sábado, 19 de outubro de 2013

"TODA LA ESCRITURA"      "ESTÁ ESCRITO"      "SOLO LA ESCRITURA"



«A Escritura Sagrada aponta Deus como seu autor, no entanto, foi escrita por mãos humanas, e no variado estilo dos seus diferentes livros apresenta as características dos diversos escritores. As verdades reveladas são todas dadas por inspiração de Deus (II Timóteo 3:16), acham-se, porém, expressas em palavras de homens. O Ser infinito, por meio do Seu Santo Espírito, derramou luz no entendimento e coração dos Seus servos. Deu sonhos e visões, símbolos e figuras. E aqueles a quem a verdade foi assim revelada concretizaram os pensamentos em linguagem humana.
Os Dez Mandamentos foram pronunciados pelo próprio Deus, e pela Sua própria mão foram escritos.
São de redação divina e não humana.

Mas a Escritura Sagrada, com suas divinas verdades, expressas em linguagem de homens, apresenta uma união do divino com o humano. União semelhante existiu na natureza de Cristo, que era o Filho de Deus e Filho do homem. Assim, é verdade com relação à Escritura, como o foi em relação a Cristo,
que "o Verbo Se fez carne e habitou entre nós". S. João 1:14.
Na Sua Palavra, Deus conferiu aos homens o conhecimento necessário para a salvação. As Sagradas Escrituras devem ser aceites como autorizada e infalível revelação da Sua vontade. Elas são a norma do carácter, o revelador das doutrinas, a pedra-de-toque da experiência religiosa.» E. W.

PARA QUE SERVE A BÍBLIA

Platão, o célebre filósofo grego, disse certa vez que há 3 fontes válidas de conhecimento.
1. Os 5 sentidos - tacto, paladar, olfacto, audição e visão - que o homem compartilha com o reino animal.
2. A razão - que distingue o homem dos animais inferiores.
3. À terceira fonte Platão deu o nome de "Divina Loucura" - referindo-se assim ao mundo espiritual da comunicação sobrenatural.
Mais tarde Aristóteles, discípulo de Platão, eliminou a 3ª fonte - aquela faculdade inteiramente intuitiva pela qual o homem recebe ou obtém a percepção divina. Aristóteles afirmou que o conhecimento se obtém apenas pela utilização dos 5 sentidos e da razão.
O mundo ocidental foi profundamente influenciado pelos ensinamentos de Aristóteles. Em culturas orientais e em culturas primitivas, no entanto, a referência ao mundo espiritual - o mundo dos sonhos, visões e comunicação sobrenatural - é comum em todos os níveis.

Embora Aristóteles viesse certamente a rejeitar a Bíblia como fonte de conhecimento (se a tivesse conhecido), Jesus nunca hesitou em aceitá-la e afirmar que era a maneira principal pela qual Deus se revela à humanidade.
Agora, dois mil anos passados, cada vez mais pessoas se apercebem de que Jesus tinha razão. Voltaire, o famoso pensador francês, ateu declarado (seguidor de Aristóteles), morreu em 1778. Antes de morrer, Voltaire afirmou que a Bíblia e a fé cristã não teriam qualquer aceitação daí a 100 anos. No centésimo aniversário dessa afirmação, a Sociedade Bíblica de Genebra comprou a editora e a casa que tinham pertencido a Voltaire e começou, nesse preciso local, a imprimir a Bíblia.
Duzentos e seis anos depois de Voltaire, o presidente dos Estados Unidos viria a declarar o ano de 1983 "O Ano da Bíblia". O que teria levado o presidente da nação mais poderosa da Terra a proclamar a Bíblia como a principal fonte do conhecimento humano?
Milhões de pessoas ainda procuram uma fonte fidedigna de autoridade. Descobriram que não podem confiar em tratados entre nações, nem nas declarações dos cientistas. Mesmo os grandes líderes religiosos estão frequentemente errados. A Bíblia - a Palavra de Deus - é a única autoridade definitiva que possuímos. Comprovada ao longo de séculos, a Bíblia derrama luz sobre a natureza humana, sobre os problemas da humanidade e o sofrimento que aflige o homem. Além disso, ela revela claramente o caminho para Deus. A Bíblia é Deus a revelar-Se à humanidade.

Billy Graham tem razão ao afirmar, em relação à Bíblia:
"A Bíblia é um livro antigo e, no entanto, é sempre nova. É o livro mais moderno do mundo. Existe, em geral, uma ideia errada de que um livro tão antigo como a Bíblia não pode falar às necessidades do homem moderno. Por alguma razão os homens pensam que, numa era de realizações científicas, em que o conhecimento alcançado em 25 anos é superior ao que se alcançou ao longo de todos os séculos da história da Humanidade, este Livro tão antigo tem que estar desactualizado e ultrapassado. No entanto, para todos os que a leem e a amam, a Bíblia é extremamente relevante para a nossa geração.
É nas Escrituras Sagradas que encontramos as respostas para as perguntas fundamentais da vida: De onde vim eu? Porque estou aqui? Para onde vou? Qual é o propósito da minha existência?"
A palavra "bíblia" vem da palavra grega "biblos" que significa "livro". A Bíblia, porém, é mais do que um livro - ou uma colecção de livros. É a revelação escrita, que Deus nos deixou, da Sua vontade em relação ao homem e ao universo. Por detrás e por baixo, por cima e além desse Livro, está o Deus desse Livro, pois a Bíblia inteira fala sobre Deus - em especial sobre o Filho de Deus, Jesus Cristo.

MAIS DO QUE UM LIVRO

A Bíblia contém 66 livros, escritos por cerca de 40 autores, num período de composição que abrange, mais ou menos, 1.600 anos. Os seus autores são dos mais variados níveis sociais e culturais e neles se incluem reis, camponeses, profetas, poetas, pescadores, homens de estado, eruditos, um homem de negócios, um médico e um missionário. A Bíblia está dividida em duas partes principais, sendo o factor dessa divisão o nascimento de Jesus Cristo.

À primeira parte chama-se Antigo Testamento. Esta parte foi escrita quase totalmente em hebraico (à excepção de umas quantas passagens em aramaico) e foi completada cerca de 400 anos antes do nascimento de Cristo. A segunda parte, chamada Novo Testamento, foi escrita em grego. As bíblias que temos na nossa língua foram, na sua maioria, traduzidas directamente das línguas originais.
A palavra "testamento" significa, no original, "aliança" ou "pacto". O Antigo Testamento é a história das alianças feitas por Deus com o homem - e aponta para a vinda do Messias, o Filho de Deus, Jesus. O Novo Testamento é a história do cumprimento das alianças através da pessoa de Jesus.


QUEM É O TEMA CENTRAL DA BÍBLIA?

Na linguagem de sinais utilizada pelos surdos-mudos, o sinal que significa a palavra Jesus faz-se apontando para as palmas das duas mãos com o dedo indicador da mão oposta. O gesto simboliza as marcas dos cravos (pregos) nas mãos de Jesus.
O sinal que significa Bíblia faz-se apontando com um indicador de cada vez para as palmas das mãos e abrindo, depois, as palmas das mãos como se fossem a capa de um livro. Por outras palavras, a Bíblia é um livro sobre Jesus Cristo.
Há muitos anos atrás, eu fiz uma viagem a Hong-Kong e dei um passeio num daqueles 'hovercrafts' até à pequena colónia portuguesa de Macau. Ali, numa colina que domina o porto, os portugueses construíram, há quase cinco séculos, uma imponente catedral. Alguns séculos depois, um tufão foi mais forte do que o trabalho humano e o enorme edifício de pedra ruiu. A parede frontal da antiga catedral, no entanto, resistiu e ainda hoje se mantém de pé, com os largos degraus que conduzem a uma rua calcetada com paralelipípedos que circunda o porto. No alto daquela parede, desafiando os elementos através dos séculos, está uma enorme cruz de bronze.
Em 1825, um navegador inglês, Sir John Bowering, entrou com o seu navio no porto de Hong-Kong e vislumbrou aquela grande cruz, erguendo-se, majestosa, por cima das ruínas da catedral. Sir John ficou profundamente emocionado. Voltou ao seu camarote no navio, pegou numa pena e escreveu no seu diário de bordo:

Na cruz de Cristo eis minha glória,
vencedora do tempo e da ruína;
toda a luz da sagrada história
nela se vê, santa e divina.


A mensagem central da Bíblia é a cruz de Jesus Cristo. Cada livro da Bíblia ou aponta para o futuro, indicando a vinda de Jesus, ou aponta em retrospectiva para a Sua obra redentora no Calvário.
Há uma história maravilhosa no Evangelho de Lucas sobre um incidente acontecido quarenta dias depois do nascimento de Jesus. A mãe de Jesus, Maria, e José tinham levado o bebé ao templo para oferecerem os sacrifícios de purificação e consagração exigidos pela Lei de Moisés. Quando entraram no templo, foram vistos por um velho rabi, um homem muito piedoso chamado Simeão, que passara toda a sua vida a estudar os livros sagrados dos judeus, o Antigo Testamento. Ao ler estes livros (que eram a sua Bíblia) convencera-se que a mensagem central do Antigo Testamento era a vinda do Messias - o Filho de Deus. Na verdade, o Espírito Santo assegurara-lhe que ele não morreria antes de ver o Salvador com os seus próprios olhos.
Naquele dia, quando José e Maria entraram no átrio do templo com o seu bebé, um fogo acendeu-se no coração do velho Simeão. Dirigiu-se ao casal, ofegante e com lágrimas nos olhos, e pediu a Maria para pegar, por um bocadinho, no menino. Tomando a criança nos braços, contemplou o rosto de Jesus. Depois, erguendo os olhos ao céu, orou:
"Agora, Senhor, já podes deixar-me morrer em paz, pois cumpriste a Tua palavra! Já vi com os meus olhos o Salvador que enviaste para todos os povos. Ele é a luz que iluminará os pagãos e glória de Israel, teu povo." (Lucas 2:29-32).
Então Simeão disse uma coisa muito significativa: "Este menino é para muitos em Israel motivo de ruína ou salvação. Ele é sinal de divisão entre os homens, para revelar os pensamentos escondidos de muitos..." Depois, fixando o olhar nos olhos doces da jovem mãe, o velho Simeão disse: "Uma grande dor, como golpe de espada, trespassará a tua alma."

Simeão referia-se às profecias messiânicas que lera durante muitos anos no Antigo Testamento - as profecias que anunciavam a vinda do Filho de Deus. Referia-se, em particular, a uma profecia de Génesis na qual Deus dissera à serpente, Satanás, ainda no Paraíso: "Farei com que tu e a mulher sejam inimigas, bem como a tua descendência e a descendência dela. A descendência da mulher há-de atingir-te a cabeça e tu procurarás atingir-lhe o calcanhar." (Génesis 3:15). Fez, ainda, referência a uma profecia de Isaías, proferida cerca de 700 anos antes do nascimento de Cristo: "... Eu quero que sejas a luz das nações, para que a Minha salvação chegue aos confins da terra." (Isaías 49:6).

O SONHO DE DEUS

Desde o princípio, Deus tinha um sonho. O Seu sonho era restaurar o homem a um relacionamento perfeito com Ele, o seu Criador. Jesus foi a resposta a esse sonho. Todos os homens piedosos que, ao longo dos séculos, escreveram a Bíblia, registaram vislumbres desse sonho e incluíram-nos nos seus escritos. Por isso, em toda a Bíblia - desde a Criação até ao nascimento de Jesus - deparamos com referências a esse sonho messiânico por parte de todos os autores bíblicos.

Jesus é, então, o TEMA CENTRAL da Bíblia.

Abraão viu o Seu reflexo em Melquizedeque, Rei de Salém ou Rei da Paz.
Jacob chamou-Lhe Silo, o Enviado.
Para Moisés Ele foi o Cordeiro da Páscoa, Aquele que seria levantado.
Para Josué Ele foi o Capitão da nossa salvação.
Rute viu-O como o Parente Resgatador.
Samuel retratou-O como nosso Rei.
David chamou-Lhe Leão de Judá e Bom Pastor.
Para Salomão Ele é o Amado.
Esdras e Neemias viram-n'O como o Restaurador.
Para Ester Ele é o nosso Advogado.
Job disse que Ele era o seu Redentor.
Isaías descreveu-O como o Servo Sofredor.
Jeremias viu-O como o Grande Oleiro.
Ezequiel chamou-Lhe Filho do homem.
Daniel chamou-Lhe Príncipe e Pedra.
Oseias comparou-O a um Marido restaurando a sua esposa caída.
Para Joel Ele era o Restaurador.
Amós viu-O como Lavrador Celestial.
Para Obadias Ele era o Salvador.
Jonas retratou-O como a Ressurreição e a Vida.
Miqueias chamou-Lhe Testemunha.
Para Naum Ele era Fortaleza no dia da angústia.
Habacuc chamou-Lhe Deus da minha Salvação.
Para Sofonias Ele era o Senhor Zeloso.
Ageu disse que Ele era o Desejado das Nações.
Zacarias denominou-O Renovação da Justiça.
Malaquias chamou-Lhe Sol da Justiça.
João Baptista, por fim, proclamou: "Eis o Cordeiro de Deus
que tira os pecados do mundo."


À medida que se vai lendo o Antigo Testamento, paira no horizonte da história uma Pessoa, através da qual Deus irá estabelecer o Seu reino sobre a terra: Jesus Cristo.

Miqueias anunciou que Ele nasceria em Belém.
Isaías disse que Ele nasceria de uma virgem e se chamaria Emanuel.
David e Isaías predisseram a Sua morte. Job e David profetizaram a Sua ressurreição.
Outros anunciaram que Ele seria precedido por um profeta de hábitos estranhos como Elias.
Predisseram que Ele faria milagres, falaria por parábolas, seria rejeitado pelos líderes, seria um pastor ferido, um varão de dores, que entraria em Jerusalém montado num burrinho, seria traído por um amigo por 30 moedas de prata e seria levado como uma ovelha para o matadouro.

Profetizaram que Ele seria morto na companhia de criminosos, que as Suas mãos e os Seus pés seriam perfurados mas nenhum dos Seus ossos seria quebrado, que sobre as Suas vestes se lançariam sortes, que ficaria no túmulo de um rico durante três dias, ressuscitaria dos mortos e subiria aos céus para se sentar à direita de Deus.

David, Isaías, Jeremias e Daniel anunciaram, com séculos de antecedência, que o Messias ofereceria ao Seu povo uma Nova Aliança.
Predisseram que Ele enviaria o Espírito Santo, que o Seu Reino incluiria os gentios e que seria Universal e Eterno.

Tudo isto foi escrito centenas de anos antes do nascimento de Cristo. E quando Ele nasceu, os anjos apareceram aos pastores nas colinas de Belém, anunciando novas de grande alegria.


O MILAGRE DA COMPOSIÇÃO
Vamos supor que um homem de cada nação da terra recebia a missão de esculpir, ao longo da sua vida, um pequeno pedaço de mármore. Um dia, todos esses homens, ignorando que os outros também estavam a esculpir um pedaço de mármore, iriam reunir-se numa pequena vila nas colinas a sul de Jerusalém - cada qual com o seu pequeno pedaço de mármore. O homem que esculpira o que parecia ser o dedo grande do pé esquerdo colocaria o seu pequeno pedaço de mármore no chão. A seguir, o que esculpira um pé esquerdo sem dedos nem calcanhar viria e juntaria o seu pedaço de mármore ao dedo grande do pé esquerdo - e os dois pedaços ajustar-se-iam perfeitamente.
Seriam depois acrescentados os outros dedos, cada um do tamanho e formato certos. Depois viria o escultor do calcanhar, e assim por diante, tornozelos, canelas, joelhos, coxas - cada pedaço ajustando-se tão perfeitamente ao anterior que nem as emendas se notassem - até que toda a estátua estivesse montada, perfeita nos mínimos pormenores.
Como seria possível explicar tal estátua, a menos que houvesse alguém que a tivesse projectado e tivesse dado, antecipadamente, a cada um destes homens as instruções exactas relativas ao pedaço de mármore que iria esculpir?
Não foi por acaso que os anjos cantaram "boas novas de grande alegria". O Milagre dos Séculos. Aquele de Quem toda a Bíblia fala nascera em Belém! A Sua vinda e a Sua vida, profetizadas com séculos de antecedência, são um milagre ainda maior do que o seria uma estátua construída daquela estranha forma.

Lembre-se, a Palavra de Deus é o alicerce de todo o nosso conhecimento de Deus - e do Seu plano para a humanidade. Ela conta-nos a origem do pecado e como a maldição que resultou dele separou o homem de Deus. A Bíblia contém a Lei dada por Deus a Moisés no Monte Sinai, mas mostra-nos também como foi impossível a Lei trazer ao homem a salvação de que ele necessitava. Assim, descobrimos nas páginas da Bíblia que o objectivo principal de Deus era preparar o caminho para a Vinda do Redentor do Mundo, Jesus Cristo.


Embora a Bíblia seja uma verdadeira biblioteca, é também "O Livro". É uma história, uma história grandiosa, uma história de amor, do amor de Deus pela humanidade e do custo que Ele se dispôs a pagar para nos trazer a um relacionamento perfeito com Ele. Embora seja divina, a Bíblia é também humana. As palavras tiveram origem em Deus, mas a sua expressão é humana.
É por isso que a Bíblia é um livro diferente de todos os outros. O Livro é uma revelação divina, uma revelação progressiva, uma revelação de Deus ao homem, comunicada por homens, que se estende, perfeita, desde o seu glorioso princípio ao seu majestoso final, da Criação à Restauração do Universo. Por detrás de cada grande acontecimento encontra-se Deus, o Autor da História, o Criador das eras. As capas desse livro tão especial são a Eternidade passada e a Eternidade futura, e o seu conteúdo é o Tempo. Você pode estudar os mais pequenos detalhes em qualquer parte da Bíblia e perceberá que, ao longo dos séculos, houve um grande propósito - o eterno desígnio do nosso Grande Deus, de redimir um mundo despedaçado e dar a cada um de nós - a si e a mim - força para viver.

O Antigo Testamento é o relato de como Deus se relacionou com uma nação - os israelitas. O Novo Testamento é o relato do relacionamento de Deus com um Homem - o Seu Filho. A nação teve como propósito trazer ao mundo o Homem.
Deus fez-Se homem na pessoa do Seu Filho para que pudéssemos saber como Deus é. Se você quer saber Quem é Deus, olhe para Jesus, pois Ele é a perfeita revelação de Deus. O Seu aparecimento na Terra é, até hoje, o acontecimento central de toda a História. Até mesmo os nossos calendários se guiam por este facto. O Antigo Testamento preparou o cenário. O Novo Testamento é o relato do grandioso acontecimento.
E que peça maravilhosa! Deus é o seu autor. Jesus Cristo é o personagem central. O Espírito Santo é Quem transmite a força a cada personagem - incluindo o próprio Filho de Deus.
Jesus foi o Homem perfeito. Ele era bom, manso, gentil, paciente e cheio de amor. Fez milagres para alimentar famintos, curar doentes e ressuscitar mortos. Multidões vinham até Ele e Ele ensinava-lhes coisas sobre o reino de Deus. Ameaçava os religiosos do Seu tempo - acusando-os de hipocrisia e de ganância - e eles acabaram por O matar. Mas mesmo este acontecimento já fora predito. Era necessário, pois Jesus iria ser o perfeito sacrifício pelos nossos pecados. Substituindo-nos com o sacrifício da Sua morte, Jesus abriu caminho para que a humanidade pudesse, de novo, desfrutar da comunhão com o Pai.

Depois realizou o maior dos milagres - Jesus ressuscitou dos mortos!
HOJE, ELE VIVE!
Ele não é apenas uma figura histórica mas sim uma Pessoa viva.
O Facto Mais Importante da História e a Mais Poderosa Força do Mundo.

Os Seus amigos e seguidores queriam que Ele permanecesse na terra depois da Sua ressurreição mas Ele afirmou que tinha que partir. Tinha que partir para poder enviar o Seu Espírito Santo. Esse Espírito, disse Ele, o mesmo Espírito que lhe dera o poder de ressurgir dos mortos, viria e encheria cada crente a partir de então - dando-lhe força para viver.

Há já muitos anos, visitei uma jovem que tinha feito parte da quadrilha de Charles Manson, famosa por ter assassinado barbaramente várias pessoas em casa da actriz Sharon Tate, na Califórnia. Esta jovem fora condenada por homicídio voluntário de primeiro grau, e condenada à morte na câmara de gás. Pouco antes da sua execução, a pena foi comutada para prisão perpétua. No período entre a condenação e a execução (que acabou por não acontecer) ela recebeu o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador. Depois disso, ela conduziu outras reclusas da prisão onde estava a uma experiência pessoal de salvação pela fé em Jesus Cristo.
Quando eu soube disto, pedi e obtive permissão para a visitar no Presídio Feminino da Califórnia. Durante essas visitas tornamo-nos bons amigos, pois ela, realmente, "nascera de novo" e era uma filha de Deus.
Numa dessas visitas, ela contou-me como tinha recebido Cristo. Na primeira semana depois de chegar à prisão recebeu uma Bíblia pelo correio. Atirou-a para um canto da cela e durante mais de um ano não lhe tocou. Mas sem que ela soubesse havia um grande número de pessoas a fazer oração em seu favor. Recebia um grande número de cartas de pessoas que ela não conhecia e que lhe falavam do amor perdoador de Deus.
Um dia tirou a Bíblia da pequena estante que tinha na cela, limpou o pó acumulado e começou a ler. Sem saber quase nada sobre a Bíblia (embora tivesse frequentado, na infância, uma igreja), começou a ler - começando na primeira página.
Era uma leitura meio indigesta, mas ela estava determinada a descobrir para que servia a Bíblia. Quando chegou ao livro do Êxodo e leu a história dos israelitas, ficou furiosa. Era uma história sobre o amor e a provisão de Deus em favor do Seu povo. Ele tinha libertado os israelitas do cativeiro no Egipto, abrira o mar para que pudessem passar, protegera-os do mal, tirara água das rochas e alimentara-os todas as manhãs com maná. Porque é que um povo tão amado por Deus como os israelitas rejeitaria tal amor e reagiria de maneira tão egoísta?
Continuou a ler até chegar aos Salmos - canções de amor e de dedicação a Deus, escritas por David. Várias vezes teve que interromper a leitura porque os olhos se enchiam de lágrimas.
Desde a infância, a única emoção que tinha conhecido e experimentado fora o ódio. Por isso se juntara à quadrilha de Manson e participara em todos aqueles homicídios bárbaros. Agora lia sobre um Pai Celestial, amoroso e cuidadoso. Ela nunca imaginara que tal amor existisse.
Os escritos dos profetas falavam de um Salvador, Alguém que viria para lhe tirar os pecados e lhe dar força para viver. Não diziam, porém, como O encontrar - apenas que Ele estava para vir.
Nos Evangelhos leu a história da vida de Jesus. Ele era tudo que ela imaginara que Ele fosse - amoroso, manso, bondoso e também um homem recto e justo. Ele era tudo aquilo por que ela ansiara a vida inteira. Lendo o livro dos Actos, ela tomou conhecimento da vida dos primeiros cristãos, cheios do Espírito Santo, que correram mundo realizando os mesmos milagres que Jesus tinha realizado. E desejou ter, na sua vida, aquela mesma força. Mas não foi senão quando já estava a ler o último livro da Bíblia que descobriu como poderia ser perdoada e receber força para viver.
Ao ler o livro do Apocalipse, defrontou-se com as palavras de Jesus numa exortação que ela sentiu que vinha directamente de Deus para ela: "Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sejam, portanto, aplicados e arrependam-se!" (Apocalipse 3:19)
Parou de ler, deixando que as palavras penetrassem na sua alma. Será que o motivo pelo qual ela estava na prisão não era apenas, nem mesmo principalmente, pelo facto de ser uma assassina, mas sim porque Deus a amava e estava à espera que ela se arrependesse para que Ele lhe desse força para viver?
Continuou a ler. "Olhem que Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, Eu entro em sua casa, janto com ele e ele Comigo. Aqueles que vencerem hão-de sentar-se Comigo no Meu trono, tal como Eu também venci e Me sentei com Meu Pai no Seu trono." (Apocalipse 3:20, 21).
Com as lágrimas a correr pela cara abaixo, desceu da cama na sua cela solitária na prisão e ajoelhou-se no cimento frio. O Filho de Deus pedia para entrar na sua vida. Mesmo sendo ela uma assassina, Ele esperava que ela se arrependesse e pedisse o seu perdão. Ela confiou n'Ele como seu Salvador, abriu-lhe as portas da sua vida e disse uma simples oração: "Vem, Senhor Jesus, toma conta da minha vida."
Susan Atkins ainda está na prisão mas é uma mulher livre. Foi libertada pelo Filho de Deus. Ela encontrou uma vida nova ali mesmo onde estava - e recebeu a força necessária para viver essa vida através de Jesus Cristo.
Para Susan Atkins a Bíblia foi bem mais que um livro velho. Foi - e é - O Livro da Vida.

Texto de Força para Viver, livro escrito por Jamie Buckingham e editado pela Arthur S. DeMoss Foundation, 1995.

Bíblia - a Palavra de Deus, Verdadeira e Eterna

Tua palavra é como azeite sobre minhas feridas, É a água no deserto, É o calor no inverno.
Tua palavra é a voz que me fala de manhã, É meu conselho cada dia, E nas provas que me guia.

Coro:
Podia estar perdido, como náufrago no mar, E ainda perder tudo até o fôlego.
Podia estar faminto, como um menino sem um lar, Mas eu sei que Tua palavra, sempre a mim sustentará.

Tua palavra é como doce mel, para meus lábios, É a perfeita melodia, que me deleita cada dia.
Tua palavra é meu refúgio no meio das provas, E na tristeza é minha alegria,
Na solidão minha companhia.



A  IMAGINAÇÃO  E  A  EXPERIÊNCIA  (Editorial)

De tempos a tempos, somos 'sacudidos' por uma criação, musical, cinematográfica, literária, plástica ou outra, que desafia os conceitos estabelecidos ou procura 'agitar as águas', levando as pessoas a reflectir, e a pronunciarem-se sobre assuntos comummente aceites. Tais criações foram e serão sempre objecto de polémica, não apenas pelos temas que abordam e pela maneira como a fazem, mas sobretudo pelo carácter subjectivo que transportam. É que uma criação veicula sempre o ponto de vista do seu autor.

O recente best seller de Dan Brown, "Código Da Vinci", que já foi reproduzido para o cinema, não é excepção. E, apesar de todas as polémicas que levantou, a verdade é que tinha todos os ingredientes para se tornar um sucesso. Tem imaginação e pretende pôr a descoberto um escândalo antigo. Coloca em causa dogmas do passado e ataca a Igreja, propondo uma nova leitura da História do Cristianismo, apoiada por um pretenso saber de peritos em Arte, História e simbologia.

A polémica levantada em torno desta obra prende-se ainda com um outro elemento referido na página "Factos" do referido livro. Está aí mencionado que "todas as descrições de obras de arte, arquitectura, documentos e rituais secretos mencionados no romance são rigorosos". Por outras palavras, a ficção tem uma base sólida. E, neste caso, a ficção não se reduz ao enredo, mas adiciona-se a um outro factor: a verdade acerca de quem foi Jesus Cristo e, consequentemente, da fé que milhões de pessoas depositaram e depositam n'Ele como Filho de Deus.
No entanto, apesar do pretenso rigor dos factos mencionados no livro, acaba por se descobrir, por exemplo, que a Sociedade Secreta do Priorado de Sião, não remonta ao ano de 1099 mas sim a 1956, e que todos os documentos produzidos por essa sociedade são falsos. Verifica-se ainda que as letras PS que adornam os vitrais da igreja do Saint Sulpice não significam Priorado de Sião, como o autor quer fazer crer, mas sim Petrus Sanctus.

Como mostraremos também nesta revista, os manuscritos de Nag Hammadi, que constituiriam a prova do pretenso romance entre Jesus e Maria Madalena, não são, afinal de contas, nada fiáveis como relatos acerca de Jesus Cristo, nem nunca foram aceites pelos primeiros cristãos. São documentos de seitas gnósticas opostas ao próprio Cristianismo e compostos muito depois da morte de Cristo e dos apóstolos.

Afinal de contas, todos aqueles que leram o Código Da Vinci, poderão ter uma certeza: leram uma obra rica de imaginação e que vale sobretudo por isso. Quanto ao resto, seria um grave erro confundir imaginação dum escritor com qualquer outro pressuposto literário ou histórico acerca da vida de Jesus Cristo. É que as únicas fontes credíveis sobre Jesus Cristo continuam a ser os evangelhos, fruto duma experiência e testemunho pessoal daqueles que de perto conviveram com Jesus. E entre os Evangelhos e o Código Da Vinci existe uma grande diferença assinalada por um dos intervenientes directos no relato evangélico, o apóstolo Pedro: "Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a Sua majestade" (2 Pedro 1:16).

A diferença entre um romance e um facto histórico está justamente aí: um fala do que imagina ser a verdade, o outro fala do que experimentou ser a verdade.

Artur Machado, Mestre em Teologia e Director da Revista Sinais dos Tempos, Publicadora SerVir, in S. T. - 3º Trimestre 2006 (imagens acima).
Leia mais sobre este problema em:
http://www.criacionismo.com.br/2013/10/estudo-falso-e-aceito-por-mais-de-150.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+criacionista+%28Criacionista%29



«Há, na Palavra de Deus, muitos mistérios que não compreendemos, e muitos de nós nos satisfazemos de parar as buscas quando apenas principiamos a receber pequeno conhecimento a respeito de Cristo. Quando começa a haver pequeno desdobramento dos divinos desígnios à mente, e principiamos a obter leve conhecimento do caráter de Deus, ficamos satisfeitos, e pensamos que recebemos mais ou menos toda a luz que há para nós na Palavra de Deus. A verdade de Deus, porém, é infinita. Com penosos esforços, devemos trabalhar nas minas da verdade, descobrindo as jóias preciosas que estão ocultas. ... Jesus pretendia dizer justamente o que Ele disse quando conduziu Seus discípulos a examinar as Escrituras - S. João 5:39.
Examinar quer dizer comparar passagem com passagem, e coisas espirituais com coisas espirituais. Não nos devemos satisfazer com um conhecimento superficial. Não avaliamos nem a metade daquilo que o Senhor está disposto a fazer por Seu povo. ... Nossas petições, misturadas com fé e contrição, devem ascender a Deus rogando a compreensão dos mistérios que Ele desejaria dar a conhecer a Seus santos. A pena de um anjo não descreveria toda a glória do plano revelado da redenção.
A Bíblia diz como Cristo carregou nossos pecados, e levou as nossas dores. Aí se revela como a misericórdia e a verdade se encontraram junto à cruz do Calvário, como a justiça e a paz se beijaram, como a justiça de Cristo pode ser comunicada ao homem caído. Ali manifestaram-se infinita sabedoria, infinita justiça, misericórdia e amor infinitos. Profundidades, alturas, comprimentos e larguras de amor e sabedoria, todo o inexcedível conhecimento são revelados no plano da salvação.
O Espírito de Deus repousará sobre o diligente pesquisador da verdade. Aquele que deseja de coração a verdade, que anela possuir a atuação do poder na vida e no caráter, certamente os há de ter. Diz o Salvador: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos." S. Mateus 5:6.»


Ellen White, Para Conhecê-lo, Meditação Matinal, 1965


Ontem à noite a minha mãe e eu estávamos a falar de coisas sobre a vida... da eutanásia, da vantagem de morrer sem sofrer quando se está num estado de semi-vida...
E eu disse: "Mãe, nunca me deixe viver nesse estado, dependente de máquinas e líquidos artificiais.
Se me vir assim, desligue logo todos os aparelhos que me mantêm artificialmente com vida. Prefiro morrer."
Então, minha mãe levantou-se,
olhou para mim com admiração e desligou:

A TV,
O DVD,
O CABO DE INTERNET,
O PC,
O MP3,
A PLAYSTATION,
O TELEFONE SEM FIOS,
O TELEFONE FIXO,
TIROU-ME O IPOD, O IPAD, O BLACKBERRY...
E DEITOU FORA A COCA-COLA E AS CERVEJAS!

Liguei tudo de novo!
Ia morrendo... - Autor Desconhecido.


   

sábado, 21 de setembro de 2013

OS NOSSOS PORQUÊS e...

A Guerra entre O Bem e O Mal


(clique nas imagens para as aumentar)

"Este livro é dedicado carinhosamente a Você que, em algum momento na vida, apresentou seus 'porquês' a Deus
e ainda aguarda uma resposta."

Você poderá pensar que é muita presunção alguém querer falar sobre os "porquês" da vida. Na verdade, pensará desta maneira se achar que pretendemos responder a todos os "porquês". Queremos deixar bem claro que não é isso que pretendo. Porque ninguém, exceto Deus, teria condições de fazê-lo.
Por isso, o que de fato quero é tão somente analisar o assunto à luz da Palavra de Deus. Na minha maneira de ver as coisas, sendo a Bíblia a Palavra de Deus, precisamos de encontrar nela explicações convincentes ou pelo menos confortadoras. Caso contrário, a Bíblia perderia a sua credibilidade e não cumpriria a sua finalidade como Palavra de Deus. Entretanto, uma coisa deve estar bem clara quando estudamos a respeito desse assunto: não pretendemos dar uma explicação para a existência do mal. Na verdade, o nosso objetivo é mostrar, de acordo com a Bíblia e considerações pessoais, porque coisas ruins acontecem a pessoas boas. Ou, então, porque o mal nos atinge indistintamente.

POTÊNCIAS  ESPIRITUAIS  EM  GUERRA

Já que a nossa proposta é estudar o assunto à luz das Sagradas Escrituras, vamos examiná-las imediatamente:
"Houve peleja no Céu. Miguel e os Seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no Céu o lugar deles" (Apocalipse 12:7 e 8).
Sempre imaginei o Céu como um lugar de paz. Se não fosse assim, jamais o desejaria. Mas de acordo com a Bíblia, ainda que por um momento, houve guerra no Céu.
"Houve peleja no Céu", diz a Bíblia. Algumas traduções dizem: "Houve guerra no Céu". É inadmissível que nesta guerra celestial tenha sido utilizado qualquer tipo de arma convencional. Embora seja uma guerra, tanto as armas quanto as estratégias são diferentes das que se utilizam em outras guerras.
Felizmente, o verbo está no passado. "Houve" é o passado do verbo haver. Por isso, continuo desejando ardentemente ir para o Céu. Pois creio sinceramente que o Céu não é um lugar de guerra.
Ainda que o verbo esteja no passado, o que demonstra não haver mais guerra no Céu, a Bíblia não atesta a sua inexistência. Não diz que a guerra tenha cessado. O que de fato a Bíblia diz é que não se achou no Céu o lugar do mentor da guerra, bem como de seus aliados. Portanto, eles não estão mais no Céu. Se não estão lá, para onde foram?
Para esta pergunta, a Bíblia dá a seguinte resposta: "E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo; sim, foi atirado para a Terra, e, com ele, os seus anjos" (Apocalipse 12:9).
Onde se encontram então os mentores e promotores da guerra? Para onde foram expulsos? Foram expulsos para a Terra. Logo, os seres humanos não são os únicos habitantes deste planeta. Há outros habitantes, milhares e milhões, os quais, mesmo sendo invisíveis aos nossos olhos, são tão reais como nós. Eles nos veem e interferem em nossa vida.

A  GUERRA  CONTINUA

Ao serem expulsos do Céu, os rebeldes ou dissidentes não mudaram de caráter, nem de opinião, e muito menos de atitude. O espírito de rebelião, maldade e insubordinação permanece inalterado. A guerra simplesmente mudou de endereço. Começou no Céu e continua aqui. Tanto é verdade que os habitantes deste planeta são advertidos ou postos em alerta com as seguintes palavras: "Por isso, festejai, ó céus, e vós, os que neles habitais. Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta" (Apocalipse 12:12).
A advertência, que mais parece um grito de lamento, é dirigida a todos os habitantes da Terra indistintamente. Isso deixa claro que nesta guerra todos, bons e maus, correm o risco de serem atingidos.
Ora, se o inimigo de Deus não pode atingi-Lo, a Deus, diretamente, é de se esperar que tentará fazê-Lo por meio de Seus filhos. De modo que, nessa guerra cósmica, espiritual e milenar, todos poderão ser atingidos independentemente de serem bons ou maus.
Conforta-nos saber que nessa luta entre o bem e o mal, ainda que Deus não possa ser atingido diretamente - se bem que o foi por ocasião da cruz do Calvário -, é atingido por tabela cada vez que um dos Seus filhos sofre na mão do inimigo. Assim, o filho de Deus nunca padece sozinho. Creio que esse assunto ficará mais claro quando estudarmos a respeito da aliança.
O próprio Deus admite a possibilidade de Seus filhos serem atingidos, quando os consola com a seguinte promessa: "Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram" (Apocalipse 21:3 e 4).
Uma vez que Deus prometeu enxugar as lágrimas, estava admitindo a existência delas. De contrário, não haveria essa promessa na Bíblia. Portanto, se você tem chorado, não se esqueça: as lágrimas não serão para sempre. Aliás, a única coisa que existirá para sempre é o bem. O mal e suas consequências, por mais que persistam, não existirão eternamente.

COMO  SE  ESTABELECEU  ESTA  GUERRA?

Via de regra, para que haja uma guerra, alguns elementos e condições são imprescindíveis.
Em primeiro lugar, para que aconteça um conflito, são necessários dois lados com identidades opostas desejando conquistar o mesmo espaço. Como ilustração cito a Guerra do Golfo, ocorrida em janeiro de 1991, quando o Iraque e os Estados Unidos disputaram o mesmo espaço: o Kuwait.
É preciso também que os dois lados sejam competentes. Guerra é algo planejado estrategicamente. E isso só é possível com inteligência. Os animais, embora briguem, são incapazes de fazer guerras porque agem por instinto e não de forma racional.
Outro detalhe interessante para que haja uma guerra é que as duas partes em oposição tenham liberdade de escolha. Sem essa liberdade, como escolheriam ou decidiriam guerrear entre si?
Mais um detalhe que também deve ser levado em consideração: cada uma das forças deve ter poder, força de combate própria. Quem não tem nenhum poder não tem a menor condição de guerrear contra quem quer que seja.
Por último, deve haver a razão pela qual guerreiam. Creio que ninguém inteligente guerrearia por nada. Tem que haver algo, e algo de valor, pelo qual valha a pena a batalha.


(Lamento, mas não consegui uma imagem melhor... é claro que o diabo não tem chifres, só os terá se os quiser pôr, pois como diz a Bíblia, em II Coríntios 11:14 - "E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz". Ele pode aparecer, se lhe convier - e Deus deixar! - com a forma que quiser, até imitando as pessoas que já faleceram. E. Esteves)

PLANETA  TERRA:  PALCO  PERFEITO  PARA  A  GUERRA

Levando em consideração tudo o que foi mencionado acima e colocando essa guerra dentro de um contexto espiritual, chegamos à conclusão de que a Terra preenche perfeitamente todas as condições como campo de batalha, inclusive com muitos detalhes. Ela é perfeita para ser a continuidade daquilo que começou no Céu, onde está o trono de Deus.
Dissemos que é praticamente impossível haver uma guerra sem que haja dois seres ou poderes em oposição. Não é preciso falar muito para convencer até mesmo os mais céticos de que no nosso planeta existem dois poderes antagónicos que se opõem um ao outro: o bem e o mal.
Ao falarmos do bem estamo-nos referindo a Deus; ao falarmos do mal estamo-nos referindo ao inimigo de Deus, isto é, Satanás. Esses dois seres são, inegavelmente, inteligentes; na verdade, falta uma palavra adequada para expressar todo o poder envolvido nessa luta e todos os recursos que possuem para investir nela. Além disso, tiveram a oportunidade de escolher lutar ou não lutar entre si, e exerceram a liberdade de escolha.

EXERCENDO  A  LIBERDADE  DE  ESCOLHA

A Palavra de Deus descreve um poderoso querubim que resolveu, mesmo sendo originalmente criado para ser perfeito e só fazer o bem, colocar-se acima do seu Criador: "Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti" (Ezequiel 28: 14 e 15).
Perfeito eras "desde o dia em que foste criado". Naturalmente, foi perfeito até quando quis.
Portanto, por escolha, um anjo deixou de ser perfeito para ser imperfeito; deixou de amar para odiar; deixou de obedecer para desobedecer. Por escolha, deixou de ser amigo de Deus para ser inimigo. Deixou de ser bom para ser mau. Por escolha, Satanás é o que é. Ele tornou-se, por escolha, a própria personificação do mal. Ele não apenas pratica o mal; ele é o próprio mal. Referindo-se a ele, disse Jesus: "Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (João 8:44).
"Nele não há verdade". Ele é a personificação da mentira. No sentido bíblico, quer dizer que é a personificação do mal. E isso por sua própria e voluntária escolha.

Enquanto o diabo escolheu ser o mal, Deus escolheu continuar sendo como sempre foi. Ele é a personificação do amor. Deus não apenas ama; Ele é o próprio amor. "Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor" (I João 4:8).
Deus não apenas faz o bem; Ele é o próprio bem. Portanto, os dois seres em oposição possuem não só poder e inteligência, mas também liberdade de escolha. E não só a possuem, mas fizeram e continuam fazendo uso dela. Não podemos nos esquecer, porém, que no que diz respeito aos seres criados, quer sejam humanos ou anjos, essa liberdade tem limites. Por exemplo, não adianta alguém escolher ser Deus porque nunca conseguirá.
As limitações, ainda que tenham a ver com determinados tipos de escolhas, têm que ver também com o fator tempo. Um bom exemplo é que não adianta aos anjos caídos escolherem voltar atrás, porque isso é impossível. Eles foram longe demais.

De igual modo, o ser humano deve fazer as suas escolhas enquanto é tempo, pois ao ir para a sepultura não lhe restará nenhuma escolha mais a fazer. A Bíblia nos revela exatamente essa posição quando diz: "Tudo o que a tua mão possa fazer, fá-lo com todas as tuas faculdades, pois na região dos mortos para onde irás, não há trabalho nem inteligência, não há ciência nem sabedoria." (Eclesiastes 9:10), Nova Bíblia dos Capuchinhos, Difusora Bíblica.


Por último, dissemos que para se estabelecer uma guerra seria necessário um terceiro elemento: o objetivo da guerra. Você já descobriu o que vem a ser o objeto-causa desta guerra cósmica e milenar? Certamente não é um pedaço de terra. Também não pode ser o domínio de um espaço aéreo. Não é pelo petróleo e muito menos por todas as preciosidades do subsolo. Não é por nada cujo valor seja meramente material. Na verdade, em todo o planeta só existe um motivo em torno do qual se trava esta guerra: a conquista do ser humano, incluindo você e eu. Somos, pois, o objeto de conquista de uma guerra cósmica e milenar.
Mesmo assim, há muita gente pensando que não tem muito valor. Muitas pessoas vivem deprimidas com problemas de auto-estima. Nada de pensar desta maneira! Os dois maiores poderes do Universo estão guerreando por você! Você pode até não ter muito valor para algumas pessoas, mas para Deus você é de um valor inestimável. Por isso, Ele deu a vida por você e continua em guerra por sua causa.
Somos o objeto - se é que posso dizer assim - dessa guerra. Queiramos ou não, mesmo que não admitamos, conscientes ou inconscientes, vivemos em meio a um "fogo cruzado".
De um lado, Deus já fez a Sua escolha; do outro, Satanás também se posicionou. Eu e você ficamos no meio de tudo isso para dizer de que lado estamos. Todavia, não podemos esquecer de que o tempo é um elemento limitador à nossa liberdade de escolha. Devemos tomar nossa posição o mais depressa possível. "Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração" (Hebreus 4:7).

O  MOMENTO  É  AGORA
Li a história de um senhor cego, surdo e mudo, mas que não faltava a nenhuma reunião da igreja. Certo dia, alguém intrigado com a sua assiduidade à igreja, sendo que não podia ver as pessoas nem falar com elas e muito menos ouvir o pregador, perguntou-lhe, por meio de um código, por que era tão assíduo àquelas reuniões. Sua resposta foi: "Para mostrar de que lado eu estou."
De igual modo, eu e você estamos envolvidos num conflito. E mesmo que não vejamos os elementos, mesmo que não ouçamos barulho de guerra, mesmo que não entendamos tudo, precisamos mostrar de que lado estamos.
Somos convidados por Deus para uma aliança. Em contrapartida, Satanás tenta persuadir e nos enganar para permanecer com ele. Enquanto Deus quer nos dar uma eternidade livre de toda a dor e sofrimento, Satanás quer dividir com tantos quantos puder o fogo que está preparado para ele e seus anjos. "Então, o Rei dirá também aos que estiverem à Sua esquerda: Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mateus 25:41).
Como se pode ver, o fogo foi preparado para o diabo e seus anjos e não para seres humanos. No entanto, é intento dele dividir esse fogo com o maior número de pessoas que conseguir. Uma vez que o objetivo de Satanás é enganar e persuadir, usará de qualquer expediente para alcançar os seus intentos.



NESTA  GUERRA  QUEM  DECIDE?

A diferença básica no cenário desta guerra e de outras é que o objeto pelo qual guerreiam - o ser humano - também é inteligente e tem liberdade de escolha. Isso não acontece na maioria das outras guerras. A bem da verdade, neste planeta, só existem 3 inteligências:

Primeira Inteligência: Deus. Por Deus, refiro-me a todas as forças do bem. A Trindade nas pessoas do Pai, Filho e Espírito Santo. Na inteligência do bem estão incluídos também os anjos que, embora não sejam parte da Trindade e muito menos deuses, servem como agentes do bem, como auxiliares do Todo-Poderoso.
Segunda Inteligência: Satanás. Por Satanás, refiro-me a todas as forças do mal, isto é, ele e os demais anjos caídos.
Terceira Inteligência: O Ser Humano.
Somente estes três grupos - Deus, Satanás e o Ser Humano - são inteligentes a ponto de terem discernimento entre o que é certo e o que é errado. Somente estes três possuem liberdade de escolha. Somente os três possuem poder.
Falando em poder, quando este é atribuído a Deus e a Satanás, parece não haver dúvida de que de fato são poderosos. No entanto, quando se refere a nós, muitos acham que não temos nenhum poder.
Pois bem, entre as criaturas da Terra, o ser humano é a única que está sempre ultrapassando os próprios limites. Se sente frio, ele aquece o ar; se sente calor, ele o refrigera. Quando quer se locomover com mais rapidez, ele cria os meios de transporte mais velozes do mundo. Se deseja encurtar ainda mais as distâncias, cria sofisticados meios de comunicação. É inegável que o homem tem poder, ainda que limitado. Tendo sido criado à imagem e semelhança de Deus, nem poderia ser diferente.

Sendo dotado de poder, inteligência, sensibilidade e discernimento moral, sendo ele o único capaz de discernir racionalmente entre o certo e o errado, entre o que é bom e o que é mau; possuindo também liberdade de escolha, somente o homem e ninguém mais poderá determinar quem vencerá essa guerra em sua esfera. Na verdade, só ele poderá decidir quem reinará sobre a sua vida. Pois as guerras, mesmo essa cósmica e espiritual entre o bem e o mal, têm apenas um objetivo: estabelecer domínio. Enquanto Deus quer nos dirigir ou nos guiar, Satanás quer nos dominar. No entanto, para que isso aconteça, quer de um lado quer do outro, é necessário que tomemos a nossa decisão, que façamos a nossa escolha.
Na batalha da vida cujo prémio somos nós, a situação é a de um impasse. Deus decidiu pela nossa salvação; Satanás, pela nossa perdição. A decisão de cada um de nós é que determinará a vitória de um lado ou do outro.
Isso é um poder, uma participação tremenda! Deveríamos pensar mais nisso, deveríamos pensar mais, antes de nos precipitarmos em nossos pensamentos, palavras e atos. Na verdade, nossa vida deveria ser de profunda reflexão, pois a decisão está em nossas mãos.

José Pereira in Por Que, Senhor?, Casa Publicadora Brasileira.






A MENSAGEM FLORIDA DE JESUS

"Destruirá a morte para sempre. O Soberano, o Senhor, enxugará as lágrimas de todo o rosto e retirará de toda a terra a zombaria do seu povo. Foi o Senhor quem o disse!" Isaías 25:8

         Durante muitos dias, na primavera e no verão de 2009, o meu coração esteve triste, enquanto eu lamentava a perda do meu irmão e da minha cunhada. Em meados de fevereiro, eles e outros companheiros de viagem desapareceram na selva venezuelana, quando caiu o avião missionário pilotado por meu irmão, Bob Norton. Semanas de buscas se transformaram em meses; o verão deu lugar ao outono, e nada ainda. Meu coração, com frequência, andava pesaroso com o luto e a falta de respostas. Eu não entendia como algum bem poderia resultar de uma perda tão trágica. A população nativa, servida pelo aeroplano, agora não tinha ninguém que socorresse os seus doentes e feridos. As minhas lágrimas eram pela perda deles, bem como pela minha.

         Certa manhã, enquanto eu regava a hera que cultivamos nas nossas estufas, notei que o meu pé de azaleia ainda florescia. Olhando para as flores vermelhas, lembrei-me de que as primeiras flores haviam aparecido em fevereiro, e desde então ele continuava em flor. Geralmente, o arbusto floresce duas ou até três vezes por ano, mas nunca de maneira contínua.
         Jesus sussurrou: "Estas flores são de Mim para você. Servem como lembrete de vida. Nesse momento do seu pesar, estas flores são o Meu presente para você."
         Agora é setembro, e o pé de azaleia continua produzindo botõezinhos. Essas graciosas flores são para mim um lembrete constante da vida eterna que desfrutarei com os meus queridos que amam a Jesus. Embora o que aconteceu com a avioneta e os seus passageiros permaneça um mistério, tenho a certeza de me reunir com Bob e Neiba quando Jesus voltar.
         Neste mundo de pecado ocorrem tragédias. A morte arranca de nós os entes queridos. A tristeza é o nosso quinhão. Temos mais perguntas que respostas. Há silêncio e trevas. Mas, amiga(o), posso testemunhar que, em meio ao sofrimento e à dor, Deus está presente! Durante a minha difícil experiência, apeguei-me à Sua promessa: "Não te deixarei, nunca te abandonarei" (Josué 1:5). Tenho clamado ao meu Pai celestial, e Ele sussurra mensagens de amor e conforto ao meu coração dolorido.
         Hoje removi as flores secas e mortas do pé de azaleia e me maravilhei ao ver minúsculos botões se formando em seus ramos.

A mensagem de Jesus é clara: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em Mim, ainda que morra, viverá." (João 11:25)

Bárbara Ann Kay
http://www.cpb.com.br/htdocs/periodicos/medmulher/2013/frmmul2013.html#7 - Lições e Meditações CPB, 07.09.2013 - Links 1R




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

VIDA DE GRANDES HOMENS


"As Ações do Justo São Fonte de Vida." Provérbios 11:30

A HISTÓRIA sagrada apresenta muitas ilustrações dos resultados da verdadeira educação. Apresenta muitos nobres exemplos de homens cujo caráter foi formado sob direção divina; homens cuja vida foi uma bênção a seus semelhantes, e que estiveram no mundo como representantes de Deus. Entre estes se acham José, Daniel, Moisés, Elias e Paulo - respetivamente estadista, sapientíssimo legislador, reformador dentre os mais fiéis, e o mais ilustre instrutor que o mundo já conheceu, com exceção d'Aquele que falou como nenhum outro.


José, Íntegro Estadista
No princípio de sua vida, exatamente quando passavam da juventude para a varonilidade, José e Daniel foram separados de seus lares, e levados como cativos a países pagãos. José esteve sujeito especialmente às tentações que acompanham grandes mudanças na sorte. Na casa paterna, uma criança mimada; na casa de Potifar, escravo, depois confidente e companheiro; homem de negócios, educado pelo estudo, observação e contato com os homens; no calabouço de Faraó, prisioneiro do Estado, condenado injustamente, sem esperança de reivindicação ou perspetiva de libertamento. Chamado numa grande crise para dirigir a nação - o que o habilitou a preservar a sua integridade?
Ninguém pode ficar numa altura proeminente sem correr perigo. Assim como a tempestade deixa intacta a flor do vale e desarraiga a árvore no topo das montanhas, as terríveis tentações que deixam ilesos os humildes da vida, assaltam os que se acham nos altos postos de êxito e honras. José, porém, suportou a prova da adversidade, e da prosperidade, de modo semelhante. A mesma fidelidade que manifestou nos palácios de Faraó, manifestou na cela do prisioneiro.
Na sua meninice, havia sido ensinado a José o amor e temor de Deus. Muitas vezes, na tenda do seu pai, sob as estrelas da Síria, contava-se-lhe a história da visão noturna de Betel, da escada do Céu à Terra e dos anjos que por ela desciam e subiam, e d'Aquele que do trono, no alto, Se revelou a Jacó. Fora-lhe contada a história do conflito ao lado do rio Jaboque, quando renunciando a pecados acariciados, Jacó se tornou conquistador e recebeu o título de Príncipe com Deus.

A vida pura e simples de José, como um pastorzinho guiando os rebanhos do seu pai, favorecera o desenvolvimento não só da capacidade física mas também da mental. Em comunhão com Deus por meio da Natureza e do estudo das grandes verdades transmitidas como um sagrado legado de pai a filho, adquiriu ele vigor mental e firmeza de princípios.
No momento crítico da sua vida, quando fazia aquela terrível viagem do lar da sua infância em Canaã, para o cativeiro que o esperava no Egito, olhando pela última vez as colinas que ocultavam as tendas da sua parentela, José lembrou-se do Deus de seu pai. Recordou-se das lições da infância e a sua alma estremeceu com a resolução de mostrar-se verdadeiro - agindo sempre como convém a um súbdito do Rei celestial.
Na amargurada vida de estrangeiro e escravo, entre as cenas e os ruídos do vício e das seduções do culto pagão, culto este cercado de todas as atrações de riquezas, cultura e pompas da realeza, José permaneceu firme. Tinha aprendido a lição da obediência ao dever. A fidelidade em todas as situações, desde as mais humildes até às mais exaltadas, adestrou toda a sua capacidade para o mais elevado serviço.
Na ocasião em que ele fora chamado à corte de Faraó, o Egito era a maior das nações. Em civilização, arte, saber, era inigualado. Através de um período de máxima dificuldade e perigo, José administrou os negócios do reino; e isto fez de maneira a captar a confiança do rei e do povo. Faraó fez dele "senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda, para a seu gosto sujeitar os seus príncipes, e instruir os seus anciãos." (Salmo 105:21, 22).
A Bíblia apresenta-nos o segredo da vida de José. Jacó, na bênção pronunciada sobre os seus filhos, assim falou, em palavras de divino poder e beleza, daquele dentre eles que mais amava:

"José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte;
seus galhos se estendem sobre o muro.
Os frecheiros lhe dão amargura, atiram contra ele e o aborrecem.
O seu arco, porém, permanece firme,
e os seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó,
sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel,
pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-poderoso,
o qual te abençoará, com bênçãos dos altos céus,
com bênçãos das profundezas, com bênçãos dos seios e da madre.
As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais
até ao cimo dos montes eternos;
estejam elas sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça
do que foi distinguido entre seus irmãos."


(Génesis 49:22-26, Bíblia Vida Nova)

Lealdade para com Deus, fé no invisível - foram a âncora de José. Nisto se encontrava o segredo do seu poder: "E os seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó."


Daniel, um Embaixador do Céu
Daniel e os seus companheiros, em Babilónia, foram aparentemente mais favorecidos da sorte, na sua juventude, do que o foi José, nos primeiros anos da sua vida no Egito; não obstante, estiveram sujeitos a provas de caráter quase tão severas como as suas. Vindos do seu lar judeu, de relativa simplicidade, estes jovens da linhagem real foram transportados à mais magnificente das cidades, para a corte do seu maior monarca, e separados a fim de ser instruídos para o serviço especial do rei. Fortes eram as tentações que os cercavam naquela corte corrupta e luxuosa. O fato de que eles, os admiradores de Jeová, eram cativos em Babilónia; de que os vasos da casa de Deus tinham sido postos no templo dos deuses de Babilónia; de que o próprio rei de Israel era um prisioneiro nas mãos dos babilónios, era jactanciosamente citado pelos vitoriosos como evidência de que a sua religião e costumes eram superiores aos dos hebreus. Sob tais circunstâncias, e por meio das próprias humilhações ocasionadas pelo afastamento de Israel dos mandamentos de Deus, Ele apresentou a Babilónia evidências da Sua supremacia, da santidade dos Seus mandamentos, e do resultado certo da obediência. E este testemunho Ele deu - como unicamente poderia ter dado - por meio daqueles que ainda mantinham firme a sua fidelidade.
A Daniel e seus companheiros, logo ao princípio da sua carreira, sobreveio uma prova decisiva. A ordem de que o seu alimento deveria ser suprido da mesa do rei foi uma expressão do favor real, bem como da sua solicitude pelo bem-estar deles. Mas, sendo uma parte oferecida aos ídolos, o alimento da mesa real era consagrado à idolatria; e, participando da munificência do rei, estes jovens seriam considerados como se estivessem unindo a sua homenagem aos falsos deuses. A sua fidelidade para com Jeová proibia-lhes participar de tal homenagem. Tampouco ousavam eles arriscar-se aos efeitos enervantes do luxo e dissipação sobre o desenvolvimento físico, intelectual e espiritual.

Daniel e os seus companheiros tinham sido fielmente instruídos nos princípios da palavra de Deus. Haviam aprendido a sacrificar o terrestre pelo espiritual, a buscar o mais alto bem. Os seus hábitos de temperança e o seu senso de responsabilidade como representantes de Deus, reclamavam o mais nobre desenvolvimento das faculdades do corpo, da mente e da alma. Ao terminar o seu preparo, sendo examinados com outros candidatos às honras do reino "não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael, e Azarias." (Daniel 1:19).
Na corte de Babilónia estavam reunidos representantes de todos os países, homens dos melhores talentos, dos mais abundantemente favorecidos com dons naturais e possuidores da mais alta cultura que o mundo poderia conferir; no entanto, entre todos eles, os cativos hebreus não tinham igual. Na força física e na beleza, no vigor mental e preparo literário, não tinham rival. "E em toda a matéria de sabedoria, e de inteligência, sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou 10 vezes mais doutos do que todos os magos ou astrólogos que havia em todo o reino." (Daniel 1:20).
Inabalável na sua aliança com Deus, intransigente no domínio de si próprio, a nobre dignidade e delicada deferência de Daniel ganharam para ele na sua mocidade o "favor e terno amor" do oficial gentio a cargo do qual ele se achava. As mesmas características assinalaram a sua vida. Rapidamente ele galgou a posição de 1º ministro do reino. Durante o império de sucessivos monarcas, a queda da nação e o estabelecimento de um reino rival, tal era a sua sabedoria e qualidades de estadista, tão perfeitos o seu tato, cortesia e genuína bondade de coração, combinada com a fidelidade aos princípios, que mesmo os seus inimigos eram obrigados a confessar que "não podiam achar ocasião ou culpa alguma, porque ele era fiel." (Daniel 6:4).

Apegando-se Daniel a Deus com inabalável confiança, o espírito do poder profético veio sobre ele. Sendo honrado pelos homens com as responsabilidades da corte e os segredos do reino, honrado foi por Deus como Seu embaixador, bem como instruído a ler os mistérios dos séculos vindouros. Monarcas pagãos, mediante a associação com o representante do Céu, foram constrangidos a reconhecer o Deus de Daniel. "Certamente," declarou Nabucodonosor, "o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos segredos." E Dario na sua proclamação "a todos os povos, nações e gente de diferentes línguas, que moram em toda a Terra," exaltou o "Deus de Daniel" como "o Deus vivo e para sempre permanente, e o Seu reino não se pode destruir;" que "livra e salva, e opera sinais e maravilhas no céu e na Terra." (Daniel 2:47; 6:25-27).

Homens Fiéis e Honestos

Pela sua sabedoria e justiça, pela pureza e benevolência da sua vida diária, pela sua dedicação aos interesses do povo - e este era idólatra - José e Daniel mostraram-se fiéis aos princípios da sua primeira educação, fiéis para com Aquele de quem eram os representantes. A tais homens, tanto no Egito como em Babilónia, a nação toda honrou; e neles, um povo pagão, assim como todas as nações com quem entretiveram relações, contemplaram uma ilustração da bondade e beneficência de Deus, uma imagem do amor de Cristo.
Que considerável obra foi a que executaram estes nobres hebreus durante a sua vida! Quão pouco sonhariam eles com seu alto destino, ao se despedirem do lar de sua meninice! Fiéis e firmes, entregaram-se à direção divina, de maneira que por intermédio deles Deus pôde cumprir o Seu propósito.
As mesmas grandiosas verdades que foram reveladas por estes homens, Deus deseja revelar por meio dos jovens e crianças de hoje.
A história de José e Daniel é uma ilustração daquilo que Ele fará pelos que se entregam a Ele, e que de todo o coração procuram cumprir o Seu propósito.

A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.
Mas um caráter tal não é obra do acaso; nem se deve a favores e concessões especiais da Providência. Um caráter nobre é o resultado da disciplina própria, da sujeição da natureza inferior pela superior - a renúncia do eu para o serviço de amor a Deus e ao homem.
Os jovens precisam de ser impressionados com a verdade de que os seus dotes não são deles próprios. Força, tempo, intelecto - não são senão tesouros emprestados. Pertencem a Deus; e deve ser a decisão de todo o jovem pô-los no mais elevado uso. O jovem é um ramo do qual Deus espera fruto; um mordomo cujo capital deve crescer; uma luz para iluminar as trevas do mundo. Cada jovem, cada criança, tem uma obra a fazer para honra de Deus e erguimento da humanidade.



Eliseu, Fiel em Coisas Pequenas
Os primeiros anos da vida do profeta Eliseu passaram-se na quietude da vida campesina, sob o ensino de Deus e da Natureza, e na disciplina do trabalho útil. Num tempo de quase universal apostasia, a casa do seu pai estava entre o número dos que não tinham dobrado os joelhos a Baal. Na sua casa Deus era honrado, e a fidelidade ao dever era regra da vida diária.
Filho de um abastado fazendeiro, Eliseu havia assumido o trabalho que mais perto estava. Conquanto possuísse capacidade para ser um dirigente entre os homens, recebeu ensino nos deveres usuais da vida. A fim de dirigir sabiamente, ele devia aprender a obedecer. Pela fidelidade nas coisas pequenas, preparou-se para os encargos maiores.
Dotado de espírito meigo e gentil, possuía Eliseu também energia e firmeza. Acariciava o amor e temor de Deus, e na humilde rotina do trabalho diário adquiria força de propósitos e nobreza de caráter, crescendo na graça e no conhecimento divinos. Enquanto cooperava com o seu pai nos deveres domésticos, aprendia a cooperar com Deus.
O chamado profético veio a Eliseu, quando com os servos do seu pai arava o campo. Quando Elias, divinamente guiado na procura de um sucessor, lançou a sua capa sobre os ombros de Eliseu, reconheceu este moço aquele chamado e lhe obedeceu. Ele "seguiu a Elias, e o servia." (I Reis 19:21). Não era uma grande obra a que se requeria a princípio de Eliseu; deveres usuais ainda constituíam a sua disciplina. Fala-se dele como o que despejava água às mãos de Elias, seu senhor. Como ajudante pessoal do profeta, continuou a mostrar-se fiel nas coisas pequenas, enquanto com um propósito cada dia mais firme se dedicava à missão a ele designada por Deus.
Ao ser chamado, a sua resolução foi provada. Ao volver-se para acompanhar a Elias, recebeu ordem do profeta para voltar para casa. Ele devia avaliar por si as dificuldades - decidir-se a aceitar ou rejeitar o chamado. Eliseu, porém, compreendeu o valor da sua oportunidade. Por nenhuma vantagem mundana desprezaria ele a oportunidade de se tornar mensageiro de Deus, ou sacrificar o privilégio da associação com o Seu servo.

À medida que passava o tempo, e Elias se preparava para a trasladação, Eliseu se aprontava para se tornar seu sucessor. E de novo a sua fé e resolução foram provadas. Acompanhando a Elias no seu trabalho do costume, e sabendo a mudança que logo ocorreria, era em cada lugar convidado pelo profeta para voltar. "Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Betel", disse Elias. Mas, nos seus primeiros trabalhos de guiar o arado, Eliseu tinha aprendido a não fracassar nem desanimar; e agora que ele havia posto a mão ao arado para os deveres de outra natureza, não se desviaria do seu propósito. Tantas vezes quantas lhe era feito o convite para voltar, a sua resposta era: "Vive o Senhor, e vive a tua alma, que te não deixarei." (II Reis 2:2).
"E assim ambos foram juntos... E ambos pararam junto ao Jordão. Então Elias tomou a sua capa, e a dobrou, e feriu as águas, as quais se dividiram para as duas bandas: e passaram ambos em seco. Sucedeu pois que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada do teu espírito sobre mim. E disse: Coisa dura pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará; porém, se não, não se fará. E sucedeu que indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.
"O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, tomando os seus vestidos, os rasgou em duas partes. Também levantou a capa de Elias, que lhe caíra; e voltou-se e parou à borda do Jordão. E tomou a capa de Elias, que lhe caíra, e feriu as águas e disse: Onde está o Senhor, Deus de Elias? Então feriu as águas, e se dividiram elas para uma e outra banda; e Eliseu passou. Vendo-o pois os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante dele em terra". (II Reis 2:6-15). Desde então Eliseu ficou em lugar de Elias. E aquele que fora fiel no mínimo, mostrou-se também fiel no muito.

Elias, homem dotado de poder, tinha sido o instrumento de Deus na subversão de males gigantescos. Fora derribada a idolatria que, mantida por Acabe e pela gentílica Jezabel, havia seduzido a nação. Os profetas de Baal tinham sido mortos. Todo o povo de Israel tinha sido profundamente abalado, e muitos estavam voltando ao culto a Deus. Como sucessor de Elias era necessário alguém que por meio de instrução cuidadosa e paciente pudesse guiar Israel nos caminhos seguros. Para tal trabalho o primitivo ensino de Eliseu, sob a direção de Deus, o havia preparado.
A lição é para todos. Ninguém pode saber qual seja o propósito de Deus em Sua disciplina; mas todos podem estar certos de que a fidelidade nas pequenas coisas é a evidência do preparo para as maiores responsabilidades.
Cada ato da vida é uma revelação do caráter, e somente aquele que nos menores deveres se mostre "obreiro que não tem de que se envergonhar" (II Timóteo 2:15), será honrado por Deus com encargos de mais responsabilidade.


Moisés, Poderoso Pela Fé
Mais jovem do que José ou Daniel era Moisés quando foi removido do amparador cuidado do lar da sua infância; não obstante, as mesmas influências que haviam moldado a vida daqueles, tinham já modelado a sua. Apenas doze anos passara ele com os parentes hebreus; mas durante estes anos lançou-se o fundamento da sua grandeza; lançara-o a mão de alguém que não deixou nome memorável.
Joquebede era mulher e escrava. A sua porção na vida era humilde e os seus encargos pesados. Mas, com exceção de Maria de Nazaré, por intermédio de nenhuma outra mulher recebeu o mundo maior bênção. Sabendo que o seu filho logo deveria sair de sob os seus cuidados, para passar aos daqueles que não conheciam a Deus, da maneira mais fervorosa se esforçou ela por unir a sua alma ao Céu. Procurou implantar no seu coração amor e lealdade para com Deus. E fielmente cumpriu este trabalho. Aqueles princípios da verdade que eram a preocupação do ensino de sua mãe e a lição da sua vida, nenhuma influência posterior poderia induzir Moisés a renunciar.
Do humilde lar em Gósen, o filho de Joquebede passou ao palácio dos Faraós, à princesa egípcia, e por meio desta veio a ser bem recebido como filho amado e acariciado. Nas escolas do Egito, Moisés recebeu o mais alto preparo civil e militar. De grande atração pessoal, distinto na aparência e estatura, de espírito culto e porte principesco, e de fama como chefe militar, tornou-se o orgulho da nação. O rei do Egito também era membro do sacerdócio; e Moisés, apesar de se recusar a participar do culto pagão, era iniciado em todos os mistérios da religião egípcia. Sendo ainda nessa época o Egito a mais poderosa e mais altamente civilizada das nações, Moisés como seu provável soberano era herdeiro das mais altas honras que este mundo podia conferir. A sua escolha, porém, foi mais nobre. Por amor da honra de Deus e livramento do Seu povo oprimido, Moisés sacrificou as honras do Egito. Então, de maneira especial, Deus empreendeu a sua educação.

Moisés ainda não estava preparado para a obra da sua vida. Tinha ainda de aprender a lição de confiança no poder divino. Ele havia compreendido mal o propósito de Deus. Era sua esperança libertar Israel pela força das armas. Para isto arriscou tudo e fracassou. Derrotado e dececionado, tornou-se fugitivo e exilado em terra estranha.
Nos desertos de Midiã, Moisés passou quarenta anos como pastor de ovelhas. Aparentemente afastado para sempre da missão da sua vida, estava recebendo a disciplina essencial para o seu cumprimento. A sabedoria para governar uma multidão ignorante e indisciplinada deveria ser ganha pelo domínio de si próprio. No cuidado das ovelhas e dos tenros cordeiros deveria obter a experiência que faria dele fiel e longânimo pastor para Israel. Para que pudesse tornar-se um representante de Deus, deveria d'Ele aprender.
As influências que o haviam cercado no Egito, a afeição da sua mãe adotiva, a sua própria posição como neto do rei, o luxo e o vício que o seduziam de dez mil maneiras; o apuro, subtileza e misticismo de uma religião falsa, tinham produzido certa impressão no seu espírito e caráter. Na rude simplicidade do deserto tudo isto desapareceu.
Na solene majestade da solidão das montanhas, Moisés estava a sós com Deus. Em toda a parte estava escrito o nome do Criador. Moisés parecia achar-se na Sua presença, e protegido pelo Seu poder. Ali a sua presunção foi afugentada. Na presença do Ser infinito ele se compenetrou de quão fraco, quão ineficiente e quão curto de vista é o homem.

Ali Moisés adquiriu aquilo que o acompanhou durante os anos da sua vida trabalhosa e sobrecarregada de cuidados - a intuição da presença pessoal do Ser divino. Não olhava meramente através dos séculos para Cristo a manifestar-Se em carne; via a Cristo acompanhando o exército de Israel em todas as suas viagens. Quando era mal compreendido, ou difamadas as suas ações, ou quando tinha de suportar a ignomínia e o insulto, e enfrentar o perigo e a morte, estava ele habilitado a resistir "como vendo o Invisível." (Hebreus 11:27).
Moisés não pensava simplesmente acerca de Deus; ele via a Deus. Deus era a constante visão diante dele. Nunca perdeu de vista a Sua face.
Para Moisés, a fé não era uma conjetura, era a realidade. Ele cria que Deus dirigia a sua vida em particular, e em todos os seus detalhes ele O reconhecia. Para obter a força a fim de resistir a todas as tentações, confiava n'Ele.
A grande obra que lhe era confiada, desejava fazê-la com o maior êxito possível, e pôs a sua confiança toda no poder divino. Sentiu sua necessidade de auxílio, pediu-o, adquiriu-o pela fé, e saiu na certeza de manter a força.
Tal foi a experiência que Moisés alcançou com os quarenta anos de preparo no deserto. Para comunicar tal experiência, a Sabedoria Infinita não considerou demasiado longo o período nem excessivamente grande o preço.
Os resultados daquele preparo, e das lições então ensinadas, ligam-se intimamente, não só à história de Israel, mas a tudo que desde aquele tempo até hoje tem contribuído para o progresso do mundo. O mais elevado testemunho da grandeza de Moisés, ou seja, o juízo feito da sua vida pela Inspiração, é: "Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o Senhor conhecera cara a cara". (Deuteronómio 34:10).


Paulo, Alegre no Serviço
Com a fé e experiência dos discípulos galileus que haviam feito companhia a Jesus, encontraram-se reunidos na obra do evangelho o indómito vigor e o poder intelectual de um rabi de Jerusalém. Cidadão romano, nascido numa cidade gentílica, e judeu não somente por descendência mas por ensinos recebidos em toda a sua vida, por patriotismo e religião; educado em Jerusalém pelo mais eminente dos rabis, e instruído em todas as leis e tradições dos pais, Saulo de Tarso participava no maior grau do orgulho e dos preconceitos da sua nação. Ainda jovem, tornou-se honrado membro do sinédrio. Era considerado homem promissor, zeloso defensor da antiga fé.
Nas escolas teológicas da Judeia, a Palavra de Deus tinha sido preterida pelas especulações humanas; tinha sido privada do seu poder pelas interpretações e tradições dos rabis. Exaltação própria, amor ao domínio, cioso exclusivismo, fanatismo e orgulho desdenhoso, eram os princípios e motivos que regiam estes ensinadores.
Os rabis gloriavam-se na sua superioridade não somente sobre o povo de outras nações, mas também sobre a multidão do seu próprio país. Com ódio feroz aos seus opressores romanos, acariciavam a resolução de recuperar pela força das armas a sua supremacia nacional. Aos seguidores de Jesus, cuja mensagem de paz era tão contrária aos seus ambiciosos planos, odiaram e mataram. Nesta perseguição, Saulo era um dos atores mais atrozes e implacáveis.
Nas escolas militares do Egito, foi ensinada a Moisés a lei da força, e tão fortemente se apegou este ensino ao seu caráter que foram precisos quarenta anos de quietação e comunhão com Deus e a Natureza para habilitá-lo à chefia de Israel pela lei do amor. A mesma lição Paulo teve de aprender.

Às portas de Damasco a visão do Crucificado mudou todo o curso da sua vida. O perseguidor tornou-se discípulo; o mestre, aluno. Os dias de trevas passados em solidão em Damasco foram como anos em sua experiência. As Escrituras do Velho Testamento, entesouradas, na sua memória, foram o seu estudo, e Cristo o seu mestre. Para ele também a solidão da Natureza se tornou uma escola. Para o deserto da Arábia foi ele, a fim de estudar ali as Escrituras e aprender acerca de Deus. Esvaziou a alma dos preconceitos e tradições que lhe haviam moldado a vida e recebeu instruções da Fonte da verdade.
Sua vida posterior foi inspirada unicamente pelo princípio do sacrifício de si mesmo - o ministério do amor. "Eu sou devedor," disse ele, "tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes". "O amor de Cristo nos constrange". (Romanos 1:14; II Coríntios 5:14).
Como o maior dos ensinadores humanos, Paulo aceitava os mais humildes deveres assim como os mais elevados. Reconhecia a necessidade do trabalho tanto para as mãos como para a mente, e trabalhava num ofício para a manutenção própria. Prosseguia com o seu ofício de fazer tendas ao mesmo tempo que diariamente pregava o evangelho nos grandes centros da civilização.
"Estas mãos me serviram", disse ele, ao despedir-se dos anciãos de Éfeso, "para o que me era necessário, a mim e aos que estão comigo." Atos 20:34.
Conquanto possuísse altos dotes intelectuais, a vida de Paulo revelava o poder de uma sabedoria mais rara. Princípios do mais profundo alcance, princípios a respeito dos quais os maiores espíritos do seu tempo eram ignorantes, desdobravam-se em seus ensinos e exemplificavam-se em sua vida. Ele possuía a maior de todas as sabedorias - a que proporciona prontidão para discernir e simpatia de coração, e que põe o homem em contato com os homens, e o habilita a suscitar sua melhor natureza e inspirá-los a uma vida mais elevada.

- Escute-lhe as palavras diante dos pagãos de Listra, quando ele os dirige a Deus, revelado na Natureza, fonte de todo o bem, "dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria o vosso coração". Atos 14:17.
- Veja-o na masmorra em Filipos, onde apesar de ter o corpo dolorido pelas torturas, o seu cântico de louvor quebrava o silêncio da meia-noite. Depois que o terremoto abre as portas da prisão, a sua voz é de novo ouvida em palavras de ânimo ao carcereiro pagão: "Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos" (Atos 16:28) - cada um em seu lugar, constrangido pela presença de um companheiro de prisão. E o carcereiro, convicto da realidade daquela fé que sustinha a Paulo, inquire acerca do caminho da salvação, e com toda a sua casa se une ao grupo perseguido dos discípulos de Cristo.
- Veja Paulo em Atenas perante o conselho do Areópago, defrontando ciência com ciência, lógica com lógica, filosofia com filosofia. Notai como, com aquele tato oriundo do amor divino, aponta a Jeová como o "Deus desconhecido" (Atos 17:23), ao qual os seus ouvintes têm ignorantemente adorado; e com palavras citadas de um poeta deles mesmos, descreve-O como um Pai de quem eles próprios são filhos.
- Ouvi-o, naquela época de diferenças sociais em que os direitos do homem, como tal, não eram absolutamente reconhecidos, a apresentar a grande verdade da fraternidade humana, declarando que Deus "de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da Terra". Atos 17:26. Então mostra como, à maneira de um fio de ouro, se desenrola o propósito divino da graça e misericórdia através de todo o trato de Deus com o homem. Ele determinou "os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação, para que buscassem ao Senhor, se, porventura, tateando, O pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós". Atos 17:26 e 27.
- Ouça-o na corte de Festo, quando o rei Agripa, convencido da verdade do evangelho, exclama: "Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!" Atos 26:28. Com que gentil cortesia, apontando para a sua cadeia, Paulo responde: "Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias." Atos 26:29.

Assim passou a vida, como a descreve em suas próprias palavras - "em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de ladrões, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez". II Coríntios 11:26 e 27.
"Somos injuriados", disse ele, "e bendizemos; somos perseguidos e sofremos; somos blasfemados e rogamos" (I Coríntios 4:12 e 13); "como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo e possuindo tudo." II Coríntios 6:10.
Encontrava ele a alegria no servir; e ao terminar a vida de trabalho, olhando para trás às lutas e triunfos, podia dizer: "Combati o bom combate." II Timóteo 4:7.

Estas histórias são de interesse vital. A ninguém são elas de maior importância do que aos jovens. Moisés renunciou a um reino em perspetiva; Paulo, às vantagens da riqueza e honra entre o seu povo, para levar uma vida de pesados encargos no serviço de Deus. A muitas pessoas a vida destes homens parece ser de renúncia e sacrifício. Foi realmente assim? Moisés considerava a injúria de Cristo maiores riquezas do que os tesouros do Egito. Ele assim considerava porque assim era. Paulo declarou: "O que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo Qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo." Filipenses 3:7 e 8. Ele estava satisfeito com a sua escolha.
A Moisés era oferecido o palácio dos Faraós e o trono do rei; mas os prazeres pecaminosos que fazem com que os homens se esqueçam de Deus, prevaleciam naquelas cortes senhoris, e em lugar deles escolheu "riquezas duráveis e justiça". Provérbios 8:18. Em vez de se ligar às grandezas do Egito, preferiu unir a vida ao propósito divino. Em vez de dar leis ao Egito, por direção divina deu-as ao mundo.
Tornou-se o instrumento de Deus em transmitir ao homem aqueles princípios (Os Dez Mandamentos) que são a salvaguarda tanto do Lar como da Sociedade, e que são a pedra fundamental da prosperidade das nações - princípios hoje reconhecidos pelos maiores homens do mundo como o fundamento de tudo o que é melhor nos governos humanos. A grandeza do Egito jaz no pó. Passaram-se seu poderio e civilização. Mas a obra de Moisés jamais poderá perecer. Os grandes princípios de justiça, os quais ele viveu, são eternos.



A vida de Moisés, de trabalhos e de cuidados que pesavam sobre o coração, foi iluminada com a presença d'Aquele que "traz a bandeira entre dez mil", e é "totalmente desejável". (Cantares de Salomão 5:10 e 16.) Com Cristo na peregrinação do deserto, com Cristo no monte da transfiguração, com Cristo nas cortes celestiais, foi a sua vida abençoada na Terra e honrada no Céu.
Paulo também era em seus múltiplos trabalhos protegido pelo poder mantenedor da Sua presença. "Posso todas as coisas", disse ele, "n'Aquele que me fortalece." Filipenses 4:13. "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?" Romanos 8:35. "Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!" Romanos 8:37-39.
Havia, contudo, uma alegria futura para a qual Paulo olhava como a recompensa de seus trabalhos - a mesma alegria por causa da qual Cristo suportou a cruz e desdenhou a ignomínia - a alegria de ver o fruto do Seu trabalho. "Qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória?" escreveu ele aos conversos de Tessalónica. "Porventura, não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em Sua vinda? Na verdade, vós sois a nossa glória e gozo." I Tessalonicenses 2:19 e 20.

Quem poderá calcular os resultados dos trabalhos de Paulo, para o mundo? De todas estas benéficas influências que aliviam o sofrimento, que confortam a tristeza, que restringem o mal, que erguem a vida de sua condição egoísta e sensual, e a glorificam com a esperança da imortalidade, quanto se deve aos trabalhos de Paulo e de seus cooperadores, quando, com o evangelho do Filho de Deus, fizeram sua silenciosa viagem da Ásia às praias da Europa?
Qual o valor de uma vida que serviu de instrumento de Deus para colocar em ação tais influências abençoadoras? O que não valerá na eternidade testemunhar os resultados de um tal trabalho?

Ellen G. White in Educação, Casa Publicadora Brasileira.