosco. Já estamos exaustos. Como poderemos atravessar?
- Como é que vou saber? É melhor procurar o chefe da estação.
Implorei ao chefe da estação:
- Por favor, senhor, não nos pode ajudar? Tenho cem crianças exaustas. Já faz vinte dias que estamos a caminho. As crianças não conseguirão transpor aquelas montanhas.
- Sinto muito, mas não há nada que eu possa fazer. Este comboio não vai adiante, por isso todos têm de desembarcar. Há um barracão ali adiante onde podem passar a noite, e o pessoal dos refugiados lhes dará de comer.
- Oh, por favor, senhor, deve haver alguma coisa que passa fazer para nos ajudar a chegar a Siã.
- Senhora, há milhões de refugiados por toda a China.
- Mas estes são crianças!
- Senhora, não há nada mais que eu possa fazer. Se desejar continuar, o único jeito é transpor aquelas montanhas. Mandarei dois soldados com a senhora. Só existe uma passagem aberta. Os japoneses estão de um lado e o nosso exército do outro, mas os soldados ajudá-la-ão a atravessar.
- Quanto tempo levaremos?
- Se partir bem cedinho, deve chegar a Tungkwan em dois dias.

Ergui os olhos para as montanhas, cujos topos estavam ocultos pelas nuvens. Pelo que podia ver, havia apenas uma ténue trilha de mulas.
- Muito obrigada - disse. - Se não existe outra maneira, temos de fazer a tentativa. Estaremos prontos para partir de madrugada.
Não consegui dormir. A jornada que nos estava pela frente seria uma provação até para os mais fortes, e alguns estavam doentes. Mas o que podia fazer? Não podíamos voltar, e não podíamos ficar ali. Precisava de levar as crianças para a segurança, não importava o que isso me custasse.
A jornada foi bem pior do que qualquer outra que já fizéramos. As trilhas da montanha eram escarpadas e em muitos lugares tinham desaparecido de vez. Tínhamos de nos arrastar sobre pedras soltas e escorregar por encostas íngremes. A viagem foi um pesadelo e, sem a ajuda dos soldados, muitas das crianças jamais teriam chegado. Tínhamos de vigiá-las pois escorregavam constantemente. Os soldados e eu tínhamos de carregar uma, às vezes duas crianças durante o tempo todo, e constantemente animar as outras a prosseguirem.
Dormimos na montanha nua e depois arrastámo-nos com dificuldade por mais um longo dia. À noite, chegámos a Tungkwan e ficámos entusiasmados ao avistar a estação ferroviária. Não obstante, os oficiais sacudiram a cabeça.
- Não há mais trens daqui para a frente; é muito perigoso.
- Mas o que podemos fazer? - a minha voz elevou-se em desespero. - Caminhámos desde Sanchow através das montanhas e, antes, tínhamos andado vinte dias desde Yangcheng. Vamos para as partes livres da China, para os orfanatos da Sra. Chiang. Eles estão à nossa espera. Não há nada que possa fazer? As minhas crianças não conseguem andar mais; muitas estão doentes.
- Se a ajudar, está disposta a obedecer às minhas instruções implicitamente?
- Sim, se com isso conseguir fazer que as crianças cheguem ao seu destino.
- Está disposta a enfrentar por conta própria o risco da viagem?
- Sim, oh, sim!
- Então vou contar-lhe um segredo. Existe um comboio que vai até lá. Todas as manhãs, antes do raiar do dia, um comboio de carvão vai até Hua Xan. Às vezes onde o rio é estreito, os japoneses atiram, mas às vezes não atiram. Se ouvirem vozes, ou virem gente é garantido que atirarão. A senhora promete fazer as crianças ficarem quietas?
- Oh, sim. Farei com que não se mexam nem façam barulho algum.
- Então, amanhã, antes do dia clarear, encontrarão o comboio de carvão esperando aqui. Embarquem nele. Mas se dão importância à vida, mantenham as cabeças abaixadas. E boa sorte, senhora! Admiro a sua coragem.

Acomodámo-nos nos campos, e quando os menorzinhos adormeceram, chamei Sualan e os outros meninos e meninas mais velhos.
- Ouçam cuidadosamente - disse-lhes. - Vocês todos têm idade suficiente para compreender que esta noite precisamos de manter os pequeninos absolutamente quietos. Se fizerem o menor ruído, os japoneses atirarão em nós. Precisam de dormir um pouco, mas quando eu vos acordar, terão de carregar os pequeninos e colocá-los entre grandes pedaços de carvão dentro do carro.
- Mas o que faremos se acordarem?
- Estão tão cansados que não acordarão, se vocês forem cuidadosos. Quando acordarem, já estaremos fora de perigo, compreendem?
- Sim, Ai-weh-deh.
- Então, vão dormir agora. Acordá-los-ei quando for a hora de partir.
- Mas, e a senhora, não vai dormir, Ai-weh-deh?
- Talvez tire uma soneca - respondi.
- Mas a senhora está doente, Ai-weh-deh; devia descansar. Tem estado doente há dias. A senhora carregou uma, às vezes duas crianças, o dia todo, e deu quase toda a sua comida para nós.
- O Senhor me ajudará. Descansarei quando chegarmos a Siã. Vamos, vocês precisam de dormir.
Estendi-me no chão nu, cada osso do meu corpo doendo, mas o coração emocionado com o amor e compaixão que as crianças demonstravam por mim.
- Por favor, meu Deus, dá-me forças para levá-las até onde receberão os devidos cuidados - orei. - Ajuda-nos para que todos cheguemos a Siã.
Depois de algumas horas, acordei os mais velhinhos e, em silêncio, carregámos os pequenos, um a um, e os colocámos suavemente em cima do carvão. As pelotas duras não os perturbaram pois tinham dormido fora tantas noites, e, além disso, estavam totalmente exaustos pela jornada dos dois últimos dias.
Nenhum tiro foi disparado. Quando os pequeninos finalmente acordaram, gritaram e riram ao ver os companheiros cobertos de carvão.
- Vocês ficaram pretos durante a noite - diziam rindo. E, com a facilidade de recuperação própria da infância, por algum tempo ficaram tão alegres quanto os grilos.

Uma vez mais tivemos de deixar o comboio e, com as roupas imundas, partimos para a nossa última caminhada. Só três dias até Siã, disseram-nos. Esmolávamos comida aos soldados e nos vilarejos; dormíamos à beira da estrada, e continuámos a tentar cantar até que, finalmente, Siã, que aos nossos olhos era algo como a Cidade Celestial, estava diante de nós.
Os nossos pés exaustos apressaram-se, mas tivemos de parar, desanimados. Os portões da cidade estavam fechados e, embora eu implorasse, o guarda recusou-se a abri-los.
- A senhora não pode entrar aqui - gritou. - Os portões da cidade estão fechados para refugiados. A cidade já está fervilhando com eles. Não há comida. Nada. Precisa de procurar outro lugar.
- Mas temos dinheiro à nossa espera. Faz vinte e sete dias que estamos na estrada. Disseram-nos que viéssemos para aqui. O senhor precisa de nos deixar entrar, sim!
Este último desapontamento foi demais para mim. Arrastámo-nos lentamente à volta dos muros da cidade, mas todos os portões estavam fechados. Que podia eu fazer? Para onde poderíamos ir?
Então, alguém condoeu-se de nós e disse-me que havia um templo budista em Fu-Feng, onde recolhiam crianças e cuidavam delas. Distava apenas um dia de viagem de comboio, e era um dos orfanatos da Sra. Chiang.

Nessa altura, eu estava doente demais para me lembrar do que aconteceu então. Devemos ter tomado o comboio, pois quando chegámos ao orfanato, havia cama e comida à nossa espera. Finalmente, as minhas crianças estavam a salvo! O meu trabalho estava terminado.
Na manhã seguinte, reuni-as e disse-lhes: "Vamos agradecer a Deus o Seu amor para connosco." Recitámos "0 Senhor é o meu pastor" juntos, e despedi-me delas.
O pessoal do orfanato implorou-me que ficasse e descansasse, mas na minha mente reinava o tumulto. Não conseguia descansar; precisava de continuar. Havia tanto para ser feito! "Deus cuidará de mim", eu ficava a repetir, e saí a pregar nos vilarejos.

Não me lembro do que aconteceu depois até me encontrar num hospital em Siã. Aos poucos, fui descobrindo o que sucedera.
Eu tentara pregar num vilarejo, mas perdera os sentidos. Ninguém sabia quem eu era, e um menino foi em busca do missionário norte-americano que arranjou um carro de bois para me levar à casa da missão. Em dois dias, chegou um médico do hospital de Siã que meneou a cabeça ao ver o estado em que me encontrava.
- Há pouquíssima esperança; ela está com pneumonia e tifo. Vocês sabem quem é ela?
- Não temos a menor ideia. Ela não disse uma palavra sequer desde que a trouxemos para cá.
- Se pudéssemos levá-la para o hospital, haveria uma possibilidade de salvá-la. É uma viagem longa, mas se conseguíssemos acrescentar um vagão de transporte de gado ao comboio da meia-noite, poderíamos levá-la assim como está, nesta cama.

Fui levada naquele vagão de gado e mais tarde fiquei a saber que amigos bondosos e desconhecidos fizeram a viagem de joelhos ao redor da cama mantendo-a firme durante a jornada. Eles mal ousavam esperar que eu chegasse com vida a Siã.
De repente, para surpresa deles, comecei a cantar um hino; depois orei e preguei um sermão sobre o filho pródigo. Eles não podiam compreender tudo o que eu dizia, pois o dialecto que eu falava era do norte, mas ainda assim acreditavam que eu fosse chinesa.
No hospital, travou-se uma batalha pela minha vida.
- Ela devia estar morta há muito tempo - disse o médico. - Ela tem malária, tifo, pneumonia, subnutrição, exaustão total e provavelmente diversas outras desordens menores.

Eu estava doente demais para falar, e, por mais de um mês, estive prostrada naquele hospital, mal tomando consciência do que me cercava. Então, como que por milagre, o Sr. Lu de Yangcheng, chegou a Siã. Ele fora posto em liberdade e saíra prontamente em busca do outro grupo de crianças e de mim.
O pastor chinês levou o Sr. Lu para me visitar, e ele regozijou-se muito ao descobrir que eu ainda estava viva.
- Ela veio de Yangcheng, no norte da China - disse ele aos médicos e às enfermeiras.
- Mas então o que está a fazer aqui em Siã a centenas de quilómetros?
- Ela veio trazer para a liberdade crianças que estavam na região ocupada pelos japoneses.
- Qual é o nome dela?
- Só sei o nome chinês, Ai-weh-deh, mas um menino que ela trouxe de Yangcheng tem um livro que pertencia a ela. É um livro em inglês e tem alguma coisa escrita nele.
Acabaram encontrando o livro, e na contracapa estava escrito em inglês: "Para Gladys, da tia Bessie".
Eles olharam-me estarrecidos. Seria possível que eu não fosse chinesa?!

Adaptado do livro APENAS UMA PEQUENA MULHER - Biografia de Gladys Aylward com Christine Hunter



Conta as Muitas Bênçãos


sexta-feira, 20 de abril de 2012

DIA DA LIBERDADE  RELIGIOSA


Ilustrações do livro Liberdade Religiosa, de Marcelo Fayard, Casa Publicadora Brasileira.
Clique em cima das imagens para poder ler os comentários.


                               «Sócrates foi vítima da reacção religiosa ... dos atenienses ... uma das vítimas das perseguições religiosas.»
                                                      Dr. Yost, Let Freedom Ring, pág. 11


ASSOCIAÇÃO  INTERNACIONAL  PARA  A  DEFESA  DA  LIBERDADE  RELIGIOSA

(Membro Não Governamental da Organização das Nações Unidas)


DECLARAÇÃO  DE  PRINCÍPIOS


Cremos na liberdade religiosa e afirmamos que este direito dado por Deus pode exercer-se nas melhores condições quando há separação entre a Igreja e o Estado.

Cremos que o governo foi estabelecido por Deus para proteger os homens no usufruto dos seus direitos naturais e para regulamentar os negócios civis; e que neste domínio tem direito à obediência respeitosa e voluntária de cada um.

Cremos no direito natural e inalienável do indivíduo à liberdade de consciência: direito de crer ou não crer; de professar, de praticar e de propagar as suas crenças religiosas, ou de mudar de religião segundo a sua consciência - constituindo estes pontos, na nossa opinião, a essência da liberdade religiosa. Mas cremos que no exercício deste direito cada um deve respeitar estes mesmos direitos para os outros.

Cremos que toda a legislação e qualquer outro acto governamental que una a Igreja e o Estado contém em potência o gérmen da perseguição, opondo-se aos interesses da Igreja e do Estado, podendo prejudicar os direitos do homem.

Cremos que o nosso dever consiste em pôr em prática todos as meios legais e honoráveis para impedir toda a acção contrária a estes princípios, a fim de que todos possam desfrutar as bênçãos inestimáveis da liberdade religiosa.

Cremos que esta liberdade está integralmente contida na regra de ouro: o que quereis que os homens vos façam, fazei-lhes vós também.


DEFINIÇÃO DE LIBERDADE RELIGIOSA


A  LIBERDADE  RELIGIOSA  COMPREENDE:

1 - OS  DIREITOS  DO  INDIVÍDUO


a) - Ter uma religião ou uma convicção, o que implica a liberdade de informação (acesso a todas as fontes de informação nacionais ou internacionais) e a possibilidade de partilhar esta religião ou esta convicção com os membros da sua família (educação dos filhos).

b) - Mudar de religião ou de convicção sem constrangimento nem prejuízo no estatuto pessoal (direito ao casamento, objecção de consciência...) e nos direitos políticos (voto, acesso às funções públicas), económicos (heranças, disposição destes bens) e sociais.

c) - Praticar a sua religião ou a sua convicção em privado ou em público, só ou em comum.

aa) - Possibilidade de respeitar os princípios dietéticos e de observar o dia de repouso e as festas religiosas (escola, exército, profissão, convocações oficiais).

bb) - Praticar o seu culto tanto em privado como em público (liberdade de reunião), participar nos actos religiosos estabelecidos pela igreja (cerimónias, ritos, sacramentos, casamentos, funerais , etc.). Ter todas as facilidades para se deslocar aos lugares santos e às assembleias estabelecidas pela organização no país ou no estrangeiro. Ter a liberdade de deixar o país caso se mostre impossível obter a liberdade religiosa.

cc) - Estar integrado numa organização com possibilidades de existir legalmente (liberdade de associação), de se administrar livremente (fixação de dogmas, escolha e formação dos chefes e ministros do culto, disciplina interna para o recrutamento e a exclusão de membros, estabelecimento do orçamento, relações com as organizações similares no estrangeiro), de assegurar a obra de educação (religiosa ou geral - do nível primário à universidade), e todas as actividades médicas, caridosas e sociais exigidas para atingir o ideal da igreja ou do grupo.

d) - Propagar a sua doutrina (liberdade de expressão) tendo em vista persuadir outras pessoas a aceitá-la por meio da imprensa (edição, venda, distribuição) e de todos os meios de difusão (rádio, televisão, cinema, publicidade...) bem como através da organização de reuniões públicas. Possibilidade de apresentar a doutrina com todos os seus desenvolvimentos nos domínios políticos, económicos e sociais no quadro nacional ou internacional.

2 - OS  DEVERES  DO  ESTADO

a) - Abster-se de impor actos contrários às crenças ou convicções (ensino religioso ou filosófico obrigatório, presença em cerimónias religiosas ou cívicas, juramento, segredo de confissão...).

b) - Assegurar a protecção das pessoas, objectos e lugares consagrados ao culto.

c) - Evitar a discriminação e manter a igualdade entre os diversos grupos religiosos ou filosóficos (isenções ou subvenções fiscais...).

d) - Não intervir senão com moderação e justiça.

e) - Participar activamente no estabelecimento da liberdade religiosa por meio da adesão a Convenções internacionais (protecção geral do indivíduo, das minorias ou dos nacionais no estrangeiro) e pelo estabelecimento na ordem jurídica interna de medidas legislativas e administrativas eficientes para uma protecção efectiva da liberdade religiosa.

3 - OS  DEVERES  DO  INDIVÍDUO

a) - Renunciar ao uso do constrangimento ou da violência para assegurar a difusão do dogma ou da doutrina pelo respeito da dignidade e liberdade humanas.

b) - Cooperar com o Estado, a comunidade internacional e as organizações particulares na criação de um espírito de tolerância, na aceitação do princípio da liberdade religiosa por todos os Estados seguido da criação de uma Corte de Justiça Internacional habilitada a receber os recursos individuais, e sob o plano nacional a cooperar no estabelecimento de todas as disposições jurídicas susceptíveis de garantir a cada um a liberdade religiosa que se deseja para si mesmo. - Pierre Lanares in A Liberdade Religiosa, pág. 234-235.



Veja algo mais, também interessante, em Meditação para a Saúde - Links 1R

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O JARDINEIRO DO AMOR



Madrugada  de  Luz,  de  Paz  e  de  Vitória,

JESUS  RESSUSCITARA

Em  Meio  À  Maior  Glória!

Por terra inerte jaz toda a guarda romana
E a potência do império, abjecta, vil, profana,
A intriga farisaica, o ódio do judaísmo,
Varridos como pó no ardor do cataclismo.

A CRUZ NEGRA DE FEL PARA SEMPRE VENCIDA,

Em  Vez  da  Guerra,  o  Amor,
Em  Vez  da  Morte,  a  Vida!


Maria Madalena o sepulcro bem cedo foi visitar
Levando a alma cheia de medo. Temia a guarda.
Era ainda escuro. A estrela radiante da manhã,
Parecia que ao vê-la, abria-se em leque
Espadanando uma luz imensa,
Como que para o caminho seu iluminar
E Jesus ressurrecto ao mundo anunciar!

Umas flores no braço e bálsamo olorante
Para a tumba de Quem, agora tão distante,
Já não pode ouvir gemer o desgraçado,
Nem o pobre sem pão, nem o degenerado,
Nem o cego sem luz, nem da viúva tristonha,
Ferida pela dor da saudade medonha,
Os queixumes da morte!


Ele que era tão santo!
Que da mãe triste e aflita estancou tanto pranto,
Que da doce criancinha a cabeça afagou,
De tantos males, tantas dores nos livrou...
Ele, da morte está no cárcere maldito,
Envolto no mistério abstruso do infinito.

"Para mim, que mulher outrora, era do mundo,
Seu amor foi supremo e seu perdão profundo!"
Dizia Maria Madalena enquanto caminhava
Para o jardim florido onde o sepulcro estava.
A dúvida pairava no seu cérebro ardente
E o coração no peito arfava tristemente.

O seu corpo, embuçado, era um fantasma esguio
Que passava na noite exânime, de frio.
Autómato, sublime, a correr, toda alerta,
Ia depor aos pés do morto a última oferta
De um coração sangrando e uma fé impoluta,
Juntos do grande amor de sua alma, então sepulta!

Chegou. Eis o Jardim do rico Arimatéia,
Um discípulo oculto, um nobre da Judéia.
Aproximou-se. Ao longe a dúbia luz boreal
Reflectia-se no céu. Silêncio matinal.

E sobre a enorme pedra que a tumba guardava,
mais belo que o clarão da aurora que raiava,
Um ser angelical olha a tumba vazia!
Maria Madalena ao vê-lo se extasia.
O seu rosto molhado de lágrimas de dor...


Oh! Se ela O visse! Tinha o tom divino,
A cor do jaspe reluzente
Do sol entrando no ocaso.
Da luz, a palidez do lago argênteo e raso...

Esboçando um sorriso, erguendo a fronte
Brada o ser angelical num toque de alvorada:
"Por que choras mulher?"
E ela, o pranto oprimindo:
"Levaram meu Senhor..."
E soluçando e saindo,
Foi gemer tristemente a um canto do jardim
Dando toda expansão à sua dor sem fim.

Nisto encontra um varão bem perto do canteiro
A fitá-la de pé. Por certo um jardineiro:
"Porque choras mulher?"
"Levaram meu Senhor... E eu O estou procurando,
Diz-me onde O puseste e eu O levarei comigo,
Pois é meu Rei, meu Deus, meu Senhor e meu amigo.
E Ele, olhando a sua alma em agonia,
Descobre-Se, afinal, bradando alto:
- Maria!

E ela responde: Mestre!
E cheia de ventura ajoelha e O adora.
A sua alma esclarecida e pura
Tornou-se num jardim de gozo e de dulçor
Onde o húmus era a fé, onde a seiva era o amor,
As flores o perdão, e o trescalar activo,
A Epopeia Sem Par

DO CRISTO REDIVIVO!


Mário Barreto França (S. João 20:11-16)


Como a Flor Machucada no Jardim...


domingo, 1 de abril de 2012

POR DETRÁS DOS "FICHEIROS SECRETOS"


Uma tatuagem falante ordena ao seu dono que mate. Um evangelista que cura pela fé, usa os seus poderes para propósitos escuros. Assassinatos em série são relacionados com uma menina que é a reencarnação de um polícia que foi assassinado no preciso momento em que ela era concebida.

Estes são alguns dos fenómenos paranormais investigados por dois agentes do FBI na multi-premiada série televisiva The X-Files. Mulder (David Duchovny) viu a sua irmã ser sequestrada por extraterrestres e acredita verdadeiramente no paranormal. A Dra Dana Scully (Gillian Anderson) continua uma pessoa céptica que só põe a sua fé na ciência e na razão. Os slogans da série são "A Verdade Está Além", "Não Confies em Ninguém" e "Eu Quero Crer".
A página da internet "X-Files" convida os seus visitantes a analisar os temas X-Files - parapsicologia, OVNI's, voodoo, o oculto, DNA estranhos, vilões clonados e geneticamente controlados, cultos de aldeia, conspirações governamentais. Outras páginas só atraem fãs que queiram ter uma conversa de 'entretém' sobre estrelas.

Ninguém podia predizer a popularidade da série (ou será que podia?). Claro que existe o apelo do mistério e do sexo, mas as histórias são assustadoras, grosseiras até. Assim, porque é que a série é um sucesso tão grande? Parece haver por aí uma fome do sobrenatural. E não só entre os alienados, como os 3% da população dos Estados Unidos que acreditam terem sido raptados por extraterrestres.

Os estudos mostram que 90% dos ingleses acreditam nalgum aspecto do paranormal. 88% dos jovens britânicos já se envolveram numa ou mais práticas ocultistas, e 42% disseram ter ficado fascinados pelo s-o-b-r-e-n-a-t-u-r-a-l. Nos Estados Unidos, mais de 1/3 da população acredita que a astrologia tem uma base científica, e 40% dos adultos americanos crê que entraram em contacto com alguém que já morreu.

ENFEITIÇADO

Os media estão a trazer, gradualmente, o oculto para primeiro plano. Nos anos 60, séries televisivas como I Dream of Jeannie (Sonho com a Jeannie) e Bewitched (Enfeitiçado) abriram as portas, embora pareçam moderadas, atractivas e até românticas, quando comparadas com Os Ficheiros Secretos. O filme da Disney, O Rei Leão, embora dirigido às crianças, inclui uma parte em que o Simba contacta com o espírito do seu pai. E o filme Ghost - O Espírito do Amor, atraiu largas audiências e fez com que muitos quisessem acreditar no contacto com os espíritos. Uma porta-voz do cinema disse que havia pessoas que tinham perdido entes queridos, que voltavam a ver o filme duas e três vezes. Ele mostrava o espiritismo e o cristianismo como sendo totalmente compatíveis. O oculto está, ainda, a lançar-se novamente no mercado, mudando a sua imagem e o seu vocabulário. As bruxas e os bruxos foram reinventados para se tornarem pessoas normais, chamadas parapsicólogos, e nas revistas encontram-se muitos anúncios de parapsicólogos e videntes. As pessoas também compram revistas que trazem 'entrevistas' sobre encontros reais com o inexplicável.
Qual é o fascínio? Rachel Storm escreveu no jornal The Independent, "Muitos atribuem esse interesse crescente às necessidades espirituais desta época materialista e obcecada pelo poder; em vez de se virarem para uma religião com uma imagem fraca, aqueles que têm fome espiritual voltam-se para o oculto, que promete poder e emoção".

Mike Morris, da Aliança Evangélica, concorda: "Penso que temos um grande vácuo espiritual. A igreja perdeu, em grande parte, o seu papel de oferecer orientação espiritual. O materialismo tomou posse, e muitas pessoas sentem-se insatisfeitas. Por isso, na sua procura de respostas espirituais para as suas vidas e experiência espiritual, a igreja é vista como ultrapassada, antiquada e irrelevante.
Outras formas de experiência espiritual são investigadas e o oculto, com toda a excitação que lhe é peculiar, atrai as pessoas num interesse enorme pelo lado escuro."

E há, realmente, um lado escuro. Nalguns estados dos Estados Unidos, a polícia foi treinada para combater o crime do oculto. Eles notam que os amadores jovens começam normalmente com a parte mais branda do ocultismo, mas podem avançar para o sacrifício de animais e para o passo doentio seguinte - o assassínio.

Sean Sellers matou um vendedor, depois matou a tiro a sua mãe e o seu padrasto, enquanto dormiam. É a pessoa mais jovem sentenciada à morte em Oklahoma.
Ele explica: "Há uma atracção muito grande pelo poder, pelo satanismo, curiosidade e, mais importante ainda, por um lugar a que pertencer quando se não pertence a mais lado nenhum."

Na Inglaterra, Paul Bostock, de 19 anos, foi considerado culpado de duplo assassínio. Perto do corpo da sua primeira vítima deixou o círculo da magia negra. Em Tribunal falou sobre o seu fascínio pelo horror, pelo oculto e pela 'magia negra', e disse ainda que era 'adorador do diabo'.
Os amadores não deixam de ser afectados. Os psiquiatras descrevem depressões, alucinações e perda do controlo. Um especialista encontrava muitas vezes os seus doentes indiferentes, sentindo-se infelizes, ansiosos e desanimados sem saberem porquê. Por fim, conseguiu descobrir que os sintomas estavam ligados com o envolvimento com o oculto (espiritismo, tarot ou magia negra).
Outros amadores têm problemas com a morte e a auto-mutilação. Os casos extremos sofrem desvios da personalidade similares aos que são produzidos pela esquizofrenia.

A ACTIVIDADE DO OCULTO EMBORA FASCINANTE PARA MUITAS PESSOAS, TEM GRANDES RISCOS:

É  Dar  a  Satanás  uma  Porta  Aberta  para  Destruir  a  Nossa  Vida  e  as  Vidas  Daqueles  que  Nos  Rodeiam.
Afaste-se  Disso  e  Encontre  Paz  e  Aventura  nos  Caminhos  de  Deus.

O QUE É QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O OCULTO?

1 - Satanás Trabalha Para Nos Confundir e Destruir

A Bíblia avisa-nos sobre os enganos de Satanás. Em II Tessalonicenses 2 lemos: "o rebelde aparecerá com a força de Satanás e dará mostras de grande poder por meio de falsos milagres e prodígios. Utilizará todas as artimanhas do mal para enganar os que se perdem." (versículos 9 e 10).
Satanás quer destruir-ir-nos nesta Terra e para a eternidade. É interessante ver que quando a Bíblia fala de bruxaria, usa a palavra grega pharmakeia (donde vem a palavra farmacologia - o estudo das drogas), mostrando que as religiões pagãs misturavam as drogas e o oculto (ver Gálatas 5:20; Apocalipse 9:21; 21:8).

2 - Muitos dos Enganos de Satanás Envolvem os Mortos

Satanás tenta que as pessoas acreditem que quando alguém morre, o seu espírito continua vivo. Mas a Bíblia diz-nos: "É certo que os vivos sabem que hão-de morrer. Mas os mortos não sabem nada." (Eclesiastes 9:5).
Se os mortos não sabem anda, então ninguém os pode contactar. Por isso, com quem é que os médiuns contactam? A Bíblia diz que é com os espíritos maus. Avisa-nos contra espíritos de demónios fazendo milagres (Apocalipse 16:14) e contra Satanás a fazer milagres falsos, sinais e prodígios.
O especialista sobre o oculto, Kurt Koch, concorda que os únicos espíritos que aparecem nas sessões espíritas são os espíritos maus que querem enganar as pessoas ao fingirem ser os espíritos dos mortos.
Um astrólogo tornou-se cristão. Ele parou de praticar a sua arte quando leu o aviso bíblico: "Que ninguém ofereça o seu filho ou filha em sacrifício aos deuses, queimando-os no fogo; que ninguém pratique encantamentos, ou a adivinhação, ou a magia ou a superstição; que ninguém pratique feitiçarias, ou consulte os espíritos, ou procure visões ou consulte os mortos. Todos os que praticam essas coisas tornam-se abomináveis para o Senhor." (Deuteronómio 18:10-12).
Dê atenção a este texto: "Quando vos disserem: 'Consultem os espíritos dos mortos e os adivinhos que murmuram e segredam; não recorrerá um povo ao seu Deus? A favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos? À Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva." (Isaías 8:19, 20).

3 - Jesus é Mais Poderoso do que Satanás

Koch conta o caso de uma rapariga que foi convidada por uns amigos para ir a uma sessão espírita. Ao princípio ela gostou e continuou a ir, mas depois sofreu de uma depressão tão profunda que teve de ser internada num hospital psiquiátrico.
Ela deixou de ir a sessões espíritas, e o capelão ajudou-a a confiar que Jesus tinha poder sobre os espíritos do mal. Desde essa altura, ela recuperou totalmente.
Muitos outros relatórios (tanto de cristãos como de não cristãos) dizem que as pessoas possuídas por espíritos maus encontram alívio e cura depois de uma oração usando o nome de Jesus.
Jesus passou muito tempo a curar pessoas possessas e a falar sobre a maneira de evitar esse mal. Ensinou que os contactos (mesmo ocasionais) com o oculto devem ser substituídos, na mente das pessoas, pelo Espírito Santo (ver Lucas 11:20).



QUAL É O PERIGO?

(ATENÇÃO  A  ESTAS  FORMAS  'INOCENTES'
 DAS  PESSOAS  SE  ENVOLVEREM  COM  O  OCULTO)




ASTROLOGIA - Esta actividade popular é o primeiro passo dado no sentido de entregar o poder de decisão.

CARTAS DE TAROT - É suposto que as cartas sejam guiadas por um espírito - outra frente de espiritismo!

TÁBUAS OUIJA (muitas vezes mostradas nos anúncios do X-Files). O espírito do copo escreve mensagens dos espíritos, muitas vezes com resultados perigosos.

CANAIS, MÉDIUNS, VIDENTES, LEITURA DA MÃO.

DROGAS - Elas são muitas vezes associadas ao contacto com os espíritos. Os animistas, ocultistas e pagãos usam drogas que expandem a mente nos seus rituais. Os shamans usam alucinogénios a que chamam 'botânicos' para os ajudar a entrar no mundo dos espíritos.

MÚSICA - Pearl Jam tem uma tábua Ouija desenhada num dos seus CD's. Muitas bandas tecno incitam à droga, ao estado hipnótico, à prática do ocultismo. Algumas bandas de Heavy Metal são satanistas!

("Torne-se colaborador do mais acessado site de rock do Brasil! Quer ficar famoso no meio rock e heavy metal sem ter que fazer um pacto com o demónio?" - frase encontrada ocasionalmente num site - E. E.)

IDEIAS NEW AGE (NOVA ERA) - Algumas das práticas perigosas incluem meditação transcendental, levitação, telepatia e cura espiritual.

JOGOS COM PERSONAGEM - Há jogos de computador que podem ser verdadeiros manuais de bruxaria ou satanismo, especialmente nos níveis mais elevados. Um relatório de um Tribunal Criminal dos Estados Unidos diz que eles incitam o jogador a fantasiar sobre demoniologia, bruxaria, voodoo, assassinatos, violações, blasfémias, suicídios, loucura, sexo pervertido, prostituição, adoração de Satanás, canibalismo, sadismo, profanação, e muitas outras coisas.

VÍDEOS E TV - Quando o pequeno James Bulger, de 2 anos de idade, foi raptado, torturado, pintado com tinta azul e deixado na linha de caminho de ferro, o mundo ficou aturdido com o facto dos assassinos serem dois rapazes de 7 e 10 anos de idade. Depois o pai de um dos rapazes admitiu que os deixava ver filmes de terror na televisão, incluindo o filme Child Play 3, um vídeo com um rapto parecido.
O juiz disse: "Não me compete julgar a educação que eles tiveram, mas suspeito que os filmes violentos podem, em parte, explicar alguma coisa."

Os filmes e as séries de TV têm um impacto poderoso sobre aqueles que os vêem e abrem a porta ao trabalho de Satanás. Mesmo os X-Files podem ser um motor de arranque para o interesse de algumas pessoas pelo oculto.

ESCOLA - Muitas pessoas que foram atraídas dizem que o seu interesse começou quando tiveram de fazer uma investigação para um trabalho escolar sobre o oculto.

Grenville Kent, Teólogo, Pastor e Produtor Cinematográfico em Sydney, Austrália, 1998

(O artigo já não é recente mas o passar do tempo só reforçou a sua razão de ser - E. E.)

DE JOELHOS
De joelhos estou, mais uma vez de joelhos, Senhor,
Neste Teu santuário de paz, venho aqui Te pedir, mais uma vez
Me ajuda, Senhor, me ajuda a vencer todo mal,
Esse mal que me afasta de Ti e que me faz passar tantas noites sem dormir,
Me devolve o sono, Senhor, me concede a paz, Tua paz,
Me concede a paz.

Quantas vezes eu quis ouvir Tua voz, mas não pude, Senhor,
Eu estava ocupado demais, quantas vezes lembrei do Teu amor e chorei, Senhor,
Pois nas garras do mal eu senti, quão distante eu estava de Ti,
Quanto eu precisava sentir o Teu calor, sei que podes curar-me, Senhor,
Me concede a paz, Tua paz,
Me concede a paz.


Rafaela Pinheiro - Relaxante Cântico em Links 5M

segunda-feira, 19 de março de 2012

PAIS MARAVILHOSOS



JORGE MÜLLER

O HOMEM QUE OUSOU CONFIAR NAS PROMESSAS DE DEUS


(Capítulo 10)

Era impossível dizer, olhando por trás dos gorros das mulheres e dos colarinhos engomados dos homens, como a sua congregação da Capela Gideão tinha recebido a notícia de Jorge naquele dia 9 de Dezembro de 1835.
Mas ali, na parte de trás da capela, perto da porta, ele sabia que tinha somente de pronunciar a bênção, e que antes mesmo do seu 'ámen' deixar de ecoar contra as austeras paredes e os gorros e os colarinhos, ele já não se perguntaria como tinham reagido à notícia de que ele acrescentaria trinta órfãos de Bristol à sua responsabilidade.
" ... e agora, em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Ámen."

A esposa do padeiro foi a primeira a aproximar-se. Ele já esperava que ela o fizesse.
- Sr. Müller, orfanatos são coisas de invenção recente e positivamente insalubres.
- A minha mulher está certa. - disse o padeiro com a sua boca rechonchuda como um sonho assimétrico. - Casa de caridade é coisa boa para rapazes da rua.
Jorge procurava cumprimentar as pessoas, apertando-lhes a mão, como se estivessem fazendo observações superficiais sobre o tempo.
- Vocês são muito jovens para se colocarem contra o que já foi experimentado e deu resultado.
A mulher seguinte veio para ele com o seu dedo ameaçador:
- Trinta anos de idade e fingindo que conhece muito!
O dono da mercearia, o funcionário, o guarda da loja, passaram ao largo, dizendo:
- Vivíamos muito bem aqui em Bristol antes de o senhor morar aqui.
- Parece-me um plano despropositado. Mergulhar nele sem meditação, isso é o que o senhor está a fazer.

Aquilo era injusto. Jorge tinha pensado muito a esse respeito, tinha orado sobre o problema por várias semanas. Ele não tinha convocado esta reunião especial para anunciar os seus planos enquanto não estivesse seguro do que Deus desejava.
Isolando-se no seu escritório, longe de Mary, da pequena Lídia e dos ruídos caseiros de cozinhar, vestir e brincar, dias e dias tinha ele repetido a mesma oração ousada:
"Deus, preciso de mil libras para dar início ao trabalho. Preciso de encontrar uma casa de tamanho suficiente para uma família com trinta filhos. Preciso, pelo menos, de três ou quatro pessoas que me auxiliem, pessoas cristãs que gostem de crianças e saibam ensinar-lhes ou cozinhar para elas, ou dirigi-las. E as crianças necessitarão de roupas, camas em que dormir e pratos onde comer. Creio que tu podes fazer isto, e deixarei tudo em Tuas mãos. Ámen."
Diariamente, depois de ter orado, ele perguntava a si próprio se não estava sendo ousado demais. Estava ele pedindo demais desta vez?
Então um dia ele abriu a Bíblia e, como amiúde fazia quando estava com um problema complicado para resolver, ou solitário, ou à espera de que Deus lhe falasse, ele leu um salmo. Começou com o salmo 79, leu o 80 também, e começou a ler o seguinte.

"Abre bem a tua boca, e ta encherei" leu no versículo 10 e quase deu uma gargalhada. Estava ali a resposta! Ele tinha aberto bem a boca, abriu-a o bastante para pedir a Deus, sem rodeios, sem cerimónias, uma lista de necessidades tangíveis. E Deus não o censurou por isso. Estava ali, nos Salmos, e ele cria de todo o coração que Deus lhe estava a falar. "Abre bem a tua boca, e ta encherei." Era uma promessa! Agora ele estava pronto para concretizar os seus sonhos baseado nela.

A congregação ainda estava passando pelo corredor, alguns mais junto à parede e saindo pela porta sem falar. Um gorro saltitava diante dele, e ele estendeu a mão para agarrar uma mão quente, amiga.
- Deus o ama, pastor Müller - disse uma voz macia como manteiga. - Por que o senhor não levanta uma colecta?
Abre bem a tua boca, e ta encherei!

- Nada de colecta, irmã. Essa foi a minha combinação com Deus. Não pedirei nada aos homens.
- Não importa. Aqui está a minha pequena contribuição. Não é muito. Apenas dez xelins. Mas é um começo.
- Deus a abençoe, irmã. - O gorro fez uma mesura de reverência.
- Pastor Müller, estou em boa forma física, posso costurar e ...
Uma mulher de ombros erectos apresentou-se diante dele:
- Sei que não pareço elegante, mas posso imaginar bolinhos gostosos e dou-me muito bem com crianças. Há lugar para mim, pastor Müller?

Abre bem a tua boca, e ta encherei.

- Se há lugar? Ora eu... Deus a abençoe.
- Eu não receberia pagamento algum. - Os ombros pareciam ficar mais erectos e mais largos. - Apenas trazer comigo minha pequena pensão e confiar no bom Deus para o restante.
Só havia uma resposta a dar-lhes: "Abre bem a tua boca, e ta encherei."

O homem seguinte na fila parecia perplexo, mas Jorge estendeu-lhe a mão, e, radiante, cumprimentou o seguinte.
Mas uma coisa obscurecia a brilhante maravilha de tudo aquilo. Era Mary. Ela mostrava-se indecisa. Duvidava, era pessimista. Ela também estava zangada:
- Não deite esse envelope no chão limpo da minha cozinha - disse asperamente a Jorge na manhã seguinte à reunião pública. Mas, lendo a carta, dificilmente ele ouvia.
- Isto é importante, Mary. Importante! Apenas anunciei ontem e já...
- As suas crianças sem lar já desejam mudar-se para o novo lar? - gritou ela da despensa, numa fúria de vibrar de pratos. Ele a ignorou. - É uma carta de um marido e esposa, um casal cristão...
- Quem?!
- Ninguém que conhecemos. Vem do interior. Mas ouça: e começou a ler, elevando a voz de modo que fosse ouvida na porta da despensa.
"Propomo-nos para o serviço da projectada Casa de Órfãos, se o senhor nos julgar qualificados para tanto."
A fúria dos pratos diminuiu, depois elevou-se.
- Oh!
- E isso não é tudo. "Também abrimos mão da mobília que o Senhor nos deu. Para uso do seu Lar!" - Mary apareceu na porta da despensa, com as mãos na farinha.
- Toda a mobília deles!
" ... e fazer isso sem receber nenhum salário, crendo que se for da vontade do Senhor empregar-nos, Ele suprirá todas as nossas necessidades."
- Mas eles nem mesmo conhecem você, Jorge!
- Conhecemos o mesmo Cristo. Isso basta.
- Dois ajudantes já. Isso é um sinal. Num dia! - Ela veio e postou-se junto ao fogão, repetindo: "Num dia!"
- Três ajudantes e uma casa cheia de móveis.
- E dez xelins.
- Tão cedo! Você não pediu a ninguém, ou pediu, Jorge?
- A ninguém - disse ele solenemente.
- Deve... Há somente uma coisa em que pensar. Deus deseja que se faça desse modo.

Ele desejava beijá-la, mas em vez disso, disse-lhe:
- Claro que sim! Creia comigo, Mary.
Ela tocou com os dedos a frigideira no fogão.
Por fim, disse:
- Acho que posso.
- Graças a Deus!
- Sim, demos graças a Deus. Aqui mesmo na cozinha.
Ela fechou os olhos, apoiando-se no fogão.
"Deus amado, toma a nossa pequena fé e fá-la forte. Dá-nos aquilo de que necessitamos. Dinheiro, roupas e utensílios de cozinha e... tantas coisas. É o que Te pedimos. Tu podes. Ámen."
Estavam agora eles ali, sorrindo um para o outro.
Jorge sentia-se subitamente grato por ter-se casado com esta inglesa sensível, quando ouviram bater com força na porta dos fundos.

Era um homem que ele nunca tinha visto. Somente a ponta de um nariz vermelho, por causa do vento, e dois olhos lacrimosos apareciam sobre uma pilha de pacotes nos braços.
- É para os seus órfãos - disse uma voz rouca por detrás da pilha.
Os pacotes foram colocados no chão, e o homem retirou-se numa disparada pela rua antes mesmo que Jorge pudesse dizer-lhe uma palavra. Mary estava na porta, atrás dele.
- Bem, abra-os!
Baixando-se ambos no chão da cozinha, romperam facilmente a corda desgastada e rasgaram o papel que envolvia os pacotes. Dentro havia meia dúzia de pacotes cheios de protuberâncias, embrulhadas em papel sujo e amarrotado.
- Pratos de jantar! - exclamou Mary.
- Vinte e oito pratos! Suficientes para...
- Vinte e oito jantares para vinte e oito pessoas.
- E há três grandes travessas de servir.
- Três bacias para lavar. - Mary agarrou o pacote seguinte.
- Um jarro!
Jorge ia puxando os pacotes.
- Canecas. Três saleiros.
- Um ralador. - Mary colocou-o triunfantemente no chão. - E quatro facas.
- E cinco garfos. - Jorge agitou-os no ar. Ali no chão da cozinha, em frente do fogão, os pratos, as travessas, as canecas e os saleiros estavam no velho papel de embrulho.

Sem saberem absolutamente de onde, um estranho tinha trazido à porta deles o que o orfanato iria necessitar. Como é que esse homem, com a voz guinchada, sabia que eles tinham orado naquela manhã pedindo utensílios de cozinha? Jorge estava seguro de que nunca saberia realmente, mas também estava seguro de que ambos, Mary e ele, tinham uma resposta muito boa.
O mês que se seguiu convenceu-o de uma vez por todas.
Naquela mesma semana um empresário de Bristol deu-lhe 50 libras destinadas ao orfanato.
- Cinquenta libras! - exclamou Mary. - Quando nos casámos vivemos um ano com cinquenta libras.

Oraram pedindo roupas para trinta crianças.
Alguém fez um donativo de 20 metros de tecido resistente.

Oraram pedindo mais auxiliares. Uma governanta apresentou-se como voluntária.

Uma semana depois, um negociante de Bristol, que tinha demonstrado considerável irritação com a pregação de Jorge, doou 100 libras para o orfanato.

No final de Janeiro Jorge entrou na cozinha, tomou a torta de carne das mãos de Mary, colocou-a sobre a mesa, e agarrando a esposa pela cintura rodopiou com ela.
- Consegui-a! - disse. - Consegui-a!
- A casa?
- Sim! A casa. Uma monstruosidade da rua Wilson. Uma antiga monstruosidade situada ali, apenas ansiando por ter trinta crianças mudando-se imediatamente para lá e deslizando pelos corrimões e gritando do sótão até à despensa nos fundos, e também escrevendo nas paredes. É uma arca de Noé, mas é tão confortável! Você tem de gostar dela.
- Que tal a cozinha? - perguntou Mary com o seu senso prático.
- Grande. O fogão parece bom. E o forno também. Espere até você ver o forno.
- E é realmente sua?
- Toda minha. E toda pronta para nos mudarmos no dia 1º de Fevereiro. Mary, conseguimos o nosso orfanato! Conseguimos tudo de que necessitamos.
- Excepto as crianças.

Ali estavam ambos, olhando radiantes um para o outro.
- Como é bom o nosso Deus, não é, Mary?
- Ele é bom. Agora, dê-me de volta a minha torta de carne e vamos comê-la.

Do lado de fora, a casa de tijolos da rua Wilson alinhava-se directamente com o passeio, não parecendo diferente das casas vizinhas. As suas seis janelas trabalhadas, de frente para a rua, eram exactamente espaçadas como as janelas da casa vizinha e as da casa ao lado. A rua toda assemelhava-se a uma fila de crianças em uniforme escolar não muito brilhantes. Os degraus, que nada mais eram do que a via para se ir da calçada à porta, decoravam a casa, e degraus idênticos levavam a todas as casas, como num desfile pela rua Wilson. Mas quando abriu a porta da casa nº 6 da rua Wilson, na manhã do 1º de Fevereiro, ele sabia que ela era diferente.
Daquele dia em diante não haveria outra casa como aquela na rua, nem em Bristol, nem em parte alguma de Inglaterra.

Dois dias depois, Jorge assentou-se a uma pequena mesa na sala da frente. As portas da rua Wilson nº 6 estavam agora oficialmente abertas. Qualquer pessoa podia entrar e solicitar abrigo para uma criança sem lar. Era o dia 3 de Fevereiro, anunciado como o dia da inauguração, e, enquanto Jorge dispunha os papéis e os livros para o registo das contas, esperava ver a sala tão apinhada de candidatos que teria de pedir a alguns que esperassem na cozinha. Ele desejava que isso não fosse necessário, porque a cozinha ainda não estava pintada de novo.

Durante meia hora ele esteve ali sentado em devaneios acerca da pintura da cozinha e de um novo arranjo nos móveis dos dormitórios. Depois dirigiu-se à porta da frente e deu uma espreitadela pelo postigo. Uma porta aberta daria um ar mais amistoso, mas era Fevereiro fazia frio. Hesitou, e então voltou para a mesa. Durante uma hora concentrou-se na escritura dos livros, e aí começou a sentir-se inquieto.

Junto à janela ele observava a rua Wilson para cima e para baixo. Uma velha encarangada vinha a arrastar-se. Ela examinou bem a casa com ar de curiosidade. Ele quis bater na janela para indicar que havia alguém ali, mas a mulher já tinha ido.
Quando ela fez parar um homem bem vestido que vinha pela rua, Jorge percebeu que se tratava de uma mendiga. O homem passou directo.
Agora ele estava com fome. Era quase meio-dia. Na cozinha não havia nada que comer. Ele estava emocionado demais para lembrar-se de alimento... Sem objectivo, pegou a pena e começou a somar colunas de números. Era tudo silêncio, excepto pelo estalar das velhas vigas no frio e pelo arranhar da sua pena.
Foi até à janela de novo. Lá fora, as casas cinzentas enfileiravam-se pela rua cinzenta, à semelhança de muitas crianças que se esqueciam de lavar o rosto. Uns poucos flocos de neve batiam contra a janela, e as pessoas que tinham estado na rua foram-se todas embora.
Então ele teve de admitir a terrível verdade.
Ninguém vinha. Nem as autoridades locais. Nem tias e tios agradecidos. Nem crianças tristonhas, tremendo de frio. Ninguém, absolutamente ninguém. Ninguém vinha.

Parecia-lhe ouvir a mulher do padeiro e as suas amigas a dizer-lhe: "Não lhe dissemos? Isso não prova as nossas advertências? Bristol ainda não está preparada para um orfanato moderno."
Ele observou os corrimões na sala da frente.
"Não sei. Simplesmente, não sei", disse em voz audível. Mas ninguém abriu a porta da frente para dar-lhe resposta.

(Capítulo 11)
...

Dentro de um mês havia 42 solicitações no arquivo. E na Primavera, em Maio de 1836, o orfanato da rua Wilson nº 6 foi oficialmente aberto. As crianças, as cozinheiras e a governanta mudaram-se para lá. Agora Jorge e Mary tinham sob a sua responsabilidade 43 crianças contando com a filha, Lídia, de 4 anos. E logo tomaram conhecimento de tantas criancinhas que necessitavam desesperadamente de um lar, que Jorge alugou a 2ª casa na rua Wilson.
No fim do ano ele abriu o 2º orfanato. E depois de nove meses alugou a 3ª casa na mesma rua, e antes que tivesse tempo para dar uma mão de tinta nas salas, ou limpar as janelas, já mais 30 meninos órfãos das favelas de Bristol estavam escorregando pelos corrimões.

Decorreu um ano e meio. Jorge cumpriu a palavra: nunca falou sobre dinheiro em público. Recusou-se a pedir donativos a quem quer que fosse. Mas o povo de Bristol contribuía com regularidade e generosidade para os 3 lares. Havia mais do que o suficiente para pagar as contas de alimentação, salários do pessoal, roupa e livros escolares.


Mas dois anos depois de inaugurado o 1º lar, no dia 18 de Agosto de 1838, Jorge viu-se forçado a registar no seu diário: "Não tenho em mãos uma moedinha sequer para os órfãos! Dentro de um dia ou dois vou precisar de muitas libras!" ...
Naquele dia ele pleiteou com Deus: "Deus, o Lar das Crianças precisa de 10 libras hoje. Já lhes dei tudo o que há na tesouraria, mas eram apenas 5 libras. Elas precisam de mais 5 libras, e precisam delas hoje. Deus, confio em Ti para de qualquer modo suprir essa quantia."
A mulher que entrou agitada em sua casa na rua Paulo, um pouco mais tarde, usava um vestido de seda que farfalhava sob o manto, e Jorge aspirou o perfume quando ela se sentou no seu gabinete. Ela enfiou na bolsa uma pequena mão enluvada, suspirando em tom de confidência:
- Assim, quando Deus me disse que não usasse mais essas jóias vistosas, irmão Müller, Ele me disse algo mais, também. Que me livrasse delas!
Um punhadinho de moedas retiniu sobre a escrivaninha.
E dar o dinheiro a alguém. Pensei nos órfãos. Eu tencionava vendê-las, mas isso poderia demorar algumas semanas, por isso achei que deveria vir aqui hoje com o dinheiro que elas valem.
Os olhos dele separavam as moedas enquanto a mulher falava.
- Realmente, receio que essas jóias vistosas não valham muito. As moedas não significam grande coisa.
- Cinco libras - interrompeu Jorge.
- Cinco libras e uns xelins. Deus não lhe dá muito por meu intermédio, mas...
- Não muito. O suficiente!
- Apenas cinco libras.
- Mais do que cinco libras. Ele dá a resposta exacta à oração. Exacta até à última libra!
...

Jorge Müller - Faith Coxe Bailey - Editora VIDA, 1988, tradução de Hagar A. Caruso

LOUVOR A DEUS

Como são grandes as riquezas de Deus!
Como são profundos o Seu conhecimento
e a Sua sabedoria!

Quem pode explicar as Suas decisões?
Quem pode entender os Seus planos?

Como dizem as Escrituras Sagradas:
"Quem pode conhecer a mente do Senhor?
Quem é capaz de Lhe dar conselhos?

Quem já deu alguma coisa a Deus
para receber d'Ele algum pagamento?"

Pois todas as coisas foram criadas por Ele,
e tudo existe por meio d'Ele e para Ele.

Glória a Deus para sempre! Ámen.


Romanos 11:33-36


Leia mais em - MEDITAÇÃO PARA A SAÚDE - 19.03.2012 - Links 1R